Vasos de Honra

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A VOCAÇÃO DO APÓSTOLO PAULO



Leitura Bíblica:  Romanos 1:16-17

Introdução: O Ap. Paulo deu início à sua carta descrevendo o seu chamado para o ministério, (V1). Tudo começou quando ele teve aquele encontro com Jesus Cristo no caminho para Damasco.Naquela ocasião, três coisas marcantes aconteceram: Ele foi poderosamente regenerado, perdoado, e enviado para pregar o evangelho, (At. 9:1-19). O Apóstolo ficou tão maravilhado com essa manifestação da graça e da misericórdia de Deus, que escreveu: “Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Jesus Cristo, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério, a mim, que noutro tempo era blasfemo, e perseguidor, e insolente. Mas obtive misericórdia”, (1Tm. 1:11-12). Agora, escrevendo aos Romanos, ele registrou a sua motivação para exercer o seu ministério. Foi um amor singular a Jesus Cristo e um anseio forte para ver os gentios obedecendo à fé no mesmo Salvador (V.5), confessando: “Pois sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes; por isso, quanto está em mim, estou pronto a anunciar o evangelho também a vós outros, em Roma” (V.14-15). Vamos ao texto lido nos Vs. 16-17.

1. A Prontidão do Apóstolo. Por que ele está pronto para pregar o evangelho em Roma? Porque ele não tem vergonha do evangelho; não tem medo de ser ridicularizado por causa desta mensagem de “Jesus Cristo e este crucificado” (1Co. 2:2). Muitas pessoas, especialmente entre os sábios deste mundo, zombam do Cristo crucificado e o rejeitam como o único que conduz o pecador para a vida eterna. A pergunta do incrédulo é: Como pode um crucificado salvar alguém? Sim, Cristo crucificado pode ser um escândalo para os judeus e loucura para os gentios, mas, para nós, “aprouve a Deus salvar os que crêem” (1Co. 1:21-23).

Por causa dessa reação negativa à mensagem da cruz, muitos já tentaram, sem negar a sua realidade, modificar a unicidade de Cristo como a única providência de Deus para a salvação eterna de pecadores. Os judaizantes da Galácia projetaram a importância da circuncisão, dizendo: Não negamos a cruz de Cristo, mas, o que vale para a nossa salvação total é a circuncisão. E, com essa ênfase, desfizeram o escândalo da cruz (Gl. 5:11). Outros evitaram a ofensa da cruz, dando-lhe uma outra interpretação. Em vez de ser a providência de Deus para a nossa salvação, ela é um exemplo de paciência quando os homens maus nos injuriarem. Em vez de reagir, imitemos a paciência de Cristo.

Mas, por que a cruz de Cristo causa tanto constrangimento? Porque ela desencadeia uma perseguição sem medidas. Essa mensagem humilha a auto-suficiência do homem, ensinando que as suas boas obras não têm valor diante de Deus para ajudar na sua salvação. O evangelho exalta a gratuidade da providência divina para  a salvação do homem. Portanto, para ser salvo, o homem tem que se humilhar e reconhecer que não tem nenhum recurso que possa facilitar a sua salvação, ele tem que se lançar sobre a misericórdia de Deus e depender da suficiência da morte substitutiva de Jesus Cristo. O Ap. Paulo sofria uma perseguição incansável por causa da sua insistência sobre a centralidade da cruz de Cristo no plano da salvação de pecadores. Mas ele não se envergonhava dessa mensagem, preferindo a perseguição à apagar o único caminho para a nossa salvação. Veja Gálatas 5:11; 6:12.

2. A Propulsão do Apóstolo. Por que o Apóstolo não se envergonhava da cruz de Cristo? Porque ela é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. Reconhecemos que Deus é todo poderoso e independente; contudo, Ele é servido em usar meios para comunicar seus propósitos salvíficos a seu povo. E o meio específico para esse fim é a pregação do evangelho, um ministério realizado exclusivamente por pessoas que Ele mesmo prepara e envia, (Rm. 10:15-17). Quando Deus estava encaminhando o centurião para receber o dom da salvação, Ele não usou o anjo para  anunciar as boas novas, isto seria o privilégio de um homem, o Ap. Pedro, (At. 10:1-43). O mesmo princípio foi usado para ajudar o eunuco a reconhecer a presença de Cristo na profecia de Isaias 53:7-8. Desta vez, Filipe foi o mensageiro escolhido para lhe dar a desejada explicação, (At. 8:26-35). Missões de evangelização são realizadas pela exclusividade de homens que obedecem à ordem de Jesus Cristo: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc. 16:15). Os primeiros cristãos reconheceram essa obrigação, e, apesar dos perigos, “os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra” (At. 8:4).

Em que sentido podemos dizer que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê? O homem natural não tem nenhuma inclinação para conhecer a vontade de Deus para a sua vida. Ele é espiritualmente morto em seus delitos e pecados (Ef. 2:1). Portanto, para que o homem seja salvo, Deus tem que usar o seu poder para desfazer essa resistência espiritual.  “Eis que o Senhor virá com poder, e o seu braço dominará” (Is. 40:10). Ele usa o seu poder soberano para derrubar tudo o que se levanta para impedir a plena salvação de seu povo, seja a incredulidade ou a dureza do coração impenitente. Podemos pensar no Ap. Paulo antes do seu encontro com Jesus Cristo, homem que respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, (At. 9:1). Mas, ele foi derrotado, e, quando ouviu a voz acusadora de seu Salvador, pediu quebrantadamente: “ Que farei, Senhor?” (At. 22:10). E, por resposta, Cristo o  considerou fiel  e apto para o ministério (1Tm. 1:12), justificando a sua determinação, dizendo: “Este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel” (At. 9:15). Esse é o mesmo poder que operou em nós, dando-nos a força para confessar Jesus Cristo como Senhor e Salvador.

3. A Proclamação do Apóstolo. Por que o evangelho é o poder de Deus? Porque a justiça de Deus se revela no evangelho. Através dessa mensagem, vemos como Deus pode “ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus” (Rm. 3:26). Para que alguém seja aceito diante da santidade de Deus, ele tem que ter uma justiça imaculada, isto é, uma obediência perfeita à lei divina, a partir de seu nascimento e até o último momento de sua vida aqui na terra. Mas como pode um homem, nascido de mulher, alcançar esse padrão de obediência,  visto que “todos pecaram e carecem da glória de Deus?” (Rm. 3:23). A resposta se encontra na lei da representação. “Pois assim como, por uma só ofensa (aquela de Adão, o nosso primeiro representante), veio o juízo sobre todos os homens para a condenação, assim também, por um só ato de justiça (a perfeita obediência de Jesus Cristo, o nosso novo representante), veio a graça sobre todos os homens, para a justificação que dá vida” (Rm. 5:18). Como o ato de Adão representou o procedimento de toda a sua descendência, assim, o ato de Cristo representou o procedimento de todo o seu povo. Quando a Bíblia diz que “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (Jo.3:16), está dizendo que Jesus Cristo foi dado para servir de representante para todos os que nele crêem. Como o pecado de Adão foi imputado à sua descendência, assim, a perfeita obediência de Cristo, que é a sua justiça, é imputada a todo o seu povo. Abraão foi um homem “plenamente convicto de que Deus era poderoso para cumprir o que prometera. Pelo que isso lhe foi também imputado para justiça. E não somente por causa dele está escrito que lhe foi levado em conta, mas também por nossa causa, posto que a nós igualmente nos será imputado, a saber, a nós que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rm. 4:21-25).

