Vasos de Honra

sábado, 25 de agosto de 2012

O Senhor Precisa de Trabalhadores




“Vendo ele (Jesus) as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas, como ovelhas que não têm pastor. E, então se dirigiu a seus discípulos: A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt. 9:36-38).

Nestes versículos, percebemos o que Jesus sente diante das necessidades das multidões deste mundo. São duas as realidades que devemos conhecer:

1. A Situação das Multidões. São “aflitas e exaustas” e em grande necessidade de um socorro. São perdidas, alguém precisa ir ao seu encontro e oferecer-lhes uma direção. “Aflitas e exaustas” descreve a situação emocional e espiritual das multidões. Na verdade, estão sem Cristo e separadas dos meio espirituais, pois não conhecem as promessas da salvação. Enfim, não têm esperança e vivem sem Deus no mundo, (Ef. 2:12).

2. A Resposta para as Multidões. À semelhança de Jesus, devemos ter compaixão delas. Uma verdadeira preocupação pelo estado espiritual das multidões nos levará a fazer duas coisas, no mínimo: Primeiro, oraremos ao Senhor da seara pedindo que Ele mande trabalhadores aos necessitados. Não rogamos por mais pastores, nem por mais evangelistas, mas, sim, por “trabalhadores”, pessoas dispostas a cuidar das necessidades espirituais de seu próximo, prontas para oferecer-lhe uma “boa palavra” que comunique esperança, (Is. 50:4). E, em Segundo lugar, oferecemo-nos a Deus, dizendo: “Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade” (Hb 10:9).

Os coríntios nos dão a atitude certa: “Deram-se a si mesmos primeiro ao Senhor, depois a nós, pela vontade de Deus” (2 Co. 8:5). Deus quer que, em primeiro lugar, pertençamos a Ele, para que, depois, tenhamos condições para servir ao nosso próximo. Qual é a sua resposta diante do apelo de Cristo?

Rev. Ivan G. G. Ross
Itajubá, 17 de Agosto de 2012

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

AS NOSSAS DIFICULDADES




Leitura Bíblica: 1 Pedro 5:5-10

Introdução: Em Gênesis, no primeiro capítulo, encontra-se o registro da nossa criação: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou,... Viu Deus tudo quanto fizera e eis que era muito bom” (Gn 1:27,28,31). O ponto que devemos entender é que fomos criados à imagem de Deus, isto é, com uma perfeição semelhante à do próprio criador. A imagem de Deus se resume em três virtudes: a) O pleno conhecimento de Deus, seu amor e a sua vontade. b)Em justiça, em plena comunhão espiritual com seu Criador, nada impedindo este livre acesso à sua presença. c) Em retidão (santidade), em perfeita conformidade às leis do seu Criador, (Ef. 4:24; Cl. 3:10). Assim, o homem tinha todas as condições para experimentar uma suprema alegria, porque Deus o tinha abençoado com privilégios especiais.

Mas, por causa do pecado que entrou na vida do homem, mediante a sua desobediência a uma ordem específica que Deus lhe dera, ele passou a experimentar o castigo judicial de Deus em sua vida. Podemos resumir todas as dificuldades que assolam a vida do homem em apenas três palavras: 1ª Sofrimento, tais como doenças, infortúnios e a morte física. 2ª Pecado, a transgressão da lei de Deus. Esta é a causa de toda a confusão que impera sobre a vida do homem. 3ª Obediência, no sentido da dificuldade para submeter-se à autoridade maior. Se estes três itens pudessem ser moderados, a nossa vida seria bem mais feliz. Vamos examinar estas três palavras.

1. O Problema do Infortúnio. O sofrimento que aflige a humanidade está diretamente ligado com o pecado que Adão, o nosso representante federal, legou à sua descendência. Deus advertiu: “No dia em que dela comeres (da árvore do conhecimento do bem e do mal), certamente morrerás” (Gn. 2:17). O processo degenerativo desta morte começou a partir do momento em que Adão pecou, e continua inexoravelmente até a consumação das forças físicas, quando a vida abandona o corpo. A sentença continua implacável: “Porque tu és pó e ao pó tornarás” (Gn 3:19).

É comum ouvir uma pergunta desafiadora: Se Deus é amor, por que Ele permite o sofrimento? Oferecemos duas respostas sugestivas:

a) O Sofrimento é um castigo por causa do pecado que reside no coração de cada pessoa, independente de atos específicos do momento. Deus, em sua justiça imaculada, determinou: “A alma que pecar, essa morrerá” (Ez. 18:20). Se Deus retirasse a sua sentença de morte, Ele estaria negando a sua própria justiça (algo que é impossível, “pois de maneira nenhuma pode negar-se a sim mesmo” (2 Tm. 2:13)), o que lançaria a humanidade num sofrimento ainda pior. Todos nós temos dentro da nossa consciência um senso de justiça, ou seja, a necessidade de uma forma de castigo para o culpado. Deus, que é a expressão máxima da justiça, colocou este principio dentro de nós quando nos criou à sua imagem.

b)Deus, em sua sabedoria insondável, usa o sofrimento para disciplinar e inibir os impulsos pecaminosos do homem. Se não houvesse conseqüências negativas para o pecado, o mundo seria um lugar impossível para o homem habitar. Muitos pecados não são praticados porque o homem tem medo das suas conseqüências, (Hb. 12:11).

Embora não tenhamos respostas completas para o sofrimento que nos aflige, cremos que existe um alívio dentro do nosso alcance. A Bíblia ensina: “Se ouvires a voz do Senhor, teu Deus, virão sobre ti e te alcançarão todas estas bênçãos,”  e segue-se uma lista de bênçãos que são necessárias à nossa tranqüilidade. Mas, por outro lado, “se não deres ouvidos à voz do Senhor, teu Deus, ... então, virão todas as maldições sobre ti e te alcançarão,” e segue-se uma lista dos desfavores que atormentarão a vida dos desobedientes, (Dt. 28:2,15). Sabemos, por experiência própria, que a nossa tranqüilidade depende de um procedimento santo e irrepreensível da parte de todas as pessoas.        

