Vasos de Honra

Mostrando postagens com marcador milagres. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador milagres. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A PRONTIDÃO DO SENHOR




Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Salmo 23:1-6.

Introdução:  Embora tenhamos o costume de ouvir: “O Senhor é o meu pastor”, creio que é igualmente apropriado e bíblico dizer: “O Senhor é o meu Guia”. O Salmista, exaltando o Senhor, confessou: “Que este é Deus, o nosso Deus para sempre; Ele será o nosso Guia até a morte” (Sl. 48:14). E esta oração ao Senhor pode ser a nossa: “Guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação” (Sl. 25:5). Agora, em vez de me considerar como uma ovelha, quero me apreciar como um peregrino, caminhando para a minha morada lá no céu. Creio que  o contexto do Salmo 23 permite vermos o Senhor como nosso Guia, que é sinônimo de Pastor, aquele que cuida de todas as nossas necessidades enquanto caminhamos pelo vale de Sidim (local de guerra, Gn. 14:8).

Notemos que o Salmo 23 é intensamente pessoal, eu e o meu Senhor. Por causa dessa intimidade, “não temerei mal nenhum, porque tu (o Senhor) estás comigo”. Embora existam milhões de pessoas invocando o nome do Senhor, temos que reconhecer a nossa singularidade, temos que lidar com o nosso Deus como indivíduos responsáveis. “E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele para quem temos de prestar contas” (Hb. 4:13).

1. A Provisão do Senhor, Vs. 1-2. Ao peregrinar para o lar celestial, quais são algumas das provisões incluídas nesta promessa preciosa: “Nada me faltará”? O Senhor não nos guia por caminhos que causam decepção, antes, Ele nos “faz repousar em pastos verdejantes”. Ele não nos guia por caminhos áridos, antes, Ele nos leva “para junto das águas de descanso”. Nessas duas figuras, que têm basicamente o mesmo sentido, percebemos o cuidado que o Senhor tem para com o seu povo. Ele consola os desanimados, ampara os fracos e é longânimo para com todos. “Faz forte ao cansado, multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. Os jovens se cansam e se fatigam e os moços de exaustos caem, mas os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águia, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam” (Is. 40:29-31).

Visto que estamos caminhando para o lar celestial, fundamentamos a nossa vida sobre valores espirituais, aprendemos de Cristo e andamos com Ele. “Aquele que diz que permanece em Cristo, esse deve também andar assim como Ele andou” (1Jo. 2:6). Vamos meditar, por um momento, sobre o que Cristo fez por nós: “Comigo houve pobreza e vacuidade; porém, com Ele, riquezas e plenitudes. Por causa da minha pobreza, Ele se fez pobre; porém, agora, as suas riquezas me fizeram rico, para nunca mais ser pobre. Eu era, muitas vezes, cansado; porém, Ele é sempre forte. Havia um tempo quando o meu cansaço o fez cansado; mas, agora, a sua força me faz forte. Eu conhecia somente os lugares pesados e barulhentos; porém, Ele me fez conhecer os lugares lenimentos (suaves) e tranquilos. Havia um tempo quando Ele, para me buscar, entrou nesses lugares mundanos; e, agora, habito com Ele em pastos verdejantes e águas de descanso. Eu estava com fome e sede num lugar desértico; porém, nele, tenho todas as plenitudes da providência de Deus, onde ele refrigera a minha alma, dia após dia” (citado do livro: The Psalms, por W. E. Scroggie). Agora, o Salmista faz uma pergunta pertinente: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me comprazo na terra” (Sl. 73:25). “Digo ao Senhor: Tu és o meu Senhor; outro bem não possuo, senão a ti somente” (Sl. 16:2).  

2. A Proteção do Senhor, Vs 3:4. Ele me guia pelas veredas da justiça, por amor do seu nome”. Primeiro, Ele “refrigera” (restaura) a minha alma, colocando-a em plena comunhão espiritual consigo mesmo, para,  em segundo lugar, guiar-me pelas veredas da justiça. A conversão, ser nascido de novo, sempre precede qualquer direção espiritual em nossa vida. Ele não nos guia para alcançar preeminência nos negócios deste mundo, mas, sim, excelência na prática da justiça. E qual a razão dessa direção? Por amor do nome do Senhor. De certa forma, quando fomos chamados para glorificar a Deus pela prática da justiça, Ele envolveu a honra do seu nome em nosso procedimento. Mas Ele não nos deixou sozinhos para glorificar o seu nome, antes, Ele mesmo nos guia soberanamente, dando-nos as necessárias forças para agir de acordo com a sua vontade, por amor do seu nome. Assim, é Ele quem recebe toda glória e é a graça imerecida que há de completar a sua obra santificadora que Ele começou quando fomos “chamados para sermos de Jesus Cristo” (Rm. 1:6).

