Vasos de Honra

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terça-feira, 15 de agosto de 2017

FÉ SALVADORA




Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Hebreus 1:1-7

Introdução:  Vamos meditar sobre a doutrina da nossa fé. Por que julgo necessário abordar esse assunto? Porque Cristo disse: “Contudo, quando vier o Filho do homem, achará, porventura, fé na terra?” (Lc. 18:8). Evidentemente, chegando perto da Segunda Vinda de Cristo, a fé salvadora em Jesus Cristo será algo bem insólito. Qual a razão desse acontecimento? Novamente, Cristo explica: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt. 24:12-13). Qual é a causa desse esfriamento? É o aumento assustador da iniquidade, mas não apenas isso, parece que, apesar das nossas orações, Deus não está respondendo. A iniquidade continua aumentando cada vez mais; assim nasce o desânimo. O Apóstolo descreveu essa situação, dizendo: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias,  sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos,  enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto,  o poder. Foge também destes” (2 Tm. 3:1-5). O domínio desses pecados, em nossos dias, é uma realidade inegável. Mas a Bíblia ensina: “Todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1Jo. 5:4). Uma das atividades principais de Satanás é minar a fé do povo de Deus. A tática é bem sutil: em vez de negar a fé, ele procura redirecioná-la. Em vez de olhar firmemente para o nosso Senhor e Salvador, ele encoraja a pessoa a usar a sua fé para cuidar da sua vida física, buscando a cura das enfermidades; ou para aumentar a sua situação financeira; enfim, o mais importante é o bem estar nesta vida. Com essa preocupação, Cristo, e a vida eterna ficam praticamente excluídos. Qual é o fim principal da nossa fé? “A salvação da nossa alma”, pela fé em Jesus Cristo, (Pe. 1:6-9). Sabendo que toda a nossa esperança espiritual depende da nossa fé, Satanás não se cansa de tentar desviá-la, por isso, o alerta é: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar, resisti-lhe firmes na fé” (1Pe. 5:8-9). A chave é “Permanecei firmes na fé” (1Co. 16:13).

Agora, vamos definir a fé verdadeira, a fé que nos dá o poder para contemplar o invisível: “Visto que andamos por fé e não pelo que vemos” (1Co. 5:7). Vamos imaginar que estamos olhando dentro da negridão do espaço vazio e silencioso. De repente, ouvimos uma voz; o nosso coração se enche com uma certeza: algo há de acontecer. A voz dá uma ordem: “Haja luz”, e, imediatamente, as trevas desaparecem. “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus de maneira que o visível veio a existir  das coisas que não aparecem”. O primeiro versículo define a natureza da fé: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam”. Quais são as “coisas que se esperam”?  As revelações que Deus tem falado e prometido. E, sabendo que o que a palavra que Deus fala não pode se descumprir, temos a convicção de fatos (que Deus tem falado), “fatos que não se vêem”.  Não há necessidade de buscar uma definição melhor. Cremos na veracidade de tudo o que  Deus tem falado, pois ele não pode mentir, (Tt 1:2). As promessas que Deus tem nos dado são todas registradas nas Escrituras Sagradas, por isso, podemos confiar em cada uma. “Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por Ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio”, isto é, os ministros de Deus glorificam a Deus quando anunciam a sua confiança na infalibilidade dessas promessas, (2Co. 1:30). Mas, quais são as pessoas que podem viver essa fé? Somente aquelas que são nascidas de novo.  O homem natural, não regenerado, não pode e nem pensa nas possibilidades da fé, porque os seus desejos estão concentrados em agradar a sua própria carne. A nossa espiritualidade começa somente depois de termos sido regenerados e dotados com os dons concedidos pelo Espírito Santo. A fé é o dom principal, pois sem o uso dela, “é impossível agradar a Deus”. Vamos usar duas ilustrações a fim de descobrir como a fé foi praticada pelos heróis de Hebreus, capítulo onze.

A Primeira Ilustração é de Noé, V.7. Ele ouviu a palavra de Deus, avisando-o da destruição vindoura de todos os seres vivos por causa da corrupção maliciosa dos homens. Qual foi a reação de Noé ao ouvir essa revelação? Ele creu e temeu, porque soube que o mundo inteiro seria atingido, inclusive ele e sua família.  Mas Deus foi misericordioso e revelou-lhe o meio pelo qual ele e a sua família seriam salvos. Deus lhe ordenou para aparelhar uma arca para a salvação de sua família. Noé obedeceu e, imediatamente, começou a construção, “pela qual condenou o mundo (que zombava da sua fé na palavra de Deus) e se tornou herdeiro da justiça”. Notemos três passos que descrevem a sua fé: Ele ouviu a palavra de Deus dando-lhe instruções; creu nela; e agiu de acordo com a orientação recebida. Assim, ele e a sua família, pela fé, foram salvos daquela destruição.

A Segunda ilustração é de Abraão. “Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia”. Notemos, novamente, os mesmos três passos que sempre caracterizam a verdadeira fé: Abraão ouviu a ordem da palavra de Deus; creu na veracidade da promessa; e agiu de acordo com as instruções. Ele não ficou decepcionado. A fé sempre se manifesta pela obediência. Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu.

No Novo Testamento, a fé obedece aos mesmos três passos: “Depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória” (Ef. 1:13-14). Para nos tornarmos nascidos de novo, temos que ouvir uma mensagem específica: “A palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação”; depois de ouvir, temos que crer no que ouvimos, não apenas de maneira intelectual, mas, sim, “com o coração” (Rm. 10:10); depois de crer, temos que agir, isto é: entregar nossa vida aos cuidados de Jesus Cristo. Como Ele mesmo disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mt. 11:28-29). E, para ratificar esses três passos, ouvir, crer e agir, recebemos o dom do Espírito Santo, o qual “testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm. 8:16).

Fé e crer são quase sinônimos. Quando cremos, reconhecemos a veracidade da palavra ouvida; fé significa que vemos a substância da palavra indicada, embora seja invisível. Simeão recebeu a promessa de que “não passaria pela morte antes de ver o Cristo do Senhor”.  Ele creu. E, movido pelo Espírito, agiu pela fé, foi ao templo, e lá teve o privilégio de tomar nos braços o recém-nascido Salvador, e disse: “Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra, porque os meus olhos já viram a tua salvação” (Lc. 2:25-30). Cremos que Jesus Cristo nos deu a promessa da vida eterna e, pela fé, já estamos vislumbrando as glórias de estarmos com Ele para sempre.

Existem muitas realidades, embora invisíveis, mas que aceitamos pela fé, porque são revelações dadas por Deus, para a nossa instrução e consolo espiritual. “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem”. No início, não existia nenhuma coisa material, senão uma vastidão ilimitada do nada. Então, como surgiu o universo, que é material? As especulações humanas são incontáveis, porém, sempre baseadas em algo existente. Contudo, no início, não havia nada, nem uma forma de gás, portanto, tais hipóteses devem ser equívocas.  Por que o homem natural insiste nesses estudos? Porque ele tenta explicar tudo sem a necessidade de admitir a existência de um Deus poderoso e criador.

Esse ponto nos leva a considerar outra verdade que aceitamos pela fé, embora seja invisível aos olhos humanos. “De fato, sem fé, é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam”. Quanto à existência de Deus, o Apóstolo ensinou: “Porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifestado entre os homens, porque Deus lhes manifestou” (Rm. 1:19). As obras da criação declaram a sua existência, por isso, os homens são indesculpáveis diante de Deus no Dia do julgamento, se não crerem e testemunharem da sua realidade.

Outra verdade que devemos aceitar pela fé é a auto-revelação de Deus. Ele tem prazer em manifestar-se ao homem, visto que é “galardoador dos que o buscam”. Que tipo de galardão podemos esperar da mão de Deus? Talvez depende do que nos motivou a buscá-lo. Se nós orarmos: “Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guia-me o teu bom Espírito por terreno plano” (Sl. 143:10). O galardão será uma resposta favorável. Ele mesmo dos dará a revelação da sua vontade. Essa foi a experiência do Apóstolo Paulo, (At. 22:14-15; Gl. 1:11-12). Sempre pedimos baseado no que está revelado nas Escrituras Sagradas. Pela fé, podemos confessar: “De manhã, Senhor, ouves a minha voz e as minhas súplicas” (Sl. 5:3). Pela fé, acreditamos que o nosso Deus está sempre acessível e pronto para ouvir a nossa oração, apoiado pelo ensino da Bíblia, porque Ele é “galardoador dos que o buscam”.

