Vasos de Honra

domingo, 19 de junho de 2011

A VIDA NO LAR



Qual a definição de uma pessoa feliz, que se sente realizada e satisfeita com a vida? Evidentemente não pode estar no sucesso profissional e nem na quantidade de bens materiais. Todos nós conhecemos pessoas que se sobressaíram nestas duas áreas, contudo estão entre as mais infelizes deste mundo.
           
Oferecemos uma resposta diferente: A pessoa feliz é aquela que tem um bom equilíbrio entre o serviço secular (ou eclesiástico) e a vida no lar; que tem boa comunhão espiritual com os membros de sua casa, enfim, que está no meio de uma família que anda com o Senhor em todas as circunstâncias. A bíblia concorda com essa definição quando fala do homem que governa bem a sua própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito, (1 Tm. 3:4).
            
Este equilíbrio não é fácil de ser mantido neste mundo agitado, isto é equilíbrio entre as exigências da profissão e os deveres do lar. Em momentos de crise entre a profissão e o lar, devemos decidir pelo bem do lar. Por que?  A norma bíblica responde: “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus (vizinhos próximos) e especialmente dos de sua própria casa, tem negado a fé, e é pior do que o descrente” (1 Tm. 5:8). O nosso testemunho como cristão depende do equilíbrio entre a profissão e o lar. Negligências no cuidado do lar são formas de negar a fé que confessamos.
            
Todos nós conhecemos casos de divorcio em que a causa foi desequilíbrio entre a profissão e o lar, sem esquecer dos filhos cuja vida emocional ficou quebrada pelo trauma de um lar destruído. O apóstolo Paulo exorta: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo  assim, salvará tanto a ti mesmo como aos seus ouvintes) (1 Tm. 4:16). É assustador quando entendemos que o nosso procedimento no lar pode contribuir ou para a salvação ou perdição da nossa família. Podemos alcançar o devido equilíbrio espiritual pela prática de três ações:

            
A primeira ação é: “Exercita-te pessoalmente na piedade” (1Tm.4:7). Exercitar-se é uma palavra tirada do mundo dos esportes, descrevendo um treinamento intenso a fim de alcançar uma boa forma física. Todos nós temos visto pessoas correndo nas ruas e estradas; gastam muitas horas se esforçando desta maneira na esperança de alcançar o devido nível físico. A mesma intensidade de concentração tem de ser praticada a fim de alcançar uma piedade que é aceitável a Deus.
            
Piedade significa ter atitudes corretas a respeito da Pessoa de Deus, à semelhança de Davi quando se dirigiu a Deus: “Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda a tua glória” (Sl. 57:11).
            
Quais são algumas destas atitudes que devem ser cultivadas e exercitadas com intensidade? Uma dessas atitudes é o temor do Senhor. Este temor é o principio da sabedoria (Pv. 9:10). Sem este temor, uma forma de ignorância impera e provoca todo o tipo de desequilíbrio, decisões precipitadas e respostas confusas. Este temor de Deus constrange os impulsos da nossa natureza pecaminosa; é um medo de transgredir a santa lei de Deus. José do Egito manifestou este temor do Senhor na presença da sedutora mulher de Potifar quando exclamou: “Como, pois, cometeria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?” (Gn. 39:9).
            
Uma outra atitude a ser exercitada é a submissão diante da lei de Deus. Esta lei revela a santa vontade de Deus para todas as pessoas do mundo inteiro. Portanto a nossa atitude deve  ser de uma constante auto-apresentação de nós mesmos, nos termos das Escrituras: “Eis aqui estou para fazer, ó Deus, atua vontade” (Hb. 10:9).
            
Piedade é uma disciplina particular que envolve o temor do Senhor e uma submissão espontânea diante da autoridade absoluta da lei de Deus. E quando esta piedade é praticada no lar, cada membro sentirá as repercussões felizes da benção de Deus. O Senhor endireitará as veredas de cada um.
            
A segunda ação: “Torna-te padrão dos fies, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza”  (1 Tm. 4:12).
            
Temos aqui cinco palavras que, quando são observadas no lar, exercem uma forte influência nas áreas de união e edificação. São cinco pilares que estimulam a confiança mútua. 

  • Na palavra – refere-se à honestidade. Temos de ser pessoas que falam a verdade com prudência e autoridade, conhecidas como pessoas cuja palavra seja verídica.
  • No procedimento – refere-se ao modo de apresentar-se. O apóstolo Paulo podia desafiar a todos: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1 Co. 11:1). Temos de oferecer direção no lar.
  • No amor – refere-se ao ato de entregar-se a si mesmo em favor do outro. O próprio apóstolo Paulo observava isso: “Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei em prol das vossas almas” (2 Co. 12:15).
  • Na fé – refere-se aquele corpo de doutrina, àquela convicção quanto à nossa esperança espiritual. Temos de demonstrar uma tenacidade: Não posso me demover desta verdade, ou, princípio.
  • Na pureza – refere-se as nossas atitudes ou ações diante do sexo oposto.Neste mundo de tantas aberturas e oportunidades na área do sexo, temos de manter uma santa vigilância sem qualquer trégua. Portanto, cuidemos de nossas palavras, vestuário e recreações em termos de livros, revistas, filmes, novelas e lugares de lazer.

            
A vida se torna mais fácil quando podemos seguir um padrão visível e aprovado. Tornemo-nos padrões para cada um dos membros que estão em nosso lar.
            
A terceira ação é: “aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino” (1 Tm. 4:13).  Devemos de ter tempo para ler as Escrituras Sagradas com proveito. Cada pessoa no lar tem de parar numa hora escolhida e, juntos, cantar, ler e orar diante do Senhor. Devemos zelar para que a família unida preste culto a Deus.
            
A bíblia dá muita ênfase à família. O testemunho de Josué reforça a nossa palavra: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js. 24:15). Quando Lídia foi batizada, todos de sua casa foram batizados (At. 16:15). A família do carcereiro teve a mesma experiência,     “ A seguir foi ele batizado, e todos os seus. Então levando-os (Paulo e Silas) para a sua própria casa lhes pôs a mesa; com todos os seus, manifestava grande alegria, por terem crido em Deus” (At. 16:33-34).
            
Mas o texto não fala somente da leitura, fala também da necessidade de exortar e ensinar. O culto doméstico propicia oportunidades especiais para a prática destes deveres. Quando estamos lendo um dado trecho é tão fácil exortar e dizer: Veja o que o texto fala sobre o procedimento do jovem e da doutrina; da mesma forma, na questão do ensino, é tão fácil dizer: Veja como o apóstolo enfatiza uma verdade: “ Fiel é a palavra (quando à piedade) e digna de toda  aceitação” (1 Tm. 4:8-9).
            
A leitura da escritura cria uma ambiente de paz, uma paz que começa caracterizar as atitudes de todos os membros da família. A promessa de Deus é esta: “Do Senhor é a salvação, e sobre o teu povo a tua benção” (Sl. 3:8). “Derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha benção sobre os teus descendentes” (Is. 44:3).
            
A felicidade não é automática, ela tem de ser cultivada pela prática de certas ações disciplinares. Estabelecemos um equilíbrio entre o serviço secular e a vida no lar. A felicidade nasce no lar onde todos priorizam valores espirituais, a piedade, os princípios de uma vida santa e irrepreensível e o uso da leitura das Escrituras em culto Doméstico.   
             

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O Culto Doméstico



Leituras: Dt. 6:1-9; Cl. 3:184:6

” Vamos meditar sobre um antigo costume em nossos dias que é praticamente inexistente entre as famílias da Igreja Presbiteriana: O Culto Doméstico. O ensino da nossa Igreja sobre este assunto está na Confissão de Fé da IPB, cap. 21:6 “Deus deve ser adorado em todo lugar, em espírito e em verdade, tanto em família, diariamente, como em secreto, estando cada um sozinho, e também, mais solenemente em assembléias públicas”. O culto público não é suficiente em si mesmo para satisfazer as nossas necessidades espirituais, temos de acrescentar, diariamente, o Culto em Família. E de modo semelhante, o Culto em Família não é suficiente, temos de observar dominicalmente o culto público (Hb. 10:25).

