Vasos de Honra

domingo, 15 de setembro de 2013

OS LIMPOS DE CORAÇÃO




“Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus” ( Mt. 5:8)

A partir da quinta bem-aventurança, até a sétima, discernimos uma ligeira mudança de ênfase. As primeiras quatro descrevem as características constantes em todos os cristãos. As próximas três bem-aventuranças retratam a manifestação  visível de humildade, arrependimento, mansidão e fome espiritual em nossa vida. As nossas disposições externas revelam, infalivelmente, o que está acontecendo no coração.

1. O Encorajamento na bem-aventurança. Experimentamos uma alegria indizível quando percebemos que o nosso coração está se inclinando para a integridade, para “tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável e de boa fama” (Fl. 4:8). Como filhos de Deus, aguardamos a manifestação de Jesus Cristo em glória. “E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro” (1Jo. 3:2-3).

2. A Manifestação da bem-aventurança. O limpo de coração é aquele que vigia a pureza do seu homem interior. Somente o limpo de coração tem as condições necessárias para adorar a Deus “em espírito e em verdade” (Jo. 4:23-24). Somente o limpo de coração tem a disposição para amar a seu próximo como o nosso Senhor nos ensinou (Jo. 13:34). Por isso, devemos orar como Davi orava: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável” (Sl. 51:10).

3. O Cumprimento da bem-aventurança. Aquele que vigia o seu coração, a fim de não pecar contra o Senhor, terá a recompensa de ver a Deus. Não apenas na escatologia, mas, mesmo afora, pela fé, podemos andar, confiadamente, porque a promessa do Senhor é esta: “A minha presença irá contigo, e eu ti darei descanso” (Ex. 33:14). Feliz a pessoa que pode olhar para o Senhor e confessar: “Não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo” (Sl. 23:4).


Portanto: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb. 12:14).

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A Preeminência por Cristo




Leitura Bíblica: I Pedro 2:6-10

Introdução: No estudo anterior, estudamos a prática da santidade. Tudo começa com a obra sobrenatural da regeneração. A santificação se realiza em nós em virtude da nossa união vital com a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Por causa dessa união, o pecado perde o seu domínio tirânico sobre nós e somos vivificados e fortalecidos em todas as graças salvadoras para a prática da verdadeira santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. Portanto, falamos sobre a Exigência da Santificação. O pecado tem que ser despojado. Em seguida, falamos sobre a Experiência da Santidade. Depois de despojar do pecado que habita em nós, temos que nos vestir do novo homem e alimentar-nos do “genuíno leite espiritual”. E, terminamos falando sobre a Excelência da Santidade. Cristo, a causa dela, é “eleito e precioso” diante dos olhos do Pai. Portanto, o que é tão estimado pelo Pai, deve ter igual preciosidade diante dos nossos olhos.
Agora, vamos progredir para o próximo estudo, a Preeminência por Cristo. Temos que cultivar o mesmo sentimento que caracterizava a vida do Ap. Paulo: “Será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte.” Vivamos “acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo.” Fp 1:20,27.

1) A Predileção por Cristo, V. 6: Podemos salientar quatro pontos que justificam a nossa predileção por Cristo. Ele é a dádiva de Deus Pai para a nossa total salvação.

a) “Pois isso está na Escritura.” O tema central das Escrituras é Cristo e o que Ele faria, e fez, a fim de buscar e salvar pecadores. Como é que Cristo apresentou esse tema aos discípulos no caminho de Emaús? “E, começando por Moisés (os primeiros livros da Bíblia), discorrendo por todos os profetas (os demais Livros da Bíblia), expunha-lhes o que a seu respeito está em todas as Escrituras”. Lc 24:27. A partir de Gênesis, temos a promessa de alguém que feriria a cabeça de Satanás, Gn 3:15 com Rm 16:20. A primeira alusão à necessidade de sacrifícios a fim de vestir o homem, dando-lhe as condições necessárias para ter acesso à presença de Deus, está em Gn 3:21 com Rm 13:14. Esse tema continua em todas as partes das Escrituras, e é resumido nestas palavras: “Porventura, não convinha que o Cristo padecesse (e ressuscitasse dentre os mortos ao terceiro dia) e entrasse na sua glória?” Lc 24:26,46.

b) “Eis que eu ponho em Sião uma pedra angular”: Essa “Pedra Angular” sempre se refere a Jesus Cristo. A igreja é composta de “pedras que vivem”, v.5, mas Cristo é a “Pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa.” V.4; “Essa veio a ser a principal pedra angular.” V.7. Ele mesmo declarou: “Sobre esta pedra edificarei a minha igreja.” Mt 16:18. Cristo, como “a pedra angular”, suporta e sustenta a Igreja toda; “Ele é a cabeça do corpo, da Igreja,” Cl 1:18; por Ele, a Igreja “cresce o crescimento que procede de Deus” Cl 2:19. Devemos dar o devido valor àquele que “amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela”. Ef 5:25.

Quando o texto diz: “Ponho em Sião,” está anunciando que o evangelho de Cristo, este crucificado e ressuscitado, seria proclamado primeiramente em Jerusalém, como efetivamente aconteceu no dia de Pentecostes, At 2:14-36. A ordem que os discípulos receberam foi: “Sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda Judéia e Samaria e até aos confins da terra”. At 1:8.

 c) Cristo como a “Pedra Angular, eleita e preciosa” , é o servo de Deus para buscar e salvar pecadores. Ele é eleito, aquele que o Pai escolheu para realizar a redenção do homem, livrando-o dos laços do diabo, tendo sido feito cativo por ele, II Tm 2:26. Por isso, o Ap. Pedro afirmou categoricamente: “E não há salvação em nenhum outro, porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” At 4:12. Cristo é singularmente precioso aos olhos do Pai, porque Ele não somente obedeceu a sua vontade em todos os detalhes do plano da salvação de pecadores, mas continuou até ao ponto extremo, a “si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz.” Fl 2:8. Nós devemos valorizar o que Deus valoriza: “O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos.” Jo 3:35. Nós também O amamos e, sabendo que todas as coisas estão em suas mãos, chegamos a Ele confiadamente, “a fim de recebermos misericórdia e acharmos socorro em ocasião oportuna”. Hb 4:16.

