Vasos de Honra

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A suficiência de Cristo




 
“Mas vós sois dele (Deus), em Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção”. I Co 1:30

O contexto do versículo é o contraste que o Ap. Paulo estabelece entre a sabedoria desse mundo e a sabedoria de Deus, I Co 1:18-29. Quando Satanás estava seduzindo Adão e Eva, ele disse: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes (da árvore do conhecimento do bem e do mal) se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” Gn 3:5.

Parece que Satanás está promovendo a importância do homem, por isso ele acrescenta: se comeres da árvore serás mais importante ainda, serás “como Deus, conhecedor do bem e do mal”. Assim, a semente do orgulho, da auto-importância e da divindade entrou sorrateiramente no coração do homem. Com o decorrer do tempo, esse senso de orgulho cresceu a ponto de se declarar: “Eu sou Deus, sobre a cadeira de Deus me assento no coração dos mares”. Ez 28:2. E o homem continua assumindo formas de divindade, acreditando que ele tem direitos soberanos sobre o seu próprio destino.

Contudo, a forma mais expressiva desse orgulho é a sua posição de destaque na sociedade, a auto-suficiência e a conquista humana a ponto de bravatear: não preciso de Deus. E, quando estes presunçosos pensam em valores espirituais, procuram estabelecer a sua própria justiça, e não se sujeitam à que vem de Deus, Rm 10:3. O homem quer receber toda a glória em tudo o que se refere a sua vida, inclusive a glória da sua suposta conquista espiritual.

Mas tal orgulho é autodestruidor e a causa principal da confusão que impera sobre a humanidade. Deus não pode aceitar esse mal no meio de seus propósitos. Por isso, Ele “escolheu as cousas humildes do mundo, e as desprezadas, e aqueles que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus”. ICo 1:28-29.

Em vez de depender da sabedoria humana para alcançar valores espirituais, Deus enviou o seu próprio Filho para que Ele pudesse ser a fonte da nossa espiritualidade. Ele é a nossa sabedoria, a nossa justiça, a nossa santificação e a nossa redenção.
Vamos discernir a suficiência de Cristo na sequência destas quatro atribuições:

1) Cristo é a nossa Sabedoria: Nós somos inscientes, mas Cristo é a nossa sabedoria. Ele é a fonte de todo o nosso conhecimento; tudo o que temos em termos de bênçãos espirituais recebemos em virtude da nossa união vital com Cristo, pois sem a sua soberana intervenção nada teríamos. Nisto percebemos a nossa total dependência da sua sabedoria.

Se Cristo é a nossa sabedoria, como podemos desfrutar dessa riqueza espiritual? Ele nos convida: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma”. Mt 11:29. Quando temos aprendido de Cristo veremos que Ele é o Enviado de Deus para buscar e salvar pecadores. Como Ele mesmo confessou em sua oração sacerdotal: “Eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste” Jo 17:8. E, tendo crido na missão redentora de Jesus Cristo, os discípulos se tornaram sábios para a salvação, pois “quem crê no Filho tem a vida eterna”. Jo 3:36. Quando Cristo está atuando em nossa vida como a nossa sabedoria, passamos a ser os seus seguidores, confiando em seu ministério para nos guiar. Uma de suas ordens foi: “Vinde após mim e eu vos farei pescadores de homens”. Mt 4:19. Isto é: Ele moldaria e capacitaria a nossa vida para sermos “um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” Tt 2:14.

Quando Cristo é recebido como nossa sabedoria, estaremos sempre atentos à sua voz. Como ele afirmou: ”As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.” Jo 10:27. A característica principal da verdadeira ovelha de Cristo é que ela O segue. Por que esta obediência?  Porque sabe que Ele “guia me pelas veredas da justiça por amor do seu nome”. Sl 23:3. Eis a base da nossa confiança: Cristo é a nossa sabedoria.

2) Cristo é a nossa Justiça: Nós somos culpados diante de Deus, mas Cristo se tornou a nossa justiça. O povo de Deus ficou consolado quando o Senhor lhes anunciou: “Faço chegar a minha justiça”. Is 46:13. Essa profecia predisse acerca da primeira vinda de Jesus Cristo, “que será chamado: Senhor, Justiça Nossa”. Jr 23:6. Ele recebeu tal nome porque, mediante a sua perfeita obediência, providenciou uma justiça que, quando imputada ao pecador, declara-o inocente e justificado diante da lei de Deus. O Ap Paulo considerou como refugo todos os seus méritos humanos “para conseguir Cristo e ser achado nele não tendo justiça própria que procede da lei (obediência a seus preceitos), senão o que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé”. Fl 3:4-9.

No sentido bíblico, justiça significa perfeita conformidade à lei e vontade de Deus. Mas, por causa da nossa total incapacidade para nos conformarmos a este padrão, perdemos qualquer possibilidade de sermos justificados. Porém, Deus, em sua misericórdia insondável, enviou o seu próprio Filho para que Ele providenciasse uma justiça que salvaria o pecador que crê. E, para adquirir essa justiça para nós, Cristo tornou-se o nosso fiador, assumindo a nossa dívida diante da lei de Deus.