O profeta Habacuque vivia em dias de juízo iminente, e, quando ouviu do castigo justicial que cairia sobre a sua nação, confessou: “Ouvi-o, e o meu íntimo se comoveu; à sua voz, tremeram os meus lábios; entrou a podridão nos meus ossos, e os joelhos me vacilaram, pois, em silêncio, devo esperar o dia da angústia, que virá contra o povo que nos acomete;” Contudo, apesar de seu medo, a sua fé não falhou, porque ele ficou fortalecido para confessar: “Todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é a minha fortaleza e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente” (Hc. 3:16-19). Fé em Jesus Cristo é a fonte da nossa força nos dias do sofrimento.

2. O Problema da Infelicidade. Todas as nossas infelicidades são causadas pelo pecado que habita em nossa vida. Este mal é reconhecido por todos, porém, poucas pessoas o levam a sério. Embora o homem sofra por causa dos pecados que pratica, por que ele não toma uma atitude contra eles? Respondemos: Ele não consegue, porque “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos” (2 Co. 4:4). Apesar de sofrer por causa da sua transgressão, o homem continua praticando uma verdadeira contradição: ele ama o seu pecado e não quer uma vida diferente.

Como é que Deus consegue sacudir esta loucura espiritual, a fim de trazer o pecador às portas da salvação? Ele envia o Espírito Santo, cujo ministério é convencer o homem do seu pecado, (Jo. 16:18). Este convencimento é tão poderoso e aterrorizante que o pecador, não podendo resistir, e, compungido em seu coração, grita por socorro, (At. 2:37). E, se o homem rejeita este convencimento, o Espírito Santo lhe dará dores físicas, como aconteceu com o Salmista, que confessou: “Enquanto calei os meus pecados (recusando humilhar-se e admitir a sua culpa), envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio.” Ele começou a sentir alívio  desta pressão somente depois de humilhar-se e confessar o seu pecado. Podemos sentir o seu desafogo quando exclamou ao Senhor: “Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei ... E tu perdoaste a iniqüidade do meu pecado.” Por isso, a exclamação surpreendente: “Bem-aventurado aquele cuja iniqüidade é perdoada” (Sl. 32:1-5).

Porque Deus pode, com toda sua justiça, perdoar os nossos pecados? Porque Ele mesmo providenciou um Redentor por nós. O salário do pecado é a morte, mas esta foi recebida por nosso Substituto e Redentor, Jesus Cristo. “Aquele que não conheceu pecado, ele (Deus) o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co. 5:21). Vamos sempre lembrar o preço da nossa salvação. “ Sabendo que não foi mediante cousas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que os vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem mácula, o sangue de Cristo” (1 Pe. 1:18-19). Como o Ap. Paulo, confessamos: Em Cristo, “temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef. 1:7).

3. O Problema da Infidelidade. Por que é tão difícil submeter-se a uma autoridade e obedecer ordens? Por que Adão não conseguiu ser fiel a Deus e ficar longe da árvore do conhecimento do bem e do mal? Porque o seu coração se encheu de altivez, um senso exagerado da sua própria importância, e este mal o impeliu a comer da árvore que o Senhor lhe ordenara que não comesse? Por isso, o Apóstolo recomendou que ninguém pensasse de si mesmo além do que convém (Rm. 12:3). Esta tendência de auto-exaltação está especialmente propensa em pessoas mais dotadas e privilegiadas, como no caso de Adão. Por causa do poder enganador do orgulho, o Ap. Paulo orientou a Igreja sobre a escolha de presbíteros, quando ordenou: “Não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça (o presbiterato envolve um certo poder ou autoridade sobre os membros da igreja) e incorra na condenação do diabo” (1 Tm. 3:6). O mesmo apóstolo, apesar de ser um homem sumamente dotado, privilegiado e muito consagrado a Deus, não ficou isento da possibilidade de ficar orgulhoso, por isso confessou: “E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte” (2 Co. 12). Cuidado com este mal, porque ele impede a nossa fidelidade a Deus. “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda” (Pr. 8:13; 29:23; Is. 25:10-12).

Como podemos combater essa tendência de ficarmos orgulhosos? Devemos praticar o temor do Senhor em todas as nossas atitudes, “porque Deus resiste aos soberbos” (1 Pe. 5:5). O orgulho é uma confiança exagerada nos próprios recursos e, enquanto esta auto-confiança estiver no controle, o presunçoso jamais experimentará o auxílio de Deus em sua vida. “Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade porque ele tem cuidado de vós” (1 Pe. 5:6-7).

Conclusão: As dificuldades desta vida são uma realidade que temos que encarar com confiança na graça sustentadora de Jesus Cristo. Eis o testemunho do Ap. Paulo (que sofria com este espinho na carne): “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2 Co. 12:10)

Itajubá, 12 de Agosto de 2012
Rev. Ivan G. G. Ross.

sábado, 4 de agosto de 2012

Vestes da Salvação



Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegra no meu Deus; porque me cobriu de vestes de salvação e me envolveu com o manto de justiça, como noivo que se adorna de turbante, como noiva que se enfeita com suas jóias” (Is. 61:10).

