Vasos de Honra

quarta-feira, 17 de junho de 2015

O JUÍZO VINDOURO



Leitura Bíblica: João 5:24-30

Introdução: O Ap. Paulo encerrou a sua mensagem aos atenienses, afirmando: “Porquanto estabeleceu (Deus) um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão (Jesus Cristo) que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (At. 17:31). A Confissão de Fé da nossa Igreja ensina: “Assim como Cristo, para afastar os homens do pecado e para maior consolação dos justos em suas adversidades, quer que estejamos firmemente convencidos de que haverá um dia de juízo, assim também quer que esse dia não seja conhecido dos homens, a fim de que eles se despojem de toda confiança carnal, sejam sempre vigilantes, não sabendo a que hora virá o Senhor, e estejam prontos a dizer: Vem logo, Senhor Jesus! Amém” (Cap. 33:3). E, de forma semelhante, o nosso Senhor fez repetidas referências ao Dia do Juízo: “Digo-vos que toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia do juízo; porque, pelas tuas palavras serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado” (Mt. 12:36-37). E, finalmente, em nosso texto, Cristo fez uma clara referência a esse Dia do Juízo Vindouro. Vamos ao texto lido.

1. A Identidade do Juiz Vs. 26-27. O Juiz é alguém que é igual ao Pai, porque Ele é da mesma substância, isto é, o poder de auto-existência. “Porque assim como o Pai tem vida em si mesmo (Ele não depende de recursos externos para manter a sua vida), também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo” (V.26). Pai e Filho têm a mesma autoridade sobre todas as coisas no céu e na terra. Mas, apesar dessa igualdade, percebemos que o Filho tem o atributo específico para julgar os transgressores da lei de Deus. Como diz o Apóstolo: “E o Pai a ninguém julga, mas ao Filho confiou todo julgamento” (Jo. 5:22).

Certamente alguém está se lembrando da palavra do Senhor, quando afirmou: “Eu a ninguém julgo” (Jo.8:15). Mas, o nosso texto se refere ao ministério de Cristo enquanto andava entre os homens aqui na Terra e não da sua atividade em seu estado de exaltação. Como Ele mesmo explicou: “Porquanto  Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo.3:17). Tudo tem as suas devidas sequências. Primeiro Cristo prepara e convida os pecadores para receber a salvação; mas, no caso de ser rejeitado, vem a condenação. No momento, Cristo está salvando pecadores que se arrependem de seus pecados e crêem nele, porém, na consumação do século, a obra salvadora de Cristo será definitivamente encerrada, e dará início ao processo de encaminhar a humanidade para o seu lugar na eternidade. “E irão estes (os injustos e condenados) para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna” (Mt. 25:46).

2. A Ideologia do Juiz Vs. 24 e 28. Qual será o padrão que Cristo usará no Dia do Juízo? Ele julgará o mundo com justiça (At. 17:31). Uma das verdades básicas à filosofia humana é que depois da morte haverá uma distribuição de recompensas, quando cada um receberá segundo o seu procedimento. “Tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal, ao judeu primeiro e também ao grego; glória, porém, e honra, e paz a todo aquele que pratica o bem, ao judeu primeiro e também ao grego. Porque para com Deus não há acepção de pessoas” (Rm. 2:6-11). E, fundamental a essa crença é que “o Juiz de toda a terra” fará a justiça, (Gn.18:25). O Dia do Juízo é visto como o “dia em que Deus, por meio de Jesus Cristo, julgará os segredos dos homens” (Rm. 2:16). Cristo é totalmente competente para julgar os segredos dos homens, “porque os conhecia a todos. E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana” (Jo. 2:24-25).

Como devemos avaliar os dias atuais? São dias de oportunidade, dias em que devemos nos preparar para o Juízo Vindouro. Cristo comentou sobre essa necessidade quando disse: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo (para ser condenado), mas passou da morte para a vida” (V.24). O nosso preparo espiritual se resume em uma só palavra: “Crer”. O evangelho está sendo anunciado com este apelo: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa” (At. 16:31). Fé em Jesus Cristo é absolutamente necessária à salvação da nossa vida. Ele é o meio que Deus providenciou pelo qual podemos tomar posse da nossa salvação. Não existe nenhuma outra possibilidade. “Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantêm rebelde contra o Filho (recusando submeter-se às suas condições) não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo. 3:36).
Quando é que esse Dia se manifestará? Ninguém sabe! “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai” (Mt. 24:36). “Ficai também vós apercebidos, porque à hora que não cuidais, o Filho do homem virá” (Lc. 12:39-40). No momento, o importante é ouvir e crer no Evangelho de Jesus Cristo, pois a nossa felicidade na eternidade depende desse passo.

3. A Idoneidade do Juiz, Vs. 29-30. Cremos que o Senhor, como criador de tudo o que existe, visível e invisível, tem a idoneidade, ou, a competência, para encaminhar, com justiça, todas as coisas que foram criadas por Ele, inclusive o lugar certo para cada pessoa na eternidade. Mas, como será a manifestação desse Dia? Haverá uma sequência de eventos inconfundíveis. Primeiro, a consumação do século será anunciada pela Segunda Vinda de Jesus Cristo e a ressurreição geral, a fim de que todos, vivos e mortos, compareçam perante o tribunal de Cristo. “Então verão o Filho do homem vir nas nuvens, com grande poder e glória. E ele enviará os anjos e reunirá os seus escolhidos (os povos deste mundo) dos quatro ventos da extremidade da Terra até a extremidade do céu” (Mc. 13:26-27). Logo em seguida se iniciará o processo do julgamento final, “para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito no corpo” (2Co. 5:10). “Quando vier o Filho do homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória, todas as nações reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda” (Mt. 25:31-33).

Na leitura do nosso texto, Cristo descreveu esse processo de separação usando estas palavras: “Os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo”, quando serão condenados por causa de seu procedimento reprovado. Não haverá duas ressurreições. O versículo está descrevendo o destino de cada pessoa depois da sua ressurreição. Assim, observamos que, depois da nossa ressurreição, será tarde demais para mudar o rumo do nosso estado na eternidade. Cristo encerrou o seu discurso sobre o juízo vindouro dizendo: “E irão estes (os injustos) para o castigo eterno, porém, os justos, para a vida eterna” (Mt. 25:46).

Conclusão: Quanto ao juízo vindouro, o Ap. João escreveu: “ Filhinhos, agora, pois, permanecei nele (em Cristo), para que quando ele se manifestar, tenhamos confiança e dele não nos afastemos envergonhados na sua vinda” (1Jo. 2:28). O Dia do Juízo pode ser um dia de confiança se tivermos permanecido assíduos em nossa devoção a Jesus Cristo; ou, pode ser um Dia quando nos sentiremos envergonhados por causa de atos de infidelidade e omissões em nossos deveres de devoção. E o Apóstolo acrescentou: “E a si mesmo se purifica todo o que tem esta esperança (a  esperança de sermos achados semelhantes a Jesus Cristo no Dia da sua manifestação (1Jo. 3:2), assim como ele é puro” (1Jo. 3:3). Por isso temos tantas exortações na Bíblia, como: “Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do homem virá” (Mt. 24:44). Sim, com toda certeza, haverá um Dia de Juízo, portanto, estejamos preparados.

Rev. Ivan G. G. Ross

 


NOSSO TESTEMUNHO



Leitura Bíblica: Mateus 5:1-16

Introdução: Nesta leitura temos dois relatos distintos. O primeiro descreve como o mundo trata a Igreja; e, no segundo, vemos como a Igreja deve tratar o mundo. Desde o tempo de Abel, no livro de Gênesis, os justos têm sido perseguidos pelos injustos. As duas formas mais usadas nessas perseguições são dirigidas contra a integridade do justo; difamações e mentiras, insinuações e inverdades, tudo para que o nosso nome seja levado ao desprezo, Vs.10-12.

Nos Vs. 13-16, Cristo descreve como devemos reagir diante dessa perseguição que o mundo levanta contra a Igreja. Somos “o sal da terra” e “a luz do mundo”. E, por necessidade: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus”, V.16. O Ap. Pedro, comentando sobre o procedimento dos cristão neste mundo, disse: “Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma, mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no Dia da Visitação” (1Pe. 2:11-12). Vamos aprender como a Igreja perseguida deve agir diante dos descrentes deste mundo.

