Vasos de Honra

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terça-feira, 6 de setembro de 2016

CONSAGRAÇÃO A DEUS




Leitura Bíblica: Romanos  12:1-2.

Introdução: No início da Carta aos Romanos, o Apóstolo confessou: “Pois sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes; por isso, quanto está em mim, estou pronto a anunciar o evangelho também a vós outros, em Roma” (Rm. 1:14-15). Em outro lugar, ele explicou esse sentimento: “Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar; pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho” (1Co. 9:16). O evangelho é o tema principal dessa Carta, uma mensagem que fala das misericórdias que Deus tem derramado tão liberalmente sobre o seu povo. Nos capítulos 1 a 11, podemos achar algumas dessas dádivas, por exemplo: bondade, um atributo que desperta em nós anseios espirituais, tais como “arrependimento”, 2:4. Paciência, Ele “suportou com muita longanimidade” os pecadores, 9:22. Amor, “o amor de Deus foi derramando em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado”, 5:5. Graça, o dom gratuito de Deus. “ No tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça”, 11:5. Justificação, “Justificados, pois (declarados inocentes porque fomos encontrados vestidos das virtudes do Filho de Deus), temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo”, 5:1.

Agora, tendo ouvido sobre algumas das misericórdias, estamos prontos para entender como o Apóstolo aplica essas dádivas à nossa vida, visando uma consagração total da nossa vida a Deus, como uma manifestação  da nossa gratidão a Ele. 

1. A Instigação (incentivo) que Promove a Consagração. O Apóstolo dá início a esta parte, fazendo um apelo forte: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus”. O fato de termos recebido da mão de Deus tantas manifestações da sua misericórdia, sentimos que somos os seus devedores. O Salmista experimentou esse mesmo sentimento, e exclamou: “Que darei ao Senhor por todos os seus benefícios para comigo?” Jamais conseguiremos pagar a Deus tudo o que Ele nos dá, contudo, podemos oferecer-lhe o nosso culto em atos públicos e particulares. Por isso, o Salmista prometeu: “Cumprirei os meus votos ao Senhor na presença de todo o seu povo” (Sl. 116:12-14). A única retribuição que Deus aceita de nós, é o nosso culto racional, um ato planejado e realizado “em espírito e em verdade” (Jo. 4:23-24). Quando os tessalonicenses se converteram, eles abandonaram o seu antigo modo de agir, a fim de servirem o Deus vivo e verdadeiro, (1Ts. 1:9). A conversão e o recebimento do perdão de todos os nossos pecados deve nos conduzir à consagração e a uma vida de obediência. É como Cristo disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo. 14:15). E Ele acrescentou: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei; que também vos ameis uns aos outros” (Jo. 13:34).

E, para nos instigar ainda mais para consagrar a nossa vida a Deus, o Apóstolo nos mostra como Deus o Pai tem nos “abençoado com toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais em Cristo”. Quais são essas bênçãos que conduzem a nossa vida a uma consagração total? Eleição: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação mediante o nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós”. ( 1Ts. 5:9-10). Adoção: Fomos resgatados da lei, que nos condenou à morte, “a fim de que recebêssemos a  adoção de filhos” (Gl.4:5). Redenção: Fomos tirados do império das trevas e transportados para o reino de Cristo, (Cl. 1:13). Remissão:  O perdão de todos os nossos pecados. “Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões” (Sl. 103:12). Salvação:  “Entretanto,  devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação” – a vida eterna na  presença consoladora de Deus, (2Ts. 2:13). O Selo do Espírito Santo:  Ele é “o penhor (a garantia) da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em  louvor da sua glória” (Ef. 1:14). “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”. (Rm. 8:16). Por essas e tantas outras bênçãos que Deus  tem nos dado gratuitamente, o Apóstolo fez este apelo: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que vos apresenteis o vosso corpo” a Deus em total consagração.

2. A Instauração (começo) que Promove a Consagração. O Apóstolo estava consciente da sua vida anterior, mas,  apesar de tanta insolência, ele podia confessar: “Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade” (1Tm. 1:13). Agora, ele exorta os seus leitores: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus (aquela misericórdia por ter sido perdoado), que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”.  Quando alguém nasce de novo, quando está sentindo a alegria de entender que todos os seus pecados foram graciosamente perdoados, nasce no coração dele a necessidade de oferecer a totalidade da sua vida ao seu Salvador, dizendo: “Eis aqui estou  para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hb. 10:9). Consagração, portanto, é um ato espontâneo e a primeira manifestação do amor e gratidão que sentimos em favor de Deus. “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e  andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou  a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Ef. 5:1-2).