Como? “Aquele que não conheceu pecado, ele (Deus) o fez pecado por nós; para que nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. II Co 5:21. Cristo, como o nosso fiador, morreu “para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna”. Dn 9:24. Qual foi o resultado desse sacrifício? Esta justiça que Cristo adquiriu é tomada e imputada ao pecador que confia nela: “Justificados, pois mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. Rm 5:1. Por isso, exclamamos jubilosamente: “Graças a Deus pelo seu dom inefável”. II Co 9:15.

3) Cristo é a nossa Santificação: Nós somos pecadores e desesperadamente corruptos, mas Cristo se tornou a nossa santificação. Essa santificação é de tal modo necessária que, sem ela, ninguém verá o Senhor. Mas quem é suficiente para alcançar tal padrão indispensável? Humanamente, ninguém, mas Cristo é a nossa suficiência, Ele é a nossa santificação. Veja como Ele explica esta verdade: “E a favor deles (seu povo) eu me santifico a mim mesmo para que eles também sejam santificados na verdade”. Jo 17.19.

Em que sentido Cristo é a nossa santificação? Ele é santo e, em virtude da nossa união vital com Ele, nós nos tornamos santos também. Quando Cristo se santificou por nós, Ele teve que aceitar a crucificação e o sepultamento, porém, ao terceiro dia ressuscitou dentre os mortos. No processo da nossa santificação, a Bíblia ensina que, por causa da nossa união vital com Cristo, fomos crucificados com Ele. Quando Cristo morreu, Ele morreu para o pecado - para destruir o seu poder. Portanto, nós, que estamos unidos com Ele, também morremos para o pecado - ele perdeu o seu domínio sobre nós. Semelhantemente, fomos sepultados com Cristo - há uma separação definitiva entre nós e o pecado. Quando Cristo foi ressuscitado, Ele passou a ter uma vida própria para o céu, e, da mesma forma, nós, que fomos ressuscitados com Cristo, passamos a andar em novidade de vida - um procedimento santo e irrepreensível. Sim, Cristo é a nossa santificação, Rm 6:1-14. “Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando  a nossa santidade no temor de Deus”. II Co 7:1.

4) Cristo é a nossa Redenção: Nós somos algemados e cativos, mas Cristo se tornou a nossa redenção. Podemos sentir certa sequência no desenrolar do plano da salvação: Primeiro, recebemos a sabedoria para crer em Jesus Cristo. Em seguida, e estando em Cristo, fomos declarados justificados diante da lei de Deus. E, em terceiro lugar, fomos santificados e preparados para habitar na presença do Senhor.

Agora, o que resta para nós? Por enquanto, estamos presos aqui na terra, aguardando a nossa redenção definitiva. O Ap. Paulo descreveu esse acontecimento desta maneira: “Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista de imortalidade. E quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória”. – transformados para nunca mais experimentar a morte. A redenção será, então, completa. I Co 15:50-54.

Por que o Apóstolo está exaltando a suficiência de Cristo? O pecador gosta de exaltar a sua própria suficiência para merecer a sua aceitação diante de Deus. Mas o plano da salvação é formulado de tal forma para que Cristo receba toda a glória pela salvação do pecador. “Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor”. É ele que nos dá a vitória, e não nós mesmos.

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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Provações



“Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor de vossa fé, muito mais preciosa do que ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo; a quem não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma” (1Pe.1:6-9).


Neste texto, o Apóstolo Pedro está abordando o problema de provações na vida cristã. Embora algumas pessoas se recusem a aceitar a possibilidade de sofrimento na experiência do cristão, independente das nossas afirmações, eles existem. Esta é, portanto, a importância da palavra apostólica sobre o assunto. Cristo nos advertiu: “No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo.16:33). E o Apóstolo Paulo, orientando as novas igrejas, mostrou que “através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (At.14:22).

Provações são experiências que, de uma ou de outra forma, sempre acompanham a vida do povo de Deus. Por isso, no capítulo 4, versículo 12 desta carta, o Apóstolo Pedro continua insistindo: “Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo”. Pedro é bem claro quando fala sobre estas provações. Elas são destinadas a nos provar, isto é, revelar a presença de algo específico e, em nosso texto, este algo é a presença de uma fé operosa.

O texto fala de várias provações, experiências que mexem com as profundezas espirituais. Podemos mencionar três tipos:

O primeiro: perseguições, coerções destinadas a provocar um abandono da nossa confiança na singularidade de Jesus Cristo como Salvador de pecadores. O Apóstolo Paulo foi perseguido implacavelmente por causa de seu apego à unicidade de Jesus Cristo. Se ele tivesse feito alguns acréscimos à singularidade de Jesus e este crucificado, ele teria sido isento de perseguição (Gl. 5:11). 

O segundo tipo de provação: adversidades, circunstâncias negativas que nos fazem questionar a realidade do cuidado de Deus sobre as nossas vidas, tais como: acidentes, doenças inesperadas ou a morte repentina dos nossos queridos. É tão comum ouvir: “Se Deus estivesse presente cuidando de nós, este problema não teria acontecido”.

