Vasos de Honra

Mostrando postagens com marcador traduções. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador traduções. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de março de 2013

UMA LIÇÃO SOBRE O PERDÃO



Leitura Bíblica: Mateus 18:15-35

A lição principal deste capítulo é que devemos perdoar aqueles que pecaram contra nós. E, de igual importância, a necessidade de revelar aos nossos irmãos na fé a mesma graça e compaixão que o nosso Pai Celestial demonstrou a nós quando perdoou os pecados que temos praticado contra Ele. Se o Pai Celestial tem cancelado a totalidade da nossa dívida e tem perdoado as afrontas que temos lançado contra a sua gloriosa majestade, seríamos indizivelmente ingratos e dignos de todo o desprezo se deixássemos de ser misericordiosos para com aqueles que têm transgredido contra nós! Pois, afinal, não há nenhuma comparação entre a ofensa do nosso pecado contra Deus e a ofensa da transgressão do nosso irmão contra nós. A diferença é semelhante àquela entre Deus, que é de uma grandeza incomparável e de uma santidade intocável, e nós, que somos criaturas insignificantes e pecaminosas. Este é o destaque nos versículos 23 a 34 na parábola.

Na parábola, a dívida do servo do rei era de dez mil talentos o que, em nossa moeda, seria de milhões de reais; mas, a quantia que o seu co-servo lhe devia era de cerca de trinta reais. O rei perdoou a dívida enorme do seu servo, mas este, o perdoado, não teve nenhuma compaixão para com o seu colega, que lhe devia, por comparação, uma quantia quase irrisória. Sentimos a vileza da atitude deste homem que recusou usar de compaixão para com o seu colega. A história ilustra a baixeza indescritível que revelamos quando ficamos obstinados, ressentidos e implacáveis diante daqueles que pecaram contra nós.

É uma zombaria quando buscamos a misericórdia de Deus, se nós mesmos não conseguimos ser misericordiosos para com o nosso irmão. Esta é a lição no v.35. “Assim também meu Pai Celeste vos fará, se no íntimo não perdoardes cada um a seu irmão”.

A questão de perdoarmos uns aos outros precisa de cuidado, a fim de não ser mal compreendida e desvirtuada. O assunto em questão é perdoar o irmão que peca “contra nós” (veja v.21 e Lc 17:4). Aqui, Jesus não está lidando com o pecado praticado “contra Deus.” É claro que os pecados praticados “contra nós,” são também pecados praticados “contra Deus”. E, se são pecados contra nós, é porque foram, em primeiro lugar, pecados contra Deus. Contudo, não é da nossa prerrogativa perdoar os pecados contra Deus, mesmo que sejam praticados contra nós. No contexto deste trecho, nosso foco é o pecado “contra nós”. Eles são, por exemplo, os pecados direcionados contra a nossa pessoa por meio de injúrias, difamações ou maldades. Jesus está ensinando a necessidade de sermos prontos para perdoar este tipo de pecado.

Porém, é necessário observar que a prontidão para perdoar não é o único dever da nossa responsabilidade. É verdade que, quando um irmão peca contra nós, ele mesmo, com toda prontidão, deve se aproximar de nós em confissão e arrependimento. Mas, se ele não o fizer, nós mesmos devemos ir a ele e repreendê-lo – “Vai argui-lo entre ti e ele só”  v.15. Devemos nos esforçar ao máximo para ajudá-lo a ter uma atitude correta, e isto significa mostrar arrependimento, para que tenhamos condições para perdoá-lo e desfrutar de um convívio de paz e harmonia.

É neste ponto que, muitas vezes, não entendemos o que está implícito quando perdoamos uns aos outros. Perdão não é passar por cima da transgressão, nem simplesmente ter um espírito perdoador ou a prontidão para perdoar. Perdão é um ato definitivo, executado por nós quando certas condições são cumpridas. “Se o teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe.” Lc 17:3. Perdão é algo ativo, com base no arrependimento da pessoa que busca o perdão. Onde estaríamos em nossa relação com Deus se Ele estivesse apenas pronto para perdoar, porém, sem propriamente nos dar a sentença de remissão ou absolvição?

Este ponto se aplica em todos os casos de perdão verdadeiro. Essa é a força da resposta que Cristo deu à pergunta de Pedro, v 21-22. O perdão que oferecemos a outros não pode ter limitações. Confessamos que é difícil perdoar repetidas injúrias e zombarias praticadas pela mesma pessoa. Contudo, a nossa longanimidade tem que permanecer. O nosso caso diante de Deus seria desesperador se houvesse limites ao perdão que Ele dá a nós, os pecadores. Por isso, o nosso procedimento para com o nosso próximo deve imitar o padrão que Deus usa quando está lidando conosco.  “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores.”  Mt 6:12.

Porém, o que devemos fazer se o irmão que pecou contra nós permanece surdo às nossas súplicas? Este é o problema que Jesus resolve nos vs. 16-17. O nosso Senhor prescreveu um procedimento bem definido para este caso.