 Consagração é possível somente depois de um verdadeiro encontro salvador com Jesus Cristo. Existem  membros  em nossas Igrejas que nunca foram convencidos de seus pecados e nem da necessidade de serem nascidos de novo, porque, como dizem: sempre fomos cristãos. Essas pessoas não gostam de serem exortadas a uma vida consagrada a Deus. Estão plenamente satisfeitas com sua vida descomprometida, e não querem nada diferente. O jovem se desculpa, dizendo: Vou pensar sobre esse assunto mais tarde; preciso aproveitar a minha mocidade! Mas o tempo passa e ele continua adiando uma decisão. Com certeza, o seu  fim será semelhante ao das cinco virgens néscias, que resolveram agir quando a porta já estava fechada, (Mt. 25:1-13). Ou, o homem mais maduro, que promete: quando eu me aposentar da minha profissão secular, consagrarei a minha vida ao serviço de Deus. Mas, com esta idade, o corpo está cansado e a saúde debilitada; além disso, seus costumes já estão profundamente estabelecidos e não aceitarão a mudança que a consagração exige. Deus pede de nós um corpo vivo, cheio de disposição e pronto para qualquer serviço. Esse é o nosso culto racional e agradável a Deus. Não podemos procrastinar, aguardando um tempo mais oportuno. Na vida da Igreja sempre existem oportunidades para servir a Deus. Podemos pensar no presbiterato e no diaconato, professores para a Escola Dominical, sem esquecer das atividades que as sociedades internas oferecem. Mas alguém reclama: Eu não tenho dom para nada dessas coisas! Contudo, serviço a Deus não depende exatamente das nossas próprias capacidades. A nossa suficiência vem de Deus. Cristo nos deu esta promessa: “Mas recebereis poder, e sereis as minhas testemunhas” (At. 1:8). A nossa parte é apresentar o nosso corpo e todas as suas capacidades a Deus, e Ele nos dará a devida oportunidade. Importa que tenhamos vidas consagradas a Deus e uma disposição para servir.

3. A Instância (súplica) que Promove a Consagração. E, para que a nossa consagração seja autêntica, somos exortados: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente”. De modo geral, a “mente”  deste século  é o anseio de satisfazer todos os desejos do próprio egoísmo, a qualquer custo, mesmo que sejam uma transgressão da lei de Deus. Essa mentalidade mundana é perigosamente contagiante, por isso, a advertência: “E não vos conformeis com este século”. Temos que ser firmes, resistindo às ciladas sutis deste mundo.

Consagração envolve a respeitosa obediência aos Dez Mandamentos. O mundo ensina, e o nosso próprio coração também, que estes não são relevantes para o homem moderno, oferecendo uma infinidade de oportunidades que procuram  subverter a seriedade da lei de Deus. Esse desprezo do Mandamento é  visto especificamente na transgressão do Quarto Mandamento. O mundo ensina, e o nosso próprio coração também, que o Domingo não é do Senhor, como a Bíblia ensina, antes, é do  homem, e deve ser usado para satisfazer os seus próprios interesses: viagens, esportes, divertimentos, ociosidade, etc. Eis aqui como o Dia deve ser observado, juntamente com uma promessa encorajadora: “Se desviares o pé de profanar o sábado e de cuidar dos teus próprios interesses no meu santo dia; e chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor, digno de honra e o honrares não seguindo os teus caminhos, não pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falando palavras vãs (palavras não edificantes), então, te deleitarás no Senhor. Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra (fora do alcance de perigo - Dt. 33:16) e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do Senhor o disse” (Is. 58:13-14). Sim, Deus abençoou e santificou o Seu Dia; e no guardá-lo, há uma promessa de sustento diferenciado.

Mas, como podemos guardar os Mandamentos, e, especificamente, o Quarto? Temos que nos submeter à transformação pela renovação da nossa mente. A mente humana é o centro do nosso raciocínio, dela procedem todas as nossas determinações, seja qual for a natureza delas. O Salmista confessou: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti” (Sl. 119:11). E, para colocar essas palavras no coração, temos que ler a Bíblia atenciosamente todos os dias, memorizando as palavras chaves para que elas habitem em nosso coração. Dessa maneira, estaremos crescendo na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, estaremos experimentando uma transformação em nossa mente que nos conduzirá a uma verdadeira consagração pessoal a Deus. “E todos nós, com rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em  glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2Co. 3:18). Consagração, ou seja, dedicação  à prática da vontade de Deus, deve ser o  grande anseio de cada cristão.

4. A Instrução (convite) que Promove a Consagração. Qual é o propósito dessa transformação pela renovação da nossa mente? Eis a resposta: “Para que experimenteis qual seja  a boa, agradável e  perfeita vontade de Deus”.  É possível dar a essas três  palavras descritíveis este sentido: Tudo o que é bom, tudo que é agradável, e tudo o que é perfeito, encontra-se somente no conhecimento e na prática da vontade revelada de Deus. O mundo se esforça para oferecer substitutos para despertar a imaginação vaidosa do homem, porém, eles sempre decepcionam. O pregador experimentou esses atrativos fictícios, porém, teve que concluir: “Pelo que aborreci a vida, pois me foi penosa a obra que se faz debaixo do sol; sim, tudo é vaidade e correr atrás do vento” (Ec. 2:17).  Deus coloca diante de nós  muitas opções: vida e morte, benção e maldição, para depois nos desafiar: “Escolhe, pois, a vida, para que vivas” (Dt. 30:19). Mas o pecador, em sua cegueira espiritual, não quer reconhecer a diferença ente a vida e a morte, entre a benção e a maldição. Seu único interesse é satisfazer os seus desejos do momento, porque ama “mais as trevas do que a luz” (Jo. 3:19). A nossa oração deve ser: “Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por terreno plano” (Sl. 143:10). Essa oração é necessária “para que vos conserveis perfeitos e plenamente convictos em toda a vontade de Deus” (Cl. 4:12).

