Vasos de Honra

terça-feira, 10 de junho de 2014

UM AMOR ABNEGADO




Leitura Bíblica:

Introdução: A história desta mulher foi registrada em três dos Evangelhos: Mateus, Marcos e João. Com os dados colhidos, entendemos que Jesus e seus discípulos foram convidados para um jantar organizado na casa de Simão, o leproso, que desejava demonstrar a sua gratidão a Jesus pela purificação recebida. Além de Jesus e seus discípulos, foram convidados também Lázaro, ressuscitado dentre os mortos, e as suas duas irmãs, Marta e Maria. Todos têm seus motivos para agradecer a Deus: Simão, não mais leproso, reintegrado na vida social, podia convidar amigos para sua casa; Lázaro, agora com uma nova compreensão do valor da sua vida; e, Marta e Maria, abençoadas de maneira especial com as visitas de Jesus quando Ele passava por Betânia.

Todos os homens estavam à mesa, o jantar foi servido, o ambiente era festivo e, pelas conversas animadas, um clima de gratidão impregnava a sala. De repente, Maria, querendo demonstrar a sua gratidão e amor a Jesus de uma maneira mais expressiva, trouxe “um vaso de alabastro cheio de precioso bálsamo, que lhe derramou sobre a cabeça, estando ele (Jesus) à mesa”.

Vamos estudar esse ato e as reações que ele provocou, e, ao mesmo tempo, colher algumas lições importantes para a nossa vida.

1. Esse ato foi Revelador. Revelou a intensidade do amor de Maria e a abnegação da sua dedicação a Jesus. De onde ela adquiriu essa disposição espiritual? Quando Jesus passava na sua casa, em vez de ocupar-se com limpezas e comidas, “quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos” (Lc. 10:39). É necessário deixar as atividades do dia de lado quando queremos passar um tempo aprendendo dos ensinamentos das Escrituras Sagradas. Esse princípio foi praticado pelos piedosos do Antigo Testamento. Moisés confessou ao Senhor: “Na verdade, amas os povos, todos os teus santos estão na tua mão; eles se colocam aos teus pés e aprendem das tuas palavras” (Dt. 33:3). O nosso culto doméstico deve ser observado desta maneira: dedicando um tempo especifico, cada dia, para cantar hinos, ler a bíblia e orar. Com esse costume, cresceremos na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Quais foram os ensinamentos que Maria recebia dos lábios do Senhor? Embora a Bíblia não ofereça um exemplo, cremos que Ele repetia alguns dos seus ensinamentos públicos. Naquela ocasião, Jesus estava vivendo a última semana de sua vida aqui na terra. Ele já falava com seus discípulos sobre a iminência da sua morte e, agora, na presença de Maria, Ele repetiu a mesma verdade. Podemos imaginar Maria exclamando: Mas, Senhor, por quê? Ao que Jesus podia ter respondido: “Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc. 10:45). Cremos que Jesus passou a explicar o aspecto substitutivo da sua morte. Em vez do pecador sofrer a sentença da lei e receber o  salário do seu pecado, Jesus pagaria toda a dívida em seu lugar. Talvez Ele citou a profecia de Isaías para substanciar a sua afirmação: “ Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos” (Is. 53:6). Maria estava entendendo como ela mesma seria salva mediante a morte de Cristo, passando a confessar: O Senhor Jesus me amou e a si mesmo se entregou por mim.

Consciente da sua salvação eterna (Hb. 5:9), possivelmente, Maria fez a mesma pergunta do Salmista: “Que darei ao Senhor por todos os seus benefícios para comigo?” (Sl. 116:12). Ela não quis lhe dar algo que não custasse nada, por isso, lembrou do “vaso de alabastro cheio de precioso bálsamo”. Sim, foi uma oferta magnânima, mas o amor não pode ser medido em termos de dinheiro; o amor conhece limites, o amor oferece o melhor de tudo o que possui. Afinal, Jesus deu o seu tudo por nós, tendo dado a sua vida, Ele deu tudo o que possuía. Em termos práticos, o que devemos oferecer a Jesus? O Ap. Paulo responde: “ Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo  e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”. E como podemos fazer isso? Mediante uma consagração irrestrita. “E não vos conformeis com esse século, mas transformai-vos pela renovação  da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm. 12:1-2). Esse tipo de amor sempre requer uma abnegação da nossa parte.
2. Esse ato causou Revolta. Os discípulos, liderados por Judas Iscariotes, ficaram revoltados com a extravagância do ato de Maria. “Vendo isto, indignaram-se os discípulos e disseram: Para que este desperdício? Pois este perfume podia ser vendido por muito dinheiro e dar-se aos pobres.” Parece ser um raciocínio piedoso, porém, antes de dar a nossa anuência aos discípulos, devemos perguntar: Aquele perfume foi derramado sobre quem? Foi despejado sobre o corpo de Jesus Cristo, aquele que nos amou e a si mesmo se entregou por nós, pecadores condenados à morte eterna, para que pudéssemos ser redimidos, perdoados e abençoados com vida na presença de Deus. Gratidão por tais benefícios não se paga com moedas de prata. O valor da nossa oferta deve corresponder ao preço da benção que recebemos. É difícil compreender como Judas podia ser tão mesquinho na presença do seu Senhor!