O profeta, falando em nome da Igreja redimida, tem um coração transbordante de regozijo e de alegria. Ele tem esta gratidão por causa da obra salvadora que o Senhor operou em sua vida. Este homem é consciente do monergismo de Deus. Tudo o que ele agora tem, em termos de salvação, é porque o Senhor o visitou e derramou sobre ele, gratuitamente, toda sorte de benção espiritual. À semelhança do Apóstolo Paulo que, sem qualquer mérito pessoal, confessa: “Mas obtive misericórdia” (1 Tm. 1:13). Veja o contraste: aquele que era vestido de trajes sujos é agora visto em trajes finos e limpos, dando-lhe uma beleza semelhante “como noivo que se adorna de turbante, como noiva que se enfeita com suas jóias.” Mas, quais são estes trajes que causam tamanha alegria no Senhor?

O Senhor “me cobriu de vestes de salvação.” Tanto a sua aparência, bem como a sua experiência pessoal, testificam da benção do Senhor sobre ele. Esta salvação fala da presença constante de Deus  ao seu lado, protegendo-o e encorajando-o em todos os momentos de sua vida, demonstrando que, em Jesus Cristo, ele tem a redenção e o perdão de todos os seus pecados, (Ef. 1:7).

O Senhor “me envolveu com o manto de justiça”. Esta justiça é aquela que Cristo adquiriu por nós, mediante a sua perfeita obediência às exigências da lei divina; a qual é imputada, creditada a todos os que crêem em Jesus Cristo. “Bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras (ou méritos pessoais)” (Rm. 4:6). Eis o motivo de tanto regozijo e alegria no Senhor; por isso, a Igreja canta os seus louvores de gratidão ao Deus de sua  salvação. “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm. 5:1)

Rev. Ivan G. G. Ross
Itajubá – Julho de 2012

sábado, 28 de julho de 2012

OLHANDO PARA CRISTO



Em Hebreus capítulo doze, somos exortados para olhar firmemente para Jesus Cristo. Este olhar tem o pensamento de receber da sua bondade. O Salmista orou: “Pois em ti, Senhor Deus, estão fitos os meus olhos: em ti confio; não desampares a minha alma” (Sl. 141:8). O Salmista estava precisando de um alento para a sua alma oprimida. Portanto, olhamos para Cristo na esperança de:

1. Receber a Salvação. Cristo é o Autor e Consumador da nossa salvação. Foi Ele quem pagou o preço da nossa redenção. Foi Ele quem recebeu “autoridade para perdoar pecados” (Mc. 2:10). Foi Ele quem garantiu: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo. 10:28). O Ap. João afirmou: “E nós temos visto e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo” (1 Jo. 4:14). Olhando esperançosamente para Ele, jamais seremos decepcionados. Nele, temos a salvação da nossa alma.

2. Receber o Encorajamento. “Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição de pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma” (Hb. 12:3). Quando olhamos para Cristo, contemplando o seu sofrimento, recebemos uma comunicação de encorajamento que nos dá forças para perseverar no meio das nossas dificuldades. “Ele dos céus me envia o seu auxílio e me livra” (Sl. 57:3).

3. Receber a Vitória. “Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus” (Hb. 12:2). Cristo desprezou um momento  de alegria, enfrentou a cruz e  alcançou  a Vida Eterna para todos os que nele crêem. Estamos numa guerra espiritual, mas, com Cristo, “vencerão, também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele” (Ap. 17:14).

Vamos continuar, confiadamente, olhando, cheios de expectativa, para Jesus Cristo. Ele é quem nos sustenta nas responsabilidades da nossa vida cotidiana.

Rev. Ivan G. G. Ross

sábado, 14 de julho de 2012

A vida de Ana


Leitura Bíblica: 1 Samuel 1:1-18 

Introdução: A Bíblia não nos oferece muitos detalhes sobre a vida de Ana, contudo, lendo as entrelinhas, percebemos uma história bem maior, um drama que tem se repetido muitas vezes, inclusive em nossos dias atuais; pessoas decepcionadas com as circunstâncias inexplicáveis desta vida. 

A primeira impressão que temos de Ana é a de uma “mulher atribulada de espírito”, sobrecarregada de “excesso de ansiedade”. Ela quis agradar ao seu marido, mas, por alguma razão, seus desejos foram frustrados. Por que ela ficou entristecida desta maneira? Ela começou sua vida feliz e cheia de esperanças, porém, aos poucos, as suas aspirações tornaram-se sonhos que não tinham nenhuma realização. Assim, a melancolia nasceu e as lágrimas escaldantes queimavam-lhe o rosto constantemente. 

E, pior ainda, apesar de ser piedosa e assistir com assiduidade aos cultos de costume, ela começou a questionar a atuação de Deus. Será que Ele realmente ouve e atende as nossas orações? Será que Ele tem interesse numa simples mulher, numa mera dona de casa que não consegue agradar ao seu marido como ele gostaria? Vamos examinar esta vida que representa, com as devidas variações, a experiência de muitas pessoas. 

1. A pressão de Ana. Podemos começar com o dia de seu casamento; Ana ao lado de Elcana, seu marido, era jovem alegre e sonhadora. Eles convidaram o sacerdote para pedir a bênção de Deus sobre aquela nova união, na certeza da aprovação divina. Ela ainda não vira a casa nova que Elcana tinha preparado com tanto cuidado e carinho. Ele amava Ana de todo o seu coração e somente o melhor serviria para a sua esposa. E Ana sonhava: eu vou ser a melhor dona de casa e darei uma multidão de filhos para meu marido. 

Mas, infelizmente, os nossos sonhos nem sempre se realizam de acordo com os nossos planos. Sem dúvida alguma, Ana era uma boa dona de casa; mas, e os filhos que ela tanto desejava? Os meses se passaram, porém, não lhe nasceu nenhum filho. O marido começou a fazer perguntas; as amigas da vizinhança também perguntavam, mas Ana não conseguiu lhes dar nenhuma explanação. Assim, por causa das muitas importunações, Ana começou a sentir uma pressão crescente; e desta surgiu um questionamento: “Por que Deus tem encerrado a minha madre? Será que Ele está me castigando por alguma falta? Mas qual é o meu pecado? Procuro andar sempre no temor do Senhor; não sei o que fazer.” 