O Salmo 133 inicia-se com uma exclamação expontânea de admiração: “Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos”, e termina com uma conclusão de grande sentido espiritual. “Ali (no meio dos irmãos unidos) ordena o Senhor a sua bênção, e a vida para sempre”. O ensino é claro: Para o Senhor ordenar a sua bênção num dado lugar, as pessoas precisam viver unidas em harmonia fraternal. Sendo assim podemos dizer. Na Igreja, onde todos os membros vivem em plena comunhão uns com os outros, ali ordena o Senhor a sua bênção. Ainda mais: no lar, onde cada membro da família reúnem-se para juntos cultuarem a Deus, ali ordena o Senhor a sua bênção. E nestes dias modernos, o que os nossos lares mais precisam é da bênção do Senhor, porém, para obtê-la, o caminho é um só: A família toda unida diariamente em Culto Doméstico…”

“Vamos delinear alguns princípios básicos para estabelecer o Culto em Família:

1) Quem deve participar? Cada membro da família, sem qualquer exceção: pai, mãe, filhos, inclusive o recém-nascido. O Culto doméstico cria um ambiente de paz, algo que até mesmo o mais novo sente e aprecia. Afinal, ali ordena o Senhor a sua bênção.

2) Quanto tempo precisa? As circunstâncias de cada lar devem determinar o tempo conveniente. Sugerimos uns vinte a trinta minutos. Se for necessário, levante um pouco mais cedo. A bênção do Senhor será a recompensa.

3) Quais os elementos principais? a) Cânticos: “Louvando a Deus, com salmos, hinos e cânticos espirituais” Cl. 3:16. O Culto deve ser participativo, cada membro da família escolhendo o seu cântico predileto. Uma parte do louvor nos céus expressa-se através dos cânticos. O que é importante nos céus deve ser importante para nós que vivemos aqui na terra. b) As Escrituras Sagradas: Elas devem ser recebidas com santo temor, em obediência a Deus, cada membro lendo alguns versículos. Para algumas famílias, o uso de um bom devocionário é o mais conveniente. Não recomenda-se o uso de histórias infantis, a não ser que elas sejam lidas à parte. A leitura da Bíblia é para aprender dos caminhos de Deus e receber alimento espiritual para fortalecer as nossas vidas. Para outras famílias, especialmente quando os participantes são maiores, a leitura consecutiva de livros inteiros podem satisfazer mais. c) Oração: A oração deve ser feitas por coisas lícitas e inclui todas as classes de pessoas: líderes políticos e religiosos, pastores e missionários, membros maiores e menores das Igrejas em todas as suas necessidades. Basicamente, pela oração, estamos confiando os interesses do novo dia, inclusive as atividades de cada membro da família aos cuidados de Deus. Devemos dirigir as nossas orações ao Pai pela mediação do Filho, Jesus Cristo e auxiliados pelo Espírito Santo que orienta exclusivamente através do Ensino das Sagradas Escrituras. Novamente, cada membro deve ser ensinado e incentivado a orar audivelmente. O culto doméstico se torna mais interessante quantos todos estão participando.

Se queremos que Deus ordene a sua bênção sobre o nosso lar e a nossa família, eis um dos meios mais acessíveis: O Culto Doméstico. Façamos um pacto de reformar nossas famílias, engajando-nos em um cuidado consciente em estabelecer o Culto a Deus em nossos lares. E andar em nossos lares em perfeito coração. Nós resolvemos, procurar instruir nossos pequenos e toda a nossa casa a buscar e manter os caminhos do Senhor.”

O problema do sexo ilícito

   
          Um dos assuntos mais em voga atualmente é o sexo. A propaganda do momento é mais ou menos assim: “Divirta-se com o sexo, mas seja prudente, use camisinha para não ficar contaminado com uma das doenças sexualmente transmissíveis ou provocar uma gravidez indesejada.”
 
            Imagine a reação popular se houvesse uma propaganda assim: “Divirta-se com o roubo e aproveite dessa facilidade financeira, mas seja prudente, a polícia está vigiando, pois uma temporada na cadeia não seria nada agradável.”

            Por que reagimos contra um convite para roubar? Por que esta discriminação contra o roubo livre? Por que não existe esta mesma discriminação contra o sexo livre? Afinal, a lei que diz: “Não furtarás” também diz: “Não adulterarás”. Todas as formas de sexo fora daquela relação entre um homem e uma mulher, legalmente casados, são englobadas naquela proibição legislativa. As três palavras que descrevem as variadas formas de perversão sexual são: adultério, impureza e imoralidade. Tais expressões encontram-se repetidamente nas Escrituras Sagradas. A Bíblia adverte “Ou não sabeis que (...) nem adúlteros, nem afeminados, nem sodomitas, ... herdarão o reino de Deus?” (1Co. 6:9-10).

            Por que Deus é tão contra o sexo ilícito? Sem entrar em todos os aspectos da sexualidade humana, esta reflexão detém-se sobre a finalidade principal do sexo, a procriação. Através do sexo, novos seres humanos são produzidos. O sexo é uma fonte de vida, é uma vida. Portanto, qualquer forma de sexo fora da legislação divina é um atentado contra a santidade humana, a vida criada segundo a imagem de Deus (Gn. 1: 26-27). É a própria vida que sofre por causa da impureza sexual.

            Por isso, o Apóstolo Paulo ensina: “Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo” (1 Co. 6:18). O Apóstolo Paulo está afirmando que pecados tais como o roubo, não têm nenhuma influência direta sobre o bem estar do corpo; mas a impureza sexual age diretamente contra o mesmo, provocando todo tipo de sofrimento, e sofrimento este que muitas vezes não passa com o decorrer dos anos. Eis algumas destas conseqüências. 
 

            A perda do amor próprio. A pessoa tem de valorizar e respeitar o seu corpo. No ato sexual, a pessoa (homem ou mulher) está entregando o seu próprio corpo para outro. Quando este ato acontece dentro das normas estabelecidas por Deus, Ele mesmo abençoa esta união com uma paz e um senso de plena realização. Mas quando este ato acontece fora das normas bíblicas, não há nenhuma benção da parte de Deus, porque Ele não pode abençoar o que Ele mesmo proíbe.

            O amor próprio produz um respeito, uma valorização. Quando uma pessoa se entrega ao sexo ilícito, está desrespeitando e desvalorizando o seu próprio corpo. Na ausência deste amor próprio, seu corpo não será respeitado pelo parceiro. Assim, o ato sexual é apenas uma descarga de energia, a satisfação de um desejo de conveniência que não respeita as necessidades do outro.

            Um dos males mais graves desta falta de amor próprio vem depois do casamento. Se o corpo foi desrespeitado antes do casamento, fatalmente será desrespeitado depois do mesmo. Sexo que fere as normas estabelecidas por Deus desencadeia todo tipo de paixão violenta: brigas e feridas físicas, palavras intransigentes, apelidos debochados e discussões  provocativas; e, muitas vezes, a infidelidade matrimonial e o divórcio. E mais um lar é destruído e mais uma família desestruturada. O que começou com pecado, termina com  pecado e todas as suas conseqüências amargas.

           
            A perda de seguranças básicas. No caso de contrair doenças sexualmente transmissíveis, quem é que sofre? Não apenas o transgressor, mas também a sua família. O pecado é uma força destruidora que desenrraiga as estruturas da sanidade.

            E no caso de uma gravidez indesejada, quem é que sofre? Não apenas a mãe e a sua família, mas também a própria criança, a parte passiva e inocente no assunto. E quais são as perspectivas de uma criança indesejada? Todas as crianças têm o direito inalienável de um lar estável onde o pai e a mãe tenham uma vida harmoniosa. Mas a criança indesejada não desfruta deste direito e mais cedo ou mais tarde, terá de suportar os traumas de ser uma inconveniência, um acidente de percurso. O roubo tem poucas conseqüências negativas, mas a imoralidade prejudica vidas inteiras, não apenas as dos culpados, mas também as do inocentes.
            
