Vasos de Honra

sábado, 10 de setembro de 2011

O SEGUNDO MANDAMENTO



“Eu sou o Senhor teu Deus... Não fará para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos” Ex. 20:2, 4-6.

            O que significa isto? Devemos temer e amar a Deus, pois Ele é nosso Legislador. “O Segundo Mandamento exige que recebamos e guardemos puros e inteiros todo o culto e ordenanças religiosas que Deus institui na sua Palavra” Resp. 50 do Breve Catecismo. Observemos que a ênfase deste mandamento recai sobre a maneira pela qual devemos prestar culto a Deus; não pode ser por meio de representações visíveis ou qualquer outra maneira não prescrita na sua Palavra. A ordem é esta: “Vê que faças todas as causas de acordo com o modelo que te foi mostrado no monte” Hb. 8:5; nós somos apenas servos que obedecemos estritamente às ordens recebidas.
           
1. A Natureza Mentirosa da Imagem. Qualquer imagem de seres celestiais é, de necessidade, uma mentira, algo feito para desviar o incauto das realidades espirituais, pois afirma fazer e representar o que é impossível. Ninguém jamais subiu ao céu a fim de reportar sobre a aparência de seus habitantes. Além disso, tanto Deus como os anjos são espíritos, seres invisíveis aos olhos humanos e, portanto, não podem ser representados por meios de escultura. Pergunta 96.  “O que Deus exige no Segundo Mandamento?” Resposta. “Não podemos, de maneira alguma, representar Deus por imagem ou figura. Devemos adorá-lo somente da maneira que Ele ordenou em sua Palavra”.
            a) O preceito negativo. É categoricamente proibido fazer imagens ou representações de seres espirituais. “Guardai, pois, cuidadosamente, a vossa alma, pois aparência nenhuma viste no dia em que o Senhor, vosso Deus, vos falou em Horebe, no meio do fogo, para que não vos corrompais” Dt. 4:15-16. A imagem, por ser uma mentira, tem efeito maléfico sobre a vida espiritual do homem, pois a sua alma fica impossibilitada de perceber os valores espirituais que são recebidos somente pela fé, e o culto que procura oferecer a Deus, consequentemente, fica totalmente corrompido e inaceitável. A degradação moral e espiritual do homem está diretamente ligada à idolatria, a perversão do culto instituído por Deus. 
            b) O preceito positivo. A Confissão de Fé da IPB nos oferece este esclarecimento: “A luz da natureza mostra que há um Deus, que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de toda força; mas, o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por Ele mesmo”. Por ter sido criado à imagem de Deus, a vocação inata do homem é buscar e adorar a Deus; mas, por causa do pecado, este instinto ficou corrompido e, agora, manifesta-se através das muitas formas de idolatria. Sim, Deus está procurando adoradores, porém, aceita somente aqueles que o adoram em espírito (sem representações) e em verdade (de acordo com o claro ensino das Escrituras Sagradas), Jo. 4:23-24. “Vinde adoremos e prostremo-nos; ajoelhados diante do Senhor, que nos criou. Ele é o nosso Deus, e nós, povo de seu pasto e ovelhas de sua mão” Sl. 95:6-7. “Servi ao Senhor com alegria” Sl. 100:2.

         2. A Natureza Medonha da Imagem.  A imagem cultual sempre tem uma aparência medonha e irreal; produto de uma imaginação pervertida pelo domínio do pecado. Não apenas as imagens da antiga Grécia, mas as da religião popular moderna também têm a mesma origem e são uma ofensa às perfeições intocáveis de Deus, um insulto à sensibilidade espiritual dos piedosos que temem a Deus. Pergunta 97. “Não se pode fazer imagem alguma”? Resposta. “Não se pode nem se deve fazer nenhuma imagem de Deus. As criaturas podem ser representadas, mas Deus nos proíbe fazer ou ter imagens delas para adorá-las ou para servir a Deus por meio delas”.
            a) O Mandamento é específico e categórico: “Não farás para ti imagem de escultura... Não as adorarás, nem lhes darás culto”. A Bíblia ensina que “Deus é espírito”. Ele não tem substância material e visível aos olhos humanos, portanto, tentar fazer qualquer representação visível dele é uma afronta que Ele não pode tolerar. Por isso, este mandamento tem um anexo que justifica a proibição: Ele visita e castiga a iniqüidade dos transgressores, pois, através da sua idolatria, manifestam a sua oposição à vontade de Deus; eles o aborrecem. Mas, por outro lado, aqueles que amam a Deus e guardam os seus mandamentos, são recompensados com grandes medidas de misericórdia. O Ap. Paulo fez referências a estes dois aspectos complementares da natureza divina: “Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram (cortados por causa da sua incredulidade), severidade; mas, para contigo (os que crêem e obedecem), a bondade de Deus, se nela permaneceres; doutra sorte, também tu serás cortado” Rm.11:22.
            b) A proibição neste Mandamento se refere às esculturas empregadas no culto a Deus. A lei não condena o uso de esculturas para fins ornamentais. Contudo, esta liberdade se refere aos objetos que existem neste mundo, animais, pássaros e partes da natureza que Deus criou para o nosso uso. Estes objetos ornamentais não podem ter nenhuma semelhança com as imagens cultuais. Como cristãos e tementes a Deus, temos de abster-nos de toda forma do mal, isto é, abster-nos de todas as aparências de idolatria, 1Ts.5:22. A norma bíblica é esta: “Não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão” Rm.14:13. Moisés fez uma serpente de bronze, de acordo com a direção de Deus, porém, quando esta se tornou em objeto de culto, foi totalmente destruída, Nm. 21:4-9; 2 Rs.18:4.

