Vasos de Honra

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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A PRÁTICA DO AMOR NA IGREJA


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: 1 Tessalonicenses 1:2-10
Introdução. Se alguém nos pedisse para detalhar as ênfases mais fortes em nossa Igreja, quais seriam os destaques mais evidentes? Ao escrever as suas Cartas à Igreja dos Tessalonicenses, o Ap. Paulo salientou três características, dizendo: “Damos, sempre,  graças a Deus por todos vós em nossas orações e, sem cessar, recordando-nos, diante do nosso Deus e Pai, da operosidade da vossa , da abnegação do vosso amor e da firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição”. A existência dessas três verdades evidenciaram a realidade de sua eleição. O Apóstolo acrescentou a respeito dessa igreja: “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade”, (2 Ts. 2:13). Notemos que a salvação e a santificação sempre agem juntas; a santificação é a evidência inconfundível da salvação, e, sem esse sinal, ninguém verá o Senhor” (Hb. 12:14).

Infelizmente, as observações do Apóstolo não foram tão positivas acerca das Igrejas dos Coríntios e dos Gálatas. Em Corinto, houve uma falta de amor, divisões, heresias e imoralidade, (1Co. 1:10 -13; 5:1). É triste observar que, quando os membros da Igreja estão divididos entre si, todo tipo de pecado começa a entrar, maculando a santificação que deve caracterizar o povo de Deus. O pecado nunca entra na pessoa sozinho; ele é sempre acompanhado por “sete espíritos, piores do que ele” (Mt. 12:43-45). Em Galácia, a falta de amor reinava entre os membros, deixando-os a morderem e devorarem uns aos outros, assim, destruindo-se mutuamente, (Gl. 5:15). E, juntamente com a falta de amor, dissensões, heresias e imoralidades entraram (Gl. 3:1-5, 19-21). Mas, na Igreja dos tessalonicenses, o amor a Deus e ao próximo caracterizaram os membros; e não há registro direto de heresias e nem de imoralidades. Portanto, meditaremos sobre o poder e a prática do amor na vida da Igreja, observando que a palavra “amor” é usada nove vezes nas duas Cartas aos Tessalonicenses. Essa frequência me despertou para preparar esta mensagem.

1. O Amor a Deus. Se nós amamos a Deus, seremos operosos na fé. O Ap. Paulo escreveu: “Damos sempre graças a Deus por todos vós, mencionando-vos em nossas orações e, sem cessar, recordando-nos, diante de nosso Deus e Pai, da operosidade da vossa fé”. Essa operosidade se refere, principalmente, à salvação e à sua manifestação. O Apóstolo escreveu: “Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios, revestindo-nos da couraça da fé e do amor e tomando como capacete a esperança da salvação”. (1Ts. 5:8). A operosidade da nossa fé se manifestará mediante a maneira em que usarmos a fé, o amor e a esperança da salvação. Esses três elementos são, basicamente, uma armadura que nos protegerá contra os males que caracterizam as obras das trevas, tal como uma dormência entorpecente, uma insensibilidade diante dos valores espirituais.

a) Como usar a fé. O Apóstolo fala de pessoas que “não acolheram o amor da verdade, para serem salvos” (2Ts. 2:10). Pela fé, temos uma confiança fundamentada sobre as verdades da Bíblia Sagrada. Cremos que “nestes últimos dias (Deus) nos falou pelo Filho”. E, o que Ele tem falado é fielmente registrado nas Escrituras Sagradas. Pela fé, cremos “que nenhuma profecia da Escrituras provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2Pe. 1:21-22). Nós não somos iguais àqueles que não acolheram o amor da verdade, antes, amamos cada parte das Escrituras: as ameaças, as promessas e os convites. Pela fé, os antigos conseguiram acreditar em tudo o que Deus falara, e obtiveram promessas, (Hb. 11:33). Não sejamos como os incrédulos, antes, usemos a nossa fé para viver segundo os ensinos das Escrituras e obteremos a salvação da nossa vida por meio de Jesus Cristo.

b) Como usar o amor. Dentro desse contexto, o  amor a Deus nos constrangerá para que não sejamos “cúmplices nas obras infrutíferas das trevas” (Ef. 5:11). Por que José não se entregou à tentação? Porque seu amor a Deus o fez exclamar: “Como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?” (Gn. 39:9). Cristo disse:  “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama, e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu  também o amarei e me manifestarei a ele” (Jo. 14:21). Quando amamos, somos constrangidos a obedecer a tudo o que Deus ordena. Temos a mesma disposição do nosso Senhor e Salvador, que confessou: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e a realizar a sua obra” (Jo. 4:34). Fazendo assim, estamos usando o amor para obedecer a Deus.

c) Como usar a esperança da salvação. Embora aquele que crê em Jesus Cristo tenha a salvação, devemos reconsiderar o que aconteceu no ato de receber essa salvação: fomos redimidos da culpa, poluição e castigo do pecado, ou seja, livramento da  ira de Deus que paira sobre o pecado, o qual será revelado no Dia do Juízo, (1Ts. 1:10). Devemos reconhecer a realidade da redenção, porque é  fruto do sacrifício substitutivo de Jesus Cristo. Enfim, a esperança da salvação é resumida nestas palavras: “Porque Deus não nos destinou para ira, mas para alcançar a salvação, mediante o nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos em união com Ele. Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente como também estais fazendo”. (1Ts. 5:9-10). Usemos a nossa esperança da salvação para ajudar os novos na fé. O Ap. Paulo, comentando sobre o agrupamento  dessas três palavras, disse: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém, o maior deles, é o amor” (1Co.13:13).

2. O Amor ao Irmão. Se nós realmente amamos o nosso irmão, temos de praticar a abnegação. O Apóstolo escreveu: “Dou sempre graças a Deus por todos vós, mencionando-vos diante de Deus e Pai (...) da abnegação do vosso amor”. Abnegação significa: desprendimento do interesse próprio. Portanto, para amar o nosso irmão, não podemos ser egoístas, isto é, alguém que trata só de seus próprios interesses. Um dos grandes problemas dos nossos dias é o excesso de egoísmo; cada um querendo impor a sua própria vontade. O ensino da Bíblia é este: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros”. Em seguida, o texto nos ensina como Cristo praticou essa abnegação: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus, antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz” (Fp. 2:5-8). O Ap. Paulo podia confessar: “Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma. Se mais vos amo, serei menos amado?” (2Co. 12:15). Não podemos ser limitados em nossos próprios afetos. A exortação é esta: “Dilatai-vos também vós” (2Co. 6:12-13). Temos que abrir o nosso coração, bem como a nossa mão e o nosso tempo, a fim de demonstrar que amamos de verdade. “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar a nossa vida pelos irmãos. Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade e fechar-lhe o coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade” (1Jo. 3:16-18).

A Igreja dos tessalonicenses foi renomada por seu amor aos irmãos. O Apóstolo registrou em favor deles: “No tocante ao amor fraternal, não há necessidade de que eu vos escreva, porquanto vós mesmos estais por Deus instruídos que deveis  amar uns aos outros; e, na verdade, estais praticando isso mesmo para com todos os irmãos em  toda a Macedônia. Contudo, vos exortamos, irmãos, a progredirdes cada vez mais” (1Ts. 4:9-10). O amor é como se fosse um organismo vivo, que precisa ser praticado a fim de crescer cada vez mais. O Ap. Pedro escreveu com o mesmo sentimento: “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados” (1Pe. 4:8). Talvez, podemos estar falhando em muitas coisas, porém, a falta de amor não pode ser inocentada. Por quê? Porque a falta de amor põe em dúvida a realidade da nossa experiência cristã. “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor”. (1Jo. 4:7-8).

3. O Amor às Missões. Se nós amamos as missões, temos que estar bem alicerçados nos princípios espirituais que se encontram nas Escrituras Sagradas. O Apóstolo escreveu: “Damos sempre graças a Deus por  todos vós, mencionando-vos em nossas orações e, sem cessar, recordando-nos diante do nosso Deus e Pai (...) da firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo”. Essa esperança se refere mais à disposição espiritual desses recém-convertidos em Tessalônica, no meio de tribulações. Esses cristãos tinham deixado o judaísmo a fim de viver de acordo com a “esperança em nosso Senhor Jesus Cristo”. Por  isso, seus compatriotas desencadearam uma perseguição cruel contra eles. O Apóstolo registrou esta denúncia contra eles: “Os quais não somente mataram o Senhor Jesus e os profetas, como também nos perseguiram, e não agradam a Deus, e são adversários de todos os homens, a ponto de nos impedirem de falar aos gentios para que estes sejam salvos” (1Ts. 2:14-16). O Ap. Paulo foi apedrejado pelos judeus, “dando-o por morto”, mas o Senhor o levantou, (At. 14:19-20). Nesse contexto, podemos entender a alegria do Apóstolo, quando disse: ”Damos, sempre, graças a Deus por vós (...) e da firmeza da vossa esperança em  nosso Senhor Jesus Cristo”. Nele, “temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu” (Hb. 6:19). Nós, que nunca enfrentamos uma perseguição dessa natureza, devemos usar a nossa liberdade para nos envolver no trabalho de Missões, orando, contribuindo, ou, até indo, porque os campos “já branquejam para a ceifa” (Jo. 4:35). Apesar das perseguições, os tessalonicenses não negligenciaram esse aspecto da vida cristã.