 
            A perda de realizações afetivas. A própria Bíblia reconhece que o pecado pode oferecer um momento de prazer, mas é apenas um momento; depois aparecem as inquietações cruéis de uma consciência ofendida. A propaganda secular incentiva a diversão com o sexo, porém, não fala das conseqüências negativas deste. O sexo, dentro da legislação divina, oferece ao casal um senso de união afetiva, uma realização que fortalece os laços de amor. Porém, quando acontece dentro fora da vontade de Deus, o senso de culpa impede esta plena realização, e o ato passa a ser uma descarga de sensualidade.

            Mas o problema não termina aqui; no caso de um casamento posterior, o sexo que foi dado para unir o casal, torna-se um ato nocivo, especialmente para mulher. Esta abstinência provocadora é a causa de brigas violentas, e o resultado é a infidelidade matrimonial. O homem, por não receber suas necessidades sexuais, busca uma outra parceira; e a mulher, por se sentir desprezada, procura outro parceiro a fim de provar que ainda é capaz de atrair homens. Assim, ambos procuram uma realização afetiva, porém, esta lhes é sempre negada. A imoralidade, a impureza sexual, cobra um preço insuportável, uma alma vazia e uma falta de realização na área mais importante, as profundezas de seu ser. O sexo que parecia ser algo tão desejado, passa a ser uma fonte de frustrações de decepções.

            O pecado da impureza existe. Mas, há perdão? É possível desfrutar de uma vida sexual que agrade a Deus? Três proposições se apresentam:

             A necessidade de reconquistar o amor próprio. O corpo tem de ser respeitado e valorizado, pois ele também é a imagem de Deus. Um santo temor do Senhor tem de constranger os impulsos carnais. O corpo não pode ser entregue às paixões mentirosas. “O corpo não é para a impureza, mas para o Senhor, e o Senhor, para o corpo” (1 Co. 6:13). Quando o amor próprio está agindo no temor do Senhor, o corpo não será entregue às paixões sensuais; e outros, vendo este zelo pela pureza sexual, terão a tendência de respeitar a santidade do corpo. Sim, é possível reconquistar o amor próprio bem como o respeito dos conhecidos. Um nome bom é de sumo valor.

             A necessidade de abandonar todas as formas de desvio sexual. O pecado da imoralidade não é imperdoável. Quando os escribas e fariseus trouxeram uma certa mulher surpreendida em adultério à presença de Jesus a fim de ser julgada e apedrejada, qual foi a sua reação? Depois de algumas deliberações e o sumiço dos homens, Jesus se dirigiu à mulher perguntando-lhe: “Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?  Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus:Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais” (Jo. 8:10-11). O verdadeiro arrependimento consiste no abandono dos pecados específicos. A norma bíblica é esta: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados” (At. 3:19). Pela fé em Cristo Jesus, o pecador arrependido pode desfrutar da bem-aventurança de perdão dos pecados, inclusive aqueles da impureza sexual.

             A necessidade de reestruturar a vida sexual. A Bíblia reconhece o problema da sexualidade humana. Qual é a sua resposta? “Caso, porém, não se dominem, que se casem; porque é melhor casar do que viver abrasado” (1 Co. 7:9). Mas, para o crente, a Bíblia apresenta uma condição: a pessoa “fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor” (1 Co. 7:39).

             Quanto ao valor do corpo, convêm lembrar a palavra do Apóstolo Paulo: “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1 Co. 6:20). E o caminho para este fim é a conformidade à vontade de Deus.

O APARENTE SILÊNCIO DE DEUS

            Embora a circunstância histórica do Salmo 93  não seja conhecida, o contexto indica uma experiência quando o Senhor ficou em silêncio durante longos anos, como se tivesse perdido o interesse nas dores de seu povo. O Salmo comemora o momento quando o Senhor, falando humanamente, reassumiu a sua soberania sobre os interesses de seu povo.

            Podemos pensar nos 400 anos de silêncio enquanto o povo penava sob a servidão egípcia e, de repente, Moisés aparece anunciando a manifestação da vontade de Deus; ou nos 70 anos do cativeiro babilônico, quando o povo já tinha perdido as esperanças de um retorno à sua pátria, mas, de repente, a ordem de Ciro, rei da Pérsia, anunciando libertação para os cativos. Deus estava novamente agindo no meio de seu povo.

            Tantas vezes o silêncio do Senhor tem deixado o seu povo perplexo e perguntando: “Rejeita o Senhor para sempre? Acaso não torna a ser propício? Cessou perpetuamente a sua graça? Caducou a sua promessa para todas as gerações? Esqueceu-se Deus de ser benigno? Ou, na sua ira, terá Ele reprimido as suas misericórdias?” (Sl. 77:7-9)

            Este Salmo nos anima a lembrar e a acreditar na soberania de Deus: “Desde a antiguidade está firme o seu trono: tu és desde a eternidade.”

            O Salmo 93  nos dá uma visão de três valores espirituais designados a nos fortalecer na hora de perplexidade:  
 
1. A Visão do Trono.

            O primeiro é a visão do trono, a eternidade e a majestade do Senhor (Sl. 93: 1-2). A Bíblia nos ensina que  “Deus reina sobre as nações; Deus assenta no seu santo trono.” Em momentos de aflição, é tão fácil se esquecer da imutabilidade deste fato. Observemos as três declarações:

            O Senhor reassumiu a sua soberania (no pensamento humano) depois daquele silêncio ou inativismo: “Revestiu-se de majestade; de poder se revestiu o Senhor, e se cingiu.” É algo que o próprio Senhor fez. Ele mesmo manifestou a sua soberania de acordo com a sua  vontade, e não por persuasão externa. Pensemos nas poderosas manifestações de soberania para efetuar o êxodo: “o Senhor nos tirou do Egito com poderosa mão, e com braço estendido, e com grande espanto, e com sinais, e com milagres” (Dt. 26:8).

            O resultado desta reassunção: “Firmou o mundo, que não vacila.” Da situação caótica veio a paz e a estabilidade. Devemos lembrar que o Deus da natureza é o Deus da providência e é o Deus de toda a graça. Aquele que criou o mundo, também o governa; e se alguém nutre a esperança de salvação, esta deve vir da providência divina. O suposto silêncio de Deus é apenas imaginário; Ele jamais abdicou a sua presença soberana do meio de seu povo: “Desde a antiguidade está firme o teu trono: tu és desde a eternidade.” Não convém buscar sinais da permanência de Deus no meio de circunstâncias materiais e temporais. A nossa esperança espiritual se apóia sobre a Palavra de Deus e não sobre sentimentos enganosos. É motivo de grande consolo espiritual saber que o trono de Deus está firme desde a eternidade; Ele nunca renunciou  seus direitos de soberania e jamais permitirá que seja ocupado por outro, nem por um breve momento. 

           
2. A Visão das Águas.
            O segundo é a visão das águas, a grandeza e o poder do Senhor (Sl. 93: 3-4). Na linguagem figurativa das Escrituras, muitas vezes rios, mares e grandes águas descrevem a revolta humana (ou das nações) contra a soberania de Deus. A figura nos faz lembrar do Salmo 2:1-6, a fúria dos gentios imaginando coisas vãs e os príncipes conspirando contra o Senhor e contra o seu Ungido. 

            Apesar da fúria destes inimigos, “O Senhor nas alturas é mais poderoso.” O Senhor não se preocupa em impedir a oposição, e nem as circunstâncias negativas que procuram derrubar o seu povo, antes, Ele triunfa sobre todo e qualquer obstáculo e conduz o seu povo em vitória. Os poderosos da terra são apelidados de espalhafatosos – barulho vazio. Uma pequena anuência da parte do Senhor pode causar a ruína total dos melhores planos traçados pelos inimigos de Deus. 