Para algumas pessoas, o maior desafio à sua fé é crer que “Deus é amor” (1Jo.4:6). Sem anular os demais atributos divinos, cremos que Ele nos “atrai com cordas humanas, com laços de amor” (Os.11:4). O seu amor é eterno, (Jr.31:3). Mas, o incrédulo intercepta: Se Deus é amor, por que Ele deixa tanta selvageria acontecer contra inocentes? Embora não tenhamos respostas para tudo, cremos que Deus é soberano e que Ele é servido em deixar certas coisas negativas acontecerem para nos convencer da crueldade do pecado que existe no coração de cada  ser humano. Temos que sentir um verdadeiro nojo do pecado, não apenas o que está em outrem, mas também, presente em nossa própria vida (Ez.6:9). Pela FÉ, cremos que o Senhor tem domínio absoluto sobre tudo o que acontece neste mundo. Cristo,  falando sobre o domínio de Deus, disse: “Não se vendem cinco pardais por dois asses? Entretanto, nenhum deles está em esquecimento diante de Deus. Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais! Bem mais valeis do que muitos pardais” (Lc. 12:6-7). Com essas palavras, reafirmamos a nossa fé, confessando ao Senhor: “O teu reino é de todos os  séculos e o teu domínio subsiste por todas as gerações. O Senhor é fiel em todas as suas palavras e santo em todas as suas obras” (Sl. 145:13). Mas, para o povo de Deus, a sua fé afirma: “Sabemos que todas as coisas  cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm. 8:28). Apesar de não entendermos, no momento, tudo o  que acontece em nossa vida, Cristo disse: “O que eu  faço não o sabes agora; compreendê-lo-ás  depois” (Jo. 13:7). Talvez José não entendeu a razão de ser  tratado com tanta injustiça, porém, quando  Faraó lhe disse: “Visto que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão ajuizado e sábio como tu. Administrarás a minha casa, e à tua palavra obedecerá todo o meu povo; somente no trono eu serei  maior que tu"; então, José entendeu o motivo de tudo o que lhe sobreviera desde a traição de seus irmãos, (Gn. 41:39-40). Mais tarde, José pôde perdoar os seus irmãos, dizendo-lhes: “Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito. Agora, pois, não vos entristeçais, nem irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para  conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós” (Gn.45:3-4; 50:19-21). Assim, podemos descansar na soberania divina.


Para terminar, queremos demonstrar como Deus ama. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3:16). Esse é um apelo universal e irrestrito para toda a humanidade, porém, a condição é única: temos que crer que foi Deus que tomou a iniciativa para nos salvar, enviando o seu próprio Filho para “buscar e salvar o perdido” (Lc. 19:10). “Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele” (em total dependência dele, não apenas nesta vida, mas, também, para aquela que teremos depois da nossa partida deste mundo). Nisto consiste o  amor: não em que nós temos amado a Deus, mas em que  Ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo. 4:9-10). Todos nós somos pecadores e, se comparecermos em tal estado perante o tribunal, a  sentença da morte (uma eternidade sem a presença consoladora de Deus) será irrevogável. Pela fé, cremos que Deus abriu, em Cristo, a oportunidade de salvação, porque, somente nele, “temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7). Pela fé, cremos que Cristo foi enviado “como propiciação pelos nossos pecados”, o único que pode encobrir o nosso pecado, para que nunca mais se levante contra nós para nos condenar. “Filhinhos, agora permanecei em Cristo, para que quando Ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não nos afastemos envergonhados na sua vinda” (1Jo. 2:28). Com essas verdades gravadas em nossa mente, somos exortados: “Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo (aquele que encobre o nosso pecado) e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” (Rm. 13:14). O nosso desejo para cada um de vocês, é “crescei na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A Ele seja a glória tanto agora como no dia eterno” (2Pe. 3:18). Amém.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

CONSAGRAÇÃO A DEUS




Leitura Bíblica: Romanos  12:1-2.

Introdução: No início da Carta aos Romanos, o Apóstolo confessou: “Pois sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes; por isso, quanto está em mim, estou pronto a anunciar o evangelho também a vós outros, em Roma” (Rm. 1:14-15). Em outro lugar, ele explicou esse sentimento: “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar; pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho” (1Co. 9:16). O evangelho é o tema principal dessa Carta, uma mensagem que fala das misericórdias que Deus tem derramado tão liberalmente sobre o seu povo. Nos capítulos 1 a 11, podemos achar algumas dessas dádivas, por exemplo: bondade, um atributo que desperta em nós anseios espirituais, tais como “arrependimento”, 2:4. Paciência, Ele “suportou com muita longanimidade” os pecadores, 9:22. Amor, “o amor de Deus foi derramando em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado”, 5:5. Graça, o dom gratuito de Deus. “ No tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça”, 11:5. Justificação, “Justificados, pois (declarados inocentes porque fomos encontrados vestidos das virtudes do Filho de Deus), temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo”, 5:1.

Agora, tendo ouvido sobre algumas das misericórdias, estamos prontos para entender como o Apóstolo aplica essas dádivas à nossa vida, visando uma consagração total da nossa vida a Deus, como uma manifestação  da nossa gratidão a Ele. 

1. A Instigação (incentivo) que Promove a Consagração. O Apóstolo dá início a esta parte, fazendo um apelo forte: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus”. O fato de termos recebido da mão de Deus tantas manifestações da sua misericórdia, sentimos que somos os seus devedores. O Salmista experimentou esse mesmo sentimento, e exclamou: “Que darei ao Senhor por todos os seus benefícios para comigo?” Jamais conseguiremos pagar a Deus tudo o que Ele nos dá, contudo, podemos oferecer-lhe o nosso culto em atos públicos e particulares. Por isso, o Salmista prometeu: “Cumprirei os meus votos ao Senhor na presença de todo o seu povo” (Sl. 116:12-14). A única retribuição que Deus aceita de nós, é o nosso culto racional, um ato planejado e realizado “em espírito e em verdade” (Jo. 4:23-24). Quando os tessalonicenses se converteram, eles abandonaram o seu antigo modo de agir, a fim de servirem o Deus vivo e verdadeiro, (1Ts. 1:9). A conversão e o recebimento do perdão de todos os nossos pecados deve nos conduzir à consagração e a uma vida de obediência. É como Cristo disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo. 14:15). E Ele acrescentou: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei; que também vos ameis uns aos outros” (Jo. 13:34).

E, para nos instigar ainda mais para consagrar a nossa vida a Deus, o Apóstolo nos mostra como Deus o Pai tem nos “abençoado com toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais em Cristo”. Quais são essas bênçãos que conduzem a nossa vida a uma consagração total? Eleição: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante o nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós”. ( 1Ts. 5:9-10). Adoção: Fomos resgatados da lei, que nos condenou à morte, “a fim de que recebêssemos a  adoção de filhos” (Gl.4:5). Redenção: Fomos tirados do império das trevas e transportados para o reino de Cristo, (Cl. 1:13). Remissão:  O perdão de todos os nossos pecados. “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões” (Sl. 103:12). Salvação:  “Entretanto,  devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação” – a vida eterna na  presença consoladora de Deus, (2Ts. 2:13). O Selo do Espírito Santo:  Ele é “o penhor (a garantia) da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em  louvor da sua glória” (Ef. 1:14). “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”. (Rm. 8:16). Por essas e tantas outras bênçãos que Deus  tem nos dado gratuitamente, o Apóstolo fez este apelo: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que vos apresenteis o vosso corpo” a Deus em total consagração.

2. A Instauração (começo) que Promove a Consagração. O Apóstolo estava consciente da sua vida anterior, mas,  apesar de tanta insolência, ele podia confessar: “Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade” (1Tm. 1:13). Agora, ele exorta os seus leitores: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus (aquela misericórdia por ter sido perdoado), que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”.  Quando alguém nasce de novo, quando está sentindo a alegria de entender que todos os seus pecados foram graciosamente perdoados, nasce no coração dele a necessidade de oferecer a totalidade da sua vida ao seu Salvador, dizendo: “Eis aqui estou  para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hb. 10:9). Consagração, portanto, é um ato espontâneo e a primeira manifestação do amor e gratidão que sentimos em favor de Deus. “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e  andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou  a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef. 5:1-2).