Qual é a característica básica daquele que anuncia as boas novas do evangelho? Entre outras qualidades, é indispensável que tenha uma firmeza na sua esperança em Jesus Cristo. Ele tem que ter experimentado, em sua própria vida, uma obra regeneradora e renovadora pelo Espírito Santo, evidenciada mediante uma vida santa e irrepreensível. Em outras palavras, deve ser uma nova criatura em Cristo Jesus, (2Co. 5:17). É a obra do Espírito Santo que lhe dá esta esperança, uma confiança imperturbável na eficácia da obra redentora de Jesus Cristo, no qual há o perdão de todos os pecados e a certeza da vida eterna. Qual é a obra principal daquele que anuncia as boas novas do evangelho? Os tessalonicenses se tornaram um modelo para todos os crentes na Macedônia e na Acaia. “Porque de vós repercutiu a palavra, não só na Macedônia e Acaia, mas também por toda parte se divulgou a vossa fé para com Deus, a tal ponto de não termos necessidade de acrescentar coisa alguma; pois eles mesmos, no tocante a nós, proclamam que repercussão teve o nosso ingresso no vosso  meio, e como, deixando os ídolos, vos convertestes a Deus para servirdes o Deus vivo e verdadeiro e para aguardardes dos céus o seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira vindoura”. Percebemos a intensidade do trabalho realizado pelos tessalonicenses. Qual é a maneira certa para recepcionar esses homens que trabalham incessantemente na seara do Senhor? “Agora, vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós e que vos presidem no Senhor e vos admoestam; e que tenhais com amor em máxima consideração, por causa do trabalho que realizam. Vivei em paz uns com os outros” (1Ts. 5:12-13).

Conclusão: Terminamos com a pergunta que fizemos no início da meditação. Se alguém nos pedisse para detalhar as ênfases mais fortes em nossa Igreja, quais seriam os destaques mais evidentes? Deixamos a resposta para a consciência de cada um, lembrando que a nossa resposta, em parte, será uma revelação da nossa própria espiritualidade, pois nós somos a Igreja. A Igreja de Tessalônica foi reconhecida pela operosidade da sua fé, pela abnegação de seu amor; e pela firmeza da sua esperança em Jesus Cristo. E, com essas características, os tessalonicenses se tornaram modelo para as Igrejas em toda a região. Em nossa Igreja, bem como em nossa própria vida, que tipo de repercussão estamos produzindo? Que Deus nos ajude para que alcancemos um testemunho santo e irrepreensível mediante o nosso modo de viver no meio das pessoas ao nosso redor.
Amém.  


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O DEUS DA REVELAÇÃO




Leitura Bíblica: Salmo 19: 1-14

Introdução:   Existem três livros que Deus tem dado a cada pessoa, para que elas tenham um conhecimento básico da sua existência e da sua vontade. O primeiro livro é visível à humanidade toda: A Expansão do Universo. “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”. A existência e a harmonia que reina entre as multidões desta vastidão revelam que  o seu Autor é um Ser de poder infinito, dotado com os atributos de soberania, sapiência e misericórdia. Por isso, o homem que nega a realidade de Deus está negando a visibilidade do que os seus olhos estão contemplando. Por isso, tal homem é indesculpável e merece a indignação e a reprovação eterna. Contudo, esse livro é insuficiente para as necessidades atuais do homem, porque não fala nada sobre o que Deus requer do pecador e nem como ele pode ser salvo da ira vindoura. Por causa dessa lacuna, Deus, em sua muita misericórdia, nos deu um segundo livro, as Escrituras Sagradas, revelando o que o homem  deve crer sobre Deus e o dever que Ele requer dos homens. Por isso, a nossa Igreja recebe e crê de coração que as Escrituras Sagradas – o Antigo e o Novo Testamento – são a Palavra de Deus, a  única regra de fé e prática. A importância  insubstituível desse livro está no fato de que, crendo na sua veracidade, tornamo-nos “sábios para a salvação pela fé em Jesus Cristo” (2Tm. 3:15). E ainda resta um terceiro livro, a nossa consciência. A lei escrita que Deus deu a seu povo não está nas mãos de todas as nações, por isso, quando Ele nos criou “à sua imagem, conforme a sua semelhança”, Ele gravou o resumo da lei sobre a natureza de cada pessoa que nasce neste mundo. O Apóstolo, descrevendo a importância desse livro, disse: “Estes (todos os homens), mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se, no dia em que Deus, por meio de Jesus Cristo, julgar os segredos dos homens, de conformidade com o meu evangelho”, a mensagem que Deus lhe deu por revelação, (Rm. 2:14-15; Gl 1:11-12). A existência desses três livros é apresentada claramente no Salmo 19. Portanto, demonstremos reverência e temor diante da realidade dessas revelações. O Salmista confessou: “Arrepia-se-me a  carne com temor de ti, e temo os teus juízos”. (Sl. 119:120).

1. A Revelação na Expansão, Vs, 1-6. “Os céus proclamam a glória de Deus”.  Mas o que é essa glória? É a manifestação de sua natureza imensurável e de seu caráter incólume. Ele é um Deus cheio de atributos superlativos e gloriosamente atuantes. A primeira evidência dessa glória é a criação do mundo e de tudo o que nele há. O Ap. Paulo nos deu um parecer desse portento, dizendo: “O que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles (todos os homens), porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas criadas”. E veja a conclusão do Apóstolo: Por causa dessa revelação dada na criação, “tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo o conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato” (Rm. 1:19-21). A negligência dessa revelação, dada por Deus através da criação, conduz o homem à sua própria destruição.

O Salmista toma duas realidades no universo e, numa linguagem singularmente poética, descreve as maravilhas da sua finalidade. Primeira: a sucessão ininterrupta da comunicação entre o dia e a noite: “Um dia discursa o outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra, se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo”. Essa sucessão de dia após dia demonstra a glória do poder organizador de Deus. Tanto o dia como a noite têm o seu propósito inalterável, aquele de anunciar a existência e a glória sapiente de Deus. Pela luz do dia vemos a providência de Deus para os homens, e a noite para lhes oferecer descanso. A lua foi dada para marcar o tempo; o sol obedece à hora certa de seu ocaso. Os animais obedecem ao seu lugar na criação. Agora, é o momento do homem. Ele sai para o seu trabalho e para os seus encargos até à tarde. E, diante dessa atividade que reflete tão claramente a glória soberana de Deus, o Salmista exclama: “Que variedade, Senhor, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das tuas riquezas” (Sl. 104: 19-24).

A segunda realidade é o sol. Na linguagem poética, o Senhor pôs uma tenda para o sol, um lugar no meio dos astros, a fim de lhe dar uma liberdade de movimento. “O qual como noivo que sai  dos seus aposentos, se regozija como herói, a percorrer o seu caminho. Principia numa extremidade dos céus e até a outra vai o seu percurso.” Como o noivo sai do seu aposento, vestido de uma ostentação chamativa, assim, o sol se levanta com um esplendor pomposo que prende a nossa respiração, tamanha é sua glória. E, se ficamos tão maravilhados com a majestade reinante do sol, qual será a nossa reação quando estivermos face a face com Cristo, “o sol nascente das alturas”? (Lc. 1:78). O salmista continua a sua descrição do efeito benéfico do sol: “E nada refoge (esconde) ao seu calor”. Toda a criação sente a presença salubre do sol, uma manifestação visível da glória de Deus. Com reverência e admiração, podemos perguntar: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres? E o filho do homem, que o visites?” (Sl. 8:3-4).  E, de fato, Deus nos visitou mediante o envio de seu próprio Filho, Jesus Cristo. “Ele é o resplendor da glória e a expressão exata de seu  Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb.1:3).

2. A Revelação nas Escrituras, Vs. 7-11. Das palavras  inaudíveis da expansão, passamos a ouvir as palavras audíveis do próprio Deus, dando-nos uma revelação verbal de si mesmo, mediante palavras compreensíveis. Essa revelação chama-se “a lei de Deus”, abrangendo todos os detalhes da sua vontade, ensinando o que o homem deve crer sobre Deus e o dever que Ele requer de cada pessoa. O Salmista emprega seis palavras para descrever a natureza dessa lei e o seu poder benéfico sobre a vida do homem.