           
3. A Visão do Templo.

            O último é a visão do templo, a fidelidade e a santidade do Senhor (Sl. 93:5). Esta breve conclusão, suspirada como um ato de adoração, aponta-nos para a qualidade da Palavra de Deus e a natureza de sua Casa. A Palavra merece uma confiança inviolável e a Casa do Senhor, uma santidade intocável. Nunca devemos perder a visão da veracidade de Deus, nem duvidar do pleno cumprimento de tudo o que Ele tem falado. Josué experimentou este princípio, pois seu testemunho foi este: “Eis que já hoje sigo pelo caminho de todos os da terra; e vós bem sabeis de todo o vosso coração, e de toda a vossa alma, que nem uma só promessa caiu de todas as boas palavras que falou de vós o Senhor vosso Deus: todas vos sobrevieram, nem uma delas falhou” (Js. 23:14).

            Com temor, reconhecemos a soberania de Deus. Os ímpios podem conspirar contra o Senhor, dizendo: “Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas”. Mas qual é a atitude divina? “Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles” (Sl. 2:2-4).

            Reconhecemos também que não podemos avançar nem um centímetro sem o consentimento do Senhor. Contudo, esta verdade não pode ser usada contra a nossa responsabilidade pessoal de buscar e praticar a vontade de Deus “pois todos comparecemos perante o tribunal de Deus (...) Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Rm.14:10-12).

Insegurança


           Insegurança na área material é uma realidade que mexe  com a vida de muita gente. A palavra “se” tem um poder para sacudir a tranqüilidade dos mais fortes. “Se eu perder o emprego, como pagarei os meus compromissos?” “Se eu adoecer, quem cuidará da minha família?” As possibilidades do “se” são quase incontáveis. Mas nós, que somos crentes, nós, que confessamos fé no poder de Deus para suprir cada uma das nossas necessidades, podemos deixar as inseguranças desta vida perturbarem a nossa tranqüilidade?

            O problema do medo e da insegurança não são fenômenos modernos, ao contrário, sempre existiram. Os discípulos de Cristo experimentaram este medo e insegurança muitas vezes. É edificante observar a maneira pela qual Jesus lidava com seus discípulos temerosos e o seu uso da expressão “por que”. “Por que andais ansiosos quanto ao vestuário?” E depois do questionamento, Ele logo acrescenta o “portanto”, “Por que andais ansiosos...? Portanto não vos inquietais” (Mt. 6:25-34).

            Vamos examinar alguns casos específicos quanto ao problema do medo e da insegurança:

            O caso da tempestade, em Mateus 8:23-27: “E eis que sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas”. Os discípulos ficaram possuídos de medo e de insegurança e, enquanto isso, Jesus dormia. Em seu desespero, vieram a Jesus, clamando: “Senhor, salva-nos! Perecemos! ” Qual foi a reação de Jesus? Ele os repreendeu, dizendo: “Por que sois tímidos, homens de pequena fé?” Não existe nenhuma circunstância física que foge ao domínio daquele que é poderoso para salvar: “E levantando-se, Jesus repreendeu os ventos e o mar; e fez-se grande bonança”.  Fé significa confiança no poder de Deus para sobre-reinar nas circunstâncias negativas.

            O caso de Pedro andando sobre o mar, em Mateus 16:22-33. Primeiro vemos todos os discípulos tomados de medo, e gritaram por imaginarem que Jesus era um fantasma. Porém, ouvindo as palavras tranqüilizadoras dele: “Tende bom ânimo! Sou eu. Não temas”, Pedro demonstrou a sua coragem e logo respondeu: “Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo por sobre as águas”. Jesus o convidou, dizendo: “Vem”, e Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas e foi ter com Jesus. Parece que a fé dele era inabalável. Mas, no próximo momento, ouvimos Pedro gritando em seu desespero: “Salva-me, Senhor!” Por que esta mudança repentina de uma fé operosa para uma insegurança patética? Ele reparou na força do vento e teve medo. Quando ficamos reparando na força das circunstâncias negativas, o resultado é sempre medo e insegurança. Não podemos desviar os nossos olhos de Jesus Cristo, o Autor e Consumador da nossa esperança. Mas qual foi a palavra de Jesus quando viu o estado de Pedro? Novamente, uma repreensão: “Homem de pequena fé, por que duvidaste?” Por que duvidaste do poder soberano de Jesus Cristo?

            O caso quando os discípulos se esqueceram de levar pão, Mateus 16:5-12. Estando Jesus sozinho com seus discípulos, Ele aproveitou a oportunidade para lhes dar uma advertência sobre o perigo do “fermento (doutrina) dos fariseus e saduceus.” Mas, por alguma razão, eles não atinaram as palavras de Jesus. Ficaram com medo e começaram a imaginar coisas completamente diferentes, “Jesus está reclamando porque não trouxemos pão!” Mas Ele, percebendo a preocupação dos discípulos, perguntou-lhes: “Por que discorreis entre vós, homens de pequena fé, sobre o não terdes pão?” O problema de pão, ou qualquer outro problema material, é fácil de ser resolvido. E, para substanciar as suas palavras, Jesus fez os discípulos se lembrarem das providências divinas do passado: “Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães para cinco mil homens, e de quantos cestos tomaste?” Fé significa acreditar no poder de Deus para suprir cada uma das nossas necessidades.

            Você está sentindo uma insegurança quanto ao futuro? Tem medo de receber aquela carta avisando que não pode continuar no serviço? Lembre-se do passado. Houve um dia na sua experiência quando Deus o abandou sem qualquer meio de sobrevivência? Não, nunca! O Deus que cuidou de você no passado, que está cuidando de você neste momento, há de cuidar de você no futuro. “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais Ele fará” (Sl.37:5). “Temei ao Senhor, vós os seus santos, pois nada falta aos que o temem”(Sl.34:6-10).

PROVAÇÕES

“Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor de vossa fé, muito mais preciosa do que ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma” (1Pe.1:6-9).


            Neste texto, o Apóstolo Pedro está abordando o problema de provações na vida cristã. Embora algumas pessoas se recusem a aceitar a possibilidade de sofrimento na experiência do cristão, independente das nossas afirmações, eles existem. Esta é, portanto, a importância da palavra apostólica sobre o assunto. Cristo nos advertiu: “No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo.16:33). E o Apóstolo Paulo, orientando as novas igrejas, mostrou que “através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (At.14:22).

            Provações são experiências que, de uma ou de outra forma, sempre acompanham a vida do povo de Deus. Por isso, no capítulo 4, versículo 12 desta carta, o Apóstolo Pedro continua insistindo: “Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo”. Pedro é bem claro quando fala sobre estas provações. Elas são destinadas a nos provar, isto é, revelar a presença de algo específico e, em nosso texto, este algo é a presença de uma fé operosa.

            O texto fala de várias provações, experiências que mexem com as profundezas espirituais. Podemos mencionar três tipos:

            O primeiro: perseguições, coerções destinadas a provocar um abandono da nossa confiança na singularidade de Jesus Cristo como Salvador de pecadores. O Apóstolo Paulo foi perseguido implacavelmente por causa de seu apego à unicidade de Jesus Cristo. Se ele tivesse feito alguns acréscimos à singularidade de Jesus e este crucificado, ele teria sido isento de perseguição (Gl. 5:11). 

            O segundo tipo de provação: adversidades, circunstâncias negativas que nos fazem questionar a realidade do cuidado de Deus sobre as nossas vidas, tais como: acidentes, doenças inesperadas ou a morte repentina dos nossos queridos. É tão comum ouvir: “Se Deus estivesse presente cuidando de nós, este problema não teria acontecido”.

