Vasos de Honra

sábado, 26 de outubro de 2013

O PRIMEIRO AMOR



Cristo disse: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e removerei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas” (Apocalipse 2:4-5).

Nos Evangelhos, vemos Cristo ensinando e lançando os alicerces para a sua Igreja. No livro do Apocalipse, vemos Cristo vigiando, governando e corrigindo a sua Igreja, já estabelecida. No primeiro capítulo desse livro, vemos Cristo em toda a sua majestade, andando no meio de suas Igrejas, tomando conhecimento de tudo o que acontece na vida de seu povo. As suas palavras: “Conheço as tuas obras” são repetidas sete vezes para que possamos sentir e tremer diante da totalidade e da inerrância desse conhecimento. Seus olhos, “como chama de fogo”, vêem, não apenas os atos externos dos homens, mas, também, os pensamentos escondidos de seu coração. As palavras que saem da sua boca são como “uma afiada espada de dois gumes”, cada uma revelando a sua autoridade soberana e imperturbável. Tudo o que Ele fala às igrejas é fundamentado sobre a sua onisciência global e de acordo com os princípios de uma justiça santíssima.

No entanto, devemos fazer uma pergunta oportuna: O que é que Cristo procura em nossa vida? Sem dúvida alguma, Ele quer saber se nós O amamos como convém. Quando Jesus interrogou o Ap. Pedro, a pergunta foi esta: “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes outros”, mais do que todos os seus outros interesses? Eis o mandamento: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento” (Lc. 10:27). Aquele que ama de verdade não pode dividir o seu coração com outros interesses. O apelo é este: “Dá-me, filho meu, o teu coração”, a totalidade da sua vida (Pv. 23:26). Nesse contexto, podemos perceber o pesar que Cristo sentiu quando disse à Igreja em Éfeso: “Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.” A Igreja tinha um amor no princípio,  mas, agora, aquele interesse inicial  fora abandonado. O que aconteceu?

1. Houve uma Excitação. Todos nós (os que são nascidos de novo) estamos lembrando da excitação (empolgação) que sentimos quando recebemos Jesus Cristo como o nosso Senhor e Salvador. Ao reconhecer que Cristo me amou e a si mesmo se entregou por mim, o meu coração se abriu para Ele, confessando: “Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hb. 10:9). E, a partir desse momento, Cristo derramou sobre a minha vida “toda sorte de benção espiritual” (Ef. 1:3). Ele me levantou para que eu pudesse viver “em novidade de vida” (Rm.  6:4).

Quais são algumas dessas bênçãos? Entre as muitas, mencionamos apenas quatro:

 Primeira: A culpa dos nossos pecados foi retirada da nossa consciência. Não apenas o perdão de todos os nossos pecados, mas, também, a culpa, aquele senso de incriminação que perturba a nossa tranquilidade espiritual. “Bem aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto” (Sl. 32:1).

Segunda: A nossa natureza original foi renovada e santificada. “Tais fostes alguns de vós (praticantes de torpeza); mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus” (1 Co. 6:11).

Terceira: Fomos recebidos na família de Deus por adoção. “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus, e, de fato, somos filhos de Deus” (1 Jo. 3:1).

Quarta: Recebemos uma herança eterna. “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória” (Cl. 3:20-21).

Qual foi o efeito dessas bênçãos sobre a nossa vida moral e espiritual? Fomos elevados para amar sinceramente o nosso Senhor Jesus Cristo. Ele mesmo disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo. 14:15). E o Ap. Paulo acrescentou: “O cumprimento da lei é o amor” (Rm. 13:10). Por causa de seu amor a Cristo, o Ap. Paulo desprezou toda a sua herança de valores carnais, considerando-os “como refugo, para conseguir Cristo e ser achado nele” (Fl. 3:7-9). Apesar das tentações para vacilar em nosso amor, o nosso dever e a fonte da nossa segurança espiritual são que continuemos fiéis a Cristo. Ele é o nosso primeiro amor.

2. Houve uma Exclusão. Por alguma razão, o amor a Cristo, como prioridade na vida da Igreja, foi excluído; outras preferências assumiram o seu lugar. O texto fala de uma queda, de algo específico que aconteceu: “Lembra-te, pois, de onde caíste”. Oferecemos algumas causas possíveis dessa queda:

a) O Perigo do pecado específico, ou seja, da prática de algo que apagou o amor a Cristo. O sexo ilícito em todas as suas formas, virtual, real e pornografia é um dos pecados principais que afasta o transgressor do seu amor a Cristo. É humano pecar, porém, em vez de reconhecer e abandonar o delito, a tendência é continuar no pecado em vez de seguir fielmente a Cristo.

b) O Perigo de doutrinas estranhas. Esse foi o problema que entrou na Igreja da Galácia. Em vez de confiar em Jesus Cristo e este crucificado para alcançar a vida eterna, as Igrejas estavam sendo assediadas para regressar e confiar nas obras da lei, a fim de alcançar a certeza da salvação. Elas não deram ouvidos à advertência, “que ninguém será justificado diante de Deus por obras da lei” (Rm. 3:20). Se alguém voltar às obras da lei, a fim de ajudar na aquisição da vida eterna, além de desprezar a suficiência total do sacrifício de Jesus Cristo, está se desligando dele, (Gl. 5:1-4).

c) O perigo do mundanismo. Apesar de ter recebido Cristo com amor, “os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra e fica infrutífera” (Mt. 13:22). Cristo tem que ocupar a totalidade da nossa vida; e, quando nós O amamos, nós O seguimos espontaneamente, sem considerar o preço.

d) O perigo de desânimo espiritual. Ninguém é feito de ferro. A iniquidade está se multiplicando e chegando cada vez mais perto de nós. Crimes horríveis são praticados e ficam impunes. E, dentro da própria Igreja de Deus, existem escândalos e práticas litúrgicas que ferem os princípios bíblicos, mas os responsáveis pela pureza da Igreja não querem corrigir os erros e tudo fica por isso mesmo. Qual é o efeito dessas mudanças sobre a vida espiritual? Sentimos tentados a desistir de tudo. Cristo predisse: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt.24:12-13). Por causa da iniquidade que impera por toda parte, devemos vigiar e discernir para que não caiamos no desânimo espiritual. Que Cristo nos sustente em todas as nossas perplexidades.