A vontade de Deus deve ser o objetivo principal na vida do cristão, porque ela é boa, agradável e perfeita, e digna de ser praticada. Ela é a lei de Deus para a santificação do homem, pois “ é santa, justa e boa” (Rm. 7:12). Devemos confiar na sabedoria de Deus, pois Ele sabe o que o homem mais precisa. Veja como o Salmista interpretava essa norma: “A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma; o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos simples. Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento de Senhor é puro e ilumina os olhos. O temor do Senhor é límpido e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros, e todos igualmente justos”. E qual foi o efeito desse juízo sobre a sua mente renovada? Ele confessou: “são mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar há grande recompensa” (Sl. 19:7-11). Por que estamos falando dessa maneira? Para que a  prática da vontade de Deus seja o anseio ardente do nosso coração.
     

 Conclusão: Nós, que temos sido abençoados “com toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (Ef. 1:3), devemos nos sentir constrangidos  a retribuir a Deus, dando-lhe a nossa vida em total consagração a seus interesses. “Ou desprezas a riqueza da bondade, e da tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz” à transformação do seu modo de agir e uma atitude mais decisiva que engrandece o nome de seu Deus. Essa consagração é o nosso “culto racional”, uma devoção  que dá honra a Deus. Mas, para a que a nossa consagração seja verdadeira, o texto instrui: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” por meio da leitura diária das Escrituras Sagradas. E, com a nossa mente agora renovada, estamos dispostos para ouvir e entender os conselhos do Senhor e experimentar que, de fato, a vontade de Deus para a nossa vida é boa, agradável e perfeita, própria para a nossa total felicidade. Consagração a Deus sempre precede qualquer serviço que possamos oferecer a Ele. “Ora, o Deus da paz que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe  em todo  o bem, para cumprirdes  a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém” (Hb. 13:20-21).      

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A DIVINDADE DE CRISTO



Leitura Bíblica: João 1:1-5

Introdução: O evangelho segundo João nos dá um relance da pessoa de Jesus Cristo na eternidade. “No princípio era o Verbo”, ou seja, Ele existia na eternidade antes da criação do universo, e, antes de qualquer outro ser vivo, seja angélico, humano ou animal. Em outras palavras, como o Ap. Paulo o apresenta: “Ele é antes de todas as coisas” (Cl. 1:17). Cristo fez referência à sua eternidade em sua oração sacerdotal: “ Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste a fazer; e, agora, glorifica-me, ó Pai, comigo mesmo, com a glória que tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (Jo. 17:4-5). João Batista, o seu precursor, reconheceu a eternidade de Cristo quando testemunhou: “É este a favor de quem eu disse: após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim” (Jo. 1:30). Devemos lembrar que João Batista nasceu  pelo menos seis meses antes de Cristo, (Lc. 1:36).

Juntamente com a sua eternidade, devemos reconhecer a glória incomparável de Jesus Cristo, que está estampada sobre todas as obras da sua criação. “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” (Rm. 1:20). Por isso os seres celestiais proclamam: “Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas” (Ap. 4:11). E, outra vez: “Aquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos” (Ap. 5:13). Quando percebemos a glória e a supremacia de Jesus Cristo, ficamos maravilhados com sua condescendência em buscar e salvar pecadores, tais como cada um de nós: “Pois ele (Jesus Cristo), subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus, antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornou-se em semelhança de homens, e,  reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz” (Fl. 2:6-8). Confessamos que fomos comprados por bom preço, o precioso sangue de Jesus Cristo. E qual é a nossa responsabilidade imediata, à luz do preço pago para adquirir a  nossa redenção? “Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1 Co. 6:20).

Vamos ao estudo das palavras iniciais do Ap.João em sua descrição da Divindade de Jesus Cristo, procurando compreender a glória eterna da sua Pessoa.

1. A Consciência da sua Pessoa Vs. 1-2. Nesses versículos, estamos contemplando a eternidade e a divindade de Jesus Cristo. O Catecismo Maior da nossa igreja ensina: “Há três Pessoas na Divindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; essas três Pessoas são um só Deus verdadeiro e eterno, da mesma substância, iguais em poder e glória, embora distintas pelas suas propriedades pessoais” (Mt. 3:16-17; 2Co.13:13; Jo. 10:30).