(1)   “A lei do Senhor é perfeita”, e se refere aos ensinos que Deus tem nos dado. O nosso testemunho deve ser “Para mim vale mais a lei que procede da tua boca do que milhares de ouro ou de prata... pois na tua lei está o meu prazer” (Sl. 119:72,77). E qual o efeito da lei sobre a nossa vida? Ela converte e restaura a alma, conduzindo-a de volta para uma vida de paz com Deus, “De maneira que a lei nos serviu de aio (instrutor) para nos conduzir a Cristo”, “ no qual temos a redenção, pelo seu sangue,  a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua  graça” (Gl. 3:24; Ef. 1:7).
(2)   “O testemunho do Senhor é fiel”, e se refere à palavra dada; ela é a verdade. O Apóstolo confirmou esse pensamento, dizendo: “Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém, para glória de Deus, por nosso intermédio” (2Cr. 1:20). E qual o efeito desse testemunho? “Dá sabedoria aos símplices”. O Apóstolo comentou: “Expondo estas coisas (os testemunhos) aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido” (1Tm. 4:6).
(3)   Os preceitos do Senhor são retos”, e se referem aos regulamentos que direcionam o procedimento. O Apóstolo confessou: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos” (1Jo. 5:3). E qual o efeito? “Alegram o coração”. O Salmista disse: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo dia!” (Sl. 119:97).
(4)   “O mandamento do Senhor é puro”,  e se refere à norma que padroniza a vida moral e espiritual do homem. Nessa lei não há nenhuma injustiça. A missão dela é séria, porque “ninguém será justificado diante de Deus por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rm. 3:20). O Apóstolo confessou: “Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás” (Rm. 7:7). A cobiça é a causa de todo tipo de crime que leva o homem  à destruição. Porém, quando reconhecida, confessada e abandonada, “Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo. 1:9). E qual o efeito do mandamento? Ele “ilumina os olhos”, para que possamos reconhecer o nosso estado espiritual diante do Deus santo.
(5)   “O temor do Senhor é límpido”, e se refere à reverência e adoração diante do Senhor. O temor ensina como devemos servir a Deus “de modo agradável, com reverência e santo temor” (Hb. 12:28). E qual o efeito? Essa atitude de temor é imutável, e “permanece para sempre”.
(6)   “Os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente justos”, e se referem às declarações da vontade de Deus. O que o Senhor determina para o seu povo é sempre o melhor para o seu bem total e jamais será confundido. O Apóstolo reconheceu essa verdade em termos da “boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm. 12:2). Eis a nossa oração: “Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por  terreno plano” (Sl. 143:10).

Agora, ainda falando sobre a revelação escrita, temos duas frases que descrevem o que o homem de Deus sente diante dessa iluminação. Ela é uma preciosidade, por isso, deseja conformar-se mais e mais às suas normas. “São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos.”  Mas essa lei penetra a consciência, admoestando e ensinado a reconhecer as recompensas que recebe, quando obedecida. “Além disso (a preciosidade dos preceitos do Senhor), por eles se admoesta o  teu servo; em os guardar, há grande recompensa”. E, agora, uma palavra para despertar a nossa crença: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que  se torna galardoador dos que o buscam” (Hb.11:6).

3. A Revelação na Experiência, Vs. 12:14. Quando contemplamos os céus, a lua e as estrelas, somos  inconscientemente levados a refletir sobre o seu  Autor. Concluímos que Ele deve ser um Indivíduo, um Deus, com poder e sabedoria indescritíveis. Contudo, Ele pode ser conhecido. A Bíblia afirma: “Porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre os homens, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis”, se não tomarem conhecimento dele, (Rm. 1:19-20). Mas Deus não se revelou somente no silêncio da Expansão, mas, também, com palavras que podemos ouvir e entender, palavras que revelam a sua vontade para todos os homens. Como? “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, falou pelo Filho” (HB. 1:1-2). Quando Jesus Cristo foi transfigurado, a voz do Pai anunciou: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi” (Mt. 17:5). Agora, em nossos dias, a voz de Cristo se percebe mediante o ouvir e a leitura atenciosa das Escrituras Sagradas. Ele mesmo disse: “Em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida eterna” (Jo. 5:24).

À medida que ouvimos e lemos a Palavra de Deus, sentimos a realidade da nossa imperfeição moral. Somos pecadores e condenados diante da lei de Deus. Por isso, o Salmista pergunta: “Quem há que possa discernir as próprias faltas?” Sentimos que a totalidade do nosso ser é contaminada pelo pecado. Tudo o que falamos e produzimos tem a marca da imperfeição, o que nos faz inaceitáveis diante do Deus perfeito em santidade. O profeta lamentou: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha e as nossas iniqüidades, como vento, nos arrebatam” (Is. 64:6). Mas a Bíblia nos oferece uma esperança: “Se confessarmos os nossos pecados (a Deus o Pai, em nome de Jesus Cristo) Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo. 1:9). Com essa expectativa, o salmista se fortaleceu, pedindo: “Absolve-me das (transgressões) que me são ocultas”. Não apenas das visíveis, mas, também, das invisíveis e secretas. Como é consolador sentir a misericórdia do nosso Deus: “Se observares, Senhor, iniqüidades, quem, Senhor, subsistirá? Contigo, porém, está o perdão, para que te temam” (Sl. 130:3-4). É igualmente consolador saber que o Senhor “não nos  trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades. Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem” (Sl. 103:10-11).

Em seguida, o Salmista faz dois pedidos urgentes: “Também da soberba (aquela auto-suficiência) guarda o teu servo, que ela não me domine; então serei irrepreensível e ficarei livre da grande transgressão”, daquela tendência do homem pecador para confiar em suas próprias capacidades para se salvar, e, com isso, desprezar o que somente Deus pode fazer por meio da sua graça. E, continuando, consciente das suas próprias imperfeições, pede, de coração ansioso: “As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu”. As nossas palavras têm causado, muitas vezes, desgostos cortantes, por isso, o pedido do Salmista. O Apóstolo comentou: “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão capaz de refrear também todo o corpo” (Tg. 3:2). Nesse contexto, notemos como o Salmista se fortaleceu, citando dois preciosos atributos do Senhor: “Rocha minha”. Sobre essa Rocha, o Deus vivo e verdadeiro, depositamos todas as nossas esperanças espirituais. Confiamos na misericórdia do nosso Deus para suprir, em Cristo Jesus, cada uma das nossas necessidades, (Fp; 4:19). E ele continua: Ele é “Redentor meu”. Jesus Cristo é “aquele que nos ama, e, pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados” (Ap. 1:5). Convém entender a centralidade de Jesus Cristo na vida cristã. “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho (rejeitando os seus direitos sobre a nossa vida) não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo. 3:36) .

Conclusão: O Salmo 19 tem uma seqüência que começa com a revelação da natureza, ou seja, as obras da criação. Assim, descobrimos a existência de um Deus criador e vivo. Depois, somos introduzidos à revelação sobrenatural, ou seja, às Escrituras Sagradas, que nos ensinam tudo o que precisamos saber sobre Deus e o que Ele requer de nós. E, por fim, a revelação em nossa própria experiência, ou seja, o poder das Escrituras sobre a nossa consciência. Elas nos ensinam que somos pecadores e, por natureza, filhos da ira de Deus. Mas a Bíblia não nos deixa nesse estado de desespero, antes, ela nos conduz a Jesus Cristo, “ no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos nossos pecados, segundo a riqueza da sua graça”. Agora, temos um único dever inicial: crer, de coração, em Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Que façamos assim.   

   

terça-feira, 6 de setembro de 2016

A VIDA TEOLÓGICA DO PASTOR




Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: 1Timóteo 4:6-16;

Introdução:  Em 1921, Casper Wisper Hodge escreveu: “Se olharmos dentro do nosso próprio coração, podemos descobrir que a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida estão, sorrateiramente, se esforçando para reassumir o seu antigo domínio sobre a nossa vida”. E, nesse contexto, o Apóstolo nos admoesta: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes” (V.16).

Nesse versículo, duas verdades estão implícitas: primeira, a salvação dos nossos ouvintes, bem como a nossa própria, depende da veracidade da doutrina recebida; e, a segunda, os nossos ouvintes, bem como nós mesmos, perdemos a alegria da salvação quando uma doutrina deficiente é ensinada e adotada. Tito foi exortado a ficar “apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino, como para convencer os que o contradizem” (Tt. 1:9). 

Diante desses dois perigos, o Apóstolo faz um apelo urgente: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina”. Por causa da tendência pecaminosa  que ainda resta em cada um de nós, temos, por exemplo: o pecado da leviandade, permitindo que as verdades divinas sejam tratadas sem a devida seriedade; o pecado da indolência, quando o estudo da Palavra não recebe a devida prioridade; o pecado do pragmatismo, quando os resultados são mais importantes do que os meios utilizados. Uma Igreja cheia de pessoas que não têm uma noção salvífica  do plano da salvação não redunde para a glória de Deus. Precisamos  praticar um cuidado consciente com  aquilo que estamos comunicando à Igreja, para  que seja de acordo com a sã doutrina. Por causa de negligências no preparo das mensagens, é  possível  prejudicar aquele a favor de quem  Cristo morreu (Rm. 14:15). Assim, percebemos que a salvação dos nossos ouvintes também depende do nosso preparo teológico. Seguindo o ensino do texto lido, escolhemos três disposições indispensáveis para a formação da nossa vida teológica.

