Vasos de Honra

sábado, 8 de outubro de 2011

ORAÇÃO: O NOSSO CULTO A DEUS



As Escrituras Sagradas nos dão este convite generoso: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á” Mt.7:7-8.

            O que significa isto? Devemos temer e amar a Deus, e procurar tomar posse de suas promessas. “A oração é um santo oferecimento dos nossos desejos a Deus, por coisas conformes com a sua vontade, em nome de Cristo, com a confissão dos nossos pecados, e um agradecido reconhecimento das suas misericórdias” Resposta 98 do Breve Catecismo. Observemos as cinco partes básicas da oração:
a) Fazer conhecidos os nossos desejos, isto é, expor as nossas petições junto ao trono da graça, Fl.4:6. Hb.4:16;
b) Pedir conforme a vontade de Deus, isto é, de acordo com a orientação imediata das Escrituras Sagradas, Ef.5:15-17; I Jo.5:14-15;
c) Orar em nome do Senhor Jesus Cristo, isto é, reconhecendo que temos acesso a Deus unicamente por sua mediação, pois é Ele que leva a nossa oração à presença de Deus, Jo.14:13-14; At.3:16;
d) Confessar os nossos pecados, isto é, reconhecer pecados específicos (pecado tem nome) que temos praticado, deixando-os aos pés de Cristo, I Jo.1:9; Pv.28:13;
e) Agradecer a Deus pelas bênçãos recebidas, nomeando-as uma por uma, isto é, manifestando a nossa gratidão com ações de graça, Ef.5:20; I Ts.5:18.
            “A oração, com ações de graça, sendo parte essencial do culto religioso, é por Deus requerida de todos os homens” Confissão de Fé, 21:3. Às vezes, o termo “oração” inclui todas as partes do culto que prestamos a Deus. O Templo em Jerusalém era conhecido como a “Casa de Oração”, porque ali se realizavam todos os atos envolvidos neste culto, Is.56:6-8; Sl.116:17-19. Pelo culto servimos a Deus, 2 Cr.30:8. O Apóstolo Paulo testemunhou: “Dou graças a Deus, a quem, desde os meus antepassados, sirvo com consciência pura, porque sem cessar, me lembro de ti nas  minhas orações, noite e dia” 2 Tm.1:3.
            Por que insistimos na centralidade da oração como parte essencial do culto que oferecemos a Deus?
            a) Oração é comunhão com Deus. E, para orar, de certa forma, temos de entrar na sua presença, e, fazendo assim, chegamos a conhecê-lo como Ele é em toda a riqueza de seus atributos. Se não fosse pela oração, não poderíamos entrar na sua presença e nem conhecê-lo em termos de comunhão espiritual.
            b) Em sua sabedoria administrativa, Deus ligou o pedir com o receber de tal forma que, se não pedirmos as suas dádivas, não as receberemos, Mt.7:11. Muitas vezes encontramos na Bíblia expressões tais como: “Pediram, e Deus fez vir...” Sl.105:40. O Apóstolo Tiago observou: “Nada tendes, porque não pedis” Tg.4:2. Portanto, “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.”
            c) Sabemos que Deus podia ter concedido os nossos interesses de outra maneira, contudo, Ele escolheu a oração como o meio de alcançá-los. Não podemos fugir da necessidade de orar usando a desculpa de que Deus sabe o que precisamos, e que Ele vai agir conforme a sua soberana vontade, independente da nossa participação. Esta forma de fatalismo não procede, porque Deus ordenou o uso da oração; esta é a sua vontade para cada cristão. É muito consolador saber que não precisamos sofrer calados, pois o recurso é este: “Humilhai-vos... lançando sobre Ele toda a vossa tribulação, porque Ele tem cuidado de vós” Tg.5:6-7.
            1. O Momento da Oração. A orientação para os cristãos é esta: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graça” Fl.4:6. E Cristo falou sobre o “dever de orar sempre e nunca esmorecer” Lc. 18:1. Pergunta 116. “Por que a oração é necessária aos cristãos?” Resposta: “Porque a oração é a parte principal da gratidão que Deus requer de nós. Além disso, Deus quer conceder sua graça e seu Espírito Santo somente aos que continuamente lhe pedem e agradecem de todo o coração”. Observemos três princípios que destacam a necessidade da oração:
            a) O dever da gratidão a Deus pelas bênçãos recebidas. É quase inconcebível supor que alguém possa receber um presente sem devolver uma palavra de gratidão. A atitude cristã é esta: “Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome do nosso Senhor Jesus Cristo” Ef.5:20. “Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” I Ts.5:18. Observemos a tríplice seqüência em Sl.50:15. “Invoca-me (diz o Senhor) no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás”. Pedir, receber e agradecer. Glorificar a Deus significa reconhecer e confessar a intervenção bondosa de Deus em nosso favor: um reconhecimento que se manifesta com ações de graças. Quando as pessoas testemunharam a cura de um paralítico, elas “glorificaram a Deus”, porque reconheceram a intervenção divina, Mt.9:1-8.
            b) Oração é o meio de receber a graça de Deus. Esta “graça” pode ser entendida como um auxílio divino, para vencer dificuldades. Deus não afastou todos os problemas do Apóstolo Paulo, porém, o consolou com estas palavras: “A minha graça te basta” – ele seria vencedor, apesar dos problemas, 2 Co.12:7-10. Quando os Apóstolos foram perseguidos, eles oravam, pedindo “intrepidez” para anunciar o Evangelho. Deus respondeu e “todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus” At.4:23-31. De fato, a graça de Deus é a nossa suficiência; basta pedir e a receberemos.
            c) A necessidade de pedir maiores medidas do Espírito Santo em nossa vida. Embora recebamos o dom do Espírito no ato da nossa regeneração, isto não necessariamente significa que, independente de circunstâncias humanas, estamos sempre cheios do Espírito Santo. Por isso somos exortados: “Enchei-vos do Espírito”, e isso fazemos através de exercícios espirituais, Ef.5:15-20; Sl.51:11. Receberemos estas medidas maiores do Espírito de acordo com as necessidades específicas. Em sua oração pela Igreja em Éfeso, o Apóstolo pediu maiores medidas do Espírito, a fim de poder compreender os valores espirituais, Ef.3:14-19. Deus concede sua graça e seu Espírito Santo somente aos que continuamente lhe pedem e agradecem, Lc.11:9-13.
           