3. Houve uma Exortação. Quando percebemos que o nosso amor a Cristo está se esfriando, temos que tomar medidas urgentes a fim de voltarmos ao primeiro amor. Cristo nos ensina o que devemos fazer:

a) Temos que descobrir e nomear o pecado que está causando a frieza espiritual. Como? Praticando o seguinte auto-exame: Estou praticando uma coisa que fere a santa lei de Deus? Um caso sexual? A busca de fantasias virtuais na pornografia, ou nas revistas ou internet? Tenho uma rixa contra alguém? Estou deixando de confiar na unicidade e suficiência de Cristo para me salvar, ou estou tentando ajudá-lo com obras de merecimento? Estou me envolvendo excessivamente nos interesses deste mundo, a ponto de não ter tempo suficiente para demonstrar o meu amor a Cristo através de atos devocionais todos os dias? Em vez de estar olhando firmemente para Cristo, estou perdendo tempo olhando para os acontecimentos negativos deste mundo e deixando o desânimo tomar conta do meu ser?

b) Temos que confessar o pecado causador desse esfriamento e abandoná-lo. Somos exortados: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, a fim de que, da presença do Senhor venham tempos de refrigério” (At. 3:19-20). Sem a confissão e o abandono do pecado, esses “tempos de refrigério” jamais serão experimentados. 

c) Temos que reativar o nosso amor a Cristo, voltando a praticar as primeiras obras que demonstraram o nosso zelo espiritual.

Quais são as consequências de não voltarmos à prática das primeiras obras no nosso amor? Cristo responde: “Venho a ti e removerei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas”. Essa advertência não é dada para por em dúvida a certeza da nossa salvação, antes, para mostrar o perigo da presunção, uma fé sem os frutos do nosso amor a Cristo. “Aquele que diz que permanece nele, esse deve andar assim como ele andou” (1. Jo. 2:6).

Conclusão: Devemos sempre manter diante dos nossos olhos a visão de Cristo andando no meio das Igrejas, tomando conhecimento de tudo o que se passa na vida de suas Igrejas. Que Ele possa sentir que o nosso primeiro amor a Ele continua com todas as evidências de uma devoção inabalável.


domingo, 20 de outubro de 2013

O CONTENTAMENTO CRISTÃO


Leitura Bíblica: Salmo 16:1-11

Introdução: Uma das características do Salmo número dezesseis é que o Salmista fala das suas circunstâncias usando sempre a primeira pessoa do singular. O “eu” e o “tu” indicam um relacionamento intensamente particular, enquanto que o “meu” nos aponta para aquele que está recebendo todas as ricas dádivas do Senhor. Portanto, todos os cristãos podem usar essas palavras como se fossem as suas próprias reflexões. Vamos meditar sobre essas ponderações, que são tão  pessoais. O Salmista olha para quatro áreas diferentes em sua vida:

1.  Ele olha para cima, Vs 1-2. Todos nós, que cremos em Jesus Cristo, temos acesso ao trono da graça. Por isso, somos convidados: “Acheguemo-nos, portanto, confiantemente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb. 4:16). A frase “guarda-me ó Deus” indica que o salmista estava prevendo uma dificuldade e se sentindo incapaz de enfrentá-la sozinho. Mas, como homem de fé, soube que podia lançar sobre Deus toda a sua ansiedade, sabendo que Deus tem cuidado dele, (1 Pe. 5:7). Por que a prática da oração? Porque o Senhor é o meu refúgio. Ele é a minha fortaleza, a minha proteção e o meu defensor. Somos felizes porque podemos pedir e receber o auxílio do Senhor. Por isso, somos “mais que vencedores” (Rm. 8:37).

Depois de falar sobre o privilégio da oração, o Salmista faz uma confissão ao Senhor: “Tu és o meu Senhor”, o Dono da minha vida. Portanto, confesso constantemente: “Eis que estou a fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hb. 10:9). Mas, por que tenho essa disposição? Porque “outro bem (outro senhor) não possuo, senão a ti somente”. Na verdade, não existe nenhuma outra disposição que é aceitável diante de Deus: “ Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou há de se devotar a um e desprezar ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” (Mt. 6:24). Vamos continuar olhando para cima para desfrutar dos privilégios da oração e da direção do Senhor. Que a minha vontade “não seja como eu quero, e sim, como tu queres” (Mt. 26:39).

2. Ele olha ao redor, Vs. 3-4. Ele quis tomar conhecimento do que estava acontecendo ao seu redor. Primeiro, ele viu “os santos que há na terra”. Quem são esses “santos”? São as pessoas que crêem em Jesus Cristo como Senhor; e que são nascidas de novo pelo poder do Espírito Santo. E, por causa dessa união com Cristo, passam a desenvolver uma vida santa e irrepreensível diante de todos. Por isso, são “os notáveis” que vivem na terra. A sua vida piedosa os distingue de todos os demais. Somos exortados a receber, amar e honrar tais pessoas (Fl. 2:29) Devemos agir assim porque, neles, “tenho todo o meu prazer.” Veja como o Ap. Paulo se sentiu a respeito desses “santos”: “Pois a minha testemunha é Deus da saudade que tenho de todos vós, na tenra misericórdia de Cristo Jesus” (Fl. 1:8). Que possamos valorizar, mais e mais, os “santos que há na terra”.

No entanto, em segundo lugar, olhando ao seu redor, o Salmista notou a presença de pessoas “ que trocam o Senhor por outros deuses”; o deus do materialismo, ou, até o deus da sua própria imaginação. São pessoas que buscam um deus que possa satisfazer todos os seus egoísmos. Qual é o resultado de buscar bens de outros deuses? Dores, tais como repetidas decepções, tristezas e sofrimentos físicos e emocionais. “Para os perversos (os que buscam deuses mentirosos), diz o meu Deus, não há paz” (Is. 57:21).

Após essas observações, qual foi a reação do Salmista? Ele tomou uma decisão resoluta: “Não oferecerei as suas libações de sangue”. Não participarei em seus ritos de buscar bens materiais. A ordem bíblica é esta: “Retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em cousas impuras; e eu vos receberei e serei vosso Pai, e  vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso” (2 Co 6:17-18). Mas o Salmista resolveu ainda mais: “Os meus lábios não pronunciarão o seu nome”.  Por que essa determinação? A conversa sobre os costumes de certas religiões pode despertar uma curiosidade e a tentação para experimentar o proibido. Esse foi o grande mal de Israel. É de suma importância que tomemos decisões sérias sobre questões religiosas, a fim de manter a pureza da nossa fé em Jesus Cristo.

