Vasos de Honra

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O QUARTO MANDAMENTO





“Eu sou o Senhor teu Deus... Lembra-te do dia de sábado, para santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho, nem tu, nem o teu filho, nem a tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o forasteiro das tuas portas para dentro; porque em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há e, ao sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou” Ex.20:2, 8-11.

            O que significa isto? Devemos temer e amar a Deus, pois Ele é o nosso Legislador. “O Quarto Mandamento exige que consagremos a Deus os tempos determinados em sua Palavra, particularmente um dia inteiro em cada sete dias, para ser um dia de santo descanso a Ele dedicado” Resposta 58 do Breve Catecismo. O Quarto Mandamento não se refere apenas à liturgia religiosa, sem maiores implicações; antes, o seu propósito é moral, o homem precisa deste dia para que chegue à devida varonilidade moral e espiritual, pois, sem esta, ele permanece na imaturidade, agitado por todo vento de doutrinas destruidoras, Ef. 4:27-18. Por isso, Cristo disse: “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; de sorte que o Filho do homem é o Senhor também do sábado” Mc.2:27-28. Não é o sábado que é carente e sim, o homem. Esta necessidade existia antes do pecado, pois, mesmo na inocência do Jardim do Édem, o homem precisava deste alento restaurador; e o Senhor, em sua providência sábia, deu-lhe um dia em cada sete, para descansar.
           
1. A Consagração Pública do Dia.  É importante que entendamos o uso do termo: “O Senhor descansou”. Isto é, cessou de fazer as obras da criação, (chamando à existência as coisas que não existiam) contudo, não entrou num estado de inatividade; antes, logo começou com as suas atividades de providência,  manutenção e governo da criação. Em relação ao sábado, Cristo informou: “Meu Pai trabalha até agora (nunca parou), e eu trabalho também” Jo.5:17. Semelhantemente, o homem trabalha durante seis dias, realizando todos os seus interesses seculares, mas no dia de descanso, ele não faz mais este tipo de atividade; o sétimo dia é dedicado ao serviço do Senhor. Não é um dia de inatividade, ao contrário, o tempo todo é tomado de exercícios espirituais. No Antigo Testamento, estas atividades foram relacionadas ao ministério espiritual do Templo. “Na verdade, amas ao povo; todos os teus santos estão na tua mão; eles se colocam a teus pés e aprendem as tuas palavras” Dt.33:3. E, de forma semelhante, as atividades do povo de Deus no dia do Senhor, o nosso Domingo, são relacionadas ao ministério da Igreja. “No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão... Paulo exortava-os” At.20:7; I Co.16:2. Devemos lembrar de uma frase inseparavelmente ligada ao dia do Senhor: “Para o santificar.” Santificar tem um duplo sentido: separar dos demais, colocar à parte, ficando, assim, totalmente distinto e singular. Mas essa separação é para um fim, é separado e consagrado ao Senhor, Ex.31:15. Por isso, o Catecismo de Heidelberg orienta: Pergunta 103.  “O que Deus ordena no Quarto Mandamento?” Resposta. Primeiro: o ministério do Evangelho e as escolas cristãs devem ser mantidas (uma referência às atividades dominicais das Igrejas locais: os cultos em horários anunciados, classe de catecúmenos e serviços diretamente ligados à nossa obediência, próprios para o dia do Senhor), e eu devo reunir-me fielmente com o povo de Deus, especialmente no dia de  descanso, para conhecer a Palavra de Deus, para participar dos sacramentos, para invocar publicamente ao Senhor Deus e para praticar caridade cristã para com os necessitados.” Observemos os motivos de nos reunirmos com o povo de Deus: a nossa edificação espiritual é de suma importância para que tenhamos forças para perseverar na vida cristã. E a prática da caridade cristã para com os necessitados, tal como visitas de apoio fraternal, é igualmente importante como parte do nosso testemunho. Alguns reclamam dizendo que o dia do Senhor é “cansativo”, “não tenho o que fazer”. Ora, os dias da semana, normalmente, são cheios e repletos de realizações. Por quê? Porque são programados, sabemos o que temos de fazer durante o decorrer do dia. Da mesma forma, devemos planejar as nossas atividades para o Domingo e para a glória  do Senhor. Assim, o dia não será “cansativo” e, como recompensa, seremos grandemente abençoados. Convém lembrar: o sábado (dia do Senhor) foi instituído para o bem total do homem; ele precisa das providências especiais deste repouso e, de uma maneira concentrada, deve se submeter ao senhorio que Jesus Cristo tem sobre o seu dia. A pessoa que faz pouco caso das normas cultuais do Domingo, faz pouco caso do Senhor deste dia. E as conseqüências deste desprezo são demasiadamente terríveis para tentar qualquer desobediência. Israel foi arruinado e desterrado por causa da transgressão do Quarto Mandamento, Ne.13:17-18.

            2. A Consagração Pessoal do Dia.  Temos falado sobre a importância de guardar o Domingo de acordo com o claro ensino das Escrituras Sagradas. Agora, vamos refletir sobre a importância da nossa consagração pessoal neste dia. O Catecismo de Heidelberg orienta: Resposta.  “Segundo: Eu devo, todos os dias da minha vida, desistir das más obras (das desobediências), deixando o Senhor operar em mim por seu Espírito. Assim, começo nesta vida o descanso eterno”. Desta parte da resposta, podemos observar três princípios:
            a) Uma atitude de arrependimento. Todos os dias da nossa vida devemos conscientemente “desistir das más obras”. Devemos vigiar e orar para não cair em tentação. É tão fácil praticar certas negligências que, na verdade, são formas de desobediência. Ora, “o pecado é a transgressão da lei” I Jo. 3:4. Mas, no dia do Senhor, estamos especialmente expostos à prática destas “obras más”, tais como: cuidar dos nossos próprios interesses; desonrar o dia seguindo os nossos próprios caminhos; fazer a nossa própria vontade; e, falar palavras vãs, assuntos que não têm nenhuma referência aos interesses de Deus. Arrependimento significa não apenas tristeza pelo pecado, mas, também, o abandono definitivo do mesmo, Is.58:13.
            b) Uma dependência do ministério do Espírito Santo. “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” Rm.8:14. O Espírito Santo tem uma única maneira para nos guiar. Ele toma as Escrituras e aplica os seus ensinos às nossas necessidades diárias. Por isso a importância da leitura assídua da Palavra de Deus, At.28:5; I Co.2:10-14.
            c) Uma preparação para a vida vindoura. O dia do Senhor é um descanso, um refrigério para podermos continuar firmes e inabaláveis na fé. Através deste dia, podemos experimentar as primícias da vida vindoura, o descanso eterno, Hb.4:9-10. Quando este dia é devidamente observado, será um tempo santo e deleitoso, e qual o resultado? Deus prometeu: “Eu te farei cavalgar sobre os altos da terra e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai, porque a boca do Senhor o disse” Is.58:14. Deus tem uma benção especial reservada àqueles que reconhecem a santidade deste dia.  
           