O Senhor é muito cuidadoso para garantir, ao máximo, que o problema seja resolvido em privacidade. Em primeiro lugar, temos que repreender o irmão usando de discrição. Se isso não tiver bom êxito, então devemos trazer conosco uma ou mais testemunhas. Este recurso ainda tem uma boa medida de privacidade, e, se a assistência destas testemunhas induz o irmão ao arrependimento, o caso fica encerrado com o nosso perdão. Somente quando este encontro testemunhado não produz resultado, então o caso deve ser levado à Igreja de Deus, tornando-se público. O assunto só deve ser levado à Igreja quando os dois primeiros recursos não tiveram êxito. Levar o assunto para a Igreja revela dois princípios: a) O cuidado que deve ser usado para resolver contendas entre irmãos. b) A autoridade outorgada à Igreja de Deus para promover integridade dentro do corpo de Cristo.

Não há nenhum outro recurso no processo. Se a pessoa continuar impenitente, o irmão ofendido deve considerar o culpado como pagão e publicano, que quer dizer, o culpado não deve ser considerado ou tratado como membro do Corpo de Cristo. A severidade desta sentença é indicada pelo fato de ter a sansão e o selo do próprio Deus. “Tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus” v.18. A vontade de Deus nos céus não é diferente daquela prescrita na sua Palavra escrita. Se a Palavra de Deus tem sido observada, então, podemos nos sentir seguros de que Deus registrou a sua aprovação nos céus em relação ao que temos feito na terra. Em resumo, a vontade de Deus, como revelada em sua Palavra, é a mesma vontade de Deus nos céus. As decisões da Igreja na terra, quando consoante com a Palavra de Deus escrita, têm a autoridade e o selo de Deus; não devemos fugir da resposta dizendo que ela foi apenas uma decisão de homens. Se eles estiverem seguindo as prescrições das Escrituras Sagradas, então, as respostas são as sentenças de Deus nos céus.



Traduzido de COLLECTED WRITINGS OF JOHN MURRAY Vol.3 Banner of Truth.

Tradutor: Rev. Ivan Ross

sábado, 25 de fevereiro de 2012

OUÇA A PALAVRA DO ESPÍRITO




Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus” (Ap. 2:7).

Deus fala no céu e o homem ouve a sua palavra na terra.Não existe uma maravilha maior do que esta comunicação. Muito melhor do que todas as realizações técnicas dos homens nas áreas de rádio e televisão, de conexões via satélite e sistemas sofisticados de computador.

O relacionamento perfeito que existiu, há muito, no passado, entre Deus e Adão, no paraíso, tem sido obliterado. O homem rompeu toda esta comunicação. E assim, ele não apenas perdeu algo de uma só vez. Ele tornou-se um perdedor inato.

Todos nós somos perdedores. Todavia, o Espírito de Deus pode conduzir o homem à vitória. Deus não quer ver os homens perdidos por serem perdedores. Por esta razão Ele fala incessantemente ao homem. A Sua palavra é uma palavra de vitória. Ele exorta-nos a ouvir o que o Espírito diz.

É nosso privilégio ouvir a palavra de Deus.

Dependendo da nossa disposição, podemos ouvir a Sua palavra em qualquer momento. É uma mera questão de abrir o Seu Livro. Contudo, mais uma vez, isto não é tão fácil. E nem é uma mera questão de costume. Visto que o homem caiu voluntariamente no pecado, Deus não tem mais nenhuma obrigação de cuidar dele. Ele podia ter permanecido calado, porém, em sua misericórdia, Ele falou mais uma vez – e Ele continua a falar! Ele falou para que os homens pudessem ouvir e dar uma resposta. Esta é a maravilha da revelação. Deus desvendou as coisas ocultas. Ele devolveu o que tinha sido perdido.

Em tudo isso, desde o inicio, o Filho de Deus tinha um papel essencial. Por isso, o apostolo João O chama “A Eterna Palavra de Deus. Ele é a Palavra anunciada ao povo de Deus através dos Profetas, que tornou-se um de nós em de semelhança de homem. Por intermédio dele, Deus fala conosco. Todavia, um ponto deve ser claramente entendido: se não fosse por causa da obra do Espírito Santo, homem algum teria reconhecido esta Palavras – muito menos a teria compreendido. O papel do Espírito de Deus é tão essencial neste ponto quanto o do Filho.

Na realidade, o Espírito tem uma dupla missão relacionada à revelação de Deus para nós. Por inspiração Ele nos deu a palavra de Deus de tal forma que ela é de total confiança. Por iluminação  Ele nos conduz a reconhecer e a compreender a palavra. Por isso sabemos que Deus fala conosco. Também sabemos exatamente  o que Ele quer dizer a nós. A sua palavra tem uma mensagem central: Deus reina como Rei; Ele procura ser reconhecido com Rei; mediante a obra vitoriosa de Cristo, Ele há de ser reconhecido como Rei. Não há nada que possa mudar esta realidade. Mas, Ele também quer o nosso envolvimento. Deus quer que a Sua regência seja reconhecida na terra no presente momento.

