Vasos de Honra

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terça-feira, 20 de junho de 2017

A VIDA CRISTÃ


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Hebreus 12:1-3

Introdução: Vamos contemplar, por um momento, o sentido da vida cristã: Temos uma carreira para completar; mas, não estamos sozinhos, temos uma grande nuvem de testemunhas que assumiram a mesma carreira e a completaram vitoriosamente. E, se perguntarmos: Como elas conseguiram vencer todos os obstáculos? Respondemos: Elas contemplaram o galardão, olhando firmemente para o Autor e Consumador da sua fé, Jesus Cristo.

E, se perguntarmos: O que é necessário para entrar nessa carreira? O texto lido responde: Temos que nos desembaraçar “de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia”. É impossível viver a vida cristã carregando pesos e pecados. Temos que ficar inteiramente livres deles, a fim de completar vitoriosamente a carreira cristã. Mas, quais são esses pesos e pecados? Os pesos são os hábitos desnecessários que ocupam o nosso tempo, que poderia ser utilizado para o nosso crescimento espiritual. Embora esses pesos não sejam pecados explícitos, eles podem tornar-se pecados quando provocam omissões em nossos deveres espirituais. Temos que amar a Deus com a totalidade do nosso ser, porém, quando deixamos os prazeres desta vida inibir a nossa devoção a Deus, estamos pecando contra Ele. Esses são os pecados que tenazmente nos assediam. A dificuldade para dar “a Deus o que é de Deus” (Mt. 22:21). A prioridade que temos de dar a Deus é uma das disciplinas mais exigentes na vida cristã. “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si, para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer” (Gl. 5:17). O cristão tem de lembrar, constantemente: “Não vos enganeis, as más conversações corrompem os bons costumes” (1Co. 15:33). Temos que ser cuidadosos com a fonte das nossas informações.

Com essa parte introdutória, reconhecemos a impossibilidade de entrar na carreira, que é a vida cristã, carregando pesos e pecados. Esses impedimentos têm que ser abandonados a fim de deixar-nos livres para “servirmos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor” (Hb. 12:28). Vamos ao texto da nossa leitura.

1. O Desafio do Cristão.  “Corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta”. Essa carreira é a vida cristã, em toda a sua abrangência. Começamos a correr a partir do momento em que somos regenerados e cremos em Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador; e terminamos somente na hora da nossa morte física. Reconhecemos que a natureza dessa carreira é bem específica, porque o seu percurso é estabelecido pelo próprio Deus. Portanto, a primeira característica dessa vida é submissão à soberana vontade de Deus. A palavra “submissão” é composta de duas partes: “sub”, isto é, sob ou debaixo de alguém; e “missão”, ou seja, a prática da nossa vocação. O Ap. Pedro nos desafia: “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que Ele, em tempo oportuno, vos exalte” (1Pe. 5:6). E, outra vez: “Servos, sede submissos, com todo o temor ao vosso senhor, não somente se for bom e cordato, mas também ao perverso; porque isto é grato, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente por motivo de sua consciência para com Deus” (1Pe. 2:18-19). Em outras palavras, vivemos a vida cristã sob a direção do Espírito Santo. “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm. 8:14). Quando estamos sendo guiados, entende-se que somos submissos ao nosso Guia. Devemos lembrar do título que Deus nos deu: “Somos filhos da obediência” (1Pe. 1:14).

Essa carreira deve ser corrida com “paciência e perseverança”. A vida cristã é sempre composta de circunstâncias agradáveis, bem como desagradáveis. As negativas têm a tendência de tentar deixar-nos desanimados. Mas, é justamente nessas circunstâncias que temos que usar "paciência e perseverança”. Não podemos deixar as dificuldades impedirem a nossa corrida. É importante lembrar que circunstâncias negativas nunca acontecem por acaso; tudo está sob a poderosa direção do Deus que ama o seu povo redimido. Nesse contexto, Cristo  disse: “Não se vendem cinco pardais por dois asses? Entretanto, nenhum deles está em esquecimento diante de Deus. Até os cabelos da nossa cabeça estão todos contados. Não temais! Bem mais valeis do que muitos pardais”  (Lc. 12:6-7). Quando nós conseguimos acreditar que tudo  o que acontece vem da direção e cuidado de Deus,  teremos forças para correr com paciência em nossa vida, para o nosso bem espiritual, para que tenhamos o fruto da justiça. “Por isso, restabelecei as mãos descaídas e os joelhos trôpegos; e fazei caminhos retos  para os pés, para que não se extravie o que é manco; antes, seja curado” (Hb. 12:11-13). E a palavra de exortação, que se aplica a cada um de nós: “Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para  que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa” (Hb. 10:36).

2. O Desafogo do Cristão. “Temos a rodear-nos tão  grande nuvem de testemunhas”. O que nos consola  é que nós não somos os primeiros a entrar nessa carreira, pois existe uma grande nuvem de testemunhas que experimentaram as mesmas dificuldades que nós estamos enfrentando e, apesar disso, completaram a carreira vitoriosamente, confessando: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou”, o  nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, (Rm. 8:37). Mas, o maior exemplo para nós é o próprio Jesus! Por isso, o Apóstolo disse: “Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim, andai nele, nele radicados e  edificados e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em ações de graças” (Cl. 2:6). Ele  é o precursor, que assumiu a mesma carreira que nós recebemos, juntamente com todas as circunstâncias que caracterizam esse caminho.

Quais são algumas das dificuldades que Cristo teve que suportar? “Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo”. Isto é: medite, cuidadosamente, no que Cristo experimentou, lembrando de quem Ele é; o próprio Filho de Deus, aquele que é digno de receber a mesma honra que damos ao Pai, (Jo. 5:23). Contudo, “era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso” (Is. 53:3). É quase insuportável ser desprezado e rejeitado. Cristo “veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo.1:11). Mas, por que estamos falando dessa maneira? “Para que não vos fatigueis, desmaiando em vossas almas”. O que Cristo suportou, como homem, semelhante a nós, foi muito maior do que nós teremos que suportar. A comparação é sempre útil, a fim de nos fortalecer em nossas tribulações.

Por que Jesus suportou tamanha contradição? Ele estava chegando ao ápice de sua caminhada. “Jesus, o qual em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra de Deus”. Como Cristo andou, andemos nós também. Ele é o nosso exemplo. Nesse contexto, o Ap. Paulo escreveu: “Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus, e co-herdeiros com Cristo; se com Ele sofremos, também com Ele seremos glorificados” (Rm. 8:17). Há uma semelhança entre o que Cristo experimentou e o que nós teremos que suportar na pista de corrida, que é a vida cristã. Assim como Cristo foi glorificado, nós também seremos glorificados.

Mas, qual é a diferença entre os sofrimentos de Cristo e os nossos? Ele estava sofrendo vicariamente por causa das nossas transgressões, dando satisfação a Deus por causa das nossas iniquidades. O nosso sofrimento, por outro lado, é parte do preço que pagamos  por sermos fiéis a Jesus Cristo. Ferir a justiça de Deus é um crime seríssimo e não pode passar como se fosse nada. O preço dessa transgressão é além de qualquer possibilidade humana. Somente o sofrimento e a morte de Cristo poderiam expiar  os nossos pecados e apaziguar a ira de Deus. Graças a Deus por Cristo Jesus, porque, agora, “nele temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7).

3. O Desapego do Cristão. Agora, qual é o nosso dever? “Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus Cristo”. Mas não é tão fácil manter os olhos fixos em nosso Salvador. A experiência de Pedro nos ensina do perigo de desviar os olhos de Cristo. No momento em que ele tirou os olhos daquele que o convidou, ele começou a “submergir”. Mas, por que ele tirou os olhos de seu Mestre? Ele “reparou na força do vento, e teve medo” (Mt. 14:22-33). Com os olhos fixos em Jesus, não teve medo de sair do barco e andar por sobre as águas. Mas, com os olhos desviados, teve medo e começou a se perder. No caminho para o céu existem muitas distrações cujo objetivo principal é desviar os nossos olhos de Cristo e colocar-nos no perigo de perdição. Quais são algumas dessas seduções  tão cativantes?