3. A Consagração Perpétua do Dia.  O sétimo dia tem seu aspecto temporal, porque é a experiência do povo aqui na terra; contudo, seu sentido maior é espiritual e se estende pela eternidade, Ex.31:16; Hb.4:9. Devemos estudar para entender o que Deus está dizendo através da observância desta lei. Certamente é muito mais do que um mero descanso semanal. O mandato da criação é: “Seis dias se trabalhará, porém o sétimo dia é o sábado do repouso solene, santo ao Senhor” Ex.31:15. Observemos a seqüência: seis dias de trabalho e um de “repouso solene”. Este é um dia separado dos demais, pois pertence exclusivamente aos interesses do Senhor; é Ele que o administra, preparando o seu povo para o descanso eterno. Esta vida é “de trabalhos e fadigas”, por isso, somos alimentados com a esperança de algo melhor, “um repouso para o povo de Deus” Gn.5:29; Hb.4:1-11. “O sábado é um símbolo da soberania de Deus sobre todo o universo criado (Ex.20:8). Recorda a redenção que Deus propicia a seu povo (Dt.5:12) e é uma representação da esperança de descanso eterno, na consumação (Hb.4:9). Jesus como Senhor do sábado cumpre todos os aspectos do significado (Cl.2:16-17).”  Bíblia de Genebra, nota sobre Mt.12:2.
            Por que, no Novo Testamento, o primeiro dia da semana é observado para prestar culto a Deus, em vez do sábado, como no Antigo Testamento? Os dois Testamentos descrevem duas formas diferentes de administrar os propósitos redentores de Deus entre a humanidade. O Antigo é prospectivo, preparando o povo para o prometido Salvador. Este preparo envolvia a vida total, social e religiosa. O Novo Testamento é retrospectivo, ensinando o povo a contemplar o cumprimento das promessas salvadoras através da morte vicária e da ressurreição vencedora de Jesus Cristo.
            A mudança administrativa do Antigo para o Novo Testamento é implícita, e não explícita. O próprio Deus, em seu governo soberano, efetuou as mudanças necessárias. Todo o sistema levítico foi abolido com a destruição do Templo em Jerusalém, o centro do culto vétero-testamentário. O sábado, como um dia de calendário, juntamente com seus rituais, também desapareceu. Mas, o Quarto Mandamento, o dia de descanso semanal, continua, consagrando o Domingo para prestar culto a Deus, porque todas as aparições do Cristo ressurreto aconteceram exclusivamente no primeiro dia da semana, Jo.20:1,26; At.20:7; I Co.16:2. Este dia foi consagrado “Dia do Senhor”em virtude da ressurreição de Cristo e da sua vitória sobre o pecado e a Morte, Ap.1:10. A transição tem essa explanação bíblica: “Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa da sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus” Hb. 7:18-19. “Remove o primeiro para estabelecer o segundo” Hb. 10:9.

sábado, 17 de setembro de 2011

O TERCEIRO MANDAMENTO




“Eu sou o Senhor teu Deus... Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar seu nome em vão” Ex.20:2, 7.

O que significa isto? Devemos temer e amar a Deus, pois Ele é nosso Legislador. “O terceiro Mandamento exige o santo e reverente uso dos nomes, títulos, atributos, ordenanças, palavras e obras de Deus” Resp. 54 do Breve Catecismo. Um nome não apenas identifica uma pessoa, mas também descreve seu caráter. A Bíblia registra: “Nabal é o seu nome, e a loucura está com ele; porque o que significa o seu nome ele é” 1 Sm.25:25. A aversão geralmente se manifesta através do abuso do nome da pessoa odiada, em conseqüência, seu caráter é difamado. Por isso, tomar o nome do Senhor em vão é um atentado contra a santidade e a unicidade do caráter de Deus; um pecado gravíssimo, “porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”. “Conhecido é Deus em Judá; grande o seu nome em Israel”. Como? Através da majestade soberana da sua Pessoa. “Tu, sim, és terrível; se tu iras, quem pode subsistir à tua vista?” Ele é um Deus que age e executa conforme a sua própria vontade,      Sl.76:1-12.

1. As Invocações Profligadoras (destruidoras). Tomar o nome do Senhor em vão tem um efeito destruidor, que joga por terra todos os princípios de reverência; por isso, a proibição: “Não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão”; e, a sentença, no caso de transgressão: “porque o Senhor não terá por inocente o que tomar seu nome em vão”. Pergunta 99. “O que Deus exige no Terceiro Mandamento?” Resposta: “Não devemos blasfemar ou profanar o santo nome de Deus por maldições ou juramentos desnecessários. Também não devemos tomar parte em pecados tão terríveis, ficando calados quando os ouvimos. Em resumo, devemos usar o nome de Deus somente com temor e reverência a fim de que Ele, por nós, seja devidamente confessado, invocado e glorificado por todas as nossas palavras e obras”.
a) O termo: “Não tomarás (não terás nos lábios, Sl.50:16) o nome do Senhor, teu Deus, em vão (sem uma boa e santa razão).” O salmista resolveu: “Os meus lábios não pronunciarão” (o nome de outros deuses, nem qualquer outra palavra que possa ferir a santidade inviolável de Deus, Sl.16:4; 19:14).
I) O nome do Senhor é profanado através do uso de palavras torpes, expressões indecentes e impróprias para os lábios daquele que foi criado à imagem de Deus. Por exemplo: Meu Deus; Senhor; formas de invocação: vai para o inferno, etc; invocação de nomes de idolatria: Nossa Senhora; Virgem, etc. Tais palavras não são manifestações reverentes de culto, porque são usadas como exclamações de surpresa, alegria ou desgosto, etc.
II) O nome do Senhor é profanado através de falsos juramentos: Juro por Deus, Prometo, quando na realidade, a pessoa não pode e nem pretende cumprir o que diz.
III) O nome do Senhor é profanado quando se faz juramentos desnecessários. Muitas vezes, o simples Sim ou Não é suficiente, Mt. 5:33-37.
IV) Este mau uso de palavras profliga a pessoa, “porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”. Cristo advertiu: “Digo-vos que toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia do juízo: porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado” Mt. 12:36-37.
V) Como cristãos, reverenciamos o santo nome do Senhor; além de não tomar parte em tais invocações e blasfêmias difamatórias, não devemos ficar calados quando as ouvimos. “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe (indecente); e sim unicamente a que for boa para edificação” Ef.4:29.
            b) Em resumo, por causa de sua natureza elevada e majestosa, devemos usar o santo nome de Deus somente com temor e reverência, em culto verdadeiro, a fim de que Ele, por nós, seja devidamente confessado, invocado e glorificado através de todas as nossas palavras e obras.
           