 Consagração é possível somente depois de um verdadeiro encontro salvador com Jesus Cristo. Existem  membros  em nossas Igrejas que nunca foram convencidos de seus pecados e nem da necessidade de serem nascidos de novo, porque, como dizem: sempre fomos cristãos. Essas pessoas não gostam de serem exortadas a uma vida consagrada a Deus. Estão plenamente satisfeitas com sua vida descomprometida, e não querem nada diferente. O jovem se desculpa, dizendo: Vou pensar sobre esse assunto mais tarde; preciso aproveitar a minha mocidade! Mas o tempo passa e ele continua adiando uma decisão. Com certeza, o seu  fim será semelhante ao das cinco virgens néscias, que resolveram agir quando a porta já estava fechada, (Mt. 25:1-13). Ou, o homem mais maduro, que promete: quando eu me aposentar da minha profissão secular, consagrarei a minha vida ao serviço de Deus. Mas, com esta idade, o corpo está cansado e a saúde debilitada; além disso, seus costumes já estão profundamente estabelecidos e não aceitarão a mudança que a consagração exige. Deus pede de nós um corpo vivo, cheio de disposição e pronto para qualquer serviço. Esse é o nosso culto racional e agradável a Deus. Não podemos procrastinar, aguardando um tempo mais oportuno. Na vida da Igreja sempre existem oportunidades para servir a Deus. Podemos pensar no presbiterato e no diaconato, professores para a Escola Dominical, sem esquecer das atividades que as sociedades internas oferecem. Mas alguém reclama: Eu não tenho dom para nada dessas coisas! Contudo, serviço a Deus não depende exatamente das nossas próprias capacidades. A nossa suficiência vem de Deus. Cristo nos deu esta promessa: “Mas recebereis poder, e sereis as minhas testemunhas” (At. 1:8). A nossa parte é apresentar o nosso corpo e todas as suas capacidades a Deus, e Ele nos dará a devida oportunidade. Importa que tenhamos vidas consagradas a Deus e uma disposição para servir.

3. A Instância (súplica) que Promove a Consagração. E, para que a nossa consagração seja autêntica, somos exortados: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente”. De modo geral, a “mente”  deste século  é o anseio de satisfazer todos os desejos do próprio egoísmo, a qualquer custo, mesmo que sejam uma transgressão da lei de Deus. Essa mentalidade mundana é perigosamente contagiante, por isso, a advertência: “E não vos conformeis com este século”. Temos que ser firmes, resistindo às ciladas sutis deste mundo.

Consagração envolve a respeitosa obediência aos Dez Mandamentos. O mundo ensina, e o nosso próprio coração também, que estes não são relevantes para o homem moderno, oferecendo uma infinidade de oportunidades que procuram  subverter a seriedade da lei de Deus. Esse desprezo do Mandamento é  visto especificamente na transgressão do Quarto Mandamento. O mundo ensina, e o nosso próprio coração também, que o Domingo não é do Senhor, como a Bíblia ensina, antes, é do  homem, e deve ser usado para satisfazer os seus próprios interesses: viagens, esportes, divertimentos, ociosidade, etc. Eis aqui como o Dia deve ser observado, juntamente com uma promessa encorajadora: “Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia; e chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor, digno de honra e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs (palavras não edificantes), então, te deleitarás no Senhor. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra (fora do alcance de perigo - Dt. 33:16) e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do Senhor o disse” (Is. 58:13-14). Sim, Deus abençoou e santificou o Seu Dia; e no guardá-lo, há uma promessa de sustento diferenciado.

Mas, como podemos guardar os Mandamentos, e, especificamente, o Quarto? Temos que nos submeter à transformação pela renovação da nossa mente. A mente humana é o centro do nosso raciocínio, dela procedem todas as nossas determinações, seja qual for a natureza delas. O Salmista confessou: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti” (Sl. 119:11). E, para colocar essas palavras no coração, temos que ler a Bíblia atenciosamente todos os dias, memorizando as palavras chaves para que elas habitem em nosso coração. Dessa maneira, estaremos crescendo na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, estaremos experimentando uma transformação em nossa mente que nos conduzirá a uma verdadeira consagração pessoal a Deus. “E todos nós, com rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em  glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2Co. 3:18). Consagração, ou seja, dedicação  à prática da vontade de Deus, deve ser o  grande anseio de cada cristão.

4. A Instrução (convite) que Promove a Consagração. Qual é o propósito dessa transformação pela renovação da nossa mente? Eis a resposta: “Para que experimenteis qual seja  a boa, agradável e  perfeita vontade de Deus”.  É possível dar a essas três  palavras descritíveis este sentido: Tudo o que é bom, tudo que é agradável, e tudo o que é perfeito, encontra-se somente no conhecimento e na prática da vontade revelada de Deus. O mundo se esforça para oferecer substitutos para despertar a imaginação vaidosa do homem, porém, eles sempre decepcionam. O pregador experimentou esses atrativos fictícios, porém, teve que concluir: “Pelo que aborreci a vida, pois me foi penosa a obra que se faz debaixo do sol; sim, tudo é vaidade e correr atrás do vento” (Ec. 2:17).  Deus coloca diante de nós  muitas opções: vida e morte, benção e maldição, para depois nos desafiar: “Escolhe, pois, a vida, para que vivas” (Dt. 30:19). Mas o pecador, em sua cegueira espiritual, não quer reconhecer a diferença ente a vida e a morte, entre a benção e a maldição. Seu único interesse é satisfazer os seus desejos do momento, porque ama “mais as trevas do que a luz” (Jo. 3:19). A nossa oração deve ser: “Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por terreno plano” (Sl. 143:10). Essa oração é necessária “para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus” (Cl. 4:12).

A vontade de Deus deve ser o objetivo principal na vida do cristão, porque ela é boa, agradável e perfeita, e digna de ser praticada. Ela é a lei de Deus para a santificação do homem, pois “ é santa, justa e boa” (Rm. 7:12). Devemos confiar na sabedoria de Deus, pois Ele sabe o que o homem mais precisa. Veja como o Salmista interpretava essa norma: “A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos simples. Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento de Senhor é puro e ilumina os olhos. O temor do Senhor é límpido e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros, e todos igualmente justos”. E qual foi o efeito desse juízo sobre a sua mente renovada? Ele confessou: “são mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar há grande recompensa” (Sl. 19:7-11). Por que estamos falando dessa maneira? Para que a  prática da vontade de Deus seja o anseio ardente do nosso coração.
     

 Conclusão: Nós, que temos sido abençoados “com toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (Ef. 1:3), devemos nos sentir constrangidos  a retribuir a Deus, dando-lhe a nossa vida em total consagração a seus interesses. “Ou desprezas a riqueza da bondade, e da tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz” à transformação do seu modo de agir e uma atitude mais decisiva que engrandece o nome de seu Deus. Essa consagração é o nosso “culto racional”, uma devoção  que dá honra a Deus. Mas, para a que a nossa consagração seja verdadeira, o texto instrui: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” por meio da leitura diária das Escrituras Sagradas. E, com a nossa mente agora renovada, estamos dispostos para ouvir e entender os conselhos do Senhor e experimentar que, de fato, a vontade de Deus para a nossa vida é boa, agradável e perfeita, própria para a nossa total felicidade. Consagração a Deus sempre precede qualquer serviço que possamos oferecer a Ele. “Ora, o Deus da paz que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe  em todo  o bem, para cumprirdes  a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém” (Hb. 13:20-21).      

domingo, 30 de março de 2014

A MANIFESTAÇÃO DE CRISTO




Leitura Bíblica: Apocalipse 1:4-8

Introdução: A primeira verdade que se encontra neste texto é a doutrina inconfundível da Trindade. As três Pessoas da Divindade é o Deus e o autor da “graça e paz” que são derramadas sobre a Igreja. A Trindade é facilmente reconhecida pela tríplice repetição de: “da parte de”. As três Pessoas da Divindade, inseparavelmente juntas, comunicam às 9 igrejas a benção de “graça e paz”. A graça, a gratuidade das providências divinas, e a paz, atuando como a confirmação dessas dádivas recebidas. Veja como as três Pessoas interagem como uma só Pessoa.

“Graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir”. Temos aqui a eternidade de Deus Pai. O Salmista o exalta, dizendo: “Antes que os montes nascessem, e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu é Deus” (Sl. 90:2)

“Graça e paz, da parte dos sete Espíritos que se acham diante de seu trono”. O número sete é usado, simbolicamente, para descrever a plenitude e a onipresença do Espírito Santo. Notemos a sua localização. Ele está “diante de seu trono”, inseparavelmente unido com a Divindade, e, desta posição, Ele ouve e toma pleno conhecimento de todos os propósitos da Divindade. Por isso, Cristo disse: “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará as cousas que hão de vir” (Jo. 16:13).