1. A Importância da Piedade, Vs. 6-8. O nosso objetivo, como pastores, é este: “Ser um bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as  palavras da fé e da boa doutrina”. Eis a exortação: “Exercita-te pessoalmente na piedade (...) a piedade para tudo é proveitosa”. Piedade  significa esforçar-se para ser irrepreensível não somente diante de Deus, mas também do nosso  próximo. Cornélio, em Atos 10, exercia a sua  piedade desta forma: era temente a Deus e orava continuamente; ensinava a sua família a  temer a Deus; cuidava do seu próximo fazendo muitas esmolas ao povo; e cuidava da sua própria vida espiritual, pronto e desejoso de ouvir a Palavra de Deus. Jó é outro exemplo dessa piedade, homem íntegro, reto e que se desviava do mal (Jó. 1:1). E o nosso texto nos oferece estas características de uma vida piedosa: “Torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza”. O Apóstolo Paulo desafiava os seus leitores, dizendo: “Sede os meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1Co. 11:1).

Piedade não é algo que surge sem a prática de hábitos regulares. Temos que nos aplicar à leitura e ao estudo das Escrituras Sagradas, todos os dias, como um ato de culto a Deus. A ordem é: “Exercita-te, pessoalmente, na piedade”. O Apóstolo Pedro nos encoraja: “Empenhai-vos por serem achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis” (2Pe. 3:14). Temos que aprender a praticar a abnegação: “Desembaraçando-vos de todo peso (coisas desnecessárias que impedem o nosso livre desempenho na prática da vontade de Deus) e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos com perseverança a carreira que nos está proposta” (Hb. 12:1). Temos que ser cuidadosos com as nossas amizades e com o que ouvimos e falamos, lembrando-nos da advertência: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes” (1Co. 15:33). Até certo ponto, ninguém fica ileso da influência negativa  da convivência moderna, pois ela pode opacificar o nosso testemunho cristão. Repetimos a urgência do apelo do Apóstolo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina”. Tem cuidado para praticar uma vida piedosa. E qual o proveito de exercitar-nos na prática dessa piedade? Ela “tem a promessa da vida que agora é e da que há de vir”. A promessa de comunhão espiritual com Deus; o amor de Deus derramado em nosso coração pelo Espírito Santo; e a paz de Deus que excede todo o entendimento, não apenas para o presente, mas, sim, para toda a eternidade.  

2. A Importância de Singularidade, Vs. 9-12. Singularidade no exercício do ministério, uma ação que não pode ser compartilhada com as filosofias modernas. “Ordena e ensina  estas coisas”, coisas bíblicas. Observem os dois verbos: ordenar e ensinar. Ordenar significa impor com autoridade, uma  autoridade que provém da clara exposição das Escrituras Sagradas. Ordenar é impedir a circulação  de “fábulas profanas”; proibir a entrada de “espíritos enganadores e o ensino de demônios”. Parece que o Apóstolo estava prevendo os tempos modernos! A Igreja não pode ser permitida a cultivar a mentalidade dos atenienses. “Pois todos os de Atenas, e os estrangeiros residentes, de outra coisa não cuidavam senão dizer ou ouvir as últimas novidades” (At. 17:21). Ensinar é colocar o material em ordem sistemática para que as propostas sejam devidamente assimiladas e praticadas pelos ouvintes. Esse modo de ensinar é de suma importância  para que a Igreja tenha “as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal” e o que fere os ensinos bíblicos, (Hb. 5:14).  Ensinar para que Igreja possa discernir a diferença entre  os conceitos populares e as verdades bíblicas que comunicam a vida eterna. E, para isso, é necessário alimentar a Igreja “com as palavras da fé e a boa doutrina”. Temos que confiar no poder efetível  da Escritura Sagrada. Por meio dela, Deus realiza todos os seus propósitos entre os homens.

É importante  tomar conhecimento  das cinco “palavras fiéis” que se encontram nas “Cartas Pastorais”: (1Tm. 1:15; 3:1; 4:8-9; 2Tm 2:11-13; Tt 3:4-8). Elas são súmulas de verdades e princípios bíblicos. Veja V.9 da nossa leitura: “Fiel é a palavra e digna de inteira aceitação”. Qual é essa palavra fiel? Aquela do V.8, que fala sobre a particularidade de uma vida piedosa. “Pois o exercício  físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser”. O servo de Deus não pode ser contador de lorotas jocosas quando deve estar explicando as Escrituras Sagradas. Ele tem que ser totalmente singular em suas atitudes diante de Deus. Às vezes os pastores são criticados por causa de seu modo irreverente para apresentar a sua mensagem. Ele não é um animador de emoções, antes, tem que ser inteiramente singular em suas atitudes espirituais, um “obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem  a palavra da verdade” (2Tm. 2:15). Sem essa singularidade na prática da piedade, o pastor perde a sua autoridade no ensino da palavra, e, pior ainda, o nome de Deus é blasfemado em pleno culto público, por causa dessa insensibilidade espiritual. O salmista cultivava a atitude correta: “arrepia-me a carne com temor de ti, e temo os teus juízos” (Sl. 119:120).

3. A Importância da Biblicidade, Vs. 13-16.  No V.13, temos os três elementos indispensáveis no culto público: Reconhecemos que existem  outros, mas, aqui, o Apóstolo está ressaltando estes três. “Aplica-te à leitura”. Não esquece o lugar das Escrituras Sagradas no Culto a Deus.  Qual a razão dessa ênfase? Reconhecemos que o único contato que muitas pessoas das nossas Igrejas têm com a Palavra de Deus, é o que ouvem nos cultos dominicais, visto que poucas lêem a Bíblia diariamente em culto doméstico. Portanto, nessas leituras públicas, os ouvintes devem se sentir exortados pelo que Deus está  dizendo  sobre as suas vidas morais e espirituais. Além disso, o povo tem que receber o ensino que conduz ao conhecimento da natureza de Deus  e ao que Ele requer de cada um de nós. Devemos  lembrar que o fim principal do culto público é que Deus seja glorificado e que a Igreja seja encaminhada, encorajada e fortalecida para viver uma vida santa e irrepreensível, uma vida que revela a realidade de Cristo em nós. Um exemplo prático desse culto se encontra em Neemias 8:5-8: “Ezdras abriu o Livro à vista de todo o povo (...). Leram no Livro, na lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia”. Creio que essas explicações foram interpoladas durante a leitura. E quando palavras técnicas, tais como justiça, redenção, perdão e santificação foram encontradas, um breve esclarecimento de cada uma foi dado.

No V.14, o pastor é incentivado a reavivar o dom que Deus lhe deu para pastorear o seu rebanho. O uso da frase, “não te faças negligente”, significa uma consagração diária, dizendo: “Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hb. 10:9). Essa consagração se torna ainda mais necessária, pois o dom foi reconhecido publicamente “com a imposição das mãos do presbitério”.

No V.15, temos que ser diligentes quanto ao cuidado da nossa vida espiritual, para que o nosso crescimento “a todos seja manifesto”. Temos que “crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe. 3:18). Por que a ênfase sobre esse desenvolvimento espiritual? Eis uma resposta que o Apóstolo nos deu: “Para que tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1Co. 9:27). O Pastor tem que tornar-se “padrão dos fiéis” em termos de diligência, cuidando para que a sua diligencia espiritual  seja observada por todos.

No V.16, temos mais uma exortação e, com esta, uma promessa encorajadora foi anexada. Quando atendemos ao conteúdo desse conselho, a promessa será cumprida. É evidente que o pastor que não sabe como cuidar da sua própria vida espiritual não estará apto para pastorear a vida de outros. Nesse contexto, temos a admoestação: “tem cuidado de ti mesmo e da doutrina”. Cuidar de nós mesmos significa que temos que selecionar os livros (ou o que se encontra na Internet), que devem alimentar, positivamente, a nossa vida espiritual. O Apóstolo nos faz lembrar: “um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gl. 5:9). Ou a advertência: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes” (1Co. 15:33). Por causa do pecado que ainda resta em nós, podemos ser influenciados pelo alimento que não produz o temor de Deus e nem uma vida santa e irrepreensível. E, quando o pastor está sendo influenciado negativamente, ele oferecerá o mesmo alimento à sua Igreja para a debilitação daqueles “a favor de quem Cristo morreu” (Rm. 14:15) Mas, por outro lado, se ele cuidar da sua própria vida espiritual com livros (ou o que se encontra na Internet), cuidadosamente escolhidos, terá a experiência da promessa: “Salvará tanto a si mesmo como aos seus ouvintes”.

“Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto! – diz o Senhor” (Jr. 23:1). Portanto, temos que cultivar “o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”, que disse: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas” (Fp. 2:5; Jo. 10:11). Então, qual é o nosso dever, dia após dia? “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2Tm. 2:15).

Conclusão: Terminamos confessando que o pastor tem o ofício mais sublime que um homem mortal pode exercer: ministrar em Nome do Senhor. Porém, isso envolve uma responsabilidade quase insuportável, fazendo o Apóstolo exclamar: “Quem, porém, é suficiente para estas coisas?” (2Co. 2:16). Por que este ministério compreende tamanha responsabilidade? Porque estamos direcionando vidas, vidas imortais que podem passar a eternidade, ou no céu ou no inferno. Mas a sublimidade do ministério do pastor é que ele é encarregado de pregar o evangelho, a mensagem que conduz pecadores a arrependerem-se e a entregarem-se a Jesus Cristo, de quem recebem o perdão de todos os seus pecados, juntamente com a promessa de vida eterna.