De que maneira?  Através das vidas vitoriosas daqueles que crêem em Jesus Cristo. As nossas vidas devem ser sinais de Sua vitória. Por esta razão Ele permite que ouçamos a Sua voz de maneira muito pessoal.

Porém, cabe a nós o dever de escutar a Sua Palavra.

Todas as pessoas podem ouvir a Sua palavra, porém, nem todas estão dispostas a escutá-la. E, novamente,, esta é a obra do Espírito Santo: fazer as pessoas  prestar atenção à Sua palavra. Nisto, Ele não passa por cima da nossa própria responsabilidade. Deus exige: devemos ouvir e prestar atenção. Mediante o Seu Espírito Santo, Ele coloca no coração do homem o desejo de ouvir, porém, de tal maneira que é o próprio homem que ouve e que procura entender.

Quando Deus fala, nós devemos escutar. Este é um mandamento muito claro. Não apenas no livro do Apocalipse, mas sim, em cada parte da Bíblia. Contudo, o homem pode desassociar-se desta palavra. Talvez esta seja uma das possibilidades mais temíveis que pode acontecer: que um ser humano diga ao Deus Todo-Poderoso que não quer ouvi-lo, nem tomar interesse por Ele. Deus procura ser ouvido, porém, o homem pode ignorá-lo. Existem muitas pessoas que fazem exatamente isto.

Certamente você já tem conversado com alguém e percebido que este não está prestando a mínima atenção. Sim, isto dói. É um insulto. Esta é também a experiência constante de Deus. O povo deixa-o falar ininterruptamente, enquanto seus pensamentos estão longe, planejando cousas que julgam ser bem mais importante do que a palavra de Deus.Isaias convocou o seu povo por esta razão: “Ouvi-me atentamente, comei o que é bom, e vos deleitareis com finos manjares. Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim, ouvi, e a vossa alma viverá”(Is. 55:2-3)

O que é que o homem deve ouvir? Ele deve ouvir o que o Espírito diz. Pois é o Espírito que esclarece a verdade que Ele mesmo deu aos autores das Escrituras Sagradas. Pelo ouvir da palavra os nossos corações são iluminados  pelo Espírito.

Todavia, nós mesmos temos de escutar com máxima tenção. Podemos ouvir uma palavra de exortação ou um chamado para o serviço. E achamos que isto é muito bom. Podemos ouvir uma palavra de advertência ou até mesmo de repreensão. E esta pode ser um tanto desagradável...

Mas mesmo assim: a palavra dirigida a toda humanidade. “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz” (Ap. 2:7). Em cada ocasião, esta palavra traz a mensagem de uma vida vitoriosa no poder do Espírito Santo.

A palavra é sempre um chamado à obediência.

Tudo o que Deus revela  - quem Ele é, o que Ele quer, o que Ele promete, o que Ele faz – é um chamado a uma atividade. Ouça e preste atenção. Ele exorta o homem à obediência. É uma questão de máxima prioridade, “pois o tempo está próximo”( Ap. 1:3)

Esta obediência é nada mais, nada menos do que uma vida vitoriosa, que é inseparavelmente ligada a uma promessa do Deus vivo: “Ao vencedor dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus”(Ap. 2:7).

Esta vitória, porém, não acontece sem um esforço da nossa parte. Em nosso mundo, o mal exerce um poder formidável. O cristão jamais estará livre da tentação, nem da opressão. Não é uma tarefa tranqüila permanecer como um verdadeiro crente em nosso mundo moderno e numa época de secularização. E esta vitória não significa derrotar a tentação apenas uma ou duas vezes e nem milhares de vezes. Esta é uma vida inteira de vitória. Em cada dia e em todas as circunstâncias, a vitória deve estar em evidência.     

Deus exige uma devoção completa: uma vida de obediência verdadeira. De fato, Cristo cumpriu a lei por nós.Porém, isto não significa que a lei de Deus não tenha mais relevância para nós. O seu caráter imperativo ainda permanece. Deus continua sendo glorificado através da nossa obediência e Seus mandamentos.

Obediência à lei não é de forma alguma o caminho para alcançar a vida vitoriosa. Ao contrario, esta obediência já indica um viver vitorioso mediante o poder do Espírito Santo.

Este foi o chamado para as sete igrejas da província da Ásia, porém,continua sendo o desafio para os homens do século vinte e um.

Para ouvir a Sua Palavra,
Para prestar máxima atenção,
Para viver de acordo,
Para experimentar a graça do Espírito Santo.  


1º Cap. do livro VITÓRIA - A Obra do Espírito Santo de Pieter C. Potgister
Tradução Rev. Ivan G. G. Ross