1, A Persuasão do nosso Testemunho, V. 13. “Vós sois o sal da terra”.  Os cristãos são apresentados como se fossem sal, aquele ingrediente que faz uma diferença apreciável a tudo com que tem contato. Esse sal tem duas possibilidades que devem ser reconhecidas.

a) Sal exige cuidados especiais para que não se torne insípido, isto é, o cristão tem que permanecer em comunhão vital com Cristo Jesus. Como Ele mesmo disse: “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim” (Jo. 15:4). Essa comunhão espiritual é cultivada através de hábitos de devoção. Davi fez referência a esse hábito quando disse: “De manhã, Senhor, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando” (Sl. 5:3). Através desse hábito, a leitura diária das Escrituras Sagradas e a oração, aprendemos de Jesus e como andar com Ele, (Cl. 2:6-7). Assim, o sal que está em nós jamais se tornará insípido.

b) Quais são os elementos que podem contaminar o sal que está em nós, fazendo que ele se torne insípido? O primeiro e o mais comum é a negligência daqueles atos diários de devoção, isto é, a leitura atenciosa da Bíblia e a oração perseverante. Mas existem muitos outros elementos que podem corromper a utilidade do sal. O Apóstolo menciona “todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia” (Hb,12:1). Pecado, como a transgressão da lei, é normalmente evitado pelo cristão sincero; porém, pesos, que não são propriamente transgressões da lei de Deus, podem entrar traiçoeiramente em nossa vida e prejudicar o nosso testemunho; ou seja, atividades que consomem o nosso tempo de tal forma que não sobra tempo para os atos de devoção. Podemos mencionar o tempo desnecessário gasto com a Internet e Facebook, etc; esportes; e os cuidados deste mundo como prioridades e investimentos, (Lc. 14:18-19). Por causa dessas realidade possíveis, Cristo faz uma pergunta pertinente: “Ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor?” E se não houver cuidados e o sal ficar realmente insípido, Cristo concluiu: “Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens”. Em nossos hábitos de devoção, devemos buscar uma sensibilidade espiritual, a fim de discernir qualquer elemento estranho que procura entrar em nossa vida. Com esse cuidado, o sal que está em nós jamais se tornará insípido. O Apóstolo nos adverte: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (2Co. 10:12).

2. A Persistência do nosso Testemunho, Vs. 14-15. “Vós sois a luz do mundo”. À semelhança do sal, a  luz é um elemento silencioso, porém, quando está presente, ninguém questiona a sua realidade. A luz pode ser pequena, porém, na escuridão, ela se torna visível. O pirilampo, ou vaga-lume, faz a sua presença conhecida mediante a luz que irradia. Assim, sem nenhuma palavra, anuncia a sua presença. A vida do cristão tem um elemento, como se fosse uma luz, que, sem palavras, todos ao seu redor reconhecem que ele tem algo diferente e chamativo direcionando a sua vida. O Ap. Pedro, falando sobre o caso de uma esposa crente que tem um marido descrente, faz referência a essa luz silenciosa, dizendo: “Mulheres, sede vós igualmente submissas a vosso próprio marido, para que se ele ainda não obedece à palavra, seja ganho, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sua esposa, ao observar o vosso honesto comportamento cheio de temor” (1Pe. 3:1-2).

O nosso Senhor fez duas observações sobre essa luz que caracteriza a vida de todos os cristãos.

a) Não devemos tentar colocar a nossa luz debaixo de um alqueire (uma cesta usada para medir grãos) para que não possa alumiar a todos os presentes. “Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte”, e nem a realidade da graça de Deus em nossa vida. Essa luz não é algo natural, o fruto de alguns estudos específicos, antes, é um dom da graça de Deus, dado para que o mundo reconheça a sua obra em nossa vida. Na realidade, essa luz é a Pessoa de Jesus Cristo que agora habita na vida de todos os que nele crêem. “Pois, outrora, éreis trevas (sem Cristo, Ef. 2:12), porém, agora, sois luz no Senhor (Cristo está em nossa vida); andai como filhos da luz (porque o fruto da luz - Cristo em nós - consiste em toda bondade, e justiça e verdade), provando sempre o que é agradável ao Senhor” (Ef. 5:8-10). Importa que todos vejam o nosso testemunho cristão e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.

b)Em vez de impedir o pleno brilho da nossa luz, temos que colocá-la num velador para que ilumine todos o que se encontram na nossa presença. Quando alguém entra em nossa casa, o que estão vendo? Um lar que evidencia trevas e mundanismo, ou uma mobília modesta que testifica do temor de Deus? Quando a luz está no velador, ela, silenciosamente, manifesta a presença de Cristo no meio da família. Importa que todos vejam o nosso testemunho cristão e glorifiquem a nosso Pai que está nos céus.

3. A Personificação do nosso Testemunho, V.16.  Chegamos agora, à parte quando afirmamos que o nosso testemunho é composto, inegavelmente, de palavras audíveis e de boas obras. “Assim, brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus”. O nosso testemunho é de uma pessoa viva, que tem uma experiência pessoal com Jesus Cristo.

a) O nosso testemunho está brilhando quando temos uma  prontidão espontânea para explicar os princípios da nossa esperança em Cristo. O Ap. Pedro escreveu afirmando que devemos estar “sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1Pe. 3:15). Alguém nos vê com a Bíblia na mão e pergunta: Você é crente? E, sem qualquer hesitação, respondemos: Sim! E, logo em seguida, acrescentamos: Creio “que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Co. 15:3-4). Uma fé singular nesta verdade básica nos garante o perdão de todos os nossos pecados e a certeza da vida eterna. A nossa luz está brilhando quando testemunhamos da nossa esperança em Jesus Cristo.

b) Parte do nosso testemunho é a confissão de que amamos o nosso irmão na fé. Mas esta palavra tem que ser confirmada por uma ação apropriada. Nesse sentido, o Ap. João nos ajuda a entender a ligação entre palavras e ações. “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade” (1Jo. 3:17-18). O brilho da luz tem que ser visto pelos homens para que glorifiquem o nosso Pai que está nos céus.

c) Parte do nosso testemunho diante dos nossos conhecidos é a nossa assiduidade na prática dos deveres cristãos. O Apóstolo exortou: “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hb.10:25). Falamos de Cristo não somente para descrentes, como se fossem eles os únicos que precisam ouvir uma palavra de esperança, mas, também, aos membros da nossa Igreja. Muitos vêm à Igreja na esperança de receber uma palavra de consolo, ou através da mensagem do pastor, ou de um membro em conversa particular. Cristo disse: “Não só de pão (valores materiais) viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt. 4:4). Como podemos admoestar as pessoas necessitadas das nossas Igrejas se não estivermos presentes? O nosso dever imediato é que brilhemos, deixando que todos vejam a nossa assiduidade nos interesses do reino de Deus.

Conclusão: Temos tomado conhecimento da atitude do mundo para com a Igreja; todavia, mais importante é reconhecer que a Igreja tem que manifestar uma atitude positiva diante do mundo, mesmo quando estamos sendo perseguidos por causa da nossa lealdade a Jesus Cristo. Somos o sal da terra e a luz do mundo. Somos uma contribuição positiva à sociedade secular e não negativa, como, às vezes, acusados, (1Pe. 2:12).

Sal tem um poder persuasivo e logo faz a sua  presença reconhecida. Todavia, reconhecemos a necessidade de praticar, todos os dias, os atos de devoção, para que o sal não se torne insípido. A luz tem um poder persistente, mas, para isso, o lugar dela está no velador e não escondida debaixo de uma cesta. O importante é que todos sejam aluminados. O nosso testemunho tem que ser pessoal, afinal, como cristãos, somos pessoas que têm uma palavra apropriada para todos. Dessa maneira, as pessoas que estão observando o nosso honesto procedimento hão de glorificar o nosso Pai que está nos céus. Que cada um de nós sejamos diligentes para que os propósitos de Deus para a nossa vida tenham a devida expressão. Nós não somos uma mera conjectura, somos, de fato, o sal da terra e a luz do mundo.



Rev. Ivan G. G. Ross

A DIVINDADE DE CRISTO



Leitura Bíblica: João 1:1-5

Introdução: O evangelho segundo João nos dá um relance da pessoa de Jesus Cristo na eternidade. “No princípio era o Verbo”, ou seja, Ele existia na eternidade antes da criação do universo, e, antes de qualquer outro ser vivo, seja angélico, humano ou animal. Em outras palavras, como o Ap. Paulo o apresenta: “Ele é antes de todas as coisas” (Cl. 1:17). Cristo fez referência à sua eternidade em sua oração sacerdotal: “ Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste a fazer; e, agora, glorifica-me, ó Pai, comigo mesmo, com a glória que tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (Jo. 17:4-5). João Batista, o seu precursor, reconheceu a eternidade de Cristo quando testemunhou: “É este a favor de quem eu disse: após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim” (Jo. 1:30). Devemos lembrar que João Batista nasceu  pelo menos seis meses antes de Cristo, (Lc. 1:36).