Por isso, o nosso ministério tem que ser caracterizado por uma piedade pessoal, servindo de modelo, tendo uma vida moral e espiritual irrepreensível diante de Deus. Temos que praticar uma singularidade em nosso ministério, sem qualquer mistura com conceitos populares, pois o nosso objetivo é ordenar e ensinar o Nome santo do nosso Deus. Temos que praticar uma biblicidade que edifica não apenas a nossa própria vida, mas também a vida do povo de Deus que depende da nossa fidelidade às Escrituras Sagradas. O Ap. Paulo nos deixa com a palavra final: “Expondo estas coisas aos irmãos serás bom ministro de Jesus Cristo”. Amém   



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O PROMETIDO FILHO



Leitura Bíblica: Isaias 9:1-7.

Introdução: O versículo 22 do capítulo anterior nos dá um relance da angústia que reinava sobre a terra naqueles dias: “Olharão para a terra e eis aí angústia, escuridão e sombras de ansiedade, e serão lançados para densas trevas”. Neste contexto, o povo recebeu duas grandes promessas. A primeira é de uma grande luz. Essa luz não seria uma esperança distante, antes, ela resplandeceria sobre o povo de uma maneira visível, (V2). A segunda é de uma alegria, porque o Senhor quebraria o jugo que pesava sobre o povo, (Vs. 3-5).

Mas existe uma pergunta implícita: Como, e quando se cumpriram essas promessas? A resposta está no V.6. “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”. Essas palavras se referem a Jesus Cristo. Ele é a prometida Luz. Ele é o prometido Libertador e o motivo da nossa alegria e paz.

Notemos como o texto apresenta esta promessa: “Um menino nos nasceu, um filho se nos deu”. O  Ap. Paulo explica: “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei; a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl. 4:4-5). Aquele que nos nasceu é o  “Deus Forte” que  “foi manifestado em carne” (1Tm.3:16). Este é o Filho que Deus nos deu, a fim de ser o nosso Salvador, “no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7). E, a fim de nos dar esse livramento, Ele veio já investido  de uma autoridade absoluta sobre todas as coisas, pois, “o governo está sobre os seus ombros”. E o escritor aos Hebreus esclareceu: “Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados” (Hb. 2:18).

Antes de comentar sobre o versículo 6, é necessário observar que estes quatro nomes são ilustrativos, porque eles são descrições da Divindade absoluta de Jesus Cristo em toda a sua glória.

1. Ele  é o Maravilhoso Conselheiro. “Ele é maravilhoso em conselho e grande em sabedoria” (Is. 28:29). Podemos confiar irrestritamente nos conselhos daquele que declarou: “Eu, porém, vos digo” (Mt. 5:22). Ele tem uma outra orientação  para cada um de nós. A base desta confiança está naquilo que a Bíblia diz a respeito da Pessoa de Jesus Cristo: “Em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos” (Cl. 2:3).

Este conhecimento que Cristo tem é comunicado aos homens mediante a pregação do evangelho. O Ap. Paulo testemunhou: “A mim, o menor de todos os santos, me foi dado esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo” (Ef. 3:8). Isto é: “A sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus” (Fl. 3:8). Qual seria o resumo dessa riqueza de Cristo? Ao entrar em Corinto, o Apóstolo deu este resumo da sua mensagem: “Decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1Co. 2:2). A pregação dessa mensagem pode ser escândalo para os judeus e loucura para os demais povos, contudo, “aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação” (1Co. 1:21). Deus não tem nenhum outro meio para comunicar a sua mensagem de salvação, senão pela pregação do evangelho.

À luz dessas verdades, quais são os conselhos de Cristo, conselhos que são maravilhosos, porque satisfazem as necessidades mais profundas do ser humano? Esses conselhos de Cristo, muitas vezes vêm a nós em forma de convites. Para aqueles que estão cansados e sobrecarregados com o peso do pecado não perdoado, Jesus lhes convida: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomais sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt. 11:28-30). O processo de alcançar esse descanso espiritual é aproximar-se, confiantemente, de Jesus Cristo; assumir uma vida de comunhão espiritual com Ele e pôr em prática os seus conselhos. E, para aqueles que têm uma verdadeira sede espiritual, um anseio para alcançar a piedade convincente, Cristo convida: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba”, receba e pratique os meus conselhos. E qual será o resultado? “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”, pois terá o ministério do Espírito Santo atuando eficazmente em sua vida, (Jo.7:37-39). Sim, Cristo é o Maravilhoso Conselheiro, e quem recebe as suas palavras, se tornará sábio para a salvação eterna.   

2. Ele é o Deus Forte. Podemos acreditar que Cristo é o Deus Forte, “Porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl. 2:9). Por ser o Deus Forte, Ele demonstrou a seus discípulos o seu controle absoluto sobre os elementos da natureza, pois “os ventos e o mar lhe obedecem” (Mt. 8:27). As últimas palavras de Cristo, antes de subir para o céu, foram: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt. 28:18). Mediante as suas palavras e os seus sinais de poder celestial, Jesus está dizendo a seu povo: Ponha a sua fé na minha pessoa e não se atemorize; eu tenho o poder para te auxiliar em todas as suas dificuldades.

Em 1 Coríntios 2:8, Cristo é chamado “o Senhor da glória”, e em Salmo 24, Ele é “o Rei da glória, o Senhor forte e poderoso, o Senhor, poderoso nas batalhas” (V8). Cristo demonstrou o seu poder na batalha contra o pecado. Ele veio para “destruir as obras do diabo” (1Jo. 3:8). O combate foi sangrento e custou-lhe a sua própria vida. Mas a sua morte não foi uma derrota, antes, foi uma parte inseparável no plano para salvar pecadores; Ele morreu em nosso lugar. E a eficácia desse sacrifício foi provada mediante a sua ressurreição dentre os mortos, a evidência inconfundível da sua vitória sobre o poder do pecado. E, para nós que estávamos mortos em nossas transgressões, “nos deu vida juntamente com Cristo, perdoando os nossos delitos”. Como? “Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, cravando-o na cruz; e despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (Cl. 2:13-15). Somente Cristo, o Deus Forte, o Senhor poderoso nas batalhas, teve o poder para enfrentar os horrores do  pecado e vencê-los triunfantemente.

Mas, por sermos pecadores, os portais do céu foram fechados contra nós. Como a Bíblia declara: “Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e  o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que  não vos ouça” (Is. 59:2). Mas, Cristo, mediante a sua morte, nos deu redenção e perdão dos pecados; e, na sua ascensão, ao encontrar os portais do céu fechados, ouve-se a ordem: “Levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da  Glória” (Sl. 24:9). Cristo, como o nosso Precursor, entrou pelos portais, agora abertos, por nós, (Hb. 6:19-20). Assim, quando estamos em Cristo Jesus, temos o direito para entrar pelos “portais eternos” do céu, onde desfrutaremos da vida eterna. Como é consolador sabermos que temos, encarnado em Cristo, o Deus Forte, o Senhor, poderoso nas batalhas, pronto para nos auxiliar!

3. Ele é o Pai da Eternidade. Como Pai, Ele é o  Dono da Eternidade. Tudo o que existe, em termos de origem, pertence a Ele. Como podemos definir a eternidade? Falando do rei de Salém, o representante da eternidade, a Bíblia diz que ele era “sem pai, sem mãe, sem genealogia; que não teve princípio de dias, nem fim de existência” (Hb. 7:3). Não precisamos de uma explicação maior. Jesus Cristo, como Pai da Eternidade, está no centro dela, e, por necessidade, possui os atributos de Onipotência, Ele tem o poder absoluto sobre tudo; Onisciência, Ele é conhecedor infalível de tudo o que acontece neste mundo, inclusive as palavras, pensamentos e o procedimento de cada pessoa, desde a fundação do mundo; Onipresença, Ele está em todos os lugares deste universo, por isso, Cristo podia dizer: “E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” (Mt. 28:20).

O Salmo 139 nos dá um relance das possibilidades desses três atributos de Jesus Cristo. São revelações para nos encorajar e fortalecer em cada uma das nossas circunstâncias. Vamos observar como Ele atua.

a)      Cristo é Onisciente, (Vs. 1-6). Vamos sentir a abrangência desse atributo: “Senhor, tu me sondas e me conheces”,(V.1). Sabe das nossas andanças, dos nossos pensamentos e das nossas palavras. “Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” (Ec. 12:14). Por acaso essas verdades oprimiam o Salmista? Veja como ele responde: “Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim; é sobremodo elevado, não o posso atingir” (V6).
b)      Cristo é Onipresente, (Vs. 7-12). “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face?” (V.7). O Salmista imagina lugares de fuga: os céus, o abismo, a alvorada e os mares, nem as trevas o podem encobrir, porque “trevas e a luz são a mesma cousa” (V.12). Por acaso o Salmista se sentia perseguido por causa dessa onipresença de seu Senhor? Veja como ele responde: Seja qual for o lugar, “ainda lá me haverá de guiar a tua mão, e a tua destra me susterá” (V.10), Ah, se pudéssemos acreditar nessa conclusão!
c)       Cristo é Onipotente (Vs. 13-18). O Salmista reconheceu o poder de Deus na formação de seu corpo no “seio de sua mãe” (V. 13). Por isso, exclamou: “Graças te dou, visto que por modo assombrosamente me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem” (V.14). Mesmo antes de nascer, a vida inteira já era visível aos olhos do Senhor, (V.16). Novamente, perguntamos: Essa onipotência intimidava o Salmista? Veja como ele responde: “Que preciosos para mim, ó Deus, são os teus pensamentos! E como é grande a soma deles! Se os contasse excedem os grãos de areia. Contaria, contaria, sem jamais chegar ao fim” Vs. 17-18.