2. As Invocações Profanadoras. “O juramento legal é parte do culto religioso em que o crente em ocasiões próprias e com toda solenidade, chama a Deus por testemunha do que assevera ou promete (por exemplo: batismos, públicas profissões de fé, casamentos e ordenação para o oficialato na Igreja); pelo juramento ele invoca a Deus a fim de ser julgado por Ele, segundo a verdade ou falsidade do que jura” Confissão de Fé da IPB, 22:1. Portanto, o juramento falso é especificamente profanador. Em outros pecados, a consciência da presença de Deus, como Juiz, pode estar faltando, porém, pela própria natureza do juramento, a presença de Deus é reconhecida e invocada; o seu poder para julgar e castigar é confessado. Todavia, quando se jura falsamente, tudo isso é desprezado, como se não valesse nada. Este é um pecado praticado em plena consciência, portanto, inescusável; é o epítome da irreverência, porque não treme diante das ameaças do Deus Todo-Poderoso, aquele que tem poder para lançar o culpado no inferno, Lc.12:4-5. “Só mesmo quem quer arruinar-se é que pratica tal cousa” Pv.6:32.  Pergunta 100. “Será que blasfemar o nome de Deus por juramentos e maldições (como fez o Ap. Pedro, Mt.26:74) é um pecado tão grande que Deus se ira também contra aqueles que não se esforçam para impedir e proibir tal coisa”? Resposta. “Claro que sim, pois não há pecado maior ou que mais provoque a ira de Deus do que blasfemar o seu nome. Por isso, Ele mandava castigar com pena de morte”.
            O contexto deste artigo do Catecismo pode ser entendido pelo estudo de Levítico 24:10-16. Evidentemente, um certo homem, filho de casamento misto, mãe israelita e pai egípcio, não concordou com as leis de Deus e, no processo, não apenas manifestou o seu repúdio destas normas reguladoras, mas também blasfemou o nome do Senhor e o amaldiçoou, por ser Ele o Autor desta legislação. Em nossos dias, por causa do relativismo prevalecente, o nome do Senhor está sendo blasfemado por causa do Sétimo Mandamento. Reconhecemos as dificuldades relacionadas com o problema do adultério, porém, a Igreja não pode se calar e nem concordar com essa permissividade moderna. A missão do povo de Deus é vindicar a importância e a imutabilidade das soberanas determinações do Deus Santíssimo.
            Pergunta 101. “Mas, não podemos nós, de modo piedoso, fazer juramentos em nome de Deus?” Resposta. “Podemos sim, quando as autoridades o exigirem ou quando for preciso manter e promover a fidelidade e a verdade, para a glória de Deus e o bem-estar do próximo. Pois tal juramento está baseado na Palavra de Deus e era praticado, com razão, pelos santos do Antigo e do Novo Testamento”. Exemplos: Davi, 2Rs. 1:29- 30; Paulo 2Co.1:23. Quanto à exposição de Cristo sobre os juramentos, o que Ele condena, não é o preceito em si, mas a invocação de testemunhas mudas, Mt.5:33-37. Contudo, a validade da sua conclusão permanece: “Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno” V.37. Veja também Tiago 5:12.  
           
3. As Invocações Provocadoras.  O falso juramento é muito ofensivo a Deus, porque é uma afronta à essência da sua natureza imaculada. Mas o juramento pelos deuses inventados pelos homens é especialmente provocante, porque é o desprezo do Deus vivo e verdadeiro. Pergunta 102. “Podemos jurar também pelos santos ou por outras criaturas?” Resposta. “Não, porque o juramento legítimo é uma invocação a Deus, para que Ele, o único que conhece os corações, testemunhe a verdade e nos castigue se jurarmos falsamente. Tal honra não pertence a criatura alguma”.
            Devemos lembrar as implicações envolvidas no ato do juramento: invoca-se a Deus, para que Ele, o único que conhece os corações, testemunhe a verdade e castigue o juramento falso. Convém lembrar da imutabilidade, tanto das promessas como também das ameaças prescritas por Deus. Ele cumpre a sua palavra sem qualquer retratação. “O Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão”. O pecador procura fugir das implicações dos juramentos falsos através da invocação de objetos surdos e mudos que não podem visitar e nem castigar os mentirosos. Tais invocações incluem: os santos (nomes fantasiados pela mente pervertida pelo pecado) e objetos feitos santos, tais como: o céu, a terra, Jerusalém, a cabeça humana e tantos outros amparos esfarrapados, Mt.5:33-37.
            Um Esclarecimento Importante. Quanto às invocações populares, ouvimos várias justificativas, porém, não existe desculpa alguma que possa inocentar o transgressor do Terceiro Mandamento, senão por meio de um verdadeiro arrependimento e o abandono do mau costume, que é pecado. É dito: São hábitos! Ora, hábitos são adquiridos, e tudo que é aprendido, deve ser julgado quanto à propriedade de seu uso. Maus costumes não são justificados pelo uso popular. O ladrão rouba, porque é a sua tendência e instinto perverso, porém, ninguém o inocenta por ser este o seu hábito. É dito: É algo impensado! O privilégio e a dignidade do ser humano são a sua capacidade de pensar e chegar a conclusões que enobreçam a sua pessoa. E no caso de tomar o nome do Senhor em vão, ou falar uma mentira impensada? Será que a sua degradação intelectual é tão grande que não tenha vocabulário suficiente para se expressar sem o uso irreverente de termos que pertencem à santidade de Deus? Que o temor do Senhor seja o nosso árbitro no uso das palavras que proferimos com a nossa boca. “Pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca”.  I Pe. 2:21-24.

sábado, 10 de setembro de 2011

O SEGUNDO MANDAMENTO



“Eu sou o Senhor teu Deus... Não fará para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos” Ex. 20:2, 4-6.

            O que significa isto? Devemos temer e amar a Deus, pois Ele é nosso Legislador. “O Segundo Mandamento exige que recebamos e guardemos puros e inteiros todo o culto e ordenanças religiosas que Deus institui na sua Palavra” Resp. 50 do Breve Catecismo. Observemos que a ênfase deste mandamento recai sobre a maneira pela qual devemos prestar culto a Deus; não pode ser por meio de representações visíveis ou qualquer outra maneira não prescrita na sua Palavra. A ordem é esta: “Vê que faças todas as causas de acordo com o modelo que te foi mostrado no monte” Hb. 8:5; nós somos apenas servos que obedecemos estritamente às ordens recebidas.
           