Neste meio tempo, Elcana também começou a sentir as pressões de uma preocupação crescente. “Por que Ana não está me dando filhos? Eu preciso de filhos. O meu nome não pode desaparecer em Israel. A minha herança tem de passar para os meus filhos. Preciso resolver este problema porque os anos estão passando.” 
Seguindo os costumes de seus pais, Elcana resolveu o problema tomando para si uma segunda esposa. E deu certo! Penina logo lhe deu a desejada família, filhos e filhas. 

Mas, e Ana? Como é que ela se sentiu diante desta mudança? A casa que era a alegria de seu coração foi repartida com uma segunda esposa! Penina soube que Ana era a mais amada, por isso, usou todas as oportunidades para atormentá-la por causa da sua esterilidade. Mas que Ana podia fazer? Era a verdade; a sua madre não se abria para gerar filhos. 

Gradativamente Ana afastou-se da vida familiar. Ela não suportava os olhares provocadores de Penina. E, em seu quarto, sozinha, Ana rasgava o seu coração com perguntas intermináveis: “Por que Deus está me provocando desta maneira? Com efeito, inutilmente conservo puro o coração e lavo as mãos na inocência. Pois de contínuo sou afligida e cada manhã castigada” (Sl.73:13-14). É tão difícil alimentar uma esperança quando, aparentemente, não há nenhuma.  

Quantas pessoas já vacilaram diante das estranhas providências de Deus! Não é fácil manter-se firme na fé quando parece que tudo está agindo contra a nossa felicidade. Davi, apesar de todas as provações que vieram de todos os lados, disse: “Quanto a mim, bom é estar junto a Deus; no Senhor Deus ponho o meu refúgio, para proclamar todos os seus feitos” Sl.73:28. 

2. A Precisão de Ana. Até o presente ponto, qual era a necessidade mais urgente de Ana? Entendemos que até então, Ana nunca declara a sua dependência de Deus. Juntamente com tantas outras pessoas, ela estava lutando sozinha, carregando todas as suas ansiedades, sem buscar o auxílio de Deus. Sim, ela participava dos cultos públicos, porém, nunca aprendera a derramar a sua alma diante do Senhor em oração suplicante. Ela ouvia as promessas de Deus, tal como: “Não temais: aquietai-vos e vede o livramento do Senhor,” porém, nunca conseguiu tomar posse da bondade de Deus, Ex.14:13; Gn.24:12. 

O tempo passou e, mais uma vez, chegou o dia de prestar culto a Deus. Ana foi obrigada a andar com Penina e seus filhos até Siló. E, novamente, Penina não perdeu a oportunidade para caçoar da esterilidade da rival. Era tão difícil suportar estas provocações! Ela não agüentava mais aquelas ofensas.  Chorando, recusou a comida, porém, uma decisão estava se formando em seu coração atribulado. Em seu desespero, ela resolveu tomar uma atitude. O texto diz: “Levantou-se Ana e, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente.” Ela tinha chegado ao fim de seus próprios recursos e resolveu “derramar a sua alma perante o Senhor.” 

Quando os caminhos de Deus parecem tão injustos e incompreensíveis, temos a tendência de ficar estóicos, paralisados por uma impassibilidade sufocante. Porém, tudo muda quando resolvemos agir pela fé e derramar a nossa alma perante o Senhor. “Lançando sobre Ele toda a nossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de nós” 1 Pe.5:7. O Salmista passou por experiências incompreensíveis, porém, quando entrou no “Santuário de Deus”, a nuvem de perplexidade se dissipou, Sl.73:17. Ana teve a mesma experiência, orou e Deus ouviu a sua súplica. Um verdadeiro encontro com o Senhor é capaz de resolver todas as nossas ansiedades. Qual foi o efeito imediato desta comunhão espiritual? O texto afirma: “Assim a mulher se foi seu caminho, e comeu, e o seu semblante já não era triste.” Este encontro espiritual sempre se manifesta sensivelmente sobre as nossas disposições interiores, “porque o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” Rm.5:5. Qual foi a precisão de Ana? Qual é a precisão de cada um de nós? Um encontro com o Senhor! Cristo disse: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” Jo.3:3. 

3. A Premiação de Ana. Com as esperanças vivificadas, Ana logo fez conhecida a sua petição. Sim, ela ainda queria um filho, mas agora, o motivo era diferente. Em vez de ter um filho só para agradar ao seu marido, ele seria um nazireu, consagrado para servir ao Senhor. Em sua infinita sabedoria, Deus estava preparando um homem que iria transformar a face moral e espiritual de uma nação inteira. 

As providências de Deus, embora não compreendidas no momento, estão sempre executando os seus propósitos secretos. Por que Ana tinha de passar por todos aqueles anos difíceis? No início, talvez ela fosse motivada por pequenos egoísmos. “Esta casa é minha. Meu marido é somente meu.” Mas, através das duras circunstâncias, Ana teve de abrir mão destes valores pessoais. Seja qual for a explanação das providências proporcionadas a Ana, reconhecemos que ela era agora uma mulher livre de egoísmos e totalmente capacitada para criar o prometido filho para o serviço de Deus. 

Ana não recebeu nenhuma revelação quanto ao modo de criar o seu filho. Ela teria de fazer exatamente o que cada mãe e pai têm de fazer em nossos dias: seguir as normas estabelecidas por Deus nas Escrituras Sagradas. Certamente ela ponderava sobre o texto em Dt.6:4-9 (Leiam-no). 