d) “E quem nela (Cristo, a pedra que vive) crer não será, de modo algum, envergonhado.” Eis o motivo da nossa predileção por Cristo. Cremos que Ele é poderoso, “por isso também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” Hb 7:25. Possivelmente, essa frase nos coloca diante do tribunal de Deus, “que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento.” Rm 2:6. Talvez, tenhamos medo por causa do pecado que tenazmente nos assedia. Mas não temos motivo de ter receio, pois, a verdade é esta: “Se, todavia, alguém pecar, temos advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados.” – que os encobre, I Jo 2:1-2. Ou, talvez, tenhamos medo de não sermos reconhecidos naquele Dia. Novamente, a verdade é esta: O que crê em Cristo, “não será de modo algum, envergonhado.” Jamais seremos decepcionados. Com toda certeza, ouviremos o convite: “Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”. Mt 25:34.

2) A Premonição por Cristo. Vs. 7-8:  Nesses dois versículos, a premonição, ou, uma sensação de advertência, está presente. Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para buscar e salvar o perdido. Portanto, a rejeição de Cristo é um desprezo ao amor de Deus e à sua providência para a salvação de pecadores.

a) Primeiro, uma palavra positiva: “Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade.” A palavra “preciosidade” poderia ser traduzida como “honorabilidade”. Esse sentido se refere às palavras anteriores: “E quem nela crer, não será, de modo algum, envergonhado” – por ter sido enganado. Cristo é honrável, Ele é fiel, e os que confiam nele nunca terão motivo de se sentirem iludidos, ou postos de lado, especialmente no dia do Juízo Final. Os crentes serão reconhecidos como servos e servas do Senhor Todo Poderoso, II Co 6:18; e ouvirão com honrarias: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor”. Mt 25:21.
Mas, o sentido de “preciosidade” é igualmente válido. Cristo é indizivelmente precioso para o seu povo. Ele é a pérola de grande valor, Mt 13: 46. Dele temos recebido toda sorte de benção espiritual. Por causa de tantos benefícios recebidos, temos a mesma disposição do Ap. Paulo: “Pois estou pronto não só pra ser preso, mas até morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.” At 21:13. E os primeiros cristãos demonstravam a preciosidade de Cristo para as suas vidas, “mesmo em face da morte, não amaram a própria vida”. Ap 12:13. Cristo, por ser tão precioso, merece a totalidade da nossa dedicação. Olhamos para Ele em sua forma humana e confessamos: “Tu és o mais formoso dos filhos dos homens, nos teus lábios extravasou a graça; por isso, Deus te abençoou para sempre”. Sl 45:2. E acrescentamos: “Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade.” Hb 10:9.

b) Agora, a parte negativa: “Mas, para os descrentes”. Por que alguns crêem em Jesus Cristo, enquanto outros endurecem o seu coração contra Ele e praticam todo tipo de desobediência? Talvez o problema não seja propriamente a incredulidade, no sentido de não crer em Deus ou não acreditar em uma lei que é superior à própria consciência. Todas as pessoas têm um conhecimento básico da existência de Deus e da sua vontade para o seu procedimento. Nesse sentido, o texto de Romanos 2:14:16 é inconfundível. Todos têm um conhecimento suficiente dessas verdades, por isso, Deus pode julgar a cada um segundo a lei que está gravada no seu coração, sem qualquer exceção. Portanto, o problema principal é uma insubmissão, uma falta de querer. Cristo lamentou: “E vós não o quisestes!” Por isso, somos advertidos: “Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós o perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo.” Hb 3:12. Como podemos vencer essa falta de querer? Somos dependentes de uma intervenção soberana da graça de Deus. “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer, como o realizar, segundo a sua boa vontade.” Hb 2:13. Portanto, em nossa perplexidade, clamamos a Cristo: “Salva-me, Senhor!” Mt 14:30. Ele é o único que pode nos socorrer.

c) As consequências dessa rebelião: “A pedra (Jesus Cristo) que os construtores (a liderança religiosa) rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular e: pedra de tropeço e rocha de ofensa.” O Ap. Pedro citou essa profecia perante o Sinédrio em Jerusalém, na esperança de amolecer a consciência empedernida dessa liderança. E, para enfatizar a unicidade de Jesus Cristo, acrescentou: “E não há salvação em nenhum outro: porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. At 4:11-12. De fato, Cristo se tornou “a principal pedra”.

Por que essa rejeição? Por que Jesus se tornou “pedra de tropeço e rocha de ofensa” para tantas pessoas? Porque Cristo, o enviado por Deus, anulava o valor dos esforços orgulhosos para merecer a própria salvação. Como podemos descrever esse plano para merecer a salvação? O Ap. Paulo responde: “Porquanto (os judeus e toda a humanidade) desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria, não se sujeitaram à que vem de Deus”. Rm 10:3. Eles não conhecem a justiça que vem de Deus porque não querem obedecer ao claro ensino das Escrituras Sagradas. Estevão acusou os membros do Sinédrio, dizendo: “Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram os vossos pais, também vós fazeis". At 7:51.

A justiça que vem de Deus foi adquirida mediante a perfeita obediência de Jesus Cristo e a sua morte substitutiva para levar para longe o nosso pecado. Essa justiça é tomada e imputada a todos os que crêem em Jesus Cristo, sem qualquer ato merecedor. Para receber essa justiça, o pecador tem que se humilhar e desprezar todas as suas boas obras, porque ninguém será justificado pelas obras da lei, Rm 3:20. É nesse ponto que tantas pessoas tropeçam. É difícil demais se humilhar e receber, gratuitamente, a justiça que Deus lhe oferece. O orgulho e a auto-suficiência são fortes demais. “São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos”.