Em vez de manter os olhos firmemente fixos em Jesus Cristo, há uma tendência para olhar e cuidar dos nossos próprios interesses. Cristo falou da “fascinação das riquezas”, a ambição de ganhar muito dinheiro; esquecendo que “o amor ao dinheiro é raiz de muitos males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (1Tm. 6:10). Por que Ananias e Safira mentiram sobre a quantia de seu dinheiro? A “fascinação” cegou-lhes a consciência. O dinheiro que eles reservaram para si era mais importante que a verdade, (At. 5:1-11). Por que o jovem retirou-se triste da presença de Jesus? A “fascinação” das suas muitas propriedades cegou-lhe quanto às prioridades. Cuidar dos bens deste mundo era mais importante que vender tudo e seguir a Jesus. Os bens deste mundo, para ele, eram mais palpáveis do que “um tesouro no céu” (Mc. 10:17-22). Temos que desapegar-nos do amor ao dinheiro. Por que “um rico dificilmente entrará no reino dos céus”? (Mt. 19:23). Porque “ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt. 6:24). Deus não pode aceitar um coração dividido. A ordem é esta: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força” (Mc. 12:30). É impossível olhar para Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, contemplar, com amor, os bens deste mundo. Não esqueça da confusão e tristeza do jovem rico.

Outro mal é olhar para o seu próximo com a intenção de julgá-lo precipitadamente, “pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados” (Mt. 7:1-2). “O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm. 13:10). Não podemos olhar para Cristo com aquela devoção sincera no coração e, ao mesmo tempo, olhar para o próximo com más intenções. Cristo disse: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros” (Jo. 13:34). O mandamento é novo no sentido de que, agora, temos um exemplo para seguir. Amamos como Cristo nos amou. E, para amar, tanto a Deus como ao próximo, temos que nos desapegar de todo e qualquer impedimento, para  que estejamos livres para praticar a vontade de Deus, olhando firmemente para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé. Com a prática desse amor, teremos a certeza de que somos nascidos de novo,  (1Jo. 4:7). Mencionamos dois males que impedem a nossa vitória na vida cristã: a fascinação das riquezas e a tendência de julgar o nosso próximo precipitadamente. Se não nos desapegarmos desses dois males, será impossível correr  “com perseverança, a carreira que nos está proposta”.

Conclusão: Temos tentado descrever certos aspectos da vida cristã, que é comparada a uma pista de corrida. Para chegar ao ponto final, vitoriosamente, temos que correr com perseverança e paciência, sem deixar outros interesses nos embaraçarem. O segredo é olhar firmemente para Jesus Cristo.


Vimos, em primeiro lugar, o desafio que cada cristão tem que aceitar. Temos que correr a vida cristã com perseverança e paciência. Sim, existem obstáculos, mas, olhando firmemente para Jesus Cristo, venceremos. Vimos, em segundo lugar, o  desafogo do cristão. O que nos consola é que não somos os únicos nessa corrida. Existe uma grande nuvem de testemunhas que terminaram  a carreira vitoriosamente, olhando firmemente para Jesus Cristo. Sim, Ele enfrentou tanto sofrimento por amor a nós e venceu  gloriosamente. Nós, de forma semelhante, venceremos, se mantermos os olhos fixos em Jesus Cristo. E, em terceiro lugar, vimos o desapego do cristão. Ele não pode correr vitoriosamente quando seus olhos estão desviados de Jesus Cristo. Temos que desapegar-nos da fascinação das riquezas, porque, se não, teremos que enfrentar os perigos que podem nos afastar da vida eterna. E, também, temos que nos desapegar de qualquer tendência que possa prejudicar o nosso próximo. Temos que amá-lo, como Cristo nos amou. Novamente, seremos vitoriosos na prática desses três princípios na medida que mantermos os nossos olhos fixos em Jesus Cristo, imitando o seu exemplo. A vida cristã é uma carreira, um estilo de vida que engrandece o Nome do nosso Deus. Que o Espírito Santo nos fortaleça para esse fim.      

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A PRUDÊNCIA CONTRA A IMPRUDÊNCIA


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica:  Salmo 2:1-12

Introdução: Este Salmo nos mostra qual é a natureza da corrupção humana. O pecado é a transgressão da lei e uma rebelião contra o único legislador do universo, e contra as normas morais e espirituais que Ele prescreveu para toda a humanidade. Se o pecado fosse permitido a continuar impune, aniquilaria o domínio soberano de Deus e o destronizaria. Essa é a verdade a respeito de todos os pecados; e, especialmente, quanto à rejeição de Jesus Cristo. O clamor universal é este: “Não queremos que este (Jesus) reine sobre nós” (Lc. 19:1). Aqueles que recusam prestar obediência à Jesus Cristo estão negando a autoridade do próprio Deus que o enviou. Vamos examinar como este Salmo descreve as manifestações do pecado.

Este Salmo precioso tem uma seqüência de quatro pontos: A destemperança dos povos provoca em Deus uma desafronta; por isso, Ele fez uma declaração quanto aos seus propósitos diante da pecaminosidade humana. Por causa do prometido juízo, os povos são exortados a tomar uma decisão a respeito de Jesus Cristo e da necessidade de refugiar-se nele, a fim de serem salvos.

1. A Grande Destemperança, Vs. 1-3. O primeiro versículo faz uma pergunta séria: “Por que enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs?”. Qual é a razão dessa fúria e de tantos sonhos impossíveis? É o pecado que provoca essa grande destemperança. O diabo é “o pai da mentira” (Jo. 8:44). Ele incita os povos para acreditar que podem se rebelar contra a lei de Deus e vencer impunes. E, para promulgar essa mentira diabólica, ele reúne as lideranças a fim de dar uma aparência formal de autoridade a seus ditames. No mundo inteiro, são os governantes que, em vez de promoverem os interesses do reino de Deus, fazem de tudo, através de suas legislações liberais, para prejudicar e impedir a plena expressão do ministério da Igreja. O problema não é uma falta do conhecimento das leis de Deus, antes, é uma revolta contra essas leis. O grande anseio dessas lideranças é livrar-se  de Deus e de suas leis. O seu objetivo principal é resumido em sua própria declaração: “Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas” (V.3).

Mas, de uma maneira mais específica, estes “príncipes conspiram contra o Senhor e contra o seu Ungido”, Jesus Cristo, (V.2). Basta ler os Evangelhos para reconhecer a verdade dessa conspiração. Logo no início de seu ministério, Jesus sentiu a fúria deste ódio: “Os fariseus conspiravam contra ele sobre como lhe tirariam a vida” (Mt. 12:14). Até hoje, se falarmos de Jesus como o melhor amigo, ninguém faz objeção séria, porém, se falarmos sobre o seu direito soberano de reinar sobre a nossa vida, provocaremos uma onda de resistências e até perseguições. Os povos não querem que Cristo reine sobre as suas vidas e sobre os seus interesses pessoas. Qual é a atitude de Deus diante dessa insurreição?  Vemos...

2. A Grande Desafronta, Vs. 4-6. Deus sente uma forte indignação. Qual é a primeira manifestação desta desafronta? “Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles” (V4). O riso de Deus, nesse contexto, deve ser um som extremamente terrificante, porque, na verdade, Ele está zombando da loucura dessa rebelião. Como um homem, feito do pó da terra, pode prevalecer contra o Deus Todo-Poderoso? Quem pode suportar as zombarias de Deus e suas manifestações de ira? A luta entre os dois contendores é totalmente desigual. Mesmo em nossos dias, a ira de Deus contra os ímpios se manifesta através de circunstâncias adversas. “Por causa da ira do Senhor dos Exércitos, a terra está abrasada, e o povo é pasto de fogo (Is. 9:19). Contudo, a plenitude dessa ira é reservada para o Dia Final. “Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá” (V.5.) O que Deus vai falar a esses insurretos naquele Dia? “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt. 25:41). Sim, “Horrível cousa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb. 10:31).

Como Deus realizará essas manifestações da sua justiça? Ele mesmo responde: “Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o meu santo monte Sião” (V.6). É de suma importância que acreditemos que Deus realiza todos os seus propósitos a respeito do homem pecador pela mediação exclusiva de Jesus Cristo. “Este é o designo que se  formou concernente  a toda a terra; e esta é a mão que está estendida sobre todas as nações. Porque o Senhor dos Exércitos o determinou; quem, pois, o invalidará? A sua mão está estendida; quem, pois, a fará voltar atrás?” (Is. 14:26-27).
O Pai valoriza e “ama ao seu Filho, e todas as cousas tem confiado às suas mãos” (Jo. 3:35). Estamos, agora, prontos para ouvir...