3. Ele olha para dentro, Vs. 5-8. Olhar para dentro da sua própria vida significa discernir quais são as suas atitudes acerca das circunstâncias em que vive. O Salmista comenta sobre quatro dessas circunstâncias:

Primeira: A herança que recebeu para a sua vida. “ O Senhor é a porção da minha herança e o meu cálice”. Ao entrar na terra de Canaã, cada tribo recebeu a sua herança, uma parcela de terras, bem definidas e cercadas. No mesmo sentido, quando entramos na vida cristã, cada um recebe a sua herança, bem definida e segura: o Deus vivo e verdadeiro, que é bem melhor do que qualquer pedaço de terra. “ O Senhor é a porção da minha herança”. O Salmista gostava de confessar: “Ainda que a minha carne e o meu coração desfalecem, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Sl. 73:26). Por causa da natureza da sua herança, qual foi a declaração do Salmista? “Tu és o arrimo (esteio, apoio) da minha sorte”. Sim, “bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, cuja esperança está no Senhor, seu Deus” (Sl. 146:5),

Segunda: A preciosidade dessa herança. “Caem-me as divisas em lugares amenos (agradáveis)”. Os levitas não receberam uma parcela de terra, porque o Senhor foi a herança deles. E, semelhantemente, a nossa herança não é material, antes, é espiritual, o próprio Senhor. Por isso, o Salmista podia confessar: “ É mui linda a minha herança”. Tendo o Senhor como nosso esteio, temos tudo. Por isso, vivemos plenamente satisfeitos com a nossa porção, sem nenhuma necessidade para murmurar.

Terceira: Em relação a essa herança, o Senhor me ensina como devo andar: “Bendigo ao Senhor, que me aconselha, pois até durante a noite o meu coração me ensina”. Se o Senhor é a nossa herança, devemos ter um desejo ardente para conhecer a respeito dele. Mas como? Existe uma única maneira! Temos que tomar o tempo necessário para ler e meditar sobre a sua auto-revelação, que está registrada inerrantemente nas Escrituras Sagradas. “Meditarei no glorioso resplendor da tua majestade e nas tuas maravilhas” (Sl. 145:5). Sejamos como o Salmista: “Os meus olhos antecipam-se às vigílias noturnas, para que eu medite nas tuas palavras” (Sl. 119:148).

Quarta: Nessa herança, o Senhor está comigo: “O Senhor, tenho-o sempre à minha presença: estando ele à minha direita, não serei abalado”. Por que essa confiança? Porque, quando clamo a Ele: “Ele dos céus me envia o seu auxílio e me livra (...). Envia a sua misericórdia e a sua fidelidade” (Sl. 57:3). Quando olhamos dentro do nosso coração, será que podemos dizer que as nossas atitudes, disposições espirituais, são semelhantes às do Salmista nesses quatros versículos? Que a resposta seja: Sim !

4. Ele olha para o futuro, Vs. 9-11. Querendo ou não, todos nós teremos que encarar a realidade da nossa morte, o dia quando teremos que deixar esta vida na terra e entrar na vida na eternidade. Quais são as nossas esperanças para esse evento momentoso? O Salmista fala de três realidades que o consolam:

Primeira: A morte não é necessariamente uma experiência sombria. Antes, para aqueles que têm Jesus Cristo como Salvador, é uma experiência alegre, porque, para “partir e estar com Cristo é incomparavelmente melhor” (Fl. 1:23). Por isso, confessamos: “Alegra-se, pois, o meu coração, e o meu espírito exulta; até o meu corpo repousará seguro”. Os que estão unidos com Cristo em vida continuarão unidos com Ele na morte. O apóstolo declarou confiadamente: “Nem a morte (...) poderá separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm. 8:38-39)

Segunda: A esperança da ressurreição do nosso corpo no Dia da Segunda Vinda de Jesus Cristo. “Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção”. Essa foi a verdade que encorajou Jesus Cristo para enfrentar a morte e morte de cruz; essa deve ser, também, a fonte da nossa esperança na hora da morte. “E ressoada a trombeta de Deus, (Cristo) descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Ts 4:16).

Terceira: A segurança que teremos na hora da morte: “Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente”. Na hora da morte veremos o caminho aberto que nos conduzirá à presença daquele que nos amou e a si mesmo se entregou por nós, Jesus Cristo. Ao entrarmos na presença do Senhor, que é “incomparavelmente melhor” do que qualquer experiência que poderemos ter na terra, teremos a “plenitude de alegria”, e, à “destra do Senhor, delícias perpetuamente”. O céu é um lugar infinitamente melhor que a terra. Aqui, tudo é vaidade, mas lá, tudo é perfeito, glorioso e permanente. Aqueles que têm essa percepção na hora da morte terão uma transferência tranquila.


Se a nossa vida mortal estiver cheia de Deus, podemos ter certeza quanto à nossa imortalidade. “E, assim, estaremos para sempre com o Senhor” (I Ts. 4:17).

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O DIA MAU NA VIDA DO HOMEM

 
“Tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau” (Ef. 6:13).

              O que significa esse “dia mau”?  Alguns dizem que é a vida inteira do cristão. Jacó, já à beira da morte, lamentou: “Poucos e maus foram os dias dos anos da minha vida” (Gn. 47:9). Cristo advertiu os discípulos: “No mundo passais por aflições” ( Jo. 16:33). Mas este sofrimento generalizado é a porção de qualquer pessoa, afinal, todos nós somos herdeiros das conseqüências do pecado.

            Contudo, no texto citado, o Apóstolo Paulo está indicando algo bem mais específico. É um dia que se distingue de todos os demais. Ele traz uma novidade, algo que os outros dias não apresentam, males como: desastres naturais (uma enchente destruindo a propriedade); desastres materiais (a casa sendo assaltada); desastres físicos (uma doença terminal); desastre final (a chegada do último inimigo, a morte vem para ceifar mais uma vida). Seja qual for a natureza específica desse momento, ele poderá ser suavizado com o devido preparo: “Tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir (permanecer inabaláveis) no dia mau”(Ef. 6:13).  Deus já providenciou os recursos necessários para que sejamos mais que vencedores no “dia mau”.

            Vamos observar algumas características da visitação desse “dia especial”.

           
1. O “dia mau” é Inescrupuloso.
            O “dia mau” não tem pena da sua vítima. Seja qual for a natureza desse mal, ele vem para desorientar e machucar, não leva em conta os sentimentos de ninguém. 