3) A Preocupação por Cristo: Apesar de Cristo ser “pedra de tropeço” para muitos, para nós, que somos salvos, “poder de Deus”. I Co 1:18. Assim, devemos cultivar uma preocupação por Cristo, um zelo pela santidade de seu nome. Vamos viver de acordo com a nossa elevação espiritual.

a) A nossa vocação: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus”. Somos um povo à parte, eleitos por Deus. Por isso, somos exortados: “procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição”. II Pe 1:10. Confirmamos a nossa eleição quando evidenciamos o poder transformador do evangelho em nosso procedimento diário. Somos “sacerdócio real”, separados do mundo para servir a Deus em santidade. Somos uma “nação santa”, propriedade exclusiva de Deus, um povo que obedece ao seu Redentor. “Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.” I Co 6:20.

b) A nossa missão: “A fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.” Glorificamos a Deus quando anunciamos os seus grandes feitos em favor do seu povo, e, especificamente, a obra para a salvação de pecadores: “Mas Deus prova o seu grande amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” Rm 5:8. “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados”. I Jo 4:10. Essas são as virtudes que temos de proclamar.

c) A nossa experiência: Não apenas ouvimos acerca das virtudes de Deus, mas, também, podemos experimentar a atuação delas em nossa própria vida. Veja como o versículo 10 corrobora com esta realidade: “Vós, sim, que antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia.” Observemos as duas comparações: o que éramos em nosso estado natural, e, agora, o que somos por causa da intervenção soberana da graça de Deus em nossa vida.

Éramos um povo sem Deus e sem esperança, “como meninos agitados de um lado para o outro e levados ao redor por todo vento de doutrina (filosofias humanas), pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.” Ef 2:12; 4:14. Mas, agora, tudo é diferente, pois, pela fé em Jesus Cristo, obtivemos uma identidade, somos filhos e filhas do Deus Todo Poderoso, II Co 6:18. Que maravilha! Que motivo de gratidão!

Desconhecíamos a misericórdia, e, perante a santa lei de Deus, éramos filhos da ira e merecedores do castigo eterno, por causa do nosso pecado. Mas, pela atuação soberana do Espírito Santo, fomos conduzidos a Jesus Cristo, e, nele, pela fé, alcançamos a misericórdia de Deus. “A ele, pois, a glória eternamente”. Rm 11:36.

Conclusão: Nós, os que cremos em Cristo Jesus, temos alcançado inúmeras bênçãos espirituais, enquanto outros permanecem nas trevas de seus pecados. Portanto, sejamos testemunhas fiéis, “a fim de vivermos de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus.” Cl 1:10.


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Fortes no Senhor



“Porque Deus não tem nos dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação” (2 Tm. 1:7).

Por causa de suas “frequentes enfermidades” (1 Tm. 5:23), Timóteo tinha uma constituição fraca, que se manifestava através de certos temores. Será que terei sabedoria para enfrentar os problemas na Igreja de Éfeso? (1 Tm. 1:3). Será que terei forças para enfrentar Alexandre, o latoeiro, que causou muitos males na vida do Ap. Paulo? (2 Tm. 4:14). Será que terei coragem para suportar os “sofrimentos como soldado de Cristo Jesus”? (2 Tm. 2:3). Ora, tais temores são formas  de egoísmo. Em vez de estar olhando para Jesus Cristo, o Autor e Consumador da nossa fé, a pessoa fica olhando para os seus próprios temores. Esse medo, essa falta de ousadia cristã, não vêm de Deus. Então, quais são as disposições que Deus tem nos dado pelo Espírito Santo?

1. Ele tem nos dado “Poder”. Poder para enfrentar e resolver os problemas que surgem na vida cristã. Poder para resistir o “pecado que tenazmente nos assedia” (Hb. 12:1). Poder para ser fiel a Jesus Cristo. Esse poder denota a coragem que não vacila diante das dificuldades desta vida. Somos capacitados para sempre agir conforme o poder do Espírito Santo que opera em nós (Ef. 3:20).

2. Ele tem nos dado “Amor”. Em vez de usar o nosso tempo inutilmente, preocupados com os nossos próprios temores, que prejudicam o nosso testemunho cristão, devemos dedicar todas as nossas energias para descobrir o poder do amor. Amor a Deus e amor ao próximo: “O cumprimento da lei é o amor” (Rm 13:10). O amor encobre muitos temores: “No amor não existe o medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo” (1 Jo. 4:18).

3. Ele tem nos dado “Moderação”, ou seja, domínio próprio, pois não deixamos certos temores atrapalharem a nossa plena obediência ao Senhor. Pelo poder do Espírito Santo mantemos a calma no meio de adversidades assustadoras, não perdemos o controle das nossas emoções. Ficamos agarrados à promessa que Cristo nos deu: “Eu vos darei boca e sabedoria  a que não podereis resistir, nem contradizer todos quantos se vos opuserem” (Lc. 21:15). Veja como essa promessa operou na vida de Estevão. Seus inimigos “não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava” (At. 6:10).

O Profeta, no meio de adversidades, confessou: “Eu, porém, estou cheio do poder do Espírito do Senhor, cheio de juízo e de força, para declarar a Jacó, a sua transgressão e a Israel, o seu pecado” (Mq. 3:8).

