Vasos de Honra

terça-feira, 20 de junho de 2017

LOUVOR PELA SALVAÇÃO


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Isaías 12:1-6

Introdução: O capítulo doze de Isaías fala “das fontes da salvação”. Mas, o que significa salvação? Salvação é livramento de um estado de perigo ou de opressão. Israel foi escravizado e oprimido pelos egípcios, mas Deus viu a aflição de seu povo e determinou efetuar neles um grande salvamento. E, desfrutando dessa salvação, o povo rompeu em louvor e gratidão a Deus. No cântico de Moisés, ouviram-se estas palavras: “O Senhor é a minha força e o meu cântico; ele me foi por salvação; este é o meu Deus; portanto, eu o louvarei; ele é o Deus de meu pai (Abraão); por isso o exaltarei” (Ex. 15:2). Salvação é sempre motivo de ações de graças. Israel experimentou muitos salvamentos, livramentos de seus opressores, que são exemplos práticos da riqueza da nossa salvação espiritual, um livramento do poder escravizador do pecado.

O Ap. Paulo ensinou que as Escrituras Sagradas podem nos tornar “sábios para a salvação pela fé em Jesus Cristo” (2Tm. 3:15). E o Ap. Pedro enfatizou: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At. 4:12). Os judeus tentaram se salvar pela prática das obras da lei. Mas, jamais alcançariam a salvação por esforços próprios, porque somos pecadores e incapazes de prestar a devida obediência. Além disso, a Bíblia ensina “que ninguém será justificado (declarado inocente) diante de Deus por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm. 3:20). Portanto, sabendo que a lei somente nos dá conhecimento da nossa culpabilidade, temos que descobrir o que a Bíblia diz sobre o caminho certo que devemos seguir para sermos salvos das consequências do nosso pecado; a saber: “penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder”, para conceder uma outra oportunidade, (2Ts. 1:9).

Desde o pecado de Adão e Eva, toda a sua descendência tem precisado de socorro e salvação, porque todos nascem com a pena de morte pairando sobre a sua vida. Portanto, essa realidade tem que ser reconhecida e temida. O evangelho nos oferece o único meio pelo qual podemos ser salvos: exclusivamente pela fé em Jesus Cristo e em tudo o que Ele fez por nós quando deu a sua vida em resgate por muitos. A ordem agora é: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério” (At. 3:19-20). Importa que adotemos esse meio, pois fé em Jesus Cristo é a nossa única esperança. Agora, para nós, que cremos no Filho de Deus, e que estamos experimentando as bem-aventuranças do perdão de todos os nossos pecados, podemos sentir a razão do louvor que está registrado em Isaías, capítulo doze.

1. A Maravilha da Salvação, Vs.1-2. A referência “Naquele dia” é de quando o Espírito Santo aplicou a salvação, adquirida por Jesus Cristo, à nossa pessoa. E, com o reconhecimento dessa dádiva, somos incentivados a orar: “Graças te dou, ó Senhor, porque, ainda que te iraste contra mim, a tua ira se retirou, e tu me consolas”. Essa “ira” que sentimos pesando sobre o coração foi tomada pelo Espírito Santo para nos “convencer do pecado, da justiça e do juízo” (Jo. 16:8). E, compungidos em nosso coração, clamamos em desespero: “Que faremos?”. E, logo veio a resposta: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado (purificando-se pelo abandono do pecado) em nome de Jesus Cristo, para a remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (At. 2:38). Uma vez convertido, a ira de Deus se retira, e o Espírito Santo começa a nos consolar com palavras que comunicam a bem-aventurança do perdão de nossos pecados e da justificação diante de Deus, (Rm. 4:6-8).

O versículo dois expressa a alegria daquele que é salvo pela fé em Jesus Cristo. Louvamos a Deus quando testemunhamos tudo o que Ele fez por nós e o que Ele faz por nós, e como confessamos a nossa confiança nele. “Eis que Deus é a minha salvação”. Ele age em nosso favor, cuida de nós e supre todas as nossas necessidades. E, tendo a experiência dessa salvação, declaramos a nossa disposição diária: “Confiarei e não temerei, porque o Senhor Deus é a minha força e o meu cântico”. Todos nós temos que aceitar desafios, pois eles são parte da vida cristã. Para nós, que cremos em Jesus Cristo, unidos com Ele, talvez, o primeiro desafio é aceitar e praticar o que está implícito em nossa união com Cristo. Temos que considerar e reconhecer que, com ele, morremos para o pecado, de maneira que, agora, o pecado não terá domínio sobre nós. A nossa antiga servidão ao pecado recebeu a voz de libertação. Agora, somos livres para nos oferecer a Deus, como ressuscitados dentre os mortos, e os nossos membros a Deus, como instrumentos de justiça, (Rm. 6:6,12,13). Cantemos ao Senhor: “Ele se tornou a minha salvação”. A multidão dos redimidos no céu exclamou em grande voz, dizendo: “Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação” (Ap. 7:10). Nada da parte dos redimidos, tudo foi da graça de Deus. A Ele, pois, seja toda a glória, com ações de graças!

2. A Matéria da Salvação, Vs. 3-4. “Vós, com alegria, tirareis água das fontes da salvação”. Jesus Cristo é a fonte da nossa salvação. Como uma fonte de água, podemos chegar a ele e beber à vontade, porque Ele mesmo nos convida: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (Jo.7:37). O que sacia a nossa sede espiritual é conhecer mais e mais, e descobrir o que Cristo pode nos oferecer; nele achar uma abundância inesgotável, e tudo sem preço: “exultamos com alegria indizível e cheia de glória” (1Pe. 1:8). Podemos sentir a matéria que vai satisfazer a nossa sede espiritual nas sete grandes “eu sou” que Cristo assumiu para si mesmo: Ele é “o pão da vida”, (Jo.6:35). Aquele que vem a Cristo, pela fé, experimentará uma satisfação espiritual que o encherá de plena realização. Como Cristo prometeu: “O que vem a mim jamais terá fome”. Ele é “a luz do mundo”, (Jo. 8:12). Aquele que segue a Cristo não andará nas trevas da perdição, antes, terá a luz que o guiará para a vida eterna. O salmista confessou: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos” (Sl. 119:105). Ele é “a porta”, (Jo. 10:9). Nele, temos acesso ao “trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb. 4:17). Essa porta é única, por isso, o salmista disse: “Esta (a Pessoa de Jesus) é a porta do Senhor, por ela entrarão os justos” (Sl. 118:20). Ele é “o bom pastor”, (Jo. 10:9). Ele é o pastor por excelência que cuida de nós durante a nossa caminhada rumo ao céu. “Ainda que eu ande pelo vale da morte (uma aflição ou teste fora do comum, como no caso de Jó), não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão (instrumento usado para guiar e defender) e o teu cajado (instrumento usado para dar equilíbrio no andar), me consolam” (Sl. 23:4). Os dois instrumentos davam ao pastor confiança no exercício de seu trabalho. A Cristo pertence o poder para cuidar de cada um de seus redimidos. Ele é “a ressurreição”, (Jo. 11:25). Todos nós podemos aguardar a morte e sepultamento, mas este não é o fim da nossa existência, seremos ressuscitados dentre os mortos, a fim de estarmos com o Senhor para todo o sempre, (1Ts. 4:16-17). Ele é “o caminho”, (Jo. 14:6). Ele não apenas nos mostra o caminho para as moradas celestiais, antes, Ele mesmo é o caminho; portanto, andando em plena harmonia com Ele, chegaremos, com confiança, ao lugar preparado para aqueles que o amam. Jesus, como precursor, abriu o caminho, tirando dele todo e qualquer obstáculo, para que nós pudéssemos andar nele com toda segurança. Ele é “a videira”, (Jo. 15:5). Cristo é como a videira, e nós, o seu povo, somos os seus ramos. Os ramos são totalmente dependentes da seiva que recebem do tronco, pois, sem essa ligação, não teríamos como viver. Cristo acrescentou: “Sem mim, nada podeis fazer”. Temos que alimentar e cultivar essa união vital com Cristo, pois a nossa vida espiritual depende dessa comunicação. Com alegria ficamos agarrados a Ele, em plena dependência da sua plenitude!

Mas, o texto continua descrevendo aqueles que receberam esta salvação: “Direis naquele dia: Dai graças ao Senhor, invocai o seu nome, tornai manifestos os seus feitos entre os povos, relembrai que é excelso o seu nome”. Observamos os quatro verbos imperativos. 1º “Dai graças”. Temos que ter um motivo para dar graças com entendimento, por exemplo: “Converteste meu pranto em folguedos, tiraste o meu pano de saco e me cingiste de alegria, para que meu espírito te cante louvores e não se cale” (Sl. 30:11-12). 2º “Invocai o seu nome”. Clamar com urgência. Eis a promessa: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor (de acordo com os princípios bíblicos), será salvo” (Rm. 10:13). 3º “Tornai manifestos os seus feitos entre os povos”. Temos o dever de testemunhar dos feitos que o Senhor realizou a fim de nos dar a salvação: “O Filho de Deus me amou e a si mesmo se entregou por mim”, assim, nele “temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Gl. 2:20; Ef. 1:7). Testemunhar é evangelizar. Devemos imitar os primeiros cristãos. “Entrementes, os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra” (At. 8:4). 4º “Relembrai que é excelso o seu nome”. O nome do Senhor deve ser  invocado com santo temor. “Eu, pela riqueza da tua misericórdia, entrarei na tua casa e me prostrarei diante do seu santo templo no teu temor” (Sl. 5:7). É uma determinação, semelhante ao que Josué disse: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js. 24:15). “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é prudência” (Pv. 9:10).  