3. A Grande  Declaração, Vs. 7-9. Nesses versículos, Cristo está repetindo o que o Pai lhe disse nos tempos da eternidade. O assunto é o seu decreto inalterável. Cristo, como o Profeta de Deus, é aquele que revela os propósitos da Divindade; por isso, Ele começa, dizendo: “Proclamarei o decreto do Senhor” (V.7a). Cristo tem três assuntos para revelar:

a) A declaração pública de que o homem, Jesus de Nazaré, é o Cristo, o Filho de Deus, (At. 2:36; 18:5). “Porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl. 1:9). “Ele (o Pai) me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei” (V.16). Essa declaração foi feita quando Cristo ressuscitou dentre os mortos, (Rm. 1:4). O impacto da ressurreição silenciou todos os argumentos contra a Divindade de Cristo. A sua ressurreição é o prometido “sinal de Jonas” (Lc. 11:29-30).

b) A herança oferecida a Jesus Cristo. O Pai o convidou: “Pede-me, e eu te darei as nações por herança” (V.8). Aqui temos uma referência ao ministério intercessor de Cristo e como Ele suplica pela salvação de seu povo. E, de fato, Ele ajuntou para si mesmo uma “grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas” (Ap. 7:9). A intercessão de Cristo garante a salvação total de todo o seu povo; “e nenhum deles se perdeu” (Jo. 17:10).

c) Como Cristo conseguirá receber essa prometida herança? “Com vara de ferro as regerás e as  despedaçarás como um vaso de oleiro” (V.9). Cristo consegue as suas conquistas através de um domínio soberano e inflexível. O decreto afirma: “O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos” (Ap. 11:15). Esse reinado é tão soberano e seguro que ninguém pode resistir, (Rm. 9:19-24). À luz desse reinado, queremos saber o que devemos fazer em termos de preparo espiritual. Portanto, a necessidade de tomar...

4. A Grande Decisão, Vs. 10:12. Em vez de ser despedaçado pela ira de Cristo, é melhor sujeitar-se à sua regência, tomando as devidas decisões.

Primeiro, o texto se dirige às lideranças mundiais: “Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos advertir, juizes da terra. Servi ao Senhor com temor e alegrai-vos nele com tremor” (Vs. 10-11). Em vez de levantar-se contra o Senhor em rebelião, é melhor ser prudente e submeter-se a seu reinado. A advertência foi dada, é melhor obedecer e conservar a sua vida. Qual seria a evidência de uma decisão séria?  Servindo ao Senhor com temor e respeitando a sua majestade. Essa obediência não pode ser insincera e de má vontade, antes, deve ser realizada com alegria e tremor. Em outras palavras, por esse serviço as lideranças devem legislar leis justas que promovem a glória de Deus.  

Em segundo lugar, a advertência é dirigida aos povos em geral. “Beijai o Filho para que não se irrite e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira” (V.12a). O beijo, nesse contexto, é o ato de adoração. Os povos beijavam o deus Baal, (1Rs. 19:18). Mas, a ordem de Deus é “Não adorarás outro deus; pois o nome do Senhor é zeloso, sim, Deus zeloso é Ele” (Ex. 34:14). O resumo do nosso culto é este: “Beijai o Filho”, ou seja: “Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força” (Mc. 12:29-30).

E, finalmente, qual é a recompensa de tomar essas duas decisões? “Bem-aventurados todos os que nele se refugiam” (v.12). Beijar o filho, Jesus Cristo, é um ato de reconciliação, uma confiança na veracidade de sua Palavra, um sinal de submissão à sua autoridade e uma manifestação da adoração que lhe devemos. Eis o caminho para uma verdadeira bem-aventurança.

Conclusão: O Salmo começou descrevendo a fúria dos povos, uma fúria dirigida “contra o Senhor e o seu Ungido”, Jesus Cristo. Qual é a razão que provoca essa rebelião? Eles não aceitam as leis e o domínio de Deus. Por isso, a luta é para romper os laços e sacudir de si mesmos as restrições que a lei lhes impõe.

Mas, qual é a atitude de Deus diante dessa insurreição? “Ri-se aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles”. A rebelião é destinada a falhar e deixar os povos em plena confusão.

Qual é a providência que Deus deu, a fim de estabelecer ordem e justiça entre os povos? Ele enviou o seu próprio Filho, para reinar,  soberanamente, com uma vara de ferro, a fim de tomar posse da sua herança.


Qual é o conselho dado aos povos? Beijai o Filho e dai-lhe o culto que Ele tem o direito de receber. Esse é o caminho que nos oferece uma verdadeira segurança espiritual. Bem-aventurados todos os que se refugiam em Jesus Cristo, porque, nele, terão a salvação eterna. 

terça-feira, 10 de junho de 2014

UM AMOR ABNEGADO




Leitura Bíblica:

Introdução: A história desta mulher foi registrada em três dos Evangelhos: Mateus, Marcos e João. Com os dados colhidos, entendemos que Jesus e seus discípulos foram convidados para um jantar organizado na casa de Simão, o leproso, que desejava demonstrar a sua gratidão a Jesus pela purificação recebida. Além de Jesus e seus discípulos, foram convidados também Lázaro, ressuscitado dentre os mortos, e as suas duas irmãs, Marta e Maria. Todos têm seus motivos para agradecer a Deus: Simão, não mais leproso, reintegrado na vida social, podia convidar amigos para sua casa; Lázaro, agora com uma nova compreensão do valor da sua vida; e, Marta e Maria, abençoadas de maneira especial com as visitas de Jesus quando Ele passava por Betânia.

Todos os homens estavam à mesa, o jantar foi servido, o ambiente era festivo e, pelas conversas animadas, um clima de gratidão impregnava a sala. De repente, Maria, querendo demonstrar a sua gratidão e amor a Jesus de uma maneira mais expressiva, trouxe “um vaso de alabastro cheio de precioso bálsamo, que lhe derramou sobre a cabeça, estando ele (Jesus) à mesa”.

Vamos estudar esse ato e as reações que ele provocou, e, ao mesmo tempo, colher algumas lições importantes para a nossa vida.

1. Esse ato foi Revelador. Revelou a intensidade do amor de Maria e a abnegação da sua dedicação a Jesus. De onde ela adquiriu essa disposição espiritual? Quando Jesus passava na sua casa, em vez de ocupar-se com limpezas e comidas, “quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos” (Lc. 10:39). É necessário deixar as atividades do dia de lado quando queremos passar um tempo aprendendo dos ensinamentos das Escrituras Sagradas. Esse princípio foi praticado pelos piedosos do Antigo Testamento. Moisés confessou ao Senhor: “Na verdade, amas os povos, todos os teus santos estão na tua mão; eles se colocam aos teus pés e aprendem das tuas palavras” (Dt. 33:3). O nosso culto doméstico deve ser observado desta maneira: dedicando um tempo especifico, cada dia, para cantar hinos, ler a bíblia e orar. Com esse costume, cresceremos na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Quais foram os ensinamentos que Maria recebia dos lábios do Senhor? Embora a Bíblia não ofereça um exemplo, cremos que Ele repetia alguns dos seus ensinamentos públicos. Naquela ocasião, Jesus estava vivendo a última semana de sua vida aqui na terra. Ele já falava com seus discípulos sobre a iminência da sua morte e, agora, na presença de Maria, Ele repetiu a mesma verdade. Podemos imaginar Maria exclamando: Mas, Senhor, por quê? Ao que Jesus podia ter respondido: “Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc. 10:45). Cremos que Jesus passou a explicar o aspecto substitutivo da sua morte. Em vez do pecador sofrer a sentença da lei e receber o  salário do seu pecado, Jesus pagaria toda a dívida em seu lugar. Talvez Ele citou a profecia de Isaías para substanciar a sua afirmação: “ Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos” (Is. 53:6). Maria estava entendendo como ela mesma seria salva mediante a morte de Cristo, passando a confessar: O Senhor Jesus me amou e a si mesmo se entregou por mim.