O salmista termina a sua reflexão, verbalizando o seu desejo para que esses três atributos sejam usados em seu favor: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno”. (Vs. 23-24).

E, para o nosso consolo e encorajamento, dentro da eternidade, o povo de Deus, um por um, será conhecido particularmente, porque: “ Assim como ele nos escolheu nele (em Cristo), antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele” (Ef. 1:4). O atributo da onisciência  de Cristo deve nos incentivar a seguir “a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb. 12:14).

4. Ele é o Príncipe da Paz. Em nossos dias, temos muitos proclamadores de paz, porque essa é a palavra que o povo quer ouvir. Mas o Senhor disse: “Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz” (Jr. 8:11). O Ap. Paulo comentou sobre esse assunto, afirmando: “Quando andares dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição” (1Ts. 5:3). A verdadeira paz vem a nós por meio de um só, Jesus Cristo, o Príncipe da Paz. Ele é o Autor e o Distribuidor dessa paz que guardará o nosso coração e a nossa mente com toda a segurança. Ele mesmo prometeu: “ Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo. 14:27).

Devemos lembrar que, como pecadores, éramos inimigos de Deus, pessoas que não obedeciam às normas que Ele prescrevera para toda a humanidade, (Tg. 4:4). A reconciliação remove este óbice (impedimento). “Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo sangue de Cristo, seremos por ele salvos da ira, porque se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte de seu Filho, muito mais, estando reconciliados, seremos salvos por sua vida” (Rm. 5:9-10). Essa reconciliação é possível somente quando somos unidos com Jesus Cristo.

Portanto, temos que saber como podemos tomar posse dessa dádiva de Deus. Reconciliação entende a existência de uma inimizade entre duas ou mais pessoas. Para efetuar essa reconciliação, a causa da inimizade tem que ser resolvida. Deus operou  este efeito quando enviou o seu único Filho para remover os nossos pecados, a causa da nossa inimizade com Deus. “Sabemos também que Cristo se manifestou para tirar os pecados” (1Jo.3:5). Ele conseguiu fazer isto, “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1Pe. 2:24). Ou, como Isaías disse: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele (Jesus Cristo) a iniqüidade de nós todos” (Is. 53:6). Por isso, a Bíblia  enfatiza que fomos “reconciliados com Deus, mediante a morte de seu Filho” (Rm. 5:10). Tomamos posse dessa benção pela fé em tudo o que Cristo fez por nós mediante a sua morte substitutiva na cruz do Calvário. “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna (está reconciliado com Deus); o que, todavia, se mantêm rebelde contra o Filho não verá a  vida (não está reconciliado), mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo. 3:36). “Sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm. 5:9). Somos felizes quando podemos testificar: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”, o Príncipe da Paz” (Rm. 5:1).

Conclusão: No Antigo Testamento, encontram-se muitas referências ao prometido Messias que foram dadas para que o povo pudesse reconhecê-lo. Essas profecias foram tão eficazes que o povo logo começou a perguntar: “Será este, porventura, o Cristo?” (Jo. 4:29). Ou, “Eis que ele fala abertamente, e nada lhe dizem. Porventura, reconhecem verdadeiramente as autoridades que este é, de fato, o Cristo?” (Jo. 7:26). O Apóstolo comentou: “Estes (sinais), porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo. 20:31).

O nosso texto apresenta a pessoa de Jesus Cristo como Emanuel, Deus conosco. Ele é o Maravilhoso Conselheiro, aquele que nos convida: “Vinde a mim (...) e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mt. 11:28-29). Ele é Deus Forte, e o governo do mundo inteiro está sobre seus ombros; por isso, Ele é poderoso para salvar pecadores e conduzi-los à vida eterna. Ele é o Pai da Eternidade, aquele que  é Onisciente, Onipresente e Onipotente, por isso, podemos lhe pedir: “Vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno”. Ele é o Príncipe da Paz, aquele que nos dá uma paz que excede todo o entendimento; uma paz que guarda o nosso coração e a nossa mente em toda segurança. Que cada um de nós possamos crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.  



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

UMA MENSAGEM ESPIRITUAL


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Isaías 40:1-11

Introdução: Nesta leitura, temos um relance da situação política e espiritual de Israel nos dias do profeta Isaías. A nação tinha se degenerado moralmente até o ponto de Deus querer cumprir as suas ameaças de castigo contra o povo, por causa da sua desobediência generalizada. Em Levíticos 26:33, Deus predissera que a nação seria desterrada e levada ao cativeiro. “Espalhar-vos-ei por entre as nações e desembainharei a espada atrás de vós; a vossa terra será assolada, e as vossas cidades serão desertas”. Agora, no tempo de Isaías, esta ameaça está se preparando para ser cumprida.

Quando um país recebe um castigo divino por causa de seus pecados, os piedosos também participam de tudo o que acontece. Em Israel, Daniel e seus três amigos, todos de sangue real, foram rebaixados à escravidão e levados ao cativeiro. Enfim, o povo de Deus não fica isento das consequências negativas causadas pela desobediência nacional. Mas, para estes, a dor da tribulação é suavizada pela consciência evidente da presença sustentadora de Deus, que continua acompanhando e abençoando os seus servos fiéis, mesmo quando estão em cativeiro. Lembramos da história de José no Egito: “O Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José – O Senhor, porém, era com José, e lhe foi benigno, e lhe deu mercê perante o carcereiro” (Gn. 39:5,21). Daniel e seus três amigos, bem como José, são testemunhas dessa presença do Senhor.

No caso de Israel, ou de qualquer outro povo, Deus demonstra a sua boa vontade para com as pessoas mediante a pregação do evangelho, uma mensagem de perdão para os arrependidos; um perdão fundamentado sobre o fato de que o Senhor de todas as misericórdias já providenciou um resgate que satisfez todas as exigências da lei, pois o salário do pecado foi recebido por um Fiador, Jesus Cristo, que morreu em nosso lugar na cruz do Calvário. Portanto, os mensageiros do evangelho são ordenados a proclamar: “Consolai, consolai o meu povo, diz o Senhor Deus. Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia (luta), que a sua iniquidade está perdoada” (Vs. 1-2). Mas, para que o povo possa receber essas boas novas, três acontecimentos são necessários:

1. A Necessidade de uma Preparação Vs. 3-5. A profecia nos faz lembrar do ministério de João Batista, o precursor e preparador do caminho para o ministério de Jesus Cristo. A Bíblia usa uma linguagem figurativa para descrever esse ministério. “Todo vale será aterrado, e nivelados todos os montes e outeiros; o que é tortuoso será retificado, e os lugares escabrosos aplanados”. Tudo isso significa que João Batista iria criar uma expectativa no coração do povo, a esperança do cumprimento das profecias messiânicas, o prometido Salvador. No início, o povo pensava que João Batista era o Messias, mas ele corrigiu as pessoas, dizendo: “Eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor” (Jo. 3:28). Essa obra de preparação consistia na proclamação de três grandes princípios:

a)      A necessidade de arrependimento. “Dizia ele (João Batista), pois, às multidões que saíam para serem batizadas: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos do arrependimento”. Ele definiu o arrependimento como um abandono de todas as confianças alheias; por exemplo: “Temos por pai a Abraão”. Meus pais são crentes fiéis. Ou, eu procuro cumprir os meus deveres, etc. Mas arrependimento é mais do que isso; é uma mudança radical nas atitudes básicas. O egoísta passa a ser altruísta. O ladrão não rouba mais, antes, ele trabalha com suas próprias mãos. Aquele que maltratava as pessoas, passa a ser misericordioso. O trabalhador vive contente com o soldo que recebe, (Lc. 3:7-14). Esses frutos do arrependimento são as evidências práticas de uma vida transformada pela regeneração.
b)      A necessidade de crer no juízo vindouro. A realidade deste “Dia” serve para inibir os impulsos pecaminosos da nossa natureza. João Batista advertia o povo, dizendo: “E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo” (Lc. 3:9). E o Ap.Paulo explicou: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Co. 5:10). Quando o Ap. Paulo dissertou perante Felix “acerca da justiça, do domínio próprio e do juízo vindouro”, o homem ficou amedrontado, (At. 24:25). Por isso, a advertência de “fugir da ira vindoura” (Lc. 3:7). “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb. 10:31).
c)       A necessidade de crer em Jesus Cristo. A primeira vinda de Cristo foi profetizada desta maneira: “A glória do Senhor se manifestará, e toda a carne a verá, pois a boca do Senhor o disse” (V5). O Ap. João testificou: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória como do unigênito do Pai” (Jo. 1:14).   A glória de Cristo é o seu poder para buscar e salvar pecadores, tais como qualquer um de nós. O ministério de João Batista chegou ao ponto máximo quando ele viu Jesus, e olhando para Ele, declarou a todos ao seu redor: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo. 1:29). Agora devemos ouvir e crer no que a Escritura diz: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo. 3:36). Portanto, para crer em Cristo, temos que nos aproximar dEle pela fé. Como Ele mesmo disse: “O que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo. 6:37). A obra de preparação se cumpre quando chegamos a Cristo pela fé e o recebemos como nosso Salvador.