3. A Magnitude da Salvação, Vs. 5-6. “Cantai ao Senhor, porque fez coisas grandiosas”. Entre as obras grandiosas, temos a criação, que proclama a glória de Deus, (Sl. 19:1). Contudo, a obra maior é a redenção e a salvação de pecadores. As obras da criação foram realizadas por meio de uma ordem de poder, “pela palavra de Deus” (Hb. 11:3). Mas a redenção de pecadores foi realizada por um princípio bem mais envolvente. “Porque Deus amou ao mundo (cheio de pecadores) de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3:16). “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele” (1Jo. 4:9). “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós (como o nosso substituto), sendo nós ainda pecadores” (Rm. 5:8). A redenção do pecador sempre envolve o pagamento de um preço. E qual foi o preço que Cristo pagou a fim de redimir o seu povo? O preço foi extraído dele, mediante o seu sofrimento e morte substitutiva. No Getsêmani, o seu sofrimento foi tão intenso “que o suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra” (Lc. 22:44).  Do Getsêmani, Ele foi conduzido ao Sinédrio e a Pôncio Pilatos, de quem  recebeu todo tipo de injustiça, açoites, zombarias e, finalmente, a crucificação entre dois criminosos. Esse foi o preço da nossa redenção. O Apóstolo nos faz lembrar: “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1Co. 6:20). “Saiba-se isto em toda a terra”. Somos testemunhas de Jesus Cristo, seus representantes aqui na terra, e o nosso assunto principal é Jesus Cristo e este crucificado, (1Co. 2:2).

Por sermos salvos mediante a fé em Jesus Cristo e na sua obra redentora, podemos praticar a exortação final: “Exulta e jubila, ó habitantes de Sião, porque grande é o Santo de Israel no meio de ti”. Ele é grande em seu amor para conosco e inescrutável em seus caminhos. E, apesar de ser tão grandioso, Ele nos entregou o seu Filho, para que nele fôssemos redimidos, perdoados e feitos seus herdeiros, (Rm. 8:17). Por essa razão podemos sentir uma exultação, com júbilo, e uma “alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da nossa fé: a salvação da nossa alma” (1Pe. 1:8-9).

Conclusão: Um dos assuntos mais preciosos que deve ocupar a nossa mente é a salvação que temos mediante a fé em Jesus Cristo. Isaías doze é um cântico de louvor pela salvação de seu povo.


Vimos a Maravilha da Salvação, uma dádiva inteiramente gratuita para os que crêem. Vimos a Matéria da Salvação. Resumidamente, Cristo é a plenitude dessa salvação. Tendo Cristo em nossa vida, temos a vida eterna. Vimos a Magnitude da Salvação. Jesus Cristo, “aquele que não conheceu o pecado, Deus o Pai o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co. 5:21). Cristo, como o nosso substituto, carregou o nosso pecado e foi maltratado, como se fosse Ele o próprio pecador, sofrendo e morrendo em nosso lugar, para que nós pudéssemos exultar e jubilar, sabendo que, em Cristo Jesus, temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da  sua graça. Agora, a única coisa que Deus requer de nós para sermos salvos é fé em Jesus Cristo e em tudo o que Ele fez por nós. Que seja assim!

A VIDA CRISTÃ


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Hebreus 12:1-3

Introdução: Vamos contemplar, por um momento, o sentido da vida cristã: Temos uma carreira para completar; mas, não estamos sozinhos, temos uma grande nuvem de testemunhas que assumiram a mesma carreira e a completaram vitoriosamente. E, se perguntarmos: Como elas conseguiram vencer todos os obstáculos? Respondemos: Elas contemplaram o galardão, olhando firmemente para o Autor e Consumador da sua fé, Jesus Cristo.

E, se perguntarmos: O que é necessário para entrar nessa carreira? O texto lido responde: Temos que nos desembaraçar “de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia”. É impossível viver a vida cristã carregando pesos e pecados. Temos que ficar inteiramente livres deles, a fim de completar vitoriosamente a carreira cristã. Mas, quais são esses pesos e pecados? Os pesos são os hábitos desnecessários que ocupam o nosso tempo, que poderia ser utilizado para o nosso crescimento espiritual. Embora esses pesos não sejam pecados explícitos, eles podem tornar-se pecados quando provocam omissões em nossos deveres espirituais. Temos que amar a Deus com a totalidade do nosso ser, porém, quando deixamos os prazeres desta vida inibir a nossa devoção a Deus, estamos pecando contra Ele. Esses são os pecados que tenazmente nos assediam. A dificuldade para dar “a Deus o que é de Deus” (Mt. 22:21). A prioridade que temos de dar a Deus é uma das disciplinas mais exigentes na vida cristã. “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si, para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer” (Gl. 5:17). O cristão tem de lembrar, constantemente: “Não vos enganeis, as más conversações corrompem os bons costumes” (1Co. 15:33). Temos que ser cuidadosos com a fonte das nossas informações.

Com essa parte introdutória, reconhecemos a impossibilidade de entrar na carreira, que é a vida cristã, carregando pesos e pecados. Esses impedimentos têm que ser abandonados a fim de deixar-nos livres para “servirmos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor” (Hb. 12:28). Vamos ao texto da nossa leitura.

1. O Desafio do Cristão.  “Corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta”. Essa carreira é a vida cristã, em toda a sua abrangência. Começamos a correr a partir do momento em que somos regenerados e cremos em Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador; e terminamos somente na hora da nossa morte física. Reconhecemos que a natureza dessa carreira é bem específica, porque o seu percurso é estabelecido pelo próprio Deus. Portanto, a primeira característica dessa vida é submissão à soberana vontade de Deus. A palavra “submissão” é composta de duas partes: “sub”, isto é, sob ou debaixo de alguém; e “missão”, ou seja, a prática da nossa vocação. O Ap. Pedro nos desafia: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que Ele, em tempo oportuno, vos exalte” (1Pe. 5:6). E, outra vez: “Servos, sede submissos, com todo o temor ao vosso senhor, não somente se for bom e cordato, mas também ao perverso; porque isto é grato, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente por motivo de sua consciência para com Deus” (1Pe. 2:18-19). Em outras palavras, vivemos a vida cristã sob a direção do Espírito Santo. “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm. 8:14). Quando estamos sendo guiados, entende-se que somos submissos ao nosso Guia. Devemos lembrar do título que Deus nos deu: “Somos filhos da obediência” (1Pe. 1:14).

Essa carreira deve ser corrida com “paciência e perseverança”. A vida cristã é sempre composta de circunstâncias agradáveis, bem como desagradáveis. As negativas têm a tendência de tentar deixar-nos desanimados. Mas, é justamente nessas circunstâncias que temos que usar "paciência e perseverança”. Não podemos deixar as dificuldades impedirem a nossa corrida. É importante lembrar que circunstâncias negativas nunca acontecem por acaso; tudo está sob a poderosa direção do Deus que ama o seu povo redimido. Nesse contexto, Cristo  disse: “Não se vendem cinco pardais por dois asses? Entretanto, nenhum deles está em esquecimento diante de Deus. Até os cabelos da nossa cabeça estão todos contados. Não temais! Bem mais valeis do que muitos pardais”  (Lc. 12:6-7). Quando nós conseguimos acreditar que tudo  o que acontece vem da direção e cuidado de Deus,  teremos forças para correr com paciência em nossa vida, para o nosso bem espiritual, para que tenhamos o fruto da justiça. “Por isso, restabelecei as mãos descaídas e os joelhos trôpegos; e fazei caminhos retos  para os pés, para que não se extravie o que é manco; antes, seja curado” (Hb. 12:11-13). E a palavra de exortação, que se aplica a cada um de nós: “Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para  que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa” (Hb. 10:36).

2. O Desafogo do Cristão. “Temos a rodear-nos tão  grande nuvem de testemunhas”. O que nos consola  é que nós não somos os primeiros a entrar nessa carreira, pois existe uma grande nuvem de testemunhas que experimentaram as mesmas dificuldades que nós estamos enfrentando e, apesar disso, completaram a carreira vitoriosamente, confessando: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou”, o  nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, (Rm. 8:37). Mas, o maior exemplo para nós é o próprio Jesus! Por isso, o Apóstolo disse: “Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim, andai nele, nele radicados e  edificados e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças” (Cl. 2:6). Ele  é o precursor, que assumiu a mesma carreira que nós recebemos, juntamente com todas as circunstâncias que caracterizam esse caminho.

Quais são algumas das dificuldades que Cristo teve que suportar? “Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo”. Isto é: medite, cuidadosamente, no que Cristo experimentou, lembrando de quem Ele é; o próprio Filho de Deus, aquele que é digno de receber a mesma honra que damos ao Pai, (Jo. 5:23). Contudo, “era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso” (Is. 53:3). É quase insuportável ser desprezado e rejeitado. Cristo “veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo.1:11). Mas, por que estamos falando dessa maneira? “Para que não vos fatigueis, desmaiando em vossas almas”. O que Cristo suportou, como homem, semelhante a nós, foi muito maior do que nós teremos que suportar. A comparação é sempre útil, a fim de nos fortalecer em nossas tribulações.