Consciente da sua salvação eterna (Hb. 5:9), possivelmente, Maria fez a mesma pergunta do Salmista: “Que darei ao Senhor por todos os seus benefícios para comigo?” (Sl. 116:12). Ela não quis lhe dar algo que não custasse nada, por isso, lembrou do “vaso de alabastro cheio de precioso bálsamo”. Sim, foi uma oferta magnânima, mas o amor não pode ser medido em termos de dinheiro; o amor conhece limites, o amor oferece o melhor de tudo o que possui. Afinal, Jesus deu o seu tudo por nós, tendo dado a sua vida, Ele deu tudo o que possuía. Em termos práticos, o que devemos oferecer a Jesus? O Ap. Paulo responde: “ Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo  e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”. E como podemos fazer isso? Mediante uma consagração irrestrita. “E não vos conformeis com esse século, mas transformai-vos pela renovação  da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm. 12:1-2). Esse tipo de amor sempre requer uma abnegação da nossa parte.
2. Esse ato causou Revolta. Os discípulos, liderados por Judas Iscariotes, ficaram revoltados com a extravagância do ato de Maria. “Vendo isto, indignaram-se os discípulos e disseram: Para que este desperdício? Pois este perfume podia ser vendido por muito dinheiro e dar-se aos pobres.” Parece ser um raciocínio piedoso, porém, antes de dar a nossa anuência aos discípulos, devemos perguntar: Aquele perfume foi derramado sobre quem? Foi despejado sobre o corpo de Jesus Cristo, aquele que nos amou e a si mesmo se entregou por nós, pecadores condenados à morte eterna, para que pudéssemos ser redimidos, perdoados e abençoados com vida na presença de Deus. Gratidão por tais benefícios não se paga com moedas de prata. O valor da nossa oferta deve corresponder ao preço da benção que recebemos. É difícil compreender como Judas podia ser tão mesquinho na presença do seu Senhor!

Devemos tentar analisar os motivos da reação de Judas. Por que ele levantou a sua voz contra a devoção de Maria? Eis o que ele disse: “Por que não se vendeu o perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres?” Agora, vamos ouvir o comentário do Ap. João: “Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava” (Jo. 12:5-6). Evidentemente, Judas estava lamentando a perda de uma oportunidade para pilhar um dinheiro fácil. A cobiça continua sendo a raiz de toda sorte de corrupção moral. “ Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tg. 1:15). Vamos nos lembrar do fim tormentoso de Judas Iscariotes, (Mt. 27:3-5). A atitude de Judas tornou-se ainda mais odiosa porque estava querendo  lançar mão sobre o que foi oferecido a seu Senhor. Além disso, ele estava julgando e condenando a dedicação de uma pessoa que amava desprendidamente a Jesus Cristo. Assim, com palavras mentirosas e hipócritas, Judas tentava encobrir a sua própria falta de dedicação a Jesus Cristo.

O mau costume de julgar e condenar o zelo de certos cristãos que procuram dedicar a totalidade de sua vida ao serviço de Deus continua evidente em nossos dias. A ordem do Senhor é esta: “Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas” (Sl. 105:15). O zelo do seu povo é como uma boa ação, agradável aos olhos do Senhor.  Parece que a abnegação desses servos zelosos irrita os descomprometidos. Por que Judas Iscariotes ficou tão indignado com a devoção e o amor de Maria a seu Senhor e Salvador? Judas estava vendo em Maria uma dedicação que ele não tinha, e a sua consciência estava repreendendo a sua hipocrisia. Por que os fariseus levantaram tamanha oposição contra a pessoa de Jesus Cristo e o seu trabalho? Porque eles reconheceram que Jesus era fiel a Deus em seu ministério. Essa verdade trouxe à luz a hipocrisia desses homens e a sua consciência os acusava. E, querendo abafar essa voz acusadora, fizeram tudo ao seu alcance para silenciar e desacreditar a voz de Cristo, ou pela perseguição, ou pela morte. O Ap. Paulo, antes da sua conversão, conhecia o terror de uma consciência acusadora, por isso, Cristo lhe disse: “Dura cousa é recalcitrares contra os aguilhões” (At. 26:14). Em vez de resistir o Espírito Santo, que fala através da consciência, é melhor submeter-se e seguir o bom exemplo dos piedosos, como fizeram os tessalonicenses: “Com efeito, vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, tendo recebido a palavra, posto em meio de muita tribulação, com alegria do Espírito Santo, de sorte que vos tornastes o modelo para todos os crentes na Macedônia e na Acaia” (1 Ts. 1:6-7).

3. Esse ato foi Revivente. Qual foi a reação de Jesus diante daquela cena molestadora? “Por que molestais esta mulher?” Em seguida, Jesus justificou o procedimento de Maria com uma defesa quádrupla, da qual podemos observar:

a) Maria “praticou uma boa ação” para com Jesus. Ações espontâneas, quando não condenadas na lei de Deus, tornam-se boas ações se forem inspiradas por um amor sincero. Maria foi movida por um amor ilimitado a Jesus e foi elogiada por sua voluntariedade. Todas as nossas ações devem redundar para a glória de Deus, (1Co. 10:31). O Senhor Jesus reconheceu que Maria estava exaltando a sua Pessoa através desse ato. Será que estamos fazendo coisas para exaltar aquele que nos amou e a si mesmo se entregou por nós?

b) A Pessoa de Cristo é mais prioritária do que as necessidades imediatas de qualquer pobre. “Por que os pobres sempre tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes”. A prática de boas ações deve obedecer às normas de precedência. Alguns casos podem aguardar uma outra oportunidade, porém, existem situações que pedem uma ação imediata. Maria reconheceu que não teria outra oportunidade para demonstrar o seu amor a Jesus. Maria acreditou na morte iminente de Jesus, como Ele mesmo lhe dissera, por isso, a repentinidade da sua ação. Temos que discernir o momento mais propício para praticar uma boa ação. Maria teve esse discernimento.
c) A ação de Maria demonstrou uma percepção espiritual. “Pois derramando este perfume sobre o meu corpo, ela o fez para o meu sepultamento.” Ela acreditou na palavra  que Jesus lhe ensinara quanto à sua morte vicária e o seu sepultamento, por isso, resolveu  agir de acordo com o seu conhecimento, agradecendo a Jesus por sua morte substitutiva. Em vez de esperar até depois da sua morte, ela antecipou a manifestação de seu amor e o derramou sobre Jesus enquanto Ele ainda estava com vida. É uma futilidade demonstrar o nosso amor a um defunto, pois ele não tem mais consciência do nosso interesse.

d) Jesus quis que esse ato de Maria fosse lembrado  durante todo o tempo enquanto o Evangelho for pregado. “Em verdade vos digo: Onde for pregado o evangelho, será também contado o que ela fez para memória sua”. Maria deixou para nós todos  um exemplo de como podemos demonstrar o nosso amor a Jesus Cristo. Hoje é o dia mais aceitável, porque o amanhã pode ser tarde demais. O Ap. Paulo elogiou os Tessalonicenses por causa da constante evidência da abnegação de seu amor a Cristo. Que, através da espontaneidade do nosso amor a Cristo, possamos deixar um exemplo para aqueles que estão nos seguindo na vida cristã.

Conclusão: A história de como Maria ungiu o corpo de Jesus foi registrada nas Escrituras Sagradas para nos ensinar a importância de oferecer a Cristo um amor espontâneo e desprendido. Boas ações, por si, não têm nenhum valor espiritual se não forem motivadas por um amor sincero. “Ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (1 Co. 13:2-3).


As boas ações devem revelar o nosso amor a Cristo. Ele mesmo ensinou: “Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes (uma boa ação) a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt. 25:40). Mesmo que  alguns fiquem escandalizados com a abnegação da nossa oferta, Cristo sempre tem palavras viventes para nos encorajar. A exortação é esta: “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos” (Gl. 6:9).    



Rev. Ivan G. G. Ross

quinta-feira, 1 de maio de 2014

A Esperança dos Resgatados



Leitura Bíblica: Isaias 35:1-10


Introdução: “Os resgatados do Senhor voltarão e virão a Sião com cânticos de júbilo; alegria eterna coroará a sua cabeça; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido.” Is. 35:10

O capítulo todo entende que nós, “os resgatados do Senhor”, somos “estrangeiros e peregrinos sobre a terra (...) procurando uma pátria” (Hb. 11:13-14).A partir da nossa conversão a Jesus Cristo, saindo da morte espiritual e entrando na vida eterna, passamos a ser um povo impulsionado por uma grande esperança: a certeza de alcançar a cidade celestial, e isto com cânticos de vitória e de gratidão.