O terceiro tipo é a solidão espiritual, quando nos sentimos abandonados pelo irmão na fé. Uma visita, uma palavra amiga, torna-se tão preciosa! O Apóstolo Paulo experimentou esta solidão na prisão em Roma: “Todos me abandonaram”, mas não são todos os que podem confessar: “Mas o Senhor me assistiu e me revestiu de forças” (2Tm. 4:16-17). De fato, podemos passar por várias provações, mas vamos examinar a finalidade destas experiências.

1. O Motivo nas Provações.

O motivo das provações para o Apóstolo Pedro é bem específico: a confirmação do valor da nossa fé. A nossa fé em Cristo tem de ser bem mais operosa do que uma mera palavra de crença. Ela tem de ser uma experiência vivida: Cristo em nós, a esperança da vida eterna (Cl. 1:27). E, para chegar a esta maturidade, a fé tem de passar por processos de purificação, e um destes é a provação.

Pedro compara a fé inicial com o ouro bruto. Ele tem seu valor relativo, porém, a sua preciosidade é descoberta somente depois de ser passada pelos processos de purificação. De modo semelhante, o valor da nossa fé, uma vez confirmado, torna-se muito mais precioso do que o ouro perecível. Esta fé cresce e fica mais operosa quando passa pelo fogo ardente do sofrimento. Precisamos de uma fé fortalecida para vivermos dignamente a vida cristã.

Na experiência de cada cristão surgem oportunidades que precisam ser avaliadas para que Jesus Cristo receba a prioridade absoluta. São ocasiões de decisões, momentos de provarmos as nossas preferências.

Demas, um dos primeiros co-obreiros do Apóstolo Paulo, enfrentou o poder de uma destas oportunidades. Ele escolheu os prazeres “deste século” e abandonou a sua esperança em Jesus Cristo. Demas representa aquela semente que caiu entre espinhos, quando os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocaram a palavra, e esta ficou infrutífera (Mt. 13:22; 2Tm. 4:10) Ele quis desfrutar dos benefícios de Cristo sem assumir as responsabilidades inerentes a este privilégio.

O Apóstolo Paulo era um jovem ambicioso e teve a oportunidade de ser um homem de destaque na vida poítico-religiosa de Israel. Mas, indo para Damasco, recebeu uma nova opção quando teve um encontro pessoal com Jesus Cristo. Ele não podia ficar neutro diante deste desafio. Eis o seu raciocínio naquela crise: “Mas o que para mim era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo” (Fl.3:7-8). No momento de decisão, ele deu a prioridade a Jesus Cristo, seu Senhor e Salvador. A provação nos constrange a tomar uma atitude: sim, tudo darei a Jesus Cristo, aquele que me amou e a si mesmo se entregou por mim (Gl. 2:20).

2. O Movimento nas Provações.

A provação sempre pede uma ação da nossa parte. Nós não somos passivos diante do sofrimento, temos de agir, temos de fazer alguma coisa.

Quando Cristo estava orientando com respeito às tribulações, Ele acrescentou: “Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei as vossas cabeças; porque a vossa redenção se aproxima” (Lc.21:28). Na hora da provação teremos, pelo poder da nossa fé, forças para levantar os nossos olhos e contemplar as perfeições daquele que nos ama.

Este ato de levantar os nossos olhos produzirá três realidades: primeiramente, teremos uma impressão mais nítida de Jesus Cristo, nosso Salvador, “a quem não havendo visto, amamos”(1Pe. 1:8). As provações são destinadas para fortalecerem a nossa fé e para aumentarem o nosso apego a Cristo. Na hora da precisão, com os olhos levantados, experimentaremos que Cristo é poderoso para suprir cada uma das nossas necessidades (Fl. 4:19). Em segundo lugar, teremos uma certeza mais ampla da suficiência do auxílio de Cristo, “ no qual, não vendo agora, mas crendo” (1Pe. 1:8).  Em plena consciência das tribulações que podem cair sobre nós, o Apóstolo Paulo testemunhou: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou” (Rm. 8:37-39).  E, finalmente o ato de levantar os nossos olhos produzirá uma alegria indizível e cheia de glória inundando os nossos corações. Teremos uma paz que excede todo entendimento firmando a nossa alma. Com esta experiência, a dor da provação recuará e teremos forças para permanecer inabaláveis na fé. Sim, podemos ser mais que vencedores.  

           
3. O Momento nas Provações.

O grande momento nas provações é a salvação das nossas almas e, para isto, precisamos de uma fé forte e confirmada. Uma fé fraca e inexperiente fica logo vencida e perde a bem-aventurança da salvação pela fé em Jesus Cristo.

Provações são permitidas por Deus e usadas para experimentar e para fortalecer a nossa fé, a fim de que tenhamos vitória em toda e qualquer dificuldade. O Apóstolo João afirma: “Todo aquele que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a fé”, uma fé purificada pelas provações.

