Leitura
Bíblica: Romanos 13:11-14.
Introdução:
Até aqui, nos estudos sobre Romanos 12 e 13, temos abordado cinco temas que estão
inseparavelmente ligados à prática da
vida cristã. Primeiro, no ato de nossa conversão, somos consagrados a Deus,
movidos a dar nossa vida a Ele por causa das muitas misericórdias derramadas
sobre nós em Cristo Jesus. Em segundo lugar, reconhecemos que somos salvos pela
graça de Deus, por isso, não devemos pensar de nós mesmos além do que convém,
por causa do dom especial que cada um de nós recebeu de Deus. Nossos irmãos em
Cristo também receberam um dom específico, que, aos olhos humanos, pode ser
mais vistoso do que o nosso. Contudo, não ficamos com ciúmes, pois o nosso dom é
o que Deus nos deu, portanto, deve ser usado para a sua glória, sem fazer
comparações. Em terceiro lugar, aprendemos qual é a natureza do amor e como
devemos praticá-lo. O amor seja sem hipocrisia, evitando vinganças
particulares. Em quarto lugar, reconhecemos as instituições de autoridades
civis, e o nosso dever é respeitá-las, pagando os devidos tributos, porque elas
são ministros de Deus para o nosso bem.
Em quinto lugar, aprendemos quais são as obrigações do amor. Amamos a Deus, por
isso obedecemos aos seus mandamentos. “O amor não pratica o mal contra o seu
próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor”.
Agora,
em sexto lugar, parece que o Apóstolo está aplicando tudo o que ele tem
ensinado até aqui, para que estejamos preparados para o nosso dia final. Há uma
tendência para pensar que ainda temos muito tempo para viver, por isso,
continuamos adiando decisões espirituais quanto ao futuro. Mas convém lembrar
que “toda carne é como a erva, e toda a
sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor; a palavra do
Senhor, porém, permanece eternamente” (1Pe. 1:24-25). Sim, haverá um dia final
para cada um de nós, por isso, convém ouvir o que a Palavra de Deus diz.
1.
Um Apelo para nos Despertar do Sono,V11.Com a passagem dos anos, um tipo de
desânimo, um sono espiritual toma conta de muitos cristãos; o zelo antigo praticamente não existe mais. A vida
para muitos tem sido uma luta sem muitas recompensas, e, inconscientemente, pensam: para que lutar,
vou descansar um pouco e aproveitar
melhor dos anos que ainda me restam.
Outra razão desse desânimo espiritual é o estado moral do mundo. Tantos crimes são praticados e passam impunes. A
prosperidade dos maus continua sacudindo o nosso senso de justiça. Mas Cristo,
prevendo tudo isso, disse: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor (a Cristo) se esfriará de quase todos”.
Contudo, veja a advertência solene:
“Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo” (Mt. 24:12-13).
Nesse
contexto, o Apóstolo escreveu: “E digo isto
a vós outros que conheceis o tempo”. Qual tempo? A rápida aproximação do
nosso dia final. “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez,
vindo depois disto, o juízo” (Hb. 9:27). “Porque importa que todos nós
compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o
bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2Co. 5:10).
Percebemos,
agora, a urgência nas palavras que se seguem: “Já é hora de vos despertar do
sono (essa indolência espiritual); porque a nossa salvação está, agora, mais perto
do que quando no princípio cremos”. Essa salvação se refere mais ao nosso dia
final aqui na Terra. Naquele dia,
seremos libertados definitivamente de todos os dissabores desta vida. O
Apóstolo viu esse dia com grande esperança, podendo confessar: “Quanto a mim,
estou sendo já oferecido por libação, o tempo da minha partida é chegado.
Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da
justiça me está guardada, a qual o
Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também
a todos quantos amam a sua vinda” (2Tm. 4:6-8). O dia da nossa partida não
precisa ser tão terrível porque, devidamente preparado e despertado, “partir e
estar com Cristo é incomparavelmente melhor” (Fp. 1:23).