“Graça e paz da parte de Jesus Cristo”. Observemos a tríplice descrição: 1º Ele é a “fiel testemunha”, fazendo referência a seu ministério aqui na terra. Obediência foi a característica principal na vida de Cristo. Ele mesmo confessou: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo. 4:34). 2º Ele é o “Primogênito dos mortos”, fazendo referência à sua ressurreição dentre os mortos. “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem”, isto é, o primeiro a ser ressuscitado escatologicamente, (1 Co.15:20).  3º Ele é o “Soberano dos reis da terra”. Ele tem a supremacia absoluta sobre todos os poderes existentes, “é o grande rei de toda a terra” (Sl. 47:2). E, para qual fim? “Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fl. 2:10-11).

O texto lido apresentou a doutrina da Trindade, afirmando que o Pai, e o Filho, e o Espírito Santo é um só Deus verdadeiro e eterno. Este é o Deus que abençoa o seu povo com as dádivas espirituais de graça e paz; cada Pessoa contribuindo para que essas bênçãos sejam realidades experimentáveis. Agora vamos ver como Cristo se apresenta às suas Igrejas.

1. O Compadecimento de Cristo. “Aquele que nos ama”.  Uma das frases prediletas do Ap. Paulo fala sobre o amor de Cristo e como este se manifestou: “Cristo me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl. 2:20). O amor de Cristo é bem específico : “Ele me amou”. Sim, Ele ama muitos, mas, para o meu consolo e segurança, posso confessar: “Ele me amou”. Cristo descreveu a natureza desse amor, dizendo: “ Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos”.(Jo. 15:13). E, acrescentou: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas”  (Jo. 10:11). Mas, quem são esses amigos e ovelhas? “Vós sois os meus amigos, se fazeis o que eu vos mando” (Jo. 15:14). E, acrescentou: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (Jo. 10:27). Devemos reconhecer que a maneira prática para demonstrar o nosso amor a Cristo é através da nossa obediência ao que Ele manda. Nós o seguimos. Pela obediência, desenvolvemos uma verdadeira comunhão espiritual com Ele.

Devemos perguntar: Qual é o sentido de ter Cristo morrido por nós? A sua morte tem valor vicário, isto é, tomar o lugar de outro. “Cristo me amou e a si mesmo se entregou por mim”. Assim, a sentença da morte que pairava sobre mim, por causa dos meus pecados, foi tirada e lançada sobre Cristo. Ele morreu por causa dos meus pecados que Ele mesmo carregou na cruz do Calvário, (1Pe. 2:24). “ Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus (os que crêem na suficiência da sua morte vicária). Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Rm. 8:1-2).

2. O Comportamento de Cristo. “E pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados”. Uma das frases que expressam, eloquentemente, a boa vontade de Cristo para dar a sua vida em favor de seu povo, está no Evangelho segundo Lucas: “E aconteceu que, ao se completarem os dias em que devia ele ser assunto ao céu (isto é, os dias em que Cristo seria crucificado, ressurreto e recebido no céu), manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém”, onde sofreria os horrores da crucificação (Lc. 9:51). Por que essa “intrépida resolução”? Porque foi o único meio para que pecadores pudessem ser libertados das conseqüências judiciais de seus pecados. No Antigo Testamento, o sangue de animais foi derramado para ensinar que, “sem derramamento de sangue, não há remissão” (Hb. 9:22). Mas esses sacrifícios eram apenas sinais, totalmente incapazes de efetuar o indicado. “Porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados” (Hb. 10:4). Era necessário um sangue superior, o sangue precioso de Jesus Cristo, (Pe. 1:18-19). Este é o único sangue, a única providência divina pela qual importa que sejamos libertados dos nossos pecados. Libertados, não apenas do salário do pecado, mas, também, do domínio do pecado (Rm. 6:14). Como Cristo explicou: “Se, pois, o Filho vos libertar,verdadeiramente sereis livres” (Jo.8:36).

3. O Comprazimento de Cristo. “ Ele nos constituiu reino, sacerdote para o seu Deus e Pai, a ele seja a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém.” . Cristo tem comprazimento em designar o seu povo redimido, segundo a sua boa e agradável vontade. Com estes salvos, Ele organizou o seu reino, que não é deste mundo, antes, é celestial. Quando nós fomos convertidos, Deus, o nosso Pai, “ nos libertou do império das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl. 1:13). Agora, pertencemos ao reino de Cristo, onde Ele será o nosso soberano para todo o sempre.

Dentro desse reino, somos ministros e sacerdotes, servindo na presença de Deus, nosso Pai, “de modo agradável, com reverência e santo temor” (Hb. 12:28). “ Os seus servos o servirão, contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele” (Ap. 22:3-4). O nosso ministério principal consistirá em “louvor, que é fruto de lábios que confessam o seu nome” (Hb. 13:15). Por causa do privilégio de pertencer ao reino celestial e servir como sacerdotes na presença de Deus, reconhecemos que tudo isso é a graça e a condescendência do nosso Deus, portanto, “a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém”.

4. O Comparecimento de Cristo. “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém”. Eis aqui o resumo dos eventos que acontecerão, simultaneamente, no Dia da Segunda Vinda de Jesus Cristo.Vamos observar a sequência dos eventos mencionados no texto:

a)      A vinda de Cristo será repentina e gloriosamente visível. Nada de uma vinda invisível e secreta. “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá”. A visibilidade da vinda de Cristo é ensinada em muitas partes da Bíblia. “Porque assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra no ocidente, assim  será a vinda do Filho do homem” (Mt. 24:27).
b)      Logo em seguida haverá a ressurreição geral, incluindo todos os vivos e todos os mortos, todos os justos  e todos os ímpios. Cristo ensinou: “Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão” (Jo. 5:28). E o Ap. Paulo acrescentou: “Porque importa que todos nós (vivos e mortos) compareceremos perante o tribunal de Cristo” (2 Co. 5:10).
c)  Logo em seguida haverá o julgamento geral. Devemos lembrar que o julgamento não é necessariamente para condenar, antes, o fim principal é descobrir e declarar a verdade a respeito da pessoa sendo julgada. Os que estão em Cristo serão declarados inocentes, enquanto que os que se acham sozinhos e sem Cristo serão declarados culpados. E, depois de serem julgados, Cristo declarou: “E irão estes (os culpados) para o castigo eterno, porém, os justos, para a vida eterna” (Mt. 25:46).

Devemos sentir a confusão e o terror que tomará conta de muita gente no Dia do Juízo: “E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amem”. Veja a exposição maior daquele Dia: “Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo o livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o Grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se? (Ap. 6:15-17).

Conclusão:  Esta mensagem, que é dada às Igrejas no início do Apocalipse, é o tema central do livro: O amor de Cristo e como este foi demonstrado quando deu sua vida, a fim de redimir o seu povo e dar-lhe o perdão de todos os seus pecados, sempre incluindo a consumação do século e o julgamento de todos os povos. Que sejamos preparados, “antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor” (Ml. 4:5).


Rev. Ivan G. G. Ross  

sábado, 4 de janeiro de 2014

OS PERSEGUIDOS



“Bem-aventurado os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus: pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós” (Mateus 5:10-12).

INTRODUÇÃO: A oitava é a última bem-aventurança no sermão do monte, e, até certo ponto, é diferente das demais. As primeiras sete bem-aventuranças anunciam as virtudes que caracterizam a vida de todos os filhos de Deus. Mas, a oitava bem-aventurança fala da reação que essas perfeições provocam nos ímpios. Eles odeiam essas virtudes e perseguem os seus possuidores, a fim de desacreditar e destruir o seu testemunho.

1. A Causa da Perseguição: Cristo explicou: “ Por causa da justiça,” por causa de uma vida santa e irrepreensível. Aqui percebemos um paradoxo. Por um lado, todo mundo elogia a prática de boas obras e de uma vida correta, porém, quando alguém está praticando essas excelências em nome de Cristo, é zombado e perseguido. Por que essa oposição? Quando o ímpio vê alguém praticando a justiça, a sua consciência  o acusa da sua omissão. Mas, em vez de arrepender-se e começar a praticar a vontade de Deus, ele fica irritado com o bom testemunho do piedoso, porque a sua consciência foi despertada para o condenar. Para livrar-se dessas acusações em seu homem interior, ele se levanta contra o causador dessas inquietações para o destruir. “Pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.”

2. A Natureza dessa Perseguição: A perseguição religiosa sempre teve duas manifestações. Na igreja primitiva, a perseguição infligia os cristãos com toda sorte de sofrimento físico, prisões, e até morte cruenta. Contudo, acredito que a perseguição mais comum em nossos dias é o uso de uma língua venenosa. Quando, por causa de Cristo “vos injuriarem e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós”. Por que Deus permite a perseguição de seus filhos? Embora não tenhamos uma resposta completa, sabemos  que todas as cousas (inclusive perseguição) cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm. 8:28). Um desses benefícios é a confirmação da veracidade da nossa fé em Cristo. “Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo” (1 Pe. 1:6-7). Nesse dia, Cristo receberá todo " o louvor, glória e honra", porque, mesmo em meio ao sofrimento, seu povo há de engrandecê-lo através da maneira pela qual foi conduzido à vida eterna.

