Vasos de Honra

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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O CUIDADO DO SENHOR



Versículo Bíblico: “De Benjamim disse: O Amado do Senhor habitará seguro com ele; todo dia o Senhor o protegerá, e ele descansará nos seus braços”, Deut. 33:12. 

Introdução: Quem são esses “amados do Senhor”? Não pode ser cada pessoa nascida de mulher, pelo simples fato de existir duas classes, bem dessemelhantes. A diferença é tal como o branco e o preto, o dia e a noite. Não existe uma classe neutra, nem clara e nem escura. A diferença é moral e espiritual. Alguns amam e servem a Deus, enquanto outros o rejeitam e servem os seus próprios interesses. 
Esses amados do Senhor são designados como: “raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamarem as virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; os que antes, não eram povo, mas, agora, são povo de Deus; que não tinham alcançado misericórdia, mas, agora, alcançaram misericórdia”, 1 Pe.2:9-10. A diferença entre as duas classes é um fato bíblico, porque os amados do Senhor são aqueles que foram separados “antes da fundação do mundo, para serem santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor os predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade”,  Ef.1:4-5. A prova desse beneplácito tem este selo: “E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba Pai!”. Esse clamor é o nosso reconhecimento da nossa adoção e a paternidade de Deus. Ele é o nosso Pai que está nos céus. Somos os amados do Senhor por causa da mediação de Jesus Cristo e o que Ele fez, a fim de sermos adotados como filhos. Sem Ele, estaríamos ainda “mortos em nossos delitos e pecados”, Ef.2:1. Agora, vamos meditar sobre o cuidado que o Senhor tem para com esse povo amado.

1.Um Cuidado Seleto: “O amado do Senhor habitará seguro com ele”. Esse cuidado é seleto, é especial. Embora o cuidado do Senhor se estenda para toda a  humanidade pela graça comum, no sentido de que Deus “não deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos bênçãos do céu, chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e alegria”, At.14:17. Contudo, no meio dessas bênçãos comuns, não se encontram as dádivas da salvação; elas pertencem, exclusivamente, aos amados do Senhor, aos que crêem no seu nome.

O amado do Senhor recebe um cuidado seleto, um cuidado diferenciado. Ele é  guardado pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo, 1Pe.1:15. O descrente não tem essa distinção, antes,  ele é abandonado para andar “segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência”,  Ef.2:2. Mas o amado do Senhor não é abençoado sem a sua participação consciente; ele tem que estar “com o Senhor”, em plena comunhão espiritual com Ele. Mas, como ele pode alcançar essa comunhão? Cristo disse : “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele”, Jo.14:21. E, como podemos conhecer esses mandamentos que revelam o amor do Pai e do seu Filho Jesus Cristo? A resposta é uma só: através da leitura diária das Escrituras Sagradas e com a oração entregando a nossa  vida aos cuidados do Senhor. O salmista pedia:  “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei”, acrescentando: “Com efeito, os teus testemunhos são o meu prazer, são os meus conselheiros”, Sl.119:18,24. Dessa maneira, a benção do Senhor repousará sobre nós, os seus amados; e, cresceremos na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, 2 Pe.3:18.

O que mais podemos dizer sobre a preferência que os amados do Senhor experimentam? Certamente, a evidência da nossa salvação eterna não pode ser esquecida. E, devemos lembrar que ela é inteiramente devida à graça e misericórdia de Deus: “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque  Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação e fé na verdade, para que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória do nosso Senhor Jesus Cristo”, 2 Ts. 2:13-14. Sim, devemos sempre dar graças ao Senhor, porque somos aqueles amados que ele mesmo escolheu. Que possamos andar de modo digno da nossa vocação, Ef. 4:1. 

2. Um Cuidado Seguro: O amado do Senhor tem esta promessa: “Todo o dia o Senhor o protegerá.” Qual é a extensão dessa proteção? Não apenas cada dia, mas, sim, durante o dia inteiro. Precisamos desse cuidado constante, porque podemos ser surpreendidos a qualquer momento numa intriga espiritual que tem reflexos morais. Mas a promessa é esta: “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus”, Fp.4:7 Precisamos dessa proteção a cada instante! Muitas das nossas lutas espirituais não são com poderes externos, antes, acontecem dentro do nosso coração e da nossa mente; desejos conflituosos. Qual é a natureza dessas intrigas espirituais? Devemos sempre nos lembrar deste alerta: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar”. Mas ele tem que ser resistido, 1Pe.5:7-8. Como? Eis a resposta: “Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo, porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim, contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.” Essa armadura é composta de oito itens essenciais: 1° Cingindo-nos com as verdades das Escrituras Sagradas. Temos que conhecê-las e praticar os seus ensinos. 2° Vestindo-nos da justiça de Jesus Cristo, que Ele adquiriu por nós mediante a sua obediência imaculada à lei de Deus. 3° O nosso procedimento deve ser caracterizado com o evangelho da paz, paz com Deus e com o nosso próximo. 4° Embraçando a fé na providência de Deus, através da qual podemos apagar todos os dardos inflamados do Maligno; dardos que carregam o veneno de pensamentos pecaminosos. 5° A importância da certeza da nossa salvação, podendo dizer: “E, de fato, somos filhos de Deus”, 1Jo 3:1, uma convicção que alcançamos quando estamos alicerçados na obra redentora de Jesus Cristo. 6° Temos que saber como usar a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus. Satanás não tem como resistir quando o refutamos com: “ Assim diz o Senhor”, ou, “Está escrito”. Cristo venceu declarando seu compromisso com as Escrituras, Mt. 4:1-11. 7° A oração e a súplica, direcionadas pelo Espírito Santo, que nos faz pedir segundo a vontade de Deus. Dessa maneira, seremos ouvidos, 1 Jo5:14. 8° Vigiando com perseverança, cuidando da nossa vida espiritual e a dos nossos irmãos, com as nossas súplicas. É importante estudar Efésios 6:10-18.

Temos que reconhecer o poder dessas intrigas espirituais. Temos que resistir à tendência de ficarmos frios e desanimados com esse assédio incansável do nosso adversário, cujo propósito é assolar a nossa firmeza em Cristo; mas, vestidos de toda a armadura de Deus, com esses oito itens já apresentados, seremos mais que vencedores. E, finalmente, temos que recusar os convites do mundo secular, a fascinação da segurança social a qualquer preço, pois essa tendência pode prejudicar a nossa vida espiritual, uma perda cara demais. Para terminar este ponto com uma verdade positiva: os amados do Senhor são protegidos com um cuidado seguro, todo o dia, pois Ele é o nosso Salvador.

3.Um Cuidado Sereno: O amado do Senhor “descansará nos seus braços”. Cristo podia declarar: “As minhas  ovelhas ouvem a minha voz, elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão”,  Jo. 10:27-28. Nesses dois versículos, observe como Jesus elogia o seu povo: As minhas ovelhas, quando ouvem a minha voz, me obedecem. Agora, veja como Cristo serena os seus seguidores. Cuido de cada um, e ninguém os tirará da minha proteção. De fato, o amado do Senhor  pode descansar em seus braços. E, para enfatizar com maior intensidade esse cuidado, Cristo acrescentou no versículo 29: “Aquilo que meu Pai me deu (essas ovelhas) é maior do que tudo (as ovelhas são os tesouros mais valiosos, por causa do preço da sua redenção, por isso) da mão do meu Pai ninguém pode arrebatar”. Com essas verdades, entendemos como os amados do Senhor podem “ descansar nos seus braços”.

Voltamos para meditar mais demoradamente sobre os dois versículos de João 10:27-28. O que essas ovelhas, que o Pai entregou a seu Filho, precisam ouvir para seguir a Jesus Cristo? Deus chama o seu povo mediante uma mensagem específica: “A palavra da verdade, o evangelho da sua salvação”, Ef. 1:13. Reconhecemos que esse chamado, ou “vocação eficaz provém unicamente da livre e especial graça de Deus, e não de qualquer coisa prevista no homem.” Qual é a reação da pessoa que recebe esse chamado eficaz? A resposta deve ser entendida desta maneira: “Nesta vocação, o homem é inteiramente passivo, até que, vivificado e renovado pelo Espírito Santo, fica habilitado a responder a ela e a receber a graça nela oferecida e comunicada.” Sem essa vivificação pelo Espírito Santo, o homem jamais seguiria a doce voz de Jesus. Mas a prova de que temos ouvido o evangelho eficaz e salvificamente é que vimos “mui livremente, sendo por isso dispostos pela sua graça”, Con. de Fé, Cap.10. E, agora, feitos “sábios para a salvação pela fé em Jesus Cristo”, o Salvador se dirige às suas ovelhas, dizendo: “E ninguém as arrebatará da minha mão”. Ouvimos o evangelho e passamos a seguir a Jesus Cristo, que fala ao nosso coração, dizendo: A sua salvação está garantida, porque ninguém pode te arrebatar da minha mão. Aqui, a mão simboliza seu grande poder, pois Ele “pode salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre a interceder por eles”, Hb 7:25. 