A Bíblia registra uma visão que o Profeta Isaías recebeu. Ele viu “o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono” (Is. 6:1). Ele não estava contemplando um ser solitário e incomunicável; pelo contrário, estava vendo uma plenitude que constrangia os serafins a clamar: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Is. 6:3). Pela infinidade desse Ser, percebemos uma pluralidade, porque, quando falou, Ele usou um termo plural, como se tivesse mais de uma Pessoa. “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” (Is. 6:8). Encontramos a mesma pluralidade na criação do homem. “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn. 1:26; 11:6-7).

Cremos que o Ap. João tinha uma percepção dessa pluralidade quando escreveu: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus” V. 1:2. Cristo, o Filho de Deus, não é um Ser criado, como alguns afirmam. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser (o Ser de Deus)” (Hb. 1:3). “Porquanto nele habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl. 2:9). Cristo é o Verbo, o Logos, que é a consciência da sua própria existência, a revelação perfeita de Deus em toda a sua insondável plenitude. “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito (Jesus Cristo), que está no seio do Pai, é quem o revelou” (Jo. 1:18). Filipe, um dos discípulos do Senhor, ficou muito perplexo quando tentou compreender a profundidade do Ser de Deus, por isso, pediu a Jesus: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta”. Disse-lhes Jesus: “Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo, mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras. Crede-me que estou no Pai e o Pai em mim; crede ao menos por causa das mesmas obras” (Jo. 14:8-11).

A descrição quadrícula da Pessoa de Jesus Cristo nos versículos 1 e 2 da nossa leitura estabelece, definitivamente, não apenas a eternidade de Jesus Cristo, mas também a sua Divindade incontestável. Quando lemos tais declarações, em vez de buscar explicações em livros, é melhor e mais edificante aceitar, pela fé, a simplicidade da revelação que o Espírito Santo nos deu nas Escrituras Sagradas. Afinal, foram dadas para a nossa edificação espiritual e não para a nossa confusão. Como o Apóstolo escreveu: “Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais (demonstrando a sua origem divina) que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo. 20:30-31).

2. A Consciência de seu Poder, V3. Quanto à criação do universo, a Bíblia nos dá esta resposta simples: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn. 1:1). Mas, se perguntarmos: Como é que Deus realizou esta obra? O texto no evangelho nos dará esta resposta: “Todas as cousas foram criadas por intermédio dele (o Verbo), e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (V.3). Novamente, somos confrontados com a realidade de que, na Divindade, há uma pluralidade de Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Cada uma dessas Pessoas é reconhecida por causa de suas atribuições pessoais. E, embora cada Pessoa  esteja presente em todas as obras da Divindade, reconhecemos que cada uma tem a sua contribuição particular. A Bíblia enfatiza: “Eu, eu sou o Senhor e fora de mim não há salvador” (Is. 43:11). Contudo, para realizar esta salvação: Não foi o Pai e nem o Espírito Santo que “se fez carne e habitou entre nós”. Esta atribuição pertencia exclusivamente ao Filho, a Segunda Pessoa na Divindade. Citamos uma explanação que se encontra em “Daily Readings”, por J. G. Ryle, 2 de Janeiro: “O nosso Senhor Jesus Cristo é uma Pessoa distinta de Deus Pai, contudo, é um com Ele. O Ap. João nos ensina que “o Verbo estava com Deus”. O Pai e o Verbo, embora sejam duas Pessoas, estão unidos um com o outro em uma união inefável. Onde Deus o Pai estava, desde toda a eternidade, lá estava também o Verbo, sim, o próprio Filho – a sua glória era igual, a sua majestade era co-eternal, e, contudo, a sua Divindade era uma só. Tudo isto é um grande mistério. Mas feliz é aquele que o recebe como uma criancinha, sem sentir a necessidade de maiores explanações.

“O Senhor Jesus Cristo é Deus de fato. O Ap. João nos ensina que “o Verbo era Deus”. Ele não é um mero anjo, que foi criado, e nem um Ser inferior a Deus o Pai, Ele  não é uma criação especial que  foi investida com poderes para redimir pecadores, ao contrário, Ele é nada menos do que o Deus perfeito – quanto à sua Divindade, igual ao Pai e da mesma substância dele, gerado de toda a eternidade.

“O Senhor Jesus Cristo é o Criador de todas as coisas. O Ap. João nos ensina: “ Todas as cousas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez”. Ele está muito longe da possibilidade de ser uma criatura de Deus, como alguns hereges têm insinuado. Ele é o Ser que criou o universo e tudo o que nele existe. “Louvem o nome do Senhor, pois mandou ele, e foram criados” (Sl. 148:5)”.  

Por que estamos insistindo na Divindade de Jesus Cristo? Porque temos que reconhecer quem é a Pessoa que nos amou e a si mesmo se entregou por nós, a fim de nos redimir do castigo que os nossos pecados merecem receber. Nenhum outro valor podia efetuar essa redenção; somente o precioso sangue de Jesus Cristo tinha o valor necessário para comprar a nossa salvação. Agora, vamos meditar sobre o envolvimento das três Pessoas da Divindade nesse processo todo. Deus revelou-se como três Pessoas em um só Deus, (Mt. 28:19). Cada Pessoa na Divindade é distinta das outras duas, e cada uma tem obras particulares a fazer. O Pai entrega o seu Filho, (Jo. 3:16); o Filho vem e assume a nossa natureza a fim de ser o nosso substituto diante da justiça de Deus, (1Jo. 3:8), e ambos enviam o Espírito Santo para  aplicar a salvação a todos os que crêem, (Jo 15:26; Ef. 1:13-14).