Por que Jesus suportou tamanha contradição? Ele estava chegando ao ápice de sua caminhada. “Jesus, o qual em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra de Deus”. Como Cristo andou, andemos nós também. Ele é o nosso exemplo. Nesse contexto, o Ap. Paulo escreveu: “Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus, e co-herdeiros com Cristo; se com Ele sofremos, também com Ele seremos glorificados” (Rm. 8:17). Há uma semelhança entre o que Cristo experimentou e o que nós teremos que suportar na pista de corrida, que é a vida cristã. Assim como Cristo foi glorificado, nós também seremos glorificados.

Mas, qual é a diferença entre os sofrimentos de Cristo e os nossos? Ele estava sofrendo vicariamente por causa das nossas transgressões, dando satisfação a Deus por causa das nossas iniquidades. O nosso sofrimento, por outro lado, é parte do preço que pagamos  por sermos fiéis a Jesus Cristo. Ferir a justiça de Deus é um crime seríssimo e não pode passar como se fosse nada. O preço dessa transgressão é além de qualquer possibilidade humana. Somente o sofrimento e a morte de Cristo poderiam expiar  os nossos pecados e apaziguar a ira de Deus. Graças a Deus por Cristo Jesus, porque, agora, “nele temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7).

3. O Desapego do Cristão. Agora, qual é o nosso dever? “Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus Cristo”. Mas não é tão fácil manter os olhos fixos em nosso Salvador. A experiência de Pedro nos ensina do perigo de desviar os olhos de Cristo. No momento em que ele tirou os olhos daquele que o convidou, ele começou a “submergir”. Mas, por que ele tirou os olhos de seu Mestre? Ele “reparou na força do vento, e teve medo” (Mt. 14:22-33). Com os olhos fixos em Jesus, não teve medo de sair do barco e andar por sobre as águas. Mas, com os olhos desviados, teve medo e começou a se perder. No caminho para o céu existem muitas distrações cujo objetivo principal é desviar os nossos olhos de Cristo e colocar-nos no perigo de perdição. Quais são algumas dessas seduções  tão cativantes?

Em vez de manter os olhos firmemente fixos em Jesus Cristo, há uma tendência para olhar e cuidar dos nossos próprios interesses. Cristo falou da “fascinação das riquezas”, a ambição de ganhar muito dinheiro; esquecendo que “o amor ao dinheiro é raiz de muitos males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (1Tm. 6:10). Por que Ananias e Safira mentiram sobre a quantia de seu dinheiro? A “fascinação” cegou-lhes a consciência. O dinheiro que eles reservaram para si era mais importante que a verdade, (At. 5:1-11). Por que o jovem retirou-se triste da presença de Jesus? A “fascinação” das suas muitas propriedades cegou-lhe quanto às prioridades. Cuidar dos bens deste mundo era mais importante que vender tudo e seguir a Jesus. Os bens deste mundo, para ele, eram mais palpáveis do que “um tesouro no céu” (Mc. 10:17-22). Temos que desapegar-nos do amor ao dinheiro. Por que “um rico dificilmente entrará no reino dos céus”? (Mt. 19:23). Porque “ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt. 6:24). Deus não pode aceitar um coração dividido. A ordem é esta: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força” (Mc. 12:30). É impossível olhar para Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, contemplar, com amor, os bens deste mundo. Não esqueça da confusão e tristeza do jovem rico.

Outro mal é olhar para o seu próximo com a intenção de julgá-lo precipitadamente, “pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados” (Mt. 7:1-2). “O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm. 13:10). Não podemos olhar para Cristo com aquela devoção sincera no coração e, ao mesmo tempo, olhar para o próximo com más intenções. Cristo disse: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (Jo. 13:34). O mandamento é novo no sentido de que, agora, temos um exemplo para seguir. Amamos como Cristo nos amou. E, para amar, tanto a Deus como ao próximo, temos que nos desapegar de todo e qualquer impedimento, para  que estejamos livres para praticar a vontade de Deus, olhando firmemente para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé. Com a prática desse amor, teremos a certeza de que somos nascidos de novo,  (1Jo. 4:7). Mencionamos dois males que impedem a nossa vitória na vida cristã: a fascinação das riquezas e a tendência de julgar o nosso próximo precipitadamente. Se não nos desapegarmos desses dois males, será impossível correr  “com perseverança, a carreira que nos está proposta”.

Conclusão: Temos tentado descrever certos aspectos da vida cristã, que é comparada a uma pista de corrida. Para chegar ao ponto final, vitoriosamente, temos que correr com perseverança e paciência, sem deixar outros interesses nos embaraçarem. O segredo é olhar firmemente para Jesus Cristo.


Vimos, em primeiro lugar, o desafio que cada cristão tem que aceitar. Temos que correr a vida cristã com perseverança e paciência. Sim, existem obstáculos, mas, olhando firmemente para Jesus Cristo, venceremos. Vimos, em segundo lugar, o  desafogo do cristão. O que nos consola é que não somos os únicos nessa corrida. Existe uma grande nuvem de testemunhas que terminaram  a carreira vitoriosamente, olhando firmemente para Jesus Cristo. Sim, Ele enfrentou tanto sofrimento por amor a nós e venceu  gloriosamente. Nós, de forma semelhante, venceremos, se mantermos os olhos fixos em Jesus Cristo. E, em terceiro lugar, vimos o desapego do cristão. Ele não pode correr vitoriosamente quando seus olhos estão desviados de Jesus Cristo. Temos que desapegar-nos da fascinação das riquezas, porque, se não, teremos que enfrentar os perigos que podem nos afastar da vida eterna. E, também, temos que nos desapegar de qualquer tendência que possa prejudicar o nosso próximo. Temos que amá-lo, como Cristo nos amou. Novamente, seremos vitoriosos na prática desses três princípios na medida que mantermos os nossos olhos fixos em Jesus Cristo, imitando o seu exemplo. A vida cristã é uma carreira, um estilo de vida que engrandece o Nome do nosso Deus. Que o Espírito Santo nos fortaleça para esse fim.      

domingo, 14 de maio de 2017

O GRANDE MANDAMENTO



Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Marcos 12:28:34.
Introdução: No tempo de Jesus, dentro da religião judaica, existiam muitos grupos diferentes. Os três principais eram: Os Saduceus - eles aceitavam somente os escritos de Moisés, porém, negavam a ressurreição dos mortos e tudo o que estava ligado a essa doutrina; também, negavam a existência de anjos e de espíritos; veja Marcos 12:18:27.  Os Fariseus - a ênfase era mais ética do que teológica. Eles exigiam uma obediência literal à lei de Deus e às tradições, tais como a guarda do sábado, o pagamento do dízimo e a proibição de comer na casa de um não fariseu. Para se ter uma ideia de como eles viviam, veja Lucas 6:1-5. Os Escribas, ou Intérpretes da Lei - eram os mestres para interpretar e ensinar a lei de Deus. No exercício desse ministério, eles acrescentaram à lei as próprias opiniões que, gradativamente, tornaram-se “tradições”. Estas passaram a receber uma autoridade igual ou superior à das Escrituras Sagradas. Por isso, Cristo condenou essas tradições, dizendo: “Assim, invalidastes a palavra de Deus, por causa da vossa tradição” (MT. 15:5-6).  Veja como Cristo condenou as atitudes dos fariseus e escribas. Mas, em vez de aceitar a repreensão, eles tornaram-se seus inimigos, (Lc. 11:37-54). Contudo, cremos que alguns dos escribas temiam a Deus. Eles foram responsáveis pela preservação das Escrituras, fazendo cópias delas. Graças a esses homens fiéis, temos, hoje, a verdadeira Palavra de Deus em forma escrita, porque o Espírito Santo zelava por sua Palavra, capacitando homens a escrever com honestidade. Desse grupo, veio o escriba do nosso texto. Sentimos que ele era um homem sincero, e não um daqueles que tentavam apanhar o Senhor Jesus em uma palavra, a fim de contradizer tudo o que Ele ensinava.

1. A Indagação do Escriba, V.28. Grandes multidões seguiam a Jesus e, sempre no meio destas, os saduceus, fariseus e escribas se faziam presentes. Num desses encontros, os saduceus tentaram ridicularizar a doutrina da ressurreição. Mas Jesus os dirigiu ao livro de Moisés, aquele que eles supostamente seguiam, dizendo: “Quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido no Livro de Moisés, no trecho referente à sarça, como Deus lhe falou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ora, Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos. Laborais em grande erro” (Mc. 12:18-27). Agora, voltando para o escriba do nosso texto, ele também estava no meio daquela multidão que seguia a Jesus, e ouviu como Jesus havia respondido bem ao drama criado pelos saduceus. Podemos imaginar como ele raciocinava: Este homem é diferente, Ele não é como os meus colegas dizem... Vou ver como Ele responderá à minha pergunta! (Que foi: “Qual é o principal de todos os mandamentos?”) Devemos lembrar que, entre os escribas, não havia nenhum acordo sobre essa questão. Contudo, reconhecemos que essa pergunta é a mais importante que o homem pode fazer. Se ele erra a resposta, continua perdido, porque não ama a Deus.