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Rev. Ivan G. G. Ross


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Como vencer o Pecado



Leitura Bíblica: Romanos 6:12-23

Introdução; No quinto capítulo da Carta aos Romanos, vemos o contraste entre a representatividade de Adão e Cristo. “Porque como, pela desobediência de um só homem (Adão), muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só (Cristo), muitos se tornarão justos.” Rm 5:19. Vemos, resumidamente, como o pecado entrou no mundo pela desobediência do nosso primeiro representante; e, como o pecador pode ser justificado, mediante a imputação da perfeita obediência do segundo representante. No sexto capítulo, essa justiça é comunicada ao pecador mediante uma união vital com Cristo, vs. 5-7. Em virtude dessa união, recebemos não apenas o perdão dos pecados, mas também, o domínio do pecado sobre o nosso corpo mortal.

Agora, nos vs.12-14, somos exortados a viver “em novidade de vida”, v. 4. Continuamos a sentir a realidade da nossa natureza pecaminosa, que se esforça para retomar o seu antigo domínio sobre nós, contudo, temos que resistir essas tentações. “Não reine, portanto o pecado no vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões, nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniquidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus como instrumentos de justiça.” O pecado se expressa mediante os membros do nosso corpo: mãos, pés, olhos, língua; e também mediante a nossa capacidade intelectual: pensamentos e determinações. Observe o contraste que o Apóstolo estabelece: em vez de apresentar os membros do nosso corpo para praticar a iniquidade, devemos dedicar cada membro ao serviço de Deus, dizendo: “Eis aqui estou (todos os membros do meu corpo), para fazer, ó Deus, a tua vontade”. Hb 10:9. E, para nos encorajar, o Apóstolo afirma: “Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei (que não nos oferece nenhum auxílio na prática da verdadeira santidade) e sim da graça (que nos oferece todos os recursos necessários para que possamos resistir o assédio do pecado).” Mas, por causa da insistência do pecado para retomar seu antigo domínio sobre nós, o Apóstolo nos dá a chave para vencer esse assédio. Tudo se resume nesta pergunta: Nós vamos oferecer os membros do nosso corpo para servirem a quem? Ou ao pecado, ou a Deus que nos criou?

1) A Constância do Oferecimento; vs 15-18 Os membros do nosso corpo estão sempre envolvidos em alguma atividade, ou o bem ou o mal. No v. 15 o Apóstolo faz uma referência ao antinomianismo, uma doutrina perversa que ensina que a lei moral (os dez mandamentos, por exemplo) foi revogada  na vida daqueles que são justificados pela fé em Jesus Cristo e, por consequência, o pecado que é cometido não está sujeito à punição. A essa hipótese, o Apóstolo responde: “E daí? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei e sim da graça?” Ele nos responde com um enfático: “De modo nenhum!” Em seguida, o Apóstolo explica por que não podemos continuar na prática desimpedida do pecado: “Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos”? v.2. Por estarmos mortos para o pecado, ele não tem nenhuma atração para nós, pelo contrário, nós o odiamos e fugimos dele. Observemos o raciocínio do Apóstolo:

a) A questão do oferecimento dos nossos membros para realizar um serviço, v 16.. Aquele a quem obedecemos, esse é o nosso mestre, aquele que controla a nossa vida. Quando obedecemos aos ditames do pecado, ele é o nosso mestre. E, semelhantemente, quando obedecemos às normas da justiça, ela é o nosso mestre. Veja o contraste entre esses dois tipos de serviço: o pecado conduz  à morte, ou seja, à separação de Deus; a obediência às normas estabelecidas por Deus, por sua vez, conduz à justiça, ou seja, à plena aceitação diante de Deus.
b) O contraste entre o outrora, o tempo sem Cristo em nossa vida, e o agora, quando Cristo passou a direcionar a nossa vida v. 17: Outrora éramos “escravos do pecado”, mas, agora, graças a Deus, viemos a obedecer, não involuntariamente, antes, espontaneamente, e de coração, à forma de doutrina ensinada nas Escrituras Sagradas. Essa doutrina é “todo o desígnio de Deus”, a sua soberania e seu direito para reger sobre a nossa vida e determinar o que Ele requer de todas as pessoas, At 20:27.
c) O resultado dessa disposição, v. 18.E, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.” Notemos a clareza do pensamento: enquanto continuarmos sob o domínio do pecado, é impossível render a Deus qualquer ato de justiça que O agrada. “Os que estão na carne (em seu estado natural e sem a tão necessária regeneração) não podem agradar a Deus.“ Rm 8:8.
Mas, por outro lado, depois de termos nascido de novo, fomos feitos “servos da justiça”. Em virtude dessa obra regeneradora em nossa vida, Deus nos considera aptos e fiéis para o seu serviço, e essa verdade deve encher o nosso coração com gratidão incessante, I Tm 1:12.

2) A Consciência do Oferecimento vs 19-20: O Apóstolo faz outra comparação. Dessa vez, entre o homem natural e o espiritual. Veja a diferença inconfundível.

a) Os membros do homem natural são oferecidos “para a escravidão da impureza (perversões sexuais, Rm1:26-27) e da maldade para a maldade”. O Apóstolo descreve a manifestação dessa maldade para a maldade em Tito 3:3: “Pois também outrora (antes de sermos regenerados e renovados), éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros.” Dentro do contexto dessa corrupção moral, ficamos maravilhados com a paciência e o amor de Deus: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” Rm 5:8. Realçamos a situação na qual esse amor atuou: “Sendo nós ainda pecadores”, ainda na plena prática de todo tipo de corrupção moral e espiritual. Por causa desse estado, estávamos “isentos (sem liberdade) em relação à justiça”. Nesse contexto, é impossível descobrir qual ato poderia nos fazer merecedores da graça de Deus. Por isso devemos sentir a necessidade indispensável da misericórdia divina para sermos salvos.
b) Os membros do homem espiritual são oferecidos “para servirem a justiça, para santificação.” Como podemos explicar essa mudança radical nas disposições? O Apóstolo continua, dando-nos a explicação: “Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo.” Tt 3:4 Eis aqui a causa dessa mudança: fomos regenerados e renovados pelo poder do Espirito Santo. Sim, agora podemos caminhar “para servir a justiça. Para santificação.” Como podemos saber se nós somos realmente regenerados e renovados? Pela mudança visível em nossas atitudes: “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido (regenerado) de Deus” I Jo3:9