1. A Natureza Mentirosa da Imagem. Qualquer imagem de seres celestiais é, de necessidade, uma mentira, algo feito para desviar o incauto das realidades espirituais, pois afirma fazer e representar o que é impossível. Ninguém jamais subiu ao céu a fim de reportar sobre a aparência de seus habitantes. Além disso, tanto Deus como os anjos são espíritos, seres invisíveis aos olhos humanos e, portanto, não podem ser representados por meios de escultura. Pergunta 96.  “O que Deus exige no Segundo Mandamento?” Resposta. “Não podemos, de maneira alguma, representar Deus por imagem ou figura. Devemos adorá-lo somente da maneira que Ele ordenou em sua Palavra”.
            a) O preceito negativo. É categoricamente proibido fazer imagens ou representações de seres espirituais. “Guardai, pois, cuidadosamente, a vossa alma, pois aparência nenhuma viste no dia em que o Senhor, vosso Deus, vos falou em Horebe, no meio do fogo, para que não vos corrompais” Dt. 4:15-16. A imagem, por ser uma mentira, tem efeito maléfico sobre a vida espiritual do homem, pois a sua alma fica impossibilitada de perceber os valores espirituais que são recebidos somente pela fé, e o culto que procura oferecer a Deus, consequentemente, fica totalmente corrompido e inaceitável. A degradação moral e espiritual do homem está diretamente ligada à idolatria, a perversão do culto instituído por Deus. 
            b) O preceito positivo. A Confissão de Fé da IPB nos oferece este esclarecimento: “A luz da natureza mostra que há um Deus, que tem domínio e soberania sobre tudo, que é bom e faz bem a todos, e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e de toda força; mas, o modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por Ele mesmo”. Por ter sido criado à imagem de Deus, a vocação inata do homem é buscar e adorar a Deus; mas, por causa do pecado, este instinto ficou corrompido e, agora, manifesta-se através das muitas formas de idolatria. Sim, Deus está procurando adoradores, porém, aceita somente aqueles que o adoram em espírito (sem representações) e em verdade (de acordo com o claro ensino das Escrituras Sagradas), Jo. 4:23-24. “Vinde adoremos e prostremo-nos; ajoelhados diante do Senhor, que nos criou. Ele é o nosso Deus, e nós, povo de seu pasto e ovelhas de sua mão” Sl. 95:6-7. “Servi ao Senhor com alegria” Sl. 100:2.

         2. A Natureza Medonha da Imagem.  A imagem cultual sempre tem uma aparência medonha e irreal; produto de uma imaginação pervertida pelo domínio do pecado. Não apenas as imagens da antiga Grécia, mas as da religião popular moderna também têm a mesma origem e são uma ofensa às perfeições intocáveis de Deus, um insulto à sensibilidade espiritual dos piedosos que temem a Deus. Pergunta 97. “Não se pode fazer imagem alguma”? Resposta. “Não se pode nem se deve fazer nenhuma imagem de Deus. As criaturas podem ser representadas, mas Deus nos proíbe fazer ou ter imagens delas para adorá-las ou para servir a Deus por meio delas”.
            a) O Mandamento é específico e categórico: “Não farás para ti imagem de escultura... Não as adorarás, nem lhes darás culto”. A Bíblia ensina que “Deus é espírito”. Ele não tem substância material e visível aos olhos humanos, portanto, tentar fazer qualquer representação visível dele é uma afronta que Ele não pode tolerar. Por isso, este mandamento tem um anexo que justifica a proibição: Ele visita e castiga a iniqüidade dos transgressores, pois, através da sua idolatria, manifestam a sua oposição à vontade de Deus; eles o aborrecem. Mas, por outro lado, aqueles que amam a Deus e guardam os seus mandamentos, são recompensados com grandes medidas de misericórdia. O Ap. Paulo fez referências a estes dois aspectos complementares da natureza divina: “Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram (cortados por causa da sua incredulidade), severidade; mas, para contigo (os que crêem e obedecem), a bondade de Deus, se nela permaneceres; doutra sorte, também tu serás cortado” Rm.11:22.
            b) A proibição neste Mandamento se refere às esculturas empregadas no culto a Deus. A lei não condena o uso de esculturas para fins ornamentais. Contudo, esta liberdade se refere aos objetos que existem neste mundo, animais, pássaros e partes da natureza que Deus criou para o nosso uso. Estes objetos ornamentais não podem ter nenhuma semelhança com as imagens cultuais. Como cristãos e tementes a Deus, temos de abster-nos de toda forma do mal, isto é, abster-nos de todas as aparências de idolatria, 1Ts.5:22. A norma bíblica é esta: “Não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão” Rm.14:13. Moisés fez uma serpente de bronze, de acordo com a direção de Deus, porém, quando esta se tornou em objeto de culto, foi totalmente destruída, Nm. 21:4-9; 2 Rs.18:4.

3. A Natureza Mediante da Imagem.  De certa forma, o homem sente a sua inferioridade, no sentido de que não pode ir diretamente aos deuses (os seres superiores), por isso, insiste no uso da mediania que auxilia esta aproximação. E a imagem, por ser algo representativo acessível, serve como mediante em sua busca de favores especiais. Pergunta 98. “Mas não podem ser toleradas as imagens nas igrejas como “livros para os ignorantes”? Resposta. “Não, porque não devemos ser mais sábios do que Deus. Ele não quer ensinar a seu povo por meio de ídolos mudos, mas pela pregação viva de sua Palavra”.

Reconhecemos que Deus tem nos dado uma revelação confiável de si mesmo e, “para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne da malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna a Escritura Sagrada indispensável, tendo cessado aqueles antigos modos de Deus revelar a sua vontade ao seu povo” Confissão de Fé da IPB. E o Deus que nos deu as Escrituras Sagradas, também nos deu os recursos necessários para compreendê-las de uma forma esclarecedora. Cristo falou da importância de examinar as Escrituras, porque elas contêm o plano da salvação e testificam do poder salvador de Jesus Cristo, Jo.5:39. O Ap. Paulo, encorajando Timóteo, escreveu: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste (uma referência à instrução recebida de sua mãe, de sua avó e do Apóstolo, sem esquecer da obra aplicadora do Espírito Santo, todos usando as Escrituras Sagradas). E que, desde a infância, sabes as Sagradas Letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus” 2 Tm. 3:14-15.

O homem pecador insiste em usar seus próprios métodos para prestar culto a Deus. Esta perversão espiritual manifesta-se através do uso de imagens e de outras invenções humanas. O profeta descreveu a futilidade destes recursos carnais. “Que proveita o ídolo, visto que seu artífice o esculpiu? E a imagem de fundição, mestre de mentiras, para que o artífice confie na obra, fazendo ídolos mudos? Ai daquele que diz à madeira: Acorda! E à pedra muda: Desperta! Pode o ídolo ensinar? Eis que está coberto de ouro e de prata, mas, no seu interior, não há fôlego nenhum” Hc.2:18-19. 



           Deus tem nos dado três recursos pelos quais podemos conhecer, satisfatoriamente, toda a sua vontade para cada área de nossa vida. O primeiro é a Bíblia, a única regra de fé e prática. “A coisa principal que as Escrituras nos ensinam é o que o homem deve crer acerca de Deus, e o dever que Deus requer do homem”. Breve Catecismo, Resposta 3. O segundo, são os ministros da Igreja, cuja missão é a edificação do povo de Deus através da fiel exposição e pregação da Bíblia. At 17:10-12; Ef 4:11-14. E o terceiro, é o dom de Espírito Santo, cuja missão é aplicar a Palavra de Deus às necessidades espirituais de seus ouvintes, Jo.14:26; 16:13; Ef.3:14-19. Estes, por serem os recursos dados por Deus para a devida compreensão da sua vontade, são dignos de toda a nossa confiança. Usemos estes recursos pela fé, pois sem fé é impossível agradar a Deus, Hb.11:6. “E tudo o que não provém de fé é pecado. Fé, isto é, total confiança na inerrância  das promessas de Deus. “A Escritura não pode falhar” Jo:10:35.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O PRIMEIRO MANDAMENTO




“Eu sou o Senhor, teu Deus... Não terás outros deuses diante de mim” Ex. 20:2-3.