3. A Reação à Perseguição. Devemos lembrar que, como cidadãos do reino de Deus, já temos uma vida bem-aventurada acalmando o nosso coração em meio a diversas experiências desta vida. E, agora, diante das angústias da  perseguição, qual é a nossa reação? Jesus Cristo recomendou: “Regozijai-vos e exultai”. O Ap. Tiago acrescentou: “Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança” (Tg. 1:2-3). A perseverança ao prosseguir algo subentende uma convicção de que todas as adversidades são um nada a fim de alcançar o propósito da nossa fé: a salvação da nossa alma. O Ap. Paulo podia declarar: “Ora, se somos filhos, somos também herdeiros de Deus e: co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados” (Rm. 8:17). Esta foi a esperança dos apóstolos quando foram açoitados: “E eles se retiraram do Sinédrio, regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome” (At. 5:41). Vamos cultivar  a mesma convicção do Ap. Paulo: “Porque para mim, tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser compadrados com a  glória a ser revelada em nós” (Rm. 8:18).

4. A Recompensa da Perseguição.  Aceitamos muitas coisas do presente quando temos certeza quanto ao bem que teremos no futuro. Assim, suportamos a perseguição do presente momento porque temos plena confiança na veracidade da promessa de Cristo: “Grande é o vosso galardão nos céus”. Esta foi a esperança que alimentava os heróis de Hebreus 11: “Pela fé, Moisés quando já homem feito, recusou ser chamado filho da filha de faraó, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado, porquanto  considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão” (Hb. 11:24-26). Cristo também sofreu tudo alegremente, porque contemplava o galardão: “o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus” (Hb. 12:2). O galardão que Cristo recebeu foi a vitória sobre o pecado, podendo, agora, perdoar os pecados de todos os  crêem. E o galardão que aguarda os que são perseguidos por causa de Cristo é a bem-aventurança de serem herdeiros “ do reino dos céus” e habitar com Cristo, que é incomparavelmente melhor do que qualquer momento de prazer nesta vida.


CONCLUSÃO: Devemos sentir a repetida ênfase sobre a bem-aventurança dos herdeiros do “reino dos céus”. Eles possuem “uma alegria indizível e cheia de glória”. Por quê? Porque sabem que Deus começou uma obra espiritual em  sua vida, dotando-os com virtudes que os distinguem como “o sal da terra” e “ a luz do mundo”. Seu prazer maior é guardar os mandamentos de seu Salvador e fazer diante dele o que lhe é agradável. Assim, eles “brilham”, deixando os homens verem a realidade dos valores espirituais; isto é: Cristo em sua vida, a esperança de glória.

Rev. Ivan G.G. Ross

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A LEI DE DEUS



A lei, em toda a sua abrangência, é a revelação da justiça e da santidade de Deus. “ Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom” (Rm. 7:12). Essa lei foi dada para que o homem pudesse ser semelhante a seu Criador. “Como filhos da obediência, não vos moldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe.1:14-16). E, por ser a revelação de Deus, o Salmista podia confessar: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!” (Sl. 119:97).

Mas, apesar da relativa simplicidade dessa revelação, sempre existiram “contendas e debates sobre a lei”, lutas para impor uma interpretação que servia os próprios interesses (Tt. 3:9). A lei não foi dada para ser discutida, foi dada para ser observada. “Se ouvires a voz do Senhor, teu Deus, virão sobre ti e te alcançarão todas estas bênçãos. (...) Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do Senhor, teu Deus, não cuidando em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos que, hoje, te ordeno, então, virão todas estas maldições sobre ti e te alcançarão” (Dt. 28:1-68). Nesse contexto, Moisés disse: “Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal” (Dt. 30:15). A lei, portanto, foi dada para direcionar o povo no caminho em que devia andar, a fim de agradar a Deus e desfrutar de uma verdadeira comunhão espiritual com Ele.

Para entender melhor a lei e o seu propósito, é importante saber que ela atuava em três áreas diferentes: constitucional, cerimonial e moral. A parte constitucional, as leis que regiam o estado de Israel, já perdeu a sua validade, porque Israel, como país teocrático que existia no Antigo Testamento, não mais existe. A parte cerimonial, as leis que se referiam aos sacrifícios de animais e aos ritos de purificação que preparavam o povo para os atos de culto, também já perdeu o seu lugar na vida do homem, porque, quando Cristo veio, Ele cumpriu tudo o que essas cerimônias indicavam. “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm. 10:4). E, a parte moral, os Dez Mandamentos e a exposição dos mesmos, continua em pleno vigor, porque ela determina como o homem deve se comportar diante de Deus e diante do seu próximo. Com respeito à lei moral, Cristo declarou: “Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir”. E, em seguida, Ele mostra como se cumpre a lei moral, (Mt. 5:17-42). “O cumprimento da lei é o amor” (Rm. 13:10). Isto é: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lc. 10:27). Portanto, a nossa santidade se revela mediante a observância da lei moral, que é o nosso padrão modelar. Quando o Espírito Santo convence o pecador da sua culpabilidade, Ele aplica a lei moral à sua consciência. O Ap. Paulo descobriu a sua própria pecaminosidade porque a lei disse: “Não cobiçarás.” (Rm. 7:7). É “pela lei que vem o pleno conhecimento do pecado”. Falando negativamente, a lei não tem nenhuma provisão perdoadora para oferecer aos transgressores. A sua função é condenar o pecador. “A alma que pecar, essa morrerá”, pois, “o salário do pecado é a morte” (Ez. 18:4; Rm. 6:23). Mas, positivamente, “A lei nos serviu de aio (instrutor) para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé” (Gl. 3:24).

Quando o Novo Testamento diz que alguém está “debaixo da lei”, geralmente se refere à pessoa que ainda acredita na necessidade de obedecer aos preceitos cerimoniais, tais como “comida e bebida, ou dias de festas, ou lua nova, ou sábados” (Cl. 2:16). E, por estar “debaixo da lei”, não é possível estar “debaixo da graça” (Rm. 6:14). Quando alguém se converte, ele abandona o jugo da lei cerimonial, a fim de viver sob a “graça de Deus” (Tt. 2:11-14). A salvação não pode ser alcançada mediante a prática das obras da lei, porque ela é o dom gratuito da graça de Deus. “Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei (a observância dos ritos da lei cerimonial) e  sim mediante a fé em Jesus Cristo, também temos crido em Cristo Jesus para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois por obras da lei, ninguém será justificado” (Gl. 2:16).

Qual é o pecado principal que a pessoa comete quando confia nas obras da lei cerimonial para ser salvo? Está desprezando a suficiência da morte substitutiva de Jesus Cristo. Não é uma negação frontal da morte de Cristo, contudo, está implícito o desprezo da sua perfeição, porque ela acredita que tem que complementar o sacrifício de Cristo com as obras da lei, a fim de ser salvo. Os judaizantes do Novo Testamento asseveravam: “Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés não podeis ser salvos” (At. 15:1). E, em nossos dias: Se não for batizado por imersão, não pode ser salvo; ou, se não observar o sábado, não pode ser salvo. Mas, seja qual for o acréscimo, a pessoa está negando a suficiência do sacrifício de Cristo, aquele que é poderoso para salvar totalmente todo o que nele crê (Hb.7:25).  O Ap. Paulo declarou a consequência fatal desses acréscimos: “ De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça desligastes” (Gl. 5:4). E, desligado de Cristo, não há possibilidade de ser salvo. Outro pecado praticado pelos adeptos às obras da lei é a falta de amor. Em seu zelo de proselitismo, negligenciam a lei régia: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Tg.2:8). “Ora, o seu mandamento é este: que creiamos em o nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que ele nos ordenou” (1 Jo. 3:23).

Por causa da multiplicação de seitas em nossos dias, devemos dar ouvidos à palavra apostólica: “Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina (a suficiência do sacrifício de Cristo para nos salvar) não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más” (2Jo. 10:11).

Rev. Ivan G. G. Ross

03/12/2013

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Rostos Desvendados



“E todos nós, com rosto (entendimento) desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2 Co. 3:18).