Juntamente com a sua eternidade, devemos reconhecer a glória incomparável de Jesus Cristo, que está estampada sobre todas as obras da sua criação. “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” (Rm. 1:20). Por isso os seres celestiais proclamam: “Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas” (Ap. 4:11). E, outra vez: “Aquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos” (Ap. 5:13). Quando percebemos a glória e a supremacia de Jesus Cristo, ficamos maravilhados com sua condescendência em buscar e salvar pecadores, tais como cada um de nós: “Pois ele (Jesus Cristo), subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus, antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornou-se em semelhança de homens, e,  reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz” (Fl. 2:6-8). Confessamos que fomos comprados por bom preço, o precioso sangue de Jesus Cristo. E qual é a nossa responsabilidade imediata, à luz do preço pago para adquirir a  nossa redenção? “Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (1 Co. 6:20).

Vamos ao estudo das palavras iniciais do Ap.João em sua descrição da Divindade de Jesus Cristo, procurando compreender a glória eterna da sua Pessoa.

1. A Consciência da sua Pessoa Vs. 1-2. Nesses versículos, estamos contemplando a eternidade e a divindade de Jesus Cristo. O Catecismo Maior da nossa igreja ensina: “Há três Pessoas na Divindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo; essas três Pessoas são um só Deus verdadeiro e eterno, da mesma substância, iguais em poder e glória, embora distintas pelas suas propriedades pessoais” (Mt. 3:16-17; 2Co.13:13; Jo. 10:30).

A Bíblia registra uma visão que o Profeta Isaías recebeu. Ele viu “o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono” (Is. 6:1). Ele não estava contemplando um ser solitário e incomunicável; pelo contrário, estava vendo uma plenitude que constrangia os serafins a clamar: “Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Is. 6:3). Pela infinidade desse Ser, percebemos uma pluralidade, porque, quando falou, Ele usou um termo plural, como se tivesse mais de uma Pessoa. “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” (Is. 6:8). Encontramos a mesma pluralidade na criação do homem. “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn. 1:26; 11:6-7).

Cremos que o Ap. João tinha uma percepção dessa pluralidade quando escreveu: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus” V. 1:2. Cristo, o Filho de Deus, não é um Ser criado, como alguns afirmam. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser (o Ser de Deus)” (Hb. 1:3). “Porquanto nele habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl. 2:9). Cristo é o Verbo, o Logos, que é a consciência da sua própria existência, a revelação perfeita de Deus em toda a sua insondável plenitude. “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito (Jesus Cristo), que está no seio do Pai, é quem o revelou” (Jo. 1:18). Filipe, um dos discípulos do Senhor, ficou muito perplexo quando tentou compreender a profundidade do Ser de Deus, por isso, pediu a Jesus: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta”. Disse-lhes Jesus: “Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo, mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras. Crede-me que estou no Pai e o Pai em mim; crede ao menos por causa das mesmas obras” (Jo. 14:8-11).

A descrição quadrícula da Pessoa de Jesus Cristo nos versículos 1 e 2 da nossa leitura estabelece, definitivamente, não apenas a eternidade de Jesus Cristo, mas também a sua Divindade incontestável. Quando lemos tais declarações, em vez de buscar explicações em livros, é melhor e mais edificante aceitar, pela fé, a simplicidade da revelação que o Espírito Santo nos deu nas Escrituras Sagradas. Afinal, foram dadas para a nossa edificação espiritual e não para a nossa confusão. Como o Apóstolo escreveu: “Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais (demonstrando a sua origem divina) que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo. 20:30-31).

2. A Consciência de seu Poder, V3. Quanto à criação do universo, a Bíblia nos dá esta resposta simples: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn. 1:1). Mas, se perguntarmos: Como é que Deus realizou esta obra? O texto no evangelho nos dará esta resposta: “Todas as cousas foram criadas por intermédio dele (o Verbo), e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (V.3). Novamente, somos confrontados com a realidade de que, na Divindade, há uma pluralidade de Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Cada uma dessas Pessoas é reconhecida por causa de suas atribuições pessoais. E, embora cada Pessoa  esteja presente em todas as obras da Divindade, reconhecemos que cada uma tem a sua contribuição particular. A Bíblia enfatiza: “Eu, eu sou o Senhor e fora de mim não há salvador” (Is. 43:11). Contudo, para realizar esta salvação: Não foi o Pai e nem o Espírito Santo que “se fez carne e habitou entre nós”. Esta atribuição pertencia exclusivamente ao Filho, a Segunda Pessoa na Divindade. Citamos uma explanação que se encontra em “Daily Readings”, por J. G. Ryle, 2 de Janeiro: “O nosso Senhor Jesus Cristo é uma Pessoa distinta de Deus Pai, contudo, é um com Ele. O Ap. João nos ensina que “o Verbo estava com Deus”. O Pai e o Verbo, embora sejam duas Pessoas, estão unidos um com o outro em uma união inefável. Onde Deus o Pai estava, desde toda a eternidade, lá estava também o Verbo, sim, o próprio Filho – a sua glória era igual, a sua majestade era co-eternal, e, contudo, a sua Divindade era uma só. Tudo isto é um grande mistério. Mas feliz é aquele que o recebe como uma criancinha, sem sentir a necessidade de maiores explanações.

“O Senhor Jesus Cristo é Deus de fato. O Ap. João nos ensina que “o Verbo era Deus”. Ele não é um mero anjo, que foi criado, e nem um Ser inferior a Deus o Pai, Ele  não é uma criação especial que  foi investida com poderes para redimir pecadores, ao contrário, Ele é nada menos do que o Deus perfeito – quanto à sua Divindade, igual ao Pai e da mesma substância dele, gerado de toda a eternidade.

“O Senhor Jesus Cristo é o Criador de todas as coisas. O Ap. João nos ensina: “ Todas as cousas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez”. Ele está muito longe da possibilidade de ser uma criatura de Deus, como alguns hereges têm insinuado. Ele é o Ser que criou o universo e tudo o que nele existe. “Louvem o nome do Senhor, pois mandou ele, e foram criados” (Sl. 148:5)”.  

Por que estamos insistindo na Divindade de Jesus Cristo? Porque temos que reconhecer quem é a Pessoa que nos amou e a si mesmo se entregou por nós, a fim de nos redimir do castigo que os nossos pecados merecem receber. Nenhum outro valor podia efetuar essa redenção; somente o precioso sangue de Jesus Cristo tinha o valor necessário para comprar a nossa salvação. Agora, vamos meditar sobre o envolvimento das três Pessoas da Divindade nesse processo todo. Deus revelou-se como três Pessoas em um só Deus, (Mt. 28:19). Cada Pessoa na Divindade é distinta das outras duas, e cada uma tem obras particulares a fazer. O Pai entrega o seu Filho, (Jo. 3:16); o Filho vem e assume a nossa natureza a fim de ser o nosso substituto diante da justiça de Deus, (1Jo. 3:8), e ambos enviam o Espírito Santo para  aplicar a salvação a todos os que crêem, (Jo 15:26; Ef. 1:13-14).

3. A Consciência de seu Propósito Vs 4-5. Agora, passamos a contemplar a Pessoa de Jesus Cristo em sua manifestação maior, como aquele que “se fez carne e habitou entre nós” (Jo. 1:14).

a) Qual foi o propósito dessa auto-revelação de Deus? Ele quis comunicar a sua vida de uma maneira visível. “Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”, possuidor, não apenas de uma vida física, mas também de uma vida espiritual, criado para andar em plena comunhão com o seu Criador, (Gn.2:9).