O texto nos dá algumas comparações, descrevendo a nossa vida antes de sermos resgatados por Jesus Cristo e o que somos agora, em pleno gozo desta benção. “A areia esbraseada se transformará em lagos, e a terra sedenta, em mananciais de água; onde outrora viviam os chacais, crescerá a erva com canas e juncos” (v7). Com essa transformação maravilhosa, “a nossa boca se encheu de riso, e nossa língua, de júbilo” (Sl. 126:2).

Mas não podemos deixar de enfatizar: Esta nova vida em Cristo tem um caminho diferente do que o mundo nos oferece – o caminho da santidade. “E ali haverá bom caminho, caminho que se chamará o Caminho do Senhor; o imundo não passará por ele, pois será somente para o seu povo; quem quer que por ele caminhe não errará, nem mesmo o louco. Ali não haverá leão, animal feroz não passará por ele, nem se achará nele; mas os remidos andarão por ele” (v. 8-9). Nesse caminho, temos plena proteção, segurança e direção. “O caminho de Deus é perfeito; a palavra do Senhor é provada; ele é escudo para todos os que nele se refugiam” (Sl. 18:30).

No V. 10, vemos, sem figura de linguagem, a felicidade dos resgatados e os motivos desta alegria transbordante. Vamos sentir o efeito da bem-aventurança de sermos chamados: “Os resgatados do Senhor”.

1. A Persuasão dos Resgatados. “Os resgatados do Senhor voltarão e virão a Sião com cânticos de júbilo”. Com certeza, eles serão chamados, regenerados e conduzidos para a vida eterna. Essa é a nossa persuasão e segurança; a vontade de Deus para ter um povo resgatado para si mesmo se realizará infalivelmente.

Mas precisamos entender o que está implícito na palavra “resgatado”. Ela se refere a uma circunstância de cativeiro onde não há possibilidade de livramento, exceto pelo pagamento de um resgate. Livramento é possível, sim, porém, somente mediante o pagamento do devido preço. Contudo, quem é que pode pagar o resgate para libertar o pecador? “Ao irmão, verdadeiramente, ninguém o pode remir, nem pagar por ele a Deus o seu resgate. (Pois a redenção da alma deles é caríssima, e cessará a tentativa para sempre)” (Sl 49:7-8).

Como pecadores, estávamos “mortos nos nossos delitos e pecados”, sem Cristo, estranhos às promessas de Deus, e sem esperança no mundo (Ef. 2:1,12). Mas, nessa situação de perda, Deus se mostrou misericordioso e enviou o seu Filho unigênito para pagar, através da sua morte vicária na cruz do Calvário, o preço da nossa redenção. O propósito principal da vinda de Cristo foi o de “dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc. 10:45). Não existia nenhum recurso com valor suficiente para redimir e salvar o pecador, senão a morte do próprio Filho de Deus. A experiência dos coríntios é igualmente a nossa. Éramos praticantes de toda sorte de pecado, mas Deus interveio: “Mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (1Co. 6:9-11). Por essa intervenção da parte de Deus, fomos resgatados, libertados da pena da morte espiritual e feitos herdeiros da vida eterna. E qual foi o preço pago a fim de nos resgatar dessa condenação? “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo “ (I Pe. 1:18-19).  Por causa do preço do nosso resgate, pesa sobre nós uma obrigação: “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (I Co. 6:20). Vamos sempre lembrar: Por causa do valor e da eficácia desse resgate, “os resgatados do Senhor voltarão e virão a Sião com cânticos de jubilo”. Assim, experimentamos o que o profeta predisse: “Vós, com alegria, tiráveis água das fontes da salvação” (Is. 12:3). “ Eles verão a glória do Senhor e o esplendor do nosso Deus”.

2. A Persistência dos Resgatados. “Alegria eterna coroará a sua cabeça”. A experiência de ver a glória do Senhor e onde Ele habita no céu estimula os resgatados a persistir em sua caminhada cristã, sabendo que uma coroa está  reservada para os vencedores. Cristo alimenta esta esperança dizendo: “ Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap. 2:10). Notemos que esta coroa sempre se associa com a persistência, chegando ao fim da nossa vida como servos fiéis, confessando, à semelhança do Ap. Paulo: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé” (2 Tm. 4:7).

Devemos perguntar: “Persistência em quê? Imitando os primeiros cristãos, que “perseveraram na doutrina dos apóstolos”, isto é, nas verdades que os apóstolos receberam verbalmente do Senhor Jesus Cristo, quando andavam juntos aqui na terra. O Ap.Pedro declarou algumas dessas verdades em suas primeiras mensagens, registradas no Livro de Atos dos Apóstolos. Fundamental à fé cristã   é crer em Jesus Cristo, o Filho de Deus, e em tudo o que Ele fez a fim de salvar pecadores: Crer em sua morte substitutiva – Ele morreu em nosso lugar. Nele, “temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7). Crer em sua ressurreição dentre os mortos – Ele ressuscitou para a nossa justificação, para que nós pudéssemos ser recebidos como inocentes e feitos filhos de Deus. “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm. 5:1). Crer na ascensão corporal – Ele subiu para o “céu e assentou-se a destra de Deus”, de onde reina soberanamente sobre tudo o que acontece aqui na terra. Entre outras atividades, ele está arrebanhando o seu povo resgatado e preparando-o para a consumação do século, quando Ele voltará para julgar os vivos e mortos, (2 Tm. 4:1). A fé em Jesus Cristo é de tal importância que “não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At. 4:12). E, para reforçar a importância de permanecer na fé, a Bíblia exorta: “Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardamos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos” (Hb. 3:14).

A coroa que receberemos é descrita como uma “eterna alegria”, uma “ alegria indizível e cheia de glória”. Não é uma alegria momentânea, antes, é uma alegria eterna que jamais desvanecerá. E, enquanto caminhamos rumo à cidade celestial, esta alegria incipiente se manifesta “falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando graças por tudo ao nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef. 5:19-20). Como a Bíblia afirma: “ O reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm. 14:17).

3. A Perspectiva dos Resgatados. “Gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido.” A Bíblia tem muitas grandes e preciosas promessas que nos oferecem uma perspectiva de valiosos recursos, cada um à nossa disposição. Repetimos a promessa dada no início deste versículo: “Os resgatados do Senhor voltarão e virão a Sião com cânticos de júbilos”. Sim, com toda certeza, sem nenhuma sombra de dúvida, os resgatados do Senhor hão de chegar à cidade celestial com “cânticos de júbilo”. E, na frase que estamos examinando, “o gozo e alegria” hão de alcançar a vida dos resgatados do Senhor. Tribulações de toda sorte são experiências de todos os cristãos, mas, não chegam a nós ininterruptamente; temos bons momentos de alento, pois, “gozo e alegria” hão de nos alcançar no momento certo. “Ao anoitecer pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã” (Sl. 30:5). Quanto ao aspecto do sofrimento, o Ap. Paulo confessou: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós”, pois o “gozo e a alegria” hão de nos alcançar, inclusive nesta vida presente. Por isso, o Ap. Pedro nos encorajou, dizendo: “ Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma cousa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação da sua glória, vos alegreis exultando” (1Pe. 4:12-13). Sim, esta alegria, no meio de circunstâncias negativas é possível, porque a promessa é esta: “gozo e alegria” hão de alcançar os resgatados do Senhor. Não existe coisa alguma que possa impedir a chegada desta bem-aventurança.