Devemos nos lembrar que o grande fim da nossa fé, como já foi dito, é a salvação das nossas almas. Reconhecemos que perseguições já mataram os corpos de muitos cristãos, porém, em nenhum momento eles recearam se entregar à morte, porque tinham a certeza da salvação de suas almas. De qualquer forma, o nosso corpo terá de experimentar a morte, mas o importante é a salvação da nossa alma. Por que nós não temos medo de entregar o nosso corpo à morte? O Apóstolo Paulo responde: “Porque o estar com Cristo é incomparavelmente melhor” (Fl.1:21-23). Somos felizes quando podemos confessar: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas” (Fl.3:30-21).

É tão fácil citar para alguém em dificuldades: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm. 8:28). Mas, quando nós mesmos estamos passando por várias provações, temos a mesma certeza de que todas as coisas cooperam para o nosso bem? Inclusive aquela provação que não tem nenhuma explicação razoável?

Vamos renovar a nossa esperança, crendo que Deus permite tribulações para fortalecer a nossa fé, para nos fazer chegar mais perto de Jesus Cristo, porque somente nEle é que alcançamos a salvação da nossa alma.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

OS MANSOS



“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra” (Mateus 5:5)

Voltamos, novamente, a enfatizar que essa mensagem foi dirigida aos discípulos de Jesus Cristo. Jesus afastou-se das multidões e, a sós com os seus discípulos, passou a ensiná-los quais as disposições que deveriam cultivar como evidências “de que haviam eles estado com Jesus” (At. 4:13). Quando Jesus lhes disse: “Vós sois a luz do mundo”, evidentemente estava falando daqueles que têm uma comunhão com Ele, daqueles que andam nos seus passos, pois o descrente é trevas no mundo.

1. O Encorajamento da Bem-aventurança. Os seguidores de Jesus Cristo são essencialmente bem-aventurados porque a benção do Senhor os acompanha. Eis o comentário de Moisés: “Feliz és tu, ó Israel! Quem é como tu? Povo salvo pelo Senhor, escudo que te socorre, espada que te dá alteza” (Dt. 33:29). Paz e alegria são bênçãos inseparáveis;  paz no coração faz o rosto brilhar com alegria. É a fé em Jesus Cristo que nos faz exultar com alegria indizível e cheia de glória (1 Pe. 1:8).

2. A Manifestação da Bem-aventurança. Mansidão é uma parte inseparável do fruto que o Espírito Santo produz em nossa vida. O manso não permite que o espírito de vingança manche o seu testemunho, antes, ele dá provas “de toda cortesia (mansidão), para com todos os homens” (Tt. 3:2). “Era o varão Moisés, mui manso, mais do que todos os os homens que havia sobre a terra”. Por quê? Porque ele não perdeu a sua paciência diante da sedição de Miriã e Arão, e nem deixou de amar e orar por seus provocadores, antes,  deixou o Senhor vindicar a sua pessoa, (Nm. 12: 1-16).

3. O Cumprimento da Bem-aventurança. Os mansos “herdarão a terra”. O sentido não é literal, antes, fala da paz que caracteriza o cristão enquanto vive na terra. “Mas os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz” (Sl 37:11). A paz que experimentamos agora é a primícia da paz vindoura. “Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, nas quais habita justiça” (2 Pe. 3:13). Vivamos, portanto, como aqueles que “aspiram uma pátria superior, isto é, celestial” (Hb. 11:16).

Conclusão: O sentido prático desta mansidão é: “Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens, se possível, quando depender de vós, tende paz com todos os homens” (Rm. 12:17-18). Mansidão, como fruto do Espírito Santo, tem que ser trabalhada pela prática diária.


Rev. Ivan G. G. Ross 

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O Intruso





Leitura Bíblica: Mateus 22:1-14

Introdução: Uma parábola é uma história figurada e, normalmente, é contada a fim de ensinar realidades atuais que descrevem os propósitos de Deus para as pessoas deste mundo.

Nesta parábola, temos uma apresentação do propósito de Deus para a salvação de seu povo. Através da figura de uma grande festa, aprendemos que o plano de Deus é reunir um grande número de pessoas para que estas possam experimentar as riquezas da sua graça. O Ap. João viu essa multidão em plena festividade, e testificou: “Vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação.” Ap 7:9-10. Como é que Deus consegue reunir essa multidão de pessoas? Tudo se realiza mediante a livre proclamação do convite: “Vinde para as bodas.” Em seguida, temos três passos que descrevem claramente como Deus age a fim de executar a sua determinação de ter a sala do banquete “repleta de convidados”.