Agora, para sermos salvos, temos que, pela fé, nos revestir de Jesus Cristo e da sua justiça. “Cantarei a Cristo! Por nós cumpriu a Lei! Seu manto de justiça, alegre, vestirei” (HNC-50) E assim, com certeza, seremos aceitos diante do tribunal de Deus, (Rm 13:14). Quando a Bíblia ensina que Deus é justo, está dizendo que o nosso pecado não foi desprezado, antes, ele recebeu o devido salário, não em nós, mas, sim, em Jesus Cristo, o nosso Substituto. E, por modo semelhante, Deus é justificador de todos os que crêem em Jesus Cristo, porque Ele os vê vestidos das perfeições de seu próprio Filho. Como Abraão creu,  nós também temos que crer, a fim de receber a vida eterna.


Conclusão: O Ap. Paulo confessou: “Sou devedor”. Essa dívida do Apóstolo seria paga dando às nações o evangelho de Jesus Cristo. No exercício de seu ministério, o Apóstolo sempre demonstrou uma prontidão para pregar o evangelho a qualquer pessoa. A sua propulsão nesse trabalho foi o reconhecimento de que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. A proclamação principal do Apóstolo foi a justiça de Deus, explicando como Ele pode seu justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus Cristo. Devemos orar para que Deus nos dê a mesma espontaneidade do Ap. Paulo para  testificar de Jesus Cristo, porque somos as suas testemunhas.

Rev. Ivan G. G. Ross

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

UM CONVITE AOS SEDENTOS



Leitura Bíblica: João 7:37-39

Introdução: Jesus estava em Jerusalém assistindo a Festa dos Tabernáculos quando anunciou essas palavras, (Jo. 7:2). Esta foi uma das três festas anuais quando “três vezes no ano, todo homem aparecerá diante do Senhor Deus” (Ex. 23:17). Por causa dessa obrigação, os judeus entenderam que Jesus estaria presente, (Jo. 7:11). A Festa dos Tabernáculos, ou, a Festa da Sega, celebrava “os primeiros frutos do seu trabalho que houver semeado no campo” (Ex. 23:16). Apesar de não estar presente na instituição original da festa, os judeus introduziram o rito da água. No último dia da festa, uma procissão se formaria trazendo um cântaro cheio das águas de Siloé (o canal que trazia água para suprir as necessidades de Jerusalém), o qual, derramado ao pé do altar, simbolizava a água como uma dádiva de Deus para garantir o crescimento e a frutificação das plantações. A festa, portanto, foi um tempo de gratidão a Deus por todas as suas boas e reconhecidas providências para o bem de seu povo.

Dentro do contexto dessa festa, o convite de Jesus, com certeza, fez o povo lembrar das referências às águas vivas contidas nas Escrituras do Antigo Testamento. O próprio Senhor Deus convidava: “Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas” (Is. 55:1). Vinde à fonte dessas águas! Ele mesmo, Jesus Cristo, é “o manancial de águas vivas” (Jr. 2:13). E, quando Jesus conversou com a mulher samaritana, Ele prometeu  dar-lhe “água viva”, porque Ele mesmo é a fonte dela, (Jo. 4:10). E, finalmente, ao chegarmos no céu, “o Cordeiro que se encontra no meio do trono, os guiará para as fontes da água da vida” (Ap. 7:17). E Jesus esclareceu: aquele “que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (Jo. 4:14). Vamos ao estudo para sentirmos a preciosidade desse convite que Jesus está nos dando.

1. Uma Convocação Insistente: No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (V.37). Por um momento, vamos tentar imaginar quais foram os pensamentos que ocuparam o foro íntimo daquela multidão religiosa. Será que eles estavam plenamente satisfeitos com os resultados finais da festa? Eles assistiram todas as partes da celebração; testemunharam o sacrifício de animais, ouviram as explicações dadas pelos sacerdotes: e, talvez, alguns deles entraram na procissão na esperança de sentir algo que saciasse a sua sede espiritual. Afinal, foram à festa na expectativa de receber uma benção que pudesse alimentar a sua fome espiritual. Acreditamos que Jesus percebeu uma lacuna no coração de muitos. A festa foi bonita e bem organizada, contudo, muitos voltariam para casa com uma carência espiritual no coração. Cerimônias e representações materiais podem satisfazer os sentimentos do momento, porém, terminando o evento, o coração continua vazio e esfomeado. Por isso, Jesus se levantou e se apresentou como o único que tem o poder para satisfazer a sede espiritual de qualquer pessoa. Ele convida: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba”. Ele tem autoridade para falar desta maneira, porque foi enviado pelo Pai para comunicar vida aos desalentos e satisfazer a sede espiritual de todos aqueles que o buscam. Existe uma água enganosa que o mundo oferece a seus adeptos. Por isso, Jesus explicou: “Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede” (Jo. 4:13-14).

A mulher samaritana acreditou que Cristo podia lhe dar essa água viva, e logo a pediu: “Senhor, dá-me dessa água para que eu não tenha sede” (Jo. 4:15). Mas, em vez de dar-lhe a dádiva, sem mais nada, “disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido e vem pra cá” (Jo. 4:16). Em outras palavras, o Senhor estava dizendo: Antes de poder receber o dom dessa água viva, o problema do pecado tem que ser resolvido, pois você não pode beber dessa água viva e ao mesmo tempo continuar na prática do pecado. A mulher não vacilou, confessou e abandonou a sua transgressão da lei de Deus, recebeu o pleno perdão de tudo e começou a viver como testemunha fiel a Jesus Cristo. Com esse ato, ela estava bebendo das águas vivas. Qual foi o resultado de sua conversão? “ Muitos outros creram em Jesus Cristo por causa do testemunho desta seva de Deus”, (Jo. 4:39). Vamos sempre lembrar: Confessar fé em Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, continuar na prática do pecado, é uma contradição e totalmente inaceitável diante de Deus. Sim, Cristo nos convoca com uma insistência para chegar a Ele e beber das águas vivas, porém, temos que chegar a Ele dispostos para viver de acordo com as normas que Ele mesmo prescreve: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele” (Jo. 14:21).  

2. Uma Condição Insistente. “Quem crer em mim, como diz a Escritura” (V.38a). Crer em Cristo significa muito mais do que uma mera crença em sua existência. Segundo a Bíblia, crer indica uma aproximação a fim de desfrutar de uma comunhão espiritual com Ele. Muitas vezes Cristo usava a palavra “Vem”. Por exemplo: “O quem vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo. 6:37).  Chegamos a Cristo porque cremos e confiamos na veracidade da sua Pessoa e na suficiência do que Ele fez, a fim de garantir o perdão de todos os nossos pecados e conduzir-nos para a vida eterna. Cristo deu início a seu ministério, dizendo: “Arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc. 1:15). O evangelho é a mensagem que descreve a Pessoa e a Obra de Jesus Cristo. Crer no Evangelho significa acreditar na Divindade de Cristo. Ele é o prometido “Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc. 2:11). “Nele habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl. 2:9). Ele é aquele que “subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e reconhecido em forma humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz” (Fl. 2:6-8). O que nós devíamos à lei, em termos de obediência, Cristo pagou tudo. Por exemplo, como transgressores da lei, a pena da morte pairava sobre nós, mas Ele mesmo cumpriu a sentença quando deu a sua vida em resgate por nós. Por causa da eficácia dessa morte substitutiva, Cristo recebeu a autoridade para perdoar pecadores, (Mc. 2:10). O Ap. Paulo resumiu esta verdade, escrevendo: “E a vós outros, que estáveis mortos em vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com Cristo, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida que era contra nós” (Cl. 2:13-14). Agora, a nossa confiança está na infalibilidade desta promessa: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo. 1:9). Vamos desenvolver uma certeza quanto à nossa fé em Jesus Cristo, pois a nossa crença nele tem que estar de acordo com os ensinos específicos das Escrituras Sagradas.