3) A consequência do Oferecimento, vs 21-23: Depois de ter oferecido os membros do nosso corpo como servos do pecado, o Apóstolo faz uma pergunta: “Naquele tempo (praticando toda sorte de paixões e prazeres), que resultados colhestes?” A resposta é negativa: “Somente as cousas que, agora (como servos de Deus), vos envergonhais; porque o fim delas é a morte” A lembrança do nosso procedimento anterior e o desprezo da realidade da morte faz-nos corar de vergonha. O passado não pode ser totalmente obliterado, contudo, podemos assumir a atitude certa: “Mas uma cousa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” Fp 3:13-14. Devemos recusar todas as ocasiões para rememorar ou reviver os pecados de outrora. Repetimos a pergunta anterior: Agora, em Cristo Jesus, “Que resultados colhestes?” Dessa vez a resposta é positiva: “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna” v. 22. Devemos meditar demoradamente sobre a preciosidade dessas quatro frases:

a) “Agora, porém, libertados do pecado.” Em plena vida, estávamos experimentando os terrores do Juízo Final. Mas, agora, somos redimidos pelo sangue de Cristo, libertados do domínio do pecado e da sentença da morte eterna. Agora temos “a liberdade da glória dos Filhos de Deus” Rm 8:21.
b) “Transformados em servos de Deus”. Outrora “servimos o pecado como escravos”, uma servidão cruel, porque o fim é banimento da presença abençoadora de Deus. Mas, agora, servimos um novo Senhor, Jesus Cristo, que é “manso e humilde de coração”, e Nele achamos “descanso para a nossa alma” Mt 11:29.
c) “Tendes o vosso fruto para a santificação”. Esse novo serviço resulta em santificação e uma “vida aceitável e aprazível a Deus” Fp 4:18.
d) “E, por fim, a vida eterna.” Sentimos o contraste entre esses dois tipos de serviço. Aquele que oferece os seus membros para servir o pecado caminha para a morte, porém, aquele que oferece os membros do seu corpo para servir a Deus, caminha para a vida eterna e a paz para sempre. Que fim glorioso!

Conclusão: Depois desta vida existem apenas dois lugares na eternidade, ou o céu ou o inferno, por isso, o assunto sobre oferecimento dos membros do nosso corpo se encerra com esta palavra solene: “Porque o salário do pecado (o que o pecado paga) é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida Eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” Portanto, a exortação é esta: “Escolhe, pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência.” Dt 30:19




sábado, 10 de agosto de 2013

OS MISERICORDIOSOS


“Bem-aventurado os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” Mateus 5:7.

A partir da quinta bem-aventurança até à sétima, discernimos uma ligeira mudança na ênfase. A humildade, o arrependimento, a mansidão e a fome espiritual são características constantes em todos os cidadãos do reino dos céus. Mas as três bem-aventuranças que se seguem enriquecem a descrição daqueles que são verdadeiramente saciados com a justiça de Cristo, pois estão ansiosos para praticar essa justiça em sua própria vida.

1. O Encorajamento da Bem-aventurança. Há uma alegria indizível que invade o coração quando percebemos que a nossa vida está se conformando mais e mais à imagem daquele que nos amou e a si mesmo se entregou por nós. Cristo nos convida: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (Jo. 7:37-38). E, dessa abundância, temos os recursos para imitar a Cristo. Em que sentido? Como ele nos amou, assim amemos uns aos outros.

2. A Manifestação da Bem-aventurança. O misericordioso é aquele que abre o seu coração quando vê alguém num estado de miséria. O exemplo máximo dessa disposição é o próprio Senhor Jesus Cristo. Quantas vezes Ele ficou “profundamente compadecido” diante da miséria humana e logo cuidou do necessitado, (Mc. 1:40-42). O bom Samaritano nos mostra como devemos agir nessa situação. Quando ele viu o rapaz semimorto “compadeceu-se dele. E, chegando-se pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhe óleo e vinho; e, colocando-o sobre seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele”. E ainda pagou as despesas de hospedagem! O cuidado do Samaritano foi total, (Lc. 10:33-35).
3. O Cumprimento da Bem-aventurança. Devemos sempre lembrar que somos pecadores, carecendo da glória de Deus e totalmente dependentes da sua misericórdia. O Salmista orava: “Não te lembres dos meus pecados da mocidade, nem das minhas transgressões. Lembra-te de mim, segundo a sua misericórdia, por causa da sua bondade, ó Senhor” (Sl 25:7). E, semelhantemente, convém lembrar da lei da semeadura. Se semearmos atos de misericórdia, ceifaremos atos de misericórdia.

Conclusão: Quer ou não quer, estamos sempre plantando algo através do nosso estilo de vida. Que a colheita que, com certeza haveremos de ceifar, seja para o consolo em nossos anos de declínio.
Rev. Ivan G. G. Ross

sábado, 13 de julho de 2013

A Missão da Igreja





Leitura Bíblica: Lucas 24:44-49

Introdução: Depois da sua ressurreição dentre os mortos, Jesus apareceu fisicamente a seus discípulos várias vezes, “falando das cousas concernentes ao reino de Deus.” At 1:3. Qual foi a ênfase da sua orientação nesse encontro? A necessidade de acreditar na palavra profética das Escrituras Sagradas: “A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos” - essas são as três divisões no Livro do Antigo Testamento. Observemos o que Jesus está dizendo. Durante o seu ministério, antes de sofrer na cruz, Ele predisse várias vezes acerca do seu sofrimento: “Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas; condená-lo-ão à morte e o entregarão aos gentios (Pilatos e seus soldados); hão de escarnecê-lo, cuspir nele, açoitá-lo e matá-lo; mas depois de três dias ressuscitará”. Mc 10:33-34. “Pois o próprio Filho do Homem, não veio para ser servido, mas dar a sua vida em resgate por muitos” -  pagando o preço da salvação de seu povo, Mc 10:45.

