Vasos de Honra

domingo, 30 de março de 2014

A MANIFESTAÇÃO DE CRISTO




Leitura Bíblica: Apocalipse 1:4-8

Introdução: A primeira verdade que se encontra neste texto é a doutrina inconfundível da Trindade. As três Pessoas da Divindade é o Deus e o autor da “graça e paz” que são derramadas sobre a Igreja. A Trindade é facilmente reconhecida pela tríplice repetição de: “da parte de”. As três Pessoas da Divindade, inseparavelmente juntas, comunicam às 9 igrejas a benção de “graça e paz”. A graça, a gratuidade das providências divinas, e a paz, atuando como a confirmação dessas dádivas recebidas. Veja como as três Pessoas interagem como uma só Pessoa.

“Graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir”. Temos aqui a eternidade de Deus Pai. O Salmista o exalta, dizendo: “Antes que os montes nascessem, e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu é Deus” (Sl. 90:2)

“Graça e paz, da parte dos sete Espíritos que se acham diante de seu trono”. O número sete é usado, simbolicamente, para descrever a plenitude e a onipresença do Espírito Santo. Notemos a sua localização. Ele está “diante de seu trono”, inseparavelmente unido com a Divindade, e, desta posição, Ele ouve e toma pleno conhecimento de todos os propósitos da Divindade. Por isso, Cristo disse: “Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará as cousas que hão de vir” (Jo. 16:13).

“Graça e paz da parte de Jesus Cristo”. Observemos a tríplice descrição: 1º Ele é a “fiel testemunha”, fazendo referência a seu ministério aqui na terra. Obediência foi a característica principal na vida de Cristo. Ele mesmo confessou: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo. 4:34). 2º Ele é o “Primogênito dos mortos”, fazendo referência à sua ressurreição dentre os mortos. “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem”, isto é, o primeiro a ser ressuscitado escatologicamente, (1 Co.15:20).  3º Ele é o “Soberano dos reis da terra”. Ele tem a supremacia absoluta sobre todos os poderes existentes, “é o grande rei de toda a terra” (Sl. 47:2). E, para qual fim? “Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fl. 2:10-11).

O texto lido apresentou a doutrina da Trindade, afirmando que o Pai, e o Filho, e o Espírito Santo é um só Deus verdadeiro e eterno. Este é o Deus que abençoa o seu povo com as dádivas espirituais de graça e paz; cada Pessoa contribuindo para que essas bênçãos sejam realidades experimentáveis. Agora vamos ver como Cristo se apresenta às suas Igrejas.

1. O Compadecimento de Cristo. “Aquele que nos ama”.  Uma das frases prediletas do Ap. Paulo fala sobre o amor de Cristo e como este se manifestou: “Cristo me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl. 2:20). O amor de Cristo é bem específico : “Ele me amou”. Sim, Ele ama muitos, mas, para o meu consolo e segurança, posso confessar: “Ele me amou”. Cristo descreveu a natureza desse amor, dizendo: “ Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos”.(Jo. 15:13). E, acrescentou: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas”  (Jo. 10:11). Mas, quem são esses amigos e ovelhas? “Vós sois os meus amigos, se fazeis o que eu vos mando” (Jo. 15:14). E, acrescentou: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (Jo. 10:27). Devemos reconhecer que a maneira prática para demonstrar o nosso amor a Cristo é através da nossa obediência ao que Ele manda. Nós o seguimos. Pela obediência, desenvolvemos uma verdadeira comunhão espiritual com Ele.

Devemos perguntar: Qual é o sentido de ter Cristo morrido por nós? A sua morte tem valor vicário, isto é, tomar o lugar de outro. “Cristo me amou e a si mesmo se entregou por mim”. Assim, a sentença da morte que pairava sobre mim, por causa dos meus pecados, foi tirada e lançada sobre Cristo. Ele morreu por causa dos meus pecados que Ele mesmo carregou na cruz do Calvário, (1Pe. 2:24). “ Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus (os que crêem na suficiência da sua morte vicária). Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte” (Rm. 8:1-2).