3. A Consciência de seu Propósito Vs 4-5. Agora, passamos a contemplar a Pessoa de Jesus Cristo em sua manifestação maior, como aquele que “se fez carne e habitou entre nós” (Jo. 1:14).

a) Qual foi o propósito dessa auto-revelação de Deus? Ele quis comunicar a sua vida de uma maneira visível. “Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”, possuidor, não apenas de uma vida física, mas também de uma vida espiritual, criado para andar em plena comunhão com o seu Criador, (Gn.2:9).

 Mas, quando Adão pecou comendo do fruto proibido, ele foi expulso do jardim do Éden e perdeu aquela intimidade de comunhão com o seu Criador, (Gn. 3:6,23). A partir desse momento, o homem passou a ser espiritualmente morto em seus delitos e pecados, (Ef. 2:1). Mas, será que Deus ficou frustrado em seu propósito para com o homem? De forma alguma! Deus agiu soberanamente a fim de devolver esta vida espiritual ao homem. O nosso texto diz: “A vida estava nele (o Verbo) e a vida era a luz dos homens”. O homem, no princípio, recebeu a dádiva da sua vida mediante uma intervenção da parte de Deus, assim, agora, o homem é dependente da mesma condescendência, a fim de receber de volta a sua vida espiritual. Vamos voltar a enfatizar, o homem não é o criador da sua própria vida, nem o Autor da sua própria salvação. O Senhor Jesus Cristo é a fonte exclusiva de vida e entendimento espiritual para todos os que nele crêem. Feliz o povo que confessa: “Porque todos nós temos recebido a sua plenitude e graça sobre graça” (Jo. 1:16).

b) Qual é o lugar onde esta luz resplandece? Ela resplandece nas trevas, nos lugares onde as pessoas vivem sem Deus e sem esperança, (Ef. 2:12). Essa verdade foi dramatizada quando Jesus “retirou-se para a Galiléia” e passou a pregar o evangelho para um povo notoriamente corrupto. Qual foi o impacto da mensagem? “O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz” (Mt. 4:12-17). Fé em Jesus Cristo sempre tem esta influência benéfica sobre os que crêem: Eles deixam as trevas a fim de andarem na luz. Cristo anunciou esta verdade: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (Jo. 8:12).  Por causa dessa verdade, somos exortados a pregar o evangelho. É somente o evangelho que tem o poder para efetuar uma transformação sobre o povo que jaz nas trevas deste mundo.

c) Qual é a vitória desta luz? “E as trevas não prevaleceram contra ela”. Sempre existiu uma luta espiritual entre as trevas e a luz. O Ap. Paulo reconheceu um conflito espiritual, dizendo: “a nossa luta não é contra  o sangue e a carne e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais” (Ef. 6:12). Mas, como podemos enfrentar esses poderes espirituais? Novamente, o Apóstolo nos orienta: “Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamos-nos das armas da luz”, ou seja, “revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm. 13:12-14). A nossa vitória é sempre “por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Co. 15:57). Por isso, as trevas não prevalecem contra a luz.

Conclusão: É fundamental à nossa fé que creiamos na Divindade absoluta de Jesus Cristo. Quando o universo foi criado, Ele já existia. Sim, tudo o que existe veio a existir por seu intermédio. E, agora, por causa do pecado humano, Cristo se manifesta como a luz que resplandece nas trevas, trazendo salvação para todos os que nele crêem. Quando a Bíblia faz referência ao Filho de Deus, ela fala desta maneira: “O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre” (Hb. 1:8). “Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1Jo. 5:20). Assim, a Igreja fica “aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo” (Tt. 2: 13).

Rev. Ivan G. G. Ross


sábado, 26 de janeiro de 2013

O PRIMEIRO MILAGRE




Leitura: João 2:1-12

“Então [Jesus]  lhes determinou: Tirai agora e levai ao mestre-sala. Eles o fizeram.”

O Segundo capítulo  registra o inicio do ministério de Jesus. É sugestivo notar que este ministério começou com um casamento e será encerrado com outro, quando Cristo for eternamente unido à Sua Igreja (Ap.19:9). Semelhantemente, o primeiro ato foi um milagre. O primeiro passo na vida cristã começa com um milagre: o novo nascimento. O ultimo ato será outro milagre: a ressurreição de nossos corpos dentre os mortos.

1. As Primeiras Informações (V. 1-4). Quando Cristo está presente no casamento, Ele toma conhecimento de todas as necessidades que possam surgir. Aqui, a falta foi simples, porém, bem urgente. Neste suprimento, Jesus estabeleceu um padrão de ação.