            O dia, em si, não é pecado, ou seja, a pessoa que recebe esta visitação não se torna culpada de pecado. O pecado é sempre a transgressão da lei de Deus (1Jo.3:4). O dia mau é algo que vem sobre nós involuntariamente e sem a nossa participação. 

            Também devemos lembrar que esse dia mau, normalmente, não vem por causa de um pecado específico que estamos abrigando em nossa vida. Entendemos que, para o cristão, o dia mau vem com a soberana permissão de Deus, e é por isso que Ele está presente conosco nestas aflições: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo” (Sl. 23:4). 

            Muitas vezes, esse “dia mau” é permitido para provocar uma manifestação da sinceridade da nossa fé. Nós vamos permanecer fiéis no meio da tribulação e glorificaremos a Deus, ou negaremos a fé a fim de nos livrarmos da aflição? Lembremo-nos de Jó.

            Esse dia mau é permitido para nos fazer lembrar que este mundo é assim mesmo e, portanto, impróprio para a construção de esperanças permanentes. Abraão, sentindo a sua vulnerabilidade, “aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hb.11:10). De forma semelhante, sentindo a nossa insegurança, devemos buscar refúgio sob as assas do Deus poderoso, o Deus que envia o seu auxílio (Rt. 2:12; Sl.57:3).

2. O “dia mau” é Inevitável.

            Uma outra característica a ser abordada é que o “dia mau” é inevitável, isto é, há de chegar, independente do nosso estado espiritual. Em Eclesiastes capítulo 8, versículo 8, está escrito: “Não há nenhum homem que tenha domínio sobre o vento para o reter; nem tão pouco tem ele poder sobre o dia da morte; nem há tréguas nesta peleja”. A morte é um temido exemplo de “dia mau”. Com o nosso nascimento, ela já foi anunciada: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, depois disto, o juízo” (Hb.9:27). Devemos ter consciência da imutabilidade das determinações de Deus, porque Ele mesmo já se pronunciou: “Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei” (Is. 46:11). Quando a ordem da morte é emitida, não há como resistir, temos de ir.

3. O “dia mau” é Inescusável.
            O “dia mau” é também inescusável, isto é, não há desculpas para justificar a nossa falta de preparo. Já fomos advertidos: haverá dias maus para cada pessoa, “Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau” (Ef. 6:13). Podemos meditar sobre esta necessidade em termos de dever e prudência:   

            O nosso próprio dever.  A Bíblia ensina: “A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho” (Pv. 14:8).  Sabemos que dias maus nos aguardam, portanto, devemos estar preparados. A boa providência de Deus nos oferece inúmeras oportunidades para ficarmos prevenidos contra estas visitações negativas, e oportunidades são dadas a fim de serem aproveitadas. O Apóstolo Paulo exclamou: “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hb. 2:3).

            À luz da prudência. Eis a voz das Escrituras: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim, como sábios, redimindo o tempo, porque os dias são maus” (Ef.5:15-16). Este preparo para o “dia mau” é uma questão de prioridade. Devemos sentir uma urgência na exortação do Apóstolo Paulo: “Eis agora o tempo sobremodo oportuno, eis agora o dia da salvação” (2Co. 6:2). É muito difícil e até impossível se vestir em pleno dia mau; achando-se nu, permanecerá nu e desabrigado. Não sabemos a hora da chegada desta aflição, porém, sabemos que ela há de chegar. Portanto, devemos ser prudentes e nos preparar para aquele dia. O choro de remorso por causa de oportunidades desperdiçadas não traz nenhum auxílio e nem consolo: “Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau” (Ef.6:13).

            A própria experiência pessoal deve nos ensinar que estamos expostos a todo tipo de mal.  Contudo, apesar das duras evidências da realidade desse dia temível, percebemos que poucos se preparam. Evidentemente, é mais cômodo adiar qualquer decisão, ou esconder-se atrás de formas de mentiras, tais como: este dia não existe, é só para nos amedrontar; talvez este dia possa chegar, mas é reservado somente para os idosos, eu ainda sou muito jovem, não vou me preocupar com estes assunto por enquanto; este dia mau é o castigo de Deus para pecadores, mas eu sou crente, protegido contra tais adversidades, por isso não preciso me  incomodar com tais coisas negativas.

            O que devemos fazer para estarmos devidamente preparados? É necessário desembaraçar-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, e firmarmos todas as nossas esperanças em Jesus Cristo, porque Ele é a armadura de Deus (Hb.12:1-2). O dia mau vem como ladrão de noite: “Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm a dor de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão” (1Ts.5:2-3). “Mas revesti-vos do Senhor Jesus, e nada disponhais para a carne, no tocante às suas concupiscências” (Rm.13:14). 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Como tomar posse da salvação




Leitura Bíblica: Atos 2:37-41

Introdução: É necessário que entendamos algo sobre o contexto destes versículos, e, para isto, faremos algumas perguntas:

a) Quais são as pessoas que ouviram esta mensagem? São os judeus e os prosélitos que vieram a Jerusalém a fim de assistir a Festa de Pentecostes. Entendemos que, basicamente, elas foram as mesmas pessoas que freqüentaram a Festa da Páscoa, portanto, são as mesmas que presenciaram e ajudaram na crucificação e morte de Jesus Cristo, por isso, o Apóstolo podia fazer esta acusação: “Vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos.”

b) Qual foi o assunto principal desta mensagem que elas ouviram? Foi uma exposição das profecias messiânicas do Antigo Testamento. O apóstolo demonstrou que o conhecido “ Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais ... sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o mataste, crucificando-o por mãos de iníquos.” Mas este não foi o fim da história. O Apóstolo acrescenta jubilosamente, “ao qual, porém, Deus ressuscitou, rompendo os grilhões da morte; porquanto não era possível fosse Ele retido por ela.” O próprio Jesus, já ressuscitado, fez os discípulos se lembrarem do seu ensino: “Importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (Lc. 24:44).

c) E qual foi o apelo que o Apóstolo fez? “Esteja absolutamente certo, pois, toda a casa de Israel de que este Jesus que vós crucificaste, Deus o fez Senhor e Cristo.” Não pode haver dúvidas quanto à Pessoa, Obra e Designação de Jesus Cristo.

d) Qual foi o efeito desta mensagem sobre a consciência destes ouvintes? Cada pessoa sentiu, pessoalmente, a sua culpa pela crucificação e morte de Jesus Cristo, o imaculado Filho de Deus. E, com corações compungidos pela culpa e pelo terror do Juízo Vindouro, perguntaram: “O que faremos, irmãos?”  A nossa mensagem é a exposição da resposta que o Apóstolo lhes deu. São os quatro passos básicos que devem ser tomados, a fim de se tomar posse da salvação. “Pois para vós outros é a promessa, para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar. Com muitas outras palavras deu testemunho e exortava-os, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.”   