            O terceiro tipo é a solidão espiritual, quando nos sentimos abandonados pelo irmão na fé. Uma visita, uma palavra amiga, torna-se tão preciosa! O Apóstolo Paulo experimentou esta solidão na prisão em Roma: “Todos me abandonaram”, mas não são todos os que podem confessar: “Mas o Senhor me assistiu e me revestiu de forças” (2Tm. 4:16-17). De fato, podemos passar por várias provações, mas vamos examinar a finalidade destas experiências.
1. O Motivo nas Provações.
            O motivo das provações para o Apóstolo Pedro é bem específico: a confirmação do valor da nossa fé. A nossa fé em Cristo tem de ser bem mais operosa do que uma mera palavra de crença. Ela tem de ser uma experiência vivida: Cristo em nós, a esperança da vida eterna (Cl. 1:27). E, para chegar a esta maturidade, a fé tem de passar por processos de purificação, e um destes é a provação.
            Pedro compara a fé inicial com o ouro bruto. Ele tem seu valor relativo, porém, a sua preciosidade é descoberta somente depois de ser passada pelos processos de purificação. De modo semelhante, o valor da nossa fé, uma vez confirmado, torna-se muito mais precioso do que o ouro perecível. Esta fé cresce e fica mais operosa quando passa pelo fogo ardente do sofrimento. Precisamos de uma fé fortalecida para vivermos dignamente a vida cristã.
            Na experiência de cada cristão surgem oportunidades que precisam ser avaliadas para que Jesus Cristo receba a prioridade absoluta. São ocasiões de decisões, momentos de provarmos as nossas preferências.
            Demas, um dos primeiros co-obreiros do Apóstolo Paulo, enfrentou o poder de uma destas oportunidades. Ele escolheu os prazeres “deste século” e abandonou a sua esperança em Jesus Cristo. Demas representa aquela semente que caiu entre espinhos, quando os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocaram a palavra, e esta ficou infrutífera (Mt. 13:22; 2Tm. 4:10) Ele quis desfrutar dos benefícios de Cristo sem assumir as responsabilidades inerentes a este privilégio.
            O Apóstolo Paulo era um jovem ambicioso e teve a oportunidade de ser um homem de destaque na vida poítico-religiosa de Israel. Mas, indo para Damasco, recebeu uma nova opção quando teve um encontro pessoal com Jesus Cristo. Ele não podia ficar neutro diante deste desafio. Eis o seu raciocínio naquela crise: “Mas o que para mim era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo” (Fl.3:7-8). No momento de decisão, ele deu a prioridade a Jesus Cristo, seu Senhor e Salvador. A provação nos constrange a tomar uma atitude: sim, tudo darei a Jesus Cristo, aquele que me amou e a si mesmo se entregou por mim (Gl. 2:20).
1. O Movimento nas Provações.
            A provação sempre pede uma ação da nossa parte. Nós não somos passivos diante do sofrimento, temos de agir, temos de fazer alguma coisa.
            Quando Cristo estava orientando com respeito às tribulações, Ele acrescentou: “Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei as vossas cabeças; porque a vossa redenção se aproxima” (Lc.21:28). Na hora da provação teremos, pelo poder da nossa fé, forças para levantar os nossos olhos e contemplar as perfeições daquele que nos ama.
            Este ato de levantar os nossos olhos produzirá três realidades: primeiramente, teremos uma impressão mais nítida de Jesus Cristo, nosso Salvador, “a quem não havendo visto, amamos”(1Pe. 1:8). As provações são destinadas para fortalecerem a nossa fé e para aumentarem o nosso apego a Cristo. Na hora da precisão, com os olhos levantados, experimentaremos que Cristo é poderoso para suprir cada uma das nossas necessidades (Fl. 4:19). Em segundo lugar, teremos uma certeza mais ampla da suficiência do auxílio de Cristo, “ no qual, não vendo agora, mas crendo” (1Pe. 1:8).  Em plena consciência das tribulações que podem cair sobre nós, o Apóstolo Paulo testemunhou: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou” (Rm. 8:37-39).  E, finalmente o ato de levantar os nossos olhos produzirá uma alegria indizível e cheia de glória inundando os nossos corações. Teremos uma paz que excede todo entendimento firmando a nossa alma. Com esta experiência, a dor da provação recuará e teremos forças para permanecer inabaláveis na fé. Sim, podemos ser mais que vencedores.  

           
1. O Momento nas Provações.

            O grande momento nas provações é a salvação das nossas almas e, para isto, precisamos de uma fé forte e confirmada. Uma fé fraca e inexperiente fica logo vencida e perde a bem-aventurança da salvação pela fé em Jesus Cristo.

            Provações são permitidas por Deus e usadas para experimentar e para fortalecer a nossa fé, a fim de que tenhamos vitória em toda e qualquer dificuldade. O Apóstolo João afirma: “Todo aquele que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a fé”, uma fé purificada pelas provações.

            Devemos nos lembrar que o grande fim da nossa fé, como já foi dito, é a salvação das nossas almas. Reconhecemos que perseguições já mataram os corpos de muitos cristãos, porém, em nenhum momento eles recearam se entregar à morte, porque tinham a certeza da salvação de suas almas. De qualquer forma, o nosso corpo terá de experimentar a morte, mas o importante é a salvação da nossa alma. Por que nós não temos medo de entregar o nosso corpo à morte? O Apóstolo Paulo responde: “Porque o estar com Cristo é incomparavelmente melhor” (Fl.1:21-23). Somos felizes quando podemos confessar: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas” (Fl.3:30-21).

            É tão fácil citar para alguém em dificuldades: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm. 8:28). Mas, quando nós mesmos estamos passando por várias provações, temos a mesma certeza de que todas as coisas cooperam para o nosso bem? Inclusive aquela provação que não tem nenhuma explicação razoável?

            Vamos renovar a nossa esperança, crendo que Deus permite tribulações para fortalecer a nossa fé, para nos fazer chegar mais perto de Jesus Cristo, porque somente nEle é que alcançamos a salvação da nossa alma.

VOLIÇÃO (LIVRE ARBÍTRIO)



A doutrina do “Livre Arbítrio” procura responder a seguinte pergunta: O homem natural, que é morto em seus delitos e pecados (Ef. 2:1-3), cuja inclinação inata cogita somente as coisas da carne (Rm. 8:5-8), é por natureza escravo do pecado (Jo. 8:34). Sendo assim, será que ele é capaz, por mero ato de volição (escolha), evitar todas as formas de pecado, arrepender-se de suas transgressões e depositar sua fé em Jesus Cristo? A Teologia Reformada, baseada em textos tais como Jr.13:23; Jo.6:44; 8:34; Rm. 8:5-8; Ef. 2:1-10, entre outros, afirma que o homem não está disposto a fugir de sua tendência ao pecado, obedecer a Deus de forma aceitável, e refugiar-se em Jesus Cristo, até que seja regenerado e transformado pela soberana intervenção do Espírito Santo. Assim, o mérito humano é totalmente excluído e a soberana graça de Deus é reconhecida. A Bíblia insiste que somos salvos somente pela fé (sem obras meritórias), somente pela graça, uma soberana intervenção da parte de Deus, sem iniciativa ou esforço humano (Rm.3:28; 4:13-16;9:16; Ef. 2:8-9). Se atribuirmos poderes soberanos à volição humana, estaremos afirmando que é o homem quem contribui decisivamente para a sua salvação, e assim, efetivamente anulamos a glória de Deus (Is. 43:11-13).
 
           
1. Expandindo o Problema.
            
O termo “Livre Arbítrio” é uma designação infeliz, porque no pleno sentido da palavra, ninguém é realmente livre. Uma designação melhor seria “Volição Humana”. Por natureza, somos dependentes de Deus, sujeitos às legislações dEle. Embora seja possível, é pecado contrariar as determinações do nosso Criador. As nossas decisões, na realidade, não são espontaneamente livres, pois são resultantes de influências externas sobre a nossa volição, tais como: informações recebidas, circunstâncias que provocam reações, pressões sociais, o nosso estado emocional, necessidades físicas, etc. As nossas decisões sempre refletem a nossa disposição em um dado momento.