Possivelmente, as expressões: “tristeza e gemido” são personificadas como perseguidores do povo de Deus, cujo objetivo principal é impossibilitar a plena experiência deste “gozo e alegria” na vida dos resgatados. Mas, graças a Deus, essa perseguição, com certeza, será sempre frustrada. Como? Quando Deus é servido em aplicar a sua promessa de “gozo e alegria” a seu povo, a “tristeza e gemido” são obrigados a fugir e a deixar os resgatados do Senhor desfrutar dos frutos dessa promessa. Nesta vida, com gratidão a Deus, experimentamos as primícias desse “gozo e alegria”, porém, no céu, teremos as plenitudes dessa bem-aventurança, porque o Senhor “lhes enxugará dos olhos toda lágrima e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras cousas passaram” (Ap. 21:4),


Conclusão: Quanto à infalibilidade das promessas de Deus, a nossa confiança se baseia no ensino das Escrituras Sagradas, que afirmam: “Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio”  (2Co. 1:20). Vimos a persuasão dos resgatados. Sim, estes hão de entrar na cidade celestial, com jubilo. Também, reconhecemos a persistência dos resgatados. Eles persistirão fiéis até a morte, porque são motivados pela esperança de uma alegria eterna. E, vimos a perspectiva dos resgatados. Sim, a “tristeza e o gemido” hão de fugir para longe, deixando os resgatados do Senhor desfrutar do gozo e da alegria para todo o sempre, O nosso apelo é este: “Buscai o Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto” (Is. 55:6).   

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

As Marcas da Piedade



Leitura Bíblica: Salmo 91:1-16

Introdução; De modo geral, nos versículos 1-13, o Salmista está citando as promessas que aqueles que confiam no Senhor podem experimentar em sua vida diária. Mas, nos versículos 14-16, é o próprio Senhor quem fala. Ele está examinando os hábitos dos homens aqui na terra. E, nessa perscrutação, Ele menciona as pessoas que têm as marcas de uma verdadeira piedade. Elas são reconhecidas por causa do seu amor a Deus, do seu conhecimento do nome do Senhor e da sua vida de oração. Embora haja outras marcas da piedade, elas estão todas implícitas nesses três itens. E, o que desperta o nosso interesse, é o que o Senhor promete fazer para aqueles que têm essas três marcas. Ele é sempre “Galardoador dos que o buscam” Hb 11:6. Pois, a promessa é esta: “Todo aquele que crê não será confundido.” – não será envergonhado diante de seus colegas por causa de uma confiança bíblica que não deu certo. Vamos observar essa reciprocidade entre Deus e o seu povo. O piedoso faz algo que desperta o reconhecimento de Deus e como Ele reage diante desses atos de devoção.

1) Em primeiro lugar: Como o piedoso é reconhecido. Ele ama a Deus. Diz o Senhor: “Porque a mim se apegou com amor.” O amor é mais do que uma mera emoção, é uma ação benéfica em favor do amado. O Ap. João nos exorta: “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade.” I Jo 3:18. E, quando amamos a Cristo, eis a evidência: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” Jo 14:15. Portanto, o verdadeiro amor é praticado através da obediência aos preceitos que se referem à prática do amor. “O amor não pratica o mal contra o seu próximo: de sorte que o cumprimento da lei é o amor.” Rm 13:10. Estamos amando a Deus quando obedecemos aos primeiros quatro mandamentos do decálogo; e, semelhantemente, estamos amando o nosso próximo quando obedecemos aos demais seis mandamentos do decálogo, Ex 20:1-17. Quando o Senhor viu que o piedoso se apegou com amor a Ele, Ele viu um homem que o amava de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento, Lc 10:27. Os seus atos visíveis revelaram a intensidade de seu amor. “E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos.”  II Jo 6.

Agora, vamos ver como Deus abençoa aqueles que se apegam a Ele com amor. Ele mesmo promete: “Eu o livrarei.” Subtende-se que o Salmista enfrentava diversas formas de perigo: terror noturno, setas que voavam de dia, a peste que se propagava nas trevas, a mortandade, versículos 6-7. Seja qual for a natureza específica desses quatro males, cremos que o Senhor tem controle absoluto sobre cada um. Esse livramento nem sempre é literal nesta vida; às vezes, ele vem através da morte, quando somos retirados do combate para estarmos para sempre com o Senhor. Assim, seja qual for o final, podemos cantar: “Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo”. I Co 15:57.

2) Em Segundo Lugar:  Como o piedoso é reconhecido. Ele conhece a natureza de Deus. Diz o Senhor: “Porque conhece o meu nome.” Na Bíblia, um “Nome” representa a totalidade da pessoa indicada, a sua natureza moral e a vocação que exerce. Jesus recebeu o seu nome, porque significa “Salvador.” Ele salva o seu povo dos pecados deles, Mt 1:21. Quando Moisés quis conhecer melhor o seu Deus, ele recebeu esta revelação: “Tendo o SENHOR descido na nuvem, ali esteve junto dele (Moisés) e proclamou o nome do SENHOR. E passando o SENHOR por diante dele (Moisés) clamou: SENHOR, SENHOR, Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniquidade, as transgressões e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até a terceira e quarta geração.”  Ex 34:5-7. Nessa revelação, o nome do SENHOR foi anunciado enumerando alguns de seus atributos. Por natureza, o nosso Deus é conhecido por causa de suas virtudes. “O que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles (os homens), porque Deus lhes manifestou.” Rm 1:19. Em nosso contato com Ele, descobrimos que Ele é compassivo, clemente, longânimo, misericordioso, fiel, perdoador e justo. É exatamente por causa do reconhecimento desses atributos em nosso Deus que somos atraídos a Ele e encorajados a entregar a nossa vida aos cuidados dele. O homem piedoso do nosso Salmo conheceu o Senhor por causa da auto-revelação dos atributos divinos atuando em sua vida. Crer em Deus e honrar o seu nome significa acreditar que Ele é acessível aos pecadores arrependidos por causa desses atributos de acessibilidade.

 Agora, vamos ver como Deus abençoa aqueles que conhecem o seu nome. Ele mesmo promete: “Pô-lo-ei a salvo”. O pensamento é “elevar em segurança” Sl 20:1; ou “por cima do alcance dos adversários.” Sl 59:1. Aqueles que têm as marcas indeléveis da verdadeira piedade podem confiar na fidelidade de Deus. De uma ou de outra forma, Ele coloca o seu povo “por cima do alcance de seus adversários”. Com essa mesma confiança, o Apóstolo faz a pergunta retórica: “Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas cousas, porém, somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou”- Jesus Cristo, Rm 8:35-37. Sim, a prometida proteção que o piedoso recebe em sua vida espiritual é motivo de louvor e gratidão para sempre.

3) Em terceiro lugar: Como o piedoso é reconhecido. Ele é homem de oração. O Senhor testificou: “Ele me invocará.” O ato de invocar o nome do Senhor tem um tríplice sentido: a) É uma maneira de confessar, publicamente: Eu pertenço ao Senhor. Em contraste com os filhos de Caim, os filhos de Sete “Começaram a invocar o nome do Senhor.” Gn 4:26. Eles se separaram dos filhos de Caim, a fim de estarem livres para pertencer e servir ao Senhor. Abraão, ao entrar na terra de Canaã, “edificou um altar e invocou o nome do Senhor”. Gn 12:8. Desde o início, Abraão anunciou aos cananeus que pertencia e servia ao Deus vivo e verdadeiro. b) Invocar o nome do Senhor é também um ato de culto público. “Vinde, cantemos ao Senhor, com júbilo, celebremos o rochedo da nossa salvação. Saiamos ao seu encontro, com ações de graças, vitoriemo-lo com salmos. Porque o Senhor é o Deus supremo e o grande Rei acima de todos os deuses”. Sl 95:1-3. c) É o momento quando confessamos a nossa total dependência das providências do Senhor. “Não andeis ansiosos de cousa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças”. Fl 4:6. Ou, como o Ap. Pedro disse: “Lançando sobre ele (Senhor) toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós.” I Pe 5: 7. Senhor, ensina-nos a invocar o teu nome como convém!

Agora, vamos ver como Deus abençoa aqueles que invocam o seu nome. O salmista fala de cinco dádivas que o Senhor promete lhes dar:

1°) “E eu lhe responderei.” As respostas estão sempre condicionadas à vontade de Deus. Ele não promete responder todo e qualquer tipo de oração. Os nossos pedidos têm que estar de acordo com as promessas das Escrituras Sagradas. Por isso, o Ap. João concluiu: “E esta é a confiança que temos para com ele: que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, Ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtivemos os pedidos que lhe temos feito”. I Jo 5: 14-15.

2°) “Na sua angústia eu estarei com ele”. Uma das últimas palavras de Cristo a seus discípulos foi: “E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” Mt 28:20. E o salmista testemunhou: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam” Sl 23:4.