 O que significa isto? Devemos temer e amar a Deus, pois Ele é o nosso Legislador. “O Primeiro Mandamento exige de nós o conhecer e reconhecer a Deus como o único Deus verdadeiro e o nosso Deus; e, como tal, adorá-lo” Resposta 46 do Breve Catecismo. Observemos a tríplice natureza do nosso dever diante de Deus:
            a) Devemos conhecer a Deus, e isto é possível, pois Ele mesmo nos deu uma revelação suficiente da sua Pessoa e do que Ele requer de nós. Este conhecimento se encontra:
 I) Na natureza. “Os céus proclamam a glória de Deus” Sl. 19:1. “O que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles (os homens), porque Deus lhe manifestou” Rm. 1:19-20;
II) Na consciência do homem. O homem tem o conhecimento de Deus, porque foi criado à semelhança dele, mas, por causa do pecado, este conhecimento não foi desenvolvido nem obedecido, Rm. 1:21; 2:14-16. O Ap. João fala do “testemunho de Deus” e da obra do Espírito Santo na experiência do homem, 1Jo. 5:6, 9; 
III) Na Bíblia. A Palavra de Deus escrita é a única revelação inerrante da Pessoa de Deus, portanto, deve ser estudada diligentemente e crida de todo o coração, “a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperanças” Rm.15:4; 2Tm. 3:14-17.
            b) Devemos reconhecer este Deus como o único Deus vivo e verdadeiro. Embora os homens falem de muitos deuses, “Ele é o único (Deus), e não há outro senão Ele” Mc.12:28-34.
            c) Devemos adorar este Deus, pois Ele é o nosso Criador, Redentor e Senhor. Adorar significa sentir a sublimidade imensurável da sua Pessoa, por isso, prostramo-nos diante dele em reverência, amor e temor, prontos para prestar-lhe uma obediência total em todas as áreas de sua vontade revelada nas Escrituras Sagradas. “Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor requer de ti? Não é que temes o Senhor, teu Deus, e andes em todos os caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma, para guardares os mandamentos do Senhor e os seus estatutos que hoje te ordeno, para o teu bem”? Dt.10:12.
           
1. A Idolatria Desprezada. Quando Cristo é a nossa suficiência, podemos desprezar todos os demais supostos auxílios, porque Ele é o Mediador designado por Deus, para administrar os valores da Nova Aliança. Pergunta 94. “O que Deus ordena no Primeiro Mandamento?” Resposta. “Primeiro: no mesmo sentido em que desejo a minha salvação, assim, devo evitar e fugir de toda idolatria, feitiçaria, adivinhação e superstição. Também não posso invocar os santos ou outras criaturas”.
            A idolatria se apresenta de muitas formas diferentes. O Catecismo menciona algumas que, identificadas, devem ser desprezadas com uma santa repulsa.
            a) O perigo da idolatria. A idolatria promove o sincretismo (a fusão de doutrinas contraditórias), por isso, impossibilita a salvação daquele que a pratica. A esperança da vida eterna é recebida somente pela fé em Jesus Cristo; uma fé dividida entre dois objetos não é fé. O assunto é encerrado desta maneira: “Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida” 1 Jo.5:12. Convém lembrar que idólatras jamais herdarão o reino de Deus, 1 Co.6:9-10.
            b) As formas de idolatria:
I) Feitiçaria. É a invocação dos poderes malignos a fim de alcançar certos desejos que o verdadeiro Deus não pode conceder. Assim, estas práticas são um insulto à soberania de Deus.
II) Adivinhação. O conhecimento do futuro, ou de coisas invisíveis e não reveladas, pertence exclusivamente a Deus. O pecador que não tem nenhuma comunhão espiritual com Deus recorre ao uso de artes mágicas e de todo tipo de mentira na esperança de desvendar o desconhecido - uma outra maneira para descartar a soberania de Deus.
III) Superstição. O ato de atribuir poderes a certos acontecimentos casuais ou datas de calendário - as possibilidades são inúmeras. Novamente, tais crendices são uma ofensa contra a sabedoria de Deus. Portanto, a necessidade de desprezar e fugir de tais costumes.
            c) A insolência da idolatria. “Também não posso invocar santos ou outras criaturas.” Somente Deus é onisciente, onipresente e onipotente para ouvir os clamores aqui na terra. A invocação de outras criaturas pressupõe o endeusamento destes seres, atribuindo-lhes poderes que pertencem exclusivamente à soberania de Deus, Criador dos céus e da terra. “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus” 1 Tm. 2:5. A invocação de seres estranhos é repetidamente condenada nas Escrituras Sagradas. “Porque o Senhor, teu Deus, é fogo que consome, é Deus zeloso” Dt. 4:24. Ele não aceita de forma alguma a intercalação de outros deuses. O certo é: “Meus amados, fugi da idolatria” 1 Co. 10:14.

2. A Idolatria Despojada. Com todas as formas de idolatria despojadas, estamos livres para adorar a Deus em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adorantes, Jo.4:23. Resposta. “Segundo: devo reconhecer devidamente o único e verdadeiro Deus, confiar somente nele, me submeter somente a Ele com toda humildade e paciência. Devo amar, temer e honrar a Deus de todo o coração, e esperar todo o bem somente dele. Em resumo, é preferível abandonar todas as criaturas a fazer a menor coisa contra a vontade de Deus”.
            Dentro do contexto desta resposta, “reconhecer” significa, pelo menos, quatro disposições de procedimento.
a) Entendemos que Deus pode ser reconhecido através da auto-revelação de seus atributos, as características da sua natureza essencial. “O que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles (os homens), porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhece, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso (por causa desta auto-revelação de Deus), indesculpáveis” Rm. 1:19-20. Entre outras características, o Breve Catecismo da IPB destaca as seguintes: “Sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade” Resp. N°4. Podemos sentir a reação de Moisés: “E, passando o Senhor por diante dele, clamou: Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado...” Ex. 34:6-7.
b) Este conhecimento, se, de fato temos aprendido, nos estimulará a “confiar somente nele e a nos submeter somente a Ele com toda humildade e paciência”. Esta disposição é necessária porque nem sempre compreendemos as suas providências.
c) Este novo conhecimento produzirá atitudes permanentes em todos os que nele crêem. “Devo honrar, amar e temer a Deus de todo o coração, e esperar todo o bem somente dele”. Cristo descreveu esta nova disposição expondo a primazia da lei do amor, Lc.10:27; e a lei das prioridades: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino (o reino de Deus) e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas” Mt.6:33.
d) Este conhecimento nos dará o desejo de nos apresentarmos a Deus para obedecer-lhe em tudo. Temos de usar a abnegação, porque “é preferível abandonar todas as criaturas a fazer a menor coisa contra a vontade de Deus”.