2. A Necessidade de uma preordenação. Vs. 6-8.  A pregação do evangelho não se limita à exposição de arrependimento, o juízo vindouro e fé em Jesus Cristo. O ministro foi preordenado para incluir mais três elementos: a brevidade da nossa vida; a realidade da morte; e, a eternidade da palavra de Deus.

a)      A brevidade da nossa vida. Ouve-se uma voz anunciando uma única palavra: “Clama”. E o ministro de Deus que está sempre atento à voz do seu Senhor, responde, perguntando: “Que hei de clamar?” E a resposta é: Proclame a preordenação da brevidade da vida humana: “ Toda carne é erva, e toda a sua glória como a flor da erva” (V.6). Por um momento, vemos a vida humana coroada de belezas, consecuções e vitórias; contudo, toda essa glória é como a flor da erva que logo murcha e desvanece. O pregador descreve essa glória como uma “vaidade e correr atrás de vento” (Ec. 2:26). Existem valores mais importantes do que essas glórias momentâneas. A brevidade da nossa vida deve nos ensinar a buscar glórias que jamais desvanecerão.
b)      A realidade da nossa morte. A morte é vista como uma intervenção divina na vida do homem. Soprando nele o hálito do Senhor, o que acontece? “Seca-se a erva, e caem as flores” (V7). Devemos lembrar: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hb. 9:27). Apesar de Adão ter alcançado tantos anos, a sua história termina com esta nota sombria: “E morreu” (Gn 5:5).  A longevidade não ameniza a dor da morte. Ezequias recebeu esta preordenação da parte do Senhor: “Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás” (2Rs. 20:1). O rei recebeu tempo para se preparar antes de morrer. Porém, não foi assim com um certo homem rico, porque enquanto comia, bebia e regozijava-se, Deus, de repente, lhe disse: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc. 12:16-21). A lição é esta: Estejamos preparados enquanto temos tempo, porque não sabemos em que dia a morte nos visitará.
c)      A eternidade da palavra de Deus. O texto está estabelecendo um contraste entre a transitoriedade da vida humana e a permanência da palavra de Deus. “Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra do nosso Deus permanece eternamente”, (V.8). Por que este contraste? Devemos entender que não há nada neste mundo que podemos guardar para sempre. Portanto, em vez de construir sobre aquilo que é transitório, devemos buscar o tesouro que jamais passará: “Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1Jo. 2:17). Eis o objetivo principal para cada um de nós. Juntamente com a devida consagração de nossa vida, descobrimos “qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2). Esta é a preordenação que Deus estabeleceu para o seu povo: Conhecer a sua vontade em toda a sua abrangência.   

3. A necessidade de uma Preanunciação. (Vs. 9-11). Novamente, a palavra dirigida ao pregador e o que ele tem que anunciar: “Tu, ó Sião que anuncias boas novas, sobe a um monte alto!” A sua mensagem tem que ser ouvida pelo maior número de pessoas possível. “Tu que anuncias boas novas a Jerusalém, ergue a tua voz fortemente; levante-a, não temas, e dize às cidades de Judá”. Os povos de todos os lugares têm que ouvir essas boas-novas. Quais são essas notícias que têm tamanha urgência? Destacamos três: O que Deus já está fazendo; o que Deus ainda fará; e, como Deus cuida de seu povo.

a)      O que Deus está fazendo, (V9). “Eis aí está o vosso Deus”. Esta frase é uma exclamação de admiração, ao reconhecer que Deus continua trabalhando entre os povos deste mundo, dando-lhes as boas-novas de salvação, anunciando que o perdão dos pecados está ao alcance de todos os que o buscam. Esse perdão é oferecido gratuitamente, porque um Fiador pagou a dívida judicial de seu povo. O piedoso Zacarias louvou a Deus por essas mesmas verdades: “Bendito o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo, e nos suscitou plena e poderosa salvação na casa de Davi, seu servo, como prometeu desde a antiguidade, por boca dos seus santos profetas” (Lc. 1:68-70). O que Deus preanunciou, Ele está cumprindo em nossos dias. “Eis aí está o nosso Deus!” O Fiel cumpridor de cada uma de suas mui grandes e preciosas promessas. Louvado seja o seu santo nome.
b)      O que Deus ainda fará. “Eis que o Senhor Deus virá com poder, o seu braço dominará; o seu galardão está com ele, e diante dele, a sua recompensa” (V.10). Este versículo tem, talvez, uma dupla aplicação. Em nossos dias, o Senhor vem ao seu povo mediante a pregação do evangelho, como dissemos no primeiro ponto. Ele vem com seu braço estendido, dominando e julgando todos os inimigos de seu povo para que as pessoas estejam livres para crer em Jesus Cristo. O galardão que vem com Ele é a salvação eterna para todos os que crêem; e a recompensa de crer é saber que todas os nossos pecados são gratuitamente perdoados. O Ap.João afirmou: “Estas cousas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus”. Mas o segundo sentido do versículo é igualmente válido, e se refere, talvez, à segunda vinda de Jesus Cristo. Naquele dia, veremos a grandeza de seu poder através do ajuntamento de todas as nações perante o seu trono. “Quando vier o Filho do homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença” para serem julgadas segundo as suas obras. Assim, cada um dos indivíduos receberá de acordo com o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo, (Mt. 25:31-32; 2Co. 5:10). Notemos o destaque dado ao galardão: “cada um receberá”. Cristo prometeu: “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras” (Ap. 22:12). Portanto, a exortação para cada um de nós é: “Vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor” (Mt 24:42).
c)      Como Deus cuida de seu povo. Vamos sentir a preciosidade desta verdade: “Como pastor, apascenta os cordeirinhos e os levará no seio; as que amamentam ele guiará mansamente” (V11). Notemos as três atitudes desse “bom pastor”:
                                I.      “Como pastor apascenta o seu rebanho”. A responsabilidade do pastor é suprir todas as necessidades de seu rebanho. O salmista confessou confiantemente: “ O Senhor é o meu pastor, nada me faltará” (Sl. 23:1). E, semelhantemente, o Ap. Paulo: “ E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma das vossas necessidades” (Fl. 4:19). O “nada me faltará” se refere às três necessidades básicas: alimento, vestimenta e moradia. Tendo essas coisas, “estejamos contentes” (1Tm 6:8). Mas, pela experiência pessoal, sabemos que Deus, em sua bondade, nos dá muito mais do que o básico: “O meu cálice transborda” (Sl. 23:5-6).    
                             II.      O cuidado do Senhor para com as crianças: “Entre seus braços recolherá os cordeirinhos e os levará no seio”. Vemos Jesus “ tomando-as nos braços e impondo-lhes  as mãos as abençoava” (Mc.10:16). Crianças e pessoas com deficiências físicas, por causa de suas limitações, recebem um cuidado especial. E, quando não podem andar sozinhas, Ele as “levará no seio”, perto de seu coração. O amor de Deus para com seu povo é indizivelmente maravilhoso e confortador.
                           III.      O cuidado do Senhor para com as mães. Por causa das responsabilidades maternas, as mães nem sempre conseguem acompanhar o ritmo dos demais membros da Igreja. Mas o Senhor não fica impaciente com elas. “As que amamentam, ele guiará mansamente”. Por causa dessas disposições de condescendência, Ele nos convida: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave e meu fardo é leve” (Mt. 11:28-30).


Conclusão: A nossa leitura começou com esta ordem: “ Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus”. Consolamos e saciamos os anseios do povo de Deus através da exposição da sua natureza. Ele que ser conhecido como o Deus perdoador, que apaga as nossas transgressões, (Is. 43:25). Por causa da brevidade da nossa vida, Ele quer que estejamos preparados para aquele dia solene, quando “cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Rm. 14:12). E, finalmente, Deus quer que o seu povo tenha confiança na sua condescendência. Ele é o Bom Pastor que cuida do seu rebanho, “Oh! Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia” (Sl. 34:8).