3. Uma Conclusão Insistente. Quem crer em Cristo, a conclusão é inevitável: “Do seu interior fluirão rios de água viva” (V. 38b). Essa frase se refere ao Espírito Santo e à sua obra na vida de seu povo (V.39). Devemos aprender a valorizar a atuação do Espírito Santo em nossa vida. É Ele que opera em nosso “homem interior”, fortalecendo-o com poder para que possamos viver a vida cristã, (Ef. 3:16). Uma das dádivas mais importantes do Espírito Santo é a “sabedoria”, (Cl. 1:9). Salomão, reconhecendo as suas limitações, pediu a Deus: “Dá-me, pois, agora, sabedoria e conhecimento, para que possa sair e entrar perante este povo” (2Cr. 1:10). É de suma importância que sejamos vistos como pessoas que sabem como se portar de modo santo e irrepreensível, porque, como testemunhas, representamos a Pessoa de Jesus Cristo e a sua santidade (1 Ts.4:12). E, para isso, precisamos do toque vivificante do Espírito Santo.

Quando o nosso texto fala: “Do seu interior fluirão rios de água viva”, está se referindo à manifestação do fruto do Espírito Santo que transborda da nossa vida, como se fosse uma torrente de evidências comunicando a realidade de “Cristo em nós, a esperança da glória” (Cl. 1:27). É necessário que as pessoas ao nosso redor  vejam esse fruto em termos de amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio, (Gl. 5:22-23). Devemos tomar posse da promessa: “Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito” (Jo. 14:26). Quanto a este ensino que Cristo nos legou para a nossa edificação, está agora registrado, em toda a sua riqueza, nas Escrituras Sagradas. (Jo. 20:31).

Resta-nos uma pergunta importante: Como podemos experimentar a continuidade dessa obra do Espírito Santo em nossa vida? O Ap. Paulo nos dá a resposta certa: “ E não vos embriagueis com vinho (estimulantes carnais), no qual há dissolução, mas enchei-vos (tomai-vos) do Espírito” Como? Alimentando a nossa espiritualidade, “falando entre vós com Salmos (que representam a Bíblia inteira), entoando e louvando de coração o Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome do Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef. 5:18-21). E um dos meios mais práticos para receber esse alimento espiritual é o exercício diário do culto familiar: a  família toda, pai, mãe e filhos, juntos, para cantar hinos, ler a Bíblia e orar. Na vida cristã não há como encurtar o processo de adquirir crescimento espiritual. “Porque é preceito sobre preceito, preceito e mais preceito, regra sobre regra, regra e mais regra; um pouco aqui, um pouco ali” (Is. 28:10).

Conclusão: Certo dia, vendo as multidões, Jesus “compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor” (Mt. 9:36). Jesus ainda revela essa mesma compaixão. Assim, ao contemplar as pessoas presentes na Festa dos Tabernáculos, Ele se apresentou como “o manancial de águas vivas” (Jr. 2:13); o único que pode saciar a sede espiritual dos povos. Por isso, Ele disse: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba”. Ele garantiu o resultado dessa aproximação, acrescentando: “Quem  crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”. Ele terá uma experiência espiritual que realmente sacia a alma sedenta. Mas, para desfrutar de uma vida com Cristo, temos que atender a sua convocação, obedecer à condição, que é crer que Jesus Cristo pode nos abençoar, e, com certeza, experimentaremos a conclusão: teremos uma vida espiritual que realmente satisfaz as necessidades da nossa alma. Portanto, o desafio é: “Oh! Provai e vede que o Senhor é bom. Bem-aventurado o homem que nele se refugia” (Sl. 34:8).           



UMA MENSAGEM ESPIRITUAL


Rev. Ivan G. G. Ross

Leitura Bíblica: Isaías 40:1-11

Introdução: Nesta leitura, temos um relance da situação política e espiritual de Israel nos dias do profeta Isaías. A nação tinha se degenerado moralmente até o ponto de Deus querer cumprir as suas ameaças de castigo contra o povo, por causa da sua desobediência generalizada. Em Levíticos 26:33, Deus predissera que a nação seria desterrada e levada ao cativeiro. “Espalhar-vos-ei por entre as nações e desembainharei a espada atrás de vós; a vossa terra será assolada, e as vossas cidades serão desertas”. Agora, no tempo de Isaías, esta ameaça está se preparando para ser cumprida.

Quando um país recebe um castigo divino por causa de seus pecados, os piedosos também participam de tudo o que acontece. Em Israel, Daniel e seus três amigos, todos de sangue real, foram rebaixados à escravidão e levados ao cativeiro. Enfim, o povo de Deus não fica isento das consequências negativas causadas pela desobediência nacional. Mas, para estes, a dor da tribulação é suavizada pela consciência evidente da presença sustentadora de Deus, que continua acompanhando e abençoando os seus servos fiéis, mesmo quando estão em cativeiro. Lembramos da história de José no Egito: “O Senhor abençoou a casa do egípcio por amor de José – O Senhor, porém, era com José, e lhe foi benigno, e lhe deu mercê perante o carcereiro” (Gn. 39:5,21). Daniel e seus três amigos, bem como José, são testemunhas dessa presença do Senhor.

No caso de Israel, ou de qualquer outro povo, Deus demonstra a sua boa vontade para com as pessoas mediante a pregação do evangelho, uma mensagem de perdão para os arrependidos; um perdão fundamentado sobre o fato de que o Senhor de todas as misericórdias já providenciou um resgate que satisfez todas as exigências da lei, pois o salário do pecado foi recebido por um Fiador, Jesus Cristo, que morreu em nosso lugar na cruz do Calvário. Portanto, os mensageiros do evangelho são ordenados a proclamar: “Consolai, consolai o meu povo, diz o Senhor Deus. Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia (luta), que a sua iniquidade está perdoada” (Vs. 1-2). Mas, para que o povo possa receber essas boas novas, três acontecimentos são necessários:

1. A Necessidade de uma Preparação Vs. 3-5. A profecia nos faz lembrar do ministério de João Batista, o precursor e preparador do caminho para o ministério de Jesus Cristo. A Bíblia usa uma linguagem figurativa para descrever esse ministério. “Todo vale será aterrado, e nivelados todos os montes e outeiros; o que é tortuoso será retificado, e os lugares escabrosos aplanados”. Tudo isso significa que João Batista iria criar uma expectativa no coração do povo, a esperança do cumprimento das profecias messiânicas, o prometido Salvador. No início, o povo pensava que João Batista era o Messias, mas ele corrigiu as pessoas, dizendo: “Eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor” (Jo. 3:28). Essa obra de preparação consistia na proclamação de três grandes princípios:

a)      A necessidade de arrependimento. “Dizia ele (João Batista), pois, às multidões que saíam para serem batizadas: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos do arrependimento”. Ele definiu o arrependimento como um abandono de todas as confianças alheias; por exemplo: “Temos por pai a Abraão”. Meus pais são crentes fiéis. Ou, eu procuro cumprir os meus deveres, etc. Mas arrependimento é mais do que isso; é uma mudança radical nas atitudes básicas. O egoísta passa a ser altruísta. O ladrão não rouba mais, antes, ele trabalha com suas próprias mãos. Aquele que maltratava as pessoas, passa a ser misericordioso. O trabalhador vive contente com o soldo que recebe, (Lc. 3:7-14). Esses frutos do arrependimento são as evidências práticas de uma vida transformada pela regeneração.
b)      A necessidade de crer no juízo vindouro. A realidade deste “Dia” serve para inibir os impulsos pecaminosos da nossa natureza. João Batista advertia o povo, dizendo: “E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo” (Lc. 3:9). E o Ap.Paulo explicou: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Co. 5:10). Quando o Ap. Paulo dissertou perante Felix “acerca da justiça, do domínio próprio e do juízo vindouro”, o homem ficou amedrontado, (At. 24:25). Por isso, a advertência de “fugir da ira vindoura” (Lc. 3:7). “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb. 10:31).
c)       A necessidade de crer em Jesus Cristo. A primeira vinda de Cristo foi profetizada desta maneira: “A glória do Senhor se manifestará, e toda a carne a verá, pois a boca do Senhor o disse” (V5). O Ap. João testificou: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória como do unigênito do Pai” (Jo. 1:14).   A glória de Cristo é o seu poder para buscar e salvar pecadores, tais como qualquer um de nós. O ministério de João Batista chegou ao ponto máximo quando ele viu Jesus, e olhando para Ele, declarou a todos ao seu redor: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo. 1:29). Agora devemos ouvir e crer no que a Escritura diz: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (Jo. 3:36). Portanto, para crer em Cristo, temos que nos aproximar dEle pela fé. Como Ele mesmo disse: “O que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo. 6:37). A obra de preparação se cumpre quando chegamos a Cristo pela fé e o recebemos como nosso Salvador.

2. A Necessidade de uma preordenação. Vs. 6-8.  A pregação do evangelho não se limita à exposição de arrependimento, o juízo vindouro e fé em Jesus Cristo. O ministro foi preordenado para incluir mais três elementos: a brevidade da nossa vida; a realidade da morte; e, a eternidade da palavra de Deus.

a)      A brevidade da nossa vida. Ouve-se uma voz anunciando uma única palavra: “Clama”. E o ministro de Deus que está sempre atento à voz do seu Senhor, responde, perguntando: “Que hei de clamar?” E a resposta é: Proclame a preordenação da brevidade da vida humana: “ Toda carne é erva, e toda a sua glória como a flor da erva” (V.6). Por um momento, vemos a vida humana coroada de belezas, consecuções e vitórias; contudo, toda essa glória é como a flor da erva que logo murcha e desvanece. O pregador descreve essa glória como uma “vaidade e correr atrás de vento” (Ec. 2:26). Existem valores mais importantes do que essas glórias momentâneas. A brevidade da nossa vida deve nos ensinar a buscar glórias que jamais desvanecerão.
b)      A realidade da nossa morte. A morte é vista como uma intervenção divina na vida do homem. Soprando nele o hálito do Senhor, o que acontece? “Seca-se a erva, e caem as flores” (V7). Devemos lembrar: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hb. 9:27). Apesar de Adão ter alcançado tantos anos, a sua história termina com esta nota sombria: “E morreu” (Gn 5:5).  A longevidade não ameniza a dor da morte. Ezequias recebeu esta preordenação da parte do Senhor: “Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás” (2Rs. 20:1). O rei recebeu tempo para se preparar antes de morrer. Porém, não foi assim com um certo homem rico, porque enquanto comia, bebia e regozijava-se, Deus, de repente, lhe disse: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc. 12:16-21). A lição é esta: Estejamos preparados enquanto temos tempo, porque não sabemos em que dia a morte nos visitará.
c)      A eternidade da palavra de Deus. O texto está estabelecendo um contraste entre a transitoriedade da vida humana e a permanência da palavra de Deus. “Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra do nosso Deus permanece eternamente”, (V.8). Por que este contraste? Devemos entender que não há nada neste mundo que podemos guardar para sempre. Portanto, em vez de construir sobre aquilo que é transitório, devemos buscar o tesouro que jamais passará: “Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1Jo. 2:17). Eis o objetivo principal para cada um de nós. Juntamente com a devida consagração de nossa vida, descobrimos “qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:2). Esta é a preordenação que Deus estabeleceu para o seu povo: Conhecer a sua vontade em toda a sua abrangência.   

3. A necessidade de uma Preanunciação. (Vs. 9-11). Novamente, a palavra dirigida ao pregador e o que ele tem que anunciar: “Tu, ó Sião que anuncias boas novas, sobe a um monte alto!” A sua mensagem tem que ser ouvida pelo maior número de pessoas possível. “Tu que anuncias boas novas a Jerusalém, ergue a tua voz fortemente; levante-a, não temas, e dize às cidades de Judá”. Os povos de todos os lugares têm que ouvir essas boas-novas. Quais são essas notícias que têm tamanha urgência? Destacamos três: O que Deus já está fazendo; o que Deus ainda fará; e, como Deus cuida de seu povo.

a)      O que Deus está fazendo, (V9). “Eis aí está o vosso Deus”. Esta frase é uma exclamação de admiração, ao reconhecer que Deus continua trabalhando entre os povos deste mundo, dando-lhes as boas-novas de salvação, anunciando que o perdão dos pecados está ao alcance de todos os que o buscam. Esse perdão é oferecido gratuitamente, porque um Fiador pagou a dívida judicial de seu povo. O piedoso Zacarias louvou a Deus por essas mesmas verdades: “Bendito o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo, e nos suscitou plena e poderosa salvação na casa de Davi, seu servo, como prometeu desde a antiguidade, por boca dos seus santos profetas” (Lc. 1:68-70). O que Deus preanunciou, Ele está cumprindo em nossos dias. “Eis aí está o nosso Deus!” O Fiel cumpridor de cada uma de suas mui grandes e preciosas promessas. Louvado seja o seu santo nome.
b)      O que Deus ainda fará. “Eis que o Senhor Deus virá com poder, o seu braço dominará; o seu galardão está com ele, e diante dele, a sua recompensa” (V.10). Este versículo tem, talvez, uma dupla aplicação. Em nossos dias, o Senhor vem ao seu povo mediante a pregação do evangelho, como dissemos no primeiro ponto. Ele vem com seu braço estendido, dominando e julgando todos os inimigos de seu povo para que as pessoas estejam livres para crer em Jesus Cristo. O galardão que vem com Ele é a salvação eterna para todos os que crêem; e a recompensa de crer é saber que todas os nossos pecados são gratuitamente perdoados. O Ap.João afirmou: “Estas cousas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus”. Mas o segundo sentido do versículo é igualmente válido, e se refere, talvez, à segunda vinda de Jesus Cristo. Naquele dia, veremos a grandeza de seu poder através do ajuntamento de todas as nações perante o seu trono. “Quando vier o Filho do homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença” para serem julgadas segundo as suas obras. Assim, cada um dos indivíduos receberá de acordo com o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo, (Mt. 25:31-32; 2Co. 5:10). Notemos o destaque dado ao galardão: “cada um receberá”. Cristo prometeu: “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras” (Ap. 22:12). Portanto, a exortação para cada um de nós é: “Vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor” (Mt 24:42).
c)      Como Deus cuida de seu povo. Vamos sentir a preciosidade desta verdade: “Como pastor, apascenta os cordeirinhos e os levará no seio; as que amamentam ele guiará mansamente” (V11). Notemos as três atitudes desse “bom pastor”:
                                I.      “Como pastor apascenta o seu rebanho”. A responsabilidade do pastor é suprir todas as necessidades de seu rebanho. O salmista confessou confiantemente: “ O Senhor é o meu pastor, nada me faltará” (Sl. 23:1). E, semelhantemente, o Ap. Paulo: “ E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma das vossas necessidades” (Fl. 4:19). O “nada me faltará” se refere às três necessidades básicas: alimento, vestimenta e moradia. Tendo essas coisas, “estejamos contentes” (1Tm 6:8). Mas, pela experiência pessoal, sabemos que Deus, em sua bondade, nos dá muito mais do que o básico: “O meu cálice transborda” (Sl. 23:5-6).    
                             II.      O cuidado do Senhor para com as crianças: “Entre seus braços recolherá os cordeirinhos e os levará no seio”. Vemos Jesus “ tomando-as nos braços e impondo-lhes  as mãos as abençoava” (Mc.10:16). Crianças e pessoas com deficiências físicas, por causa de suas limitações, recebem um cuidado especial. E, quando não podem andar sozinhas, Ele as “levará no seio”, perto de seu coração. O amor de Deus para com seu povo é indizivelmente maravilhoso e confortador.
                           III.      O cuidado do Senhor para com as mães. Por causa das responsabilidades maternas, as mães nem sempre conseguem acompanhar o ritmo dos demais membros da Igreja. Mas o Senhor não fica impaciente com elas. “As que amamentam, ele guiará mansamente”. Por causa dessas disposições de condescendência, Ele nos convida: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave e meu fardo é leve” (Mt. 11:28-30).