3. A Idolatria Definida. Idolatria é aquele objeto ou desejo que toma o lugar que pertence exclusivamente a Deus, em termos de preferência imediata. Cristo disse: “Ninguém pode servir a dois senhores (que têm prerrogativas iguais); porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas” Mt. 6:24.
Pergunta 95. “Que é idolatria?” Resposta: “Idolatria é inventar ou ter alguma coisa em que se deposite confiança, em lugar ou ao lado do único e verdadeiro Deus que se revelou em sua Palavra”.
            Idolatria nem sempre é uma rejeição do Deus vivo e verdadeiro; antes, o problema está com o sincretismo e uma mudança na maneira de prestar culto a Deus. Um exemplo clássico desta modificação foi o ato de Joroboão, quando inaugurou as cidades de Betel e Dã como os lugares mais acessíveis para fazer os sacrifícios a Deus, em vez de subir para Jerusalém, a cidade autorizada. E, para fazer a substituição mais visível e convidativa, colocou nelas os bezerros de ouro, atribuindo-lhes poderes divinos, o que se tornou pecado, 1 Rs.12:25-33.a
            A nossa Igreja ensina: “O modo aceitável de adorar o verdadeiro Deus é instituído por Ele mesmo, e é tão limitado pela sua própria vontade revelada, que Ele não pode ser adorado segundo as imaginações e invenções dos homens, ou sugestões de Satanás, nem sob qualquer representação visível, ou de qualquer outro modo não prescrito nas Santas Escrituras” Confissão de Fé, 21:1. Quando Israel transgrediu os princípios estabelecidos por Deus para oferecer-lhe um culto aceitável, foi severamente castigado, Ex.32:1-35.
            Outras formas de idolatria são: impureza sexual, avareza e glutonaria, Ef. 5:5-7; Fl.3:19; Cl. 3:5. Pessoas que praticam tais coisas jamais terão a vida eterna; antes “o destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na infâmia, visto que só se preocupam com as cousas terrenas”. “Portanto, meus amados, fugi da idolatria” 1Co. 10:14.       

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Boas Notícias





A todos os amados de Deus, que estais em Roma, chamados para serdes santos ...” (Rm 1:7)


O tema central da Epístola aos Romanos é a revelação da justiça de Deus e a sua  aplicação às necessidades espirituais do homem. Assim, este tema é básico à totalidade da experiência cristã, porque o homem não pode ter nenhuma comunhão com Deus até que haja aberto um caminho de aproximação. A carta aos Romanos descreve este caminho de aproximação a Deus.

1. Reverência às Escrituras. A fé cristã não é de origem humana. É um sistema de valores espirituais que o Deus vivo e verdadeiro entregou aos homens por intermédio dos seus profetas e apóstolos. Dependemos inteiramente das Escrituras porque elas são a inconfundível voz de Deus.

2. Reverência a Cristo . Ele é o eterno Filho de Deus; uma Divindade confirmada por Sua ressurreição dentre os mortos. Somos chamados para sermos de Jesus Cristo, uma vocação que se manifesta através de uma vida santa e irrepreensível.

3. Reverência ao Evangelho. Esta mensagem é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. os valores espirituais do Evangelho são recebidos por fé, uma fé que produz obediência e santidade entre todos os seus participantes. É uma mensagem de graça e paz da parte de Deus nosso Pai.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Por Que Devemos Freqüentar a Igreja?





Vamos abordar este assunto fazendo algumas perguntas e tentando descobrir algumas respostas razoáveis. A maioria de nós, que tem uma vida mais ou menos normal, tem um lugar que chamamos: Nossa Casa. Não tem importância as suas circunstâncias sociais, é Nossa casa. Por que temos tanto apego  a este lugar especifico? Talvez haja várias respostas, tais como:  é o lugar onde meus pais moram; ou, Eu tenho que ficar onde meus pais estão. Todos nós temos de ter um lugar fixo, onde podemos ir, descansar, dormir, abrigar-nos; enfim, um lugar onde podemos ficar à vontade e sentir uma certa segurança.

A nossa casa é realmente necessária? Como seria nossa vida se não tivéssemos esse lugar fixo que chamamos: Nossa casa?  A nossa vida seria bastante solitária e sem nenhuma segurança (semelhante àqueles que moram na rua). Não teríamos o apoio dos nossos pais e nem uma vida em família. Enfim, a nossa vida seria uma mera existência, sem direção e sem sentido. Alguém aqui tem lido aquele livro:  “Sem família”, de Hector Malot? O menino sofria todo tipo de privações e de abuso. Por quê? Ele não tinha família; vivia sem pai e sem irmãos, não tinha um lar.

Para onde estamos indo? Em todas as respostas sugeridas, a presença e o apoio dos pais estavam presentes. Dependemos deles para o nosso crescimento. Por outro lado, os nossos pais assumiram a responsabilidade de cuidar de nós. Nascemos com este conhecimento, porque sabemos que pertencemos a eles; por isso, quando precisamos de alguma coisa, sempre dirigimo-nos a eles, por causa dos laços que nos unem. Enfim, somos uma família. Os pais nos amam e nós os amamos.

Não podemos fugir da realidade deste laço que nos une aos nossos pais. Não tem importância o argumento de independência, o laço que existe, juntamente com todas as conseqüências desta realidade. Existimos, eu sou o que sou, porque fui gerado por meus pais. Todos os nossos antepassados dariam a mesma explanação de sua existência. Fomos gerados por nossos pais. Se não fosse assim, não haveria nenhuma forma de vida como nós a conhecemos. Mas se pudéssemos regressar até o primeiro homem, as perguntas seriam: Quem o gerou? Como é que ele veio a existir? Ele não surgiu do nada, isso seria uma impossibilidade. Temos que admitir que alguém deu a sua existência. E este alguém é Deus, o criador dos céus e da terra e de tudo o que neles existe. A doutrina da nossa Igreja Presbiteriana tem este ensino importante: “ A luz da natureza revela que existe um Deus que mantém o senhorio e soberania sobre tudo; que é bom e faz o bem a todos; portanto deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e todas as nossas forças” (Confissão de Fé 21:1).

No mesmo sentido  em que temos laços de família com os nossos pais, e a obrigação moral para reconhecê-los e respeitá-los como os nossos genitores, assim, temos elo semelhante diante de Deus. E, sendo o Grande Originador de toda a humanidade, Ele assumiu a responsabilidade de cuidar de nós e suprir cada uma das nossas necessidades; e nós, por causa dos laços de filiação, devemos a Ele o devido reconhecimento, obediência e respeito (No momento, não podemos discutir o estrago que o pecado causou neste relacionamento original. O sábio confessou: “Eis o que tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúciasEc. 7:29).