Introdução: O contexto desse versículo se encontra em Êxodo 34:29-35. Moisés “esteve com o Senhor quarenta dias e quarenta noites, não comeu pão, nem bebeu água; e escreveu nas tábuas as palavras da aliança, as dez palavras (...). Quando desceu do monte, não sabia Moisés que a pele do seu rosto resplandecia, depois de haver Deus falado com ele” (Ex. 34:28-29). Parte da benção sacerdotal impetra: “O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti” (Nm. 6:25). Quando estamos em plena comunhão com Deus, seu rosto resplandece sobre nós, e o efeito é semelhante ao que aconteceu com Moisés: o nosso rosto, ou melhor, o nosso entendimento brilha com a maravilha das palavras “da aliança”, as promessas de um Salvador.

Mas a história de Moisés continua, descrevendo como os filhos de Israel reagiram ao vê-lo. “Eis que resplandecia a pele do seu rosto; e temeram chegar-se a ele”. Por que esse medo? A santidade do Senhor se manifestou, uma santidade que o povo não quis conhecer e nem adotar. Por isso, quando Moisés falava com o povo, ficou constrangido e “ pôs um véu sobre seu rosto”. Esse véu, que não deixou o povo contemplar a glória do Senhor que se manifestava mediante a proclamação da sua palavra, deve ser visto como um castigo judicial, por causa da rebelião e incredulidade deles. O profeta Isaías recebeu esta ordem: “Vai a este povo e dize-lhe: De ouvido, ouvireis e não entendereis; vendo, vereis e não percebereis. Porquanto o coração deste povo se tornou endurecido; com os ouvidos ouviram tardiamente e fecharam os olhos, para que jamais vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, para que não entendam com o coração, e se convertam, e por mim sejam curados” (At. 28:26-27). O Ap. Paulo ofereceu esta interpretação inspirada: “Mas o sentindo deles se embotaram (se insensibilizaram). Pois até ao dia de hoje, quando fazem a leitura da Antiga Aliança, o mesmo véu permanece, não lhes sendo revelado que, em Cristo, é removido. Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu é retirado” (2Co. 3:14-16). Agora, podemos perceber melhor a importância do V. 18 da nossa leitura.

1. O Entendimento Desvendado. “E todos nós, com o rosto (entendimento) desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor”. O véu foi retirado do nosso entendimento quando o Espírito Santo nos converteu a Jesus Cristo.

Conversão é uma meia volta: em vez de servirmos a nós mesmos, viramos, e passamos a servir o Deus verdadeiro. Conversão é arrepender-se dos pecados, abandonando-os para que possamos praticar o que Deus tem prescrito para nós nas Escrituras Sagradas. Conversão é deixar de ser incrédulo, é deixar de confiar em nossos próprios méritos, a fim de acreditar na providência de Deus para a nossa salvação. Jesus Cristo é essa providência. Temos que reconhecer a seriedade desse ponto, porque, como Cristo afirmou: “Se não credes que Eu Sou (o prometido Messias e Salvador) morrereis em vossos pecados” (Jo. 8:24).

O Apóstolo faz referência às limitações da nossa compreensão espiritual. Vemos “como espelho”, como se estivéssemos contemplando o nosso rosto refletido na água. Reconhecemos a realidade, porém, nem sempre com a devida clareza. Contudo, apesar dessa limitação, reconhecemos “a glória de Deus”, que é a pessoa de Jesus Cristo. Através da leitura das Escrituras, podemos aumentar a nossa compreensão das verdades espirituais. Por isso, o Ap. Pedro exorta: “Desejai, ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para a salvação, se é que já tendes a experiência de que o Senhor é bondoso” (I Pe. 2:2). Não há necessidade, no início, de entender as profundezas de todas as verdades espirituais; tendo Cristo em nossa vida, temos o suficiente para desfrutar da certeza da nossa aceitação diante de Deus. A partir dessa união com Cristo, passamos a crescer na graça e no conhecimento da verdade. “Por isso, quem crê no Filho (de Deus) tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho (não lhe dando o devido reconhecimento), não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo. 3:36).

2. O Entendimento Transformado. “Somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem”. Somos transformados quando nos convertemos ao Senhor: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl. 1:13). Devemos saber o que significa ser transformado: “Assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as cousas antigas já passaram, eis que se fizeram novas” (2 Co. 5:17). Deixamos as práticas pecaminosas a fim de adotar uma vida santa e irrepreensível.

Essa transformação “de glória em glória”, indica um progresso espiritual. O nosso primeiro encontro com Cristo, a sua misericórdia para conosco e o perdão de todos os nossos pecados, encheram o nosso coração de glória, ou seja, a honra de sermos chamados filhos de Deus. Mas essa não é a única glória que experimentamos. Dia após dia, independente de circunstâncias negativas, somos sustentados com a graça de Deus. O Ap. Paulo, sentindo o sofrimento causado por um “espinho na carne”, porém, sustentado pela graça de Deus, podia confessar: “De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (2. Co. 12:9). O Salmista confessava: “ Bem-aventurado o homem cuja força está no Senhor, em cujo o coração se encontram os caminhos aplanados, o qual passando pelo vale árido, faz dele um manancial, de bênçãos o cobre a primeira chuva. Vão indo de força em força, cada um deles aparece diante de Deus em Sião” (Sl. 84: 5-7).

Mas a glória maior é o fato de que estamos sendo transformados na própria imagem de Deus. No início, fomos criados à sua imagem, mas essa glória ficou desfigurada pelo pecado. Agora, em Cristo, ela está sendo restaurada. O Ap. Paulo descreveu essa imagem em termos de justiça, retidão e o pleno conhecimento, (Ef. 4:24; Cl. 3:10). Justiça, plena aceitação diante de Deus; retidão, plena harmonia com o nosso próximo, porque não mais lhe fazemos mal. Essas duas virtudes são realidades em nossa experiência, porque, agora, em Cristo, com o entendimento desvendado, o pleno conhecimento da vontade de Deus está operando eficazmente em nossa vida. Que sejamos visivelmente transformados, “cheios do fruto da justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus” (Fl. 1:11).

3. O Entendimento Iluminado. “Como pelo Senhor, o Espírito”. Observemos a colocação dessa frase. Temos a identidade do operador dessas bênçãos. Ele é o Espírito, a terceira pessoa da Santíssima Trindade; e temos a sua posição. Ele é o Senhor, aquele que tem a competência exclusiva para aplicar a vontade da Divindade ao homem pecador. Deus quer que os pecadores arrependidos saibam que seus pecados são perdoados e que “deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (Jo. 1:12). “ O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm. 8:16). Devemos valorizar o dom do Espírito Santo, pois é Ele que nos capacita a adorar a Deus em espírito e em verdade. Por isso, o apóstolo nos exorta: “Enchei-vos do Espírito (sendo completamente controlados por Ele), falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos, uns aos outros no temor de Cristo” (Ef. 5:18-21). E uma palavra final: “Não apagueis o Espírito”, a nossa bem-aventurança depende da sua livre atuação, (I Ts. 5:19).

A obra de desvendar e transformar o nosso entendimento é atribuída ao Espírito Santo. Portanto, é importante perguntar: Como é que o Espírito Santo realiza essa obra? A resposta é uma só: Ele realiza todos os seus propósitos na vida do homem pela aplicação eficaz das Escrituras Sagradas ao entendimento das pessoas. O Ap. Paulo registrou a sua oração em favor dos cristãos, observando que o lugar principal onde o Espírito Santo atua está “no homem interior” do nosso ser. Ele embasou sua oração “segundo a riqueza” da glória de Deus. E, nessa confiança, pediu que os cristãos fossem “fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior”; que Cristo habitasse em seu  “coração”; que, pela fé, estivessem “arraigados e alicerçados em amor”; que pudessem “compreender, com todos os santos”, as plenitudes do “amor de Cristo, que excede todo entendimento”; enfim, que fossem “tomados de toda a plenitude de Deus” (Ef. 3:16-19). Essa oração pode ser considerada como exemplo de orar “ no Espírito” (Ef. 6:18).


Conclusão: Em nosso estado natural, sem qualquer obra regeneradora da parte de Deus em nossa vida, temos um véu invisível que embota a nossa compreensão das Escrituras Sagradas. Mas essa insensibilidade é removida quando alguém se converte ao Senhor Jesus Cristo. Assim, com o nosso entendimento desvendado, podemos progredir na graça e no conhecimento da vontade do nosso Deus. “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação no temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fl. 2:12-13).

sábado, 26 de outubro de 2013

O PRIMEIRO AMOR



Cristo disse: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e removerei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas” (Apocalipse 2:4-5).