2. As Primeiras Instruções (V. 5-8). Eis o padrão: Jesus lhes determinou e eles o fizeram. É sempre assim. Temos de obedecer as instruções. A fé sempre se manifesta através da obediência. Disse Jesus: “Faça-se vos conforme a vossa fé”.

3. As Primeiras Iniciações (V 9-12). “Sabiam os serventes que haviam tirado a água”, mas mesmo assim levaram ao mestre-sala. Quão grande foi a surpresa dele quando experimentaram este bom vinho! Com Jesus, o fim é sempre o melhor.

Quais são as manifestações da nossa fé?

Oração: Damos-Te graças, Senhor, por todas as Tuas condescendências em nosso favor. Ajuda-nos a segui as Tuas normas de apropriação. Em nome de Jesus, Amém.

Rev. Ivan G. G. Ross

sábado, 29 de dezembro de 2012

Evangelismo Pessoal


Leitura: João 1:40-51



“[André] ... Achou primeiro ao seu próprio irmão, Simão, a quem disse: Achamos o Messias ...”  (Jo. 1:41)

Esta leitura registra a chamada dos primeiros quatro discípulos. É instrutivo observar o método empregado na evangelização, assim como a prova de uma adesão a Cristo: ser uma testemunha.

1. A Primeira Mentalidade (João 1:40-42). Os primeiros dois discípulos foram frutos do testemunho de João Batista. Eles receberam uma boa instrução quanto à pessoa e obra de Jesus Cristo. Assim, com corações repletos de alegria, saíram a proclamar: Achamos o Messias, vinde e vede.

2. A Primeira Menção (João 1:43-44). Normalmente, a evangelização é realizada na base de pessoa a pessoa. Aqui, pela primeira vez, é Jesus que fala. A ordem é concisa: Segue-me. Ele mesmo afirmou: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.” Filipe é um exemplo.

3. A Primeira Mensagem (João 1:45-51). O resultado do encontro com Cristo é sempre o mesmo. André achou seu irmão e Filipe encontrou Natanael. A mensagem é sempre a mesma: achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei ... Jesus.

Praticamos esta mesma espontaneidade?

Oração: Senhor, que Tu me dês aquela espontaneidade para sempre aproveitar as oportunidades de um evangelismo pessoal. Em nome de Jesus. Amém.


Rev. Ivan G. G. Ross

sábado, 1 de dezembro de 2012

O Cordeiro de Deus




Leitura: João 1:29-39

“... Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo. 1:29)

Nesta leitura observamos a primeira transferência de ouvintes do Evangelho: de João Batista para Jesus Cristo. João trabalhou para este fim; não para receber seguidores da sua própria pessoa, mas, sim, para que Cristo pudesse receber um povo espiritualmente preparado para segui-Lo. O pensamento dominante de João foi: “Convém que Cristo cresça  e que eu diminua.”

1. Cristo é Apresentado (vs 29-31). Depois de Seu batismo, Jesus ausentou-se por um tempo. Aqui Ele reaparece, pronto para ser apresentado às primeiras pessoas. E João Batista, fiel ao seu ministério, O apresenta como o Cordeiro de Deus; aquele que daria a vida em resgate por muitos.

2. Cristo é  Apreendido (vs 32-34). A descida do Espírito Santo o atesta como o Salvador. João Batista apreendeu bem a missão do Mestre. É Ele quem batiza com o Espírito Santo. É Ele quem recebe pecadores como membros de Seu Corpo.

3. Cristo é Apreciado (vs 35-39). A declaração “Eis o Cordeiro de Deus” foi um convite para segui-lo.  Eles estão hesitantes a principio, mas outro convite os encoraja: “Vinde e vede”. Este primeiro encontro foi tão apreciado que os dois discípulos de João Batista ficaram com Jesus.  

Oração: Damos-te graças, Senhor, porque Tu nos deste um Salvador. Ajuda-nos a sermos fiéis a Ele em nosso testemunho cristão. Pedimos em nome de Cristo Jesus. Amém.

domingo, 25 de novembro de 2012

Palavras que consolam





Introdução: As palavras iniciais desta leitura são: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, credes também em mim.”  Não é suficiente crer somente em Deus, sem qualquer qualificação, temos que crer na plenitude da sua auto-revelação; temos que crer em Jesus Cristo, seu Filho unigênito, “que é o esplendor da  glória e a expressão exata do seu Ser” (Hb.1:3). Cristo pronunciou estas palavras solenes: “Por isso, eu vos disse que morrereis nos vossos pecados; porque, se não credes que EU SOU (Veja Ex. 3:13-14), morrereis nos vossos pecados” (Jo. 8:24).