Os amados do Senhor são um povo que habitará seguro com Ele, “ todo o dia o Senhor o protegerá e ele descansará nos seus braços.” Aqui temos um cuidado seleto, seguro e sereno, o que mais poderíamos desejar?

Conclusão: O Apóstolo João comentou: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus, e, de fato, somos filhos de Deus”, 1 Jo. 3:1. Sim, somos os amados do Senhor. Que cada um de nós possamos viver, conscientemente, como na presença de Deus, honrando o privilégio de sermos conhecidos como os amados do Senhor. Amém!



domingo, 16 de julho de 2017

FILIPE E O EUNUCO




Leitura Bíblica: Atos 8:26-40

Introdução:  Vamos recordar, por um momento, o que aconteceu naquele Dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo foi derramado, de acordo com a profecia do profeta Joel, (At. 2:16). Enquanto o Ap. Pedro explicava as Escrituras, o Espírito Santo estava agindo poderosamente, convencendo os seus ouvintes de seus pecados, (At. 2:37). Naquele dia, quase três mil pessoas se converteram e passaram a crer que o conhecido Jesus, crucificado, morto e ressuscitado, foi, de fato, o prometido Cristo. Qual foi a disposição desses recém-convertidos? “Louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor dia a dia os que iam sendo salvos” (At. 2:47).

Mas, dessa cena de alegria no Senhor, houve, de repente, uma mudança dramática. Os inimigos do povo de Deus reagiam com uma violência assustadora. “Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a Igreja em Jerusalém (onde o Espírito Santo fora derramado, dando início à necessária obra de regeneração entre os povos); e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria” (At. 8:1).  

Devemos fazer uma pergunta séria: Por que o Senhor permitiu essa perseguição que causou tanto sofrimento aos recém-convertidos? É um recurso que Deus usou a fim de ensinar ao seu povo lições essenciais. Ele fez Israel passar por necessidades para sondar seus corações: “Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos. Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor viverá o homem” (Dt. 8:2-3).  Agora, podemos fazer uma segunda pergunta importante: Qual foi a lição que a Igreja primitiva tinha que aprender? Ela, em sua grande alegria e conforto espiritual em Jerusalém, estava se esquecendo das últimas palavras de Cristo: “Sereis as minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra” (At. 1:8). Por causa dessa perseguição, a Igreja se achou nas “regiões da Judéia e Samaria ... pregando a palavra” (At.8:1,4). Por causa dessa dispersão, também, Felipe recebeu a oportunidade abençoada para evangelizar o eunuco e vê-lo convertido e “seguindo o seu caminho, cheio de júbilo”. Por que esse júbilo? Porque, agora, tinha entendido o sentido das Escrituras e tinha crido, de todo o coração, que “Jesus Cristo é o Filho de Deus” (At. 8:37).  Vamos prosseguir e entender as circunstâncias desse encontro de Felipe com o eunuco.

1. A Disponibilidade do Eunuco.  Quem era esse homem que Deus separou para revelar-lhe o seu amor? Ele era “alto oficial de Candace, rainha dos etíopes, superintendente de todo o seu tesouro, que viera adorar em Jerusalém”. O que mais podemos dizer? Por ser etíope, ele era negro e desprezado pelos judeus; porém, não por Deus. Esse eunuco foi o cumprimento de uma das mais preciosas profecias do Antigo Testamento; uma verdade que a Igreja tinha que reconhecer e aceitar. Na reunião especial dos apóstolos e presbíteros em Jerusalém: “Havendo grande debate, Pedro tomou a palavra e lhes disse: Irmãos, vós sabeis que, desde há muito, Deus me escolheu dentre vós para que, por meu intermédio, ouvissem os gentios a palavra do evangelho e cressem. Ora, Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, concedendo o Espírito Santo a eles, como também a nós (os judeus) nos concedera. E não estabeleceu distinção alguma entre nós (os judeus) e eles (os gentios), purificando-lhes pela fé o coração. Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos (a necessidade da circuncisão) um jugo que nem nossos pais puderam suportar, nem nós? Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram” (At. 15:7-11). Como é bom entender: “Dessarte, não pode haver judeu, nem grego; nem escravo, nem liberto; nem homem, nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa” (Gl. 3:28-29).

Como é que esse eunuco, um gentio, chegou a ter interesse no culto ao Deus verdadeiro? Não sabemos nada sobre a vida anterior desse homem, mas a Bíblia nos oferece a melhor e a mais segura resposta. Deus, em toda a sua soberania, responde: “Fui achado pelos que não me procuravam, revelei-me aos que não perguntavam por mim” (Rm. 10:20). De uma maneira misteriosa, o Espírito Santo começou a despertar a consciência desse eunuco. Como oficial de uma país, talvez tivesse oportunidade para viajar e visitar outros países à procura de negócios. Nessas andanças, ele conheceu outras culturas e religiões, inclusive a dos judeus e o seu modo diferente de praticar a sua crença. Pela ação do Espírito Santo, o seu interesse foi despertado. Não sabemos nada sobre o processo da sua experiência espiritual, mas ele reconheceu a verdade do Deus cultuado pelos judeus e começou a “adorar em Jerusalém”. O próximo passo do Espírito Santo foi colocar uma porção das Escrituras Sagradas em suas mãos. O Espírito Santo lhe deu o Livro de Isaías, e ele começou a ler por si mesmo a Palavra de Deus. Encontramos com ele voltando para o seu país, “assentando no carro, vinha lendo o profeta Isaías”. Esse é sempre o costume do Espírito Santo, que vivifica o interessado para ouvir e ler as Escrituras, porque “a fé vem pela pregação, e a pregação pela palavra de Cristo” (Rm. 10:17). As pessoas em “Beréia eram mais nobres que os Tessalônicos; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim. Com isso, muitos deles creram, mulheres gregas de alta posição e não poucos homens” (At. 17:11-12). Por isso, o Espírito Santo insiste em colocar a Palavra de Deus nas mãos daqueles que estão recebendo o seu ministério vivificador. Agora, estamos prontos para ouvir mais sobre o poder da Palavra de Deus na vida do eunuco. Ele estava com dificuldades para entender a parte que estava lendo; mas o Espírito Santo lhe enviou um homem que o ajudou a entender a palavra profética.

2. A Disponibilidade de Filipe. Filipe foi um dos sete homens escolhidos para servir a Deus como diácono na Igreja em Jerusalém. Esses homens tinham uma boa reputação entre o povo e foram escolhidos como cristãos cheios do Espírito Santo e de sabedoria, (At. 6:3). Agora, por causa da perseguição, todos fugiram, deixando para trás os seus bens, a fim de se salvar, pois esse encalço já fechara muitos fiéis nas prisões, enquanto outros tinham sido assassinados, (At. 26:10). Embora a perseguição possa causar muito sofrimento, ela não tem poder para prejudicar a fé daqueles que estão “arraigados e alicerçados” em Jesus Cristo; e, como prova, vemos Filipe, agora em Samaria, ainda cheio do Espírito Santo, pregando o Evangelho com um poder extraordinário: “Pois os espíritos imundos de muitas pessoas saíram gritando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos foram curados. E houve grande alegria naquela cidade” (At. 8:7-8).

Enquanto estava realizando um trabalho intenso, onde o Senhor estava visitando muitas pessoas com bênçãos especiais, “um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Dispõe-te e vai para o lado sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza; este se acha deserto. Ele se levantou e foi”. Para esse homem de Deus, não foi difícil deixar um trabalho movimentado e abençoado, porque ele tinha uma prioridade em sua vida: obediência a Deus, sem se preocupar com circunstâncias. Não sabemos quais foram os pensamentos íntimos desse servo de Deus, indo para um lugar desértico; deixando as multidões aos cuidados de Deus. Filipe tinha a mesma disposição do patriarca: “Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia” (Hb. 11:8). A Bíblia dá muita ênfase sobre a importância da obediência. Por sermos regenerados pelo Espírito Santo, somos reconhecidos como “filhos da obediência” (1Pe. 1:14). Por causa de seu compromisso para obedecer a Deus em tudo, Pedro e os demais apóstolos recusaram obedecer à determinação do Sinédrio, o tribunal mais importante em Israel, confessando: “Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens” (At. 5:29). E, qual foi o preço desse ato de desobediência à lei? Eles foram açoitados, as autoridades repetindo a advertência para não falarem mais em nome do Senhor Jesus Cristo. Mas, será que eles ficaram intimidados, depois de serem açoitados? Não, de forma alguma. “E eles se retiraram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome. E, todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e pregar Jesus Cristo” (At. 5:40-42). Somente depois de obedecer a Deus é que entenderemos os seus propósitos de dar ordens a seus servos. Filipe obedeceu à ordem e foi para o lugar indicado, e, lá, encontrou com o eunuco, sedento para ouvir a explicação do texto que estava lendo. Cremos que Filipe foi o homem mais indicado para essa missão, pois estava cheio do Espírito Santo e de sabedoria.