2. A Informação de Jesus Vs. 29:31. A resposta é dupla: O homem deve começar a sua busca espiritual, em primeiro lugar, crendo na unicidade do Deus verdadeiro. Muitos seguem deuses que, por natureza, não o são (Gl. 4:8). Por isso, a importância da informação de Cristo: “Ouve, ó Israel, o Senhor, o nosso Deus é o único Senhor”. A segunda parte da sua resposta é: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força”. Esse amor é sempre dirigido unicamente a Deus, (Dt. 10:12-13). O Senhor continua, dizendo: “O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que este”. O nosso ser não é dividido em partes, uma independente da outra. Somos uma unidade indivisível. Quando dizemos que amamos a Deus, é uma impossibilidade dizer: Eu amo a Deus de coração, porém, não com todas as minhas forças, porque tenho outras responsabilidades e interesses. Tentando agir assim, é uma negação da realidade de seu amor. As quatro palavras: coração, alma, entendimento e força estão representando a totalidade da nossa disposição para amar a Deus.

A Bíblia ilustra como esse amor deve ser: “Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta; a passo que de Caim e sua oferta não se agradou” (Gn. 4:4-5). Por que essa diferença entre os dois irmãos? Porque Abel obedeceu à norma que Deus estabelecera de receber culto dos pecadores. Essa norma seria unicamente mediante um sacrifício e o derramamento do sangue de um cordeiro. Caim desprezou o que Deus estabelecera. Talvez, ele pensou: Eu posso ofertar a Deus o que eu tenho, afinal, Deus tem que reconhecer o que eu faço com as minhas próprias mãos, visto que o fruto do meu trabalho é tão importante quanto os cordeiros de meu irmão, (Gn 4:3-5). Mas Deus jamais aceitará a justiça própria do homem. Amar a Deus requer obediência ao que Ele tem ordenado. Cristo disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo. 14:15). A obediência é a prova da veracidade do nosso amor. Outro exemplo: “Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si” (Gn. 5:22). Se nós amamos a Deus segundo as normas que Ele mesmo estabeleceu, estaremos em comunhão constante com  Ele, à semelhança de Enoque. Alimentamos essa comunhão espiritual lendo a Bíblia, fazendo orações todos os dias e procurando a vontade de Deus em cada uma das nossas decisões. Cristo revelou o seu modo de viver diante de Deus: “Eu faço sempre o que lhe agrada” (Jo. 8:29). Essa é a disposição que revela a realidade do nosso amor a Deus. O amor sempre envolve a totalidade do nosso ser. Quando Cristo nos amou e a si mesmo se entregou à morte como o nosso substituto, a totalidade do seu ser foi necessária, a fim de ser vitorioso e adquirir a nossa redenção e salvação. Portanto, devemos confirmar a nossa eleição através de uma vida santa e irrepreensível, andando em amor, (Ef. 1:4; 5:2).

Agora, não podemos esquecer o nosso irmão. Se nós realmente amamos a Deus, de necessidade amaremos o nosso irmão, porque Deus é amor. O Ap. João deu este exemplo: “Amados, se Deus de tal maneira nos amou, devemos nós também amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado” (1Jo. 4:11-12). O amor ao próximo é a prova de que somos parte do povo que Deus adotou como seus filhos.

3. A Inclinação do Escriba, V.32-33. Podemos sentir a sinceridade desse escriba com a sua exclamação: “Muito bem, Mestre!”. Por ser um intérprete da lei e um instrutor dela, ele fez questão de repetir a resposta que Jesus lhe dera; e acrescentou uma verdade profunda: “E, com verdade disseste que Ele é o único Deus, e não há outro senão Ele; e que amar a Deus de todo coração, de todo entendimento e de toda a força e amar o próximo como a si mesmo”. Agora, repare no acréscimo: esse amor “excede a todos os holocaustos e sacrifícios.” O que ele está dizendo com essas palavras? Ele estava confessando que não há nada que possa substituir a prática do amor. “O cumprimento da lei é o amor” (Rm. 13:10). Existem pessoas que estão se esforçando para substituir a necessidade de praticar o amor. Davi confessou ao Senhor: “Pois não te comprazes em sacrifícios: do contrário eu tos daria; e não te agradas de holocausto” (Sl. 51:16). Fazer qualquer coisa física é bem mais fácil do que amar de todo o nosso coração. Cristo repreendeu os escribas e os fariseus: “Ai de vós, escribas e fariseus (que tentam substituir a prática do amor), hipócritas,  porque dais o dízimo do hortelã, do endro e do cominho (coisas mínimas) e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia, (o amor), e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas” (Mt. 23:23). O Ap. Paulo, abordando o mesmo assunto, escreveu: “Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o símbolo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar, e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (1 Co. 13:1-3). Novamente, reiteramos: não existe nada que possa substituir a prática de um amor verdadeiro e visível. Esse amor supremo é sempre dirigido a Deus e ao próximo. E, para finalizar sobre o lugar institutível do amor, o Apóstolo escreveu: “Se alguém não amar o Senhor, seja anátema. Maranata” (1Co. 16:22).

4. A Intuição de Cristo, V 34. “Vendo Jesus que ele (o escriba) havia respondido sabiamente, declarou-lhe: Não estás longe do reino de Deus”. O que Jesus estava dizendo com essa observação? Entendemos que o homem, num sentido, pode chegar perto de reino de Deus por seu próprio esforço, estudando a Bíblia e abandonando certos pecados. O jovem rico é um exemplo daqueles que procuram “estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitando à que vem de Deus” (Rm. 10:3). O que lhes falta é aquela obra insubstituível do Espírito Santo, que soberanamente efetua a tão necessária regeneração. Cristo ensinou: O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito, isto é, tem a vida verdadeiramente espiritual e é herdeiro da salvação, (Jo.3:6). Ninguém se torna cristão por ter nascido num lar cristão, visto que tornar-se cristão é uma experiência posterior. Ser cristão é um processo que deve ser reconhecido. Primeiro, no devido tempo, a pessoa sente uma necessidade espiritual. O Espírito Santo está agindo, dirigindo-a a ler a Bíblia, de onde receberá a resposta que saciará o seu anseio. Com a leitura das Escrituras Sagradas, o Espírito Santo a convencerá de seu pecado e como este deve ser confessado e abandonado. E, em seguida, será dirigida a Jesus Cristo, “no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos nossos pecados” (Ef. 1:7).

Podemos traçar a experiência desse escriba da seguinte maneira: Mediante o seu contato com as Escrituras Sagradas, ele reconheceu a sua necessidade espiritual. Na esperança de alcançar paz com Deus, ele começou a praticar as obras da lei, algo que ele não conseguia fazer com a devida perfeição, “visto que ninguém será justificado diante de Deus por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”, mas ela não oferece nenhum perdão,  (Rm. 3:20). O escriba estava caminhando para aquele ponto quando teria que reconhecer que, por seus próprios esforços, jamais seria justificado diante de Deus. O jovem rico chegou a esse ponto, por isso, foi a Jesus e lhe perguntou: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” (Mc 10:17). Com certeza, como Intérprete da Lei, o escriba conhecia as promessas Messiânicas do Cristo que salvaria o seu povo dos pecados deles. Cremos que ele estava examinando Jesus a fim de saber se Ele era, porventura, o prometido Salvador. Nesse ponto, ele parou, não sabemos se ele chegou a confessar que Jesus era, de fato, o verdadeiro Messias, o Cristo de Deus.

A história do jovem rico descreve o que estamos dizendo, (Lc. 18:18-23). Apesar de toda a sua obediência à lei, ele sabia que não tinha a salvação, e não estava preparado para o tribunal de Deus. E, por causa disso, aproximou-se de Jesus e lhe perguntou: “Mestre, que farei eu de bom, para alcançar a vida eterna?” Jesus não lhe deu uma resposta direta. Em vez disso, Ele lhe disse: “Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me”. Por que Jesus lhe deu essa resposta? O jovem era muito rico, e ele tinha que descobrir se as suas posses eram mais importantes que vendê-las e seguir a Jesus. Esse é o ponto onde muitas pessoas chegam. Estão  caminhado bem e não estão longe do reino de Deus, mas não querem tomar aquele passo decisivo para deixar tudo e seguir a Jesus, não querem entregar-se, corpo e alma, aos cuidados salvíficos de Jesus Cristo. O preço é alto demais. A história das dez virgens é semelhante. Todas as dez seguiam as normas exteriores de uma vida piedosa, porém, com uma diferença. Cinco eram prudentes e se muniram com azeite, com aquela devoção sincera do coração; e, quando o noivo chegou, entraram com ele pela porta aberta. Mas as cinco néscias não se preocuparam quanto à necessidade do azeite, ficando satisfeitas com a simples observância de algumas formalidades, em vez de uma devoção sincera. Por isso, quando foi anunciada a vinda do noivo, elas descobriram, já tarde demais, a sua falta de azeite, e a porta se fechou contra elas. Não é suficiente ficar perto do reino de Deus: temos que tomar aquela decisão imperativa, crendo e entregando-se, corpo e alma, sem reservas, a Jesus Cristo, para que sejamos salvos por Ele. Somente unidos com Jesus Cristo é que podemos praticar o grande mandamento.