Qual é uma das providências de Deus para cuidar do bem total da humanidade? Sem dúvida alguma, é a sua Igreja, onde o povo pode sentir os laços da família espiritual e das providências de Deus para o seu bem total – um bem que se estende até a eternidade, a vida eterna. Para o povo de Deus, a Igreja é aquele lugar especifico onde as pessoas se encontram com o pai Celeste, e de onde desfrutam de todas as seguranças (bênçãos) espirituais, tão necessárias para seu bem total. A Igreja é a nossa casa espiritual, o lugar onde a família de Deus se encontra e desfruta daquela “comunhão com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo” (1 Jo. 1:3)

 É instrutivo ler a bíblia e sentir como o povo de Deus amava a casa do Senhor. O salmista testemunhou: “Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos... Bem-aventurados os que habitam na sua casa, louvam-te perpetuamente... Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meus Deus, a permanecer nas tendas da perversidade. Porque o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente” (Sl. 84: 1,4,10,11), E, o que é que vemos dentro da Igreja? Um povo congregado, cada pessoa dando plena atenção ao Dirigente. “Na verdade, o Senhor ama os povos; todos os seus santos estão na sua mão; eles se colocam  a seus pés e aprendem das palavras” (Dt. 33:3). É importante observar o valor que o Senhor Jesus dava à sua Igreja ( o lugar específico para prestar culto a Deus). Um dia, quando era ainda criança de doze anos, Ele deu uma pequena fuga, e quando encontrado por seus pais (José e Maria), ofereceu esta justificação: “Por que me procuráveis? Não sabeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?(Lc. 2:49). E quando Ele viu coisas inconvenientes acontecendo neste lugar de culto, repreendeu os responsáveis, dizendo “Tirai daqui estas cousas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio(Jo. 2:16).

Agora, voltando para a pergunta original: Por que devemos freqüentar a Igreja? Ou, fazendo outra pergunta semelhante: Por que  aceitamos a nossa casa como algo de suma importância?  A resposta é a mesma para as duas perguntas. Precisamos um lugar especifico para o nosso bem total. Precisamos da casa do nosso Senhor e salvador Jesus Cristo para nossa formação e segurança espiritual.Como estaríamos sem a proteção destas duas casas de abrigo? Seríamos reduzidos à mendicância, à semelhança das pessoas de rua; expostos a todo tipo de abuso, físico e moral; enfim, uma vida sem Deus e sem esperança.

Devemos aprender a observar e a analisar as coisas que acontecem ao nosso redor. Quais são os sentimentos da maioria daqueles que procuram viver sem um compromisso com Deus e com a sua Igreja? Depois que passa a euforia  dos “prazeres transitórios do pecado” (Hb. 11:25), o que resta  ?  Os tormentos de uma consciência acusadora ( At. 2:37). Por que existe suicídio? Sem dúvida alguma, em muitos casos, um pecado imperdoável foi praticado e, não podendo suportar as conseqüências de uma consciência acusadora, tais pessoas tentam fugir de suas angústias através do suicídio.

Ninguém de nós é tão forte que pode viver satisfatoriamente sem o amparo que Deus nos oferece através do ministério da Igreja. Não convém desprezar o que Deus julga importante  para o nosso bem total. Devemos assumir um compromisso de sempre estar na casa de Deus; não sozinhos, mas sim, convidando os nossos amigos e familiares e, certamente, ouviremo-los confessar: “alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor” (Sl 122:1).

Itajubá, 08 de Junho de 2005
Rev. Ivan G. G. Ross          

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A filha de Jairo



Esta leitura é o registro da ressurreição de uma menina com apenas doze anos. Não sabemos o nome dela, mas, para ajudar na compreensão deste milagre, nós a chamaremos de Talita, porque quando Jesus a viu, ele lhe deu uma ordem: “Talita cumi, que quer dizer: Menina, eu te mando, levanta-te,” E, apesar de estar morta, ela ouviu e obedeceu a ordem de Jesus “e pôs-se a andar.” Talita era filha única e muito querida pelos pais. Embora tivesse doze anos, e não fosse tão pequena assim, os pais gostava de chamá-la: “Minha filhinha” um nome que expressava a intensidade de seu amor para com ela.  Talita conquistara o amor de muitas pessoas por causa do seu jeito alegre. Mas, de repente, ela adoeceu e rapidamente piorou, até beirar a morte. Todos ficaram consternados. A doença é uma inimiga implacável, invade a família de todos, ninguém escapa, nem uma filha única, que é muito valorizada e amada pelos pais devotos. Mas, até nisso Talita era uma menina privilegiada, porque nasceu num lar cujos pais temiam a Deus.

No caso de doença, o clamor é sempre: “De onde me virá o socorro?” O pai de Talita sabia como responder, e,  externando a sua fé, disse: “O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra” Sl. 121:1-2. E, com esta esperança, ele se levantou  para expor a  dor de seu coração aos pés de Jesus, que estava ministrando a Palavra de Deus  naquele mesmo local. Ao chegar à presença de Jesus, ele “prostrou-se a seus pés e insistentemente lhe suplicou: Minha filhinha está à morte, vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e viverá.” Jairo tinha muita fé no poder e na compaixão de Jesus. Ele sabia que receberia boa resposta daquele que se compadece das tristezas de seu povo. Mas, a multidão que seguia a Jesus impediu uma chegada mais rápida. A doença fez seu trabalho funesto e Talita morreu. Agora, vamos ver o desenrolar da história:

1. Uma Palavra de Encorajamento, Vs. 35 36 . Jairo recebeu a notícia que temia. Alguém da sua casa chegou e sem qualquer pretexto de consideração, abruptamente lhe disse: “Tua filha já morreu.” Antes de sair da sua casa, Jairo testemunhara da sua fé no poder e compaixão de Jesus. Todos ouviram, porém, sem a mesma confiança. Quando o homem comunicou a notícia da morte de Talita, ele revelou a sua incredulidade, dizendo: “Por que ainda incomodas o Mestre?” É como se estivesse falando: O caso de Talita não tem mais jeito, a morte é o ponto final, ninguém tem  poder sobre a morte; nem o seu Mestre pode desfazer a morte. A incredulidade zomba daqueles que tem fé em Jesus Cristo, porém, o incrédulo sofre de um desespero que é pior do que a própria morte. Neste contexto de tentação, é importante observar a reação de Jesus e como Ele encorajou Jairo a perseverar em sua fé. Cristo não decepciona ninguém.

Em primeiro lugar, Jesus não se incomodou com tais palavras de incredulidade. Ele não deu ouvidos para aquela noticia desorientadora, pelo contrário, bloqueou o impacto dela, dizendo a Jairo: “Não temas, crê somente”. É como se estivesse falando: Não deixe as palavras de incredulidade sacudirem a sua confiança em meu poder. Você chegou a mim cheio de esperança; e eu não vou te desapontar. Basta continuar a crer, porque na vida espiritual, “andamos por fé e não pelo que vemos (ou ouvimos)” 2 Co. 5:7. Assim, Jesus e o pai de Talita caminharam para a casa onde a menina jazia.