3. A Disponibilidade do Eleito. Filipe, em obediência à palavra do Senhor, logo se achou no caminho indicado pelo anjo, e, evidentemente, no mesmo momento, o carro do eunuco apareceu, andando a passo fácil, porque Filipe não apenas podia acompanhar o carro, mas, também, podia ouvir o que o eunuco estava lendo. Talvez Filipe tivesse concluído: Agora estou entendendo por quê o Senhor me enviou a esse lugar. É mais uma oportunidade para pregar Jesus Cristo e este crucificado.

Novamente, seguindo a direção do Espírito Santo, Filipe ouviu a ordem: “Aproxima-te desse carro e acompanha-o”. E o texto continua descrevendo a obediência desse servo de Deus: “Correndo Filipe, ouviu-o ler o profeta Isaías e perguntou: Compreendes o que vens lendo?” E, com uma certa perplexidade, o eunuco respondeu: “Como poderei entender se alguém não me explicar?”. Agora, vamos dar uma pausa por um momento a fim de refletir sobre a soberania de Deus e como Ele tem acesso à consciência e à vontade de qualquer pessoa. Por que o eunuco, um alto oficial de uma rainha, convidou um estranho que, por acaso, encontrou numa estrada solitária, “a subir e a sentar-se junto a ele?” O Espírito Santo estava agindo, fazendo com que o eunuco entendesse que Filipe era um servo de Deus enviado por Ele. E, com essa convicção, estava pronto para ouvir a explicação de Filipe.
“Ora, a passagem da Escritura que estava lendo era esta: Foi levado como ovelha ao matadouro; e, como um cordeiro mudo perante o seu tosquiador, assim ele não abriu a boca. Na sua humilhação, lhe negaram justiça; quem lhe poderá descrever a geração? Porque da terra a sua vida é tirada”. Eis a dificuldade do eunuco: “Peço-te que me expliques a quem se refere o profeta. Fala de si mesmo ou de algum outro? Que momento propício para pregar o evangelho de Jesus Cristo e este crucificado!

“Então, Felipe explicou; e começando por esta passagem da Escritura, anunciou-lhe Jesus”. Não temos o registro da sua explicação; porém, seguindo o texto de Isaías, podemos sugerir três temas: A) Filipe identificou o Sofredor no texto como Jesus Cristo, O filho de Deus, “que é o resplendor da glória e a expressão exata de seu Ser” (Hb. 1:3). Assim, Jesus Cristo foi Deus, “manifestado na carne”, (1Tm. 3:16). “Emanuel, que quer dizer: Deus conosco”, (Mt. 1:23). B) Filipe explicou o sofrimento de Cristo em termos de sacrifício, como oferta a Deus, (Ef. 5:2). “Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito”, isto é, ressuscitado dentro os mortos, (1Pe. 3:18). C) Filipe enfatizou a necessidade de crer nessas verdades, testemunhar delas, e consagrar a sua vida à obediência. Cristo disse: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele” (Jo. 14:21).

A certa altura, o eunuco sentiu a necessidade de ser identificado com o povo de Deus, por isso perguntou: “Eis aqui água; que impede que seja eu batizado? Filipe respondeu: É licito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o filho de Deus”. E, logo depois do ato do batismo, “o Espírito do Senhor arrebatou Filipe, não vendo mais o eunuco; e este foi seguindo o seu caminho, cheio de júbilo”. Não sabemos mais a respeito do eunuco, mas quanto ao seu futuro e permanência na fé, confessamos junto com o Ap. Paulo: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus” (Fp.1:6). 

Conclusão: A história do eunuco está sendo repetida constantemente na vida de muitas outras pessoas. De uma maneira misteriosa, o Espírito Santo desperta a consciência de seu povo escolhido para buscar, através das Escrituras, a verdade que saciará a sua necessidade espiritual. E, se tiver alguma dificuldade para entender o plano da salvação, o mesmo Espírito Santo providenciará uma pessoa fiel para lhe conduzir à certeza da salvação pela fé em Jesus Cristo. Devemos orar para que mais pessoas sejam atraídas a Jesus Cristo, pois, “nele temos a redenção pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça”. Amém.

sexta-feira, 31 de março de 2017

O SANGUE PRECIOSO



Leitura Bíblica: 1Pedro 1:17-21.

Introdução: “O salário do pecado é a morte”. No momento em que o pecado entrou na vida do homem, ele instantaneamente perdeu todas as evidências de uma vida espiritual diante de Deus, o seu Criador. Em palavras bíblicas, estamos “mortos nos nossos delitos e pecados” (Ef. 2:1). E, para demonstrar a natureza imediata dessa morte espiritual de Adão e Eva, o Senhor Deus os “lançou fora do jardim do Éden”, ou seja, da sua presença, (Gn 3:23).O profeta descreve a realidade desse ato, dizendo: “Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” (Is. 59:2).

Mas, antes de expulsar Adão e Eva, o Senhor lhes deu duas promessas preciosas para alimentar as suas esperanças de uma redenção. A primeira se refere a Um que feriria a cabeça de Satanás; que resolveria o problema do pecado, (Gn. 3:15). A segunda foi uma alusão à maneira como o pecado seria encoberto, seria mediante uma morte substitutiva, (Gn. 3:2). Portanto, cremos que, desde o primeiro pecado, houve o derramamento de sangue inocente, a fim de encobrir o pecado do homem. No início, como uma forma de instrução, o sangue de animais escolhidos foi usado; porém, “é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecado” (Hb. 10:4). O povo tinha que aguardar o derramamento de um sangue superior, o sangue do Filho de Deus, Jesus Cristo, (Hb. 10:12). Vamos contemplar e valorizar o sangue precioso de Jesus Cristo.

1. A Proeminência do Sangue. Queremos salientar o valor inestimável do sangue de Jesus Cristo. O valor excede qualquer objeto material deste mundo. Prata e ouro não têm valor nenhum, no sentido de que, por eles, o homem não pode adquirir o perdão de seus pecados. Por quê? “Ao irmão, verdadeiramente, ninguém o pode remir, nem pagar por ele a Deus o seu resgate, pois a redenção da alma deles é caríssima”, um preço fora de qualquer possibilidade humana, (Sl. 49:7-8). Então, como pode o pecador ser perdoado? Há uma única resposta: Sangue tem que ser derramado; e não qualquer sangue: tem que ser o sangue que Deus providencia. Não pode ser o sangue de animais, “porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecado” (Hb. 10:4). Tem que ser sangue humano. Por quê? Porque foi o homem que pecou, portanto, é o homem que tem que sofrer o castigo da sua desobediência. Mas, onde está o homem que pode suportar esse castigo e vencer? Pois o salário do pecado é a morte, separação de Deus. Nesse contexto, a fim de resolver esse impasse, Deus deu o seu próprio Filho que se fez homem, “nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl. 4:4-5). Cristo é a providência de Deus para nós, os pecadores. Falando de Cristo, a Bíblia explica: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. (2Co. 5:21). O sangue escolhido por Deus, o do seu próprio Filho imaculado, é tão importante, porque sem o derramamento deste, não há como receber o perdão, (Hb. 10:22).

Em outras religiões, o sangue tem seu lugar, mas por ser um sangue estranho e não indicado por Deus, não tem nenhum valor para remover pecados. Temos que confiar no que Deus providenciou, aquele de seu Filho, Jesus Cristo. O Ap. Pedro falou: “do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram”. Uma dessas futilidades é a celebração da Missa na Igreja Católica Romana, que é um sacrifício incruento (sem o derramamento de sangue), praticado a fim de perdoar os pecados dos penitentes. Qual o problema nesse ato? De necessidade, está anulando o que Cristo sofreu na cruz do Calvário, e desprezando o ensino definitivo das Escrituras Sagradas, que exaltam a suficiência do sacrifício de Jesus Cristo. “Porque com uma única oferta (Jesus Cristo) aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados” (Hb. 10:14). Não devemos confiar no “fútil procedimento que nossos pais nos legaram”, antes, temos que  ouvir a voz de Deus que fala a nós através das Escrituras Sagradas. Somos encorajados: “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne” (Hb. 10:19-20). A nossa confiança espiritual tem que ser  alicerçada na autoridade infalível do que a Bíblia diz: “Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de Deus” (1Pe. 4:11).

Mas, por que tanta ênfase sobre a necessidade de sangue derramado? “Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que  fará expiação em virtude da vida” (Lv. 17:11). No Antigo Testamento, o Dia da Expiação consistia no derramamento do sangue de um animal, a fim de que, cerimonialmente, pudesse remover os pecados dos adoradores e purificá-los, (Lv. 16:30). Agora, no Novo Testamento, Cristo fez uma expiação verdadeira e eficaz: “Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção” (Hb. 9:11). Ele removeu os nossos pecados e nos concedeu uma verdadeira purificação. “O sangue de Jesus, o Filho de Deus, nos purifica de todo pecado” (1Jo. 1:7). Devemos lembrar: Deus deu o sangue de seu Filho para expiar os nossos pecados. Se não aceitamos esse meio, não resta nenhum outro recurso pelo qual podemos ser perdoados. Portanto, vamos dar o devido valor ao sangue precioso de Jesus Cristo.