Apesar de terem ouvido essas profecias, parece que os discípulos não compreenderam o significado dessas palavras. Nós não somos diferentes, por isso a necessidade de pedir ao Senhor: “Desvenda os meus olhos para que eu contemple as maravilhas da tua lei.” Sl 119:18. Agora, nesse encontro, Jesus está querendo ajudá-los a vencer este bloqueio espiritual: “Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos ao terceiro dia”. Os discípulos eram testemunhas do cumprimento dessas profecias. Assim, na sua mensagem inaugural, o Ap. Pedro podia declarar: “A este Jesus Deus  ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas.” At 2:32. E, outra vez, dirigindo-se ao Sinédrio, disse: “O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, a quem vós matastes, pendurando-o num madeiro (...) Ora, nós somos testemunhas destes fatos, e bem assim o Espirito Santo, que Deus outorgou aos que lhe obedecem.” At 5:30,32.

Agora, sabendo que as Escrituras Sagradas são infalíveis, e que as suas palavras estão se cumprindo inerrantemente, cada um de nós temos que assumir a nossa responsabilidade individual para proclamar estas verdades bíblicas, pois, como Cristo disse: “Sereis minhas testemunhas.” – pessoas que têm uma experiência salvífica com o Cristo que o mundo precisa ouvir, At 1:8. Assim, quando os cristãos foram “dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria, iam por toda parte pregando a palavra.” At 8:1,4.

1) A Outorga da Palavra: Devemos perguntar: Qual foi a mensagem que a igreja foi outorgada a pregar? Cristo destacou duas partes essenciais: o âmago do Evangelho e como ele deve ser aplicado ao ouvinte.

a) O âmago do Evangelho. “Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos ao terceiro dia.” Vs 46. O Ap. Paulo resumiu o Evangelho que ele recebeu do Senhor: “Que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as escrituras.” I Co 15:3-4. A essência do evangelho se resume nestes três pontos fundamentais:

Primeiro: Cristo morreu pelos nossos pecados. A sua morte foi substitutiva. Ele assumiu o lugar do pecador diante da lei de Deus. O nosso pecado foi tirado de nós e colocado sobre a pessoa de Jesus Cristo: “Carregando ele mesmo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para o pecado, vivamos para justiça; por suas chagas, fostes sarados” – ficamos livres das consequências judiciais dos nossos pecados e preparados  para a vida eterna. I Pe 2:24. Por isso, confessamos Jesus Cristo como nosso “grande Deus e Salvador” Tt 2:13 com Is 43:11.

Segundo: Cristo foi sepultado. Além de testificar da realidade da sua morte, os pecados que Ele carregou foram totalmente desfeitos e cancelados, foram sepultados com Cristo para nunca mais apavorar aqueles que Cristo redimiu pelo preço de seu precioso sangue.

Terceiro: Cristo ressuscitou ao terceiro dia. Ele mesmo testificou ao Ap. João: “Não temas; eu sou o primeiro e o último e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno.” Ap 1:17-18. O Ap Paulo deu esta exposição da obra redentora de Jesus Cristo: “O qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação.” Rm 4:25. Através da sua perfeita obediência até a morte e morte de cruz (Fp 2:8), Cristo adquiriu uma justiça, a qual é imputada a seu povo, fazendo-o aceitável a Deus. Esta é “a justiça que procede de Deus, baseada na fé”, a justiça que é absolutamente necessária para a salvação do pecador, Fp 3:9. Esses três pontos representam o âmago do evangelho que foi outorgado à igreja e que ela deve anunciar com toda fidelidade.

b) O aplicação do Evangelho: “E em seu nome se pregasse arrependimento para a remissão dos pecados” v.47a. O Ap. Pedro, depois de anunciar como “Cristo havia de padecer”, exortou os seus ouvintes: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério”, At 3:19-20. Sem o reconhecimento da nossa pecaminosidade, pois temos pecado contra o Senhor, e sem o verdadeiro arrependimento, o abandono do pecado e uma visível conversão a Jesus Cristo a fim de andar com Ele em novidade de vida, não há nenhuma possibilidade de receber o prometido refrigério espiritual e nem a remissão dos pecados. Depois de ouvir sobre o sacrifício de Jesus Cristo, o povo precisa saber como fazer as suas pazes com Deus. Essa orientação é parte inseparável da fiel pregação do evangelho.

2) Os Ouvintes do Evangelho: Essa mensagem tem que ser anunciada “a todas as nações, começando de Jerusalém”, ou seja, começando de nossa cidade natal e expandindo para as regiões além, v.47 b. O trabalho missionário nem sempre é fácil, às vezes tem que enfrentar a oposição das autoridades seculares e religiosas, além de outras diversas formas de perseguição. Contudo, o Espírito Santo é poderoso e, mesmo em lugares improváveis, Deus tem o seu povo. O nosso dever é pregar o evangelho, porém, o fruto e crescimento pertencem a Deus.

Em termos de evangelização, Jerusalém foi uma cidade aberta para o evangelho? Em primeiro instante, respondemos: Não. As autoridades religiosas sempre resistiram o Espírito Santo. At 7:51. Jesus lamentou sobre esta cidade: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!” Mt 23:37. Contudo, apesar desse quadro negativo, no dia de Pentecostes, mediante a pregação do Ap. Pedro, “quase três mil pessoas” que habitavam em Jerusalém aceitaram a palavra e foram batizadas, At 2:5,41. Porém, pouco tempo depois, “levantou-se grande perseguição contra a Igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria.” At 8:1. É interessante observar que essa perseguição contribuiu para a difusão do evangelho: “Os que foram dispersos iam por toda parte pregando a palavra” At 8:4.