Conclusão: Temos falado sobre a importância de conhecer e obedecer ao Grande Mandamento que fala sobre a excelência  do amor, não apenas a Deus, mas também ao próximo. Salientamos a necessidade de praticar esse amor com a totalidade do nosso ser. Em nosso procedimento, não existe nada que possa substituir esse amor. Sacrifícios e boas obras não podem agradar a Deus. O que Ele requer de cada um de nós é o amor que emana de um coração sincero. Muitos chegam perto do reino de Deus por seu conhecimento das Escrituras Sagradas, porém, não querem abrir mão da sua própria independência e auto-suficiência. Chegam perto do reino de Deus, porém, não entram. Sem Cristo em nossa vida, dirigindo os nossos passos, é impossível alcançar a dádiva da vida eterna. Não seja como as virgens néscias, descobrindo a sua falta  quando já era tarde demais para ser remediada. Cristo explicou o problema: “Contudo, não querei vir a mim para terdes vida” (Jo. 5:40). Então, sabemos o que devemos fazer. Que sejamos prudentes!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

PAZ COM DEUS



Leitura Bíblica: Romanos 5:1-2.

Introdução: A paz é o estado mais desejado pelo ser humano; contudo, apesar de todos os apelos e propostas dos homens, a paz continua sendo um estado fugitivo. Existem dois tipos de paz: a que o mundo oferece e a que Cristo promete dar a seu povo. Eis a palavra que Cristo nos deu: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou com a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo. 14:27). A paz que o mundo oferece é transitória e enganadora; pensamos que temos uma certa paz, porém, com uma mudança negativa em nossas circunstâncias, ela foge, deixando-nos vazios e desesperados. Ficamos enganados por causa de uma impressão imaginária. E como dói quando descobrimos o engano. Mas, como é diferente a paz que Cristo nos dá; ela não é como a do mundo; é um estado de tranquilidade que emana da consciência de que os nossos pecados são perdoados. É uma paz que não depende de circunstâncias favoráveis. Eis a promessa dada para nos encorajar: “O Senhor dá força ao seu povo, o Senhor abençoa com paz o seu povo” (Sl. 29:1). Portanto, a paz é um estado de favor diante de Deus, pois os nossos pecados foram lançados “nas profundezas do mar” (Mq. 7:19). Agora, somos reconhecidos como “filhos da obediência” (1Pe. 1:14). O versículo chave da nossa mensagem explica melhor como recebemos esta paz: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm. 5:1).

1. O Acontecimento desta Paz. “Temos paz com Deus”. Nunca devemos esquecer que somos pecadores e, por causa dos nossos pecados, existe uma barreira de inimizade entre nós e o nosso Deus santo. Essa inimizade impossibilita qualquer paz ou comunhão espiritual entre Deus e o pecador. E, para facultar uma paz entre os dois, uma reconciliação tem que ser realizada, isto é, a causa da inimizade tem que ser removida. Novamente, temos que reconhecer a soberania de Deus. Não foi o homem que procurou uma reconciliação, antes, por amor a seu povo, o próprio Deus providenciou os meios para realizar a necessária harmonização. Como a Bíblia ensina: “Ora, tudo provém de Deus que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões e nos confiou a palavra da reconciliação” (2Co. 5:18-19).

Vamos aprender como Deus removeu esta barreira de inimizade. A causa da hostilidade são as “transgressões” dos homens. Portanto, Deus tinha que providenciar um meio para remover essas transgressões. Mas, como? “Não imputando aos homens as suas transgressões”, antes, foram tiradas do pecador e colocadas sobre o seu próprio Filho, Jesus Cristo, “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1Pe. 2:24). Como a profecia predisse: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele (Jesus Cristo) a iniquidade de nós todos” (Is. 53:6). Dessa maneira, “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo”. Mas, vamos sentir algo sobre o preço que Cristo pagou: “Aquele que não conheceu pecado, ele (Deus Pai) o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co. 5:21). Por amor a nós, Cristo foi castigado como se fosse Ele o pecador. “O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Is. 53:5 ). Agora, sendo reconciliados e perdoados, tendo a paz de Deus em nosso coração, damos toda a glória a Deus, com gratidão por Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.

2.O Argumento da Paz. “Justificados”. Na Bíblia, essa palavra é usada no tribunal de Deus. O pecador é julgado segundo “o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo”, para depois ser declarado: ou culpado e condenado; ou inocente e justificado, de acordo com a lei divina. Não há como escapar. Para sermos justificados, temos que ter uma página em branco diante dessa lei. Mas, por natureza, ninguém tem a devida inocência. A Bíblia condena a todos, “pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos” (Rm. 3:9-18). Como o profeta acrescentou: “Para os perversos, todavia, não há paz, diz o Senhor” (Is. 48:22). O seu pecado é a causa dessa desarmonia, a qual se manifesta através de uma agressividade contra o seu próximo.

Mas, apesar desse quadro negativo, Deus continua desejando salvar e santificar o pecador. A pergunta se levanta: Como pode Deus ser justo e, ao mesmo tempo, ser o justificador do ímpio? Exigir uma obediência perfeita à lei é uma futilidade: “Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm. 3:20). Em vez de salvar, a lei somente intensifica a culpabilidade do pecador e confirma a sua condenação. Contudo, eis a resposta de Deus: “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo” (Rm. 3:21-22). Somos justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus. Ele resolveu definitivamente o problema do nosso pecado. Ele é a nossa paz, (Ef. 2:4). Por Ele somos justificados. E o profeta descreveu o fruto desta dádiva: “O efeito da justiça será paz, e o fruto da justiça, repouso e segurança para sempre” (Is. 32:17). Novamente, reiteramos o versículo do nosso texto: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. Vamos valorizar a letra do hino: “Cantarei a Cristo! Por nós cumpriu a lei! Seu manto de justiça, alegre, vestirei”. (HNC 50).

3. O Alicerce desta Paz. Temos esta paz com Deus “por meio do nosso Senhor Jesus Cristo”. Ele é a nossa “âncora da alma, seguro e firme e que penetra além do véu, onde Jesus entrou por nós, tendo-se tornado sumo-sacerdote para sempre” (Hb.6:19-20).

Por sermos pecadores e totalmente inabilitados a cuidar da nossa vida espiritual, somos completamente dependentes da mediação de um outro que tem a autoridade e o poder para nos salvar. E este é Jesus Cristo. Tudo o que temos e precisamos vem a nós “por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. Como Ele mesmo disse: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo. 15:5). Por isso, cheio de compreensão, Ele nos convida: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jogo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave e meu fardo é leve” (Mt. 11:28-30). Feliz a pessoa que sente uma necessidade espiritual e toma posse dessa promessa, aproximando-se, pela fé, daquele que o convida.

A mediação de Jesus Cristo é uma das verdades fundamentais da fé cristã. Veja como Efésios 1:3-14 apresenta essa verdade: Quando Deus o Pai age em nosso favor, é sempre e unicamente “em Cristo” (V3). Fomos escolhidos “nele” para viver uma vida santa e irrepreensível, (V4). Fomos adotados como filhos de Deus, “por meio de Jesus Cristo”, (V5). Nele, “temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (V7). E os que esperam em Cristo, foram “selados com o Santo Espírito da promessa” (Vs12-14). Sempre enfatizamos que o acesso que temos ao trono da graça é, exclusivamente, pela fé, em plena submissão à eficácia da mediação de Jesus Cristo. “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb. 4:14-16).

E, para que o homem pudesse ser justificado e tivesse paz com Deus, Cristo tinha que realizar três atos indispensáveis em nosso favor: 1) Ele assumiu o lugar judicial de seu povo, como seu fiador e substituto, tomando sobre si mesmo tudo o que esse povo devia à lei de Deus. “Ele derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu” (Is. 53:12). Por causa disso, o verdadeiro cristão é um homem justificado, porque ele crê na fidelidade de seu Substituto. 2) Ele pagou a dívida que pairava sobre o cristão, liquidou tudo, até o último centavo; não com ouro ou prata, mas, sim, com o seu próprio sangue, (1Pe. 1:18-19). 3) Ele cumpriu todas as exigências da lei, para que o cristão, aquele que entregou sua vida aos cuidados de seu Salvador, pudesse ser justificado e desfrutasse das bem-aventuranças de paz com Deus. Graças a Deus, “porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo o que crê” (Rm. 10:4). A lei não salva ninguém, antes, a sua missão é conduzir-nos a Jesus Cristo, para que nele sejamos recebidos por Deus (Gl. 3:24).

4. O Aceitamento da Paz. “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus”. Primeiro, temos que definir a palavra “fé”. A Bíblia diz:  “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb. 11:6). Portanto, o primeiro ponto para definir a fé é crer que Deus realmente existe e que Ele se revela aos que o buscam. Ele não é um Ser abstrato, antes, Ele  é vivo e cheio de atributos atuantes. Num momento de auto-revelação, ele clamou: “Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até a terceira e quarta geração” (Ex. 34:6-7). Crer em Deus significa que cremos que Ele é misericordioso, fiel à sua palavra, perdoador e justo; e que Ele se comunica com a humanidade. Em nossos dias, essa comunicação vem a nós de uma forma inalterável nas Escrituras Sagradas.