1) A Proclamação do Convite: A igreja  recebeu esta ordem: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura.” Mc 16:15. Segundo a parábola, essa missão se realizou mediante a pregação do evangelho. No início, de uma forma mais restrita: as primeiras pregações foram dirigidas, “não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus.” At 11:19. Quando os judeus rejeitaram o evangelho, a porta se abriu para os gentios, At 13:46.

a) A oportunidade dos judeus: A parábola descreve a insistência e a paciência de Deus ao procurar a salvação de pecadores. De fato, Ele “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” I Tm 2:4. Por isso, Deus envia os seus servos com uma mensagem específica: “Eis que já preparei o banquete, (...) vinde para as bodas.” Mas, estes convidados, coletivamente, não apenas rejeitaram o convite, “mas agarrando os servos, os maltrataram e mataram”. Com tantas afrontas, qual foi a reação de Deus? “O rei ficou irado e, enviando as suas tropas, exterminou aqueles assassinos e lhes incendiou a cidade”. Essa sentença literalmente aconteceu quando Jerusalém foi atacada e destruída pelas tropas romanas no ano 70 AD. Mas, apesar de receber pouca aceitação, o convite permanece em pé para qualquer judeu que se humilha e recebe Jesus Cristo como Senhor e Salvador.

b) A oportunidade dos gentios. A incredulidade dos judeus não frustrou os propósitos salvíficos de Deus, pelo contrário, o convite para a festa foi dirigido aos gentios. “Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna”. At 13:48. Novamente, Deus se dirige aos seus servos, ordenando-lhes: “Ide, pois, para as encruzilhadas e convidai para as bodas a quantos encontrardes. E, saindo aqueles servos pelas estradas, reuniram todos os que encontraram, maus e bons.” Assim, o propósito foi alcançado: “a sala do banquete ficou repleta de convidados”.


2) A Promoção do Convite: Podemos imaginar algumas dessas pessoas que foram encontradas nas encruzilhadas dos caminhos perguntando: “Como posso aceitar o convite, não tenho vestes próprias para uma festa no palácio do rei! Que posso fazer?” Ao que os servos responderam: Não se preocupem, “tudo está pronto; vinde para as bodas.” O rei já providenciou as “vestes nupciais”. Estas vestes encobrem tudo e, aqueles que estiverem vestidos com elas, serão reconhecidos como dignos de estarem na presença do rei.

Essa figura descreve claramente a situação do pecador. Por causa de seus pecados, ele não tem acesso à presença de Deus. Então, não há esperança para o pecador? Sim, porque Deus, em sua imensurável misericórdia, já providenciou um encobrimento que apaga todos os nossos pecados. Esta veste é a justiça de Jesus Cristo e, vestidos com ela, Deus nos vê como uma “Igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem cousa semelhante, porém santa e sem defeito.” Ef 5:27. Agora, podemos ter confiança, porque: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” Rm 5:1. Ele é o nosso tudo.

Mas, devemos perguntar: Como é que Deus conseguiu “ser justo e justificador daquele que tem fé em Jesus?” Rm 3:26. A chave é esta: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” Jo3:16. Ele veio para este mundo como o nosso “fiador”, aquele que tinha recursos suficientes para pagar a totalidade da dívida que incorreu por causa dos nossos pecados.

Como é que Cristo conseguiu pagar essa dívida? A Bíblia ensina que “o salário do pecado é a morte.” Rm 6:23. Portanto, como o nosso Fiador e Substituto, Ele tinha que morrer em nosso lugar. A essência do evangelho é esta: “Que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras.” I Co 15:3. O profeta descreveu as circunstâncias desta morte vicária e como o nosso pecado foi imputado a Jesus Cristo: “Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras (sofrimentos e afrontas, Mc 10:33-34) fomos sarados.” Is 53:5. O problema do pecado do povo de Deus foi definitivamente resolvido. Portanto, podemos confiar na veracidade do convite: “Tudo está pronto; vinde para as bodas.” E qual deve ser a nossa resposta? “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna.” Hb 4:16.

3) A Prescrição do Convite: Neste convite do rei está implícita a necessidade de vestir-se com tudo o que ele tem providenciado para a entrada feliz na sala do banquete. Essa aceitação do convite envolve uma certa humilhação da parte do convidado, no sentido que ele tem que reconhecer que as suas próprias vestes, mesmo sendo as melhores possíveis, são totalmente inadequadas para permitir uma entrada feliz para o banquete.

A parábola estabelece um contraste entre as duas formas de justiça. Primeiro, a auto-justiça que o próprio homem procura estabelecer através dos seus próprios esforços, mediante a prática de boas obras. A Bíblia, porém, afirma categoricamente “que ninguém será justificado diante dele (Deus) por obras da lei, em razão de que, pela lei, vem o pleno conhecimento do pecado” Rm 3:20. A lei nunca foi dada para salvar, antes, o seu intento é dar o pleno conhecimento do pecado e condenar o transgressor dela à “penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder”, II Ts 1:9.

A outra justiça é aquela “que procede de Deus”, “baseada na fé”  Fl 3:9. Essa é a justiça que Cristo adquiriu por nós, mediante a sua perfeita obediência e morte vicária na cruz. Quando chegamos a Ele, pela fé, depositando toda a nossa confiança nele, essa justiça é imputada a nós, e nos dá pleno acesso à presença de Deus. O grande anseio do Ap Paulo foi “ser achado nele (Cristo), não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé” Fl 3:9

A parábola ilustra graficamente a diferença entre essas duas justiças. A maioria dos convidados recebeu e vestiu a “veste nupcial” sem qualquer restrição, porque reconheceu a soberania do rei para legislar as normas para entrar no palácio. Mas um convidado chegou e recusou vestir-se da “veste nupcial”, talvez justificando a sua atitude, dizendo: “Eu preparei a minha veste com todo cuidado, não preciso da que o rei está distribuindo, a minha é suficiente.” Assim, ele entrou na sala do banquete e, confiadamente, tomou o seu lugar à mesa. Mas, quando o rei chegou para “ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia a veste nupcial e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem a veste nupcial? E ele emudeceu.” A reação do rei foi fulminante, porque não podia tolerar tamanha afronta. “Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes.”