Nos Evangelhos, vemos Cristo ensinando e lançando os alicerces para a sua Igreja. No livro do Apocalipse, vemos Cristo vigiando, governando e corrigindo a sua Igreja, já estabelecida. No primeiro capítulo desse livro, vemos Cristo em toda a sua majestade, andando no meio de suas Igrejas, tomando conhecimento de tudo o que acontece na vida de seu povo. As suas palavras: “Conheço as tuas obras” são repetidas sete vezes para que possamos sentir e tremer diante da totalidade e da inerrância desse conhecimento. Seus olhos, “como chama de fogo”, vêem, não apenas os atos externos dos homens, mas, também, os pensamentos escondidos de seu coração. As palavras que saem da sua boca são como “uma afiada espada de dois gumes”, cada uma revelando a sua autoridade soberana e imperturbável. Tudo o que Ele fala às igrejas é fundamentado sobre a sua onisciência global e de acordo com os princípios de uma justiça santíssima.

No entanto, devemos fazer uma pergunta oportuna: O que é que Cristo procura em nossa vida? Sem dúvida alguma, Ele quer saber se nós O amamos como convém. Quando Jesus interrogou o Ap. Pedro, a pergunta foi esta: “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros”, mais do que todos os seus outros interesses? Eis o mandamento: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento” (Lc. 10:27). Aquele que ama de verdade não pode dividir o seu coração com outros interesses. O apelo é este: “Dá-me, filho meu, o teu coração”, a totalidade da sua vida (Pv. 23:26). Nesse contexto, podemos perceber o pesar que Cristo sentiu quando disse à Igreja em Éfeso: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.” A Igreja tinha um amor no princípio,  mas, agora, aquele interesse inicial  fora abandonado. O que aconteceu?

1. Houve uma Excitação. Todos nós (os que são nascidos de novo) estamos lembrando da excitação (empolgação) que sentimos quando recebemos Jesus Cristo como o nosso Senhor e Salvador. Ao reconhecer que Cristo me amou e a si mesmo se entregou por mim, o meu coração se abriu para Ele, confessando: “Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hb. 10:9). E, a partir desse momento, Cristo derramou sobre a minha vida “toda sorte de benção espiritual” (Ef. 1:3). Ele me levantou para que eu pudesse viver “em novidade de vida” (Rm.  6:4).

Quais são algumas dessas bênçãos? Entre as muitas, mencionamos apenas quatro:

 Primeira: A culpa dos nossos pecados foi retirada da nossa consciência. Não apenas o perdão de todos os nossos pecados, mas, também, a culpa, aquele senso de incriminação que perturba a nossa tranquilidade espiritual. “Bem aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto” (Sl. 32:1).

Segunda: A nossa natureza original foi renovada e santificada. “Tais fostes alguns de vós (praticantes de torpeza); mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (1 Co. 6:11).

Terceira: Fomos recebidos na família de Deus por adoção. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus, e, de fato, somos filhos de Deus” (1 Jo. 3:1).

Quarta: Recebemos uma herança eterna. “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória” (Cl. 3:20-21).

Qual foi o efeito dessas bênçãos sobre a nossa vida moral e espiritual? Fomos elevados para amar sinceramente o nosso Senhor Jesus Cristo. Ele mesmo disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo. 14:15). E o Ap. Paulo acrescentou: “O cumprimento da lei é o amor” (Rm. 13:10). Por causa de seu amor a Cristo, o Ap. Paulo desprezou toda a sua herança de valores carnais, considerando-os “como refugo, para conseguir Cristo e ser achado nele” (Fl. 3:7-9). Apesar das tentações para vacilar em nosso amor, o nosso dever e a fonte da nossa segurança espiritual são que continuemos fiéis a Cristo. Ele é o nosso primeiro amor.

2. Houve uma Exclusão. Por alguma razão, o amor a Cristo, como prioridade na vida da Igreja, foi excluído; outras preferências assumiram o seu lugar. O texto fala de uma queda, de algo específico que aconteceu: “Lembra-te, pois, de onde caíste”. Oferecemos algumas causas possíveis dessa queda:

a) O Perigo do pecado específico, ou seja, da prática de algo que apagou o amor a Cristo. O sexo ilícito em todas as suas formas, virtual, real e pornografia é um dos pecados principais que afasta o transgressor do seu amor a Cristo. É humano pecar, porém, em vez de reconhecer e abandonar o delito, a tendência é continuar no pecado em vez de seguir fielmente a Cristo.

b) O Perigo de doutrinas estranhas. Esse foi o problema que entrou na Igreja da Galácia. Em vez de confiar em Jesus Cristo e este crucificado para alcançar a vida eterna, as Igrejas estavam sendo assediadas para regressar e confiar nas obras da lei, a fim de alcançar a certeza da salvação. Elas não deram ouvidos à advertência, “que ninguém será justificado diante de Deus por obras da lei” (Rm. 3:20). Se alguém voltar às obras da lei, a fim de ajudar na aquisição da vida eterna, além de desprezar a suficiência total do sacrifício de Jesus Cristo, está se desligando dele, (Gl. 5:1-4).

c) O perigo do mundanismo. Apesar de ter recebido Cristo com amor, “os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra e fica infrutífera” (Mt. 13:22). Cristo tem que ocupar a totalidade da nossa vida; e, quando nós O amamos, nós O seguimos espontaneamente, sem considerar o preço.

d) O perigo de desânimo espiritual. Ninguém é feito de ferro. A iniquidade está se multiplicando e chegando cada vez mais perto de nós. Crimes horríveis são praticados e ficam impunes. E, dentro da própria Igreja de Deus, existem escândalos e práticas litúrgicas que ferem os princípios bíblicos, mas os responsáveis pela pureza da Igreja não querem corrigir os erros e tudo fica por isso mesmo. Qual é o efeito dessas mudanças sobre a vida espiritual? Sentimos tentados a desistir de tudo. Cristo predisse: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt.24:12-13). Por causa da iniquidade que impera por toda parte, devemos vigiar e discernir para que não caiamos no desânimo espiritual. Que Cristo nos sustente em todas as nossas perplexidades.

3. Houve uma Exortação. Quando percebemos que o nosso amor a Cristo está se esfriando, temos que tomar medidas urgentes a fim de voltarmos ao primeiro amor. Cristo nos ensina o que devemos fazer:

a) Temos que descobrir e nomear o pecado que está causando a frieza espiritual. Como? Praticando o seguinte auto-exame: Estou praticando uma coisa que fere a santa lei de Deus? Um caso sexual? A busca de fantasias virtuais na pornografia, ou nas revistas ou internet? Tenho uma rixa contra alguém? Estou deixando de confiar na unicidade e suficiência de Cristo para me salvar, ou estou tentando ajudá-lo com obras de merecimento? Estou me envolvendo excessivamente nos interesses deste mundo, a ponto de não ter tempo suficiente para demonstrar o meu amor a Cristo através de atos devocionais todos os dias? Em vez de estar olhando firmemente para Cristo, estou perdendo tempo olhando para os acontecimentos negativos deste mundo e deixando o desânimo tomar conta do meu ser?

b) Temos que confessar o pecado causador desse esfriamento e abandoná-lo. Somos exortados: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, a fim de que, da presença do Senhor venham tempos de refrigério” (At. 3:19-20). Sem a confissão e o abandono do pecado, esses “tempos de refrigério” jamais serão experimentados. 

c) Temos que reativar o nosso amor a Cristo, voltando a praticar as primeiras obras que demonstraram o nosso zelo espiritual.

Quais são as consequências de não voltarmos à prática das primeiras obras no nosso amor? Cristo responde: “Venho a ti e removerei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas”. Essa advertência não é dada para por em dúvida a certeza da nossa salvação, antes, para mostrar o perigo da presunção, uma fé sem os frutos do nosso amor a Cristo. “Aquele que diz que permanece nele, esse deve andar assim como ele andou” (1. Jo. 2:6).

Conclusão: Devemos sempre manter diante dos nossos olhos a visão de Cristo andando no meio das Igrejas, tomando conhecimento de tudo o que se passa na vida de suas Igrejas. Que Ele possa sentir que o nosso primeiro amor a Ele continua com todas as evidências de uma devoção inabalável.


domingo, 20 de outubro de 2013

O CONTENTAMENTO CRISTÃO


Leitura Bíblica: Salmo 16:1-11

Introdução: Uma das características do Salmo número dezesseis é que o Salmista fala das suas circunstâncias usando sempre a primeira pessoa do singular. O “eu” e o “tu” indicam um relacionamento intensamente particular, enquanto que o “meu” nos aponta para aquele que está recebendo todas as ricas dádivas do Senhor. Portanto, todos os cristãos podem usar essas palavras como se fossem as suas próprias reflexões. Vamos meditar sobre essas ponderações, que são tão  pessoais. O Salmista olha para quatro áreas diferentes em sua vida:

1.  Ele olha para cima, Vs 1-2. Todos nós, que cremos em Jesus Cristo, temos acesso ao trono da graça. Por isso, somos convidados: “Acheguemo-nos, portanto, confiantemente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb. 4:16). A frase “guarda-me ó Deus” indica que o salmista estava prevendo uma dificuldade e se sentindo incapaz de enfrentá-la sozinho. Mas, como homem de fé, soube que podia lançar sobre Deus toda a sua ansiedade, sabendo que Deus tem cuidado dele, (1 Pe. 5:7). Por que a prática da oração? Porque o Senhor é o meu refúgio. Ele é a minha fortaleza, a minha proteção e o meu defensor. Somos felizes porque podemos pedir e receber o auxílio do Senhor. Por isso, somos “mais que vencedores” (Rm. 8:37).