2. O Comportamento de Cristo. “E pelo seu sangue, nos libertou dos nossos pecados”. Uma das frases que expressam, eloquentemente, a boa vontade de Cristo para dar a sua vida em favor de seu povo, está no Evangelho segundo Lucas: “E aconteceu que, ao se completarem os dias em que devia ele ser assunto ao céu (isto é, os dias em que Cristo seria crucificado, ressurreto e recebido no céu), manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém”, onde sofreria os horrores da crucificação (Lc. 9:51). Por que essa “intrépida resolução”? Porque foi o único meio para que pecadores pudessem ser libertados das conseqüências judiciais de seus pecados. No Antigo Testamento, o sangue de animais foi derramado para ensinar que, “sem derramamento de sangue, não há remissão” (Hb. 9:22). Mas esses sacrifícios eram apenas sinais, totalmente incapazes de efetuar o indicado. “Porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados” (Hb. 10:4). Era necessário um sangue superior, o sangue precioso de Jesus Cristo, (Pe. 1:18-19). Este é o único sangue, a única providência divina pela qual importa que sejamos libertados dos nossos pecados. Libertados, não apenas do salário do pecado, mas, também, do domínio do pecado (Rm. 6:14). Como Cristo explicou: “Se, pois, o Filho vos libertar,verdadeiramente sereis livres” (Jo.8:36).

3. O Comprazimento de Cristo. “ Ele nos constituiu reino, sacerdote para o seu Deus e Pai, a ele seja a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém.” . Cristo tem comprazimento em designar o seu povo redimido, segundo a sua boa e agradável vontade. Com estes salvos, Ele organizou o seu reino, que não é deste mundo, antes, é celestial. Quando nós fomos convertidos, Deus, o nosso Pai, “ nos libertou do império das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” (Cl. 1:13). Agora, pertencemos ao reino de Cristo, onde Ele será o nosso soberano para todo o sempre.

Dentro desse reino, somos ministros e sacerdotes, servindo na presença de Deus, nosso Pai, “de modo agradável, com reverência e santo temor” (Hb. 12:28). “ Os seus servos o servirão, contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele” (Ap. 22:3-4). O nosso ministério principal consistirá em “louvor, que é fruto de lábios que confessam o seu nome” (Hb. 13:15). Por causa do privilégio de pertencer ao reino celestial e servir como sacerdotes na presença de Deus, reconhecemos que tudo isso é a graça e a condescendência do nosso Deus, portanto, “a ele a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém”.

4. O Comparecimento de Cristo. “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amém”. Eis aqui o resumo dos eventos que acontecerão, simultaneamente, no Dia da Segunda Vinda de Jesus Cristo.Vamos observar a sequência dos eventos mencionados no texto:

a)      A vinda de Cristo será repentina e gloriosamente visível. Nada de uma vinda invisível e secreta. “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá”. A visibilidade da vinda de Cristo é ensinada em muitas partes da Bíblia. “Porque assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra no ocidente, assim  será a vinda do Filho do homem” (Mt. 24:27).
b)      Logo em seguida haverá a ressurreição geral, incluindo todos os vivos e todos os mortos, todos os justos  e todos os ímpios. Cristo ensinou: “Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão” (Jo. 5:28). E o Ap. Paulo acrescentou: “Porque importa que todos nós (vivos e mortos) compareceremos perante o tribunal de Cristo” (2 Co. 5:10).
c)  Logo em seguida haverá o julgamento geral. Devemos lembrar que o julgamento não é necessariamente para condenar, antes, o fim principal é descobrir e declarar a verdade a respeito da pessoa sendo julgada. Os que estão em Cristo serão declarados inocentes, enquanto que os que se acham sozinhos e sem Cristo serão declarados culpados. E, depois de serem julgados, Cristo declarou: “E irão estes (os culpados) para o castigo eterno, porém, os justos, para a vida eterna” (Mt. 25:46).

Devemos sentir a confusão e o terror que tomará conta de muita gente no Dia do Juízo: “E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Certamente. Amem”. Veja a exposição maior daquele Dia: “Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo o livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o Grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se? (Ap. 6:15-17).

Conclusão:  Esta mensagem, que é dada às Igrejas no início do Apocalipse, é o tema central do livro: O amor de Cristo e como este foi demonstrado quando deu sua vida, a fim de redimir o seu povo e dar-lhe o perdão de todos os seus pecados, sempre incluindo a consumação do século e o julgamento de todos os povos. Que sejamos preparados, “antes que venha o grande e terrível Dia do Senhor” (Ml. 4:5).


Rev. Ivan G. G. Ross  

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