Conclusão:    O Ap. Paulo fala sobre estas duas atitudes de Deus. “Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a bondade de Deus, se nela permaneceres; doutra sorte, também tu serás cortado.” Rm11:22. Cuidado com o “perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo.” – que não deixa a pessoa acolher os convites de Deus, Hb 3:12. Cuidado com a presunção que encoraja a pessoa a confiar em sua própria justiça. Lembre-se do fim desesperador do intruso que a parábola ressalta. Ser rejeitado no último momento é indizivelmente horrível. Mas, por outro lado, como é feliz a pessoa que acolheu o convite generoso de Deus com prontidão e ação de graças! No céu, ela será vestida da vestidura branca, alvejada no sangue do Cordeiro, Ap 7:9,14.
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segunda-feira, 20 de maio de 2013

Os que choram






“Bem aventurados os que choram, porque serão consolados.” Mt 5:4 

As bem-aventuranças não são descrições generalizadas e aplicáveis a qualquer pessoa, antes, Cristo está descrevendo as disposições espirituais dos cidadãos do reino dos céus, aqueles que são regenerados pelo poder do Espírito Santo. Estes, e somente estes têm o gozo dessas bem aventuranças recompensadoras, porque a felicidade verdadeira vem de uma intervenção da parte de Deus em nossa vida. 

1. O Encorajamento da Bem- aventurança: O cidadão do reino dos céus é uma pessoa bem-aventurada, feliz, no sentido mais superlativo da palavra. Por quê? Porque é herdeiro de toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestes, tais como: adoção, redenção, perdão e o dom do Espírito Santo. Experimentamos essa felicidade porque ela é o sinal do Espírito Santo confirmando a realidade dessas bênçãos espirituais em nossa vida. É uma paz que excede todo o entendimento; é uma paz que tem que ser experimentada a fim de ser compreendida. 

2. A manifestação da Bem- aventurança: Esse choro tem uma única causa - o pecado, porque a lei de Deus foi transgredida. O Espírito Santo nos dá uma consciência da nossa desobediência, uma convicção tão forte que temos que chorar de tristeza. Essa aflição deve nos conduzir ao arrependimento e a uma confissão específica da falta. O salmista confessou ao Senhor: “Pequei contra ti, contra ti somente, fiz  o que é   mal   perante   os   teus  olhos.” Sl 51:4. Em nossa convivência com outras pessoas somos propensos a tropeçar em muitas áreas do nosso relacionamento, especialmente com a língua. Por causa dessa possibilidade, Cristo nos deu a chave da vitória: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação”. Lc 22:40.  

3. O Cumprimento da Bem-aventurança: O Cristão que chora por causa das imperfeições em seu procedimento e que pratica o arrependimento bíblico tem esta promessa: “será consolado ”- recebendo o perdão do pecado. O choro deve nos conduzir à oração: “Se confessarmos os nossos pecados ( as nossas imperfeições e tropeços), ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. I Jo 1:9. Esse consolo é fundamentado sobre esta verdade: “Se, todavia, alguém pecar, temos advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo”, que garante a nossa justificação. I Jo 2:1 

Temos chorado por causa das nossas transgressões da lei de Deus? Temos experimentado o consolo, sabendo que em Cristo Jesus todos os nossos pecados têm sido perdoados? Essa benção está ao alcance de todos, pela fé em Jesus Cristo. 

Rev. Ivan G. G. Ross 

segunda-feira, 6 de maio de 2013

CRIANDO OS NOSSOS FILHOS




O versículo chave: “Crescia o menino (Jesus) e se fortalecia (na área física), enchendo-se de sabedoria (na área intelectual); e a graça de Deus estava sobre ele (na área espiritual).” Lc2:40.