1. A Norma do Arrependimento. “Arrependei-vos.” A melhor definição do arrependimento se encontra no Breve Catecismo da nossa Igreja: “Arrependimento para a vida é uma graça salvadora, pelo qual o pecador, tendo um verdadeiro sentimento de seu pecado e percepção da misericórdia de Deus em Cristo, se enche de tristeza e de horror pelos seus pecados, abandonando-os e volta-se para Deus, inteiramente resolvido e presta-lhe nova obediência” (Resp. 87). Uma das atividades principais do Espírito Santo é convencer o pecador da sua culpabilidade; ele tem transgredido a Santa Lei de Deus. Assim, mediante o poder do Espírito Santo, o pecador clamará ao Senhor: “pois eu conheço minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos” (Sl. 51:3-4). Quando alguém reconhece a sua culpabilidade, ele sentirá a necessidade de confessá-la. É uma determinação e uma parte inseparável do arrependimento. “ Disse, confessarei ao Senhor as minhas transgressões” (Sl. 32:5). Está implícito no ato da confissão o abandono do pecado, porque ele tornou-se nocivo e repugnante, e a volta para Deus, inteiramente resolvido e prestar-lhe nova obediência. A nossa oração é: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro em mim um espírito inabalável” (Sl. 51:10).

2. A Norma do Batismo. “E cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo.” Não é do nosso interesse discutir o modo de administrar o batismo neste momento; antes, queremos saber a razão desse conselho. Desde o Antigo Testamento, Batismo, ou, “diversas ablusões’ (Hb. 9:10), foram ritos de “purificação” (Jo. 3:25). Antes de começar qualquer serviço espiritual, o candidato teve que ser “lavado” (Ex 40:31-32). Portanto, o Apóstolo está exortando o povo acerca da necessidade de ser “purificado” antes de poder servir a Deus aceitavelmente; seus pecados têm que ser perdoados. Esta purificação é recebida somente através de uma identificação, uma união vital com Jesus Cristo. Os salvos no céu estão lá porque “lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro” Jesus Cristo, (Ap. 7:14). Devemos sentir a força das palavras do Apóstolo. Ele está acentuando a unicidade de Jesus Cristo, aquele que foi crucificado por mãos de iníquos, como o único que pode conceder aos pecadores a necessária purificação. “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At. 4:12). Não devemos nos preocupar indevidamente com ritos externos, antes, devemos fundamentar a nossa esperança espiritual em Jesus Cristo, o Autor e Consumador da nossa salvação, (1 Co. 10:12).

3. A Norma do Perdão. “Para remissão dos vossos pecados.” Antes de ser perdoado, o Salmista confessou: “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a mão do Senhor pesava dia e noite sobre mim (esta foi a obra do Espírito Santo convencendo-o de seu pecado) e o meu vigor se tornou em sequidão de estio.” Ele sentiu alívio somente depois de confessar o seu pecado e quando soube que o Senhor o tinha perdoado, (Sl. 32:3-5). Os ouvintes da mensagem do Ap. Pedro sentiram o mesmo desespero, pois seus corações ficaram compungidos pelo peso da sua culpa, sabendo que eles mesmo foram responsáveis pela crucificação e morte de Jesus Cristo. A pergunta do Salmista  é também a nossa: “Se observares, Senhor, iniqüidades, quem, Senhor subsistirá?” (Sl. 130,3). A conclusão do Profeta foi: “A alma que pecar, essa morrerá” (Ez. 18:4). Diante da lei de Deus, o pecador está perdido. Contudo, no recôndito da consciência  de cada pessoa, existe a esperança de receber misericórdia  da parte do Senhor, por isso o Salmista podia exclamar confiadamente: “Contigo, porém, está o perdão, para que te temam ... pois , no Senhor, há misericórdia; nele, copiosa redenção” (Sl. 130:4,7). Esta foi a esperança que levou os ouvintes do Apóstolo a perguntar: “Que faremos, irmãos?” Queremos que vocês tragam ao nosso coração o que nos pode dar esperança, (Lm. 3:21). E eles não ficaram decepcionados, porque o Senhor estava conduzindo-os à salvação. O Apóstolo lhes deu esta direção: Crê no Senhor Jesus Cristo, e receberá o perdão de todos os seus pecados , pois para este fim, Ele submeteu-se à morte, tomando para si o castigo de seu povo, (Is.53:5). Em Cristo, as nossas transgressões são afastadas de nós; são apagadas e lançadas na pronfundeza de esquecimento divino, (Sl. 103:12, Is. 43:12). Sim, feliz aquele cuja iniqüidade é perdoada, (Rm. 4:7).     

4. A Norma do Espírito Santo. “E recebereis o dom do Espírito Santo.” “Tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa; o qual é o penhor da herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória” (Ef. 1:13-14). Todos aqueles que crêem salvadoramente em Jesus Cristo, recebem o dom do Espírito Santo como o selo e a garantia de que são recebidos por Deus; de que seus pecados são perdoados; e de que têm a salvação. O Espírito Santo é o penhor, ou, podemos dizer, Ele é a primícia de todas as bênçãos celestiais. “Nisto conhecemos que permanecemos nele (em Deus), e Ele em nós: em que nos deu do seu Espírito Santo” (1 Jo. 4:13). Por causa deste dom, podemos confessar: “O Próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm. 8:16).

O dom do Espírito Santo, que habita na vida daqueles que crêem em Jesus Cristo , tem diversas finalidades. No momento, temos que nos limitar a um aspecto só, a saber, a nossa santificação, “sem a qual ninguém verá o Senhor”( Hb. 12:14). Fomos escolhidos, em Cristo, “antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis perante ele” (Ef. 1:4). O padrão que Deus estabeleceu para todas as pessoas do mundo inteiro é este: “Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pe. 1:16). A humanidade não pode ser diferente do seu Criador. O Espírito Santo foi concedido a fim de nos dar o poder para andar segundo os juízos de Deus e os observar, (Ez. 36:27). Pelo Espírito, mortificamos os efeitos negativos do corpo, (Rm. 8:13), e, pelo mesmo Espírito, reproduzimos o seu fruto em nosso procedimento diário, a saber: “Amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”, (Gl. 5:22-23). A nossa santificação é sempre atribuída à obra do Espírito Santo, (2 Ts. 2:13). Portanto, se vivemos no Espírito, se Ele realmente habita em nossa vida, andemos também no Espírito, (Gl. 5:25).