Conclusão: A nossa leitura começou com esta ordem: “ Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus”. Consolamos e saciamos os anseios do povo de Deus através da exposição da sua natureza. Ele que ser conhecido como o Deus perdoador, que apaga as nossas transgressões, (Is. 43:25). Por causa da brevidade da nossa vida, Ele quer que estejamos preparados para aquele dia solene, quando “cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Rm. 14:12). E, finalmente, Deus quer que o seu povo tenha confiança na sua condescendência. Ele é o Bom Pastor que cuida do seu rebanho, “Oh! Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia” (Sl. 34:8).

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O Porquê do Natal – 2014



“ Ela (Maria, a prometida virgem) dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos pecados deles” (Mateus 1:21).

Se alguém perguntar: Por que era necessário que Jesus Cristo, o Eterno Filho de Deus, viesse ao mundo? A resposta seria esta: Primeiro, foi uma manifestação de amor. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça  mas tenha a vida eterna” (Jo. 3:16). E, segundo, era o único caminho disponível para que os pecadores pudessem ser redimidos e salvos. Portanto, devemos meditar sobre três realidades.

1. A Realidade da Pecaminosidade do Homem. Creio que não há necessidade de justificar essa afirmação. Basta ler ou ouvir o que os noticiários estão revelando. O pecado não é apenas uma realidade ao nosso redor, ele está dentro da nossa própria natureza. “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós” (1Jo. 1:8). A dura realidade é esta: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm.3:23). Ninguém consegue alcançar o padrão de justiça que Deus estabeleceu para a humanidade. E, por causa dessa falha, o mundo inteiro está sofrendo como resultado da desobediência à lei de Deus. Todos os pecados nascem dentro do coração do homem para, depois, se manifestarem em atos externos. Cristo deu esta descrição do início do pecado: “Porque de dentro do coração dos homens é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a  avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos esses males vêm de dentro e contaminam o homem” (Mc. 7:21-23). O pecado permeia cada parte da nossa natureza, pensamentos e ações. O problema é tão sério que Cristo disse: “qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mt. 5:28). Por acaso, existe alguém que pode dizer: “Eu nunca tive um pensamento inconveniente contra ninguém!”  Bem sabemos dos pensamentos impróprios que estão em nosso coração. Por isso, todos nós merecemos  a justa condenação de Deus.
Se alguém ainda duvida da realidade do pecado em sua própria vida, basta lembrar-se do seu procedimento na infância: os momentos de desobediência aos pais e as rebeldias, egoísmo e raiva, preguiça e má vontade. Todas essas coisas são manifestações do que já existe no coração da criança. E, podemos mencionar os pecados da mocidade: hábitos aliciantes que não respeitam a santidade do corpo e o desrespeito diante de autoridades. Não há como negar a realidade do pecado que caracteriza a vida do homem.

Mas, porque estou falando dessa maneira, justamente nas vésperas do Natal? Porque esse é o contexto que Deus contemplou quando determinou usar de misericórdia para com o homem. Em vez de destruí-lo peremptoriamente, Ele lhe mostrou o caminho para a salvação. “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação (que desvia a ira de Deus) pelos nossos pecados” (1Jo. 4:10). Estamos prontos, agora, para contemplar o preço que Cristo tinha que pagar, a fim de desviar a ira de Deus e salvar o pecador.

2. A Realidade da Humilhação de Jesus Cristo. Podemos destacar três experiências na humilhação do Filho de Deus, Jesus Cristo.

a) O seu nascimento. Devemos tentar conhecer as origens daquele que nasceu naquele primeiro Natal. Ele é Jesus Cristo, o Filho unigênito de Deus; “cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Mq. 5:2), que estava “no seio do Pai” (Jo. 1:18); que gozava da glória juntamente com o Pai (Jo. 17:5); e, visto em forma humana, “nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl. 2:9). Este é aquele que nasceu em Belém, a fim de adquirir a vida eterna para pecadores arrependidos que nele crêem. A Bíblia resume esse ato nestas palavras: “Pois ele (o Filho de Deus), subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou (deixando a sua glória celestial), assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Hb. 2:6-8). Não há palavras para descrever o contraste que  o Filho de Deus enfrentou, quando deixou para trás a sua glória celestial e se dignou a nascer de mulher; e isto não num palácio de reis, mas, sim, “numa manjedoura, porque não havia lugar para ele na hospedaria” (Lc. 2:7).

b) A sua sujeição à lei. Ele nasceu sob os cuidados de um casal humano, “e era-lhes submisso” (Lc. 2:51). Como podemos conceber isso? O Senhor dos senhores e o Rei dos reis sujeitando-se à direção de José e Maria! E, ainda mais, obedecendo perfeitamente à lei de Deus em todos os seus detalhes!  Essa obediência era necessária  porque Ele veio como nosso fiador, pagando as nossas dívidas morais e espirituais, (Hb. 7:22).

c) A sua morte na Cruz. Cristo confessou: “Pois o filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc. 10:45). Esse resgate foi o preço que Ele pagou, a fim de nos libertar das consequências judiciais do nosso pecado e conceder-nos o perdão. Essa morte foi substitutiva, Cristo morreu em nosso lugar, “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1Pe 2:24). Eis a mensagem do Evangelho: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira” (Rm. 5:8-9).

3. A Realidade da Exaltação de Jesus Cristo. Podemos destacar três realidades relacionadas à exaltação de Jesus Cristo.

a) A sua ressureição corpórea. De acordo com o determinado desígnio e presciência de Deus, Cristo foi crucificado e sepultado, “ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse ele retido por ela” (At. 2:23-24). Pela ressureição de Cristo, pelo menos duas verdades foram definitivamente confirmadas. Primeira, a sua Divindade absoluta foi declarada com poder, (Rm. 1:4). Esse poder se manifesta especialmente pela conversão de pecadores, e nós, que cremos no Cristo ressurreto, somos a evidência desse poder. Segunda, pela ressureição de Cristo  somos justificados, declarados inocentes diante da lei de Deus, (Rm. 4:25).

b) A sua ascensão corpórea.  Cristo subiu às alturas à vista de seus discípulos, com esta explanação:  “Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá de modo como o vistes subir” (At. 1:9-11). Agora, dessa posição celestial, Ele está “vivendo para sempre para interceder” por seu povo. (Hb. 7:25). Através desse ministério, Ele garante a nossa salvação eterna, porque, como  nosso Advogado e Propiciação, Ele nos defende quando pecamos, e nos protege, desviando de nós a ira que o pecado provoca, (1Jo. 2:1-2).

c) A sua segunda vinda. Cristo prometeu: “Voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também” (Jo. 14:3). A Bíblia, como um todo, ensina que Cristo voltará para “julgar vivos e mortos” (At. 17:31, 2Tm. 4:1). Naquela ocasião, “cada um receberá segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo (2Co. 5:10). Mas, para nós que amamos a sua vinda, “ estaremos para sempre com o Senhor”, vivendo numa comunhão ininterrupta com Ele, contemplando a sua fronte (1Ts. 4:17; Ap. 22:4).