 Mas, quando Adão pecou comendo do fruto proibido, ele foi expulso do jardim do Éden e perdeu aquela intimidade de comunhão com o seu Criador, (Gn. 3:6,23). A partir desse momento, o homem passou a ser espiritualmente morto em seus delitos e pecados, (Ef. 2:1). Mas, será que Deus ficou frustrado em seu propósito para com o homem? De forma alguma! Deus agiu soberanamente a fim de devolver esta vida espiritual ao homem. O nosso texto diz: “A vida estava nele (o Verbo) e a vida era a luz dos homens”. O homem, no princípio, recebeu a dádiva da sua vida mediante uma intervenção da parte de Deus, assim, agora, o homem é dependente da mesma condescendência, a fim de receber de volta a sua vida espiritual. Vamos voltar a enfatizar, o homem não é o criador da sua própria vida, nem o Autor da sua própria salvação. O Senhor Jesus Cristo é a fonte exclusiva de vida e entendimento espiritual para todos os que nele crêem. Feliz o povo que confessa: “Porque todos nós temos recebido a sua plenitude e graça sobre graça” (Jo. 1:16).

b) Qual é o lugar onde esta luz resplandece? Ela resplandece nas trevas, nos lugares onde as pessoas vivem sem Deus e sem esperança, (Ef. 2:12). Essa verdade foi dramatizada quando Jesus “retirou-se para a Galiléia” e passou a pregar o evangelho para um povo notoriamente corrupto. Qual foi o impacto da mensagem? “O povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceu-lhes a luz” (Mt. 4:12-17). Fé em Jesus Cristo sempre tem esta influência benéfica sobre os que crêem: Eles deixam as trevas a fim de andarem na luz. Cristo anunciou esta verdade: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (Jo. 8:12).  Por causa dessa verdade, somos exortados a pregar o evangelho. É somente o evangelho que tem o poder para efetuar uma transformação sobre o povo que jaz nas trevas deste mundo.

c) Qual é a vitória desta luz? “E as trevas não prevaleceram contra ela”. Sempre existiu uma luta espiritual entre as trevas e a luz. O Ap. Paulo reconheceu um conflito espiritual, dizendo: “a nossa luta não é contra  o sangue e a carne e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais” (Ef. 6:12). Mas, como podemos enfrentar esses poderes espirituais? Novamente, o Apóstolo nos orienta: “Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamos-nos das armas da luz”, ou seja, “revesti-vos do Senhor Jesus Cristo” (Rm. 13:12-14). A nossa vitória é sempre “por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Co. 15:57). Por isso, as trevas não prevalecem contra a luz.

Conclusão: É fundamental à nossa fé que creiamos na Divindade absoluta de Jesus Cristo. Quando o universo foi criado, Ele já existia. Sim, tudo o que existe veio a existir por seu intermédio. E, agora, por causa do pecado humano, Cristo se manifesta como a luz que resplandece nas trevas, trazendo salvação para todos os que nele crêem. Quando a Bíblia faz referência ao Filho de Deus, ela fala desta maneira: “O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre” (Hb. 1:8). “Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1Jo. 5:20). Assim, a Igreja fica “aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo” (Tt. 2: 13).

Rev. Ivan G. G. Ross


quarta-feira, 29 de abril de 2015

PERFEIÇÃO NA SANTIDADE



Leitura Bíblica: Filipenses 3:12-14.

Introdução: O Ap. Paulo, dirigindo-se aos cristãos em Roma, afirmou que eles foram “chamados para serem santos” (Rm. 1:7). O Ap. Pedro, de forma semelhante, exortou os cristãos da Dispersão: Não “vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu (o Senhor) sou santo” (1Pe. 1:14-16), O modelo desta santidade é aquele que caracteriza o próprio Deus; uma santidade tão infinita que o ser humano, mesmo sendo regenerado e auxiliado pelo Espírito Santo, não pode, nesta vida, alcançá-la. Contudo, não há motivo para ficarmos desanimados, porque, quando deixarmos esta vida, seremos imutavelmente transformados e aperfeiçoados para todo o sempre. (Hb. 12:22-23).

Ao abordar esse assunto, o Apóstolo está se referindo a dois tipos de pessoas que confessam o nome de Jesus Cristo: a) Os judaizantes, que ensinavam que essa santidade perfeita podia ser alcançada pelas obras da lei, pelo esforço humano. Mas o Apóstolo declara a futilidade desse ensino, dizendo: “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as cousas escritas no livro da Lei, para praticá-las. E, é evidente que, pela lei (pelo esforço humano), ninguém é justificado (inocentado) diante de Deus, porque o justo viverá pela fé”  (Gl. 3:10-11). Em vez de alcançar a devida perfeição, as obras da lei deixam tais seguidores cada vez mais perdidos, visto que todos nós continuamos transgredindo essa lei. “Pois a lei nunca aperfeiçoou cousa  alguma” (Hb. 7:19); b) Os indolentes. Aqueles que estão satisfeitos com o mero nome de cristão. Dizem: tenho a salvação, não preciso fazer mais nada! É possível ser cristão sem o desejo de crescer na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo? Somos exortados: “ Procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum” (2 Pe. 1:10). A certeza da nossa salvação depende dessa prontidão.

Vamos sentir como o Ap. Paulo encarava a necessidade de uma aplicação mais participativa na busca dessa perfeição na santidade.

1. A Necessidade de um Ato Providencial. Antes de pensar na santificação, temos que reconhecer que a vida cristã começa com um ato providencial, temos que ser nascidos de novo pelo poder do Espírito Santo, (Jo. 3:6-8). Cristo veio para “buscar e salvar o perdido” (Lc. 19:10). E,  achando um pecador que por natureza está num estado de rebelião espiritual, este tem que ser “conquistado” para que esteja disposto a seguir o seu Salvador, Jesus Cristo. O Apóstolo foi “conquistado”, por isso ele tão prontamente perguntou a seu Conquistador: “Que farei, Senhor?” (At. 22:10). Somos conquistados para conhecer e praticar a vontade de Deus. A Bíblia ensina que fomos “chamados segundo o seu propósito” (Rm. 8:28). O Ap. Paulo orava para que os cristãos pudessem transbordar “de pleno conhecimento da vontade de Deus” (Cl. 1:9). Embora a vontade de Deus tenha uma multiplicidade de expressões, cremos que a nossa santificação tenha uma prioridade. “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (ITs. 4:3). O Apóstolo ensinava: “Assim como Deus nos escolheu, em Cristo, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele” (Ef. 1:4). Portanto, a nossa santidade é a evidência incontestável da realidade de sermos conquistados por Cristo Jesus. E, para isso, fomos “selados com o Espírito Santo da promessa” (Ef. 1:13). Devemos levar a sério a questão da nossa “santificação, sem o qual ninguém verá o Senhor” (Hb. 12:14).

Quando nós fomos achados e conquistados por Cristo Jesus, o Espírito Santo imediatamente gravou sobre o nosso coração a grande promessa da nova aliança. Falando sobre o povo achado por Cristo, o Senhor declarou: “ Na sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu coração as inscreverei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo” (Hb. 8:10). Essa lei, entre outras finalidades, contém os princípios necessários para desenvolver uma vida santa e irrepreensível. Assim, o Apóstolo, movido por essa lei interior, confessou: “Não que eu tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus” (V.12).  A frase, “prossigo para conquistar”, possivelmente se refere àqueles que praticam o esporte de agonística, ou seja, a arte da luta. O lutador não considera a possibilidade de uma derrota; por isso, ele se disciplina e concentra toda a sua energia para alcançar o prêmio. A nossa santificação deve ter uma prioridade em nossa vida, afinal, fomos escolhidos para esse fim.

2. A Necessidade de um Ato Pronunciável. O nosso entendimento da doutrina da santificação deve ser pronunciável, isto é, podemos explicar quais as normas adotadas para alcançar a nossa santificação. O Ap. Paulo explicou: “Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma cousa faço: esquecendo-me das cousas que para trás ficam e avançando para as que adiante de mim estão” (V13.). O Apóstolo pronunciou três coisas que ele praticava a fim de alcançar a desejada santidade.

a)      Ele enfatizava o fato de que ainda não tinha alcançado a perfeição. Essa não foi uma confissão de uma falha no seu procedimento, antes, foi um estímulo para continuar no “bom combate”, porque soube que, ao chegar o dia final, ele estaria entre os justos aperfeiçoados” (Hb. 12:23). Por isso, o Apóstolo nos exorta: “Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele, nele radicados e edificados e confirmados na fé, tal como fostes instruídos, crescendo em  ações de graças” (Cl. 2:6-7). Ou seja, “desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Fl. 2:12).
b)      Antes de ter o seu encontro salvador com Jesus Cristo, o Apóstolo acumulou para si mesmo muitos benefícios, tanto na área acadêmica, como também na área espiritual. Ele mesmo confessou: “E, na minha nação, quanto ao judaísmo, avantajava-me a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais” (Gl. 1:14). Mas ele chegou a considerar todas essas vantagens “como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus” (Fl. 3:8). E, para alcançar esse objetivo, acrescentou: “ Esquecendo-me das cousas que  para trás ficam”. Reconhecemos que a lembrança de crenças erradas e de conquistas materiais podem impedir o nosso progresso espiritual e causar o pecado de olhar para trás. Muitos dos Israelitas não foram permitidos a entrar na terra prometida porque olharam para trás para lembrar “dos peixes que no Egito comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos. Agora, porém, seca-se a nossa alma e nenhuma cousa vemos senão este maná” (Nm. 11:5-6) A lembrança do passado provocou o desprezo das providências de Deus no presente, por isso, foram rejeitados.
c)      Por causa do esforço para esquecer as coisas que para trás tinham ficado, o Apóstolo estava livre para ocupar-se com o mais importante, isto é, avançar para os valores “que diante de mim estão”. Na corrida para alcançar “ o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”, temos que disciplinar as nossas atitudes e corrigi-las para não cairmos no pecado de murmurar contra o Senhor, “Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis” (1Co. 9:24). Corramos para chegarmos vitoriosamente ao fim.