Conclusão: Se nós precisamos chegar a um determinado lugar, ou  alcançar um objetivo específico, temos que seguir o caminho certo, sem qualquer desvio. Se desprezamos as normas, jamais chegaremos ao destino. O mesmo princípio é verdadeiro na busca da salvação. Começamos reconhecendo a nossa culpabilidade diante da Santa Lei de Deus; temos que nos arrepender do nosso pecado, confessando-o e o abandonando. Temos que crer em Jesus Cristo como o nosso único Salvador, entregando nossa vida aos cuidados dele, a fim de recebermos o perdão dos nossos pecados. Veja como a Confissão de Fé descreve este princípio: “Os principais atos de fé salvadora são: aceitar e receber a Cristo e descansar só nele para a justificação, santificação e vida eterna, isto em virtude do pacto da Graça” (Cap. 14:2) Com estes passos tomados, receberemos o dom do Espírito Santo como a garantia da nossa salvação e o Santificador da nossa vida. Sim, tomemos posse da vida eterna pela fé em Jesus Cristo.

Rev. Ivan G. G. Ross
Itajubá, 12 de Maio de 2012      

domingo, 22 de setembro de 2013

Crescimento Espiritual



"Por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude"(...). (2 Pedro 1:3-11).

Crescimento espiritual requer um esforço decidido: “reunindo toda a vossa diligência.” O Ap. Pedro vê o processo do crescimento como se fosse uma corrente, cada elo é parte do outro. Se um elo estiver fraco, a  corrente toda fica enfraquecida.

O Apóstolo nos dá uma lista de oito elos, os quais são as dádivas impreteríveis para o nosso crescimento na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

“Fé” é a primeira dádiva nessa corrente espiritual e o incentivo para a presença das demais dádivas. Fé é  sempre “em” algo. Pela fé, cremos  “em” Jesus Cristo como o nosso Senhor e Salvador. Nele temos a redenção, o perdão dos nossos pecados e a esperança da vida eterna. A fé nos introduz à vida cristã. Mas, a partir dessa entrada, temos que adornar a nossa vida com muitas outras dádivas, a fim de sermos completos em Cristo.

Temos que “associar com a a nossa fé a virtude”, uma vida santa e irrepreensível, que é a evidência de Cristo direcionando a nossa vida.

Mas, precisamos de mais: “Com a virtude, o conhecimento”. Não podemos viver a vida cristã sem o conhecimento geral da vontade de Deus, que se encontra nas Escrituras Sagradas. Portanto, a necessidade inadiável de uma leitura sistemática e regular da Palavra de Deus.

“Com o conhecimento, o domínio próprio”, a dádiva de discernir a divisa entre a prática dos nossos próprios interesses e a prática  dos interesses de Deus. O nosso coração precisa do domínio próprio, a fim de glorificar a Deus na prática desses dois interesses. Não podemos ser faltosos em nenhum dos dois.

“Com o domínio próprio, a perseverança”. Quando discernimos a vontade de Deus, temos que praticar a perseverança. Andar resolutamente, dia após dia, no cumprimento da vontade de Deus, inclusive no meio de desencorajamentos, o que nem sempre é fácil. Precisamos da dádiva de perseverança, a fim de não  desmaiarmos no caminho.

“Com a perseverança, a piedade”, o temor de Deus constrangendo o nosso procedimento nos atos de culto. “Deus é espírito, e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”, com uma reverência não fingida.

“Com a piedade, a fraternidade”. No culto público, estamos no meio de outros adoradores, irmãos e irmãs que, juntamente conosco, são herdeiros da mesma graça de vida. A cada um devemos aquele amor fraternal; levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade.

“E com a fraternidade, o amor”. O amor é o cumprimento da lei de Deus, que ensina: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Lc. 10:27).

Qual é a recompensa em adornar a nossa vida com essas oito dádivas de Deus? Em primeiro lugar, elas demonstram a nossa diligência no desenvolvimento da vida cristã. “Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo”.

E, em segundo lugar, são as evidências de que Deus tem começado uma boa obra salvífica em nossa vida. “Pois aquele a quem estas cousas não estão presentes é cego.” Como podemos nutrir a esperança da vida eterna se não temos em nós os sinais vitais da vida cristã?

Eis a exortação: “Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição.” Essa confirmação será reconhecida através da presença dessas oito dádivas de Deus agindo eficazmente em nossa vida. “Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. Enquanto associamos uma dádiva com outra, Deus suprirá todas as demais necessidades para que tenhamos uma entrada ampla e vitoriosa no reino eterno do Sustentador da nossa fé. Eis a norma para alcançar a certeza da salvação.


Rev. Ivan G. G. Ross

domingo, 15 de setembro de 2013

OS LIMPOS DE CORAÇÃO




“Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” ( Mt. 5:8)

A partir da quinta bem-aventurança, até a sétima, discernimos uma ligeira mudança de ênfase. As primeiras quatro descrevem as características constantes em todos os cristãos. As próximas três bem-aventuranças retratam a manifestação  visível de humildade, arrependimento, mansidão e fome espiritual em nossa vida. As nossas disposições externas revelam, infalivelmente, o que está acontecendo no coração.

1. O Encorajamento na bem-aventurança. Experimentamos uma alegria indizível quando percebemos que o nosso coração está se inclinando para a integridade, para “tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável e de boa fama” (Fl. 4:8). Como filhos de Deus, aguardamos a manifestação de Jesus Cristo em glória. “E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (1Jo. 3:2-3).

2. A Manifestação da bem-aventurança. O limpo de coração é aquele que vigia a pureza do seu homem interior. Somente o limpo de coração tem as condições necessárias para adorar a Deus “em espírito e em verdade” (Jo. 4:23-24). Somente o limpo de coração tem a disposição para amar a seu próximo como o nosso Senhor nos ensinou (Jo. 13:34). Por isso, devemos orar como Davi orava: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável” (Sl. 51:10).