Somos trinitarianos, isto é, cremos que “Há três pessoas na Divindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; estas três pessoas são um só Deus verdadeiro e eterno, da mesma substância, iguais em poder e glória, embora distintas pelas suas propriedades pessoais” (Cat. Maior 9) Podemos resumir a unidade dentro da Trindade, dizendo: O Pai é o Planejador de todas as coisas. “Há (...) um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” (Ef. 4:6) O Filho, Jesus Cristo, é o Realizador de tudo o que o Pai planeja: “Todas as coisas (a criação e a redenção do pecador) foram feitas por intermédio dele, e, sem Ele, nada do que foi feito se fez” (Jo. 1:3). O Espírito Santo é o Aplicador das obras de Cristo ao coração e ao entendimento do homem. “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, Ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (Jo. 16:13-14). Portanto, as obras de Deus são as obras das três Pessoas da Trindade, cada uma agindo em plena harmonia com as outras, de acordo com as suas próprias atribuições. “Grandes são as obras do Senhor (o único Deus vivo e verdadeiro), consideradas por todos que nelas se comprazem” (Sl. 111:2). Este é o “Deus de toda consolação! É Ele que nos conforta em toda a nossa tribulação” (2 Co. 1:3-4). O Salmista confessou: “No Senhor, cuja palavra eu louvo, neste Deus ponho a minha confiança, e nada temerei” (Sl 56:10-11).

1 O Consolo na Perseverança. Temos que perseverar em nossa crença, porque é a fé que alimenta a nossa confiança. Confiamos na soberania de Deus que faz “todas as coisas (inclusive as mais incompreensíveis) cooperarem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8:28). E, da mesma forma, confiamos em Jesus Cristo; pois nele, “temos a redenção pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça”.      

O contexto do primeiro versículo é de tristeza e confusão emocional. Por isso Jesus disse aos seus discípulos estas palavras de encorajamento: “Não se turbe o vosso coração”. Não deixe a tristeza do momento abalar a sua esperança nos propósitos secretos de Deus. Eles perceberam que uma crise na vida de seu Mestre se aproximava, por isso, sentiram uma turbação. Esta insegurança ataca, em primeiro lugar, a nossa confiança espiritual. Esperamos mais atuação da parte de Deus, mas, esta, aparentemente, não vem. Qual é a resposta? Cristo responde: “Credes em Deus (mas, continue crendo); credes também em mim.” Credes que eu sou o seu Salvador, poderoso para socorrer em momento próprio. Não convém que vacilemos neste ponto. O apóstolo afirmou: “E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1Jo. 5:4). E o Salmista nos encoraja com estas palavras orientadoras: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará” (Sl. 37:5). E o Ap. Paulo aconselhou: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fl. 4:6-7).    

2. O Consolo na Permanência. O verbo “permanecer” aparece muitas vezes no Novo Testamento e, normalmente, descreve a nossa união vital com Jesus Cristo, de quem recebemos toda sorte de bênção espiritual (Ef. 1:3) Ele mesmo disse: “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.” (Jo. 15:7). Esse princípio sublinha todas as promessas oferecidas a nós nas Escrituras Sagradas, inclusive a esperança de habitar nas moradas celestiais.

Neste contexto, Jesus, vendo os seus discípulos entristecidos, e, querendo vivificar o ânimo deles, disse-lhes: “Na casa de meu Pai há muitas moradas.” Embora não possamos descrever estas moradas detalhadamente, a idéia central  é esta: O local é muito espaçoso, amplo lugar para  todos os redimidos e repleto de todos os meios necessários para o conforto total de cada um.

No Antigo Testamento, o povo de Deus se considerava como “estrangeiros e peregrinos sobre a terra”, aspirando “uma pátria superior, isto é, celestial”. Este povo, que estava disposto a sofrer todo tipo de privação, permaneceu firme “como quem vê aquele que é invisível”. Por que estavam tão dispostos? Porque “contemplavam o galardão”, a promessa de alcançar “uma pátria superior” (Hb. 11:8-29).  

E, no Novo Testamento, somos exortados a buscar “as cousas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus” (Cl. 3:1). Uma visão das moradas celestiais vivifica qualquer cristão entristecido. O Espírito Santo nos consola, trazendo à nossa memória as palavras de Cristo Jesus: “Na casa de meu Pai há muitas moradas” e, também, a esperança de “estarmos para sempre com o Senhor” (1Ts 4:17). Vamos permanecer arraigados e alicerçados em Cristo Jesus, a nossa segurança espiritual depende desta união vital com o nosso Salvador.

3. O Consolo na Pertença. É somente Cristo que tem a competência (pertença) para dizer: “Pois vou preparar-vos lugar”. O que significa esta frase, visto que as moradas já existiam? Com as palavras: “vou preparar-vos lugar”, Jesus estava dizendo: Vou para Jerusalém, “e o Filho do Homem será entregue aos sacerdotes e aos escribas; condená-lo-ão à morte e o entregarão aos gentios; hão de escarnecê-lo, cuspir nele, açoitá-lo e matá-lo; mas depois de três dias ressuscitará” (Mt. 10:33-34). Ele iria preparar um lugar para o seu povo mediante a sua morte substitutiva e ressurreição vitoriosa. A Bíblia faz uma pergunta séria: “Quem subirá o monte do Senhor? Quem há de permanecer no seu santo lugar?”  Eis a resposta: “O que é limpo de mãos e puro de coração, quem não entrega a sua alma à falsidade, nem jura dolosamente” (Sl. 24:3-4).  Mas onde está o homem que tem esta irrepreensibilidade, visto que “todos pecaram e carecem da glória de Deus?” (Rm 3:23).