Ana soube que teria de devolver o seu filho ao Senhor; soube que ele teria de ser entregue já “arraigado e alicerçado” no Senhor, Ef.3:17, apesar de sua tenra idade; um menino recém desmamado. Como é que ela conseguiu este objetivo em tão pouco tempo? Ela descobriu o princípio de “remir o seu tempo” Ef.5:15-17. Enquanto amamentava o filho, sussurrava em seus ouvidos a Lei de Deus. Enquanto costurava as roupas dele, orava, pedindo que o Espírito Santo fizesse a devida aplicação das Escrituras Sagradas. 

Chegou o dia para devolver o seu filho ao Senhor, e embora fosse “ainda muito criança”, ele estava preparado para servir ao Senhor durante o resto de sua vida. Ana perdeu o contato físico com seu filho, porém, através de suas orações incansáveis, um elo de comunhão espiritual foi estabelecido. “Crescia Samuel, e o Senhor era com ele, e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair em terra” 1Sm.3:19. E qual foi o prêmio de Ana? Ela teve a alegria de ver um filho fiel, ministrando perante o Senhor. 

Conclusão: As estranhas providências de Deus podem esquadrinhar o nosso coração e provocar grandes angústias espirituais. Não é fácil manter-se esperançoso quando parece que tudo está agindo contra a nossa felicidade. Qual é a resposta? Esperar no Senhor e evitar qualquer atitude precipitada. (Sl.40:1-4). 


Itajubá, 27 de maio de 2003. 
          Rev. Ivan G. G. Ross. 

sábado, 7 de julho de 2012

Cristo Elogia as Partes da Sua Igreja,



Quando a Igreja deu seu testemunho falando sobre a superioridade de seu Amado, ela escolheu dez partes do corpo de Cristo para descrever as suas perfeições. Aqui, Cristo, por sua vez, também escolheu dez partes do corpo humano para elogiar as excelências da sua Igreja. Convém lembrar que estamos lidando com uma linguagem poética e alegórica.

(1) A primeira parte do corpo humano que recebe destaque são os pés. “Que formosos são os teus passos dados de sandálias, ó filha do príncipe” V.1a. Cristo está sempre atento para observar a maneira pela qual o seu povo anda. Sabendo disto, o Salmista orava: “Firma os meus passos na tua palavra, e não me domine iniqüidade alguma” Sl.119:133. O grande objetivo do cristão é vigiar, para que não contamine as suas vestiduras, a fim de poder andar com Cristo, Ap.3:4. Aqui, a Igreja está andando com os “pés nos sapatos”, um sinal de dignidade. Andar descalço era sinal de tristeza e degradação. Os presos, para serem humilhados, eram obrigados a andar “despidos e descalços” Is.20:4. Davi, fugindo de Absalão, saiu de Jerusalém chorando e andando descalço, a fim de manifestar a sua humilhação, 2 Sm.15:30. Mas a Igreja não está triste e nem andando descalça, porque ela é “filha do príncipe”, e está com os “pés nos sapatos” (versão corrigida), andando de modo digno da vocação a que foi chamada, Ef.4:1. Os sapatos que a Igreja usa são especiais, porque são parte da “armadura de Deus”. Ela é exortada: “Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz” Ef.6:15. A Igreja tem a paz de Deus reinando em seu próprio coração, e, por causa disto, tem o direito de proclamar o “evangelho da paz”. Esta mensagem ensina como o pecador pode ser perdoado e justificado, a fim de experimentar a paz com Deus em seu coração, Rm.5:1. A Igreja é despenseira dos mistérios de Deus. “Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um seja encontrado fiel” 1 Co.4:1-2.

Notemos agora o título que a Igreja recebe. Ela é a “filha do príncipe”. Em Salmo 45:13, ela é chamada “a filha do Rei”. O Ap. Pedro descreveu a Igreja como um “sacerdócio real”, 1 Pe.2:9. Como podemos justificar esses títulos de realeza? Todos aqueles que recebem Cristo como Salvador, recebem o poder de serem feitos filhos de Deus, Jo.1:12. Ele mesmo promete: “E eu vos receberei, serei o vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso” 2 Co.6:17-18. Temos esta realeza por causa do novo nascimento. Somos nascidos lá do alto, nascidos de Deus; somos feitura dele segundo a imagem do Rei dos reis e guiados pelo Espírito Santo. Embora sejamos plebeus e desprezíveis, fomos feitos “filhos do príncipe” em virtude da nossa união vital com Cristo. Este título é dado para nos encorajar e para que compreendamos melhor a “soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”, e para nos constranger a viver de modo digno do Senhor, “para seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus” Fl.3:14; Cl.1:10.

(2) “Os meneios dos teus quadris são como colares trabalhados por mãos de artista” V.1b. Cada parte do corpo tem seu valor especial. Os quadris, por causa da sua flexibilidade, dão estabilidade e direção decidida para os pés. O Salmista exclamou: “Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra” Sl.139:14-15. O Ap. Paulo, ao observar as partes da Igreja de Cristo, falou do “auxílio de toda junta segundo a justa cooperação de cada parte” Ef.4:16. Quando os quadris têm uma falha, os pés não conseguem caminhar numa linha reta. Cristo elogiou os meneios da Igreja porque não andava “segundo a carne, mas segundo o Espírito” Rm.8:4. O Salmista fazia esta oração: “Faze-me ouvir, pela manhã, da tua graça, pois em ti confio; mostra-me o caminho por onde devo andar, porque a ti elevo a minha alma” Sl.143:8. 