“Não temas, crê somente”, e  palavras semelhantes de encorajamento têm sido o alimento espiritual para muitos daqueles que  têm que andar “ pelo vale da sombra da morte,” porque a promessa fortalecedora  é está: “O Senhor está comigo”, Sl. 23: 4.   O apóstolo Paulo  testemunhou do fruto da sua fé quando estava sendo julgado em Roma. Ninguém foi a seu favor, antes, todos o abandonaram. “Mas, o Senhor me assistiu e me revestiu de forças, para que, por meu intermédio, a pregação fosse plenamente cumprida, e todos os gentios a ouvissem.” E qual foi o resultado desta fé? “Fui libertado da boca do leão” ( o destino dos condenados em Roma) 2 Tm. 4:17. “E esta é a vitória que vence o mundo, a vossa fé” 1 Jo. 5:4.

2. Uma Palavra de Ensinamento, Vs. 37-40a. Nestes versículos, Cristo demonstra a veracidade de seu ensinamento sobre o seu poder para ressuscitar os mortos. Ao chegar na casa de Jairo, encontrou-a em alvoroço, choro e lástima, uma cena de desespero. Mas, quando Jesus lhes perguntou: “Por que estais em alvoroço e chorais? A criança não está morta.” Aqueles lamentadores logo revelaram a sua incredulidade a respeito de  seu poder, e riram-se dele. Notemos a hipocrisia que reina nesta cena agitada. Do choro lastimoso, eles logo passaram a rir e a zombar de Senhor. Mas, por causa desta falta de crédito na palavra de Jesus, eles tinham que sair da casa e não puderam testemunhar a ressurreição da menina. A incredulidade faz a pessoa perder as bênçãos que Deus derrama sobre aqueles que crêem.

O ensinamento de Jesus sobre a ressurreição é ainda mais especifico no Evangelho segundo João. Quando Ele disse a Marta: “Teu irmão há de ressurgir” e a reação foi espontânea “Eu sei, replicou Marta, que ele há de ressurgir na ressurreição do último dia”.Evidentemente, é mais fácil acreditar num evento futuro do que num milagre imediato. A esta resposta, Jesus deu o ensinamento mais esclarecedor sobre a ressurreição, dizendo: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crer em mim, ainda que morra viverá; e todo o que vive e crer em mim não morrerá eternamente” Jo. 11:23-26. Cristo tem poder para ressuscitar os mortos, uma verdade demonstrada pela ressurreição de Talita, e a de Lázaro foi mais uma prova do seu poder sobre a morte. Estes acontecimentos foram registrados “para que creiais que Jesus é o Cristo ( o prometido Salvador), o Filho de Deus , e para que crendo, tenhais a vida em seu nome” Jo. 20:31. “Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão”. E, para  qual fim? A fim de que cada um receba  segundo o seu procedimento, Jo. 5:28-29.

3. Uma Palavra de Envolvimento, vs 40b-42. Devemos lembrar que Jesus sempre tinha um envolvimento compassivo com aqueles que sofriam das desventuras desta vida. Por esta razão, Ele podia estender a sua mão para um leproso e purificá-lo, Mt. 8:1-4. Por causa deste envolvimento com a humanidade, Jesus tomou sobre si o pecado de seu povo e o expiou, dando-lhe, assim, o perdão e a esperança de vida eterna. E, por esta mesma razão, vemos Jesus caminhando para a casa de Jairo, onde a sua filha jazia morta. Ele se envolveu com a família enlutada.

Ao chegar na casa de Jairo, Jesus logo expulsou aqueles lamentadores incrédulos. A incredulidade não tem lugar onde o filho de Deus está presente. Em seguida, Jesus, juntamente com os pais de Talita, mais os três discípulos, entraram no lugar onde a menina jazia. Sem qualquer explicação, Jesus aproximou-se da menina, tomou a sua mão, e usando  uma linguagem coloquial  e conhecida, disse-lhe: “Talita  cumi, que quer dizer: menina, eu te mando, levanta-te!”  Certamente a mãe já tinha dito isso antes, chamando a filha para se levantar para começar as tarefas do dia.  Mas, quando Jesus usou estas palavras, a situação era bem diferente. Talita estava morta e o seu espírito já havia partido de seu corpo. Contudo, quando Jesus lhe deu a ordem para se levantar, duas coisas aconteceram: “Voltou-lhe o espírito, e ela imediatamente levantou.” Lc. 8:54-55.

Qual foi a reação de seus pais? Eles ficaram sobremaneira maravilhados. Mais uma vez, Jesus demonstrou que a morte não tem mais poder diante de sua voz. Por causa disso, a Igreja cristã confessa: “Creio na ressurreição do corpo”.Em seguida, “Jesus ordenou-lhes expressamente que ninguém soubesse”. Que ordem estranha! Como poderiam  ficar calados diante de uma dádiva tão singular – a devolução de sua filha? Possivelmente, Jesus estava querendo evitar uma onda de perseguição  que a noticia poderia provocar, como aconteceu com a ressurreição de Lázaro, Jo. 11:53-54. Ele não podia ser morto antes da hora marcada. Na plenitude do tempo, na hora exata, Ele mesmo entregaria a sua vida para ser crucificado, o que aconteceu no jardim de Getsêmani, Jo. 18:4-8. Ficamos maravilhados com o envolvimento de Cristo para adquirir bênçãos espirituais para pecadores.

Conclusão: A história da ressurreição de Talita termina com uma Palavra de Enternecimento. Evidentemente, os pais ficaram tão admirados, vendo a filha andando e cheia de vida, que se esqueceram das necessidades físicas  dela. Durante a doença, Talita não comeu quase nada, mas agora, com boa saúde, estava com fome, e Jesus cheio de enternecimento, “mandou que dessem de comer à menina”.Além disso, o ato de comer seria uma prova da realidade do seu corpo material. Jesus, também, depois da ressurreição, comeu na presença dos discípulos, Lc. 24:39-43.

Quais são as lições que esta história nos oferece? Vemos a natureza de Jesus, e a sua espontaneidade para se compadecer daqueles que dependem da sua graça. Ele tem uma palavra apropriada para cada circunstância: Uma Palavra de Encorajamento para os abatidos de coração; uma Palavra de Ensinamento para os que precisam de orientação espiritual; uma Palavra de Envolvimento para demonstrar o seu poder sobre as desventuras desta vida; e, finalmente, uma Palavra de Enternecimento, para suprir as falhas humanas. Jairo chegou a Jesus cheio de confiança, e nós, também. “Acheguemo-nos, portanto, confiantemente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” Hb. 4:16.


Itajubá, 20 de julho de 2011
Ivan G. G. Ross.