Depois de falar sobre o privilégio da oração, o Salmista faz uma confissão ao Senhor: “Tu és o meu Senhor”, o Dono da minha vida. Portanto, confesso constantemente: “Eis que estou a fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hb. 10:9). Mas, por que tenho essa disposição? Porque “outro bem (outro senhor) não possuo, senão a ti somente”. Na verdade, não existe nenhuma outra disposição que é aceitável diante de Deus: “ Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou há de se devotar a um e desprezar ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt. 6:24). Vamos continuar olhando para cima para desfrutar dos privilégios da oração e da direção do Senhor. Que a minha vontade “não seja como eu quero, e sim, como tu queres” (Mt. 26:39).

2. Ele olha ao redor, Vs. 3-4. Ele quis tomar conhecimento do que estava acontecendo ao seu redor. Primeiro, ele viu “os santos que há na terra”. Quem são esses “santos”? São as pessoas que crêem em Jesus Cristo como Senhor; e que são nascidas de novo pelo poder do Espírito Santo. E, por causa dessa união com Cristo, passam a desenvolver uma vida santa e irrepreensível diante de todos. Por isso, são “os notáveis” que vivem na terra. A sua vida piedosa os distingue de todos os demais. Somos exortados a receber, amar e honrar tais pessoas (Fl. 2:29) Devemos agir assim porque, neles, “tenho todo o meu prazer.” Veja como o Ap. Paulo se sentiu a respeito desses “santos”: “Pois a minha testemunha é Deus da saudade que tenho de todos vós, na tenra misericórdia de Cristo Jesus” (Fl. 1:8). Que possamos valorizar, mais e mais, os “santos que há na terra”.

No entanto, em segundo lugar, olhando ao seu redor, o Salmista notou a presença de pessoas “ que trocam o Senhor por outros deuses”; o deus do materialismo, ou, até o deus da sua própria imaginação. São pessoas que buscam um deus que possa satisfazer todos os seus egoísmos. Qual é o resultado de buscar bens de outros deuses? Dores, tais como repetidas decepções, tristezas e sofrimentos físicos e emocionais. “Para os perversos (os que buscam deuses mentirosos), diz o meu Deus, não há paz” (Is. 57:21).

Após essas observações, qual foi a reação do Salmista? Ele tomou uma decisão resoluta: “Não oferecerei as suas libações de sangue”. Não participarei em seus ritos de buscar bens materiais. A ordem bíblica é esta: “Retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em cousas impuras; e eu vos receberei e serei vosso Pai, e  vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso” (2 Co 6:17-18). Mas o Salmista resolveu ainda mais: “Os meus lábios não pronunciarão o seu nome”.  Por que essa determinação? A conversa sobre os costumes de certas religiões pode despertar uma curiosidade e a tentação para experimentar o proibido. Esse foi o grande mal de Israel. É de suma importância que tomemos decisões sérias sobre questões religiosas, a fim de manter a pureza da nossa fé em Jesus Cristo.

3. Ele olha para dentro, Vs. 5-8. Olhar para dentro da sua própria vida significa discernir quais são as suas atitudes acerca das circunstâncias em que vive. O Salmista comenta sobre quatro dessas circunstâncias:

Primeira: A herança que recebeu para a sua vida. “ O Senhor é a porção da minha herança e o meu cálice”. Ao entrar na terra de Canaã, cada tribo recebeu a sua herança, uma parcela de terras, bem definidas e cercadas. No mesmo sentido, quando entramos na vida cristã, cada um recebe a sua herança, bem definida e segura: o Deus vivo e verdadeiro, que é bem melhor do que qualquer pedaço de terra. “ O Senhor é a porção da minha herança”. O Salmista gostava de confessar: “Ainda que a minha carne e o meu coração desfalecem, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Sl. 73:26). Por causa da natureza da sua herança, qual foi a declaração do Salmista? “Tu és o arrimo (esteio, apoio) da minha sorte”. Sim, “bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, cuja esperança está no Senhor, seu Deus” (Sl. 146:5),

Segunda: A preciosidade dessa herança. “Caem-me as divisas em lugares amenos (agradáveis)”. Os levitas não receberam uma parcela de terra, porque o Senhor foi a herança deles. E, semelhantemente, a nossa herança não é material, antes, é espiritual, o próprio Senhor. Por isso, o Salmista podia confessar: “ É mui linda a minha herança”. Tendo o Senhor como nosso esteio, temos tudo. Por isso, vivemos plenamente satisfeitos com a nossa porção, sem nenhuma necessidade para murmurar.

Terceira: Em relação a essa herança, o Senhor me ensina como devo andar: “Bendigo ao Senhor, que me aconselha, pois até durante a noite o meu coração me ensina”. Se o Senhor é a nossa herança, devemos ter um desejo ardente para conhecer a respeito dele. Mas como? Existe uma única maneira! Temos que tomar o tempo necessário para ler e meditar sobre a sua auto-revelação, que está registrada inerrantemente nas Escrituras Sagradas. “Meditarei no glorioso resplendor da tua majestade e nas tuas maravilhas” (Sl. 145:5). Sejamos como o Salmista: “Os meus olhos antecipam-se às vigílias noturnas, para que eu medite nas tuas palavras” (Sl. 119:148).

Quarta: Nessa herança, o Senhor está comigo: “O Senhor, tenho-o sempre à minha presença: estando ele à minha direita, não serei abalado”. Por que essa confiança? Porque, quando clamo a Ele: “Ele dos céus me envia o seu auxílio e me livra (...). Envia a sua misericórdia e a sua fidelidade” (Sl. 57:3). Quando olhamos dentro do nosso coração, será que podemos dizer que as nossas atitudes, disposições espirituais, são semelhantes às do Salmista nesses quatros versículos? Que a resposta seja: Sim !

4. Ele olha para o futuro, Vs. 9-11. Querendo ou não, todos nós teremos que encarar a realidade da nossa morte, o dia quando teremos que deixar esta vida na terra e entrar na vida na eternidade. Quais são as nossas esperanças para esse evento momentoso? O Salmista fala de três realidades que o consolam:

Primeira: A morte não é necessariamente uma experiência sombria. Antes, para aqueles que têm Jesus Cristo como Salvador, é uma experiência alegre, porque, para “partir e estar com Cristo é incomparavelmente melhor” (Fl. 1:23). Por isso, confessamos: “Alegra-se, pois, o meu coração, e o meu espírito exulta; até o meu corpo repousará seguro”. Os que estão unidos com Cristo em vida continuarão unidos com Ele na morte. O apóstolo declarou confiadamente: “Nem a morte (...) poderá separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm. 8:38-39)

Segunda: A esperança da ressurreição do nosso corpo no Dia da Segunda Vinda de Jesus Cristo. “Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção”. Essa foi a verdade que encorajou Jesus Cristo para enfrentar a morte e morte de cruz; essa deve ser, também, a fonte da nossa esperança na hora da morte. “E ressoada a trombeta de Deus, (Cristo) descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Ts 4:16).

Terceira: A segurança que teremos na hora da morte: “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente”. Na hora da morte veremos o caminho aberto que nos conduzirá à presença daquele que nos amou e a si mesmo se entregou por nós, Jesus Cristo. Ao entrarmos na presença do Senhor, que é “incomparavelmente melhor” do que qualquer experiência que poderemos ter na terra, teremos a “plenitude de alegria”, e, à “destra do Senhor, delícias perpetuamente”. O céu é um lugar infinitamente melhor que a terra. Aqui, tudo é vaidade, mas lá, tudo é perfeito, glorioso e permanente. Aqueles que têm essa percepção na hora da morte terão uma transferência tranquila.


Se a nossa vida mortal estiver cheia de Deus, podemos ter certeza quanto à nossa imortalidade. “E, assim, estaremos para sempre com o Senhor” (I Ts. 4:17).