2. Explicando a Volição.
            
Podemos dizer que Volição é a capacidade de escolher entre opções. Deus nos deu o dom de sermos criaturas responsáveis e capazes de prestar contas pelas nossas decisões. Quando Deus faz seus apelos aos homens, Ele sempre faz referência à nossa capacidade de escolher. As leis da sociedade existem porque reconhecem a volição humana.
            
Esta volição humana é livre, no sentido que não é forçada nem para o bem nem para o mal. O homem sempre age de acordo com seus próprios desejos em um dado momento. Enfim, ele pode escolher entre opções. As escolhas do homem não são determinadas por qualquer necessidade absoluta de sua natureza. Cobiças existem, porém, não podem obrigar o homem a satisfazê-las. O homem tem de reagir responsavelmente.
            
O estado de Adão antes de corromper suas faculdades pelo pecado da desobediência era de inocência. Ele tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que era bom e agradável a Deus. Ele não foi criado com nenhuma deficiência moral. A sua decisão representativa podia ter sido diferente; ele tinha o poder para curvar-se diante da vontade revelada de Deus. Mas, por ser o representante universal de toda a sua descendência, a sua capacidade de escolha não foi previamente programada e feita imutável; ele tinha também o poder de desobedecer à vontade de Deus.
            
Quando Adão pecou, ele e toda a sua descendência perderam inteiramente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanha a salvação. O pecador, além de não querer a vontade de Deus, é incapaz de, pelo seu próprio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso. Por não ter mais o poder e nem o querer para buscar e praticar a vontade de Deus, o homem tornou-se autocentrado, buscando e praticando somente a sua própria vontade.
            
Somente pela regeneração (obra do Espírito Santo), o homem pode ser liberto de sua natural escravidão do pecado. O Espírito Santo atua sobre as suas faculdades determinativas de tal forma que o homem recebe “o poder de querer” a vontade de Deus em sua vida.
            
Todavia, por causa da corrupção ainda existente no homem, ele não faz o bem perfeitamente, nem deseja somente o que é bom, mas também o que é mau. Contudo, a nossa plena convicção é esta: “Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fl. 1:6). O Espírito Santo levará o homem gradativamente à verdadeira santidade.
            
É somente depois da morte que a vontade do redimido torna-se perfeita e imutavelmente livre unicamente para o bem. Naquele dia seremos aperfeiçoados definitivamente.Como anelamos o dia quando nunca mais teremos de viver a opressão de decisões infelizes! A nossa oração é esta: “Ensina-me, Senhor, o teu caminho; dispõe-me o coração para só temer o teu nome” (Sl. 86:11).

PREDESTINAÇÃO

 

Na Bíblia podemos encontrar dois termos semelhantes: Eleição e Predestinação. Devemos estabelecer uma distinção entre estas duas palavras: eleição se refere ao decreto de Deus para salvar um número limitado de pecadores, enquanto que predestinação se refere aos propósitos de Deus em relação à finalidade das pessoas deste mundo.
 
Todas as obras de Deus têm a sua devida finalidade e o homem não foge desta lei, uma vez que foi criado para ser o executor obediente da vontade de Deus.
 
As predestinações de Deus são as suas determinações quanto à finalidade das coisas criadas e são tão absolutas que jamais falharão. Elas têm a força da palavra que criou todas as coisas: “Disse Deus: Haja luz; e houve luz” (Gn.1:3); “Jurou o Senhor dos Exércitos, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará” (Is. 14:24).
 
Quando estudamos qualquer uma das duas palavras, quer Eleição quer Predestinação, devemos fazer uma exposição do texto bíblico onde ela se encontra. A palavra “predestinação” aparece apenas seis vezes no Novo Testamento: Rm. 8:29-30; Ef. 1:5-11; At. 4:28 e 1 Co. 2:7. Destacaremos três destas referências. 


1. Predestinação na Área de Promoção.

 
A primeira se encontra em Efésios 1:4-5, “E em amor nos predestinou para Ele (Cristo), para a adoção de filhos”. Aqui, predestinação tem o sentido de promoção. Os redimidos são mais do que servos, são promovidos pela adoção aos privilégios de filhos. Deus determinou que fossem feitos “co-herdeiros com Cristo” (Rm. 8:17). Por que esta promoção? Foi segundo o beneplácito da vontade de Deus que, em sua bondade, quis mostrar a riqueza da sua graça aos homens.
 
O efeito desta predestinação sobre a vida dos adotados é a ação do Espírito Santo, que os faz exprimir o clamor filial: Aba, Pai. Deus é reconhecido como o Pai celestial.
 

2. Predestinação na Área de Procedimento.
 
 
O segundo texto está em Romanos 8:29, “Também os predestinou para serem conformes a imagem de seu Filho”.  Aqui vemos predestinação como procedimento. Deus já determinou o padrão de procedimento para cada um de seus filhos adotados: o seu próprio Filho, Jesus Cristo. Quanto à realidade desta predestinação na experiência do adotado, Cristo disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (Jo. 10:27). E, em outra referência, é dito que devemos andar assim como Cristo andou (1Jo. 2:6).
 
A vida de Cristo foi caracterizada tanto por sua perfeita obediência à lei de Deus (Mt.5:17) quanto  por sua submissão à prática da vontade de seu Pai nos céus. Os adotados não são diferentes (e nem podem ser), porque Deus já determinou a respeito do procedimento deles. O filho adotado deve estar constantemente alinhando a sua vida com o padrão estabelecido por Jesus Cristo.
 
Portanto, os adotados são filhos da obediência. Eles se esforçam para agir como verdadeiros filhos; amam a Deus, confiam em suas providências paternais e, pela leitura das Escrituras Sagradas e o uso da oração, mantêm comunhão espiritual com Ele. Os que são predestinados para a adoção sempre têm essas marcas, sem as quais não há nenhuma base para nutrir a esperança da adoção e nem da vida eterna.
 

3. Predestinação na Área de Propósitos.
 
 
O último texto mostra a predestinação como um propósito: “Predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória” (Ef. 1:11-12). Uma das glórias de Deus é a sua soberania para predestinar e executar seus propósitos inescrutáveis. A glória de Deus foi reconhecida nas obras realizadas por Jesus Cristo e a sua glória continua sendo manifestada através das vidas transformadas de seus filhos adotados.
 
Como é possível que um pecador seja santo e irrepreensível em seu procedimento moral e espiritual? Como é possível que um pecador possa conhecer e praticar a vontade de Deus? Os que são predestinados segundo os propósitos de Deus dão glória ao seu nome através de vidas regeneradas. Aqueles que não glorificam a Deus desta maneira não têm base para nutrir a esperança da vida eterna.
 
Queremos reforçar a intensidade da palavra “Predestinação”. Ela não é uma mera esperança indefinida. É uma palavra de ordem, quando Deus determina que um dado propósito seja cumprido. Se Deus tem predestinado alguém para a adoção de filhos, isso será evidenciado através de atitudes filiais. Se Deus tem predestinado o procedimento de alguém, isso será evidenciado através de uma vida santa e irrepreensível. Se Deus tem predestinado alguém para O glorificar, isso será evidenciado através de uma vida que reflete as operações de Deus.
 
Que cada um de nós tenhamos a coragem de examinar a realidade da nossa experiência cristã usando as Predestinações de Deus como norma de avaliação.



ESPERANÇA APÓS A MORTE



Cada doutrina deve ser fruto da fiel exposição de um dado texto. É possível obrigar a Bíblia a falar segundo a nossa vontade pelo mero ajuntamento de versículos isolados.  Quanto à doutrina da Segunda Vinda de Cristo, Ele mesmo nos deu uma exposição completa e suficiente sobre o assunto em Mateus capítulos 24 e 25. Se acrescentarmos novas ou maiores elucidações, estaremos questionando a veracidade do ensino de Cristo.
 
Vamos ter em mente a seqüência ininterrupta dos quatro eventos principais que marcarão a consumação dos séculos, isto é, o fim do mundo como nós o conhecemos:
 
·    Uma única manifestação ou retorno de Jesus Cristo;
·    Uma única ressurreição geral;
·    Um único juízo geral;
·    Uma única distribuição de destinos.
 