3. O Cumprimento da bem-aventurança. Aquele que vigia o seu coração, a fim de não pecar contra o Senhor, terá a recompensa de ver a Deus. Não apenas na escatologia, mas, mesmo afora, pela fé, podemos andar, confiadamente, porque a promessa do Senhor é esta: “A minha presença irá contigo, e eu ti darei descanso” (Ex. 33:14). Feliz a pessoa que pode olhar para o Senhor e confessar: “Não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo” (Sl. 23:4).


Portanto: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb. 12:14).

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A Preeminência por Cristo




Leitura Bíblica: I Pedro 2:6-10

Introdução: No estudo anterior, estudamos a prática da santidade. Tudo começa com a obra sobrenatural da regeneração. A santificação se realiza em nós em virtude da nossa união vital com a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Por causa dessa união, o pecado perde o seu domínio tirânico sobre nós e somos vivificados e fortalecidos em todas as graças salvadoras para a prática da verdadeira santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. Portanto, falamos sobre a Exigência da Santificação. O pecado tem que ser despojado. Em seguida, falamos sobre a Experiência da Santidade. Depois de despojar do pecado que habita em nós, temos que nos vestir do novo homem e alimentar-nos do “genuíno leite espiritual”. E, terminamos falando sobre a Excelência da Santidade. Cristo, a causa dela, é “eleito e precioso” diante dos olhos do Pai. Portanto, o que é tão estimado pelo Pai, deve ter igual preciosidade diante dos nossos olhos.
Agora, vamos progredir para o próximo estudo, a Preeminência por Cristo. Temos que cultivar o mesmo sentimento que caracterizava a vida do Ap. Paulo: “Será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte.” Vivamos “acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo.” Fp 1:20,27.

1) A Predileção por Cristo, V. 6: Podemos salientar quatro pontos que justificam a nossa predileção por Cristo. Ele é a dádiva de Deus Pai para a nossa total salvação.

a) “Pois isso está na Escritura.” O tema central das Escrituras é Cristo e o que Ele faria, e fez, a fim de buscar e salvar pecadores. Como é que Cristo apresentou esse tema aos discípulos no caminho de Emaús? “E, começando por Moisés (os primeiros livros da Bíblia), discorrendo por todos os profetas (os demais Livros da Bíblia), expunha-lhes o que a seu respeito está em todas as Escrituras”. Lc 24:27. A partir de Gênesis, temos a promessa de alguém que feriria a cabeça de Satanás, Gn 3:15 com Rm 16:20. A primeira alusão à necessidade de sacrifícios a fim de vestir o homem, dando-lhe as condições necessárias para ter acesso à presença de Deus, está em Gn 3:21 com Rm 13:14. Esse tema continua em todas as partes das Escrituras, e é resumido nestas palavras: “Porventura, não convinha que o Cristo padecesse (e ressuscitasse dentre os mortos ao terceiro dia) e entrasse na sua glória?” Lc 24:26,46.

b) “Eis que eu ponho em Sião uma pedra angular”: Essa “Pedra Angular” sempre se refere a Jesus Cristo. A igreja é composta de “pedras que vivem”, v.5, mas Cristo é a “Pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa.” V.4; “Essa veio a ser a principal pedra angular.” V.7. Ele mesmo declarou: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja.” Mt 16:18. Cristo, como “a pedra angular”, suporta e sustenta a Igreja toda; “Ele é a cabeça do corpo, da Igreja,” Cl 1:18; por Ele, a Igreja “cresce o crescimento que procede de Deus” Cl 2:19. Devemos dar o devido valor àquele que “amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela”. Ef 5:25.

Quando o texto diz: “Ponho em Sião,” está anunciando que o evangelho de Cristo, este crucificado e ressuscitado, seria proclamado primeiramente em Jerusalém, como efetivamente aconteceu no dia de Pentecostes, At 2:14-36. A ordem que os discípulos receberam foi: “Sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda Judéia e Samaria e até aos confins da terra”. At 1:8.

 c) Cristo como a “Pedra Angular, eleita e preciosa” , é o servo de Deus para buscar e salvar pecadores. Ele é eleito, aquele que o Pai escolheu para realizar a redenção do homem, livrando-o dos laços do diabo, tendo sido feito cativo por ele, II Tm 2:26. Por isso, o Ap. Pedro afirmou categoricamente: “E não há salvação em nenhum outro, porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” At 4:12. Cristo é singularmente precioso aos olhos do Pai, porque Ele não somente obedeceu a sua vontade em todos os detalhes do plano da salvação de pecadores, mas continuou até ao ponto extremo, a “si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz.” Fl 2:8. Nós devemos valorizar o que Deus valoriza: “O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos.” Jo 3:35. Nós também O amamos e, sabendo que todas as coisas estão em suas mãos, chegamos a Ele confiadamente, “a fim de recebermos misericórdia e acharmos socorro em ocasião oportuna”. Hb 4:16.

d) “E quem nela (Cristo, a pedra que vive) crer não será, de modo algum, envergonhado.” Eis o motivo da nossa predileção por Cristo. Cremos que Ele é poderoso, “por isso também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” Hb 7:25. Possivelmente, essa frase nos coloca diante do tribunal de Deus, “que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento.” Rm 2:6. Talvez, tenhamos medo por causa do pecado que tenazmente nos assedia. Mas não temos motivo de ter receio, pois, a verdade é esta: “Se, todavia, alguém pecar, temos advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados.” – que os encobre, I Jo 2:1-2. Ou, talvez, tenhamos medo de não sermos reconhecidos naquele Dia. Novamente, a verdade é esta: O que crê em Cristo, “não será de modo algum, envergonhado.” Jamais seremos decepcionados. Com toda certeza, ouviremos o convite: “Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”. Mt 25:34.