2. A Proveniência do Sangue: Queremos salientar a Pessoa que nos amou e deu o seu sangue, a fim de libertar-nos do nosso pecado, (Ap.1:5). A iniciativa da nossa redenção foi da Divindade: do Pai, do Filho e do Espírito Santo, cada um agindo de acordo com a sua atribuição específica. É importante reconhecer a interação das três Pessoas da Divindade na vida da Igreja. “O Pai ama o Filho, e todas as coisas têm confiado às suas mãos” (Jo.3:35). E lhe deu um povo para que este fosse salvo por Ele. Com essa responsabilidade, Cristo prometeu: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo. 6:30). Ele ama esse povo, por isso, deu a sua vida. Assim, em Cristo, “temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7).  Foi o Espírito Santo que deu forças a Cristo para “a si mesmo se oferecer sem mácula a Deus” (Hb. 9:14). E, para nós,  os redimidos, o Espírito Santo foi enviado para nos ensinar todas as verdades referentes ao ensino de Jesus Cristo (Jo. 14:26).

Quando Adão e Eva pecaram, foi Deus que tomou a iniciativa de cobrir a nudez deles. Como? Embora a Bíblia não nos ofereça detalhes específicos, é evidente que o sangue de um animal foi derramado, porque a Bíblia afirma: “Fez o Senhor Deus vestimentas de peles para Adão e a sua mulher e os vestiu” (Gn. 3:21). E, para a nossa salvação, novamente, foi Deus o Pai que tomou a iniciativa: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo. 4:10). A palavra “propiciação” significa “encobrir o pecado”. Quando Deus encobriu a nudez de Adão e Eva com a  pele de um animal sacrificado, Ele estava ensinando, profeticamente, como Ele iria encobrir o pecado de seu povo. Seria mediante a morte substitutiva de seu próprio Filho, Jesus Cristo. “Ele é a propiciação pelos nossos pecados” (1Jo. 2:2). É Ele que encobre os nossos pecados para que, no Dia do Juízo, eles não estejam evidentes. Por isso, protegidos por Jesus Cristo, o Juiz pode nos declarar inocentes e justificados. Novamente, é Deus que agiu em nosso favor: “Eu, eu mesmo (o Senhor), sou o que apago as vossas transgressões por amor de mim e dos teus pecados não me lembro” (Is. 43:25). Somos totalmente dependentes das virtudes de Jesus Cristo para alcançar o perdão dos pecados e a vida eterna. Nesse contexto, somos exortados: “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” (Rm. 13:14). O grande anseio do Ap. Paulo foi “ser achado em Cristo (vestido dele), não tendo justiça própria” (não tendo nenhum mérito pessoal), antes, totalmente vestido e coberto por seu Salvador, o seu Propiciador, (Fp. 3:9).

Por que a exclusividade de Cristo para nos salvar? Por sermos pecadores e endividados por causa dos nossos pecados, nós mesmos não podemos pagar, por esforços próprios, essa dívida, e muito menos a dívida de outros. Somos dependentes de um Resgatador que não tem nenhuma dívida diante da santa lei de Deus. E existe um só que não pecou, Jesus Cristo, “o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca” (1Pe. 2:22). Como no Antigo Testamento, o cordeiro a ser sacrificado tinha que ser “sem defeito”, simbolizando a Pessoa de Jesus Cristo, o “Cordeiro de Deus”, que “nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef. 5:2). O Ap. Pedro, usando o simbolismo do Antigo Testamento, ensina que fomos resgatados “pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo”. Exaltamos a Cristo, cantando: “O sangue precioso de Cristo tem valor: das penas da justiça, liberta o pecador” (HCN,50).

3. A Proficiência do Sangue. Queremos salientar a suficiência do sangue de Cristo para nos abençoar “com toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais” (Ef. 1:3). O Apóstolo destaca cinco destas bênçãos que recebemos por meio de Jesus Cristo:

1)      O valor do sangue de Cristo foi reconhecido desde a eternidade. “Conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo”. Conhecido, porque, no conselho da Divindade, o derramamento do sangue de Cristo foi parte do plano para redimir o homem pecador. Essa verdade foi parcialmente revelada, simbolicamente, mediante o sofrimento e sacrifício de animais inocentes. Quando a Bíblia fala sobre o sofrimento e morte de Cristo, ela está se referindo aos sacrifícios do Antigo Testamento. Por isso, o Ap. Pedro podia acusar as autoridades judaicas: “Vós matastes o autor da vida (...) mas Deus, assim, cumpriu o que dantes anunciara por boca de todos os profetas; que o seu Cristo havia de padecer” (At. 3:15,18). Contudo, a plenitude dessa verdade ficou entendida somente depois  da vinda, morte e ressurreição de Jesus Cristo: “manifestado no fim dos tempos, por amor de vós”. Assim, entendemos que os fiéis do Antigo Testamento foram salvos pelo mesmo recurso de nós: fé na morte substitutiva de Jesus Cristo. Eles, pela fé, olharam para o futuro cumprimento das promessas proféticas; enquanto que, nós, pela fé, olhamos para a obra consumada de Jesus Cristo, que “morreu pelos nossos pecados” (1Co. 15:3).
2)      Cristo é a manifestação do amor de Deus para conosco. Notemos a importância  do sangue, e, como, por meio deste, a porta se abriu, dando aos pecadores acesso à presença de Deus. “Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo” (Ef. 2:13).
3)      Por meio de Cristo, temos fé em Deus. O pecador não conhece a Pessoa de Deus; “não há quem entenda, não há quem busque a Deus” (Rm. 3:11). Se não fosse a obra reveladora de Cristo, o pecado teria permanecido “sem esperança e sem Deus no mundo” (Ef. 2:12). Mas tudo mudou com a encarnação de Cristo. “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito que está no seio do Pai, é quem o revelou” (Jo. 1:18). “Havendo Cristo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus” (Cl. 1:20). Agora, podemos ter fé em Deus e lançar mão sobre as suas preciosas e mui grandes promessas, porque Cristo as revelou.     
4)      O sangue derramado e a ressurreição de Cristo são duas realidades inseparáveis. Somos aperfeiçoados mediante o sangue derramado e a ressurreição de Jesus Cristo, (Hb. 13:20). O texto lido diz que Deus o Pai lhe deu glória: o privilégio de assentar-se à direita da Majestade nas alturas, (Hb.1:3) Essa posição é de vitória. O que Cristo fez para redimir e salvar pecadores foi reconhecido como suficiente para satisfazer todas as exigências da santa lei de Deus. A glória de Cristo é a alegria para declarar diante das milícias celestiais: “Eis aqui estou eu e os filhos que Deus me deu” (Hb. 2:13). Sim, Cristo “pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb.7:25).
5)      Por causa da vitória de Cristo sobre o pecado, e pelo fato de ela ter sido reconhecida pela “Majestade, nas alturas”, temos base suficiente para depositar a nossa “fé e confiança” nas providências de Deus para a nossa salvação. “A ele, pois, a glória eternamente” (Rm. 11:36).

Conclusão: O Ap. Pedro dava muito valor ao sangue de Jesus Cristo e nós também temos que aprender a valorizar a unicidade desse sangue. O Ap. Paulo nos faz lembrar dessa necessidade: “Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito (a nossa vida interior) os quais pertencem a Deus” (1Co. 6:20). Tudo o que temos em termos de valores espirituais, é fruto imediato do sangue derramado por Jesus Cristo. Um hino que cantamos, registra: “Cantarei a Cristo! Por nós morreu na cruz! Aos pobres pecadores, quem salva é só Jesus – Cantarei a Cristo! Por nós cumpriu a lei! Seu manto de justiça, alegre, vestirei – O sangue precioso de Cristo tem valor: Das penas da justiça, liberta o pecador!” (HNC. 50).