2. O Modo da Oração. Cristo insistia: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação” Mt.26:41. Pergunta 117. “Como devemos orar para que a oração seja agradável a Deus e Ele nos ouça?”
Resposta. “Primeiro: devemos invocar, de todo o coração, o único e verdadeiro Deus que se revela a nós em sua Palavra e orar por tudo o que Ele nos ordenou para pedir.” Orar de  todo o coração significa orar em plena fé, acreditar que “Ele acode à vontade dos que o temem; atende-lhes o clamor e os salva” Sl.145:18-20. “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” Hb.11:6. A fim de evitar decepções espirituais e orações não atendidas, temos de obedecer o ensino bíblico, isto é: “Orar por tudo o que Ele nos ordenou para pedir” I Jo.5:14-15.
Resposta. “Segundo: devemos muito bem conhecer a nossa necessidade e miséria, a fim de nos humilharmos perante a sua majestade.” Uma das maiores dificuldades do homem em seu estado natural é reconhecer a sua necessidade espiritual e a sua miséria (a sua dívida insolvível) perante a implacável lei de Deus. A segunda maior dificuldade é se humilhar, confessar a sua pecaminosidade e falência espiritual e pedir a misericórdia de Deus e o seu perdão. O salmista se humilhou e alcançou este testemunho: Confessei a minha transgressão e o Senhor me perdoou, Sl.32:5.
Resposta. “Terceiro: devemos ter plena certeza de que Deus, apesar da nossa indignidade, quer atender à nossa oração por causa de Cristo, como ele prometeu em sua Palavra.” É o Espírito Santo que nos concede esta confiança espiritual, uma convicção baseada nas perfeições do ministério de Jesus Cristo, Rm.8:14-16; Hb.7:25. Todos aqueles que estão unidos com Cristo Jesus são aceitos pelo Pai, Ef.1:3-14; inclusive as suas orações, Jo.16:23.
            3. O Motivo da Oração. O Salmista fez esta oração: “Eu sou pobre e necessitado; ó Deus, apressa-te em valer-me, pois tu és o meu amparo e o meu libertador. Senhor não te detenhas!” A oração é o clamor de alguém que reconhece e confessa a sua dependência da misericórdia de Deus. Pergunta 118.  “O que Deus orientou pedir a Ele? Resposta. Tudo o que é necessário ao nosso corpo e à nossa alma como Cristo, o Senhor, o resumiu na oração que Ele mesmo nos ensinou”, em Mt 6:9-13. O Apóstolo Paulo resumiu a sua confiança na providência divina, afirmando: “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma das vossas necessidades” Fl.4:19.
            Na totalidade da nossa vida, espiritual e material, devemos ser atentos para manter a prioridade que Cristo estabeleceu para o seu povo: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas” Mt.6:33. Veja como este princípio aparece na “Oração Dominical”. Ela tem uma Introdução, seis Petições e uma Conclusão. As primeiras três Petições se referem aos interesses de Deus. Sim, de todo o nosso coração anelamos que o nome do Senhor seja verdadeiramente santificado e honrado; que o seu reino e domínio venham a ter plena expressão no meio dos povos  e que a sua vontade seja feita através de uma obediência universal, aqui na terra como lá nos céus. As três Petições seguintes se referem aos nossos interesses: o nosso sustento material, vitória sobre as tentações e o perdão dos nossos pecados. E a oração termina com uma doxologia, atribuindo todo o poder e glória à soberana providência de Deus.       
      

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