Devemos tentar analisar os motivos da reação de Judas. Por que ele levantou a sua voz contra a devoção de Maria? Eis o que ele disse: “Por que não se vendeu o perfume por trezentos denários e não se deu aos pobres?” Agora, vamos ouvir o comentário do Ap. João: “Isto disse ele, não porque tivesse cuidado dos pobres; mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, tirava o que nela se lançava” (Jo. 12:5-6). Evidentemente, Judas estava lamentando a perda de uma oportunidade para pilhar um dinheiro fácil. A cobiça continua sendo a raiz de toda sorte de corrupção moral. “ Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tg. 1:15). Vamos nos lembrar do fim tormentoso de Judas Iscariotes, (Mt. 27:3-5). A atitude de Judas tornou-se ainda mais odiosa porque estava querendo  lançar mão sobre o que foi oferecido a seu Senhor. Além disso, ele estava julgando e condenando a dedicação de uma pessoa que amava desprendidamente a Jesus Cristo. Assim, com palavras mentirosas e hipócritas, Judas tentava encobrir a sua própria falta de dedicação a Jesus Cristo.

O mau costume de julgar e condenar o zelo de certos cristãos que procuram dedicar a totalidade de sua vida ao serviço de Deus continua evidente em nossos dias. A ordem do Senhor é esta: “Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas” (Sl. 105:15). O zelo do seu povo é como uma boa ação, agradável aos olhos do Senhor.  Parece que a abnegação desses servos zelosos irrita os descomprometidos. Por que Judas Iscariotes ficou tão indignado com a devoção e o amor de Maria a seu Senhor e Salvador? Judas estava vendo em Maria uma dedicação que ele não tinha, e a sua consciência estava repreendendo a sua hipocrisia. Por que os fariseus levantaram tamanha oposição contra a pessoa de Jesus Cristo e o seu trabalho? Porque eles reconheceram que Jesus era fiel a Deus em seu ministério. Essa verdade trouxe à luz a hipocrisia desses homens e a sua consciência os acusava. E, querendo abafar essa voz acusadora, fizeram tudo ao seu alcance para silenciar e desacreditar a voz de Cristo, ou pela perseguição, ou pela morte. O Ap. Paulo, antes da sua conversão, conhecia o terror de uma consciência acusadora, por isso, Cristo lhe disse: “Dura cousa é recalcitrares contra os aguilhões” (At. 26:14). Em vez de resistir o Espírito Santo, que fala através da consciência, é melhor submeter-se e seguir o bom exemplo dos piedosos, como fizeram os tessalonicenses: “Com efeito, vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, tendo recebido a palavra, posto em meio de muita tribulação, com alegria do Espírito Santo, de sorte que vos tornastes o modelo para todos os crentes na Macedônia e na Acaia” (1 Ts. 1:6-7).

3. Esse ato foi Revivente. Qual foi a reação de Jesus diante daquela cena molestadora? “Por que molestais esta mulher?” Em seguida, Jesus justificou o procedimento de Maria com uma defesa quádrupla, da qual podemos observar:

a) Maria “praticou uma boa ação” para com Jesus. Ações espontâneas, quando não condenadas na lei de Deus, tornam-se boas ações se forem inspiradas por um amor sincero. Maria foi movida por um amor ilimitado a Jesus e foi elogiada por sua voluntariedade. Todas as nossas ações devem redundar para a glória de Deus, (1Co. 10:31). O Senhor Jesus reconheceu que Maria estava exaltando a sua Pessoa através desse ato. Será que estamos fazendo coisas para exaltar aquele que nos amou e a si mesmo se entregou por nós?

b) A Pessoa de Cristo é mais prioritária do que as necessidades imediatas de qualquer pobre. “Por que os pobres sempre tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes”. A prática de boas ações deve obedecer às normas de precedência. Alguns casos podem aguardar uma outra oportunidade, porém, existem situações que pedem uma ação imediata. Maria reconheceu que não teria outra oportunidade para demonstrar o seu amor a Jesus. Maria acreditou na morte iminente de Jesus, como Ele mesmo lhe dissera, por isso, a repentinidade da sua ação. Temos que discernir o momento mais propício para praticar uma boa ação. Maria teve esse discernimento.
c) A ação de Maria demonstrou uma percepção espiritual. “Pois derramando este perfume sobre o meu corpo, ela o fez para o meu sepultamento.” Ela acreditou na palavra  que Jesus lhe ensinara quanto à sua morte vicária e o seu sepultamento, por isso, resolveu  agir de acordo com o seu conhecimento, agradecendo a Jesus por sua morte substitutiva. Em vez de esperar até depois da sua morte, ela antecipou a manifestação de seu amor e o derramou sobre Jesus enquanto Ele ainda estava com vida. É uma futilidade demonstrar o nosso amor a um defunto, pois ele não tem mais consciência do nosso interesse.

d) Jesus quis que esse ato de Maria fosse lembrado  durante todo o tempo enquanto o Evangelho for pregado. “Em verdade vos digo: Onde for pregado o evangelho, será também contado o que ela fez para memória sua”. Maria deixou para nós todos  um exemplo de como podemos demonstrar o nosso amor a Jesus Cristo. Hoje é o dia mais aceitável, porque o amanhã pode ser tarde demais. O Ap. Paulo elogiou os Tessalonicenses por causa da constante evidência da abnegação de seu amor a Cristo. Que, através da espontaneidade do nosso amor a Cristo, possamos deixar um exemplo para aqueles que estão nos seguindo na vida cristã.

Conclusão: A história de como Maria ungiu o corpo de Jesus foi registrada nas Escrituras Sagradas para nos ensinar a importância de oferecer a Cristo um amor espontâneo e desprendido. Boas ações, por si, não têm nenhum valor espiritual se não forem motivadas por um amor sincero. “Ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (1 Co. 13:2-3).


As boas ações devem revelar o nosso amor a Cristo. Ele mesmo ensinou: “Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes (uma boa ação) a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes” (Mt. 25:40). Mesmo que  alguns fiquem escandalizados com a abnegação da nossa oferta, Cristo sempre tem palavras viventes para nos encorajar. A exortação é esta: “E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos” (Gl. 6:9).    



Rev. Ivan G. G. Ross

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