No decorrer da mensagem, salientamos o valor inestimável do sangue de Jesus Cristo; salientamos a Pessoa que nos amou, o Filho de Deus; e salientamos a suficiência desse sangue que adquiriu por nós, o seu povo, toda sorte de bençãos espirituais nas regiões celestiais. A conclusão de tudo isso é resumida na exortação do Ap. Paulo: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm.12:1-2).              

sexta-feira, 17 de março de 2017

AS INSONDÁVEIS RIQUEZAS DE CRISTO




Leitura Bíblica: Efésios 3:7-8

Introdução: O Ap. Paulo nunca cessou de ficar maravilhado com o fato de ser “constituído ministro da graça de Deus”. E, logo em seguida, acrescenta: “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das Insondáveis Riquezas de Cristo”.  Por qual razão ele ficou tão maravilhado? Ele nunca se esqueceu da sua vida anterior; um perseguidor da Igreja. Como pode um Deus tão santo escolher tal pecador para ser o seu ministro? Essa lembrança o humilhava, fazendo-o confessar, de coração contrito: “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a Igreja de Deus” (1Co. 15:9). Nesse contexto, podemos entender a razão pela qual repetia tantas vezes o dom da graça de Deus. Somos salvos pela graça de Deus, (Ef. 2:8). O sentido desta palavra, “graça”, está neste versículo: “Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou” (Tt. 3:4-5). Deus não buscou em nós um mérito chamativo, antes, quando escolheu o seu povo, Ele manifestou a sua benignidade e a sua misericórdia para com os seus escolhidos. E, a partir desse ato, Ele “nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tt.3:5). Temos que reconhecer que tudo o que temos é devido ao dom gratuito da graça de Deus. Como o Salmista exclamou: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade” (Sl. 115:1).

Com essa introdução, estamos prontos para entender a exultação do Apóstolo para “pregar aos gentios (pecadores) o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo”. Devemos lembrar que essa graça não se limitou aos apóstolos, antes, é o dever dos membros da Igreja, porque todos nós somos as testemunhas de Cristo, e temos uma experiência da sua graça em nossa vida. As insondáveis riquezas de Cristo são tão incalculáveis quanto a distância que Ele afasta de nós os nossos pecados perdoados, (Sl. 103: 11-12). Por causa disso, a nossa compreensão dessas riquezas é extremamente limitada. A Bíblia, porém, nos oferece muitas indicações dessa riqueza, tais como:

1. A Condescendência de Cristo. Para entender a condescendência de Cristo, devemos sentir o contraste entre o seu estado na eternidade, antes da fundação do mundo, e como Ele deixou tudo a fim de entrar neste mundo como servo.
a)      O seu estado na eternidade, “conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém, manifestado no fim dos tempos, por amor de vós” (1Pe 1:20). Ele não foi criado, porque Ele é “desde os dias da eternidade” (Mq. 5:2). Veja como a Bíblia O introduz: “No princípio era o Verbo (Cristo, a Palavra viva de Deus), e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram criadas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo. 1:1-3). Vemos Cristo na eternidade, assentado à direita da majestade, coroado de glória e honra, com um nome que está acima de todo nome, (Hb. 1:3; 2:7; Fp. 2:7). Por isso, Cristo podia falar da glória que Ele teve, junto do Pai, antes que houvesse mundo, (Jo. 17:5). Na Bíblia, percebemos uma igualdade entre o Pai e seu Filho Jesus Cristo. Ele confessou: “Quem me vê a mim vê o Pai” e “Eu e o Pai somos um” (Jo. 14:9; 10:30). Agora, chegando o tempo da encarnação de Jesus Cristo, lemos: “Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus” (Fp. 2:6). Este é aquele que veio para dar a sua vida em resgate por muitos, (Mc. 10:45). Assim, temos um relance das insondáveis riquezas de Cristo; o dom de Deus para nós, pecadores.
b)      Como Ele entrou neste mundo para servir. Apesar de ser igual a Deus, pois, “nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl. 2:9), Ele, “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Fp. 2:7-8). Quem pode sondar a condescendência desse ato? A Bíblia descreve essa transição, dizendo: “Vindo, porém, a plenitude do tempo,  Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl. 4:4-5). Uma das insondáveis riquezas de Cristo é o que Ele fez a fim de que sejamos chamados filhos de Deus. “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo. 4:10). Agora, por causa dessa insondável riqueza de Cristo, podemos comparecer perante o tribunal de Deus sem medo, porque os nossos pecados estão encobertos e perdoados, pois Ele é a nossa propiciação; aquele que encobre o nosso pecado.

2. A Concordância de Cristo. Quando o conselho da Divindade (a intercomunicação entre Pai, Filho e Espírito Santo) elaborou o plano para redimir o seu povo mediante uma morte substitutiva, Jesus Cristo, imediatamente, se apresentou, dizendo: “Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hb.10:9). Ele sabia tudo o que essa decisão envolveria; encarnar-se, viver no meio de pecadores, ser desprezado, e, finalmente, morto por crucificação. Esse ato não foi uma imposição feita por ninguém, antes, foi uma decisão inteiramente livre e espontânea. E qual a explicação? “Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef. 5:2). Nesse ato, percebemos as insondáveis riquezas do amor de Cristo. Falando da sua morte vicária, Ele disse: “Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai” (Jo. 10:18). Observemos dois aspectos de concordância que Cristo assumiu:

a)      A sua vida entre os pecadores. A Bíblia registra estes lamentáveis feitos quanto à recepção que Cristo recebeu dos homens: “Veio para os que eram seus, e os seus ( o povo que confessava o nome de Deus) não o receberam” (Jo.1:11). A partir dessa rejeição, Ele “era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizeram caso” (Is. 53:3). E, apesar de seus atos de misericórdia, lemos, repetidamente: Os fariseus conspiravam contra ele, em como lhe tirariam a vida, (Mc. 3:6). Cristo já previu e aceitou calmamente o que lhe aconteceria, dizendo aos discípulos: “Pois será ele (o Filho do homem) entregue aos gentios, escarnecido, ultrajado e cuspido; e, depois de o açoitarem, tirar-lhe-ão a vida”. Mas, embora sabendo que tudo isso aconteceria, Ele não quis desistir da sua missão redentora. Por quê? Porque soube que “ao terceiro dia ressuscitaria” (Lc. 18:31-33). Quem pode medir as insondáveis riquezas do amor de Cristo, quando aceitou o desafio de dar a sua vida dessa maneira por nós, pecadores, que, por natureza, não temos o temor de Deus!
b)      O que aconteceu quando Cristo estava dando a sua vida? Estava “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1Pe. 2:24). Temos que entender e acreditar que, dentro dos propósitos do conselho da Divindade, Cristo estava pagando o preço da nossa redenção. E, por causa da sua morte vicária, Cristo recebeu esta promessa: “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si” (Is. 53:11). Novamente, vamos meditar sobre as insondáveis riquezas de Cristo, acreditando, agora,  que, nele, “temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7). O que está implícito nesse ato de crer? A Bíblia nos dá este exemplo: “E, do modo  por que Moises levantou a serpente (de bronze) no deserto, assim  importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna” (Jo. 3:14-15).  Quando um israelita foi mordido por uma serpente abrasadora, “se olhava para a de bronze, sarava”(Nm. 21:9). Sem qualquer obra meritória, apenas em obediência à providência de Deus, um simples olhar pela fé era suficiente para ser salvo. O primeiro passo é sempre crer no que Cristo fez por nós, e todas as demais questões serão resolvidas.

3. A Constância de Cristo. Quando Cristo estava perto  de dar a sua vida em resgate por muitos, ele deixou para todos os seus seguidores uma abundância de promessas auxiliadoras. Ouça o que o Ap. Pedro diz: “Visto como, pelo seu divino poder nos tem sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude, pelas quais  nos têm sido doadas as suas preciosas  e mui grandes promessas, para que, por elas, vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção, das paixões que há no mundo” (2Pe. 1:3-4). Por estarmos em Cristo, temos a promessa de receber quatro dádivas que são essenciais  para se ter uma vida cristã; cada uma revelando as insondáveis riquezas de Cristo. E, pela constância de Cristo, podemos experimentar  a suficiência de suas promessas para suprir cada uma de nossas necessidades, porque Ele mesmo prometeu: “E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” (Mt. 28:20). Eis as quatro dádivas: “Mas vós sois de Deus em Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus: sabedoria, e justiça, e santificação e redenção” (1Co. 1:30).