3. A Necessidade de um Ato Proposital. Em todas as atividades desta vida somos impulsionados por um propósito, e, como cristãos, o nosso objetivo é uma santidade que revela a obra santificadora do Espírito Santo em nossa vida, (1Ts. 5:23). Por isso, o Apóstolo acrescentou: “Prossigo para o alvo”, a minha santificação. Mas, não apenas uma vida irrepreensível, prosseguimos “para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (V.14). Temos falado sobre a santificação, mas qual é o sentido desse “prêmio” que aguarda os vencedores dessa corrida espiritual?

Esse prêmio ou galardão é algo além da vida eterna. Embora não saibamos exatamente a forma desse “prêmio”, entendemos que é algo especial reservado para os fiéis, “Porque Deus não é injusto para ficar esquecido do nosso trabalho e do amor que evidenciastes para com o seu nome, pois servistes e ainda servis aos santos” (Hb.6:10). Na consumação dos séculos, no Dia da “vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele” (2Ts. 2:1), o nosso testemunho será exibido publicamente. O Ap. Paulo aguardava receber uma “coroa de justiça” (2Tm.4:8). A figura entende uma apresentação pública. “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do seu Senhor” (Mt. 25:21). E Cristo, declarando diante das milícias celestiais: “Eis aqui estou eu e os filhos que Deus me deu” (Hb. 2:13). “E eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus que se assenta no trono e ao Cordeiro, pertence a salvação” (Ap. 7:9-10). E, chegando esse Dia do Senhor, teremos maiores esclarecimentos dessa bem-aventurança. Portanto, vamos trabalhar visando esse prêmio, imitando os heróis em Hebreus 11, que enfrentaram todo tipo de dificuldade com fé e muita coragem, “porque contemplavam o galardão” (Hb.11:26).


Conclusão: O terceiro capítulo de Filipenses podia ser intitulado, Uma transferência de prioridades: o que o Apóstolo era antes de ser conquistado por Cristo Jesus; e o que  ele se tornou sob os cuidados de seu Conquistador; ou, ainda: A diferença entre as prioridades do homem carnal e do homem espiritual. O carnal se esforça para ganhar as honras deste mundo, enquanto que o espiritual se esforça para ganhar uma santidade visível, porque esta é a vontade de seu Senhor. E, para isso, o Apóstolo reconheceu a necessidade de um ato providencial em sua vida, um encontro salvador e santificador com Jesus Cristo. Em seguida, ele reconheceu a necessidade de um ato pronunciável, uma definição quanto à natureza da santificação. E, finalmente, ele reconheceu a necessidade de um ato proposital, o desejo de prosseguir no esforço de alcançar uma vida visivelmente santa e irrepreensível, na busca de uma perfeição na santidade. Cristo nos achou e nos conquistou  a fim de apresentar-nos perante Deus o  Pai “santos, inculpáveis e irrepreensíveis” (Cl.1:22). Que sejamos achados assim.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A VOCAÇÃO DO APÓSTOLO PAULO



Leitura Bíblica:  Romanos 1:16-17

Introdução: O Ap. Paulo deu início à sua carta descrevendo o seu chamado para o ministério, (V1). Tudo começou quando ele teve aquele encontro com Jesus Cristo no caminho para Damasco.Naquela ocasião, três coisas marcantes aconteceram: Ele foi poderosamente regenerado, perdoado, e enviado para pregar o evangelho, (At. 9:1-19). O Apóstolo ficou tão maravilhado com essa manifestação da graça e da misericórdia de Deus, que escreveu: “Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Jesus Cristo, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério, a mim, que noutro tempo era blasfemo, e perseguidor, e insolente. Mas obtive misericórdia”, (1Tm. 1:11-12). Agora, escrevendo aos Romanos, ele registrou a sua motivação para exercer o seu ministério. Foi um amor singular a Jesus Cristo e um anseio forte para ver os gentios obedecendo à fé no mesmo Salvador (V.5), confessando: “Pois sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes; por isso, quanto está em mim, estou pronto a anunciar o evangelho também a vós outros, em Roma” (V.14-15). Vamos ao texto lido nos Vs. 16-17.

1. A Prontidão do Apóstolo. Por que ele está pronto para pregar o evangelho em Roma? Porque ele não tem vergonha do evangelho; não tem medo de ser ridicularizado por causa desta mensagem de “Jesus Cristo e este crucificado” (1Co. 2:2). Muitas pessoas, especialmente entre os sábios deste mundo, zombam do Cristo crucificado e o rejeitam como o único que conduz o pecador para a vida eterna. A pergunta do incrédulo é: Como pode um crucificado salvar alguém? Sim, Cristo crucificado pode ser um escândalo para os judeus e loucura para os gentios, mas, para nós, “aprouve a Deus salvar os que crêem” (1Co. 1:21-23).

Por causa dessa reação negativa à mensagem da cruz, muitos já tentaram, sem negar a sua realidade, modificar a unicidade de Cristo como a única providência de Deus para a salvação eterna de pecadores. Os judaizantes da Galácia projetaram a importância da circuncisão, dizendo: Não negamos a cruz de Cristo, mas, o que vale para a nossa salvação total é a circuncisão. E, com essa ênfase, desfizeram o escândalo da cruz (Gl. 5:11). Outros evitaram a ofensa da cruz, dando-lhe uma outra interpretação. Em vez de ser a providência de Deus para a nossa salvação, ela é um exemplo de paciência quando os homens maus nos injuriarem. Em vez de reagir, imitemos a paciência de Cristo.

Mas, por que a cruz de Cristo causa tanto constrangimento? Porque ela desencadeia uma perseguição sem medidas. Essa mensagem humilha a auto-suficiência do homem, ensinando que as suas boas obras não têm valor diante de Deus para ajudar na sua salvação. O evangelho exalta a gratuidade da providência divina para  a salvação do homem. Portanto, para ser salvo, o homem tem que se humilhar e reconhecer que não tem nenhum recurso que possa facilitar a sua salvação, ele tem que se lançar sobre a misericórdia de Deus e depender da suficiência da morte substitutiva de Jesus Cristo. O Ap. Paulo sofria uma perseguição incansável por causa da sua insistência sobre a centralidade da cruz de Cristo no plano da salvação de pecadores. Mas ele não se envergonhava dessa mensagem, preferindo a perseguição à apagar o único caminho para a nossa salvação. Veja Gálatas 5:11; 6:12.

2. A Propulsão do Apóstolo. Por que o Apóstolo não se envergonhava da cruz de Cristo? Porque ela é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Reconhecemos que Deus é todo poderoso e independente; contudo, Ele é servido em usar meios para comunicar seus propósitos salvíficos a seu povo. E o meio específico para esse fim é a pregação do evangelho, um ministério realizado exclusivamente por pessoas que Ele mesmo prepara e envia, (Rm. 10:15-17). Quando Deus estava encaminhando o centurião para receber o dom da salvação, Ele não usou o anjo para  anunciar as boas novas, isto seria o privilégio de um homem, o Ap. Pedro, (At. 10:1-43). O mesmo princípio foi usado para ajudar o eunuco a reconhecer a presença de Cristo na profecia de Isaias 53:7-8. Desta vez, Filipe foi o mensageiro escolhido para lhe dar a desejada explicação, (At. 8:26-35). Missões de evangelização são realizadas pela exclusividade de homens que obedecem à ordem de Jesus Cristo: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15). Os primeiros cristãos reconheceram essa obrigação, e, apesar dos perigos, “os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra” (At. 8:4).

Em que sentido podemos dizer que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê? O homem natural não tem nenhuma inclinação para conhecer a vontade de Deus para a sua vida. Ele é espiritualmente morto em seus delitos e pecados (Ef. 2:1). Portanto, para que o homem seja salvo, Deus tem que usar o seu poder para desfazer essa resistência espiritual.  “Eis que o Senhor virá com poder, e o seu braço dominará” (Is. 40:10). Ele usa o seu poder soberano para derrubar tudo o que se levanta para impedir a plena salvação de seu povo, seja a incredulidade ou a dureza do coração impenitente. Podemos pensar no Ap. Paulo antes do seu encontro com Jesus Cristo, homem que respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, (At. 9:1). Mas, ele foi derrotado, e, quando ouviu a voz acusadora de seu Salvador, pediu quebrantadamente: “ Que farei, Senhor?” (At. 22:10). E, por resposta, Cristo o  considerou fiel  e apto para o ministério (1Tm. 1:12), justificando a sua determinação, dizendo: “Este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel” (At. 9:15). Esse é o mesmo poder que operou em nós, dando-nos a força para confessar Jesus Cristo como Senhor e Salvador.