 
A Bíblia costuma falar destes quatro eventos separadamente, por exemplo, a Segunda Vinda de Cristo (no sentido restrito), 1 Jo. 3:2; a Ressurreição geral, At. 24:15; o Juízo Final, 2 Tm. 4:1; e, os destinos finais, Rm.2:6-8. Em cada alusão escatológica, não há necessidade de repetir todos os eventos que acontecerão naquele dia. O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Tessalonicenses, não quis dar uma exposição total da doutrina escatológica, mas sim, realçar os dois destaques relacionados à Segunda Vinda de Cristo. Contudo, os quatros eventos estão presentes: a manifestação de Cristo; a Ressurreição; os destinos; e, por inferência, o Juízo geral (1 Ts. 5:9), visto que ninguém entra nem no céu, nem no inferno, sem passar primeiro pelo tribunal de Cristo  (2 Co. 5:10).

Os tessalonicenses desenvolveram uma crença errônia à respeito do tempo da manifestação de Jesus Cristo. Eles acreditavam que seria dentro de poucos meses ou, pelo menos, antes da morte física de qualquer um deles. Mas, para a desorientação e desespero da Igreja, alguns começaram a morrer antes da suposta iminente manifestação de Cristo. Podemos imaginar as exclamações de angústia: E agora, o que vai acontecer com os nossos irmãos queridos? Certamente vão perder tudo porque não estão presentes para participar da manifestação de Cristo em sua glória!
            
O Apóstolo Paulo escreve para reorientar e consolar os crentes que perderam seus queridos; escreve para que eles não sejam ignorantes quanto ao estado dos crentes mortos. De todas as misérias desta vida, a ignorância espiritual talvez seja a pior. Os descrentes, aqueles que vivem as suas vidas sem tomar conhecimento de Deus, na hora da morte, são lançados no mais profundo desespero. E os crentes que não alcançaram o devido conhecimento de Deus, na hora da morte, são igualmente tomados de medo, lamentando-se como aqueles que não têm esperança.

 
A Base Fundamental da Esperança Cristã.
 
            
A fé na morte substitutiva de Jesus Cristo e em sua ressurreição corpórea ao terceiro dia é a base sólida para alcançar a certeza da salvação: “Se, com tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”  (Rm.10:9). Salvação entende a nossa união indissolúvel com Jesus Cristo; uma união que nem a vida e nem a morte podem romper.
            
A morte não pode trazer terrores para aqueles que estão em Cristo Jesus, pois “A comunhão em glória, com Cristo, da qual os membros da Igreja invisível desfrutam imediatamente depois da morte, consiste em suas almas serem aperfeiçoadas em santidade e recebidas nos mais altos céus, onde contemplam a face de Deus em luz e glória, esperando a plena redenção de seus corpos, os quais, mesmo na morte, continuam unidos a Cristo, e descansam em suas sepulturas, como em seus leitos, até que no último dia sejam unidos novamente às almas” (Catecismo Maior, Resposta 86). Assim, no dia de seu retorno, como diz no texto de Tessalonicenses, Cristo “trará juntamente em sua companhia os que dormem” Naquele dia, mediante a ressurreição, estas almas serão novamente unidas a seus corpos ressurretos. Portanto, a morte não prejudica a total felicidade dos salvos.
            
Em seguida, o Apóstolo Paulo faz questão de citar a fonte de sua orientação escatológica. Não foi mediante uma nova revelação, foi a palavra do Senhor, aquela mesma confiada aos discípulos em  Mateus 24 e 25. Para Deus, não há acepção entre o seu povo. “De modo algum precederemos os que dormem”, ou seja, os que dormem não perdem nenhuma vantagem por causa da morte.
            
O Apóstolo passa agora a descrever a manifestação de Cristo em glória, a subseqüente ressurreição dos mortos e o arrebatamento dos vivos.
            
Talvez seja bom lembrar como Cristo descreveu este evento momentoso: “Porque assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no ocidente, assim há de ser a vinda do Filho de homem” (Mt. 24:27). Este evento será acompanhado pelas milícias dos anjos, com grande clangor de trombeta e com poder e muita glória (Mt. 24:31). O nosso texto cita três sons estrondosos: a) Cristo dará a sua “palavra de ordem”, convocando os mortos a saírem de seus túmulos; b) Em seguida, a voz do arcanjo, dando ordem aos anjos a começarem a obra de separação entre os ressurretos (Mt. 25:31-32); c) Finalmente, ressoada a trombeta de Deus, é proclamada a chegada do grande dia do Senhor.
            
É fácil perceber que, nesse instante, o Apóstolo Paulo, quando escreve aos Tessalonicenses, não se preocupa em apresentar todos os detalhes escatológicos. Ele não menciona o que acontecerá com os ressurretos que ficaram com Cristo nos ares; e também não fala nada acerca dos descrentes. A sua preocupação imediata é descrever a total felicidade dos salvos no dia da Segunda Vinda de Jesus Cristo. Assim, responde magistralmente a pergunta: O que acontece com os crentes que morrem antes da Segunda vinda de Cristo?
            
Logo após essas explicações, Paulo preenche as lacunas que deixou na primeira parte do texto. Nestes versículos, ele fala da total infelicidade dos ímpios (1Ts. 5:1-11). Observemos que o contexto é o mesmo.Veja os três lembretes nos Vs. 1-3: a) A Igreja já tinha recebido uma boa orientação quanto aos tempos escatológicos, por isso, não havia necessidade de maiores esclarecimentos,V.1. b) A Igreja já tinha plena consciência da  repentinidade do dia do Senhor. Seria como ladrão, sem qualquer aviso prévio, que entra para saquear a casa com grande alvoroço, V.2. c) A Igreja já estava instruída quanto ao procedimento do mundo secular. Seria caracterizado por pregações de “paz e segurança”, apanhando todos completamente despreparados. Naquele dia, por causa do juízo geral que acompanhará a manifestação de Cristo (2 Tm.4:1), ninguém escapará, os descrentes e desprevenidos experimentarão o peso da sentença máxima, a “penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor”,  e haverá um juízo geral, quando cada um, crente e descrente, receberá segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2 Co. 5:10; Hb. 9:27 ).
            
Por causa da apreensão que o juízo vindouro provoca, o Apóstolo encerra o assunto com duas palavras de orientação: a) Ele faz os crentes se lembrarem da grande distinção que existe entre o crente e o descrente. Os crentes já estão prevenidos quanto à repentinidade da Segunda Vinda de Cristo, e jamais serão apanhado de surpresa, como no caso dos descrentes. Os crentes são filhos da luz, filhos do dia, jamais serão apanhados andando nas trevas, como no caso dos descrentes. Os crentes vigiam a espiritualidade de suas vidas e andam com toda sobriedade; não são como os descrentes, que estão dispostos a desperdiçar o tempo com embriaguez e obras das trevas. Os crentes se preocupam em vestir-se da couraça de fé e amor e tomar como capacete a esperança da salvação para que o dia do Senhor não os apanhe de surpresa; os descrentes não se preocupam com tais valores espirituais e não percebem que “horrível cousa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb. 10:31). b) Ele faz os crentes se lembrarem dos únicos dois destinos na eternidade: o inferno, onde a ira de Deus arde interminavelmente; e o céu, onde as plenitudes da eterna salvação se manifestam incansavelmente. E, para consolar os crentes ainda mais, ele fala novamente da indissolubilidade da nossa união com Cristo, uma comunhão espiritual ratificada por decreto divino: “Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante nosso Senhor Jesus Cristo.”  
            
E, com os nossos corações já aquecidos com as verdades relacionadas à gloriosa vinda de Cristo, o Apóstolo exorta novamente: “Consolai-vos reciprocamente, como também estais fazendo.”
            