Depois da sua humilhação e tendo cumprido a sua missão redentora, Deus “o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai”  (Fl. 2:9-11). E, agora, no céu, exaltando a Pessoa de Jesus Cristo, ouve-se esta aclamação: “e cantavam com voz forte: “o Cordeiro que foi morto é digno de receber poder, riqueza, sabedoria e força, honra, glória e louvor.” (Ap. 5:12).

Conclusão: O Natal nos faz lembrar como o imaculado Filho de Deus humilhou-se a si mesmo, nasceu de mulher e passou a viver no meio da pecaminosidade humana. Ele assumiu essa nova circunstância porque, movido pelo amor, quis buscar a salvar pecadores, uma missão que necessitou a doação de sua própria vida: “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados” (1Pe. 2:24). Mas Cristo não permaneceu na morte, antes, ao terceiro dia ressuscitou, e agora vive para sempre para garantir a salvação eterna a todos aqueles que nele crêem, (Hb.7:25). Este Natal será verdadeiramente feliz  se for celebrado deixando Jesus Cristo direcionar a sua vida!


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

SALVAÇÃO: A PROVIDÊNCIA DE DEUS



Leitura Bíblica: Efésios 2:1-10.
Introdução: No primeiro capítulo de Efésios, temos o esboço do plano da salvação. É uma obra do Deus triúno; como Ele, em toda a sua gloriosa plenitude, explicou: “Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há salvador” (Is. 43:11). É o Pai que “nos tem abençoado com toda sorte de benção espiritual nas regiões celestiais” (V.3). Em Cristo, o Filho de Deus, temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados (V.7). E “o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor (a garantia) da nossa herança” (Vs.13-14). O resultado de cada Pessoa da Divindade, agindo segundo a sua atribuição específica, é a Salvação Eterna daqueles que crêem. O Pai sempre toma a iniciativa (nas obras da criação e da salvação de seu povo); porém, essas determinações se realizam somente por intermédio de seu Filho: “Todas as cousas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo. 1:3). E o Espírito Santo toma, aplica e sela essa obra redentora de Jesus Cristos àqueles que crêem. “O próprio Espírito Santo testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm. 8:16). É o Espírito Santo, habitando em nosso homem interior, que nos fortalece para permanecermos em Jesus Cristo e descansarmos na sua na sua obra redentora. (Ef. 3:16-17). No segundo capítulo de Efésios percebemos que essa salvação, como providência de Deus, é o único recurso para o bem total do homem pecador.
1.  A necessidade da Salvação, Vs. 1-3. Para entender melhor a necessidade da salvação, temos que reconhecer o estado espiritual do homem natural. Por causa de seus pecados, ele é espiritualmente perdido, vivendo sem a presença salvadora de Deus em sua vida. Nesse estado derrotado, o homem não tem esperança de algo melhor a não ser que Deus intervenha soberanamente ao seu encontro. Mas, o que significa ser “perdido”? Nesse estado, o homem está caminhando para uma eternidade onde existe somente o “choro e ranger de dentes” (Mt. 13:42). Ou, como o Apóstolo registrou, os perdidos “sofrendo penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder” (2 Ts. 1:9). Esses fatos sombrios fazem com que reconheçamos que há uma grande necessidade da salvação que somente o Senhor pode oferecer ao pecador.
O Apóstolo usa três realidades para demonstrar a corrupção original: A) Ele é “morto em seus delitos e pecados” (V.1). Essa morte é uma inércia total na área espiritual. Como a nossa Confissão de Fé ensina: “Desta corrupção original, pela qual ficamos totalmente indispostos, incapazes e adversos a todo bem e inteiramente inclinados a todo mal, é que procedem todas as transgressões atuais” (Cap. 6:4). A Confissão acrescenta ainda mais: “Por ser morto no pecado, o homem é incapaz de, pelo seu próprio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso” (Cap.9:3). Não há dúvida alguma quanto à necessidade de salvação, da intervenção divina na vida do homem. B)Por natureza, o homem tem a tendência de seguir modelos. O mundo, composto de pecadores, tem o seu próprio modo de agir e cuidar de seus desejos carnais. Por isso, “a amizade do mundo é inimiga de Deus” (Tg 4:4). O homem revela a sua rejeição de Deus andando “segundo o curso deste mundo, segundo o princípio da potestade do ar, e do espírito que agora atua nos filhos da desobediência” (V.2). Para sair dessa cegueira espiritual, o homem tem uma grande necessidade da salvação que somente o Deus misericordioso pode dar. C) Para pecar, o homem está fazendo o que lhe é natural. Ele segue as inclinações da sua carne e faz a vontade da sua carne (V.3). Em outras palavras, o homem vive uma vida egoística, tendo em vista somente o que é propriamente seu, (Fl. 2:4). Novamente, o homem  precisa de uma intervenção soberana da parte de Deus a fim de ser salvo de si mesmo.
2. A Natureza da Salvação, Vs. 4-7. Até aqui, o Apóstolo estava nos preparando para sentir o contraste entre o que éramos, “mortos em nossos delitos e pecados” e o que temos agora: “Ele nos deu vida, juntamente com Cristo” (V. 5). Quanto à natureza da salvação, podemos observar três verdades: A) Esta salvação é uma revelação da misericórdia e grande amor de Deus para com o seu povo pecador. Por causa do nosso pecado, Deus podia ter usado todos os rigores da lei contra nós; mas, não, Ele determinou usar a riqueza da sua misericórdia. Como o Profeta explicou: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã” (Lm.3:22). E, de  modo semelhante, o seu grande amor para conosco se resume em nossa salvação eterna. “Nisto consiste o amor: Não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo. 4:10). Propiciação significa: desviar a ira de Deus. Essa ira é direcionada contra todos os pecadores; porém, no caso de seu povo, Cristo, o nosso fiador, interveio e impediu que essa ira caísse sobre eles. Esta é a natureza da nossa salvação. B) Para efetuar a nossa salvação, era necessário realizar uma verdadeira ressurreição espiritual (novo nascimento, regeneração – Tt.3:5). Por isso, “nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (V.6). Não apenas uma vida no sentido mais sublime da palavra, mas, “nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus”! Como Cristo venceu a morte por meio da sua ressurreição  e sentou-se à direita de Deus, nós também venceremos a morte por meio da nossa ressurreição, a fim de estarmos com o Senhor para sempre. Mas o Apóstolo entende que, mesmo agora, assentados nos lugares celestiais, desfrutamos de toda sorte de benção espiritual. Somos riquíssimos! Esta é a natureza da salvação que Deus tem preparado para seu povo. C) O motivo de Deus quando Ele deu esta salvação a seu povo, “Para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus” (V.7). Observamos a repetida frase: “Em Cristo”. Para lidar com o pecador, o Pai não age diretamente com ele, antes, é sempre mediante as atribuições de seu Filho Jesus Cristo. A glória de Deus consiste em revelar a sua natureza divina. A salvação do pecador testifica, durante todos os séculos, “a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco”. Novamente, podemos sentir o espanto que o Apóstolo exprimiu quando disse: “E estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida em Cristo” (V.3). À  luz desta maravilha, o Apóstolo se entregou irrestritamente ao  serviço de Deus, confessando: “E esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gl. 2:20). Eis a natureza dessa salvação, temos um vida diferente, disposições diferentes, uma vida devolvida a Deus em plena consagração, com esta determinação: “Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma” (2Co. 12:15).
3. A Nobreza da Salvação, Vs 8-10. Nobreza no sentido de que a salvação é distribuída generosa e gratuitamente para todos os que recebem os seus termos. “Porque pela graça sois salvos mediante a fé”  em Jesus Cristo. Por sermos totalmente incapazes de merecer a salvação, Deus a concede gratuitamente, para que tenha um povo exclusivamente seu, adquirido por um preço caríssimo: a morte vicária de seu próprio Filho. Por esse sacrifício substitutivo, Cristo  satisfez, plenamente, todos os requisitos da lei, pagando todas as nossas dívidas judiciais e fazendo, assim, a nossa justificação, Deus nos aceitando sem qualquer impedimento. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar” (Gl. 3:13).
Se perguntarmos: Como pode alguém crer salvificamente em Jesus Cristo, visto que “o homem natural não aceita as cousas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”? (1Co. 2:14). Novamente, percebemos a nobreza da salvação que Deus preparou. Duas ações são introduzidas: primeiro, o homem é regenerado e recebe uma vida nova, caracterizada  por disposições espirituais; e, em segundo lugar, recebe a fé para crer salvificamente em Jesus Cristo. Notemos que essa fé não vem de nós mesmos, isto é, ela não aparece mediante a nossa própria volição: “é dom de Deus”. Tudo o que é associado com a salvação da nossa alma é concedido gratuitamente. “Não é de obras, para que ninguém se glorie”. Para que ninguém elogie-se a si mesmo, dizendo: Eu, com a minha própria integridade, alcancei a salvação da minha alma. Deus é zeloso por sua  própria glória: “Eu sou o Senhor, este é o meu nome: a minha glória (concedendo a salvação gratuitamente a meu povo), pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura” (Is. 42:8).
Outra verdade que enaltece a nobreza da salvação se encontra no versículo  dez: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para  boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”. Quais são essas boas obras? São aqueles passos relacionados ao recebimento da nossa salvação. “Na sua providência ordinária Deus emprega meios” (Conf. De Fé 5:3). Assim, quanto a nossa salvação, Ele preparou, de antemão, os meios pelos quais podemos experimentar essas bênçãos, e, andando neles, com certeza, teremos a consciência da nossa salvação. Somos criaturas responsáveis, portanto, para desfrutar das bênçãos de Deus, temos que obedecer aos seus preceitos. De fato, Ele tomou a iniciativa, regenerando-nos e capacitando-nos para crer em Jesus Cristo, porém, somos nós que temos que testemunhar da nossa fé. É sempre, “com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação” (Rm. 10:10). A nossa salvação foi selada com o Santo Espírito da promessa, que opera em nós o seu fruto, porém, somos nós que temos que externar esse fruto: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade,  mansidão, domínio próprio” (Gl. 5:22-23). Nesse contexto, Cristo exortou: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras (as evidências da vossa salvação) e glorifiquem o Pai que está nos céus” (Mt.5:16). O Ap. Tiago explicou: “Assim também a fé, se não tiver obras (as evidências da obra de Deus), por si só está morta” (Tg. 2:17).
Conclusão: Aprendemos nesta mensagem que a salvação da nossa alma é uma obra única do Deus triúno; o Pai, o Filho, e o Espírito Santo, cada um agindo de acordo com a sua própria atribuição, a fim de providenciar a vida eterna para o seu povo.