3. A Proclamação do Apóstolo. Por que o evangelho é o poder de Deus? Porque a justiça de Deus se revela no evangelho. Através dessa mensagem, vemos como Deus pode “ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm. 3:26). Para que alguém seja aceito diante da santidade de Deus, ele tem que ter uma justiça imaculada, isto é, uma obediência perfeita à lei divina, a partir de seu nascimento e até o último momento de sua vida aqui na terra. Mas como pode um homem, nascido de mulher, alcançar esse padrão de obediência,  visto que “todos pecaram e carecem da glória de Deus?” (Rm. 3:23). A resposta se encontra na lei da representação. “Pois assim como, por uma só ofensa (aquela de Adão, o nosso primeiro representante), veio o juízo sobre todos os homens para a condenação, assim também, por um só ato de justiça (a perfeita obediência de Jesus Cristo, o nosso novo representante), veio a graça sobre todos os homens, para a justificação que dá vida” (Rm. 5:18). Como o ato de Adão representou o procedimento de toda a sua descendência, assim, o ato de Cristo representou o procedimento de todo o seu povo. Quando a Bíblia diz que “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (Jo.3:16), está dizendo que Jesus Cristo foi dado para servir de representante para todos os que nele crêem. Como o pecado de Adão foi imputado à sua descendência, assim, a perfeita obediência de Cristo, que é a sua justiça, é imputada a todo o seu povo. Abraão foi um homem “plenamente convicto de que Deus era poderoso para cumprir o que prometera. Pelo que isso lhe foi também imputado para justiça. E não somente por causa dele está escrito que lhe foi levado em conta, mas também por nossa causa, posto que a nós igualmente nos será imputado, a saber, a nós que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rm. 4:21-25).

Agora, para sermos salvos, temos que, pela fé, nos revestir de Jesus Cristo e da sua justiça. “Cantarei a Cristo! Por nós cumpriu a Lei! Seu manto de justiça, alegre, vestirei” (HNC-50) E assim, com certeza, seremos aceitos diante do tribunal de Deus, (Rm 13:14). Quando a Bíblia ensina que Deus é justo, está dizendo que o nosso pecado não foi desprezado, antes, ele recebeu o devido salário, não em nós, mas, sim, em Jesus Cristo, o nosso Substituto. E, por modo semelhante, Deus é justificador de todos os que crêem em Jesus Cristo, porque Ele os vê vestidos das perfeições de seu próprio Filho. Como Abraão creu,  nós também temos que crer, a fim de receber a vida eterna.


Conclusão: O Ap. Paulo confessou: “Sou devedor”. Essa dívida do Apóstolo seria paga dando às nações o evangelho de Jesus Cristo. No exercício de seu ministério, o Apóstolo sempre demonstrou uma prontidão para pregar o evangelho a qualquer pessoa. A sua propulsão nesse trabalho foi o reconhecimento de que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. A proclamação principal do Apóstolo foi a justiça de Deus, explicando como Ele pode seu justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus Cristo. Devemos orar para que Deus nos dê a mesma espontaneidade do Ap. Paulo para  testificar de Jesus Cristo, porque somos as suas testemunhas.

Rev. Ivan G. G. Ross

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

UM CONVITE AOS SEDENTOS



Leitura Bíblica: João 7:37-39

Introdução: Jesus estava em Jerusalém assistindo a Festa dos Tabernáculos quando anunciou essas palavras, (Jo. 7:2). Esta foi uma das três festas anuais quando “três vezes no ano, todo homem aparecerá diante do Senhor Deus” (Ex. 23:17). Por causa dessa obrigação, os judeus entenderam que Jesus estaria presente, (Jo. 7:11). A Festa dos Tabernáculos, ou, a Festa da Sega, celebrava “os primeiros frutos do seu trabalho que houver semeado no campo” (Ex. 23:16). Apesar de não estar presente na instituição original da festa, os judeus introduziram o rito da água. No último dia da festa, uma procissão se formaria trazendo um cântaro cheio das águas de Siloé (o canal que trazia água para suprir as necessidades de Jerusalém), o qual, derramado ao pé do altar, simbolizava a água como uma dádiva de Deus para garantir o crescimento e a frutificação das plantações. A festa, portanto, foi um tempo de gratidão a Deus por todas as suas boas e reconhecidas providências para o bem de seu povo.

Dentro do contexto dessa festa, o convite de Jesus, com certeza, fez o povo lembrar das referências às águas vivas contidas nas Escrituras do Antigo Testamento. O próprio Senhor Deus convidava: “Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas” (Is. 55:1). Vinde à fonte dessas águas! Ele mesmo, Jesus Cristo, é “o manancial de águas vivas” (Jr. 2:13). E, quando Jesus conversou com a mulher samaritana, Ele prometeu  dar-lhe “água viva”, porque Ele mesmo é a fonte dela, (Jo. 4:10). E, finalmente, ao chegarmos no céu, “o Cordeiro que se encontra no meio do trono, os guiará para as fontes da água da vida” (Ap. 7:17). E Jesus esclareceu: aquele “que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo. 4:14). Vamos ao estudo para sentirmos a preciosidade desse convite que Jesus está nos dando.

1. Uma Convocação Insistente: No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (V.37). Por um momento, vamos tentar imaginar quais foram os pensamentos que ocuparam o foro íntimo daquela multidão religiosa. Será que eles estavam plenamente satisfeitos com os resultados finais da festa? Eles assistiram todas as partes da celebração; testemunharam o sacrifício de animais, ouviram as explicações dadas pelos sacerdotes: e, talvez, alguns deles entraram na procissão na esperança de sentir algo que saciasse a sua sede espiritual. Afinal, foram à festa na expectativa de receber uma benção que pudesse alimentar a sua fome espiritual. Acreditamos que Jesus percebeu uma lacuna no coração de muitos. A festa foi bonita e bem organizada, contudo, muitos voltariam para casa com uma carência espiritual no coração. Cerimônias e representações materiais podem satisfazer os sentimentos do momento, porém, terminando o evento, o coração continua vazio e esfomeado. Por isso, Jesus se levantou e se apresentou como o único que tem o poder para satisfazer a sede espiritual de qualquer pessoa. Ele convida: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba”. Ele tem autoridade para falar desta maneira, porque foi enviado pelo Pai para comunicar vida aos desalentos e satisfazer a sede espiritual de todos aqueles que o buscam. Existe uma água enganosa que o mundo oferece a seus adeptos. Por isso, Jesus explicou: “Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede” (Jo. 4:13-14).

A mulher samaritana acreditou que Cristo podia lhe dar essa água viva, e logo a pediu: “Senhor, dá-me dessa água para que eu não tenha sede” (Jo. 4:15). Mas, em vez de dar-lhe a dádiva, sem mais nada, “disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido e vem pra cá” (Jo. 4:16). Em outras palavras, o Senhor estava dizendo: Antes de poder receber o dom dessa água viva, o problema do pecado tem que ser resolvido, pois você não pode beber dessa água viva e ao mesmo tempo continuar na prática do pecado. A mulher não vacilou, confessou e abandonou a sua transgressão da lei de Deus, recebeu o pleno perdão de tudo e começou a viver como testemunha fiel a Jesus Cristo. Com esse ato, ela estava bebendo das águas vivas. Qual foi o resultado de sua conversão? “ Muitos outros creram em Jesus Cristo por causa do testemunho desta seva de Deus”, (Jo. 4:39). Vamos sempre lembrar: Confessar fé em Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, continuar na prática do pecado, é uma contradição e totalmente inaceitável diante de Deus. Sim, Cristo nos convoca com uma insistência para chegar a Ele e beber das águas vivas, porém, temos que chegar a Ele dispostos para viver de acordo com as normas que Ele mesmo prescreve: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele” (Jo. 14:21).  

2. Uma Condição Insistente. “Quem crer em mim, como diz a Escritura” (V.38a). Crer em Cristo significa muito mais do que uma mera crença em sua existência. Segundo a Bíblia, crer indica uma aproximação a fim de desfrutar de uma comunhão espiritual com Ele. Muitas vezes Cristo usava a palavra “Vem”. Por exemplo: “O quem vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo. 6:37).  Chegamos a Cristo porque cremos e confiamos na veracidade da sua Pessoa e na suficiência do que Ele fez, a fim de garantir o perdão de todos os nossos pecados e conduzir-nos para a vida eterna. Cristo deu início a seu ministério, dizendo: “Arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc. 1:15). O evangelho é a mensagem que descreve a Pessoa e a Obra de Jesus Cristo. Crer no Evangelho significa acreditar na Divindade de Cristo. Ele é o prometido “Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc. 2:11). “Nele habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl. 2:9). Ele é aquele que “subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e reconhecido em forma humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz” (Fl. 2:6-8). O que nós devíamos à lei, em termos de obediência, Cristo pagou tudo. Por exemplo, como transgressores da lei, a pena da morte pairava sobre nós, mas Ele mesmo cumpriu a sentença quando deu a sua vida em resgate por nós. Por causa da eficácia dessa morte substitutiva, Cristo recebeu a autoridade para perdoar pecadores, (Mc. 2:10). O Ap. Paulo resumiu esta verdade, escrevendo: “E a vós outros, que estáveis mortos em vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com Cristo, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida que era contra nós” (Cl. 2:13-14). Agora, a nossa confiança está na infalibilidade desta promessa: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo. 1:9). Vamos desenvolver uma certeza quanto à nossa fé em Jesus Cristo, pois a nossa crença nele tem que estar de acordo com os ensinos específicos das Escrituras Sagradas.