Como podemos exercer a nossa fé? É crer, genuinamente, nas evidências que Ele mesmo nos deu através de suas obras na criação, (Sl.19:1). É usar a nossa inteligência, é desprender-se de qualquer dúvida, é crer que Deus usa seus atributos em favor de seu povo, pois Ele é galardoador dos que o buscam. Por ser um Deus que fala conosco através das Sagradas Escrituras, temos que acreditar e obedecer tudo o que Ele fala para o nosso bem. Em Hebreus onze, temos diversos exemplos de como os antigos usaram a sua fé. Tomamos o modelo de Abraão. Deus lhe deu uma promessa, e também os meios que deveriam ser praticados, a fim de tomar posse da herança. Ele teria que deixar o país onde nasceu e viver em plena dependência da direção de Deus. “Pela fé, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que deveria receber por herança; e partiu sem saber aonde ia” (Hb. 11:8). Vamos observar os seus passos no exercício da sua fé: ouviu a ordem, acreditou no que Deus lhe disse, e obedeceu às direções a fim de receber a promessa. E ele não ficou decepcionado: recebeu a promessa. Em todos os exemplos de como os homens exerceram a sua fé, os passos básicos são os mesmos: ouviram a palavra de Deus, acreditaram nos termos propostos e agiram pela fé, a fim de receber a prometida benção. E, para receber a salvação da nossa vida, os passos são os mesmos. Veja como o Apóstolo ratificou o que estamos dizendo: “Depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória” (Ef. 1:13-14). Temos que acreditar na mediação de Cristo, lembrando que “o Pai ama o Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos” (Jo. 3:35). Cristo é o administrador das bênçãos de seu Pai; e é da sua mão que recebemos toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais, (Ef. 1:3). Nesse contexto, o Ap. Paulo podia escrever: “Justificados, pois, mediante a fé (na obra redentora do Filho de Deus) temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem obtivemos acesso, pela fé, a esta graça, na qual estamos firmes” (Rm. 5:1-2). Agora, vamos ouvir a palavra convidativa do nosso Senhor e Salvador: “Até agora nada tendes pedido em meu nome, pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa” (Jo. 16:24).

Conclusão: Temos falado sobre a paz. Apesar de não ser uma experiência universal, é evidente que algumas pessoas podem testemunhar: “Temos paz com Deus”. Por que elas têm essa convicção? Porque são justificadas na presença de Deus. Por que elas podem falar dessa maneira? Porque crêem no que a Bíblia ensina sobre a obra redentora de Jesus Cristo, o qual justifica aquele que crê. “Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef. 5:2). Justificação é sempre mediante a fé, uma confiança completa na suficiência da morte substitutiva do Filho de Deus. E a evidência da veracidade da nossa fé será paz com Deus; paz em nossa consciência, sabendo que o “sangue de Jesus o Filho de Deus, nos purifica de todo pecado” (1Jo. 1:7). Uma única pergunta resta para nós: Temos esta paz? Estamos preparados para comparecer perante o tribunal de Deus para darmos contas de nós mesmos ao nosso Juiz? (Rm. 14:10-12). Que estejamos preparados.  


sexta-feira, 31 de março de 2017

O SANGUE PRECIOSO



Leitura Bíblica: 1Pedro 1:17-21.

Introdução: “O salário do pecado é a morte”. No momento em que o pecado entrou na vida do homem, ele instantaneamente perdeu todas as evidências de uma vida espiritual diante de Deus, o seu Criador. Em palavras bíblicas, estamos “mortos nos nossos delitos e pecados” (Ef. 2:1). E, para demonstrar a natureza imediata dessa morte espiritual de Adão e Eva, o Senhor Deus os “lançou fora do jardim do Éden”, ou seja, da sua presença, (Gn 3:23).O profeta descreve a realidade desse ato, dizendo: “Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is. 59:2).

Mas, antes de expulsar Adão e Eva, o Senhor lhes deu duas promessas preciosas para alimentar as suas esperanças de uma redenção. A primeira se refere a Um que feriria a cabeça de Satanás; que resolveria o problema do pecado, (Gn. 3:15). A segunda foi uma alusão à maneira como o pecado seria encoberto, seria mediante uma morte substitutiva, (Gn. 3:2). Portanto, cremos que, desde o primeiro pecado, houve o derramamento de sangue inocente, a fim de encobrir o pecado do homem. No início, como uma forma de instrução, o sangue de animais escolhidos foi usado; porém, “é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecado” (Hb. 10:4). O povo tinha que aguardar o derramamento de um sangue superior, o sangue do Filho de Deus, Jesus Cristo, (Hb. 10:12). Vamos contemplar e valorizar o sangue precioso de Jesus Cristo.

1. A Proeminência do Sangue. Queremos salientar o valor inestimável do sangue de Jesus Cristo. O valor excede qualquer objeto material deste mundo. Prata e ouro não têm valor nenhum, no sentido de que, por eles, o homem não pode adquirir o perdão de seus pecados. Por quê? “Ao irmão, verdadeiramente, ninguém o pode remir, nem pagar por ele a Deus o seu resgate, pois a redenção da alma deles é caríssima”, um preço fora de qualquer possibilidade humana, (Sl. 49:7-8). Então, como pode o pecador ser perdoado? Há uma única resposta: Sangue tem que ser derramado; e não qualquer sangue: tem que ser o sangue que Deus providencia. Não pode ser o sangue de animais, “porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecado” (Hb. 10:4). Tem que ser sangue humano. Por quê? Porque foi o homem que pecou, portanto, é o homem que tem que sofrer o castigo da sua desobediência. Mas, onde está o homem que pode suportar esse castigo e vencer? Pois o salário do pecado é a morte, separação de Deus. Nesse contexto, a fim de resolver esse impasse, Deus deu o seu próprio Filho que se fez homem, “nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl. 4:4-5). Cristo é a providência de Deus para nós, os pecadores. Falando de Cristo, a Bíblia explica: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. (2Co. 5:21). O sangue escolhido por Deus, o do seu próprio Filho imaculado, é tão importante, porque sem o derramamento deste, não há como receber o perdão, (Hb. 10:22).

Em outras religiões, o sangue tem seu lugar, mas por ser um sangue estranho e não indicado por Deus, não tem nenhum valor para remover pecados. Temos que confiar no que Deus providenciou, aquele de seu Filho, Jesus Cristo. O Ap. Pedro falou: “do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram”. Uma dessas futilidades é a celebração da Missa na Igreja Católica Romana, que é um sacrifício incruento (sem o derramamento de sangue), praticado a fim de perdoar os pecados dos penitentes. Qual o problema nesse ato? De necessidade, está anulando o que Cristo sofreu na cruz do Calvário, e desprezando o ensino definitivo das Escrituras Sagradas, que exaltam a suficiência do sacrifício de Jesus Cristo. “Porque com uma única oferta (Jesus Cristo) aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados” (Hb. 10:14). Não devemos confiar no “fútil procedimento que nossos pais nos legaram”, antes, temos que  ouvir a voz de Deus que fala a nós através das Escrituras Sagradas. Somos encorajados: “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hb. 10:19-20). A nossa confiança espiritual tem que ser  alicerçada na autoridade infalível do que a Bíblia diz: “Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus” (1Pe. 4:11).

Mas, por que tanta ênfase sobre a necessidade de sangue derramado? “Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que  fará expiação em virtude da vida” (Lv. 17:11). No Antigo Testamento, o Dia da Expiação consistia no derramamento do sangue de um animal, a fim de que, cerimonialmente, pudesse remover os pecados dos adoradores e purificá-los, (Lv. 16:30). Agora, no Novo Testamento, Cristo fez uma expiação verdadeira e eficaz: “Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção” (Hb. 9:11). Ele removeu os nossos pecados e nos concedeu uma verdadeira purificação. “O sangue de Jesus, o Filho de Deus, nos purifica de todo pecado” (1Jo. 1:7). Devemos lembrar: Deus deu o sangue de seu Filho para expiar os nossos pecados. Se não aceitamos esse meio, não resta nenhum outro recurso pelo qual podemos ser perdoados. Portanto, vamos dar o devido valor ao sangue precioso de Jesus Cristo.

2. A Proveniência do Sangue: Queremos salientar a Pessoa que nos amou e deu o seu sangue, a fim de libertar-nos do nosso pecado, (Ap.1:5). A iniciativa da nossa redenção foi da Divindade: do Pai, do Filho e do Espírito Santo, cada um agindo de acordo com a sua atribuição específica. É importante reconhecer a interação das três Pessoas da Divindade na vida da Igreja. “O Pai ama o Filho, e todas as coisas têm confiado às suas mãos” (Jo.3:35). E lhe deu um povo para que este fosse salvo por Ele. Com essa responsabilidade, Cristo prometeu: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo. 6:30). Ele ama esse povo, por isso, deu a sua vida. Assim, em Cristo, “temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7).  Foi o Espírito Santo que deu forças a Cristo para “a si mesmo se oferecer sem mácula a Deus” (Hb. 9:14). E, para nós,  os redimidos, o Espírito Santo foi enviado para nos ensinar todas as verdades referentes ao ensino de Jesus Cristo (Jo. 14:26).