Na Bíblia, o verbo “andar” normalmente se refere ao nosso modo de viver, “andar nas trevas” (Jo. 8:12); “andar na luz” (Ef. 5:8). O Apóstolo falou sobre o andar negativo: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andaste outrora, segundo o curso deste mundo” (Ef. 2:2). E, agora, o andar positivo: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis dignos da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Ef. 4:1-3). Andar, portanto, sempre envolve direção; estamos andando de acordo com a vontade de Deus. A experiência nos ensina que, nesse andar, temos que enfrentar todo o tipo de circunstâncias, coisas agradáveis, bem como desagradáveis. Nunca saberemos o que pode acontecer no amanhã; contudo, para o cristão, o desconhecido não lhe dá medo, porque Cristo prometeu: “E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” (Mt. 28:20).

Nesse contexto, o Salmista declarou: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo”. Esse “vale” se refere às circunstâncias aflitivas, e não necessariamente à morte física. Contudo, o Salmista emprega uma frase expressiva: “A sombra da morte”. Uma sombra, apesar de indicar uma presença, não é o objeto em si. Sentimos a possibilidade de um problema, porém, muitas vezes, ele não nos toca. Mas, por outro lado, especialmente no caso da morte, ou de um querido, ou da nossa própria, temos que ficar de sobreaviso.  

Então, como podemos nos preparar para qualquer eventualidade? A resposta do Salmista é que devemos confiar na prometida proteção, cuidado e presença consoladora do Senhor. “Não temerei mal nenhum, porque tu (o Senhor) estás comigo; o teu bordão e o teu cajado (os meios da graça: a Palavra de Deus e a oração), me consolam”. O Apóstolo acrescenta: “Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino, foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras tenhamos esperança” (Rm. 15:4). Tempos de grandes elevações espirituais devem ser moderados com a lembrança das palavras solenes do Apóstolo no exercício de seu ministério: “Fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (At. 14:22) Variadas circunstâncias, sim, mas em todas essas coisas, somos peregrinos vitoriosos por meio de Jesus Cristo (Rm. 8:37).

3. A Profusão do Senhor, Vs.5-6. O peregrino chegou ao término da sua carreira. Mas qual é a esperança do cristão, que andava no Espírito, evitando as concupiscências da carne? (Gl.5:16). Ele ouvirá: “Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt. 25:34). Em seguida, será recepcionado de acordo com os costumes de hospedagem do Oriente. Uma mesa de delícias o aguardará; sua cabeça será ungida com óleo e receberá um cálice transbordante de “água das fontes da salvação” (Is. 12:3). Uma referência a esse costume pode ser encontrada em Lucas 7:36-50, onde o convidado receberia os sinais de boas vindas: ter os pés lavados; ter a cabeça ungida com óleo ou bálsamo; receber um ósculo. No caso relatado por Lucas, embora convidado por um fariseu, Jesus não foi honrado com esses sinais de boas vindas, porém, uma pecadora veio com um vaso de alabastro e derramou tudo sobre a pessoa de Jesus, demonstrando, publicamente, o seu muito amor, porque Ele perdoara os seus muitos pecados. O nosso peregrino não foi desprezado, como aconteceu com Jesus na casa do fariseu, antes, foi recebido com uma festa luxuosa, sua cabeça foi ungida com óleo, e na sua mão recebeu um cálice transbordante de toda sorte de bênçãos espirituais. É quase impossível imaginar o que “Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Co. 2:9).

Outro detalhe que enaltece o recebimento do peregrino: “Prepara-me uma mesa na presença dos meus adversários”. O povo de Deus tem os seus adversários, pessoas que têm prazer em demonstrar a sua rejeição a Deus e a seu povo. Mas, no Dia Final, esses zombadores serão obrigados, em seu tormento, a contemplar a bem-aventurança daqueles que amam e respeitam a Deus. Na parábola do Rico e do Mendigo, o rico via a felicidade de Lázaro. A circunstância dos dois é resumida com estas palavras ao rico: “Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro, igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos”. (Lc. 16:19-31). A lição que  Jesus está inculcando é esta: “Não vos enganeis: de  Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl. 6:7).