a)      Sabedoria. Nós somos insensatos, mas a nossa sabedoria provém de Cristo. Como podemos receber essa sabedoria? Pela oração e pela leitura das Escrituras. “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida” (Tg.1:5). “Compreendo mais do que todos os meus mestres, porque medito nos teus testemunhos” (Sl. 119:99). O Apóstolo Paulo, em suas orações pelas igrejas, pediu que elas transbordassem “em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado” (Cl. 1:9-11). Precisamos dessa sabedoria para que a insensatez da nossa imaturidade não impeça o progresso do evangelho. O importante é que nos tornemos “sábios para a salvação pela fé em Cristo Jesus” (2Tm 3:15).
b)      Justiça. Nós somos culpados, mas a nossa justiça provém de Cristo. A pergunta pungente continua inquietando o coração de muitos: “Na verdade, sei que assim é; porque, como pode o homem ser justo para com Deus?” (Jó 9:2). Por seu próprio esforço, é uma impossibilidade. “E é evidente que, pela lei, ninguém é justificado diante de Deus” (Gl. 3:11). A nossa única esperança é acreditar na providência de Deus para a nossa justiça. “Seremos justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm. 3:24). A exortação é esta: “Mas revisti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne” (Rm. 13:14). É um ato de fé. Cremos e agimos de acordo com o contexto. E qual será o resultado? “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm. 5:1).
c)      Santificação. Nós somos corrompidos, mas a nossa santificação provém de Cristo. A nossa santificação foi providenciada mediante a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus Cristo. Romanos 6 deve ser estudado cuidadosamente a fim de entender melhor esse assunto. Mas devemos esclarecer um ponto de suma importância. Quando o Apóstolo usa a palavra “batismo” nesse capítulo, ele não está fazendo nenhuma referência ao sacramento do batismo que a Igreja observa, antes, o termo se refere à nossa união com Cristo, conforme a exposição do versículo 5. Resumidamente, quando Cristo morreu, Ele morreu para o pecado; e nós, unidos com Ele, também morremos para o pecado. Semelhantemente, quando Cristo foi sepultado, nós fomos sepultados com Ele. O poder do pecado sobre a nossa vida ficou encerrado, foi sepultado para nunca mais nos escravizar. E, por fim, quando Cristo ressuscitou, nós, também, ressuscitamos com Ele, para andarmos em novidade de vida. O que significa tudo isso? “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna” (Rm. 6:22). Agora, vamos sempre lembrar da verdade intocável: “ E, assim, se alguém está em Cristo (unido com Ele), é nova criatura; as coisas antigas já passaram; e eis que se fizeram novas” (2Co. 5:17).        
d)     Redenção. Nós somos encarcerados, mas a nossa redenção provém de Cristo. Nos tempos antigos, o endividado ficava na prisão até que fosse paga toda a sua dívida (Lc. 12:58-59). Mas como podia um encarcerado pagar a sua dívida? Ele era dependente de um resgatador e, se não tivesse um, morreria no cárcere. Assim, nós, também, ficamos impossibilitados de pagar a dívida do nosso pecado. Mas Deus, em sua misericórdia infinita, providenciou um Resgatador para o seu povo, um que pagaria toda a sua dívida. Jesus Cristo é este Resgatador, “ no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7). Em cada um desses quatro itens, temos uma mina das insondáveis riquezas de Cristo. Que elas sejam o assunto em nossas meditações espirituais todos os dias!


Conclusão: Vamos lembrar que nós somos as testemunhas de Jesus Cristo. Portanto, devemos cultivar o mesmo sentimento que houve no Ap. Paulo: “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar (testemunhar) aos gentios (pecadores) o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo”. E, finalmente, vamos sentir a responsabilidade implícita na palavra do Apóstolo: “Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros (o que nós somos) é que cada um deles seja encontrado fiel” (1Co. 4:2).

domingo, 26 de fevereiro de 2017

O NOSSO TESTEMUNHO FINAL



Leitura Bíblica:  2 Timóteo 4:6-8

Introdução: O Apóstolo estava numa prisão em Roma. Embora não tenhamos todos os detalhes, entendemos que ele foi julgado e condenado à morte. Em vez de ficar choramingando por causa das traições e da injustiça recebida,  ele passou a relembrar sua vida como servo de Deus. Certamente ele podia ter pensado nas experiências  negativas que a vida lhe impôs, porém, não lemos nada sobre as suas tristezas, antes, com coração grato a Deus, ele  lembrou das vitórias em seu ministério, e, agora, pela fé, ansiava por seu encontro com “o Senhor, reto juiz” que lhe daria o prêmio da vitória. No texto lido, temos o relato de como ele entendeu a natureza da morte: “tendo  o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Fp. 1:23). Além dessas conclusões, ele registrou  para a nossa edificação o seu testemunho, palavras finais.

Creio que esta exposição não foi registrada somente para nos informar sobre os últimos dias do Ap. Paulo, antes, foi escrito para a nossa edificação e encorajamento, para que possamos enfrentar o nosso dia final com a mesma atitude de gratidão a Deus por termos sido guardados, amorosamente, a fim de entrarmos vitoriosamente nas moradas eternas. Agora, devemos estar prontos para meditar sobre o  testemunho final, e aprender do exemplo dele.

1. O Apóstolo Olhou para Baixo V.6. O Apóstolo podia contemplar a morte e o túmulo com confiança porque a sua vida foi radicada, edificada e confirmada na obra salvífica  de Jesus Cristo. Essa é a experiência que nos dá uma segurança inabalável na hora da morte. Como é precioso e fortalecedor poder confessar: “Não me envergonho, porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito (a minha vida que foi confiada a Ele) até aquele Dia” (2Tm. 1:12).

No testemunho do Apóstolo, uma realidade se destaca de maneira clara e inconfundível: a sua morte seria um ato de culto a Deus. Essa verdade se torna evidente pela referência ao ritual praticado em alguns dos sacrifícios do Antigo Testamento: “Estou sendo já oferecido por libação”. No sacrifício, uma medida de vinho era derramada sobre o animal sendo sacrificado, “como oferta queimada de aroma agradável ao Senhor” (Nm 15:5-10). Ao usar essa figura, o Apóstolo  está dizendo: A minha vida é como aquele vinho que foi derramado sobre o altar de Deus, como um ato de culto ao meu Senhor e Salvador. Semelhantemente, as últimas palavras que Cristo falou quando sofria sobre a cruz foram dirigidas ao Pai, como um ato de culto: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E dito isto, expirou” (Lc. 23:46). A atitude de Estevão, quando estava sendo apedrejado, foi também um ato de culto. Primeiro, cheio do Espírito Santo, viu os céus abertos, e a glória de Deus, e Jesus em pé. Por isso, num ato espontâneo de adoração, disse: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At. 7:54-60). O Apóstolo Paulo estava seguindo o bom exemplo de muitos de seus antecessores. Devemos lembrar que a nossa morte é uma ocasião quando devemos glorificar a Deus, (Jo. 21:19). Portanto, devemos nos preparar para que a nossa morte seja um momento oportuno para dar o nosso testemunho final. A graça de Deus estará conosco naquela hora.

O Apóstolo continua falando sobre a sua morte iminente, decretada pelo tribunal romano. Mas, por outro lado, ele reconheceu que era o momento preordenado por Deus: “O tempo da minha partida é chegado”. Chegou, porque ele tinha completado a obra que Deus lhe confiara; não tinha mais nada para fazer aqui na terra. Por que a consciência do Apóstolo ficou tão livre de acusações naquela hora tão singular na experiência humana? Embora o seu ministério não tivesse sido perfeito, ele não foi culpado de omissões propositadas. O seu zelo pode ser entendido, quando disse: “Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma” (2Co. 12:16). E, em outro lugar, revelou: “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação: porque ai de mim se não pregar o evangelho” (1Co. 9:16).

Quanto à realidade inescapável da morte, está escrito: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disto, o juízo” (Hb. 9:27). Quando o rei Ezequias adoeceu de uma enfermidade mortal, ele recebeu  esta ordem: “Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás”. Ao ouvir essa palavra, ele “chorou muitíssimo” (2Rs. 20:1-3). Por que esse choro e lamentação? Evidentemente, ele não se sentia preparado para enfrentar o juízo final. Ai da pessoa que se encontrar nesse estado de despreparo no seu dia final! Não é necessário ficar aterrorizado com a notícia da nossa morte, antes, devemos usar a oportunidade para nos preparar para  “por em ordem” a nossa vida espiritual. O Ap. João nos encoraja, dizendo: “Filhinhos, agora, pois, permanecei nele (em Jesus Cristo), para que quando ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não nos afastemos envergonhados na sua vinda” (1Jo. 2:28). Portanto, que estejamos preparados para que esse Dia não seja de terror.     

2. O Apóstolo Olhou para Trás, V. 7.   O Apóstolo olhou para trás e passou a meditar sobre os anos de seu ministério, no serviço de seu Senhor e Salvador. Ele menciona três fatos que caracterizaram a sua vida durante o longo dos anos. Ele colocou a sua mão no arado e nunca mais olhou para trás, (Lc. 9:62).

Primeiro, ele meditou sobre o combate espiritual que tinha enfrentado dia após dia. “Combati o bom combate”. A vida cristã é composta de lutas espirituais, forças espirituais que procuram colocar uma pedra de tropeço em nossa vida, a fim de interromper a nossa fidelidade a Jesus Cristo. O Apóstolo enfrentou essas forças e confessou: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou”, Jesus Cristo (Rm. 8:30). Portanto, essa luta é um “bom combate”, porque é Cristo quem nos dá as vitórias. Esse combate tem três frentes onde somos assaltados: o mundo, a carne e o diabo, Satanás.