(3) “O teu umbigo é taça redonda, a que não falta bebida” V.2a. O umbigo tem uma influência sobre as entranhas do corpo e promove a saúde delas. A Bíblia nos ensina: “Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal. Isso será remédio para o teu umbigo e medula para os teus ossos” Pv.3:7-8. O temor do Senhor é uma fonte de saúde para a totalidade do nosso ser. A Palavra de Deus, descrevendo a situação deplorável do pecador em seu estado natural, registra: “Quanto ao teu nascimento, no dia em que nasceste não te foi cortado o umbigo, nem foste lavada com água para te limpar, nem esfregada com sal, nem envolta com faixas”. Mas, quando este mesmo povo passa a temer ao Senhor e se arrepende da sua imundícia, é recebido e purificado. Ez.16:4-9. Veja o contraste entre um “umbigo não cortado” e um “umbigo que não falta bebida”. O primeiro é uma situação de negligência e de penúria; o outro é motivo de alegria por causa de seu zelo em suprir as necessidades da sobrevivência. Cristo elogiou a sua Igreja porque reconheceu que ela, como uma “taça redonda, a que não falta bebida”, está pastoreando, diligentemente, o povo redimido e salvo pela graça de Deus. Os oficiais da Igreja em Éfeso receberam esta exortação urgente: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a Igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” At.20:28. 

(4) “O teu ventre é monte de trigo, cercado de lírios” V.2b. O ventre alimenta todos as demais partes do corpo. Por isso, devemos observar duas verdades: Primeira, o ventre não produz por si mesmo o alimento, ele apenas o distribui. Segunda, o ventre depende de providências externas para poder distribuir o alimento. A Igreja não tem vida em si mesma; ela recebe a sua vida e todos os meios da sua sobrevivência em virtude da sua união vital com Cristo. O ventre é visto como “monte de trigo” a fim de evidenciar a superabundância da providência de Cristo. O Apóstolo encorajou a Igreja em Filipos, dizendo: “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma das vossas necessidades” Fl.4:19. Devemos lembrar que este suprimento está exclusivamente “em Cristo”. Ele mesmo afirmou: “Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim” Jo.15:4. Esta providência, de necessidade, não é um mero suprimento de coisas básicas, ela também inclui uma preciosa irmandade, “cercada de lírios”, os irmãos na fé. Como o Ap. Paulo confessou: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” Ef.1:3. 

(5) “Os teus seios, como duas crias, gêmeas de uma gazela” V.3. Esta comparação recebeu a sua interpretação no Capítulo 4:5. É um quadro de saúde e de produtividade. A Igreja foi constituída a fim de reproduzir-se e sustentar estes novos membros. O sinal da bênção do Senhor era o nascimento de filhos, enquanto que a esterilidade era entendida como uma repreensão da parte de Deus. Quando Isabel, que era estéril, se achou grávida, ela disse: “Assim me fez o Senhor, contemplando-me, para anular o meu opróbrio perante os homens” Lc.1:25. Assim, uma Igreja local que não está produzindo frutos é sinal de algo errado. Devemos orar para que a Palavra de Deus “se propague e seja glorificada” 2 Ts.3:1. Coloquemos os interesses humanos em segundo lugar para que os interesses do Senhor tenham a proeminência. 

(6) “O teu pescoço, como torre de marfim” V.4a. Esta comparação recebeu a sua interpretação no Capítulo 4:4. Aqui, em vez de ser “como a torre de Davi”, o pescoço é “como a torre de marfim”, denotando a sua preciosidade. A fé que a Igreja tem em Jesus Cristo é “muito mais preciosa do que ouro perecível” 1 Pe.1:7. Esta é a fé que agrada a Deus, a fé que devemos almejar e pedir: “Senhor, aumenta-nos a fé” Lc.17:5. 

(7) “Os teus olhos são as piscinas de Hesbon, junto à porta de Bate-Rabin” V.4b. Estas piscinas, de água cristalina, foram usadas como espelhos pelos pedestres, porque, quando alguém olhava para dentro da água, podia ver a imagem de seu rosto. Cristo elogia a Igreja por sua disposição humilde e penitente, pois, ao passar pelas piscinas de Hesbon, contemplando a sua própria pessoa nas águas refletoras, orava: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” Sl.139:23-24. A Igreja sabe que foi escolhida antes da fundação do mundo, a fim de viver uma vida santa e irrepreensível, como na presença de Deus. Por isso, ela se preocupa em ter uma vida impecável e agradável ao Senhor. Devemos imitar o Ap. Paulo quando, perante o Sinédrio, testificou: “Varões, irmãos, tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência até ao dia de hoje” At.23:1. E logo acrescentou: “Por isso, também me esforço por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens” At.24:16. Recebemos este encorajamento das Escrituras Sagradas: “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, (...) aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura. Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel” Hb.10:19,22,23. 

(8) “O teu nariz, como a torre de Líbano, que olha para Damasco” V.4c. O nariz, a parte mais proeminente no rosto, sugere a idéia de vigilância (como a torre de Líbano). A  localização desta torre era destacada, ela olhava para Damasco, na Síria, onde o inimigo de Israel habitava, e de onde fazia as suas incursões contra os Israelitas. Portanto, uma vigilância maior era necessária. Semelhantemente, a Igreja tem um inimigo feroz às suas portas. O Ap. Pedro escreveu: “Sede sóbrios e vigilantes, o diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firme na fé” 1 Pe.5:8-9. Mas, temos outro inimigo ainda mais chegado: os restos da nossa natureza carnal. O Ap. Paulo lamentava: “Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro e sim o que detesto” Rm.7:15. Por isso, Cristo disse: “Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu, e não se veja a sua vergonha” Ap.16:15. A Igreja em Filadélfia recebeu esta promessa: “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra” Ap.3:10. Portanto, vamos seguir a mesma atitude do profeta que disse: “Por-me-ei na minha torre de vigilância, colocar-me-ei sobre a fortaleza e vigiarei para ver o que Deus me dirá e que resposta eu terei à minha queixa” Hc.2:1. 