Em termos de evangelização, a Antioquia foi uma cidade aberta para o evangelho? Evidentemente, sim, não há nenhum registro de oposição, antes, houve uma receptividade impressionante: “A mão do Senhor estava com eles (alguns dos dispersos), muitos crendo, se converteram ao Senhor.” At 11:21. É interessante observar que a Igreja em Antioquia foi a primeira a organizar uma expedição missionária com o propósito específico de evangelizar outras regiões. “Enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali  navegaram para Chipre. Chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas judaicas.”  At 13:1-5.

Outro caso que desperta o nosso interesse é o chamado do Ap. Paulo para evangelizar a Macedônia. O apelo parece tão convidativo: “Passa a Macedônia e ajuda-nos.” At 16:9. Porém, quando chegou a Filipos, ninguém estava lá para dar-lhe as boas vindas. Depois de andar vagueando pela cidade, descobriu “um lugar de oração.” e lá encontrou-se com Lídia, que, ao ouvir a palavra, “o Senhor lhe abriu o coração para atender às cousas que Paulo dizia.” At 16:14. Em seguida, Paulo começou a evangelizar a cidade e ajudar as pessoas. Mas qual foi a recompensa desse trabalho? As autoridades lhe deram muitos açoites   e o lançaram no cárcere. E lá, o próprio carcereiro ouviu o evangelho e converteu-se ao Senhor, At 16: 23-33. Assim, aos poucos, a Igreja em Filipos se estabeleceu. A pregação do evangelho nos oferece diversas experiências, nem sempre agradáveis. Contudo, é dessa maneira que a Igreja se estabelece.

3) A Ousadia do Evangelho: De onde vem a ousadia daqueles que estão anunciando o evangelho com a devida reverência e autoridade? Eles receberam a promessa do Pai, o dom do Espírito Santo. Assim, são “revestidos de poder.” V.49. Mas essa promessa não se limita a algumas pessoas seletas, antes, é outorgada a todos os que crêem em Jesus Cristo. O Ap. Pedro exortou a seus ouvintes: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado (confessar publicamente) em nome de Jesus Cristo para remissão de pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo.” At 2:38. Todos aqueles que crêem em Jesus Cristo devem ter a certeza quanto ao recebimento dessa dádiva, porque a Bíblia ensina repetidamente que Deus outorga o Espírito Santo a todos “que lhe obedecem.” At 5:32. Obediência, nesse contexto, significa todos os que crêem em Jesus Cristo, Jo 6:29.

Como podemos explicar o bom êxito do Ap. Paulo como pregador do evangelho? Quando ele teve aquele encontro salvador com Jesus Cristo, ele recebeu e ficou “cheio do Espírito Santo” At 9:17. Foi o Espírito Santo que habitava na vida de Paulo e Silas que os separou para a obra missionária, At 13:2. E, foi o mesmo Espírito que os direcionou quanto aos lugares a serem evangelizados. At. 16:6-10. A disposição espiritual dos cristãos em todo o seu serviço se resume nestas palavras: “Os discípulos, porém, transbordavam de alegria e do Espírito Santo.” At 13:52.

Devemos valorizar a presença do Espírito Santo que habita em nossa vida. A ordem é: “Não apagueis o Espírito.” I Ts 5:19. Quando nós cremos em Jesus Cristo, somos imediatamente “selados com o Santo Espírito da promessa” Ef 1:13. Por Ele temos acesso ao Pai, Ef 2:18. Somos “fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior.” Ef 3:16. Não ficamos amedrontados diante da perseguição: “Se pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória de Deus.” I Pe 4:14. E, quando temos que testemunhar em situações difíceis: “Não vos preocupeis com o que haveis de dizer, mas o que vos for concedido naquela hora, isso falai; porque não sois vós que falais, mas o Espírito Santo.” Mc13:11.
Veja o exemplo dos Apóstolos Pedro e João diante do Sinédrio, At 4:18-20.

Cada indivíduo, membro da igreja, é uma testemunha que tem o dever de anunciar o que Cristo tem feito em sua vida. Convém lembrar-se da palavra de Cristo: “Todo aquele que me confessar diante dos homens, também o Filho do homem confessará diante dos anjos de Deus; mas o que me negar diante dos homens será negado diante dos anjos de Deus.” Lc 12:8-9.

Que Deus nos ajude a sermos achados fiéis em nossa missão.


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Porque devemos ir a Igreja?




Vamos abordar este assunto fazendo algumas perguntas e tentando descobrir algumas respostas razoáveis. A maioria de nós, que tem uma vida mais ou menos normal, tem um lugar que chamamos: Nossa Casa. Não tem importância as suas circunstâncias sociais, é Nossa casa. Por que temos tanto apego  a este lugar especifico? Talvez haja várias respostas, tais como:  é o lugar onde meus pais moram; ou, Eu tenho que ficar onde meus pais estão. Todos nós temos de ter um lugar fixo, onde podemos ir, descansar, dormir, abrigar-nos; enfim, um lugar onde podemos ficar à vontade e sentir uma certa segurança.

A nossa casa é realmente necessária? Como seria nossa vida se não tivéssemos esse lugar fixo que chamamos: Nossa casa?  A nossa vida seria bastante solitária e sem nenhuma segurança (semelhante àqueles que moram na rua). Não teríamos o apoio dos nossos pais e nem uma vida em família. Enfim, a nossa vida seria uma mera existência, sem direção e sem sentido. Alguém aqui tem lido aquele livro:  “Sem família”, de Hector Malot? O menino sofria todo tipo de privações e de abuso. Por quê? Ele não tinha família; vivia sem pai e sem irmãos, não tinha um lar.