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

SALVAÇÃO: A PROVIDÊNCIA DE DEUS



Leitura Bíblica: Efésios 2:1-10.
Introdução: No primeiro capítulo de Efésios, temos o esboço do plano da salvação. É uma obra do Deus triúno; como Ele, em toda a sua gloriosa plenitude, explicou: “Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador” (Is. 43:11). É o Pai que “nos tem abençoado com toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais” (V.3). Em Cristo, o Filho de Deus, temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados (V.7). E “o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor (a garantia) da nossa herança” (Vs.13-14). O resultado de cada Pessoa da Divindade, agindo segundo a sua atribuição específica, é a Salvação Eterna daqueles que crêem. O Pai sempre toma a iniciativa (nas obras da criação e da salvação de seu povo); porém, essas determinações se realizam somente por intermédio de seu Filho: “Todas as cousas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo. 1:3). E o Espírito Santo toma, aplica e sela essa obra redentora de Jesus Cristos àqueles que crêem. “O próprio Espírito Santo testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm. 8:16). É o Espírito Santo, habitando em nosso homem interior, que nos fortalece para permanecermos em Jesus Cristo e descansarmos na sua na sua obra redentora. (Ef. 3:16-17). No segundo capítulo de Efésios percebemos que essa salvação, como providência de Deus, é o único recurso para o bem total do homem pecador.
1.  A necessidade da Salvação, Vs. 1-3. Para entender melhor a necessidade da salvação, temos que reconhecer o estado espiritual do homem natural. Por causa de seus pecados, ele é espiritualmente perdido, vivendo sem a presença salvadora de Deus em sua vida. Nesse estado derrotado, o homem não tem esperança de algo melhor a não ser que Deus intervenha soberanamente ao seu encontro. Mas, o que significa ser “perdido”? Nesse estado, o homem está caminhando para uma eternidade onde existe somente o “choro e ranger de dentes” (Mt. 13:42). Ou, como o Apóstolo registrou, os perdidos “sofrendo penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder” (2 Ts. 1:9). Esses fatos sombrios fazem com que reconheçamos que há uma grande necessidade da salvação que somente o Senhor pode oferecer ao pecador.
O Apóstolo usa três realidades para demonstrar a corrupção original: A) Ele é “morto em seus delitos e pecados” (V.1). Essa morte é uma inércia total na área espiritual. Como a nossa Confissão de Fé ensina: “Desta corrupção original, pela qual ficamos totalmente indispostos, incapazes e adversos a todo bem e inteiramente inclinados a todo mal, é que procedem todas as transgressões atuais” (Cap. 6:4). A Confissão acrescenta ainda mais: “Por ser morto no pecado, o homem é incapaz de, pelo seu próprio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso” (Cap.9:3). Não há dúvida alguma quanto à necessidade de salvação, da intervenção divina na vida do homem. B)Por natureza, o homem tem a tendência de seguir modelos. O mundo, composto de pecadores, tem o seu próprio modo de agir e cuidar de seus desejos carnais. Por isso, “a amizade do mundo é inimiga de Deus” (Tg 4:4). O homem revela a sua rejeição de Deus andando “segundo o curso deste mundo, segundo o princípio da potestade do ar, e do espírito que agora atua nos filhos da desobediência” (V.2). Para sair dessa cegueira espiritual, o homem tem uma grande necessidade da salvação que somente o Deus misericordioso pode dar. C) Para pecar, o homem está fazendo o que lhe é natural. Ele segue as inclinações da sua carne e faz a vontade da sua carne (V.3). Em outras palavras, o homem vive uma vida egoística, tendo em vista somente o que é propriamente seu, (Fl. 2:4). Novamente, o homem  precisa de uma intervenção soberana da parte de Deus a fim de ser salvo de si mesmo.
2. A Natureza da Salvação, Vs. 4-7. Até aqui, o Apóstolo estava nos preparando para sentir o contraste entre o que éramos, “mortos em nossos delitos e pecados” e o que temos agora: “Ele nos deu vida, juntamente com Cristo” (V. 5). Quanto à natureza da salvação, podemos observar três verdades: A) Esta salvação é uma revelação da misericórdia e grande amor de Deus para com o seu povo pecador. Por causa do nosso pecado, Deus podia ter usado todos os rigores da lei contra nós; mas, não, Ele determinou usar a riqueza da sua misericórdia. Como o Profeta explicou: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã” (Lm.3:22). E, de  modo semelhante, o seu grande amor para conosco se resume em nossa salvação eterna. “Nisto consiste o amor: Não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo. 4:10). Propiciação significa: desviar a ira de Deus. Essa ira é direcionada contra todos os pecadores; porém, no caso de seu povo, Cristo, o nosso fiador, interveio e impediu que essa ira caísse sobre eles. Esta é a natureza da nossa salvação. B) Para efetuar a nossa salvação, era necessário realizar uma verdadeira ressurreição espiritual (novo nascimento, regeneração – Tt.3:5). Por isso, “nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (V.6). Não apenas uma vida no sentido mais sublime da palavra, mas, “nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus”! Como Cristo venceu a morte por meio da sua ressurreição  e sentou-se à direita de Deus, nós também venceremos a morte por meio da nossa ressurreição, a fim de estarmos com o Senhor para sempre. Mas o Apóstolo entende que, mesmo agora, assentados nos lugares celestiais, desfrutamos de toda sorte de benção espiritual. Somos riquíssimos! Esta é a natureza da salvação que Deus tem preparado para seu povo. C) O motivo de Deus quando Ele deu esta salvação a seu povo, “Para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus” (V.7). Observamos a repetida frase: “Em Cristo”. Para lidar com o pecador, o Pai não age diretamente com ele, antes, é sempre mediante as atribuições de seu Filho Jesus Cristo. A glória de Deus consiste em revelar a sua natureza divina. A salvação do pecador testifica, durante todos os séculos, “a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco”. Novamente, podemos sentir o espanto que o Apóstolo exprimiu quando disse: “E estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida em Cristo” (V.3). À  luz desta maravilha, o Apóstolo se entregou irrestritamente ao  serviço de Deus, confessando: “E esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl. 2:20). Eis a natureza dessa salvação, temos um vida diferente, disposições diferentes, uma vida devolvida a Deus em plena consagração, com esta determinação: “Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma” (2Co. 12:15).
3. A Nobreza da Salvação, Vs 8-10. Nobreza no sentido de que a salvação é distribuída generosa e gratuitamente para todos os que recebem os seus termos. “Porque pela graça sois salvos mediante a fé”  em Jesus Cristo. Por sermos totalmente incapazes de merecer a salvação, Deus a concede gratuitamente, para que tenha um povo exclusivamente seu, adquirido por um preço caríssimo: a morte vicária de seu próprio Filho. Por esse sacrifício substitutivo, Cristo  satisfez, plenamente, todos os requisitos da lei, pagando todas as nossas dívidas judiciais e fazendo, assim, a nossa justificação, Deus nos aceitando sem qualquer impedimento. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar” (Gl. 3:13).
Se perguntarmos: Como pode alguém crer salvificamente em Jesus Cristo, visto que “o homem natural não aceita as cousas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”? (1Co. 2:14). Novamente, percebemos a nobreza da salvação que Deus preparou. Duas ações são introduzidas: primeiro, o homem é regenerado e recebe uma vida nova, caracterizada  por disposições espirituais; e, em segundo lugar, recebe a fé para crer salvificamente em Jesus Cristo. Notemos que essa fé não vem de nós mesmos, isto é, ela não aparece mediante a nossa própria volição: “é dom de Deus”. Tudo o que é associado com a salvação da nossa alma é concedido gratuitamente. “Não é de obras, para que ninguém se glorie”. Para que ninguém elogie-se a si mesmo, dizendo: Eu, com a minha própria integridade, alcancei a salvação da minha alma. Deus é zeloso por sua  própria glória: “Eu sou o Senhor, este é o meu nome: a minha glória (concedendo a salvação gratuitamente a meu povo), pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura” (Is. 42:8).
Outra verdade que enaltece a nobreza da salvação se encontra no versículo  dez: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para  boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”. Quais são essas boas obras? São aqueles passos relacionados ao recebimento da nossa salvação. “Na sua providência ordinária Deus emprega meios” (Conf. De Fé 5:3). Assim, quanto a nossa salvação, Ele preparou, de antemão, os meios pelos quais podemos experimentar essas bênçãos, e, andando neles, com certeza, teremos a consciência da nossa salvação. Somos criaturas responsáveis, portanto, para desfrutar das bênçãos de Deus, temos que obedecer aos seus preceitos. De fato, Ele tomou a iniciativa, regenerando-nos e capacitando-nos para crer em Jesus Cristo, porém, somos nós que temos que testemunhar da nossa fé. É sempre, “com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação” (Rm. 10:10). A nossa salvação foi selada com o Santo Espírito da promessa, que opera em nós o seu fruto, porém, somos nós que temos que externar esse fruto: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade,  mansidão, domínio próprio” (Gl. 5:22-23). Nesse contexto, Cristo exortou: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras (as evidências da vossa salvação) e glorifiquem o Pai que está nos céus” (Mt.5:16). O Ap. Tiago explicou: “Assim também a fé, se não tiver obras (as evidências da obra de Deus), por si só está morta” (Tg. 2:17).
Conclusão: Aprendemos nesta mensagem que a salvação da nossa alma é uma obra única do Deus triúno; o Pai, o Filho, e o Espírito Santo, cada um agindo de acordo com a sua própria atribuição, a fim de providenciar a vida eterna para o seu povo.

Por causa da pecaminosidade humana, percebemos a sua necessidade de salvação, sem a qual ele estaria perdido eternamente. Quando examinamos a natureza da salvação, descobrimos que ela é uma revelação da misericórdia e do grande amor de Deus. A nobreza da salvação se manifesta mediante a sua gratuidade. Pela graça somos salvos, portanto, temos a responsabilidade individual para externar esta obra de Deus através de uma vida condutiva. Porque, como Cristo observou: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt. 7:20). Que a nossa salvação seja visível a todos ao nosso redor!