3°) “Livrá-lo-ei e o glorificarei”. Davi foi cruelmente perseguido pelo rei Saul, mas o Senhor “o livrou de todas as suas tribulações.” Sl 34:6 E, não apenas isso, ele foi glorificado, sendo feito rei sobre Israel. Mas, o cristão é mais feliz ainda, porque, além de ser libertado de todas as suas tribulações, ele é glorificado e habitará na presença do Senhor para todo sempre. O Ap. Paulo, meditando sobre essa esperança, disse: “Sabemos que todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.” Rm 8:28-31.

4°)”Saciá-lo-ei com longevidade.” Sabemos que ninguém pode garantir a sua longevidade, porque a morte não se limita a trabalhar somente entre os idosos. Ela ceifa as suas vítimas a partir dos recém nascidos. Então, o que significa essa longevidade?” Para aquele que é salvo por Cristo Jesus, ele já tem a vida eterna, Jo 3:36. Seja qual for a sua idade na hora da morte, a vida continua, não mais aqui na terra, mas, sim, para todo o sempre, na presença daquele que nos amou e a si mesmo se entregou por nós. Essa é a longevidade em toda a sua ininterrupta plenitude.

5°) ”Eu lhe mostrarei a minha salvação.” Tendo alcançado a verdadeira longevidade, e já estando no céu, descobriremos o verdadeiro sentido da salvação que temos pela fé em Jesus Cristo. No momento: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”. I Co 2:9. Mas, no céu, ao contemplar “a face” do Autor dessa salvação, cremos que seremos plenamente saciados, porque nele estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. Cl 2:3 “Eis que Deus é a minha salvação; confiarei e não temerei; porque o Senhor Deus é a minha força e o meu cântico; ele se tornou a minha salvação. Vós com alegria tirareis água das fontes da salvação.” Is 12:2-3

Conclusão: A Bíblia registra: “Do céu olha Deus para os filhos dos homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus.” Sl 53:2. E, quando vê um homem que se apegou a Ele com amor, que já o conhece por experiência própria, e que o invoca com assiduidade, podemos imaginar a sua alegria. Como o Senhor demonstra essa alegria? Ele reage, garantindo ao piedoso uma profusão de promessas valiosas. O Ap.Pedro fala das “preciosas e mui grandes promessas,” cada uma é dada para nos fortalecer e nos encorajar em nossa perseverança. Que possamos aprender a tomar posse dessas promessas e a crescer na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.



Rev. Ivan G. G. Ross

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A LEI DE DEUS



A lei, em toda a sua abrangência, é a revelação da justiça e da santidade de Deus. “ Por conseguinte, a lei é santa; e o mandamento, santo, e justo, e bom” (Rm. 7:12). Essa lei foi dada para que o homem pudesse ser semelhante a seu Criador. “Como filhos da obediência, não vos moldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe.1:14-16). E, por ser a revelação de Deus, o Salmista podia confessar: “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!” (Sl. 119:97).

Mas, apesar da relativa simplicidade dessa revelação, sempre existiram “contendas e debates sobre a lei”, lutas para impor uma interpretação que servia os próprios interesses (Tt. 3:9). A lei não foi dada para ser discutida, foi dada para ser observada. “Se ouvires a voz do Senhor, teu Deus, virão sobre ti e te alcançarão todas estas bênçãos. (...) Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do Senhor, teu Deus, não cuidando em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos que, hoje, te ordeno, então, virão todas estas maldições sobre ti e te alcançarão” (Dt. 28:1-68). Nesse contexto, Moisés disse: “Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal” (Dt. 30:15). A lei, portanto, foi dada para direcionar o povo no caminho em que devia andar, a fim de agradar a Deus e desfrutar de uma verdadeira comunhão espiritual com Ele.

Para entender melhor a lei e o seu propósito, é importante saber que ela atuava em três áreas diferentes: constitucional, cerimonial e moral. A parte constitucional, as leis que regiam o estado de Israel, já perdeu a sua validade, porque Israel, como país teocrático que existia no Antigo Testamento, não mais existe. A parte cerimonial, as leis que se referiam aos sacrifícios de animais e aos ritos de purificação que preparavam o povo para os atos de culto, também já perdeu o seu lugar na vida do homem, porque, quando Cristo veio, Ele cumpriu tudo o que essas cerimônias indicavam. “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm. 10:4). E, a parte moral, os Dez Mandamentos e a exposição dos mesmos, continua em pleno vigor, porque ela determina como o homem deve se comportar diante de Deus e diante do seu próximo. Com respeito à lei moral, Cristo declarou: “Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir”. E, em seguida, Ele mostra como se cumpre a lei moral, (Mt. 5:17-42). “O cumprimento da lei é o amor” (Rm. 13:10). Isto é: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lc. 10:27). Portanto, a nossa santidade se revela mediante a observância da lei moral, que é o nosso padrão modelar. Quando o Espírito Santo convence o pecador da sua culpabilidade, Ele aplica a lei moral à sua consciência. O Ap. Paulo descobriu a sua própria pecaminosidade porque a lei disse: “Não cobiçarás.” (Rm. 7:7). É “pela lei que vem o pleno conhecimento do pecado”. Falando negativamente, a lei não tem nenhuma provisão perdoadora para oferecer aos transgressores. A sua função é condenar o pecador. “A alma que pecar, essa morrerá”, pois, “o salário do pecado é a morte” (Ez. 18:4; Rm. 6:23). Mas, positivamente, “A lei nos serviu de aio (instrutor) para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé” (Gl. 3:24).

Quando o Novo Testamento diz que alguém está “debaixo da lei”, geralmente se refere à pessoa que ainda acredita na necessidade de obedecer aos preceitos cerimoniais, tais como “comida e bebida, ou dias de festas, ou lua nova, ou sábados” (Cl. 2:16). E, por estar “debaixo da lei”, não é possível estar “debaixo da graça” (Rm. 6:14). Quando alguém se converte, ele abandona o jugo da lei cerimonial, a fim de viver sob a “graça de Deus” (Tt. 2:11-14). A salvação não pode ser alcançada mediante a prática das obras da lei, porque ela é o dom gratuito da graça de Deus. “Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei (a observância dos ritos da lei cerimonial) e  sim mediante a fé em Jesus Cristo, também temos crido em Cristo Jesus para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois por obras da lei, ninguém será justificado” (Gl. 2:16).

Qual é o pecado principal que a pessoa comete quando confia nas obras da lei cerimonial para ser salvo? Está desprezando a suficiência da morte substitutiva de Jesus Cristo. Não é uma negação frontal da morte de Cristo, contudo, está implícito o desprezo da sua perfeição, porque ela acredita que tem que complementar o sacrifício de Cristo com as obras da lei, a fim de ser salvo. Os judaizantes do Novo Testamento asseveravam: “Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés não podeis ser salvos” (At. 15:1). E, em nossos dias: Se não for batizado por imersão, não pode ser salvo; ou, se não observar o sábado, não pode ser salvo. Mas, seja qual for o acréscimo, a pessoa está negando a suficiência do sacrifício de Cristo, aquele que é poderoso para salvar totalmente todo o que nele crê (Hb.7:25).  O Ap. Paulo declarou a consequência fatal desses acréscimos: “ De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça desligastes” (Gl. 5:4). E, desligado de Cristo, não há possibilidade de ser salvo. Outro pecado praticado pelos adeptos às obras da lei é a falta de amor. Em seu zelo de proselitismo, negligenciam a lei régia: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Tg.2:8). “Ora, o seu mandamento é este: que creiamos em o nome de seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que ele nos ordenou” (1 Jo. 3:23).

Por causa da multiplicação de seitas em nossos dias, devemos dar ouvidos à palavra apostólica: “Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina (a suficiência do sacrifício de Cristo para nos salvar) não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe dá boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más” (2Jo. 10:11).

Rev. Ivan G. G. Ross

03/12/2013

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Rostos Desvendados



“E todos nós, com rosto (entendimento) desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2 Co. 3:18).