  1. A primeira frente é o mundo. Cristo falou sobre os “cuidados do mundo e a fascinação das riquezas” que sufocam o testemunho cristão. Demas, que ajudava o Ap. Paulo em seu ministério, o abandonou e se perdeu, “tendo amado o presente século” (2Tm. 4:10). Não há como conciliar o mundo com a vida cristã. A palavra do Apóstolo é categórica: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (1Jo. 2:15). O Ap. Paulo podia confessar: “O mundo está crucificado para mim (o mundo é morto e não tem nada para me oferecer), e, eu, para o mundo (sou morto e o mundo não pode despertar o meu interesse)”.  Não existia nenhuma atração entre os dois, (Gl. 6:14).
  2. A segunda frente é a carne, a nossa natureza pecaminosa. Como cristãos nascidos de novo, o dever constante é não ceder aos desejos pecaminosos. É possível rejeitá-los por causa do Espírito Santo que habita em nós: “Se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente viverás” (Rm. 8:13). O Apóstolo praticava esta necessidade: “Sabendo isto: foi crucificado com Cristo o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos” (Rm. 6:6).
  3. A terceira frente é o diabo. A advertência é esta: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, o vosso adversário, anda em  derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar”. O nosso dever constante é “resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo” (1Pe. 5:8). O diabo tem uma arma principal para destruir os incautos, a mentira, pois ele é o pai da mentira, (Jo. 8:44). Ele usa a mentira para nos desviar, tanto nas áreas de doutrina, como também nas questões de procedimento. Para ele, não existem padrões, tudo é normal, aceitável e útil para que alcancemos experiências. O segredo é: “Tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis”, prontos para a próxima investida, (Ef. 6:13). O Apóstolo combatia nessas mesmas frentes e experimentou muitas vitórias para a glória de Deus. Nós também podemos ser vitoriosos, porque o nosso socorro vem do Senhor, o nosso Salvador e guia.

Em segundo lugar, ele meditou sobre a sua carreira: “Completei a carreira”. Ele cumpriu toda a vontade de Deus. O Apóstolo usou a figura de uma “pista de corrida”. O atleta tem que começar, obedecer às regras e perseverar até o ponto final, a fim de ser vencedor. Entramos nessa pista mediante a regeneração, e corremos até o fim pelo poder do Espírito Santo. Escrito sobre a nossa camiseta, em letras maiúsculas, está o nosso emblema: “SANTIDADE AO SENHOR”. Todas as nossas atividades nessa “pista de corrida”, sejam seculares, sejam espirituais, são realizadas de acordo com o nosso distintivo. Sem essa santidade, ninguém chegará até o ponto final. Essa pista se chama: “O caminho santo, o imundo não passará por ele, pois será somente para o povo do Senhor” (Is. 35:8). O Apóstolo corria nessa pista e chegou ao ponto final vitoriosamente. E nós, também, seremos vitoriosos, se corrermos de acordo com as regras, isto é, olhando firmemente para Jesus Cristo, o Autor e Consumador da nossa fé (Hb. 12:2).         

Em terceiro lugar, ele meditou sobre a sua fé. “Guardei a fé”. Essa frase admite duas interpretações igualmente necessárias. Primeiro, a fé é vista como aquele corpo de sã doutrina que a Igreja Cristã adota e vive. Ela acredita que esses ensinos estão registrados inerrantemente nas Escrituras Sagradas. Sim, o Apóstolo, apesar de ser tentado a modificar o claro ensino das Escrituras, permaneceu fiel, sem qualquer vacilação. E, a segunda interpretação, a fé, crendo de coração na Pessoa de Jesus Cristo, uma confiança que nos faz entregar a nossa vida a Ele sem qualquer restrição, sabendo que Ele é poderoso para nos salvar totalmente das conseqüências condenatórias do nosso pecado. “Nele, temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7). Mas, devemos lembrar que a fé do Apóstolo continuou inabalável, mesmo no meio de circunstâncias  extremamente difíceis. Quais foram os seus pensamentos no meio daquelas circunstâncias terríveis registradas em 2 Coríntios 11:16-33? Em prisões, em açoites, sem  medida; em perigos de morte, muitas vezes, etc. Mas em cada um desses momentos, jamais questionou a soberania de Deus que direcionava essas dificuldades, antes, confessou: “Que variadas perseguições tenho suportado! De todas, entretanto, me livrou o Senhor”, guardei  a fé, (2Tm.3:11). Ele não deixou circunstâncias adversas sacudirem a sua fé. Antes, sempre grato pelo privilégio de ter “a comunhão dos sofrimentos de Cristo, conformando-se com ele na sua morte” (Fp. 3:10). O Apóstolo guardou a fé, e nós também guardaremos a fé se cultivarmos as mesmas atitudes daquele homem.  Como é bom poder chegar ao fim da nossa vida, confessando: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”. Consolemo-nos com estas palavras: “Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do vosso  trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos” (Hb. 6:10).

3. O Apóstolo Olhou para Cima, V8. Ele passou a meditar sobre o futuro, o que iria acontecer depois da sua partida. Ele irradiava uma paz transparente diante da morte, e nem se preocupava com o instrumento que seria usado, porque estava contemplando o galardão. “Já agora a coroa de justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda”. Podemos observar três verdades nesse versículo:

a)      É bíblico cultivar uma certeza da vida eterna e  o que está incluído nessa promessa. O Apóstolo podia  dizer: “Já agora a coroa da justiça me está guardada”. Creio que essa coroa é algo espiritual, um sinal de que temos o direito para tomar posse da vida eterna. O Ap. Tiago disse: “Bem-aventurado o homem que suportar com perseverança a provação (as tentações provocadas pelo mundo, a carne e o diabo), porque depois de ser aprovado (como vencedor), receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam” (Tg 1:12). Cristo disse a mesma verdade: “Sê fiel até a morte e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap. 2:10). Essa certeza da vida eterna não é dada a qualquer pessoa; a pessoa tem que amar a Cristo de todo coração e viver uma vida santa, de acordo com a imagem de seu Salvador, (Rm. 8:29). Devemos lembrar que a vida eterna não é algo que nós ganhamos por nossos próprios méritos, antes, é o dom gratuito que Cristo nos concede. Veja o processo: “Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo (algo que é sempre purificador), que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida” (Tt. 3:4-7).
b)      É bíblico acreditar no juízo vindouro. “Porque importa que todos nós (crentes e não crentes) compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Co. 5:10). Este não é um Dia de medo para aqueles que são salvos por Cristo Jesus. Por que? Porque teremos “reto juiz”. Com Ele, não há acepção de pessoas, nem favoritismo, (Rm. 2:11). Ele conhece o povo redimido por seu Filho Jesus Cristo, e cada um desses redimidos serão recebidos com total aprovação e galardoados com a vida eterna.
c)      É bíblico acreditar que entre os redimidos não existem distinções, pois todos são herdeiros da vida eterna. O Ap. Paulo tinha certeza de receber a “coroa da justiça”, mas não esqueceu de  acrescentar: “E não somente a mim (como se fosse alguém melhor), mas também a todos quantos amam a sua vinda”. O fim do mundo será anunciado pela Segunda Vinda de Jesus Cristo. Ele dará a ordem e os vivos e os mortos serão levantados para comparecer perante o tribunal, a fim de que cada um seja julgado de acordo com as suas obras. Naquele Dia, todos receberão  seu lugar na eternidade; os injustos para o castigo eterno e os justos para a vida eterna, (Mt. 25:46).

Conclusão: Todos nós estamos caminhando para a morte, mas, qual será o testemunho que  deixaremos para aqueles que ficam? O Apóstolo Paulo disse, com a alegria de um vencedor: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a  fé”. E, com esse testemunho de vitória, acrescentou com a mesma alegria: “Já agora a  coroa da justiça me está aguardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos  amam a sua vinda”.  Que cada um de nós possamos viver e servir de tal forma que o nosso testemunho final seja tão jubiloso quanto o do Ap. Paulo.


Termino com uma doxologia: “Ora, aquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória, ao único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso, glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos. Amém” (Judas, versículos 24 e 25).    

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

AS OBRIGAÇÕES DO AMOR


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Romanos 13:8-10

Introdução: É fácil discernir a transição dos versículos 1 a 7 para 8 a 10. O V.7 fala sobre a nossa dívida diante das autoridades civis, e o V. 8 fala sobre a nossa dívida diante do nosso próximo. Se amamos a Deus, amaremos as suas instituições, cumprindo os nossos deveres perante elas. E, semelhantemente, se amamos a Deus, amaremos o nosso próximo, cumprindo os nossos deveres perante ele. A Bíblia diz: “Ora, temos, da parte de Deus, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão em Cristo” (1Jo. 4:21). É o amor ao irmão que define o nosso amor a Deus. “Aquele que ama seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço. Aquele, porém, que odeia a seu irmão está em trevas, e não sabe por onde vai, porque as trevas lhe cegam os olhos” (1Jo. 2:10-11). Em Romanos 12:9-21, aprendemos como amar o nosso próximo; e em capítulo 13:8-10, somos ensinados quais são as obrigações do amor.

1) A Persistência do Amor, V8. Temos que persistir na prática do amor. O Ap. Pedro perguntou: “Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe?  Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mt. 18:21-22). O texto está ensinando que, se amarmos uns aos outros, teremos o poder para perdoar todas as ofensas contra nós, sem qualquer limitação. “O amor é paciente e benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas  regozija-se com a verdade, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba” (1Co. 13:4-8).  Essa é a natureza do amor que devemos ao nosso próximo.