3. Uma Conclusão Insistente. Quem crer em Cristo, a conclusão é inevitável: “Do seu interior fluirão rios de água viva” (V. 38b). Essa frase se refere ao Espírito Santo e à sua obra na vida de seu povo (V.39). Devemos aprender a valorizar a atuação do Espírito Santo em nossa vida. É Ele que opera em nosso “homem interior”, fortalecendo-o com poder para que possamos viver a vida cristã, (Ef. 3:16). Uma das dádivas mais importantes do Espírito Santo é a “sabedoria”, (Cl. 1:9). Salomão, reconhecendo as suas limitações, pediu a Deus: “Dá-me, pois, agora, sabedoria e conhecimento, para que possa sair e entrar perante este povo” (2Cr. 1:10). É de suma importância que sejamos vistos como pessoas que sabem como se portar de modo santo e irrepreensível, porque, como testemunhas, representamos a Pessoa de Jesus Cristo e a sua santidade (1 Ts.4:12). E, para isso, precisamos do toque vivificante do Espírito Santo.

Quando o nosso texto fala: “Do seu interior fluirão rios de água viva”, está se referindo à manifestação do fruto do Espírito Santo que transborda da nossa vida, como se fosse uma torrente de evidências comunicando a realidade de “Cristo em nós, a esperança da glória” (Cl. 1:27). É necessário que as pessoas ao nosso redor  vejam esse fruto em termos de amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio, (Gl. 5:22-23). Devemos tomar posse da promessa: “Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (Jo. 14:26). Quanto a este ensino que Cristo nos legou para a nossa edificação, está agora registrado, em toda a sua riqueza, nas Escrituras Sagradas. (Jo. 20:31).

Resta-nos uma pergunta importante: Como podemos experimentar a continuidade dessa obra do Espírito Santo em nossa vida? O Ap. Paulo nos dá a resposta certa: “ E não vos embriagueis com vinho (estimulantes carnais), no qual há dissolução, mas enchei-vos (tomai-vos) do Espírito” Como? Alimentando a nossa espiritualidade, “falando entre vós com Salmos (que representam a Bíblia inteira), entoando e louvando de coração o Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome do Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef. 5:18-21). E um dos meios mais práticos para receber esse alimento espiritual é o exercício diário do culto familiar: a  família toda, pai, mãe e filhos, juntos, para cantar hinos, ler a Bíblia e orar. Na vida cristã não há como encurtar o processo de adquirir crescimento espiritual. “Porque é preceito sobre preceito, preceito e mais preceito, regra sobre regra, regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali” (Is. 28:10).

Conclusão: Certo dia, vendo as multidões, Jesus “compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor” (Mt. 9:36). Jesus ainda revela essa mesma compaixão. Assim, ao contemplar as pessoas presentes na Festa dos Tabernáculos, Ele se apresentou como “o manancial de águas vivas” (Jr. 2:13); o único que pode saciar a sede espiritual dos povos. Por isso, Ele disse: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba”. Ele garantiu o resultado dessa aproximação, acrescentando: “Quem  crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”. Ele terá uma experiência espiritual que realmente sacia a alma sedenta. Mas, para desfrutar de uma vida com Cristo, temos que atender a sua convocação, obedecer à condição, que é crer que Jesus Cristo pode nos abençoar, e, com certeza, experimentaremos a conclusão: teremos uma vida espiritual que realmente satisfaz as necessidades da nossa alma. Portanto, o desafio é: “Oh! Provai e vede que o Senhor é bom. Bem-aventurado o homem que nele se refugia” (Sl. 34:8).           



UMA MENSAGEM ESPIRITUAL


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Isaías 40:1-11

Introdução: Nesta leitura, temos um relance da situação política e espiritual de Israel nos dias do profeta Isaías. A nação tinha se degenerado moralmente até o ponto de Deus querer cumprir as suas ameaças de castigo contra o povo, por causa da sua desobediência generalizada. Em Levíticos 26:33, Deus predissera que a nação seria desterrada e levada ao cativeiro. “Espalhar-vos-ei por entre as nações e desembainharei a espada atrás de vós; a vossa terra será assolada, e as vossas cidades serão desertas”. Agora, no tempo de Isaías, esta ameaça está se preparando para ser cumprida.

Quando um país recebe um castigo divino por causa de seus pecados, os piedosos também participam de tudo o que acontece. Em Israel, Daniel e seus três amigos, todos de sangue real, foram rebaixados à escravidão e levados ao cativeiro. Enfim, o povo de Deus não fica isento das consequências negativas causadas pela desobediência nacional. Mas, para estes, a dor da tribulação é suavizada pela consciência evidente da presença sustentadora de Deus, que continua acompanhando e abençoando os seus servos fiéis, mesmo quando estão em cativeiro. Lembramos da história de José no Egito: “O Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José – O Senhor, porém, era com José, e lhe foi benigno, e lhe deu mercê perante o carcereiro” (Gn. 39:5,21). Daniel e seus três amigos, bem como José, são testemunhas dessa presença do Senhor.

No caso de Israel, ou de qualquer outro povo, Deus demonstra a sua boa vontade para com as pessoas mediante a pregação do evangelho, uma mensagem de perdão para os arrependidos; um perdão fundamentado sobre o fato de que o Senhor de todas as misericórdias já providenciou um resgate que satisfez todas as exigências da lei, pois o salário do pecado foi recebido por um Fiador, Jesus Cristo, que morreu em nosso lugar na cruz do Calvário. Portanto, os mensageiros do evangelho são ordenados a proclamar: “Consolai, consolai o meu povo, diz o Senhor Deus. Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia (luta), que a sua iniquidade está perdoada” (Vs. 1-2). Mas, para que o povo possa receber essas boas novas, três acontecimentos são necessários:

1. A Necessidade de uma Preparação Vs. 3-5. A profecia nos faz lembrar do ministério de João Batista, o precursor e preparador do caminho para o ministério de Jesus Cristo. A Bíblia usa uma linguagem figurativa para descrever esse ministério. “Todo vale será aterrado, e nivelados todos os montes e outeiros; o que é tortuoso será retificado, e os lugares escabrosos aplanados”. Tudo isso significa que João Batista iria criar uma expectativa no coração do povo, a esperança do cumprimento das profecias messiânicas, o prometido Salvador. No início, o povo pensava que João Batista era o Messias, mas ele corrigiu as pessoas, dizendo: “Eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor” (Jo. 3:28). Essa obra de preparação consistia na proclamação de três grandes princípios:

a)      A necessidade de arrependimento. “Dizia ele (João Batista), pois, às multidões que saíam para serem batizadas: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos do arrependimento”. Ele definiu o arrependimento como um abandono de todas as confianças alheias; por exemplo: “Temos por pai a Abraão”. Meus pais são crentes fiéis. Ou, eu procuro cumprir os meus deveres, etc. Mas arrependimento é mais do que isso; é uma mudança radical nas atitudes básicas. O egoísta passa a ser altruísta. O ladrão não rouba mais, antes, ele trabalha com suas próprias mãos. Aquele que maltratava as pessoas, passa a ser misericordioso. O trabalhador vive contente com o soldo que recebe, (Lc. 3:7-14). Esses frutos do arrependimento são as evidências práticas de uma vida transformada pela regeneração.
b)      A necessidade de crer no juízo vindouro. A realidade deste “Dia” serve para inibir os impulsos pecaminosos da nossa natureza. João Batista advertia o povo, dizendo: “E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo” (Lc. 3:9). E o Ap.Paulo explicou: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Co. 5:10). Quando o Ap. Paulo dissertou perante Felix “acerca da justiça, do domínio próprio e do juízo vindouro”, o homem ficou amedrontado, (At. 24:25). Por isso, a advertência de “fugir da ira vindoura” (Lc. 3:7). “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb. 10:31).
c)       A necessidade de crer em Jesus Cristo. A primeira vinda de Cristo foi profetizada desta maneira: “A glória do Senhor se manifestará, e toda a carne a verá, pois a boca do Senhor o disse” (V5). O Ap. João testificou: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória como do unigênito do Pai” (Jo. 1:14).   A glória de Cristo é o seu poder para buscar e salvar pecadores, tais como qualquer um de nós. O ministério de João Batista chegou ao ponto máximo quando ele viu Jesus, e olhando para Ele, declarou a todos ao seu redor: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo. 1:29). Agora devemos ouvir e crer no que a Escritura diz: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo. 3:36). Portanto, para crer em Cristo, temos que nos aproximar dEle pela fé. Como Ele mesmo disse: “O que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo. 6:37). A obra de preparação se cumpre quando chegamos a Cristo pela fé e o recebemos como nosso Salvador.