Embora o versículo se refira ao desenvolvimento do menino Jesus nas áreas física, intelectual e espiritual, cremos que esta é a experiência normal de qualquer criança. Num livro antigo, li uma frase mais ou menos assim: “Cada criança nasce com os instintos necessários à sobrevivência, porém, sem nenhum conhecimento intelectual. Este é adquirido através do ensino.” Por isso, a Bíblia exorta aos pais: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” Pv22:6. O versículo chave começa com a frase: “Crescia o menino,” isto é, ele começou a adquirir conhecimentos físicos, intelectuais e espirituais e continuou crescendo nestas três áreas. A criança, apesar de nascer sem qualquer conhecimento, chega ao mundo com uma sede insaciável de conhecer os seus pais e o mundo ao seu redor. Dentro de dois ou três meses de idade, quando ouve alguém chegando, vira a cabeça para descobrir quem é, e, quando vê que é a sua mãe, dá um pequeno sorriso de reconhecimento. E, um pouco mais tarde, quando começa a engatinhar e a locomover-se, ela sempre se dirige a objetos de interesse, a fim de puxá-los, desmontá-los, e assim por diante. Mas, em tudo isso, a criança está revelando seu anseio para adquirir conhecimentos. É agora que os pais têm que começar a ensinar-lhe que não pode fazer tudo o que tem vontade, a criança tem que aprender a discernir a diferença entre o que pode e o que não pode fazer; entre o que é perigoso e o que é seguro. O processo de ensinar essas primeiras diretrizes requer paciência, perseverança e perspicácia. Vamos apresentar algumas normas que devem ser consideradas na criação dos nossos filhos, especialmente nas áreas física, intelectual e espiritual.

1) Crescimento na área física: O desenvolvimento saudável do corpo. Desde o início, é importante estabelecer uma rotina, uma hora certa para comer, tomar banho, brincar e dormir. Através de uma rotina planejada, a criança aprende a organizar as suas prioridades com mais facilidade. Ao chegar uma certa hora, já sabe o que tem de fazer. A prática da rotina será especialmente proveitosa nos anos de estudo, dando-lhe maiores condições para organizar as suas prioridades e concentrar nelas.

A criança nasce com o instinto para buscar e gostar do leite materno. Mas este não é o alimento certo para a vida inteira. Com seis ou sete meses de idade a criança tem que aprender a aceitar e gostar de outras formas de alimento: carnes, verduras, e frutas. Os pais devem ser bons exemplos em seus hábitos alimentares, pois os filhos tendem a imitá-los. Não se deve encorajar o não gostar de um certo produto que é importante para a saúde. Tudo é uma questão de costume. A criança tem que aprender a comer tudo o que seus pais lhe oferecem. Esta aprendizagem nem sempre é fácil e tranquila, por isso os pais têm que ser firmes e perseverantes, pois a saúde do filho depende de um alimento nutritivo e apetitoso.
A criança nasce com um espírito inquiridor, ela quer descobrir e entender o que pode fazer com as suas descobertas. Um de seus primeiros achados é que o seu corpo tem tantos membros interessantes, dedos, pés e órgãos sexuais; descobre que pode esfregar certas partes a fim de descobrir sensações agradáveis. Neste ponto os pais têm que ser vigilantes para discernir qualquer prática que o filho está desenvolvendo, pois maus costumes podem ser prejudiciais à saúde, especialmente na área sexual. A criança tem que aprender a respeitar e a cuidar do seu corpo, usando os seus membros somente para os devidos fins. Se a criança não aprender a respeitar o seu corpo desde a sua infância, ao entrar na adolescência pode praticar todo o tipo de aliciamento prejudicial (diversos tipos de drogas e o sexo ilícito). O corpo tem de ser preservado limpo a fim de ser habitação do Espírito Santo. A exortação bíblica é: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” Pv22:6. Ainda na área de respeito ao seu corpo, a criança deve ser encorajada a praticar exercícios físicos para se  fortalecer, mas,  ao mesmo tempo, ensinada a evitar atividades radicais. O corpo deve ser preservado inteiro e útil para uma vida produtiva para a glória de Deus.

2) Crescimento na área intelectual: O desenvolvimento das capacidades mentais da criança. A partir de seu nascimento, a criança começa o processo de aprendizagem. No início, os pais são os responsáveis para dar os primeiros passos nesta maratona de preparar o filho para uma vida útil e produtiva. De certa forma, as primeiras impressões que a criança recebe (positivas ou negativas) determinarão a sua estabilidade emocional e intelectual. O dever dos pais é: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará dele.” Pv 22:6. Há uma tendência moderna, especialmente quando a mãe tem um emprego secular, para colocar seu filho (mesmo com poucos meses de idade) numa creche, a fim de receber os cuidados de uma instituição. Dessa maneira, a criança está perdendo o contato com seus pais e a influência formadora deles. Esta perda, quando já é tarde demais, será reconhecida na adolescência da criança.

Os judeus foram, possivelmente, o primeiro povo a se preocupar com a educação de seus filhos. Cerca de cem anos antes de Cristo, era obrigatório ensinar o filho a ler e a escrever. Qual foi o motivo principal dessa obrigação? Para que a criança pudesse ler por si mesma a lei de Deus e ter uma vida religiosa baseada no ensino da Palavra de Deus. Os líderes da nação sabiam que a moralidade e a prosperidade do povo dependia deste padrão – temer a Deus e obedecer às suas leis. Hoje, através das escolas públicas ou particulares, cada criança tem a oportunidade de receber uma educação formal. Novamente, a participação dos pais é necessária. Seu interesse e encorajamento são indispensáveis. Quando um casal resolve gerar um filho, eles têm que estar preparados para assumir a responsabilidade de suprir todas as suas necessidades, físicas, intelectuais e espirituais.