Para onde estamos indo? Em todas as respostas sugeridas, a presença e o apoio dos pais estavam presentes. Dependemos deles para o nosso crescimento. Por outro lado, os nossos pais assumiram a responsabilidade de cuidar de nós. Nascemos com este conhecimento, porque sabemos que pertencemos a eles; por isso, quando precisamos de alguma coisa, sempre dirigimo-nos a eles, por causa dos laços que nos unem. Enfim, somos uma família. Os pais nos amam e nós os amamos.

Não podemos fugir da realidade deste laço que nos une aos nossos pais. Não tem importância o argumento de independência, o laço que existe, juntamente com todas as conseqüências desta realidade. Existimos, eu sou o que sou, porque fui gerado por meus pais. Todos os nossos antepassados dariam a mesma explanação de sua existência. Fomos gerados por nossos pais. Se não fosse assim, não haveria nenhuma forma de vida como nós a conhecemos. Mas se pudéssemos regressar até o primeiro homem, as perguntas seriam: Quem o gerou? Como é que ele veio a existir? Ele não surgiu do nada, isso seria uma impossibilidade. Temos que admitir que alguém deu a sua existência. E este alguém é Deus, o criador dos céus e da terra e de tudo o que neles existe. A doutrina da nossa Igreja Presbiteriana tem este ensino importante: “ A luz da natureza revela que existe um Deus que mantém o senhorio e soberania sobre tudo; que é bom e faz o bem a todos; portanto deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido de todo o coração, de toda a alma e todas as nossas forças” (Confissão de Fé 21:1).

No mesmo sentido  em que temos laços de família com os nossos pais, e a obrigação moral para reconhecê-los e respeitá-los como os nossos genitores, assim, temos elo semelhante diante de Deus. E, sendo o Grande Originador de toda a humanidade, Ele assumiu a responsabilidade de cuidar de nós e suprir cada uma das nossas necessidades; e nós, por causa dos laços de filiação, devemos a Ele o devido reconhecimento, obediência e respeito (No momento, não podemos discutir o estrago que o pecado causou neste relacionamento original. O sábio confessou: “Eis o que tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúciasEc. 7:29).

Qual é uma das providências de Deus para cuidar do bem total da humanidade? Sem dúvida alguma, é a sua Igreja, onde o povo pode sentir os laços da família espiritual e das providências de Deus para o seu bem total – um bem que se estende até a eternidade, a vida eterna. Para o povo de Deus, a Igreja é aquele lugar especifico onde as pessoas se encontram com o pai Celeste, e de onde desfrutam de todas as seguranças (bênçãos) espirituais, tão necessárias para seu bem total. A Igreja é a nossa casa espiritual, o lugar onde a família de Deus se encontra e desfruta daquela “comunhão com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo” (1 Jo. 1:3)

 É instrutivo ler a bíblia e sentir como o povo de Deus amava a casa do Senhor. O salmista testemunhou: “Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos... Bem-aventurados os que habitam na sua casa, louvam-te perpetuamente... Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meus Deus, a permanecer nas tendas da perversidade. Porque o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dá graça e glória; nenhum bem sonega aos que andam retamente” (Sl. 84: 1,4,10,11), E, o que é que vemos dentro da Igreja? Um povo congregado, cada pessoa dando plena atenção ao Dirigente. “Na verdade, o Senhor ama os povos; todos os seus santos estão na sua mão; eles se colocam  a seus pés e aprendem das palavras” (Dt. 33:3). É importante observar o valor que o Senhor Jesus dava à sua Igreja ( o lugar específico para prestar culto a Deus). Um dia, quando era ainda criança de doze anos, Ele deu uma pequena fuga, e quando encontrado por seus pais (José e Maria), ofereceu esta justificação: “Por que me procuráveis? Não sabeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?(Lc. 2:49). E quando Ele viu coisas inconvenientes acontecendo neste lugar de culto, repreendeu os responsáveis, dizendo “Tirai daqui estas cousas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio(Jo. 2:16).

Agora, voltando para a pergunta original: Por que devemos freqüentar a Igreja? Ou, fazendo outra pergunta semelhante: Por que  aceitamos a nossa casa como algo de suma importância?  A resposta é a mesma para as duas perguntas. Precisamos um lugar especifico para o nosso bem total. Precisamos da casa do nosso Senhor e salvador Jesus Cristo para nossa formação e segurança espiritual.Como estaríamos sem a proteção destas duas casas de abrigo? Seríamos reduzidos à mendicância, à semelhança das pessoas de rua; expostos a todo tipo de abuso, físico e moral; enfim, uma vida sem Deus e sem esperança.

Devemos aprender a observar e a analisar as coisas que acontecem ao nosso redor. Quais são os sentimentos da maioria daqueles que procuram viver sem um compromisso com Deus e com a sua Igreja? Depois que passa a euforia  dos “prazeres transitórios do pecado” (Hb. 11:25), o que resta  ?  Os tormentos de uma consciência acusadora ( At. 2:37). Por que existe suicídio? Sem dúvida alguma, em muitos casos, um pecado imperdoável foi praticado e, não podendo suportar as conseqüências de uma consciência acusadora, tais pessoas tentam fugir de suas angústias através do suicídio.

Ninguém de nós é tão forte que pode viver satisfatoriamente sem o amparo que Deus nos oferece através do ministério da Igreja. Não convém desprezar o que Deus julga importante  para o nosso bem total. Devemos assumir um compromisso de sempre estar na casa de Deus; não sozinhos, mas sim, convidando os nossos amigos e familiares e, certamente, ouviremo-los confessar: “alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor” (Sl 122:1).

Itajubá, 08 de Junho de 2005
Rev. Ivan G. G. Ross