Mas há esperança para aqueles que crêem em Jesus Cristo, porque Ele veio para buscar e salvar pecadores – buscar mediante a pregação do evangelho; e salvar mediante a sua morte substitutiva. O resumo do evangelho é este: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8). “Aquele (Jesus Cristo) que não conheceu pecado, ele (Deus o Pai) o fez pecado por nós;  para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Co. 5:21). Por sua morte vicária, Cristo satisfez todas as exigências da lei em favor do pecador, (Gl 3:13); e, por sua ressurreição, justificará a todos os que nele crêem (Rm. 4:5). “Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pe. 1:11) “Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras” (1 Ts 4:18).

4. O Consolo na Persuasão. “ E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.” Este versículo destaca três verdades preciosas. Somos persuadidos da realidade de cada uma, e, crendo nelas, “exultamos com alegria indizível e cheia de glória, obtendo a fim da nossa fé: a salvação da nossa alma” (1 Pe. 1:8-9).

a) Houve um sacrifício no passado. De fato, Cristo foi e deu sua vida em resgate por muitos, derramando o seu precioso sangue que nos purifica de todo pecado (1 Jo. 1:7). Somos persuadidos da eficácia deste sacrifício vicário.

b) Há uma esperança vivificante. Cristo nos deu esta promessa: “Voltarei”. Depois da sua morte, Cristo foi sepultado, mas, ao terceiro dia, ressuscitou dentre os mortos, subiu para o céu, de onde voltará. “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem (Jesus Cristo) vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mt. 24:30). Somos persuadidos da realidade deste dia momentoso.

c) Haverá um consolo eterno, quando se cumprirá a promessa do nosso Amado Salvador. “E vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também”. Que verdade estupenda! Que condescendência inefável! Sim, somos persuadidos do amor de Cristo, um amor que anseia por nossa presença.

Conclusão: Podemos resumir essas verdades dizendo: “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1 Jo 5:11-12).   


Rev. Ivan G.G. Ross
25 de Novembro de 2012

sábado, 10 de novembro de 2012

O testemunho de João Batista



Leitura:  João 1:15-28

“... O que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mim.” (Jo. 1:15)

João Batista foi o arauto de Jesus Cristo. A sua mensagem foi preparatória, anunciando a vinda do Messias e preparando os corações das multidões, através de uma expectativa espiritual. E qual foi o fruto deste ministério?  As multidões obedeceram a orientação dada por este servo de Deus, e, com prazer, escutaram o Salvador.

1. O testemunho de João (15-18). As verdades que João Batista mais gostava de anunciar foram a primazia e a preexistência de Jesus Cristo; Sua superioridade com relação a Moisés e o direito do Filho para revelar a verdadeira natureza de Deus, em termos de graça e verdade.

2. O Título de João (19-23). “Voz do que clama”. A fim de serem identificadas tanto a sua pessoa como também a sua mensagem, João cita os ensinos proféticos das Escrituras Sagradas. É a Bíblia que confirma o ministério de alguém.

3. O trabalho de João (24-28). Ele batizava com água, porém sempre fez questão em anunciar a necessidade de um batismo superior; um encontro tão intenso com Cristo que passamos a ser nascidos de novo. O batismo com o Espírito Santo é o nosso ingresso no Corpo de Jesus.

O nosso testemunho tem se enquadrado na Bíblia?

Oração: Somos alegres, Senhor, porque a graça e a verdade vieram a nós, pecadores. Ajuda-nos a compreender cada vez mais estes valores espirituais. Em nome de Jesus. Amém.

Rev. Ivan G. G. Ross 

sábado, 3 de novembro de 2012

Deus Conosco







E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade...” (Jo 1.14)

A razão do Evangelho segundo João se resume no capítulo 20, versículo 31: “Estes [sinais], porém, foram registrados para que creais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.” Este Evangelho, talvez o mais lido, que tem sido uma  fonte de conforto espiritual para muitos, tem o mesmo poder confortador para os nossos dias.

1. A Relação do Filho (1-5). Desde a eternidade, o Filho é co-igual ao Pai. Assim, confessamos: “E o Verbo era Deus.” O Filho, que é o Executor de todos os propósitos do Pai, habitou entre nós para que nEle tenhamos a vida eterna.

2. A Revelação do Filho (6-9). João Batista O revela como “a verdadeira luz, que vinda ao mundo, ilumina a todo homem.” Devemos sentir a exclusividade desta revelação. Não existem outras luzes de orientação espiritual.

3. A Recepção do Filho (10-14). Ele veio para ser recebido pelos homens, porém muitos não O recebem. Contudo, o quadro não é tão negativo. Alguns O recebem,e, por isso, são feitos filhos de Deus. E estes não nascem da vontade do homem, mas, sim, exclusivamente do poder de Deus.

Como temos recepcionado o Filho de Deus?


Rev. Ivan G. G. Ross