Por causa da pecaminosidade humana, percebemos a sua necessidade de salvação, sem a qual ele estaria perdido eternamente. Quando examinamos a natureza da salvação, descobrimos que ela é uma revelação da misericórdia e do grande amor de Deus. A nobreza da salvação se manifesta mediante a sua gratuidade. Pela graça somos salvos, portanto, temos a responsabilidade individual para externar esta obra de Deus através de uma vida condutiva. Porque, como Cristo observou: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt. 7:20). Que a nossa salvação seja visível a todos ao nosso redor!

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

CONFIANÇA EM CRISTO






Leitura Bíblica: 2 Timóteo 1:6-12

Introdução: Confiança em Cristo é uma obra do Espírito Santo, pela qual somos fortalecidos para manter os nossos olhos fixos em Jesus Cristo, seja qual for a circunstância do momento. O Ap. Paulo afirmou a Timóteo estas palavras positivas: “Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação” (v.7). Nada  de covardia ou falta de coragem, mas, sim, de poder, poder para testemunhar da nossa devoção a Jesus Cristo; e não apenas isso, mas, também, temos um amor ao nosso próximo     que nos faz intrépidos para anunciar Jesus Cristo e este crucificado, sem sentir vergonha de nossa confiança; e, ainda mais, temos uma moderação, um auto-controle que não nos deixa perder a paciência quando o nosso ouvinte procura contradizer o que dizemos a favor de Cristo. Esse é o fruto da nossa confiança em Cristo, uma segurança para testemunhar da nossa fé no Salvador.
Confiança em Cristo não pode ser algo guardado como um segredo, ela tem que se manifestar audivelmente. Quando o Apóstolo  exortou Timóteo: “Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor” (V8,) ele teve que lembrar que Cristo, por amor a nós, aceitou a vergonha da cruz, assim, testemunhou da realidade do seu amor para conosco. “Certamente a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus” (1Co. 1:18). Por causa do seu amor a Cristo, o Apóstolo suportou todo tipo de sofrimento, confessando: “ Estou sofrendo estas cousas, todavia, não me envergonho, porque sei em quem tenho crido” (v12). Esta confiança em Cristo é que me dá forças para suportar cada uma dessas coisas negativas. E o que foi eficaz na vida do Apóstolo, certamente será suficiente para cada um de nós que temos Cristo por nosso socorro.
Vamos observar três áreas na vida do Apóstolo Paulo onde ele sentiu a recompensa da sua confiança em Cristo Jesus.
1. Confiança na Fidelidade de Cristo, V.12. O Apóstolo confessou: “Porque sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia” (V12). Ele conhecia, por experiência própria, a fidelidade de Cristo, por isso, tinha plena confiança nele.
Primeiro, temos que determinar a natureza desse “depósito” que foi entregue aos cuidados de Jesus Cristo. Sem dúvida alguma, esse depósito se refere à salvação da alma do Apóstolo. Cristo o redimiu, perdoou todos os seus pecados e prometeu cuidar dele até a consumação do século. Foi exatamente para esse fim que Cristo  “não só destruiu a morte, como  trouxe à luz a vida e  a imortalidade” (V10). Como ele mesmo prometeu a todos que nele crêem: “Eu lhes dou a vida eterna, jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo. 10:28). Devemos cultivar esta confiança  em Cristo: “Por isso, também pode salvar  totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb. 7:25). Como é preciosa a palavra “totalmente”! Cristo é “poderoso para socorrer” o seu povo em todas as adversidades, (Hb.2:18).
O testemunho de Paulo: “Eu sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso” (V12), nos faz perguntar: Como ele consegue alcançar uma confiança tão forte em Jesus Cristo? Cremos que tudo começou no dia da sua conversão, quando ele teve um encontro pessoal com Jesus Cristo. Devemos lembrar quem era esse homem. Ele era cruel, insolente, blasfemo e perseguidor dos seguidores de Cristo, (1Tm. 1:13). “Saulo, respirando ainda ameaça de morte contra os discípulos do Senhor”, saiu de Jerusalém munido com cartas autorizando-o a prender homens como mulheres e os levassem a Jerusalém como presos. “Saindo ele estrada fora, ao aproximar-se de Damasco, subitamente  uma luz do céu brilhou ao seu redor, e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?” Por que estás agindo tão violentamente contra minha pessoa? Então Saulo respondeu: “Quem és tu, Senhor? E a resposta foi: Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (At. 9:1-6). Notemos a atitude de Cristo. Ele não repreendeu o homem, nem o condenou por causa de suas maldades, antes, lhe deu uma palavra de esperança: “Levanta-te e entra na cidade, onde dirão o que te convém fazer”. Em vez de sofrer um castigo fulminante por causa de seus crimes, ele obteve misericórdia, o perdão de seus pecados e a promessa de vida eterna. Nesse contexto, ouvimos o Apóstolo testemunhando: “Eu sei em que tenho crido”. Cristo é aquele que não me condenou, antes, Ele me amou e me salvou, Ele tem toda a minha confiança, por isso, “eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar” por amor a Ele (2 Co.12:15). Sim, “eu sei em quem tenho crido”.
2. Confiança no Sofrimento. Ao ser convertido, Paulo foi “designado pregador, apóstolo e mestre”. Porém, juntamente com o privilégio desta vocação, ele teve que suportar todo tipo de sofrimento. Cristo profetizou: “Este é para mim um instrumento escolhido para levar o meu nome perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel; pois eu lhe mostrarei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome” (At. 9:15-16). O Apóstolo nos dá um relatório do quanto sofria. Ao defender-se diante de pessoas que questionavam o seu apostolado, ele respondeu: “São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim). Eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões, em açoites, sem medidas; em prisões de morte, muitas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um; fui três vezes fustigado com varas, uma vez apedrejado; em naufrágios, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez. Além das causas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas” (2Co. 12:23-28).