(9) “A tua cabeça é como o monte Carmelo” V.5a. À semelhança deste monte, a cabeça é a parte mais importante do corpo; dela, todos os demais membros recebem a sua direção, e, de uma maneira específica, a nossa mente. Em certo sentido, é a nossa mente que determina as nossas atitudes diante de Deus e dos homens. “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma (mente), de todo o teu entendimento e de toda a tua força” Mc.12:30. E o Ap. Pedro nos orienta: “Finalmente, sede todos de igual ânimo (mente), compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes, não pagando mal por mal ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, pois para isso mesmo fostes chamados, a fim de receberdes bênção por herança” 1 Pe.3:8-9. O verdadeiro culto a Deus envolve o pleno uso da nossa mente. É possível realizar um tipo de culto, sem incluir a mente, mas é um culto infrutífero, isto é, um culto que não edifica e nem glorifica a Deus. Então, como devemos cultuar a Deus? O Ap. Paulo responde: “Orarei com o Espírito, mas também orarei com a mente, cantarei com o Espírito, mas também cantarei com a mente” 1 Co.14:14-15. Cristo tem prazer em ver a sua Igreja em oração, e, enquanto esperamos as devidas respostas, Ele guardará o nosso coração (emoções) e a nossa mente (pensamentos) com a sua paz, Fl.4:7. Portanto, a fim de desfrutar de uma vida cristã mais expressiva, temos de “cingir” a nossa mente, ser sóbrios e esperar inteiramente na graça que nos está sendo trazida na revelação de Jesus Cristo, 1 Pe.1:13. 

(10) “A tua cabeleira, como a púrpura” V.5b. Nenhuma parte da nossa pessoa é insignificante aos olhos de Cristo. Até os cabelos são como a púrpura, algo muito precioso. Quando Cristo estava encorajando os seus discípulos a uma confiança maior na providência divina, Ele usou duas figuras muito sugestivas: “Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento do vosso Pai. E, quanto a vós outros, até os cabelos todos estão contados. Não temeis, pois! Bem mais valeis vós do que muitos pardais” Mt.10:28-31. O Ap. Paulo fez uma referência ao cabelo da mulher que, quando coberto, era sinal da sua sujeição às autoridades instituídas na Igreja, 1 Co.11:10. É isto que agrada o Senhor Jesus, vendo a sua Igreja em plena sujeição à sua autoridade, Ef.5:24.

As descrições de Cristo são encerradas com uma lembrança da amabilidade da Igreja. “Um rei está preso nas tuas tranças”. V.5c. Até um rei pode ficar impressionado ao ver o procedimento submisso da Igreja diante da autoridade de seu Senhor. O Ap. Pedro faz uma referência ao poder da Igreja quando o seu procedimento é santo e irrepreensível. É possível ganhar o descrente para Cristo, “por meio do procedimento da esposa” 1 Pe.3:1. O Ap. Paulo, insistindo sobre a importância do nosso procedimento diante das pessoas mais fracas na fé, disse: “Por causa da tua comida (individualismo egoístico), não faças perecer aquele a favor de quem Cristo morreu” Rm.14:15. “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” 1 Co.15:58.

Rev. Ivan G. G. Ross

sábado, 30 de junho de 2012

Cristo o único salvador



Leitura Bíblica: João 6:25-29

Introdução:  O sexto capítulo do Evangelho Segundo João, registra as atividades de Jesus e de seus discípulos durante dois dias de seu ministério. No primeiro dia, vemos Jesus ensinando a Palavra de Deus a uma numerosa multidão, Jo. 5:19-47. Ao anoitecer, Jesus, percebendo a necessidade física de seus ouvintes, deu-lhes um sinal inconfundível da sua Messiandade: a multiplicação de cinco pães de cevada e dois peixinhos que, milagrosamente, alimentaram quase cinco mil pessoas famintas. O milagre foi muito singular, porque, além de oferecer a todos quanto queriam “foram recolhidos doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada que sobraram” Vs. 11-12. O povo ficou tão convencido da Messiandade de Jesus que queriam “arrebatá-lo para o proclamarem rei.” Mas por não ter ainda chegado a sua hora, Ele “retirou-se novamente, sozinho, para o monte,” enquanto os discípulos navegaram, rumo a Cafarnaum, Vs. 15-17

No Segundo dia, a mesma multidão chegou a Cafarnaum, à procura de Jeus e o encontrou na Sinagoga, ensinando a Palavra de Deus, V.59. Surpreendidos, perguntaram: “Mestre, quando chegaste aqui?” A resposta que Ele lhes deus é o assunto da nossa mensagem.

1. A Necessidade de Prioridades, V 27a. Em vez de responder a pergunta à respeito de seu paradeiro, Jesus passou a falar sobre a necessidade de ter prioridades espirituais na vida. Qual foi o motivo principal desta multidão para procurar a presença de Jesus? Ele mesmo responde: “Em verdade, em verdade vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais (as credenciais da sua Messiandade), mas porque comeste dos pães e vos fartaste” v. 26 Qual foi o erro desta multidão?

a) Uma interpretação equivocada do propósito redentor do Messias. Eles acreditaram que o messias iria conduzir a nação para uma prosperidade material. Não tinham nenhum interesse nos valores espirituais que o Messias introduziria. Receber uma fartura de pão gratuitamente, para eles, era muito mais importante e desejável. Em vez de trabalhar para o seu sustento, como a Bíblia ordem, queriam um Messias que promoveria uma prosperidade material, sem qualquer esforço pessoal. Este tipo de mentalidade persiste, inclusive em nossos dias. Em vez de perguntar: “O que devo fazer para que seja salvo?” At. 16:30. A indagação de muitos é: O que posso ganhar de Cristo a fim de aumentar o meu bem-estar neste mundo? Um Messias que veio para resolver o problema do pecado e do estado espiritual  do homem não é mais desejado. No dia do juízo final, a condenação de muitos será justificada com estas palavras: vós me procuraste, não porque vistes sinais da minha missão, mas porque comestes dos pães e vos fartaste. Vim para buscar e salvar pecadores, mas não quisestes receber. Então, qual é o dever inadiável de cada  pessoa? É este:

b) A necessidade de ter as suas prioridades espirituais acertadas conforme as normas estabelecidas nas Escrituras Sagradas. Cristo ensinou: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas cousas (as necessidades materiais) vos serão acrescentadas” Mt. 6:33. Como é que podemos realizar esta busca espiritual? Cristo deu a orientação: “trabalhai (no sentido de esforçar-se, Lc. 13:24), não pela comida (bens materiais) que perece, mas pelo que subsiste para a vida eterna.” A prioridade que deve sobrepujar todos os nossos interesses é ter paz com Deus e desfrutar das bem-aventuranças da vida eterna. Deus pôs a “eternidade no coração do homem,” e, por causa deste testemunho inapagável, sabemos que a vida continua, mesmo depois da morte, Ec. 3:11. “Tais homens são, por isso, indesculpáveis,” se negligenciarem as prioridades espirituais, Rm. 1:20.  

2. A Necessidade de Princípios, V.27b. Todas as pessoas têm seus princípios, pelos quais procuram viver bem no meio da sociedade. A mesma verdade existe na área espiritual. Não podemos viver de qualquer jeito; temos que seguir os princípios que o próprio Deus prescreveu para o nosso bem. O nosso texto nos oferece dois princípios que devem ser observados com todo cuidado.

a) O primeiro princípio. De quem podemos receber a vida eterna? O texto estabelece: “A vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará”. Devemos sentir a exclusividade de Jesus Cristo para salvar pecadores e conceder-lhes a vida eterna. O Ap. Pedro tinha esta convicção: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” At. 4:12.

A história da nossa redenção começou quando Deus prometeu enviar o seu próprio Filho para ser o Redentor de seu povo. “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” Jo. 3:16 “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel” Is 7:14. O nome “Jesus” descreve a missão do Emanuel: “Ele salvará o seu povo dos pecados deles” Mt. 1:21-23. Os séculos passaram, e, finalmente, chegou o prometido Advento. “Vindo a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” Gl 4:4-5. O que Deus prometeu, Ele cumpriu! Por causa da fidelidade de Deus em enviar seu próprio Filho a fim de buscar e salvar pecadores, podemos acreditar que Jesus Cristo é o único que foi enviado e autorizado para dar a vida eterna para aqueles que nele crêem. Não existe nenhuma outra opção.       

b) O Segundo princípio: Por que Cristo é o único que pode nos dar a vida eterna? O nosso texto explica: “Porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo”. Por ter nascido como qualquer outra pessoa e reconhecido em figura humana, era necessário que as suas origens fosse anunciadas publicamente. E este pronunciamento aconteceu por ocasião do seu batismo, quando Ele foi ungido visivelmente pelo Espírito Santo e quando a voz dos céus disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” Mt. 3:13-17. À luz deste acontecimento, o Ap. João declarou “Pois o enviado por Deus fala as palavras dele, porque Deus não dá o Espírito por medida. O pai ama ao Filho, e todas as cousas têm confiado às suas mãos. Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia , se mantém rebelde contra o Filho (não aceitando-o como o único Salvador) não verá vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” Jo. 3:34-36. É de suma importância que observemos estes dois princípios, pois, seguindo-os alcançaremos a vida eterna. 

3. A Necessidade de Primazias, Vs. 28-29.  O discurso de Jesus foi interrompido pela pergunta: “Que faremos para realizar as obras de Deus?” Apesar de uma espiritualidade aparente, estas pessoas acreditavam que era necessário praticar as obras da lei a fim de merecer a salvação. Mas o Apóstolo Paulo era sempre taxativo ao condenar este engano: “ Sabendo, contudo, que o homem não é justificado (salvo) por obras da lei,... pois, por obras da lei, ninguém será justificado (salvo)” Gl. 2:16.

Em seguida, Jesus lhes deu esta orientação: Se vocês querem uma espiritualidade que agrada a Deus, eis a resposta: “A obra de Deus é esta: que creais naquele que por ele foi enviado.” Em vez de fugir da primazia de Cristo, temos que crer que Ele é o prometido Messias. Mas, o que realmente significa “crer em Jesus Cristo?” Eis o resumo: “Que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” 1 Co. 15:3-4. Portanto, crer em Cristo significa que entendemos, aceitamos e descansamos sobre estas três verdade essenciais à salvação da nossa vida:

a) Cremos na morte substitutiva de Jesus Cristo. “Ele morreu pelos nossos pecados”.A Escritura ensina: “Mas ele (Cristo) foi transpassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; ... O Senhor fez cair sobre Ele a iniqüidade de nós todos” Is. 53:5-6.

b) Cremos no sepultamento de Jesus Cristo. Quando Ele foi sepultado, o nosso pecado, que estava sobre Ele, foi também sepultado e entregue ao esquecimento. A Escritura ensina: Disse o Senhor: “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim e dos ter pecados não me lembro” Is. 43:25. O Senhor “lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar” Mq. 7:19.

c) Cremos na ressurreição de Jesus Cristo. A Escritura registra a promessa que Cristo recebeu: “Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção” Sl. 16:10; At. 2:31-32. Cristo “foi entregue por causadas nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação” Rm. 4:25. Estas são as três primazias de evangelho e a base de uma fé salvadora. “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” Rm. 3:39.   

Conclusão: Vamos acreditar na centralidade de Jesus Cristo nos propósitos de Deus para salvar pecadores. Deus não cogitou nenhum outro meio pelo que podemos ser salvos. A única participação que Deus requer de nós é que creiamos em seu Filho, Jesus Cristo. “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado.”

Rev  Ivan G. G. Ross
Itajubá, 30 de Junho de 2012