Introdução: O contexto desse versículo se encontra em Êxodo 34:29-35. Moisés “esteve com o Senhor quarenta dias e quarenta noites, não comeu pão, nem bebeu água; e escreveu nas tábuas as palavras da aliança, as dez palavras (...). Quando desceu do monte, não sabia Moisés que a pele do seu rosto resplandecia, depois de haver Deus falado com ele” (Ex. 34:28-29). Parte da benção sacerdotal impetra: “O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti” (Nm. 6:25). Quando estamos em plena comunhão com Deus, seu rosto resplandece sobre nós, e o efeito é semelhante ao que aconteceu com Moisés: o nosso rosto, ou melhor, o nosso entendimento brilha com a maravilha das palavras “da aliança”, as promessas de um Salvador.

Mas a história de Moisés continua, descrevendo como os filhos de Israel reagiram ao vê-lo. “Eis que resplandecia a pele do seu rosto; e temeram chegar-se a ele”. Por que esse medo? A santidade do Senhor se manifestou, uma santidade que o povo não quis conhecer e nem adotar. Por isso, quando Moisés falava com o povo, ficou constrangido e “ pôs um véu sobre seu rosto”. Esse véu, que não deixou o povo contemplar a glória do Senhor que se manifestava mediante a proclamação da sua palavra, deve ser visto como um castigo judicial, por causa da rebelião e incredulidade deles. O profeta Isaías recebeu esta ordem: “Vai a este povo e dize-lhe: De ouvido, ouvireis e não entendereis; vendo, vereis e não percebereis. Porquanto o coração deste povo se tornou endurecido; com os ouvidos ouviram tardiamente e fecharam os olhos, para que jamais vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, para que não entendam com o coração, e se convertam, e por mim sejam curados” (At. 28:26-27). O Ap. Paulo ofereceu esta interpretação inspirada: “Mas o sentindo deles se embotaram (se insensibilizaram). Pois até ao dia de hoje, quando fazem a leitura da Antiga Aliança, o mesmo véu permanece, não lhes sendo revelado que, em Cristo, é removido. Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu é retirado” (2Co. 3:14-16). Agora, podemos perceber melhor a importância do V. 18 da nossa leitura.

1. O Entendimento Desvendado. “E todos nós, com o rosto (entendimento) desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor”. O véu foi retirado do nosso entendimento quando o Espírito Santo nos converteu a Jesus Cristo.

Conversão é uma meia volta: em vez de servirmos a nós mesmos, viramos, e passamos a servir o Deus verdadeiro. Conversão é arrepender-se dos pecados, abandonando-os para que possamos praticar o que Deus tem prescrito para nós nas Escrituras Sagradas. Conversão é deixar de ser incrédulo, é deixar de confiar em nossos próprios méritos, a fim de acreditar na providência de Deus para a nossa salvação. Jesus Cristo é essa providência. Temos que reconhecer a seriedade desse ponto, porque, como Cristo afirmou: “Se não credes que Eu Sou (o prometido Messias e Salvador) morrereis em vossos pecados” (Jo. 8:24).

O Apóstolo faz referência às limitações da nossa compreensão espiritual. Vemos “como espelho”, como se estivéssemos contemplando o nosso rosto refletido na água. Reconhecemos a realidade, porém, nem sempre com a devida clareza. Contudo, apesar dessa limitação, reconhecemos “a glória de Deus”, que é a pessoa de Jesus Cristo. Através da leitura das Escrituras, podemos aumentar a nossa compreensão das verdades espirituais. Por isso, o Ap. Pedro exorta: “Desejai, ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para a salvação, se é que já tendes a experiência de que o Senhor é bondoso” (I Pe. 2:2). Não há necessidade, no início, de entender as profundezas de todas as verdades espirituais; tendo Cristo em nossa vida, temos o suficiente para desfrutar da certeza da nossa aceitação diante de Deus. A partir dessa união com Cristo, passamos a crescer na graça e no conhecimento da verdade. “Por isso, quem crê no Filho (de Deus) tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho (não lhe dando o devido reconhecimento), não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo. 3:36).

2. O Entendimento Transformado. “Somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem”. Somos transformados quando nos convertemos ao Senhor: “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl. 1:13). Devemos saber o que significa ser transformado: “Assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as cousas antigas já passaram, eis que se fizeram novas” (2 Co. 5:17). Deixamos as práticas pecaminosas a fim de adotar uma vida santa e irrepreensível.

Essa transformação “de glória em glória”, indica um progresso espiritual. O nosso primeiro encontro com Cristo, a sua misericórdia para conosco e o perdão de todos os nossos pecados, encheram o nosso coração de glória, ou seja, a honra de sermos chamados filhos de Deus. Mas essa não é a única glória que experimentamos. Dia após dia, independente de circunstâncias negativas, somos sustentados com a graça de Deus. O Ap. Paulo, sentindo o sofrimento causado por um “espinho na carne”, porém, sustentado pela graça de Deus, podia confessar: “De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo” (2. Co. 12:9). O Salmista confessava: “ Bem-aventurado o homem cuja força está no Senhor, em cujo o coração se encontram os caminhos aplanados, o qual passando pelo vale árido, faz dele um manancial, de bênçãos o cobre a primeira chuva. Vão indo de força em força, cada um deles aparece diante de Deus em Sião” (Sl. 84: 5-7).

Mas a glória maior é o fato de que estamos sendo transformados na própria imagem de Deus. No início, fomos criados à sua imagem, mas essa glória ficou desfigurada pelo pecado. Agora, em Cristo, ela está sendo restaurada. O Ap. Paulo descreveu essa imagem em termos de justiça, retidão e o pleno conhecimento, (Ef. 4:24; Cl. 3:10). Justiça, plena aceitação diante de Deus; retidão, plena harmonia com o nosso próximo, porque não mais lhe fazemos mal. Essas duas virtudes são realidades em nossa experiência, porque, agora, em Cristo, com o entendimento desvendado, o pleno conhecimento da vontade de Deus está operando eficazmente em nossa vida. Que sejamos visivelmente transformados, “cheios do fruto da justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus” (Fl. 1:11).

3. O Entendimento Iluminado. “Como pelo Senhor, o Espírito”. Observemos a colocação dessa frase. Temos a identidade do operador dessas bênçãos. Ele é o Espírito, a terceira pessoa da Santíssima Trindade; e temos a sua posição. Ele é o Senhor, aquele que tem a competência exclusiva para aplicar a vontade da Divindade ao homem pecador. Deus quer que os pecadores arrependidos saibam que seus pecados são perdoados e que “deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (Jo. 1:12). “ O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm. 8:16). Devemos valorizar o dom do Espírito Santo, pois é Ele que nos capacita a adorar a Deus em espírito e em verdade. Por isso, o apóstolo nos exorta: “Enchei-vos do Espírito (sendo completamente controlados por Ele), falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos, uns aos outros no temor de Cristo” (Ef. 5:18-21). E uma palavra final: “Não apagueis o Espírito”, a nossa bem-aventurança depende da sua livre atuação, (I Ts. 5:19).

A obra de desvendar e transformar o nosso entendimento é atribuída ao Espírito Santo. Portanto, é importante perguntar: Como é que o Espírito Santo realiza essa obra? A resposta é uma só: Ele realiza todos os seus propósitos na vida do homem pela aplicação eficaz das Escrituras Sagradas ao entendimento das pessoas. O Ap. Paulo registrou a sua oração em favor dos cristãos, observando que o lugar principal onde o Espírito Santo atua está “no homem interior” do nosso ser. Ele embasou sua oração “segundo a riqueza” da glória de Deus. E, nessa confiança, pediu que os cristãos fossem “fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior”; que Cristo habitasse em seu  “coração”; que, pela fé, estivessem “arraigados e alicerçados em amor”; que pudessem “compreender, com todos os santos”, as plenitudes do “amor de Cristo, que excede todo entendimento”; enfim, que fossem “tomados de toda a plenitude de Deus” (Ef. 3:16-19). Essa oração pode ser considerada como exemplo de orar “ no Espírito” (Ef. 6:18).


Conclusão: Em nosso estado natural, sem qualquer obra regeneradora da parte de Deus em nossa vida, temos um véu invisível que embota a nossa compreensão das Escrituras Sagradas. Mas essa insensibilidade é removida quando alguém se converte ao Senhor Jesus Cristo. Assim, com o nosso entendimento desvendado, podemos progredir na graça e no conhecimento da vontade do nosso Deus. “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação no temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fl. 2:12-13).