Vasos de Honra

segunda-feira, 13 de junho de 2011

VOLIÇÃO (LIVRE ARBÍTRIO)



A doutrina do “Livre Arbítrio” procura responder a seguinte pergunta: O homem natural, que é morto em seus delitos e pecados (Ef. 2:1-3), cuja inclinação inata cogita somente as coisas da carne (Rm. 8:5-8), é por natureza escravo do pecado (Jo. 8:34). Sendo assim, será que ele é capaz, por mero ato de volição (escolha), evitar todas as formas de pecado, arrepender-se de suas transgressões e depositar sua fé em Jesus Cristo? A Teologia Reformada, baseada em textos tais como Jr.13:23; Jo.6:44; 8:34; Rm. 8:5-8; Ef. 2:1-10, entre outros, afirma que o homem não está disposto a fugir de sua tendência ao pecado, obedecer a Deus de forma aceitável, e refugiar-se em Jesus Cristo, até que seja regenerado e transformado pela soberana intervenção do Espírito Santo. Assim, o mérito humano é totalmente excluído e a soberana graça de Deus é reconhecida. A Bíblia insiste que somos salvos somente pela fé (sem obras meritórias), somente pela graça, uma soberana intervenção da parte de Deus, sem iniciativa ou esforço humano (Rm.3:28; 4:13-16;9:16; Ef. 2:8-9). Se atribuirmos poderes soberanos à volição humana, estaremos afirmando que é o homem quem contribui decisivamente para a sua salvação, e assim, efetivamente anulamos a glória de Deus (Is. 43:11-13).
 
           
1. Expandindo o Problema.
            
O termo “Livre Arbítrio” é uma designação infeliz, porque no pleno sentido da palavra, ninguém é realmente livre. Uma designação melhor seria “Volição Humana”. Por natureza, somos dependentes de Deus, sujeitos às legislações dEle. Embora seja possível, é pecado contrariar as determinações do nosso Criador. As nossas decisões, na realidade, não são espontaneamente livres, pois são resultantes de influências externas sobre a nossa volição, tais como: informações recebidas, circunstâncias que provocam reações, pressões sociais, o nosso estado emocional, necessidades físicas, etc. As nossas decisões sempre refletem a nossa disposição em um dado momento.

2. Explicando a Volição.
            
Podemos dizer que Volição é a capacidade de escolher entre opções. Deus nos deu o dom de sermos criaturas responsáveis e capazes de prestar contas pelas nossas decisões. Quando Deus faz seus apelos aos homens, Ele sempre faz referência à nossa capacidade de escolher. As leis da sociedade existem porque reconhecem a volição humana.
            
Esta volição humana é livre, no sentido que não é forçada nem para o bem nem para o mal. O homem sempre age de acordo com seus próprios desejos em um dado momento. Enfim, ele pode escolher entre opções. As escolhas do homem não são determinadas por qualquer necessidade absoluta de sua natureza. Cobiças existem, porém, não podem obrigar o homem a satisfazê-las. O homem tem de reagir responsavelmente.
            
O estado de Adão antes de corromper suas faculdades pelo pecado da desobediência era de inocência. Ele tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que era bom e agradável a Deus. Ele não foi criado com nenhuma deficiência moral. A sua decisão representativa podia ter sido diferente; ele tinha o poder para curvar-se diante da vontade revelada de Deus. Mas, por ser o representante universal de toda a sua descendência, a sua capacidade de escolha não foi previamente programada e feita imutável; ele tinha também o poder de desobedecer à vontade de Deus.
            
Quando Adão pecou, ele e toda a sua descendência perderam inteiramente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanha a salvação. O pecador, além de não querer a vontade de Deus, é incapaz de, pelo seu próprio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso. Por não ter mais o poder e nem o querer para buscar e praticar a vontade de Deus, o homem tornou-se autocentrado, buscando e praticando somente a sua própria vontade.
            
Somente pela regeneração (obra do Espírito Santo), o homem pode ser liberto de sua natural escravidão do pecado. O Espírito Santo atua sobre as suas faculdades determinativas de tal forma que o homem recebe “o poder de querer” a vontade de Deus em sua vida.
            
Todavia, por causa da corrupção ainda existente no homem, ele não faz o bem perfeitamente, nem deseja somente o que é bom, mas também o que é mau. Contudo, a nossa plena convicção é esta: “Aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fl. 1:6). O Espírito Santo levará o homem gradativamente à verdadeira santidade.
            
É somente depois da morte que a vontade do redimido torna-se perfeita e imutavelmente livre unicamente para o bem. Naquele dia seremos aperfeiçoados definitivamente.Como anelamos o dia quando nunca mais teremos de viver a opressão de decisões infelizes! A nossa oração é esta: “Ensina-me, Senhor, o teu caminho; dispõe-me o coração para só temer o teu nome” (Sl. 86:11).

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