Quando Adão e Eva pecaram, foi Deus que tomou a iniciativa de cobrir a nudez deles. Como? Embora a Bíblia não nos ofereça detalhes específicos, é evidente que o sangue de um animal foi derramado, porque a Bíblia afirma: “Fez o Senhor Deus vestimentas de peles para Adão e a sua mulher e os vestiu” (Gn. 3:21). E, para a nossa salvação, novamente, foi Deus o Pai que tomou a iniciativa: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo. 4:10). A palavra “propiciação” significa “encobrir o pecado”. Quando Deus encobriu a nudez de Adão e Eva com a  pele de um animal sacrificado, Ele estava ensinando, profeticamente, como Ele iria encobrir o pecado de seu povo. Seria mediante a morte substitutiva de seu próprio Filho, Jesus Cristo. “Ele é a propiciação pelos nossos pecados” (1Jo. 2:2). É Ele que encobre os nossos pecados para que, no Dia do Juízo, eles não estejam evidentes. Por isso, protegidos por Jesus Cristo, o Juiz pode nos declarar inocentes e justificados. Novamente, é Deus que agiu em nosso favor: “Eu, eu mesmo (o Senhor), sou o que apago as vossas transgressões por amor de mim e dos teus pecados não me lembro” (Is. 43:25). Somos totalmente dependentes das virtudes de Jesus Cristo para alcançar o perdão dos pecados e a vida eterna. Nesse contexto, somos exortados: “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” (Rm. 13:14). O grande anseio do Ap. Paulo foi “ser achado em Cristo (vestido dele), não tendo justiça própria” (não tendo nenhum mérito pessoal), antes, totalmente vestido e coberto por seu Salvador, o seu Propiciador, (Fp. 3:9).

Por que a exclusividade de Cristo para nos salvar? Por sermos pecadores e endividados por causa dos nossos pecados, nós mesmos não podemos pagar, por esforços próprios, essa dívida, e muito menos a dívida de outros. Somos dependentes de um Resgatador que não tem nenhuma dívida diante da santa lei de Deus. E existe um só que não pecou, Jesus Cristo, “o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca” (1Pe. 2:22). Como no Antigo Testamento, o cordeiro a ser sacrificado tinha que ser “sem defeito”, simbolizando a Pessoa de Jesus Cristo, o “Cordeiro de Deus”, que “nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef. 5:2). O Ap. Pedro, usando o simbolismo do Antigo Testamento, ensina que fomos resgatados “pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo”. Exaltamos a Cristo, cantando: “O sangue precioso de Cristo tem valor: das penas da justiça, liberta o pecador” (HCN,50).

3. A Proficiência do Sangue. Queremos salientar a suficiência do sangue de Cristo para nos abençoar “com toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais” (Ef. 1:3). O Apóstolo destaca cinco destas bênçãos que recebemos por meio de Jesus Cristo:

1)      O valor do sangue de Cristo foi reconhecido desde a eternidade. “Conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo”. Conhecido, porque, no conselho da Divindade, o derramamento do sangue de Cristo foi parte do plano para redimir o homem pecador. Essa verdade foi parcialmente revelada, simbolicamente, mediante o sofrimento e sacrifício de animais inocentes. Quando a Bíblia fala sobre o sofrimento e morte de Cristo, ela está se referindo aos sacrifícios do Antigo Testamento. Por isso, o Ap. Pedro podia acusar as autoridades judaicas: “Vós matastes o autor da vida (...) mas Deus, assim, cumpriu o que dantes anunciara por boca de todos os profetas; que o seu Cristo havia de padecer” (At. 3:15,18). Contudo, a plenitude dessa verdade ficou entendida somente depois  da vinda, morte e ressurreição de Jesus Cristo: “manifestado no fim dos tempos, por amor de vós”. Assim, entendemos que os fiéis do Antigo Testamento foram salvos pelo mesmo recurso de nós: fé na morte substitutiva de Jesus Cristo. Eles, pela fé, olharam para o futuro cumprimento das promessas proféticas; enquanto que, nós, pela fé, olhamos para a obra consumada de Jesus Cristo, que “morreu pelos nossos pecados” (1Co. 15:3).
2)      Cristo é a manifestação do amor de Deus para conosco. Notemos a importância  do sangue, e, como, por meio deste, a porta se abriu, dando aos pecadores acesso à presença de Deus. “Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo” (Ef. 2:13).
3)      Por meio de Cristo, temos fé em Deus. O pecador não conhece a Pessoa de Deus; “não há quem entenda, não há quem busque a Deus” (Rm. 3:11). Se não fosse a obra reveladora de Cristo, o pecado teria permanecido “sem esperança e sem Deus no mundo” (Ef. 2:12). Mas tudo mudou com a encarnação de Cristo. “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito que está no seio do Pai, é quem o revelou” (Jo. 1:18). “Havendo Cristo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus” (Cl. 1:20). Agora, podemos ter fé em Deus e lançar mão sobre as suas preciosas e mui grandes promessas, porque Cristo as revelou.     
4)      O sangue derramado e a ressurreição de Cristo são duas realidades inseparáveis. Somos aperfeiçoados mediante o sangue derramado e a ressurreição de Jesus Cristo, (Hb. 13:20). O texto lido diz que Deus o Pai lhe deu glória: o privilégio de assentar-se à direita da Majestade nas alturas, (Hb.1:3) Essa posição é de vitória. O que Cristo fez para redimir e salvar pecadores foi reconhecido como suficiente para satisfazer todas as exigências da santa lei de Deus. A glória de Cristo é a alegria para declarar diante das milícias celestiais: “Eis aqui estou eu e os filhos que Deus me deu” (Hb. 2:13). Sim, Cristo “pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb.7:25).
5)      Por causa da vitória de Cristo sobre o pecado, e pelo fato de ela ter sido reconhecida pela “Majestade, nas alturas”, temos base suficiente para depositar a nossa “fé e confiança” nas providências de Deus para a nossa salvação. “A ele, pois, a glória eternamente” (Rm. 11:36).

Conclusão: O Ap. Pedro dava muito valor ao sangue de Jesus Cristo e nós também temos que aprender a valorizar a unicidade desse sangue. O Ap. Paulo nos faz lembrar dessa necessidade: “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito (a nossa vida interior) os quais pertencem a Deus” (1Co. 6:20). Tudo o que temos em termos de valores espirituais, é fruto imediato do sangue derramado por Jesus Cristo. Um hino que cantamos, registra: “Cantarei a Cristo! Por nós morreu na cruz! Aos pobres pecadores, quem salva é só Jesus – Cantarei a Cristo! Por nós cumpriu a lei! Seu manto de justiça, alegre, vestirei – O sangue precioso de Cristo tem valor: Das penas da justiça, liberta o pecador!” (HNC. 50).


No decorrer da mensagem, salientamos o valor inestimável do sangue de Jesus Cristo; salientamos a Pessoa que nos amou, o Filho de Deus; e salientamos a suficiência desse sangue que adquiriu por nós, o seu povo, toda sorte de bençãos espirituais nas regiões celestiais. A conclusão de tudo isso é resumida na exortação do Ap. Paulo: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm.12:1-2).              

sexta-feira, 17 de março de 2017

AS INSONDÁVEIS RIQUEZAS DE CRISTO




Leitura Bíblica: Efésios 3:7-8

Introdução: O Ap. Paulo nunca cessou de ficar maravilhado com o fato de ser “constituído ministro da graça de Deus”. E, logo em seguida, acrescenta: “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das Insondáveis Riquezas de Cristo”.  Por qual razão ele ficou tão maravilhado? Ele nunca se esqueceu da sua vida anterior; um perseguidor da Igreja. Como pode um Deus tão santo escolher tal pecador para ser o seu ministro? Essa lembrança o humilhava, fazendo-o confessar, de coração contrito: “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a Igreja de Deus” (1Co. 15:9). Nesse contexto, podemos entender a razão pela qual repetia tantas vezes o dom da graça de Deus. Somos salvos pela graça de Deus, (Ef. 2:8). O sentido desta palavra, “graça”, está neste versículo: “Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou” (Tt. 3:4-5). Deus não buscou em nós um mérito chamativo, antes, quando escolheu o seu povo, Ele manifestou a sua benignidade e a sua misericórdia para com os seus escolhidos. E, a partir desse ato, Ele “nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tt.3:5). Temos que reconhecer que tudo o que temos é devido ao dom gratuito da graça de Deus. Como o Salmista exclamou: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade” (Sl. 115:1).