3. A Natureza Mediante da Imagem.  De certa forma, o homem sente a sua inferioridade, no sentido de que não pode ir diretamente aos deuses (os seres superiores), por isso, insiste no uso da mediania que auxilia esta aproximação. E a imagem, por ser algo representativo acessível, serve como mediante em sua busca de favores especiais. Pergunta 98. “Mas não podem ser toleradas as imagens nas igrejas como “livros para os ignorantes”? Resposta. “Não, porque não devemos ser mais sábios do que Deus. Ele não quer ensinar a seu povo por meio de ídolos mudos, mas pela pregação viva de sua Palavra”.

Reconhecemos que Deus tem nos dado uma revelação confiável de si mesmo e, “para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne da malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna a Escritura Sagrada indispensável, tendo cessado aqueles antigos modos de Deus revelar a sua vontade ao seu povo” Confissão de Fé da IPB. E o Deus que nos deu as Escrituras Sagradas, também nos deu os recursos necessários para compreendê-las de uma forma esclarecedora. Cristo falou da importância de examinar as Escrituras, porque elas contêm o plano da salvação e testificam do poder salvador de Jesus Cristo, Jo.5:39. O Ap. Paulo, encorajando Timóteo, escreveu: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste (uma referência à instrução recebida de sua mãe, de sua avó e do Apóstolo, sem esquecer da obra aplicadora do Espírito Santo, todos usando as Escrituras Sagradas). E que, desde a infância, sabes as Sagradas Letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus” 2 Tm. 3:14-15.

O homem pecador insiste em usar seus próprios métodos para prestar culto a Deus. Esta perversão espiritual manifesta-se através do uso de imagens e de outras invenções humanas. O profeta descreveu a futilidade destes recursos carnais. “Que proveita o ídolo, visto que seu artífice o esculpiu? E a imagem de fundição, mestre de mentiras, para que o artífice confie na obra, fazendo ídolos mudos? Ai daquele que diz à madeira: Acorda! E à pedra muda: Desperta! Pode o ídolo ensinar? Eis que está coberto de ouro e de prata, mas, no seu interior, não há fôlego nenhum” Hc.2:18-19. 



           Deus tem nos dado três recursos pelos quais podemos conhecer, satisfatoriamente, toda a sua vontade para cada área de nossa vida. O primeiro é a Bíblia, a única regra de fé e prática. “A coisa principal que as Escrituras nos ensinam é o que o homem deve crer acerca de Deus, e o dever que Deus requer do homem”. Breve Catecismo, Resposta 3. O segundo, são os ministros da Igreja, cuja missão é a edificação do povo de Deus através da fiel exposição e pregação da Bíblia. At 17:10-12; Ef 4:11-14. E o terceiro, é o dom de Espírito Santo, cuja missão é aplicar a Palavra de Deus às necessidades espirituais de seus ouvintes, Jo.14:26; 16:13; Ef.3:14-19. Estes, por serem os recursos dados por Deus para a devida compreensão da sua vontade, são dignos de toda a nossa confiança. Usemos estes recursos pela fé, pois sem fé é impossível agradar a Deus, Hb.11:6. “E tudo o que não provém de fé é pecado. Fé, isto é, total confiança na inerrância  das promessas de Deus. “A Escritura não pode falhar” Jo:10:35.

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