É bom falar fraternalmente sobre a nossa esperança escatológica. É bom deliberar sobre a Vinda de Cristo em glória, acompanhado pela milícia dos anjos e o grande clangor da trombeta. A ressurreição, a prova de que a morte não é o ponto final na experiência humana, enche o nosso coração de expectativas. A realidade do juízo geral, quando cada um receberá segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo, é muito séria. O encaminhamento de cada um para o seu respectivo lugar na eternidade é igualmente solene. Cristo disse que, naquele dia, os crentes ouvirão o convite “Vinde, benditos de meu Pai; entrai na posse do reino que os está preparado desde a fundação do mundo.” Mas qual será a palavra que os descrentes ouvirão? Será aquela sentença temível: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt.25:34,41).
            
Que Deus nos prepare de tal forma que este dia não nos apanhe de surpresa, antes, que estejamos prontos a dizer: “Vem, Senhor Jesus” (Ap.22:20).

VASOS DE HONRA E DE DESONRA



“Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, a bondade de Deus, se nela permaneceres; doutra sorte também tu serás cortado” (Rm. 11:22).

 Introdução:
              
Um dos aspectos mais difíceis da soberania de Deus é a questão da salvação de alguns e a perdição de outros. Devemos, antes de tudo, observar alguns princípios de suma importância.
            
A soberania de Deus é de tal forma intrínseca à sua Divindade que Ele não precisa prestar contas ou dar explicações a homem algum. Deus vive assentado sobre um alto e sublime trono (Is. 6:1), onde os próprios anjos são constrangidos a encobrirem os seus rostos diante de tamanha majestade; nós, a humanidade pecaminosa, vivemos no pó da terra. Devemos reconhecer a infinidade que separa o homem de seu Criador. Por causa da infinita superioridade da Pessoa de Deus, devemos nos humilhar e ficar calados diante das ações divinas que excedem a nossa compreensão. É muito atrevimento da nossa parte pensar que Deus nos deve explicações que o possam justificar.       
             
O termo bíblico que estabelece a nossa comunhão com Deus é Credulidade (fé); e a palavra que impossibilita esta comunhão é Incredulidade (falta de fé). Dentro dos propósitos de Deus, esta fé nasce pelo ouvir da Palavra de Deus (Rm. 10:17), por isso, o próprio Filho de Deus advertiu: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mt. 13:9). E, para enfatizar a importância do ouvir, o escritor aos Hebreus observou:
             
Porque também a nós foram anunciadas as boas novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé, naqueles que a ouviram” (Hb. 4:2).
            
Como no caso de Israel, é possível ser cercado por privilégios espirituais mas, por falta de fé individual, perder tudo. Não há nada que possa substituir uma fé pessoal. Todos os propósitos que Deus preparou para a salvação estão revelados nas Escrituras Sagradas; quando estas são rejeitadas, não há nenhuma outra possibilidade de salvação. Pecadores são salvos mediante a fé em Jesus Cristo, quando Ele é rejeitado, não há outro meio para alcançar essa graça. A ordem é esta: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa” (At.16:31).
            
Em Romanos 9:6-24, o Apóstolo Paulo aborda o problema da rejeição de Israel e o reconhecimento dos gentios. Está implícito em seu argumento o por quê da salvação de alguns pecadores e a rejeição dos demais. Portanto, não podemos negligenciar esse assunto, que é de suma importância para cada um de nós, pois envolve a salvação de nossas vidas.
1. A Soberania e as Promessas de Deus.
            
De todas as nações do mundo, os israelitas foram os mais privilegiados: “Pertence-lhes a adoção, e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas” e, como coroa destes privilégios espirituais: “deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém” (Rm. 9:4-5). Mas, apesar destes privilégios e destas promessas, o Apóstolo Paulo registrou a sua grande tristeza, pois reconheceu a incredulidade e a conseqüente rejeição de Israel como uma nação privilegiada.
            
À semelhança de Israel, é possível pertencer à Igreja Cristã pelo batismo, ter contato com as Escrituras Sagradas e, ao mesmo tempo, ser rejeitado por Deus. Israel foi rejeitado por causa de “sua incredulidade”, mas, “se não permanecerem na incredulidade, serão enxertado.”  E para nós, os gentios, o que acontece se cairmos na incredulidade? A resposta do Apóstolo Paulo é decisiva: “Também, tu serás cortado” (Rm. 11:20-24).
            
As promessas de Deus nunca foram universais, nem para os próprios israelitas. As promessas de salvação pertencem exclusivamente aos “filhos da promessa” (Rm. 9:8). Salvação não é uma benção coletiva, é algo que pertence a indivíduos, pessoas escolhidas “segundo o beneplácito da vontade de Deus” (Ef. 1:5).
            
O Apóstolo Paulo toma os exemplos de eleição individual da História para demonstrar que “nem todos os de Israel são de fato Israelitas”; ou seja: “nem por serem descendentes de Abraão são todos os seus filhos” (Rm.9:6-7). Ismael era filho de Abraão, porém, não herdou nada de seu pai. Isaque, por ser filho da promessa, tornou-se herdeiro. Ismael é visto como filho da carne, porque nasceu segundo o poder da vontade humana; Isaque é visto como filho da promessa, porque nasceu segundo o poder da promessa de Deus.  As promessas de Deus pertencem exclusivamente aos filhos da promessa “os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo. 1:13).
            
Outro exemplo desta distinção que Deus estabelece entre os homens é o caso de Esaú e Jacó, gêmeos do mesmo pai, Isaque. Por que esta distinção? “Para que o propósito de Deus quanto à eleição prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama” (Rm. 9:11). Deus quer que entendamos claramente que a salvação não pode ser adquirida por obras ou méritos humanos, é uma dádiva de sua soberana intervenção, “para que ninguém se glorie” (Ef.2:9). Temos que aprender a deixar que Deus seja Deus. Soberania tem seus próprios caminhos e suas próprias razões.  
           
2. A Soberania e os Propósitos de Deus.
            
“Que diremos pois? Há injustiça da parte de Deus?” (Rm. 9:14) Muitos fazem objeção às distinções que a soberania de Deus estabelece entre os homens. Deus é acusado de ser injusto. O Apóstolo Paulo se sente tão indignado por causa do atrevimento desta acusação, que nem se preocupa em respondê-la. Ele se limita a reafirmar os direitos da soberania de Deus, citando textos do Antigo Testamento. Deus não tem nenhuma responsabilidade de ser misericordioso para com aqueles que se rebelam contra Ele (Sl. 5:10). Contudo, em sua soberania, Ele pode dizer: “Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão” (Rm. 9:15).  O pecador não pode usar de coerção para alcançar favores de Deus, por isso, Paulo acrescenta: “Assim, pois, não depende de quem quer, ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm. 9:16).
            
O pecador faz de tudo para despir de Deus os seus direitos de soberania. Mas quem é o pecador para questionar os propósitos de Deus? “Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro para desonra?” (Rm. 9:21) Os propósitos de Deus se realizam através do uso de vasos de honra e de vasos de desonra. Alguns vasos provocam a paciência de Deus e recebem o merecido castigo porque se rebelam contra seu soberano domínio; outros submetem-se à soberana direção de Deus e recebem a sua misericórdia. Porém, todos os vasos têm o seu lugar dentro dos eternos propósitos de Deus, seja Judas Iscariotes ou o Apóstolo Paulo.
     
A conclusão do Apóstolo Paulo é que, se Deus não agisse soberanamente entre os pecadores através da eleição individual, ninguém seria salvo. “Como Isaias já disse: Se o Senhor dos Exércitos não nos tivesse deixado descendência, ter-nos-íamos tornado como Sodoma e semelhantes a Gomorra” (Rm 9:29), destruídos pelo fogo da parte do Senhor.
            
Quando meditamos sobre a soberania de Deus, convém lembrar de dois textos bíblicos: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor (segundo o ensino das Escrituras), será salvo” (Rm. 10:13). “Eis que envergonhados e confundidos serão todos os que estão indignados contra o Senhor; serão reduzidos a nada, e os que contendem com o Senhor perecerão” (Is. 41:11).