Qual é a bem-aventurança do peregrino, já no céu? Com a sua cabeça ungida com óleo purificador, ele tem pensamentos de gratidão, confessando: “ O meu cálice transborda”. O nosso gozo é completo, (Jo. 15:11). Ligado inseparavelmente a esse gozo está a confiança de continuidade: “Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida (na eternidade); e habitarei na Casa do Senhor para todo o sempre”. Davi previu essa bem-aventurança espiritual quando escreveu: “Como é preciosa, ó Deus, a tua benignidade! Por isso, os filhos dos homens se acolhem à sombra das tuas asas. Fartam-se da abundância da tua casa, e na torrente das tuas delícias lhes dás de beber. Pois em ti está o manancial da vida; na tua luz, vemos a luz” (Sl.36:7-9). 

Conclusão: No Salmo 23, temos uma fonte de riquezas, porém, elas têm que ser descobertas mediante um tempo dedicado a esse fim. O Senhor é o meu Pastor; mas Ele é também o meu guia, “Guiando-me na verdade do  Senhor e ensinando-me, pois Ele é o Deus da minha salvação, em quem eu espero todo o dia” (Sl. 25:5). Temos visto a Provisão do Senhor: “Nada me faltará”. Temos visto a Proteção do Senhor: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo”. E temos visto a Profusão do Senhor: “Preparas-me uma mesa ... o meu cálice transborda”. Terminamos citando o hino: “Peregrinando por sobre os montes, e pelos vales, sempre na luz! Cristo promete nunca deixar-me, eis-me convosco, disse Jesus. – Brilho Celeste! Brilho Celeste! Enche a minha alma, glória do céu! Aleluia! Sigo cantando, dando louvores, pois Cristo é meu!” (HNC 114).

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A Encarnação de Cristo




Leitura Bíblica: Hebreus 2:14-18

Introdução: Todos os anos, o Natal é comemorado com muitas atividades. Para alguns, será um tempo de férias e festividades; para outros, uma oportunidade para reviver tradições, árvore de Natal, presentes e comidas especiais. Mas, quantas pessoas lembrarão o verdadeiro sentido desta data? Em Israel, quando as famílias celebravam a Festa da Páscoa, alguns dos filhos perguntavam: “Que rito é este? Os pais tinham a responsabilidade de responder de acordo com o que está escrito nas Escrituras Sagradas: “É o sacrifício da Páscoa do Senhor, que passou por cima das casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios e livrou as nossas casas” (Ex. 12:26-27).  E, por meio de uma explicação, temos este exemplo: “Assim, comeram a Páscoa os filhos de Israel que tinham voltado do exílio e todos os que, unindo-se a eles, e haviam separado da imundícia dos gentios da terra, para buscarem o Senhor, Deus de Israel” (Ed. 6:21). E, em nossos dias, se os nossos  filhos perguntarem: Por que temos o Natal? Quantos pais têm o conhecimento para lhes dar uma resposta bíblica? Por exemplo: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is. 9:6). E, por meio de explicação: “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl. 4:4-5).

Em vez de oferecer uma explanação tradicional do Natal, meditaremos sobre a exposição do assunto dada pelo escritor aos Hebreus. A encarnação do Filho de Deus deve ser um assunto que cativa o nosso coração todos os dias, e não apenas uma vez por ano, “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade. E vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo. 1:14).

1. O Beneplácito da Encarnação, Vs 14-15. A encarnação de Cristo revela o seu beneplácito insondável, a sua boa vontade para fazer tudo o que era necessário para a redenção de pecadores. E, para realizar essa obra, Ele tomou para si a natureza humana, a mesma da descendência de Adão. Como podemos explicar essa condescendência? O nosso texto nos oferece um exemplo. Como os filhos têm participação comum da carne e sangue de seus pais, mediante um ato de procriação, também, Cristo, por ser nascido de mulher, igualmente, participou destes mesmos elementos; mas, por ser gerado pelo Espírito Santo, Ele nasceu totalmente livre do pecado que Adão legou à sua descendência, (V.14a; Lc.1:35).

Quais foram os motivos da encarnação? O nosso texto fala de três:

Em primeiro lugar, “ por sua morte”. Devemos reconhecer que o poder natural da morte substitutiva de Jesus Cristo resolveu, definitivamente, todas as questões que impediam a plena salvação de pecadores. Por sua morte, Ele pagou a nossa dívida diante da lei de Deus; isto  é, não apenas cumpriu a lei em nosso lugar, mas, também, experimentou a sentença da morte que os nossos pecados deviam receber. Por isso, a Bíblia ensina: Em Cristo “temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência” (Ef. 1:7-8).

Em segundo lugar, Cristo se fez carne para poder destruir “aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo”. Embora o diabo não tenha poder absoluto para infligir a morte, porque esta é a prerrogativa exclusiva de Deus, Satanás, através de mentiras e tentações, pode induzir o incauto à morte, por causa do pecado que pratica. Por isso, somos instruídos a “resistir-lhe firmes na fé” (1Pe. 5:9).