Com essa introdução, estamos prontos para entender a exultação do Apóstolo para “pregar aos gentios (pecadores) o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo”. Devemos lembrar que essa graça não se limitou aos apóstolos, antes, é o dever dos membros da Igreja, porque todos nós somos as testemunhas de Cristo, e temos uma experiência da sua graça em nossa vida. As insondáveis riquezas de Cristo são tão incalculáveis quanto a distância que Ele afasta de nós os nossos pecados perdoados, (Sl. 103: 11-12). Por causa disso, a nossa compreensão dessas riquezas é extremamente limitada. A Bíblia, porém, nos oferece muitas indicações dessa riqueza, tais como:

1. A Condescendência de Cristo. Para entender a condescendência de Cristo, devemos sentir o contraste entre o seu estado na eternidade, antes da fundação do mundo, e como Ele deixou tudo a fim de entrar neste mundo como servo.
a)      O seu estado na eternidade, “conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém, manifestado no fim dos tempos, por amor de vós” (1Pe 1:20). Ele não foi criado, porque Ele é “desde os dias da eternidade” (Mq. 5:2). Veja como a Bíblia O introduz: “No princípio era o Verbo (Cristo, a Palavra viva de Deus), e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram criadas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo. 1:1-3). Vemos Cristo na eternidade, assentado à direita da majestade, coroado de glória e honra, com um nome que está acima de todo nome, (Hb. 1:3; 2:7; Fp. 2:7). Por isso, Cristo podia falar da glória que Ele teve, junto do Pai, antes que houvesse mundo, (Jo. 17:5). Na Bíblia, percebemos uma igualdade entre o Pai e seu Filho Jesus Cristo. Ele confessou: “Quem me vê a mim vê o Pai” e “Eu e o Pai somos um” (Jo. 14:9; 10:30). Agora, chegando o tempo da encarnação de Jesus Cristo, lemos: “Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus” (Fp. 2:6). Este é aquele que veio para dar a sua vida em resgate por muitos, (Mc. 10:45). Assim, temos um relance das insondáveis riquezas de Cristo; o dom de Deus para nós, pecadores.
b)      Como Ele entrou neste mundo para servir. Apesar de ser igual a Deus, pois, “nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl. 2:9), Ele, “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp. 2:7-8). Quem pode sondar a condescendência desse ato? A Bíblia descreve essa transição, dizendo: “Vindo, porém, a plenitude do tempo,  Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl. 4:4-5). Uma das insondáveis riquezas de Cristo é o que Ele fez a fim de que sejamos chamados filhos de Deus. “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo. 4:10). Agora, por causa dessa insondável riqueza de Cristo, podemos comparecer perante o tribunal de Deus sem medo, porque os nossos pecados estão encobertos e perdoados, pois Ele é a nossa propiciação; aquele que encobre o nosso pecado.

2. A Concordância de Cristo. Quando o conselho da Divindade (a intercomunicação entre Pai, Filho e Espírito Santo) elaborou o plano para redimir o seu povo mediante uma morte substitutiva, Jesus Cristo, imediatamente, se apresentou, dizendo: “Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hb.10:9). Ele sabia tudo o que essa decisão envolveria; encarnar-se, viver no meio de pecadores, ser desprezado, e, finalmente, morto por crucificação. Esse ato não foi uma imposição feita por ninguém, antes, foi uma decisão inteiramente livre e espontânea. E qual a explicação? “Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef. 5:2). Nesse ato, percebemos as insondáveis riquezas do amor de Cristo. Falando da sua morte vicária, Ele disse: “Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai” (Jo. 10:18). Observemos dois aspectos de concordância que Cristo assumiu:

a)      A sua vida entre os pecadores. A Bíblia registra estes lamentáveis feitos quanto à recepção que Cristo recebeu dos homens: “Veio para os que eram seus, e os seus ( o povo que confessava o nome de Deus) não o receberam” (Jo.1:11). A partir dessa rejeição, Ele “era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizeram caso” (Is. 53:3). E, apesar de seus atos de misericórdia, lemos, repetidamente: Os fariseus conspiravam contra ele, em como lhe tirariam a vida, (Mc. 3:6). Cristo já previu e aceitou calmamente o que lhe aconteceria, dizendo aos discípulos: “Pois será ele (o Filho do homem) entregue aos gentios, escarnecido, ultrajado e cuspido; e, depois de o açoitarem, tirar-lhe-ão a vida”. Mas, embora sabendo que tudo isso aconteceria, Ele não quis desistir da sua missão redentora. Por quê? Porque soube que “ao terceiro dia ressuscitaria” (Lc. 18:31-33). Quem pode medir as insondáveis riquezas do amor de Cristo, quando aceitou o desafio de dar a sua vida dessa maneira por nós, pecadores, que, por natureza, não temos o temor de Deus!
b)      O que aconteceu quando Cristo estava dando a sua vida? Estava “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1Pe. 2:24). Temos que entender e acreditar que, dentro dos propósitos do conselho da Divindade, Cristo estava pagando o preço da nossa redenção. E, por causa da sua morte vicária, Cristo recebeu esta promessa: “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si” (Is. 53:11). Novamente, vamos meditar sobre as insondáveis riquezas de Cristo, acreditando, agora,  que, nele, “temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7). O que está implícito nesse ato de crer? A Bíblia nos dá este exemplo: “E, do modo  por que Moises levantou a serpente (de bronze) no deserto, assim  importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna” (Jo. 3:14-15).  Quando um israelita foi mordido por uma serpente abrasadora, “se olhava para a de bronze, sarava”(Nm. 21:9). Sem qualquer obra meritória, apenas em obediência à providência de Deus, um simples olhar pela fé era suficiente para ser salvo. O primeiro passo é sempre crer no que Cristo fez por nós, e todas as demais questões serão resolvidas.

3. A Constância de Cristo. Quando Cristo estava perto  de dar a sua vida em resgate por muitos, ele deixou para todos os seus seguidores uma abundância de promessas auxiliadoras. Ouça o que o Ap. Pedro diz: “Visto como, pelo seu divino poder nos tem sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelas quais  nos têm sido doadas as suas preciosas  e mui grandes promessas, para que, por elas, vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção, das paixões que há no mundo” (2Pe. 1:3-4). Por estarmos em Cristo, temos a promessa de receber quatro dádivas que são essenciais  para se ter uma vida cristã; cada uma revelando as insondáveis riquezas de Cristo. E, pela constância de Cristo, podemos experimentar  a suficiência de suas promessas para suprir cada uma de nossas necessidades, porque Ele mesmo prometeu: “E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” (Mt. 28:20). Eis as quatro dádivas: “Mas vós sois de Deus em Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus: sabedoria, e justiça, e santificação e redenção” (1Co. 1:30).

a)      Sabedoria. Nós somos insensatos, mas a nossa sabedoria provém de Cristo. Como podemos receber essa sabedoria? Pela oração e pela leitura das Escrituras. “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida” (Tg.1:5). “Compreendo mais do que todos os meus mestres, porque medito nos teus testemunhos” (Sl. 119:99). O Apóstolo Paulo, em suas orações pelas igrejas, pediu que elas transbordassem “em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado” (Cl. 1:9-11). Precisamos dessa sabedoria para que a insensatez da nossa imaturidade não impeça o progresso do evangelho. O importante é que nos tornemos “sábios para a salvação pela fé em Cristo Jesus” (2Tm 3:15).
b)      Justiça. Nós somos culpados, mas a nossa justiça provém de Cristo. A pergunta pungente continua inquietando o coração de muitos: “Na verdade, sei que assim é; porque, como pode o homem ser justo para com Deus?” (Jó 9:2). Por seu próprio esforço, é uma impossibilidade. “E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus” (Gl. 3:11). A nossa única esperança é acreditar na providência de Deus para a nossa justiça. “Seremos justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm. 3:24). A exortação é esta: “Mas revisti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne” (Rm. 13:14). É um ato de fé. Cremos e agimos de acordo com o contexto. E qual será o resultado? “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm. 5:1).
c)      Santificação. Nós somos corrompidos, mas a nossa santificação provém de Cristo. A nossa santificação foi providenciada mediante a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo. Romanos 6 deve ser estudado cuidadosamente a fim de entender melhor esse assunto. Mas devemos esclarecer um ponto de suma importância. Quando o Apóstolo usa a palavra “batismo” nesse capítulo, ele não está fazendo nenhuma referência ao sacramento do batismo que a Igreja observa, antes, o termo se refere à nossa união com Cristo, conforme a exposição do versículo 5. Resumidamente, quando Cristo morreu, Ele morreu para o pecado; e nós, unidos com Ele, também morremos para o pecado. Semelhantemente, quando Cristo foi sepultado, nós fomos sepultados com Ele. O poder do pecado sobre a nossa vida ficou encerrado, foi sepultado para nunca mais nos escravizar. E, por fim, quando Cristo ressuscitou, nós, também, ressuscitamos com Ele, para andarmos em novidade de vida. O que significa tudo isso? “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna” (Rm. 6:22). Agora, vamos sempre lembrar da verdade intocável: “ E, assim, se alguém está em Cristo (unido com Ele), é nova criatura; as coisas antigas já passaram; e eis que se fizeram novas” (2Co. 5:17).        
d)     Redenção. Nós somos encarcerados, mas a nossa redenção provém de Cristo. Nos tempos antigos, o endividado ficava na prisão até que fosse paga toda a sua dívida (Lc. 12:58-59). Mas como podia um encarcerado pagar a sua dívida? Ele era dependente de um resgatador e, se não tivesse um, morreria no cárcere. Assim, nós, também, ficamos impossibilitados de pagar a dívida do nosso pecado. Mas Deus, em sua misericórdia infinita, providenciou um Resgatador para o seu povo, um que pagaria toda a sua dívida. Jesus Cristo é este Resgatador, “ no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7). Em cada um desses quatro itens, temos uma mina das insondáveis riquezas de Cristo. Que elas sejam o assunto em nossas meditações espirituais todos os dias!


Conclusão: Vamos lembrar que nós somos as testemunhas de Jesus Cristo. Portanto, devemos cultivar o mesmo sentimento que houve no Ap. Paulo: “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar (testemunhar) aos gentios (pecadores) o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo”. E, finalmente, vamos sentir a responsabilidade implícita na palavra do Apóstolo: “Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros (o que nós somos) é que cada um deles seja encontrado fiel” (1Co. 4:2).