2. Um Apelo para Deixar as Obras das Trevas, V12.
Está na hora de despregar-nos, desviar-nos dos cuidados deste mundo. “Vai alta
a noite, e vem chegando o dia” da nossa partida. Entendemos que aqui, “a noite”
se refere às atividades que caracterizam a vida deste mundo tão entregue às
vaidades seculares, festas, comemorações e lazeres. Talvez algumas dessas
coisas tenham uma importância para as famílias, contudo, elas não podem
interferir com o tempo e o culto que é devido a Deus. Está na hora de ficar
despregado dessas coisas desnecessárias e dedicar mais tempo para aquele que
nos amou e a si mesmo se entregou à morte substitutiva por nós, assim,
estaremos nos preparando para o dia final.
“Deixemos,
pois, as obras das trevas (essas vaidades seculares) e revistamo-nos das armas
da luz”. Em vez de sermos vestidos com as coisas das trevas, devemos ser
vestidos com os valores da luz que se encontram em Cristo Jesus. Devemos
desembaraçar-nos “de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia” (Hb. 12:1).
Devemos purificar-nos “de toda impureza,
tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de
Deus” (2Co.7:1). Essa santidade é tão necessária, porque sem ela ninguém verá o
Senhor, (Hb. 12:14). A vida cristã é muito mais do que uma mera profissão de
certas verdades espirituais; é um estilo de vida, santa e irrepreensível
perante o Senhor. “Revistamo-nos das armas da luz”, ou seja, das virtudes que emanam da nossa união com Cristo. É um
ato que praticamos diariamente, mediante a leitura assídua das Escrituras,
fortalecendo a nossa alma.
3.
Um Apelo para Andar Dignamente, V. 13. Observemos os contrastes que o Apóstolo gosta
de estabelecer. O cristão despreza as
obras das trevas a fim de praticar as obras da luz. “Andemos dignamente, como
em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não
em contendas e ciúmes”. Somos “filhos da luz”. O nosso modo de viver está na
claridade do dia; não temos necessidade de esconder o que fazemos, pois vivemos
para agradar o Senhor Jesus Cristo, a quem amamos e servimos. Devemos sempre
lembrar que “o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade,
provando sempre o que é agradável ao Senhor” (Ef. 5:9-10).
Por
que o Apóstolo fala daqueles pecados mencionados nesse versículo? “Pois
outrora, éreis trevas (praticantes dessas coisas pecaminosas), porém, agora,
sois luz do Senhor.” Portanto, o nosso dever imediato é “andar como filhos da
luz”. O cristão se esforça para não ser cúmplice nas obras infrutíferas das
trevas; antes, porém, as reprova. A rejeição delas é total, não apenas em nossa
própria vida, mas, também, na vida das pessoas ao nosso redor, (Ef. 5:6-13). O
problema do pecado não é um mal que existe somente em outras pessoas, ele
existe em nossa própria vida, talvez não
tão flagrante, contudo, a essência dele está no coração de cada ser humano,
aguardando um momento oportuno para nos surpreender, pois o pecado nem sempre é
um ato planejado. Mas veja como o Apóstolo estabelece mais um contraste. Depois
de registrar uma lista de pecados detestáveis, ele acrescenta: “Tais fostes
alguns de vós, mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes
justificados (declarados inocentes) em nome do Senhor Jesus Cristo e no
Espírito do nosso Deus” (1Co. 6:11). Em vez de lamentar repetidamente o que
praticamos na ignorância e na incredulidade, vamos testemunhar, com gratidão
incansável, da graça e da misericórdia e do perdão que recebemos de Deus em
Cristo Jesus. Apesar da nossa vida anterior, feliz a pessoa que pode confessar:
“Mas obtive misericórdia” (1Tm. 1:13). “Não
por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo a sua misericórdia, ele
nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo que ele
derramou sobre nós ricamente por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de
que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança
da vida eterna” (Tt. 3:5-7). Feliz a pessoa que pode caminhar para o seu dia
final com essa experiência encorajadora.
4.