Em terceiro lugar: “livrasse todos que, pelo pavor da morte” (V.15.). Por que o homem tem “pavor da morte?” Porque ele sabe que, “depois da morte, o juízo”, quando cada um terá de dar “contas de si mesmo a Deus” (Hb.9:27; Rm. 14:12). E, de forma semelhante, o homem sabe que “horrível cousa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb. 10:31). Por isso, um pavor toma conta do homem despreparado para enfrentar o juízo vindouro. Como é diferente a esperança do homem que já fez as suas pazes com Deus! Fica admirado, podendo confessar: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus” (1Jo. 3:1). Temos esse privilégio porque entregamos a nossa vida aos cuidados de Jesus Cristo, o nosso Salvador, crendo, de coração, no seu nome, (Jo.1:12).

2. O Beneficiário da Encarnação, Vs 16-17. Cristo se fez carne em favor de quem? O texto responde: “Pois Cristo, evidentemente, não socorre anjos, mas socorre a descendência de Abraão”. Quem é essa descendência de Abraão que Cristo veio para buscar e salvar? Certamente não se limita, literalmente, àquela família. A descendência do nosso texto é o “seu povo” (Mt. 1:23); “todo aquele que o Pai me dá” (Jo. 6:37). Tudo depende da nossa fé em Jesus Cristo. O Apóstolo deu esta explicação: “De sorte, não pode haver judeu, nem grego; nem escravo, nem liberto; nem homem, nem mulher; porque todos vós sois um em Jesus Cristo. E, se sois de Cristo, também sois descendência de Abraão e herdeiros segundo a promessa” (Gl. 3:28-29). Essa é a mesma verdade anunciada em João 3:16, “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

Por que Cristo tinha que se tornar homem para salvar o seu povo? O nosso texto responde: “Por isso mesmo, convinha que, em todas as cousas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas causas referentes a Deus e para fazer propiciação (um cobertor) pelos pecados do povo”. Observemos duas verdades com referência à necessidade da encarnação:

a) A fim de salvar o homem, a sua dívida da lei de Deus tinha que ser paga, não necessariamente pelo próprio pecador, se tivesse um fiador, um homem sem nenhuma dívida. Mas onde está o homem que tem as condições judiciais para pagar essa dívida, visto que todos pecaram e carecem da glória de Deus? O pecado é uma ofensa tão infinita contra a santidade de Deus, que o culpado não pode saldá-la, nem com uma eternidade de sofrimento. Por isso Deus, em seu grande amor, providenciou um Homem, o seu próprio Filho, que se fez carne, como único meio para resolver o problema da dívida de seu povo. “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm. 5:8). Cristo é o nosso fiador que garante a nossa inocência diante da lei de Deus, (Hb. 11:22).

b) Por causa de seu pecado, o homem perdeu a sua liberdade original de ter livre acesso à presença de Deus. Mas o Senhor, querendo reestabelecer a sua comunhão com o homem, instituiu o ofício de Mediador, dando-lhe o título de Sumo-Sacerdote, “pelo qual, temos ousadia e acesso com confiança, mediante a fé nele” (Ef. 3:12). O ministério desse Sumo-Sacerdote, Jesus Cristo, consiste, principalmente, de duas partes: oferecer um sacrifício e interceder em favor de seu povo. Cristo “se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado” (Hb. 9:26). Através desse sacrifício, Cristo providenciou “propiciação pelos pecados do povo”, isto é, um cobertor, pelo qual os nossos pecados são escondidos da presença de Deus; e, com essa proteção, somos declarados inocentes diante da lei divina. A segunda parte desse ministério é a intercessão. Cristo continua, para sempre, “por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb.7:24-25). O Apóstolo nos dá um exemplo dessa intercessão: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1Jo. 2:1-2).