2) A Premonição por Cristo. Vs. 7-8:  Nesses dois versículos, a premonição, ou, uma sensação de advertência, está presente. Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para buscar e salvar o perdido. Portanto, a rejeição de Cristo é um desprezo ao amor de Deus e à sua providência para a salvação de pecadores.

a) Primeiro, uma palavra positiva: “Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade.” A palavra “preciosidade” poderia ser traduzida como “honorabilidade”. Esse sentido se refere às palavras anteriores: “E quem nela crer, não será, de modo algum, envergonhado” – por ter sido enganado. Cristo é honrável, Ele é fiel, e os que confiam nele nunca terão motivo de se sentirem iludidos, ou postos de lado, especialmente no dia do Juízo Final. Os crentes serão reconhecidos como servos e servas do Senhor Todo Poderoso, II Co 6:18; e ouvirão com honrarias: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor”. Mt 25:21.
Mas, o sentido de “preciosidade” é igualmente válido. Cristo é indizivelmente precioso para o seu povo. Ele é a pérola de grande valor, Mt 13: 46. Dele temos recebido toda sorte de benção espiritual. Por causa de tantos benefícios recebidos, temos a mesma disposição do Ap. Paulo: “Pois estou pronto não só pra ser preso, mas até morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.” At 21:13. E os primeiros cristãos demonstravam a preciosidade de Cristo para as suas vidas, “mesmo em face da morte, não amaram a própria vida”. Ap 12:13. Cristo, por ser tão precioso, merece a totalidade da nossa dedicação. Olhamos para Ele em sua forma humana e confessamos: “Tu és o mais formoso dos filhos dos homens, nos teus lábios extravasou a graça; por isso, Deus te abençoou para sempre”. Sl 45:2. E acrescentamos: “Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade.” Hb 10:9.

b) Agora, a parte negativa: “Mas, para os descrentes”. Por que alguns crêem em Jesus Cristo, enquanto outros endurecem o seu coração contra Ele e praticam todo tipo de desobediência? Talvez o problema não seja propriamente a incredulidade, no sentido de não crer em Deus ou não acreditar em uma lei que é superior à própria consciência. Todas as pessoas têm um conhecimento básico da existência de Deus e da sua vontade para o seu procedimento. Nesse sentido, o texto de Romanos 2:14:16 é inconfundível. Todos têm um conhecimento suficiente dessas verdades, por isso, Deus pode julgar a cada um segundo a lei que está gravada no seu coração, sem qualquer exceção. Portanto, o problema principal é uma insubmissão, uma falta de querer. Cristo lamentou: “E vós não o quisestes!” Por isso, somos advertidos: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós o perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo.” Hb 3:12. Como podemos vencer essa falta de querer? Somos dependentes de uma intervenção soberana da graça de Deus. “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer, como o realizar, segundo a sua boa vontade.” Hb 2:13. Portanto, em nossa perplexidade, clamamos a Cristo: “Salva-me, Senhor!” Mt 14:30. Ele é o único que pode nos socorrer.

c) As consequências dessa rebelião: “A pedra (Jesus Cristo) que os construtores (a liderança religiosa) rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular e: pedra de tropeço e rocha de ofensa.” O Ap. Pedro citou essa profecia perante o Sinédrio em Jerusalém, na esperança de amolecer a consciência empedernida dessa liderança. E, para enfatizar a unicidade de Jesus Cristo, acrescentou: “E não há salvação em nenhum outro: porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. At 4:11-12. De fato, Cristo se tornou “a principal pedra”.

Por que essa rejeição? Por que Jesus se tornou “pedra de tropeço e rocha de ofensa” para tantas pessoas? Porque Cristo, o enviado por Deus, anulava o valor dos esforços orgulhosos para merecer a própria salvação. Como podemos descrever esse plano para merecer a salvação? O Ap. Paulo responde: “Porquanto (os judeus e toda a humanidade) desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus”. Rm 10:3. Eles não conhecem a justiça que vem de Deus porque não querem obedecer ao claro ensino das Escrituras Sagradas. Estevão acusou os membros do Sinédrio, dizendo: “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram os vossos pais, também vós fazeis". At 7:51.

A justiça que vem de Deus foi adquirida mediante a perfeita obediência de Jesus Cristo e a sua morte substitutiva para levar para longe o nosso pecado. Essa justiça é tomada e imputada a todos os que crêem em Jesus Cristo, sem qualquer ato merecedor. Para receber essa justiça, o pecador tem que se humilhar e desprezar todas as suas boas obras, porque ninguém será justificado pelas obras da lei, Rm 3:20. É nesse ponto que tantas pessoas tropeçam. É difícil demais se humilhar e receber, gratuitamente, a justiça que Deus lhe oferece. O orgulho e a auto-suficiência são fortes demais. “São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos”.

3) A Preocupação por Cristo: Apesar de Cristo ser “pedra de tropeço” para muitos, para nós, que somos salvos, “poder de Deus”. I Co 1:18. Assim, devemos cultivar uma preocupação por Cristo, um zelo pela santidade de seu nome. Vamos viver de acordo com a nossa elevação espiritual.

a) A nossa vocação: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus”. Somos um povo à parte, eleitos por Deus. Por isso, somos exortados: “procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição”. II Pe 1:10. Confirmamos a nossa eleição quando evidenciamos o poder transformador do evangelho em nosso procedimento diário. Somos “sacerdócio real”, separados do mundo para servir a Deus em santidade. Somos uma “nação santa”, propriedade exclusiva de Deus, um povo que obedece ao seu Redentor. “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.” I Co 6:20.

b) A nossa missão: “A fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.” Glorificamos a Deus quando anunciamos os seus grandes feitos em favor do seu povo, e, especificamente, a obra para a salvação de pecadores: “Mas Deus prova o seu grande amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” Rm 5:8. “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados”. I Jo 4:10. Essas são as virtudes que temos de proclamar.

c) A nossa experiência: Não apenas ouvimos acerca das virtudes de Deus, mas, também, podemos experimentar a atuação delas em nossa própria vida. Veja como o versículo 10 corrobora com esta realidade: “Vós, sim, que antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.” Observemos as duas comparações: o que éramos em nosso estado natural, e, agora, o que somos por causa da intervenção soberana da graça de Deus em nossa vida.

Éramos um povo sem Deus e sem esperança, “como meninos agitados de um lado para o outro e levados ao redor por todo vento de doutrina (filosofias humanas), pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.” Ef 2:12; 4:14. Mas, agora, tudo é diferente, pois, pela fé em Jesus Cristo, obtivemos uma identidade, somos filhos e filhas do Deus Todo Poderoso, II Co 6:18. Que maravilha! Que motivo de gratidão!

Desconhecíamos a misericórdia, e, perante a santa lei de Deus, éramos filhos da ira e merecedores do castigo eterno, por causa do nosso pecado. Mas, pela atuação soberana do Espírito Santo, fomos conduzidos a Jesus Cristo, e, nele, pela fé, alcançamos a misericórdia de Deus. “A ele, pois, a glória eternamente”. Rm 11:36.

Conclusão: Nós, os que cremos em Cristo Jesus, temos alcançado inúmeras bênçãos espirituais, enquanto outros permanecem nas trevas de seus pecados. Portanto, sejamos testemunhas fiéis, “a fim de vivermos de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus.” Cl 1:10.