2. A Necessidade de uma preordenação. Vs. 6-8.  A pregação do evangelho não se limita à exposição de arrependimento, o juízo vindouro e fé em Jesus Cristo. O ministro foi preordenado para incluir mais três elementos: a brevidade da nossa vida; a realidade da morte; e, a eternidade da palavra de Deus.

a)      A brevidade da nossa vida. Ouve-se uma voz anunciando uma única palavra: “Clama”. E o ministro de Deus que está sempre atento à voz do seu Senhor, responde, perguntando: “Que hei de clamar?” E a resposta é: Proclame a preordenação da brevidade da vida humana: “ Toda carne é erva, e toda a sua glória como a flor da erva” (V.6). Por um momento, vemos a vida humana coroada de belezas, consecuções e vitórias; contudo, toda essa glória é como a flor da erva que logo murcha e desvanece. O pregador descreve essa glória como uma “vaidade e correr atrás de vento” (Ec. 2:26). Existem valores mais importantes do que essas glórias momentâneas. A brevidade da nossa vida deve nos ensinar a buscar glórias que jamais desvanecerão.
b)      A realidade da nossa morte. A morte é vista como uma intervenção divina na vida do homem. Soprando nele o hálito do Senhor, o que acontece? “Seca-se a erva, e caem as flores” (V7). Devemos lembrar: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hb. 9:27). Apesar de Adão ter alcançado tantos anos, a sua história termina com esta nota sombria: “E morreu” (Gn 5:5).  A longevidade não ameniza a dor da morte. Ezequias recebeu esta preordenação da parte do Senhor: “Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás” (2Rs. 20:1). O rei recebeu tempo para se preparar antes de morrer. Porém, não foi assim com um certo homem rico, porque enquanto comia, bebia e regozijava-se, Deus, de repente, lhe disse: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc. 12:16-21). A lição é esta: Estejamos preparados enquanto temos tempo, porque não sabemos em que dia a morte nos visitará.
c)      A eternidade da palavra de Deus. O texto está estabelecendo um contraste entre a transitoriedade da vida humana e a permanência da palavra de Deus. “Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra do nosso Deus permanece eternamente”, (V.8). Por que este contraste? Devemos entender que não há nada neste mundo que podemos guardar para sempre. Portanto, em vez de construir sobre aquilo que é transitório, devemos buscar o tesouro que jamais passará: “Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1Jo. 2:17). Eis o objetivo principal para cada um de nós. Juntamente com a devida consagração de nossa vida, descobrimos “qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2). Esta é a preordenação que Deus estabeleceu para o seu povo: Conhecer a sua vontade em toda a sua abrangência.   

3. A necessidade de uma Preanunciação. (Vs. 9-11). Novamente, a palavra dirigida ao pregador e o que ele tem que anunciar: “Tu, ó Sião que anuncias boas novas, sobe a um monte alto!” A sua mensagem tem que ser ouvida pelo maior número de pessoas possível. “Tu que anuncias boas novas a Jerusalém, ergue a tua voz fortemente; levante-a, não temas, e dize às cidades de Judá”. Os povos de todos os lugares têm que ouvir essas boas-novas. Quais são essas notícias que têm tamanha urgência? Destacamos três: O que Deus já está fazendo; o que Deus ainda fará; e, como Deus cuida de seu povo.

a)      O que Deus está fazendo, (V9). “Eis aí está o vosso Deus”. Esta frase é uma exclamação de admiração, ao reconhecer que Deus continua trabalhando entre os povos deste mundo, dando-lhes as boas-novas de salvação, anunciando que o perdão dos pecados está ao alcance de todos os que o buscam. Esse perdão é oferecido gratuitamente, porque um Fiador pagou a dívida judicial de seu povo. O piedoso Zacarias louvou a Deus por essas mesmas verdades: “Bendito o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo, e nos suscitou plena e poderosa salvação na casa de Davi, seu servo, como prometeu desde a antiguidade, por boca dos seus santos profetas” (Lc. 1:68-70). O que Deus preanunciou, Ele está cumprindo em nossos dias. “Eis aí está o nosso Deus!” O Fiel cumpridor de cada uma de suas mui grandes e preciosas promessas. Louvado seja o seu santo nome.
b)      O que Deus ainda fará. “Eis que o Senhor Deus virá com poder, o seu braço dominará; o seu galardão está com ele, e diante dele, a sua recompensa” (V.10). Este versículo tem, talvez, uma dupla aplicação. Em nossos dias, o Senhor vem ao seu povo mediante a pregação do evangelho, como dissemos no primeiro ponto. Ele vem com seu braço estendido, dominando e julgando todos os inimigos de seu povo para que as pessoas estejam livres para crer em Jesus Cristo. O galardão que vem com Ele é a salvação eterna para todos os que crêem; e a recompensa de crer é saber que todas os nossos pecados são gratuitamente perdoados. O Ap.João afirmou: “Estas cousas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus”. Mas o segundo sentido do versículo é igualmente válido, e se refere, talvez, à segunda vinda de Jesus Cristo. Naquele dia, veremos a grandeza de seu poder através do ajuntamento de todas as nações perante o seu trono. “Quando vier o Filho do homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença” para serem julgadas segundo as suas obras. Assim, cada um dos indivíduos receberá de acordo com o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo, (Mt. 25:31-32; 2Co. 5:10). Notemos o destaque dado ao galardão: “cada um receberá”. Cristo prometeu: “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras” (Ap. 22:12). Portanto, a exortação para cada um de nós é: “Vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor” (Mt 24:42).
c)      Como Deus cuida de seu povo. Vamos sentir a preciosidade desta verdade: “Como pastor, apascenta os cordeirinhos e os levará no seio; as que amamentam ele guiará mansamente” (V11). Notemos as três atitudes desse “bom pastor”:
                                I.      “Como pastor apascenta o seu rebanho”. A responsabilidade do pastor é suprir todas as necessidades de seu rebanho. O salmista confessou confiantemente: “ O Senhor é o meu pastor, nada me faltará” (Sl. 23:1). E, semelhantemente, o Ap. Paulo: “ E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma das vossas necessidades” (Fl. 4:19). O “nada me faltará” se refere às três necessidades básicas: alimento, vestimenta e moradia. Tendo essas coisas, “estejamos contentes” (1Tm 6:8). Mas, pela experiência pessoal, sabemos que Deus, em sua bondade, nos dá muito mais do que o básico: “O meu cálice transborda” (Sl. 23:5-6).    
                             II.      O cuidado do Senhor para com as crianças: “Entre seus braços recolherá os cordeirinhos e os levará no seio”. Vemos Jesus “ tomando-as nos braços e impondo-lhes  as mãos as abençoava” (Mc.10:16). Crianças e pessoas com deficiências físicas, por causa de suas limitações, recebem um cuidado especial. E, quando não podem andar sozinhas, Ele as “levará no seio”, perto de seu coração. O amor de Deus para com seu povo é indizivelmente maravilhoso e confortador.
                           III.      O cuidado do Senhor para com as mães. Por causa das responsabilidades maternas, as mães nem sempre conseguem acompanhar o ritmo dos demais membros da Igreja. Mas o Senhor não fica impaciente com elas. “As que amamentam, ele guiará mansamente”. Por causa dessas disposições de condescendência, Ele nos convida: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave e meu fardo é leve” (Mt. 11:28-30).


Conclusão: A nossa leitura começou com esta ordem: “ Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus”. Consolamos e saciamos os anseios do povo de Deus através da exposição da sua natureza. Ele que ser conhecido como o Deus perdoador, que apaga as nossas transgressões, (Is. 43:25). Por causa da brevidade da nossa vida, Ele quer que estejamos preparados para aquele dia solene, quando “cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Rm. 14:12). E, finalmente, Deus quer que o seu povo tenha confiança na sua condescendência. Ele é o Bom Pastor que cuida do seu rebanho, “Oh! Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia” (Sl. 34:8).