3. O Benefício da Encarnação V. 18. Para o nosso consolo, o nosso texto destaca duas verdades relacionadas com a adequação do sacerdócio de  Jesus Cristo:

a) Cristo sofreu, tendo sido tentado. “Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas cousas que sofreu” (Hb. 5:8). “Porque não temos sumo-sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as cousas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb. 4:15). A tentação, bem como a necessidade de obedecer a Deus em todas as circunstâncias, quase sempre envolve uma medida de sofrimento. Sentir a repugnância do pecado querendo nos tocar, faz o piedoso gemer em seu íntimo. E, Cristo, em sua pureza imaculada, o que sentiu ao ser tentado? Uma cousa sabemos: Ele soube como ficar incontaminado e permanecer sem pecado. Obediência também pode causar sofrimento. Como? Porque sempre existem duas opções: uma fácil e a outra, não tão agradável. Como podemos  escolher o caminho certo? Temos um exemplo dado por Cristo. Quando Ele teve que encarar os horrores da cruz, uma questão de obediência estava diante dele. Em oração, Ele disse: “Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice, todavia, não seja como eu quero, e, sim como tu queres!” (Mt. 26:39). Por que Cristo continuou rumo à cruz? Porque Ele soube que essa era a vontade de seu Pai. Todos os atos da nossa obediência devem manifestar a nossa submissão à vontade de Deus, que Ele tem declarado nas Escrituras Sagradas. Custe o que custar. Cristo “a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz” (Fl. 2:8).

b) Por causa das experiências de Cristo nas áreas de tentação e obediência, Ele é poderoso para socorrer os que são tentados. O Ap. Pedro obedeceu ao convite de Jesus, e começou a andar por sobre as águas; “reparando, porém, na força do vento, teve medo; e, começando a submergir, gritou: Salva-me Senhor! E prontamente, Jesus, estendendo a mão, tomou-o”,(Mt. 14:22:33). E nós, quando tentados ou sentindo dificuldade para obedecer a vontade de Deus numa dada circunstância, basta imitar o exemplo de Pedro e gritar por socorro, e, com certeza, seremos fortalecidos para agir como convém. Eis o benefício da encarnação: Temos um Sumo-Sacerdote que sabe compadecer-se de nós em todos os momentos difíceis da nossa vida. “Forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta; a qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu, onde Jesus, como precursor, entrou por nós” (Hb. 6:18-20).

Conclusão: O Natal! Qual é o sentido desta data? É a comemoração do nascimento de Jesus Cristo, a encarnação do Filho de Deus. “E o Verbo (Jesus Cristo) se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo. 1:14).

Na leitura de Hebreus 2, observamos o beneplácito da encarnação de Jesus Cristo, como Ele nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus. E, tomamos conhecimento do beneficiário da encarnação de Jesus Cristo. Somos nós os beneficiários, porque cremos em sua morte e o amamos. E acreditamos no benefício da encarnação de Jesus Cristo, o nosso Sumo-Sacerdote, tendo sido tentado, mas sem pecar, é poderoso para socorrer os que são tentados. E, cada um de nós, por estarmos sujeitos à tentação, temos necessidade constante desse socorro.


Como podemos expressar a nossa gratidão a Deus pela encarnação de Jesus Cristo, o seu Filho unigênito? Certamente, uma das maneiras mais práticas é viver de acordo com os privilégios que estão, agora, ao nosso alcance; tais como os que se encontram em Hebreus 10:19-23. “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemos-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura (o efeito purificador da regeneração ). Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel”. 

sábado, 26 de janeiro de 2013

O PRIMEIRO MILAGRE




Leitura: João 2:1-12

“Então [Jesus]  lhes determinou: Tirai agora e levai ao mestre-sala. Eles o fizeram.”

O Segundo capítulo  registra o inicio do ministério de Jesus. É sugestivo notar que este ministério começou com um casamento e será encerrado com outro, quando Cristo for eternamente unido à Sua Igreja (Ap.19:9). Semelhantemente, o primeiro ato foi um milagre. O primeiro passo na vida cristã começa com um milagre: o novo nascimento. O ultimo ato será outro milagre: a ressurreição de nossos corpos dentre os mortos.

1. As Primeiras Informações (V. 1-4). Quando Cristo está presente no casamento, Ele toma conhecimento de todas as necessidades que possam surgir. Aqui, a falta foi simples, porém, bem urgente. Neste suprimento, Jesus estabeleceu um padrão de ação.

2. As Primeiras Instruções (V. 5-8). Eis o padrão: Jesus lhes determinou e eles o fizeram. É sempre assim. Temos de obedecer as instruções. A fé sempre se manifesta através da obediência. Disse Jesus: “Faça-se vos conforme a vossa fé”.

3. As Primeiras Iniciações (V 9-12). “Sabiam os serventes que haviam tirado a água”, mas mesmo assim levaram ao mestre-sala. Quão grande foi a surpresa dele quando experimentaram este bom vinho! Com Jesus, o fim é sempre o melhor.

Quais são as manifestações da nossa fé?

Oração: Damos-Te graças, Senhor, por todas as Tuas condescendências em nosso favor. Ajuda-nos a segui as Tuas normas de apropriação. Em nome de Jesus, Amém.

Rev. Ivan G. G. Ross