Quais são as recompensas de se ter um filho bem criado? “O filho sábio alegra seu pai.” Pv10:1. A mãe e a avó receberam a alegria de reconhecer que Timóteo tornou-se “sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus”, I Tm4: 6. Uma boa exortação para qualquer pai ou mãe é esta: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro (pai ou mãe) que não tem de que se envergonhar,” tendo filhos exemplares, I Tm3: 4,Tt1:6.

3) Crescimento na área espiritual:O desenvolvimento de uma verdadeira comunhão com Deus. Desde o seu nascimento, uma forma de rebelião caracteriza a vida da criança. Ela resiste ou questiona a autoridade de seus pais, não se submetendo às suas ordens (normas de alimentação, horário certo para dormir, etc). Como D. M. Lloyd- Jones observou: “Temos consciência de que age em nós um poder alheio a nós, poder que nos influencia e com o qual podemos brigar e lutar, poder que podemos vencer ou expulsar. Evidentemente, o exemplo máximo disso é o da tentação a que se submeteu o nosso Senhor.” Esse poder se chama pecado, algo que herdamos dos nossos pais. Em vez de tentar esconder essa realidade da criança, ela deve ser ensinada a reconhecer e a combater esse intruso.

O salmista confessou: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe.” Sl51:5. E, em Romanos 3:23, temos o resultado desta herança: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus.” O que aconteceu com aquela comunhão original que o homem tinha com Deus? Perdemos aquele direito, inclusive aquele livre acesso à presença de Deus. “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.” Is 59:2. Assim, não há esperança, pois estão sem Deus no mundo, Ef2:12.

Como podemos vencer o domínio do pecado sobre a nossa vida? Pela obediência à Palavra de Deus. Cristo venceu as suas tentações citando a lei de Deus. Quando Ele disse: “Está escrito”, é como se estivesse dizendo: Não posso desobedecer ao que está escrito na lei de Deus.

Normalmente, introduzimos a criança à Bíblia contando-lhe histórias. Mas devemos dar à história uma aplicação prática para o ensino da criança. Através das histórias da Bíblia, a criança pode aprender como Deus dirige a vida do homem e como este lhe deve obediência. A melhor maneira para comunicar valores espirituais aos nossos filhos é através do Culto Doméstico que praticamos todos os dias. Este é um tempo apropriado para dar ao filho a oportunidade para fazer perguntas e para dar-lhe respostas simples e adequadas. Por exemplo, depois de contar a história de Nicodemos e o filho lhe perguntar: O que significa nascer de novo? Explicamos que é a obra do Espírito Santo que nos dá uma nova vida espiritual, sem a qual ninguém verá o céu, onde Jesus está. Lembramos que Timóteo tornou-se “sábio para a salvação pela fé em Jesus Cristo,” quando lia a Bíblia com a sua mãe e sua avó, II Tm 3:15. E, se o filho perguntar: Como posso nascer de novo? Respondemos: O Espírito Santo nos faz nascer de novo quando cremos de coração em Jesus Cristo e este crucificado. Leia Jo 3:14-16. Novamente repetimos a ordem: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” Pv 22:6.

Rev. Ivan G. G. Ross 

sábado, 4 de maio de 2013

Os Humildes de Espírito






“Bem-aventurado os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5:3).

As bem-aventuranças não são descrições generalizadas, antes, Cristo está descrevendo as disposições espirituais dos cidadãos do reino dos céus, aqueles que são regenerados pelo poder do Espírito Santo. Estes, e somente estes têm o gozo dessas bem-aventuranças recompensadoras.

1. O Encorajamento da Bem-aventurança. O cidadão do reino dos céus é uma pessoa bem-aventurada – feliz no sentido mais superlativo da palavra. Por quê? Ela é adotada, membro da família de Deus; tem a redenção, libertação do domínio usurpador do pecado; todos os seus pecados são perdoados; e tem o Espírito Santo como selo e penhor da sua salvação, (Ef. 1:3-14).

2. A Manifestação da Bem-aventurança. Humildade não se refere à circunstância social ou física da pessoa, antes, é uma disposição do “espírito”, do coração diante de Deus. O publicano demonstrou essa atitude quando suplicou: “ Ó Deus, sê propício a mim pecador! (...) Todo o que se exalta (gabando da sua própria justiça, ou, merecimentos espirituais) será humilhado (desprezado); mas o que se humilha (reconhecendo a sua falência espiritual e confessando a sua pecaminosidade) será exaltado (justificado e recebido por Deus)” (Lucas 18:9-14).

3. O Cumprimento da Bem-aventurança. A plena realidade dessa felicidade é a certeza de seu estado espiritual, a sua aceitação diante da justiça de Deus; sim, pela regeneração pertencemos ao reino de Deus. “Porque dos tais é o reino dos céus”. Cristo afirmou: “O reino de Deus está dentro de vós” (Lc. 17:21). A sua soberana direção está atuando na vida daquele que crê em Jesus Cristo. Que sejamos sensíveis a essa orientação.

Somos possuidores dessa bem-aventurança? É uma felicidade que está ao alcance de todos, pela fé em Jesus Cristo.

Rev. Ivan G. G. Ross