O nosso texto diz: “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros;  pois quem ama o próximo tem cumprido a lei”. Esse versículo ensina pelo menos duas verdades, uma negativa e uma positiva.

a)      A verdade negativa. “A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor”. A única dívida permitida é o amor que devemos a todos. Pagamos essa dívida amando o nosso próximo com um amor persistente, que nunca desiste. As demais dívidas são proibidas. Está implícita nessa palavra uma advertência quanto à nossa vida financeira. Não devemos acumular dívidas perante as autoridades. A ordem é: “Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto”. Devemos  perguntar: Por que pessoas têm dívidas? Uma das razões é que há um desejo de possuir mais e mais, por isso  vivem além de suas entradas, e isso é pecado.  Outra coisa é a intensa propaganda para comprar com pagamentos fáceis durante tantos meses; ou,  tomar um empréstimo a fim de adquirir mais rapidamente aquele sonho do coração. Tudo parece tão fácil! Mas, e o pagamento das mensalidades? E se acontecer uma doença,  exigindo despesas  inesperadas? Tomar outro empréstimo? Temos que  saber como cuidar de nossas finanças. É tão fácil perder o nosso testemunho cristão por causa de dívidas não pagas na hora certa. Cuidar das nossas finanças é uma maneira importante para glorificar o nome de nosso Deus. Temos que resistir as tentações do consumo e do pecado da cobiça.
b)      A verdade positiva. Não tendo preocupações com dívidas, seremos livres para amar o  nosso próximo sem restrições, assim como “ Cristo nos  amou e se entregou a si mesmo por nós” (Ef. 5:2). Dessa maneira, o amor é o cumprimento da lei.

2. A Persuasão do amor, V9. Somos persuadidos pelo  amor a obedecer aos mandamentos que Deus nos deu no Decálogo. Jesus recebeu esta pergunta: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei? Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas” (Mt. 22:36-40). Todas as leis morais são resumidas magistralmente nessa resposta. O Apóstolo cita apenas quatro dessas leis a fim de demonstrar a persuasão do amor. Em Mateus 5, Cristo descreveu a abrangência da lei. Ela alcança não apenas o ato  físico, mas, também, os desejos íntimos do coração. “Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mt. 5:28). Vamos examinar as quatro leis citadas pelo Apóstolo.

a)      “Não adulterarás”. Cremos que Satanás foi “homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo. 8:44). Ele emprega a sua depravação moral para incitar a humanidade, já prejudicada por uma natureza corrompida, para praticar todo tipo de perversão sexual, sabendo que, desta maneira, ela será destruída física e espiritualmente. Nesse contexto, o Apóstolo exorta “que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo (o membro sexual) em santificação e honra” (1Ts. 4:3-6). O Breve Catecismo da nossa Igreja, por meio de perguntas e respostas, nos dá uma exposição: “Que exige o sétimo mandamento? O sétimo mandamento exige  a preservação da nossa própria castidade (pureza sexual), e da de nosso próximo, no coração, nas palavras e nos costumes. Que proíbe o sétimo mandamento? O sétimo mandamento proíbe todos os pensamentos, palavras e ações impuras”.
b)      “Não matarás”. Notemos que Cristo não fala nada do ato físico em sua exposição (Mt. 5:21-26), antes, Ele destaca o problema das atitudes erradas diante do próximo: “Eu, porém, vos digo que todo aquele que (sem motivo) se irar contra o seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: tolo (imprestável), estará sujeito ao inferno de fogo” (Mt.5:22). Notemos como o perigo desse pecado se intensifica: julgamento, julgamento do tribunal e inferno de fogo. É impossível servir a Deus se tivermos qualquer desgosto em nosso coração contra o nosso irmão, (Mt. 5:23-26). Para obedecer ao sexto mandamento, o Breve Catecismo destaca a importância de “preservar a nossa própria vida e a de nossos semelhantes”. E proíbe o atentado contra a nossa própria vida ou a do nosso próximo. O Catecismo ainda acrescenta a proibição do uso “imoderado de comida, bebidas, trabalho e recreios; as palavras provocadoras... e tudo o que tende à destruição da vida de alguém”.
c)      “Não furtarás”. O Apóstolo escreveu: “Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado” (Ef. 4:28). E, em outro lugar, acrescenta: “Se alguém não quer trabalhar, também não coma” (2Ts 3:10). O trabalho honesto impede a prática de muitos pecados. “Mais vale o bom nome do que as muitas riquezas, e o ser estimado é melhor do que a prata e o ouro” (Pv. 22:1).
d)     “Não cobiçarás”. Esse é o único mandamento que se refere diretamente à nossa vida interior, às disposições do nosso coração; todos os demais se referem a atos físicos: “Não matarás”. Novamente, deixamos o Breve Catecismo falar: “O décimo mandamento proíbe todo descontentamento com a nossa própria condição, toda inveja ou pesar à vista da prosperidade de nosso próximo”. A cobiça, ambição de possuir o que é de outro, é a causa de tantos crimes arrepiantes. O Ap. Paulo podia confessar: “Quanto à justiça que há na lei, irrepreensível” (Fp. 3:6). Ele não era um homem culpado de pecados abertos, antes, era homem moralmente correto. Contudo, quando o Espírito Santo começou agir em sua vida, ele confessou: “Mas eu não teria conhecido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobiçarás” (Rm. 7:7). O Espírito Santo usou o décimo mandamento para convencê-lo da corrupção da sua vida anterior, das suas ambições carnais, em vez de buscar e praticar a vontade de Deus. “Os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra e fica infrutífera” (Mt. 13:22). Há muitas pessoas em nossos dias que têm uma vida moralmente aceitável, porém, serão condenadas por Deus por causa da transgressão do décimo mandamento, por ambições mundanas. O Apóstolo termina essa parte com uma frase retórica: “E, se há qualquer outro mandamento...”. Ele não está questionando a existência de outros mandamentos; está dizendo que esses quatros são suficientes para demonstrar as obrigações do amor, como Cristo disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo. 14:15). Obediência é o fruto primário do amor.

3. A Permanência do Amor, V.10. “Todas as coisas deste mundo hão de passar, porém, o amor jamais acaba” (1Co.13:8). Descrevendo a natureza do amor, o texto afirma: “O amor não pratica o mal contra o próximo”. Voltando para os quatro mandamentos citados, podemos  explicar: “Não adulterarás”. No casamento, o adultério é um mal contra o cônjuge; é uma falta de  fidelidade e amor. Adultério, no sentido mais abrangente e bíblico, é o abuso do propósito original para o sexo; é uma falta de amor a Deus, porque está zombando do que Ele determinou. Se amamos a Deus, seremos constrangidos a não praticar tais desvios. A ordem é esta: “Fugi da impureza (sexual). Qualquer  outro pecado que uma pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade (perversões sexuais) peca contra o próprio corpo” (1Co. 6:18). E convém lembrar: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl. 6:7). E, também: “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb. 10:31).

O mesmo princípio vale para todos os mandamentos. O amor não faz mal ao próximo, por isso, não matamos, não fazemos nenhuma coisa que possa injuriar o nosso próximo, e nem o que possa prejudicar o seu nome. Respeitamos a sua vida, pois ele também foi criado por Deus. O amor não faz mal ao próximo, por isso, não tentamos roubá-lo. Respeitamos os seus bens, porque reconhecemos que eles pertencem exclusivamente a ele. O amor não faz mal ao próximo, por isso, não cobiçamos o que pertence a ele. O segredo é contentamento com aquilo que Deus tem nos dado, sem ter olhos cobiçosos nos bens de outrem. “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele.  Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1Tm. 6:6-8). O descontentamento com o que Deus tem nos confiado pode levar o ambicioso a ser condenado por causas da transgressão do décimo mandamento.

Se o amor não pode fazer o mal contra o próximo, como podemos perdoá-lo se ele tem nos prejudicado em alguma coisa séria? Se nós somos cristãos de verdade, o amor virá em nosso auxílio, porque somos ensinados: “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados” (1Pe. 4:8). Por que Deus consegue perdoar os nossos pecados? Porque eles são cobertos pelas perfeições de seu Filho amado,  Jesus Cristo. “Ele é a propiciação (cobertor) pelos nossos pecados” (1Jo. 2:2). O amor de Deus para conosco soube como cobrir o nosso pecado. Ele nos deu o seu próprio Filho, para que nele tenhamos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, (Ef. 1:7). “Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós”(Cl. 3:13). Que possamos deixar o amor alcançar o  seu pleno potencial em nossa vida e ações.


Conclusão: O resumo dos nossos deveres espirituais é: “Amarás  o teu próximo como a ti mesmo, o amor não pratica o mal contra o próximo;  de sorte que o cumprimento da lei é o amor”. E, para nos encorajar: “Porque  este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus  mandamentos não são penosos; porque o que é  nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1Jo. 5:3-4).