Um Apelo para Revestir-nos de Jesus Cristo, V.14. Está na hora de tomar uma
decisão urgente: “Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para
a carne no tocante às suas
concupiscências”. Damos tudo para Cristo
e nada para a carne, que é sempre
faminta por prazeres. Despachamos as coisas inconvenientes do passado, a
fim de termos uma vida livre dos pesos que são impróprios para a vida cristã.
Mas,
o que significa: revestir-nos de Jesus Cristo? Quando compramos um par de
sapatos, não tentamos modificá-los para o nosso gosto, pelo contrário, nós os
aceitamos como foram comprados. Se não tivessem sido do nosso agrado, não os teríamos comprado. Assim,
quando recebemos o Senhor Jesus Cristo
como o nosso Salvador, não tentamos
mudá-lo para o nosso querer, antes, aceitamos como Ele é em toda a sua
plenitude. Revestimo-nos dele, no sentido de que reconhecemos a sua eternidade e tudo o que
isso implica. Cremos, não apenas em sua existência, mas em quem Ele é e o que
Ele fez. Por exemplo: Ele é Deus “manifestado na carne” (1Tm.3:16). “Porquanto,
nele habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade” (Cl. 2:9). “Ele, que
é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as
coisas pela palavra do seu poder” (Hb. 1:3). Cremos que Ele é o prometido
Messias, “ a consolação de Israel” (Lc. 2:25). Cremos que Ele “se fez carne e
habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como
do unigênito do Pai” (Jo. 1:14). Cremos que Ele veio para dar a sua vida em
resgate por muitos, (Mc. 10:45). Cremos na eficácia da sua morte substitutiva, e que nele “temos a
redenção, pelo seu sangue, a remissão
dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef; 1:7). Cremos que, depois de
ser morto, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, subiu ao céu e
assentou-se à destra de Deus, (1Co. 15:3-4; Mc. 16:19). “Por isso, também pode
salvar totalmente os que por ele se
chegam a Deus, vivendo sempre para interceder
por eles” (Hb. 7:25). No Antigo Testamento, animais foram sacrificados,
simbolizando a morte vindoura de Jesus. Mas esses sacrifícios foram totalmente ineficazes, “porque é impossível
que o sangue de touros e de bodes remova
pecados”. E, para resolver essa impossibilidade, Jesus Cristo deu a sua vida,
segundo as promessas proféticas. “Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre,
um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus”. A obra
redentora de Cristo foi encerrada vitoriosamente. Agora, libertação é para todos os que se revestem dessas
verdades, pois a sua salvação é garantida, (Hb. 10:4,12). “Porquanto a
Escritura diz: todo aquele que crê não será confundido” (Rm. 10:11). O apelo
termina, dizendo: “E nada disponhais para a carne no tocante às suas
concupiscências”. Não devemos à carne nenhuma obrigação, “porque fostes
comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso
espírito, os quais pertencem a Deus” (1Co. 6:20). Portanto, estejamos
preparados, pois o nosso dia final se aproxima sem aviso prévio.
Conclusão:
Eu dei este conselho a uma jovem: Se você quer viver a vida cristã, leia e
pratique o que está em Romanos 12 e 13.
E, para facilitar a compreensão desses capítulos, escrevi seis mensagens
expositivas. Agora, com esta sexta palavra, desenvolvi os quatro apelos do
Apóstolo. Primeiro, um apelo para nos despertarmos. A vida escoa-se rapidamente, e, quando menos esperamos, o
nosso dia final chegará. Segundo, um apelo para nos despregarmos dos cuidados
deste mundo e nos revestirmos das armas da luz, ou seja, das virtudes de Jesus Cristo. Terceiro, um apelo para
praticarmos o desprezo. Desprezamos as obras das trevas a fim de praticarmos as
obras da luz. Quarto, um apelo para despacharmos as coisas inconvenientes .
Está na hora de tomarmos uma decisão. Qual? “Mas revesti-vos do Senhor Jesus
Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências”.
Reconhecemos que tudo passa rapidamente; a vida é como um breve pensamento e
logo virá o nosso dia final. Portanto, devemos orar e viver esta oração: “Ensina-nos, Senhor, a contar os
nossos dias, para que alcancemos coração
sábio” (Sl. 90: 9-12).
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