Apesar desse sofrimento, o Apóstolo podia testemunhar: “Eu sei em quem tenho crido”. Eu sei que Cristo pode me sustentar. Às vezes, no meio de circunstâncias aflitivas, ele recebia uma palavra de encorajamento. Em Corinto, sozinho e sentindo-se desamparado, “o Senhor lhe disse: Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade.” (At. 18:9-10). E, numa outra ocasião, sendo maltratado pelo Sinédrio, o Apóstolo recebeu mais uma palavra de ânimo: “Na noite seguinte, o Senhor, pondo-se ao lado dele, disse: Coragem! Pois do modo por que deste testemunho a meu respeito em Jerusalém, assim importa que também o faças em Roma”  (At. 23:11). E, mais uma comunicação especial: O Apóstolo estava num navio, que estava prestes a ser perdido em naufrágio, quando o anjo de Deus lhe apareceu e disse: “Paulo, não temas! É preciso que compareças perante César, e eis que Deus, por sua graça, te deu todos quantos navegam contigo”. Aqueles que conhecem a Jesus Cristo como Salvador têm uma autoridade para comunicar esperança para os necessitados ao seu redor. Por isso, num dado momento, o Apóstolo se dirigiu aos marinheiros, dizendo-lhes: “Hoje, é o décimo-quarto dia em que esperando, estais sem comer, nada tendo provado. Eu vos rogo que comais alguma cousa; porque disto depende a vossa segurança; pois nenhum de vós perderá nem mesmo um fio de cabelo. Tendo dito isto, tomando um pão, deu graças a Deus na presença de todos e, depois de o partir, começou a comer. Todos cobraram ânimo e se puseram a comer” (At. 27:23-24, 33-36). Sim, no meio do sofrimento, podemos sempre confiar no amparo do Senhor.
Devemos meditar muito sobre o testemunho do Apóstolo e procurar descobrir o poder espiritual ao confessar: “Eu sei em quem tenho crido”, eu sei que Cristo é poderoso para me socorrer e encorajar em todos os momentos desta vida. Portanto, o nosso anseio deve ser: “Crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo” (2Pe. 3:18).
3. Confiança no Dia do Senhor. O Dia do Senhor, ou seja, a manifestação de Jesus Cristo para julgar os vivos e os mortos, estava sempre diante dos olhos do Ap. Paulo, (2Tm. 4:1). Ele amava a vinda do Senhor. Por que ele dava tanto valor a essa intervenção escatológica na experiência dos homens?
Naquele dia, a reta justiça de Deus será manifestada a todos os homens, justos e ímpios. A nossa Confissão de Fé tem uma palavra preciosa sobre esse Dia, uma palavra de consolo. “Assim como Cristo, para afastar os homens do pecado e para maior consolação dos justos nas suas adversidades, quer que estejamos firmemente convencidos de que haverá um dia de juízo, assim também quer que esse dia não seja conhecido dos homens, a fim de que eles despojem de toda confiança carnal, sejam sempre vigilantes, não sabendo a que horas virá o Senhor, e estejam prontos a dizer: Vem logo, Senhor Jesus! Amém” (Con. de Fé 33:3). Sim, é importante que tenhamos confiança na realidade do Juízo Final. Podemos discernir o consolo que o Apóstolo sentiu quanto a certeza desse Dia Vindouro quando fez referência a um homem extremamente antipático: “Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as sua obras” (2Tm 4:14). Podemos pensar nas muitas injustiças que passam, aparentemente, impunes. Por isso, cremos que Deus estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de Jesus Cristo, que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos (At.17:31). O Dia pode tardar em vir, mas, com toda certeza virá e, então, cada um receberá segundo as suas obras, (2Co. 5:10). “Mas o Senhor permanece no seu trono eternamente, trono que erigiu para julgar” (Sl. 9:7).
Naquele Dia, os justos receberão o seu galardão. Cristo prometeu: “E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras” (Ap. 22:12). O Ap. Paulo confiava na realidade dessa promessa. Ao chegar o fim de sua vida, confessou: “Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2Tm 4:8). Podemos voltar para o texto da nossa meditação, quando o Apóstolo confessou: “Porque sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito (a minha alma) até aquele Dia”, quando voltará, trazendo o galardão que Ele tem reservado para os seus servos fiéis. Esta confiança em Cristo é o que nos dá forças para perseverar firmes até o fim da nossa vida, capacitando-nos a confessar: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia, e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2 Tm 4:7-8).
Conclusão: Confiança em Cristo é uma obra do Espírito Santo, pela qual somos fortalecidos a manter nossos olhos fixos em Jesus Cristo, seja qual for a circunstância do momento.  Temos confiança na fidelidade de Cristo. Ele é poderoso para guardar a minha alma em toda segurança até o Dia Final, apesar das falhas e das fraquezas da nossa natureza. Esta é salvação de verdade! Temos confiança em Cristo ao sentir o sofrimento. Fidelidade a Cristo sempre envolve formas de perseguição, mas, juntamente com o Ap. Paulo, o nosso testemunho será: “Mas o Senhor me assistiu e me revestiu de forças” para continuar fiel a Ele, (2Tm, 4:17). E, finalmente, temos confiança na vinda do Dia do Senhor, o Dia em que todos nós receberemos do Senhor o galardão segundo as nossas obras. A Bíblia afirma: “Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Co. 5:10). Que cada um de nós possamos entender mais e mais o sentido deste testemunho: “Porque sei em quem tenho crido e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito (a minha alma) até aquele Dia.”